domingo, 28 de janeiro de 2018

Por que algumas pessoas não vão embora de relacionamentos ruins?

Eu tenho uma amiga que sempre quando a gente conversa sobre relacionamentos, ela faz a mesma observação: "Ah, se A não deixa B é porque pelo menos um carinho há". Discordo quase totalmente.
Você não vai ficar num relacionamento em que não há nada para você, mas não necessariamente o que há é algo bom. Às vezes, o outro ativa um complexo seu e você fica justamente porque tem tendência a se maltratar, tem baixa autoestima e acha que é isso que merece, e então encontra esse outro que joga perfeitamente esse jogo vítima-algoz com você. 
Eu tenho 37 anos de janela, vi vários relacionamentos ruins acontecendo perto de mim (infelizmente, só uma minoria é boa, mas, graças a Deus, eles existem para nos dar um pouco de esperança). Na minha visão, há três motivos para as pessoas ficarem em relacionamentos disfuncionais:
1) O medo do desconhecido. Deixar o outro é quebrar um hábito, uma rotina, uma certeza, indo rumo a algo que não se sabe o que será; é fazer uma aposta na felicidade que pode não se concretizar. Ir embora causa mais apreensão, esse medo do que não se pode controlar é maior do que a repulsa à situação insatisfatória. Isso tem muito mais a ver com a incapacidade de lidar com o desconhecido do que vontade de ficar. Tem gente que está na merda e acha que se jogar pra cima poderá ficar pior ainda. Neste caso, quando a pessoa consegue reagir, é porque a situação já chegou ao extremo do extremo e ela finalmente sente que não tem mais nada a perder. Isso quando ela consegue, porque tem gente que vai morrer em agonia, infelizmente. 
2) Baixa autoestima. Com o tempo você se convence que merece aquilo, que não vai achar nada melhor e até arranja uns jeitos de se autoenganar quanto à situação, encontrando pretextos para desculpar pessoas e amenizar violências. Essa é a trilha que leva ao feminicídio, por exemplo. Muitas mulheres são mortas porque arrumam desculpas para as situações de maus tratos e confiam que o marido vai mudar um dia, ignorando a autodegradação e o perigo iminente. Quando convém, a mente mente pra gente. Hay que ficar ligado/a nisso.
3) A pressão social. Mesmo quando você tem certeza sobre o que sente e vê, não é fácil ir contra a sociedade. É pra quem tem muita personalidade e, sobretudo, pra quem suporta uma dose de solidão e rejeição, o que também não é confortável já que somos seres sociais e nos sentimos muito à deriva sem uma rede de apoio. Aliás, o problema é até mais fundo. Rede de apoio a gente pode até encontrar por aí, mas o fato é que não queremos a validação de qualquer pessoa, queremos a validação das pessoas que nos importam. Na verdade, esse 3 é a relação entre 1 e 2, tendo mais a ver com 1. Voltando ao exemplo da violência contra a mulher, muitas vezes, quando a mulher quer sair de casa, ouve de outras mulheres que lhe são próximas que ela está sendo errada, questionam a criatura sobre o que vai ser dela sem o marido (questionar é modo de dizer, pois essas pessoas são fatalistas quanto a isso) e etc. Nessas horas, muita gente boa desiste, com medo da rejeição do grupo, da culpa e da incompreensão. Tem que ficar muito atento/a a esse tipo de reação porque quando as pessoas reagem assim, no fundo elas estão falando mais delas do que de você. É o medo, provavelmente inconsciente, de que você saia do relacionamento ruim, seja mais feliz e prove a elas que tem jeito sim, jogando na cara delas que é preciso se movimentar pras coisas acontecerem.

Infelizmente, em muitos casos, o hábito é um motivo mais forte pra ficar na merda que o amor. Aliás, em casos como esses nunca há amor. Como dizia Jung, amor e poder não ocupam o mesmo recinto e onde há um necessariamente não há o outro. O nome disso que chamam de amor é dependência emocional, que é algo completamente diferente, disfuncional. Quando a gente ama, a prioridade é a felicidade do outro, não a presença, a posse dessa pessoa. Conheço poucas pessoas nesta vibe, até porque somos criados para a dependência e não para a generosidade.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Fêmeas e feministas

Várias mulheres de Hollywood e também de outras áreas de destaque resolveram romper o silêncio e denunciar casos de abuso e assédio. Claro, em meio a avalanche, há casos em que você percebe que tá rolando algo estranho, mas não são também a maioria, embora as feministas devam se ligar nisso, porque é tudo que algumas pessoas querem pra dizer que mulheres são histéricas e não sabem o que estão dizendo.
Alguns anti-feministas enrustidos, aliás, saíram do armário a partir de um manifesto de francesas, cujo nome mais famoso era o de Catherine Deneuve. A meu ver, são três as falhas desse documento:
A) Ao pedir empatia com os homens, elas não demonstraram nenhuma com as mulheres que denunciaram os casos, com as mulheres de modo geral. Por que diabos ter cuidado com eles seria prioridade?
Deneuve percebeu a mancada e depois se desculpou com as vítimas.
B) Elas demonstraram total desconhecimento da discussão em curso, o que pega muito mal, já que a carta é uma resposta à movimentação das americanas. Isso se reflete na confusão entre censura da arte, paquera e assédio. A pior parte da carta foi ter insinuado que assédio é uma paquera insistente, desajeitada. Chegar a essa altura da vida confundindo as duas coisas é de lascar, quer por ignorância ou cinismo. Só tem uma parte da carta que presta e é nisso que elas deveriam ter ficado, ao invés de tentar cagar regra errada sobre o quanto de abuso uma mulher deve aceitar de um homem: os limites dessa discussão em relação a arte. Eu, particularmente, acho que independente do caráter do artista, a arte dele deve ser consumida por quem quiser. Eu não gosto de Roman Polanski como figura, ele é a cara do homem asqueroso, estuprador. Mas contanto que ele não faça um filme fazendo apologia a isso, por que não?
C) Essas fêmeas defendendo os machos amigos não estão preocupadas com liberdade. Tão preocupadas com os caras, com a patotinha delas, com a própria imagem, já que estão atreladas a eles de alguma forma. Por favor, né!
E digo mais: se cavar um pouquinho, vai ver que tem homem por trás desse manifesto das francesas.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Parei

