sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Esqueçam tudo que eu disse

... O problema não é a sua conjuntura na vida, é ser uma pessoa profunda. É seu "defeito" de personalidade. Pense raso, viva a fundo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Não faz sentido

Se você fracassa, a responsabilidade é só sua. Ok. Mas se você faz sucesso, tem que agradecer a todos do seu entorno.
Que lógica é essa? Ou todos estão no mesmo barco ou não.
Diga logo que é uma questão de educação, mas não que isso faz sentido, na moral.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Dedicatória

Semana passada estava passando os meus livros para o novo armário. Como é usual nesse tipo de situação, redescobri livros que nem imaginava que tinha.
Um deles foi uma coletânea de entrevistas de Leda Nagle no Sem Censura com um monte de gente bacana. Tá, me julguem, mas eu adoro aquela traveca e o programa dela. Se eu estiver em casa de tarde, é batata. Fiquei tentando lembrar quem me deu. Não consegui. Talvez Ingrid, talvez Leco. Não lembrei. Decidi que, de agora em diante, ninguém me dá mais livro sem dedicatória.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Deus e o diabo cochichando no meu ouvido

... Enquanto eu fico sem saber se escuto a mente ou o coração.
Hoje, um amigo e eu comentávamos algo que uma colega de trabalho escreveu em uma postagem do Facebook. Em uma foto da festa da empresa, em que ela aparecia com os colegas de editoria, escreveu: "A elite da firma".
Meu amigo, que é do "baixo clero" que nem eu, não gostou do que ela escreveu. Concordei com ele. Aliás, nenhuma das 60 pessoas que curtiram a foto curtiu a frase dela, que foi a única a não receber um aval entre umas dez deixadas no post.
A menina é filha de gente rica e influente. Não é má pessoa. Aliás, noto que ela tenta acompanhar o resto da redação, percebo que ela quer se alinhar ao pensamento e às atitudes das pessoas, que tenta dar opiniões mais liberais. Ela quer mostrar que não é uma patricinha. Até ouvi dizer que está querendo morar sozinha, se bancar, sem a ajuda dos pais. Sinceramente, dou valor, achei bonito da parte dela. Por isso, um lado meu diz: "Ela tem boa vontade e as pessoas podem sempre nos surpreender".
Mas o outro lado, do diabinho, aquele que é baseado nas experiências de vida (e já vivi mais de um terço de século a essa altura), diz que a nossa criação não morre tão fácil dentro da gente e que o comentário, mesmo sem intencionalidade - e, é isso aí, o diabo costuma estar mesmo nos detalhes -, não deixa de refletir o meio do qual ela veio e, principalmente, o modo como ela foi ensinada a se pensar e a ver os seus: como elite, pequeno grupo, parte de um roll seleto, superior em qualidades. Olhe para Lobão e Roger. Para mim, eles são exemplos clássicos disso que estou falando.
Na juventude é bonito ser contra papai e mamãe e querer um mundo mais igual. Mas conforme vamos envelhecendo, nossas persistências em "nadar contra a maré" vão se afrouxando. Papai e mamãe começam a aflorar dentro de nós. Tanto que já virou até piada (machista) dizer que a sogra é a esposa no futuro.
Tenho tanta consciência disso que, confesso, tenho medo até de mim, de deixar vir à tona, algum dia, a parte ruim de meus pais, "la mala educación" que tive em família. Acho que é por isso que lanço tanto minhas opiniões nesse blog. Deve ser para firmar compromisso. Deve ser uma forma de pedir que vocês, amigos, não me deixem desviar daquilo que é importante, nunca permitam que eu ache que sou elite do que quer que seja.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O frágil (?) ego masculino

Outro dia, um amigo da faculdade me telefonou. Sacomé, terminou um namoro de anos - quando dona patroa entra, azamiga saem e vice-versa -, está morando onde o vento faz a curva depois que passou no concurso da PF e - vou jogar na cara mesmo! - agora ele me telefona com certa frequência, como era antes. Ando recebendo mais telefonemas dele, em três meses, do que nos últimos três anos e até levei bronca, no último, por não ligar. Como o mundo gira! rs.
Ele, nessas conversas, andou se queixando do difícil ego masculino, que demonstra a sua fragilidade através de uma competitividade que o aborrece. Reclamou do clima na academia da polícia de muito exibicionismo, disse que isso não casava com a personalidade dele e blá, blá, blá.
Meu amigo não é o tipo de cara que tem problemas com o masculino. Não, não. É um cara bem "normal", que não sofreria bullying numa roda de homens. Por isso me surpreende saber que, de dentro, o mundo dos machos alfa é tão competitivo. Confesso, sempre achei - e até invejava - que os caras eram mais simples, mais relaxados, chegados numa camaradagem gratuita - coisa que raramente encontro nas mulheres, que tendem à gentileza apenas quando se chegam.
Claro, notava um ou outro exemplar do sexo masculino com um problema de orgulho agudo, do tipo raramente visto do lado de cá da cerca. Mas não imaginava a existência desse "aborrecente" ego dos homens.
Andei refletindo um pouco sobre isso e não é que faz sentido a queixa do rapaz?
Acho que é porque isso é mais visível no campo amoroso. Ali fica evidente que eles são mais orgulhosos e menos corajosos que a gente. São várias as situações em que eles têm reações duras, a nosso ver, a troco de nada (depois nós somos as histéricas, né?).
Uma amiga me contou que estava saindo com um carinha, colega dela de profissão. Ela queria curtir,  no sentido de aproveitar a vida sem compromisso; ser feliz junto sem estar num relacionamento; "somente sexo e amizade", capisci? Um dia ela precisou desmarcar com ele por um motivo real. Quando o procurou para marcar uma saída, fez que não era nem com ele. Uma mulher dificilmente seria indócil numa situação dessa. A maioria ficaria até solidária, preocupada com o cara, mesmo ainda não havendo amor da parte dela.
Uma vez soube de uma história que me deixou impressionadíssima. Um homem pobre havia se casado por amor com uma mulher de origem rica. Dez anos e três filhos depois, em uma discussão ela disse o que nunca deveria ter dito (nunca mesmo, porque certas coisas ninguém tem direito de dizer ao outro, nem na hora da raiva, a não ser que nunca mais queira ver a pessoa na vida), que quem tinha dinheiro ali era ela e ele era um zero à esquerda. Ele saiu de casa, estudou bastante e se tornou um homem importante no Direito, acho que juiz ou desembargador. Nunca deixou de gostar dela e depois da separação teve alguns casos e namoros, mas nunca mais houve alguém importante. Ela se arrependeu logo e passou a vida inteira pedindo a ele que a perdoasse, que voltasse para casa. Ele nunca cedeu. Enfim, envelheceram brigados e se amando. Se o ofendido fosse uma mulher, essa briga não teria durado tanto.
Eu poderia citar outros casos que eu lembro de atitudes orgulhosas deles ao mínimo sinal de "ofensa". Por incrível que pareça, pensando bem e discutindo o assunto com essa amiga, os homens têm mais necessidade de serem endeusados do que a gente. Não aguentam muito bem serem contrariados.
São muito mais preocupados com o destaque profissional (= social, público). As mulheres são mais relaxadas quanto a isso, outras coisas têm prioridade e ficam igualmente felizes se o marido ou os filhos são bem sucedidos. Não precisa acontecer exatamente com elas, na maioria dos casos.
A única parte relax - e por enquanto - é a física. Porque eles são tão bem tratados, tão reizinhos do pedaço, que ninguém nem liga se estão carecas, se estão barrigudos ou mesmo mal-vestidos. Basta ser "macho". E ser macho significa ser o que domina. Sempre. Ponto final.
Minha amiga fala: "Isso vem da relação da mãe". Bastante provável. No fundo, penso eu, eles querem a mãe. Ainda não estão preparados, em sua maioria, para uma relação homem-mulher.
Nascem, crescem e permanecem meninos.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Coração de gente é terra de ninguém

Essa semana, uma amiga de longa data, pessoa não só querida como figura que admiro muito, assumiu um relacionamento lésbico no Facebook. Ainda não falei com ela sobre isso, mas me pareceu tão plena nas fotos com a namorada que, claro, não dá para não ficar feliz pela pessoa - e essa amiga merece muito ser feliz -, embora eu confesse alguma estranheza em ver duas mulheres em vez de um homem e uma mulher. Mas vai passar. É questão de costume. Precisamos, nessa fase da sociedade, nos acostumar, juntar consciência e coração. E nisso eu admirei muito essa minha amiga. Ela passou por um câncer e disse que algumas pessoas se afastaram dela por causa da doença. Outras pessoas vão se afastar depois disso. É preciso ter coragem para bancar esse tipo de reação. Bem, ela é ariana, rs.
Coincidentemente, desde o ano passado histórias de casais controversos vêm acontecendo perto de mim. Essa aí que contei é light, é puro amor que ousa dizer, inclusive, seu nome.
A primeira que me apareceu foi punk. Muita traição, muita agressividade, uma boa dose de perversidade e de falta de amor próprio. A parte, digamos, mais fraca do triângulo amoroso saiu muito humilhada. Quem mais aprontou foi justamente meu amigo. Fiquei revoltada com ele. Claro, você, como mulher, se põe no lugar. Parei quando vi que eu mesma já estava ficando constrangida de passar o sermão nele. Um dia, eu espero, ele para com esse tipo de comportamento que, eu sinto, também faz mal a ele. A história continua, mas eu resolvi apenas me divertir na companhia dele falando amenidades, seguindo o conselho de uma amiga em comum que também não concorda com as coisas que ele apronta. Não falo mais disso para não me aborrecer e perder o amigo.
Depois me entreti com uma cama de gato hetero-lésbica, rs. Teve gente machucada nessa história e alguns comportamentos nada cuidadosos e éticos da parte dos envolvidos. Mas era gente menos próxima de mim, por isso não me choquei tanto. Confesso, agradeci por isso.
Depois de tanto ver esse tipo de situação, houve uma hora em que comecei a pensar que não gostaria de saber o que as pessoas fazem na vida privada, pois, ao que parecia, ninguém agia bem com o outro, cada um estava preocupado com os seus próprios interesses e, o mais chocante para mim, ninguém sofria um pingo por isso.
Uma nova amiga me diz que gosta muito de sexo, mas não se vincula a ninguém. É feliz assim. É muito diferente do que eu sou, mas eu acho que deve ser legal, também, ser assim desapegada. Enfim, tudo tem seus prós e contras. É clichê, mas é isso aí.
Porém, o que me fez pensar mesmo foi a Parada Gay desse ano. Cobri pela primeira vez. A Parada é cheia de "bichas pão com ovo", como as beeshas bem-humoradas gostam de chamar as coleguinhas mais pobres, rs. Pense em como aquilo é importante para elas. É o momento de viver a fantasia sexual em segurança, sendo até admirada pelos simpatizantes.
Bingo. Esse é o ponto: viver a fantasia. Isso tem um peso muito grande na experiência humana. Enfim, essa vivência na Parada começou a despertar a minha percepção de que coração de gente é terra de ninguém. Amor e sexo, esses fios da vida, quando chegam com força, tem que ser vividos até o fim. Se mal resolvidos causam muito sofrimento. Jabor, aliás, tem um texto interessante sobre isso (http://arteymanhas.blogspot.com.br/2008/05/amor-mal-resolvido-arnaldo-jabor.html).
Mas, sabe, eu continuo achando que realizá-los a qualquer preço também causa muita dor. Nunca acreditei em felicidade na qual se passa por cima dos outros. Não falo de passar por cima dos caprichos, chantagens e teimosias. Ninguém deve ficar refém da birra alheia. Falo de atos que realmente prejudicam alguém. Essa conta pode vir um dia. É preciso estar ciente disso e não se revoltar quando chegar, afinal estamos aqui para tudo e quem não aguenta, que não desça pro play.
Enfim, o que aprendi é que, se alguém estiver a fim de pagar essa conta, quem somos nós? A gente nunca sabe mesmo o que se passa dentro do outro. Vai que aquilo tem uma importância que não conseguimos alcançar? A vida é curta, muito curta...
Como diz Fernando Pessoa, em uma frase que tirei em um sorteio essa semana: "Nada se sabe, tudo se imagina". É preciso perceber que realmente não sabemos.