Eu estou muito cansada, são muitas atividades, muita gente falando, eu tô esgotada e de mau humor.
Vou tentar parar, vou procurar cortar tudo de superfluo.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

"Ninguém aqui é puro, anjo ou demônio..."

Só ouvi verdades neste trecho do hit de Sandra de Sá. Mas nem por isso:

1)  É justo botar todo mundo no mesmo saco. Tem gente que é semi-demônio e ainda bate no peito com orgulho disso;

2) Nem por isso deixa de ser legal quando as máscaras de certas pessoas que não se assumem caem. hehe

domingo, 7 de janeiro de 2018

bode expiatório

A hipocrisia é uma coisa que pula de tudo quanto é lugar. Como o ser humano gosta de ser inconscientemente e também deliberadamente hipócrita!... Cada dia é um exemplo diferente.
Um amigo meu ontem desabafava sobre a atitude de uma Fulana do trabalho dele. Ele disse algumas verdades inconvenientes no grupo do trabalho, sem endereçá-las a ninguém em particular, e essa colega falou, privadamente, a outro colega de trabalho que não era para ter colocado aquele "ser pesado" no grupo.
Isso é a cara da sociedade de hoje: todo mundo só consegue operar na superficialidade e fica evitando tratar de certas coisas, encarar o que é podre e evidente, mas não conveniente. Essa história é um exemplo claro de quando alguém procura outra pessoa para ser um bode expiatório. A pessoa não aguenta lidar com a situação, finge que ela não existe, vem outro e joga luz na coisa e ruim é quem jogou a luz e não a coisa em si ou quem a criou.  Sei... Tem jeito, não. Por isso que a humanidade não vai pra frente. 

seletividade

Ontem, falando de uma personalidade baiana negra que não faz nada sem postar nos stories das redes sociais, um amigo, ao admitir que tomou ranço dela, também ponderou que isso pode ser efeito do racismo.
Eu fiquei indecisa na hora, mas agora acho que é. Somos mais tolerantes com quem tem características aristocráticas e quase nunca percebemos isso, reproduzindo esse tipo de injustiça vida afora. Não que você não possa tomar ranço de uma pessoa porque faz parte de um grupo historicamente discriminado, mas porque uma outra figura semelhante, por ser branca ou homem ou hétero, não causa a mesma reação? Eis aí a injustiça.

Relationship

Vira e mexe, quando estamos comentando sobre um terceiro que está ausente, de alguma situação vexatória pela qual passou, falamos que "Fulano não tem autoestima". Mas eu acho que, na verdade, apesar de ter mesmo uns casos bem graves disso e até "crônicos", ninguém tem realmente autoestima. Soa até afetado à beça quando a gente diz que alguém não tem autoestima porque ninguém é bem-resolvido de fato.
Qualquer relação é difícil e há dois dentro de cada um de nós: o que é e o que deveria ser; o que executa e o que julga. E como em qualquer relação, há oscilação entre o descontentamento e o encantamento e a gente continua porque sente que ainda vale a pena ou porque é covarde mais até para ir embora.

Roda Gigante

Assisti ontem o novo filme de Woody Allen. Achei razoável, tenho a sensação de que ele anda se repetindo demais desde Blue Jasmine.
O filme, a meu ver, se segura na personagem e na interpretação de Kate Winslet, maravilhosa como sempre. Ginny, interpretada por ela, causa uma tragédia por uma omissão cometida por ela, movida a rancor, carência e ciúmes. Na verdade, não foi exatamente culpa dela. O crime aconteceria mais cedo ou mais tarde. Mas, ao querer atingir terceiros, ela acabou na verdade fazendo algo contra si mesma. Produziu mais uma culpa gigantesca para lhe esmagar pelo resto da vida - a personagem já havia se destruído amargando uma por anos.
Ter tido vontade de fazer o que ela fez foi completamente humano. Quase todo mundo teria se sentido tentado. Dada a irreversibilidade da consequência, a maioria teria se censurado, mas na maioria das situações desse tipo que surgem na vida, sem risco de morte, em que você tem a oportunidade de ferrar com alguém que te prejudicou ou de se dar bem às custas do revés do outro, a maioria, infelizmente, vai fazer que nem a personagem de Kate Winslet e fingir que não foi com ele/a, vai se omitir e deixar a bomba estourar.
Fazer o que é certo não é natural e muito menos fácil. Mas garante uma consciência tranquila e, eu acredito, evita a mão pesada da lei do retorno.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Estranho

Engraçado como o afeto afeta sua capacidade de se emocionar com as pessoas.
Outro dia, uma pessoa de quem já gostei e que hoje está bem mais para a indiferença que para a amizade, fez uma piada que em mim não produziu nem cosquinha. Em outros tempos, teria achado bacana.
Essas "mortes" são estranhas. Eu me surpreendo comigo mesma.