sábado, 29 de novembro de 2014

Limite também é prova de amor

Uma amiga minha acaba de ter filhx e, pessoa amorosa que é, está encantada com a maternidade (a filhota é mesmo uma fofa, uma coisaaa de linda! me deu um sorriso de dois dentes, faz um mês, um charme só). Outro dia, postou no Facebook um link para uma matéria que defende que basta aos pais ter "empatia" pelxs filhxs para criá-lxs bem; que o mundo já é duro e xs pais não precisam torná-lo mais difícil impondo limites. Gente, isso é tão seguro quanto uma mulher de ciclo irregular fazer tabelinha para evitar engravidar. Há uma mesma motivação, aliás, se a gente pensar bem nessas duas situações: não "prejudicar o organismo". Mas a questão é: a que preço? Olha o risco desnecessário aí (porque, sim, há outras vias menos danosas, como se deseja, porém mais seguras). 
Eu diria à autora do texto que falta real empatia pelo filhx em um genitor que age assim como ela propõe. 
(Cansei de botar "x" no lugar do "o", mas vocês entenderam qual é a intenção, não é?)
Eu ainda acredito que pé de galinha não mata pinto. Claro, temos a obrigação de evoluir em relação aos nossos pais. Acho que os brasileiros ainda são incompetentes para inserir a alegria na educação da prole. No Brasil a gente ainda é ensinado que tudo que vale a pena tem que vir através do sofrimento. O resultado disso é que brasileiro não é lá tão leve quanto aparenta: reclama muito e investe pouquíssimo em mudanças. Gente alegre não vê tantos problemas e, portanto, não se paralisa. Acredita em mudanças. Espera - às vezes por muito, muito tempo, na base da resiliência - por dias melhores.
Eu sou da teoria de que primeiro você aprende os conceitos básicos, depois bola a sua própria receita. O chef não surge antes do cozinheiro. (Luize, se estiver lendo isso, pule a parte que se seguirá, amiga, rs.) Eu sempre encontrei muita similaridade entre criar um cão e uma criança. Ambos são dominados pelo instinto. E muitas vezes só param de privilegiar a realização dos seus desejos se o adulto os fizer parar. Já que é assim, acho melhor que aprendam pela mão amorosa da família que na rudeza da rua. Chegamos ao meu xis da questão: estabelecer limites não é punição; é proteção. 
A meu ver esse tipo de pensamento de minha amiga e do artigo que ela compartilhou falha em uma coisinha, que não é tão "inha": o mundo não ama o seu filho as much as you. É duro admitir isso, mas aceite, que dói menos. Do lado de lá é "tiro, porrada e bomba" muitas vezes. Então, ensinar seu filho a agir dentro das regras (as realmente importantes, claro) é uma forma de protegê-lo. Porque nem todo mundo enxerga criança como "café com leite" e se uma pessoa resolver agir rigidamente com um pequeno, ele vai se impressionar com isso. As próprias crianças costumam se vingar do mau comportamento de outras crianças, isso acontece com frequência no mundo infantil. Eu sei bem porque lembro bastante de quando era criança.
Há uma diferença importante: adulto transgride porque tem condição de elaborar racionalmente uma rejeição; a criança ainda não sabe fazer isso, pelo menos as menores de oito anos. 
Se os pais souberem educar bem na primeira infância, dificilmente as crianças passarão por problemas, mesmo se resolverem transgredir as convenções sociais - uma boa educação provocará isso, aliás. Elas terão alguns valores importantes internalizados, elas serão lúcidas sobre como as relações sociais funcionam e não produzirão tantas ilusões que só complicam a vida e elas se sentirão protegidas pelos seus pais. Repare como a gente fica com raiva mas ao mesmo tempo orgulhoso quando percebemos que os nossos pais estavam certos. É chato ver que se enganou, mas ao mesmo tempo há uma sensação boa de que você está/estava em boas mãos.
Pai e mãe, a propósito, não deveriam se desesperar tanto com a chegada da adolescência. Se chegaram junto nos primeiros anos do filho - prestando atenção à personalidade dele e tendo paciência para ensiná-lo e estimulá-lo -, esse trabalho não irá evaporar, isso eu garanto. Poderá ser "editado", mas não "descartado". Pai e mãe vivem dentro da gente para sempre e eles deveriam ter mais consciência e principalmente fé nisso. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A síndrome de "rei do camarote"

Quando cheguei a Salvador, no início da década de 90, morei na Rua K, em Itapuã. Minha vizinhança era de elite: à minha esquerda, o dono da antiga Alimba; atrás, o humorista Juca Chaves e, do lado, uma família ítalo-brasileira, com uma casa incrível de dois andares, dois filhos e um dog que eu amava.
Fiquei muito amiga de Danilo, um menino uns dois anos mais velho, e da filha da empregada, que, como nunca mais tive contato, esqueci o nome - a mãe de Danilo é meu contato até hoje. Gostava muito de brincar com os dois, até porque eram as únicas crianças dali. Mas um evento me marcou nessa convivência. Foi quando a menina, mais criança que eu, pediu para usar o banheiro.
Estávamos na minha casa jogando algum jogo de tabuleiro e ela fez o pedido. Indiquei o banheiro da casa. Quando ela saiu da sala, Danilo não se conteve e revelou o incômodo mais ou menos assim:
- Como você deixa ela usar o seu banheiro?! Ela pode ter muitas doenças e passar para vocês!
Eu respondi na lata, como até hoje eu costumo fazer, ainda mais quando alguém diz uma grande merda perto de mim:
- Você pode ter muito mais doenças que ela, afinal, já é rapaz, já namora, e ela é criança.
Ele ficou mudo, puto da vida, uma reação típica de playboy contrariado. Mas nunca mais me disse nada. E sorte dele que meus pais não estavam em casa. Se conheço minha mãe, daria uma resposta muito mais cortante que a minha.
Essa historinha toda é para explicar porque eu não gosto dessa chamada elite brasileira. Não é por inveja - que é o que alegam quando se toca nesse tipo de ferida, no classismo de uma certa parte da sociedade -, até porque não sou consumista. Se um dia tiver muito dinheiro, meus luxos serão ter uma casa confortável, estudar e viajar. É que eles são escrotos pra cachorro. Tem a síndrome de "rei do camarote", acham sempre que estão agregando valor por onde passam, por isso todos devem servi-los.
Um amigo meu escaldou publicamente uma colega de faculdade por causa disso. A menina teve a cara de pau de dizer que não era racista porque almoçava com uma menina negra, a única do local onde ela trabalhava, e disse que até foi dançar com ela em alguma festa da rua da menina. Rainha do camarote total, gente! Ela acha que não é racista porque deu a garota negra o prazer de sua companhia. Afinal, ela, branquinha, agrega ao fazer isso. Resultado: meu amigo, negro e muito "nigrinha", esperou um seminário da turma da faculdade, escolheu o tema "racismo" e relacionou a teoria às coisas que a menina falou, citando o nome dela. Ela chorou, provavelmente de raiva e não de remorso. Tá com pena? Eu não. Gente idiota tem que levar esse tipo de escalde para ver se começa a se humanizar um pouco. Isto é, nos casos em que a pessoa tem essa capacidade no DNA; desconfio que a maioria não tem.
 E essa elite, se precisar fuder com quem precisa - leia-se, os mais pobres - para se beneficiar, não sente culpa alguma. Afinal, eles agregam. O pobre é que deveria estar muito feliz em servi-los.
Um colega de trabalho conta que a sua ex-babá tinha verdadeiro horror à ideia de voltar a atuar como doméstica. O motivo: a antiga patroa colocou, uma vez, a figura para trabalhar numa festa sábado à noite, quando ela deveria estar folgando. Foi pega de surpresa, mas trabalhou. No dia seguinte, bem cedinho, se picou para casa para, afinal, gozar de uma parte restante da sua folga. A patroa escaldou a criatura, depois, porque ela saiu sem pôr o café da manhã do fulaninho, filho dela. A moça ficou tão humilhada que nunca mais quis atuar nessa função. Provavelmente não foi a única situação do tipo enfrentada por ela, mas foi uma bela gota d´água.
Enfim, eu nunca acreditei muito nessa tal de igualdade de classes. Quem tem dinheiro, só respeita dinheiro e os signos ligados a isso. É bem verdade que conheço algumas exceções, mas já vi muita gente pintar o diabo com os outros porque tinha dinheiro. Alguns se lascaram mais na frente e perderam tudo - precisando, inclusive, das figuras que haviam humilhado. Não gosto dessa gente. Usam perfume importado mas fedem na alma. Não respeitam as pessoas e usam critérios aristocráticos e fúteis para decidir sobre o valor de alguém. Até admito para a convivência eventual, mas trazer para perto, não mesmo. Ao contrário da crença deles, não agregam nada, pelo menos não moralmente e espiritualmente.

sábado, 27 de setembro de 2014

Adriana

Faz uma semana, hoje, que conheci Adriana, em um show no TCA. Estava com Anderson e Fla, na porta do camarim de Zélia Duncan, aguardando para entrar - não que ligue para isso, mas, enfim, é de bom tom acompanhar a maioria, quando se está em grupo. Adriana e Janete estavam à nossa frente. Estranhei, não vou mentir, o visual daquela moça - a acompanhante fazia um estilo "bicho grilo", bem mais comum em shows como esse - com piercing nas narinas, corpo esguio e bem negro, de modelo, e cabelo raspado. Essa última característica, confesso, invejei. Ah, como gostaria de não ter que lembrar que meu cabelo existe!... Mas não ficaria tão bem sem ele como Adriana, que, aliás, já teve cabelo quadrado, loiro, raspado nas laterais, entre outros estilos inusitados. Vi tudo isso enquanto ela nos mostrava fotos que tirou com outros artistas.
Havia, aliás, um monte de gente como ela naquela fila do camarim. Coisa exótica é esse povo "serial-celebrity"... Não é meu mundo, definitivamente.
"Zélia só vai atender a família", disse um dos seguranças, provocando muxoxo na fila. O outro, divertindo-se com o circo, informou para o meu grupo e para as duas moças - porque éramos os primeiros e estávamos, portanto, mais próximos dele - que a artista sairia pela porta do outro lado. Migramos. Em seguida, toda a fila surgiu atrás da gente. Zélia sai e, com uma paciência infinita, tira foto com todo mundo. Eu pongo na de Janete, dando risada pela minha malandragem despercebida. Adriana sai majestosa em algumas poses ao lado da cantora.
No pátio - ou foyer, como o povo anda dizendo por aí - conversamos todos enquanto os fãs se dispersavam. Adriana contou a sua história: órfã, lésbica, já foi explorada em subtrabalhos, já foi agredida fisicamente quando se relacionou com homens, sobreviveu muitas vezes bancando a estátua viva nas ruas de Salvador. Agora estuda à noite, no Vieira, ganha um salário mínimo atualizando um site de cultura (o que aprendeu a fazer observando colegas responsáveis pela função) e pensa em seguir na engenharia, pois gosta muito de física e matemática. Janete é, na verdade, sua companheira. Beirando os 40 anos, ela também é órfã e é bonito de ver que, antes de serem amantes, são grandes amigas.
Adriana nunca deixa Janete contar as histórias. Diz - e tem razão - que sabe narrar de forma mais engraçada. Ela frisa por diversas vezes que tem 25 anos - muita idade e experiência acumulada, na perspectiva dela. Nasceu em 3 de agosto; é leonina. E, seguindo aquilo que se diz sobre signos de fogo e fixos, é impossível não notá-la. Ela conta, dando risada, os elogios que já ouviu, por ser "estilosa", de gente como Saulo Fernandes, Ivete Sangalo e Osvaldo Montenegro. E, como o mundo é pequeno, ela conta também que acaba de servir de personagem para uma matéria de Luana Ribeiro para a Revista Muito sobre negros estilosos.
Ela é intrigante por não se intimidar pelos fatos, muito pelo contrário. Um personagem? Só sei que funciona. É uma criatura bastante expressiva. E gosta de falar sobre si mesma. Ô, se gosta!... E acho que ficou feliz por falar de sua curta e movimentada vida para dois jornalistas. Diz ela que um dia vai escrever um livro sobre isso.
Por duas vezes, durante o papo, fomos interrompidos por pedintes. Enquanto a gente se tremia de medo de assalto, ela resmungava da falta de educação dos dois estranhos: "Ah, não deixam nem a gente conversar em paz, poxa!".
Já no bar, pós-conversa, a gente comentava sobre a nossa mais nova amizade. A alegria dela impressionou todo mundo. Anderson ressaltou, sagazmente, que é uma das reações possíveis quando não se tem nada a perder: se jogar. Eu fico feliz e de coração apertado. De verdade. Gente assim tem que terminar bem, no meu mundo. Tomara que ela não se canse. Tomara que ela tenha sorte. Tomara que um dia a sociedade dê o devido valor a gente como Adriana, gente que, surgida no gueto, foi feita pra brilhar.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Yes, soldier!

Jeane Borges, editora de política, é uma figura. Ela tem um traço peculiar: costuma dizer umas coisas aos outros, do nada, que têm mais significado para quem a ouve do que ela pode imaginar.
Um dia, quando a gente pegou mais amizade, ela me disse que, a primeira vez que me viu, pensou: "Lá vai o soldado espartano". Jeane explicou que a impressão que ela teve, ao me ver, é que eu sou o tipo de pessoa a quem se pode confiar uma tarefa. 
Achei "soldado espartano" ótimo. Mal sabe ela que adoro esse período da história. Esparta tinha uma coisa bonita: eles se preparavam daquele jeito não para dominar, mas para não serem dominados. Eu totalmente me identifico com isso.
Meu pai me chamava de militar quando era pequena. É que eu tinha uma disciplina e era perfeccionista de um jeito que ele não entendia.
Hoje sou menos rígida, mas ainda sou uma pessoa séria. Eu poderia estar "melhor" se não fosse assim. Entretanto, para mim, mais importa o mérito. Mente de soldado mesmo. Com honra, só assim vale alguma coisa para mim. Morro, mas de pé.
Entretanto, essa é a era do "beijinho no ombro". A gente deseja às inimigas vida longa pra que elas vejam cada dia mais nossa vitória. O importante é estar por cima.
Eu me chateava muito com isso, não entendia. Esse papinho de ética e justiça é chato e até inconveniente, eu sei, mas que fazer se eu sou um soldado?
O caso é que esse ano rolou uma revisão geral. Só passei por isso outras duas vezes na vida, mas dessa vez veio com o peso do "senhor Tempo". É preciso encontrar um ideal. E a vida é mais complexa do que a gente pode imaginar quando é muito mais jovem. Acho que eu revirei tanto o meu baú, que acabei encontrando uma pitada a mais de empatia pelos limites individuais e, principalmente, pelas chances que as pessoas se dão, ainda que desastrosas algumas vezes. Assim como ninguém sabe o que eu vivi e sinto, a gente não sabe o suficiente sobre ninguém. Isso é algo a considerar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Simplesmente amor!

Quando eu chamo esse meu sobrinho de "lindo da minha vida", não é exagero - embora seja chegada a um. É um lindo. Eu sou fã. Se tivesse um filho, ia querer que fosse igual a Felipe. Gatão. Risadinha linda da dinda. Coração bom, que, se Deus quiser, há de lhe acompanhar pela vida.
Titia ama!!! Você e dona Luli, que está vindo por aí. :D


domingo, 7 de setembro de 2014

"Não é não!"

Se para você soou a frase dita para criança rebelde, sinto lhe dizer que a maioria de nós, então, morre sem nunca ter crescido.
É muito difícil receber um "não" sem ficar com a mente nos "porquês" disso. Aceitar uma negativa aos nossos desejos, assim, de pronto, não é para gente como a gente.
Uma amiga que acabou de romper com o namorado, de quem ela gosta muito, sofre, ainda que calada, tentando aceitar a negativa do ex. Não é fácil, dói muito...
Pensando nisso, lembrei de uma amiga que teve o pior término de relacionamento que já testemunhei. E ela gostava muito dele, estava empolgada em casar em breve, além de ser uma pessoa fofa, incapaz de fazer mal a uma mosca, apesar de ser uma loira gigantesca. Digo que tem alma de labrador, e ela se acaba de rir com a comparação. Como magoar uma criatura dessa, né?
A história dela não vai influir no restante do texto, mas é tão vil que quero compartilhar. No final de 2011, voltando das férias radiante como nunca, minha amiga me conta que encontrou o ex da época da faculdade; eles ficaram e, em poucos dias, o sujeito a pediu em casamento, combinando com ela que a cerimônia seria no ano seguinte. Ele morava em São Paulo, tinha quase 40 anos e ainda era solteiro. Havia terminado, há pouco, um namoro longo com uma ex que ele pintou como louca-problemática. Apesar do pedido de casamento ter sido "à queima roupa", minha amiga não o estranhou porque, afinal, eles já se conheciam há anos e tiveram um relacionamento, interrompido por causa da profissão dela. Era apenas questão de concluir. O reencontro teve ares de comédia romântica, de presente do destino.
Minha amiga passou o ano seguinte cuidando dos detalhes, mas o noivo, por sua vez, além de pouco vir a Salvador - geralmente com a passagem bancada por ela -, não se envolvia com a cerimônia. Todo mundo achava que alguma coisa estava acontecendo, mas ninguém fazia ideia. Remarcaram a data do casamento para o ano seguinte, quase no dia do meu aniversário. 
Eu não lembro exatamente o que a fez chamá-lo para uma conversa, mas ele reagiu muito mal. Eles terminaram. Dias depois, também não lembro a circunstância, o sujeito encontrou com o tio dela - parte da família de minha amiga mora na mesma cidade -, e ele foi ridículo: disse que nunca tinha falado de casamento - uma mentira deslavada, desmentida por qualquer um que já esteve com o casal -, que ela era louca. Uma total falta de consideração, ainda mais porque ele conhecia aquela família há uns 15 anos.
Mas lembrei dessa história de minha amiga pela fantástica reação dela, na minha opinião: não discutiu, não correu atrás, pouco falava disso e não chorava em público nem quando a história era relembrada. Tocou a vida como se nada tivesse acontecido. Como temos intimidade, perguntei como ela conseguiu superar "tão fácil" (mas a vontade era de pedir um autógrafo). Como não bateu boca depois do que ele disse ao tio? E como segurava a curiosidade de saber se estava com alguém? Eu mandaria metade da conta do casamento para ele pagar, pelo menos! 
Ela me respondeu:
- Ju, está doendo, mas eu aprendi com a minha terapeuta a aceitar o não, a não procurar os motivos e seguir em frente.
Eu fiquei chocada. E acho que ela percebeu que a maturidade da resposta havia agredido a minha longa trajetória de desespero existencial, inconformidade com as negativas da vida e tentativas frustradas de controlar os acontecimentos.
- Não foi do dia para a noite que aprendi isso, sabe? Foi um aprendizado de mais de dez anos, desde que comecei a terapia. Já sofri muito em outros términos de relacionamento.
Veja, uma década sendo "treinada" para aprender a reagir sem desespero. Mas isso tem os seus efeitos colaterais. A própria terapeuta briga com ela por "agir que nem homem", ou seja, "pegando sem se apegar". Diz a psi que isso sinaliza aos caras que ela não quer nada sério. Quem são os loucos, minha gente, nós ou eles? Ai, ai!...
Se tudo fosse só amor, estava até bom, como diz a minha mãe. A gente pode escolher, em último caso, não amar, afinal esse tipo de relacionamento é uma aposta quase como a loteria, feito para "perder" mesmo (embora sempre se ganhe algo).
Mas e quanto às coisas práticas da vida? Quando você investe em uma carreira e tudo dá errado, quando você quer um emprego e não rola. Ou que nem esse pianista famoso que tem problemas nas mãos e não pode mais tocar. 
E há coisa que é insubstituível. Uma colega ficou muito abatida quando perdeu a mãe por erro médico. Senti que a causa, o erro, ficou martelando ali, no coração. A pessoa não conseguia disfarçar a tristeza, perdeu o viço. Ela não conseguiu aceitar que não é não, que a mãe nunca mais estaria ali.
E, sabe, nem a sensatez é capaz de salvar totalmente a cena. Um religioso famoso na cidade tem um argumento muito bom para essa hora: por que se lamentar, se acontece a tanta gente no mundo? Vá fazer o coração se aquietar com isso, vá, e depois volte para me contar... Só o tempo e muita resiliência podem ajudar. 
Ainda bem que minha amiga - a que sofre agora - também sabe disso. 


domingo, 24 de agosto de 2014

Hipocrisia sentimental

Ontem estava em um bate papo com duas amigas. O assunto que veio à baila foi relacionamento aberto.
Caros amigos, vale frisar que, antes de tudo, sou uma pragmática. Nunca mesmo se esqueçam disso. Eu quero saber do que é possível, do que na prática se confirma, e pra quê serve. Odeio teoria vazia. Só serve para gerar desilusão e culpa. Nem venham!...
Acho todos os argumentos a favor da poligamia lindos, concordo - na teoria - que seria o ideal atingir esse nível de respeito pelo próximo, odeio gente ciumenta, que não confia, mas, no atual estágio da Humanidade, esse tipo de arranjo sentimental tem tudo e mais alguma coisa para dar em merda.
Relacionamento aberto, pra mim - levando em conta os tipos humanos que conheci em três décadas de vida -, é coisa para quem: 1) não tem realmente vínculo com o seu par (é mais uma "amizade colorida"); 2) é extremamente evoluído espiritualmente. Se gente "2" existe, nunca conheci. Porque, pelo que tenho visto, as pessoas até administram ficadas, mas a zorra fede quando o par estabelece vínculos com outro alguém. Porque, por melhores que sejamos, temos ego, temos os nossos apegos e medos. É humano isso. Só essa gente muito evoluída, que eu nunca tive o prazer de conhecer, consegue, de coração, entender e aceitar calmamente as mudanças dos seus afetos.
De minha parte, apesar de entender "que amor só dura em liberdade e o ciúme é só vaidade", eu não quero saber. Eu não aguentaria e me dou o direito disso; não vou me esfolar por dentro para parecer alguém que ainda não sou. Se quem eu amo for amar outra pessoa, não me conte, não deixe as pessoas mais próximas saberem - porque sempre dão bandeira, isso quando não revelam o fato - e nem faça isso com gente que é importante para mim sentimentalmente, porque, do contrário, vou ler isso como descuido e até tentativa de me ferir. O mundo é grande, o tesão pode acontecer por muitas outras pessoas que não as do meu "raio social". As escolhas querem comunicar algo. E nem me venha com esse lance de culpa. Se for pra me contar, que seja para terminar logo e cada um seguir a sua vida. Esse negócio de contar pra nós dois darmos um jeito na relação, tô fora. Não entendo isso de "pedir tempo". Tenha personalidade, né? Assuma as suas vontades, e escolha. Não dá para manter as pernas dos dois lados da rua; viver é escolher e, eventualmente, perder algo por isso.
Invisibilidade
Na conversa, mencionei a minha surpresa com amigas, ditas descoladas, que ao fim da noite de sábado se mostravam chateadas com a vida de ficar, ficar, ficar. A não ser um idiota para dizer que antigamente era melhor que agora; as pessoas tinham medo de não seguir o script social. As pessoas eram quase coagidas a casar, ter família, manter casamentos. Mas, o que eu disse e ninguém pareceu entender, é que a evolução, nesse sentido, está sendo superestimada. A gaiola continua. A invisibilidade é de outro tipo, mas ainda fere corações. Porque ao fazer o esforço de ser racional e respeitar o outro - por generosidade ou orgulho, não é essa a questão -, se a figura não demonstra dependência afetiva, como numa espécie de vingança, @ outr@ passa a tratá-l@ como se não tivesse sentimentos, como se fosse um robô, um pedaço de carne.
Tá todo mundo ressentido. Nunca pudemos tantas coisas, mas continuamos, quanto aos nossos sentimentos, extremamente invisíveis uns para os outros. Ninguém evolui sem antes assumir que precisa evoluir, que tem coisas a serem trabalhadas. E a sociedade atual não quer admitir que os relacionamentos não só ainda têm desafios de liberdade como de segurança. Sim, deixemos o orgulho de lado: nós também precisamos de segurança afetiva. Não conheço quem seja autossuficiente sentimentalmente.
Por que a fama é uma armadilha tão grande? Porque você é visto, mas como uma grande caricatura. A armadilha é que menos gente ainda lhe enxerga quando você é famoso; você fica refém do olhar alheio, mas a essência torna-se mais invisível que antes.

***
Um amigo meu confessou que o sonho dele era ser cantor de trio elétrico.
Eu teria uma bruta crise existencial em cima de um trio.
Ia me questionar pra que diabos "grunhir" coisas do tipo "o malê de balê do dendê de obá". Ou qual o sentido de mandar alguém "tirar o pé do chão". Ou por que aquela criatura ali embaixo está se ocupando em mexer a mamãe sacode com tanta força. Ou pra quê me lenhar oito horas em cima de um trio, ganhar milhões e não poder aproveitar a vida, viajar, fazer o que me der na telha. Enfim, acabaria tendo uma crise de labirintite e caindo de cima do trio. Vexame. Essa profissão não serviria pra mim.

sábado, 19 de julho de 2014

Bia, a sobrinha

A filha de minha irmã Flávia, Beatriz, de sete meses.
O tempo voa... E Bia cada vez mais parece uma bonequinha. :)

Preocupada com a novela

Eu nunca achei que a novela fosse obrigada a fazer o que a família não faz: educar. Mas, claro, concordo totalmente com o que "prega" Luiz Fernando Carvalho, de que a tv tem a obrigação de dar ao público não apenas o que ele quer, mas aquilo que ele ainda nem sabe que quer.
O caso é que, ultimamente, ando muito insatisfeita com os exemplos que as novelas estão dando ao público. Ninguém resolve nada na conversa; é tudo no tapa, principalmente entre mulheres. E o que foi aquele assassinato de Laerte no último capítulo de "Em Família", ontem? Luiza não poderia simplesmente ter caído em si e desistido de casar com o cara? Quer dizer que uma amante contrariada resolve a frustração assim, matando o cabra?
Fico preocupada com essas coisas porque o mundo lá fora anda muito à flor da pele para a mídia ainda incitar esse tipo de solução "na toral". Mídia mesmo, pois vejo isso no jornalismo impresso, no rádio, na internet. A busca pela audiência, que às vezes chega ao sensacionalismo, vem colaborando para essa loucura coletiva, não tenho dúvida. Sei lá, acho que as mídias têm que refletir mesmo sobre os seus comportamentos enquanto formadores de opinião. Se não quer prestar um serviço, pelo menos não preste um desserviço, né?

domingo, 6 de julho de 2014

A vida não é justa

Vocês estão carecas de saber: eu acho essa vida muito sem sentido e, desde que me entendo por gente, meu grande "Desafio Sebrae" é não pirar. Não pirar é bom. É um desejo muito digno.
Folks, além de desordenada, essa vida não é justa. Dá vontade de escrever um livro com esse título (espero que a Pachá não se rete comigo por "plágio"). Teria 12 capítulos, uma associação com os 12 trabalhos de Hércules. Segue um rascunho do esquema deles:

1. To be or no to be... Te jogaram nessa roubada e agora você que se vire. Pode isso, Arnaldo?
2. Por que a natureza faz seres (como eu) sem coordenação motora?
3. Na porta do buzú havia um idiota, havia um idiota na porta do buzú.
4. Por que gente sem talento insiste em mostrar a sua "arte" no buzú cheio, na hora do rush?
5. Meu destino não é poupar (ou por que sempre surge um imprevisto que te impede de fazer isso?).
6. Minha vocação é a aposentaria. E agora?
7. Receba sem chorar: a vida não vai te retribuir por ser legal.
8. Gente tapada prospera. E muitas vezes vira chefe.
9. Quem me quer eu não quero nem pagando (e quem eu quero já está "ocupado").
10. Raramente a gente tem a família que merece.
11. As pessoas querem ser consoladas e raramente gostam de saber a verdade.
12. Os únicos que têm paciência para os fóruns da internet são os últimos que deveriam ter o direito de dizer algo publicamente.



domingo, 4 de maio de 2014

Não ignore os instintos, pois a civilização não é tão civilizada quanto querem que a gente acredite

Levante a mão quem não ficou chocado com o assassinato do menino Bernardo, em Três Passos, interior do Rio Grande do Sul? É difícil não chorar essa morte, mesmo sendo de um pequeno desconhecido.
O engraçado é que uma semana antes, peguei uma discussão longa sobre alienação parental no Facebook. Os advogados e politicamente corretos, que surgiram no post, argumentavam que o pai tem a obrigação de dar amor ao filho e acreditavam que a lei é instrumento para isso.
Gente, quem é doido de achar que um pai ou uma mãe está certo em abandonar um filho? Não é essa a questão. O problema é que não dá para forçar uma pessoa a agir corretamente no campo afetivo. Não tem lei do mundo que possa obrigar o vínculo entre pais e filhos. O juiz pode até obrigar as partes a conviverem, mas consideração e afeto não se impõem com uma canetada. E nem às vezes convém, como vemos no caso de Bernardo.
Ok, nem todo pai ausente mata o filho, mas há outros tipos de morte também que um genitor pode produzir na sua prole. A relação afetiva ali estava mortíssima, tanto que Bernardo foi pedir ajuda ao Ministério Público. E mais: além do abandono, o menino era humilhado. Por que não sermos realistas e procurar o interesse do menor? Se a Justiça quer se meter em assuntos de fórum afetivo-familiar, que amplie a sua ideia de família, primeiro. Por que insistir nesse lenga lenga de pai e mãe quando é evidente que não há amor, não existe cuidado do genitor?
Pode ser fácil falar depois que a tragédia acontece, mas por que o juiz não procurou quem tivesse interesse em ficar com o garoto? Uma avó poderia ser melhor, um padrinho, enfim. O juiz chorou. Deve ter se arrependido de não ter tido senso prático.
Cena 2. Sai a pesquisa do IPEA e um monte de gente brada que a mulher tem o direito de vestir o que quiser, que mesmo nua não merece ser estuprada. Esse posicionamento é necessário, mas está incompleto. Porque precisamos nos impor, fazer o outro entender que é nosso direito, etc. Mas, gente, só uma pessoa insana vai se fiar em leis e discursos para garantir a própria segurança. Sempre vai haver transgressores às normas e temos que estar espertos. Volto a dizer, temos que ser pragmáticos. Uma mulher deve, além de personalidade, ter prudência. Digo uma mulher porque - é inegável - somos fisicamente mais vulneráveis que os homens. Outro dia me contaram o caso de uma menina de 17 anos que topou ir para o estacionamento com um ficante da balada. Lembram da cena do estacionamento de "Telma & Louise"? É disso que eu falo: não facilitar para o azar. Quem garante que o cara vai respeitar o limite dela? Na minha opinião, a gente tem que se meter nas situações das quais conseguiremos sair.
Como bem disse Camille Paglia, sociedade é selva. Não ignore seus instintos para antever o perigo porque a civilização não é tão civilizada quanto querem que a gente acredite. Depois que o pior acontece, não tem caneta de juiz ou discurso politicamente correto que repare o estrago feito.

sábado, 3 de maio de 2014

Ticiana - inveja e confusão

Está todo mundo falando sobre a entrevista ostentação da colega de Facom Ticiana Villas Boas. É ótimo quando essas coisas acontecem com gente que conhecemos (ok, não somos amigaaas, mas Ticiana estudou comigo por quatro anos e, como entramos no mesmo semestre, tive a oportunidade de conviver com ela em alguns poucos eventos sociais da turma). Dá para ver a real dimensão das coisas.
Foi muito interessante ter visto o vídeo com um trecho da entrevista. O que todo mundo está criticando, o fato dela ter dito que passou um tempo sem saber o valor do litro da gasolina, ela mesma se criticou por isso. E eu duvido que você saiba o preço de tudo. Boechat não deve saber, por exemplo, quanto está custando o quilo do tomate. A empregada deve cuidar disso. E não é uma questão de ter dinheiro. É a divisão do trabalho. Se é o seu marido quem faz as compras de casa, provavelmente você não deve estar muito por dentro dos preços da cesta de alimentos.
Outra coisa que a gente tem que lembrar é que se trata do mundo dela, por mais que seja distante do nosso. É como a própria Ticiana diz no final do vídeo, que em relação a ela estudante, hoje gasta muito, mas em relação às pessoas do meio dela, não. E quem vai negar que o bom do dinheiro é não ter que fazer contas? Só sendo hipócrita mesmo.
Ticiana falou sobre isso de boa na entrevista, dá para ver no vídeo. Não vi ar de superioridade, ela apenas foi mais sincera do que convinha, já que ali é visível que a entrevista foi desenhada para pintá-la como a bonitinha fútil. Ela tem que começar a se tocar, também, que a Ticiana midiática é um produto. Não dá para sustentar essa vaidade de querer ser natural, sincera.
Não gosto de afirmação do tipo "é tudo inveja". Isso é resposta de gente idiota, de menininha tocadora de piano que não aguenta ouvir nada desagradável. Mas, nesse caso, vejo que uma parte da galera sente isso. Muita gente que a critica, no fundo, dá valor às coisas que ela tem. Porém, nesses casos, acredito mais na ignorância mesmo de quem julga.
Nessa situação específica, há duas confusões básicas:
1) "Jornalista é um ser com uma inteligência maior, o cara que dá a opinião que vai deixar a galera, na mesa de bar, de boca aberta". As pessoas sempre esperam que um jornalista fale coisas sensacionais e saiba de tudo. A galera talvez esperasse algo inteligente de Ticiana por ser a âncora da Band. "Come on, Bill!...", como diria Madonna. Eu perdi essa ilusão de que em redação só há gente genial assim que entrei em jornal. E não estou depreciando os meus colegas ao dizer isso porque eu tenho plena consciência que tudo que percebo na empresa em que trabalho existe nas outras, em maior ou menor grau. O jornalismo é feito dos operários da informação, ou seja, de gente esforçada, que não é gênia, mas que é competente para trazer a notícia. Um aqui, outro acolá vai superar a média. Ticiana é uma operária da informação. Ela, ainda repórter, fazia o trabalho dela direitinho. Chegou longe porque, além de esforçada, tem uma beleza acima da média no meio. Ponto. E conseguiu isso antes mesmo de ter se casado pela primeira vez. Ela não é interessante, mas é esforçada. E boa gente, pelo que me lembro. Gente assim pode chegar longe, mesmo no jornalismo ou em outras profissões com a fama de reunir a intelectualidade. 
2) "Qualquer trajetória, para ser válida, tem que ter sofrimento". Olha, eu sou do tipo que dou muito mais valor a quem saiu de uma condição difícil e conseguiu chegar lá, mesmo que não tão longe, do que a alguém que já nasceu em "berço esplêndido" e alcançou o topo. Ticiana nunca sofreu, sempre teve tudo que quis. Que culpa tem ela? Vá reclamar com Deus, ora.
Tem gente que diz que a criatura está "brincando de ser milionária", que está deslumbrada. Gente, não é muito diferente das nossas vidas, não.  Conheço um monte que brinca de ser poeta, ator, cônjuge, pai, mãe, espiritualizado (e nem sempre isso beneficia alguém mais além da própria pessoa)... Cada um com a sua maluquice/tara/ilusão. E nem acho que ela tenha casado com o feioso por dinheiro. Dá para ver que gosta dele. A dobradinha mulher bonita e homem inteligente é mais velha que a roda. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido. Agora, é claro, a criatura, pelo histórico desde os tempos da Facom, é carente; bajulou, conquistou. Quem é escolhido e não (se) escolhe nunca, corre o risco de ver que levou para casa a mercadoria trocada.
As pessoas não estão, também, acostumadas a ver jornalista em meio a tanto luxo. Ela, pelo que me lembro, é o primeiro caso do tipo. Nem os mais bem pagos da tv têm a condição de vida que ela usufrui. E isso é quase tão estranho como ver um jornalista anunciando sabão em pó.

Enfim, não vejo razão para tanto criticismo em cima de uma criatura que só está vivendo a vidinha dela. Olha, eu era feliz com a discussão do "somos todos macacos", e não sabia (risos).

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Muitas regras, muito barulho por nada

É racismo, é feminismo, é um monte de coisa da qual não se falava há dez anos, mas agora temos que dominar para não sermos execrados pelas militâncias. Eu entendo a importância delas existirem e sei - ou melhor, espero - que faz parte desse primeiro momento esse radicalismo, mas isso serve para quê mesmo, no final das contas? Menos ao objetivo inicial de estabelecer consciências e mais para a catarse das nossas frustrações e raivas.
Eu fico acompanhando as opiniões para complementar o que eu já sei. Mas às vezes fico frustrada porque falamos muito, mas ainda vejo poucas mudanças. Acho que somos melhores para reclamar que para repensar.
E, cá entre nós, tá tudo muito chato, né não?

segunda-feira, 17 de março de 2014

"Let it be..."

Os tempos estão difíceis, de um jeito que eu não consigo mais cavar paciência para lidar com isso.
Cara, eu entrei o ano tão bem, disposta a não me aborrecer como em 2013. Na verdade, eu não estou tensa como no ano passado, mas eu estou frustrada de ver que certas coisas não têm volta, já era mesmo.  It´s over e eu não tenho plano B. Como faz, produção?
A coisa ficou tão baixaria que, ano passado, o Além me chamou de modo bem estranho. Um dia Fabiana, uma pessoa séria, colega querida do trabalho, me chama, toda cheia de dedos, para me perguntar se eu tenho preconceito com tarô. Enfim, o rodeio foi para me dizer que havia sonhado comigo e que alguém me mandava ir na taróloga. Fui, o primeiro aviso foi esse: "Pare com essa ansiedade, que você vai acabar ficando doente".
Semana passada, estresse total, e de novo o recado: "Let it be".
Mas como assim, gente? Vou viver a base de maracujina? Aprender a ficar na minha é a meta do período.