quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

So fucking tired!...

Ando muito cansada. Evito dizer isso em voz alta porque dizem que quanto mais a gente fala em algo, mais esse algo cresce. Mas é um tipo de cansaço estranho, um cansaço mental em um nível que eu nunca tinha experimentado: ando tão cansada que os problemas chegam e eu não consigo me estressar com eles por pura falta de energia.
Eu fico pensando que seria mais feliz se abandonasse o ritmo da vida na cidade. É evidente que não fui feita pra isso: trânsito, fila, empurra empurra. Mas quando penso em ir para um interior, aquele lugar sem nada para fazer, sinto que não tenho opção. Fico pensando em que tipo de alternativa tem alguém como eu, que não é urbanóide nem faz o estilo bicho do mato? Já com 30 e poucos anos, não me interessa só ter conquistas mas viver com qualidade de vida. Digo, por exemplo, que não me basta ter um emprego; ele tem que me proporcionar alguma condição de viver a minha vida.
Quem foi que criou essa necessidade de viver freneticamente que nos impuseram? É muito louco o ser humano viver assim, bicho! Olha, eu até amo ser produtiva, mas eu amo mais ainda poder escolher, coisa que eu não posso fazer. Como se faz pra ter saúde numa situação dessa?
Bem, eu penso em tudo isso, mas a verdade é que, por enquanto, eu tô sem energia para tentar algo diferente.

Felipelindo

E às 7h58 de 07/02 chegou o meu sobrinho e afilhado Felipe, no Hospital Aliança. Um meninão: 3,480 kg, 51 cm! A coisa mais linda, já nasceu com cara de homenzinho. :)
Mas o bichinho promete ser genioso, viu (como já indicavam os chutes que ele dava na barriga de Renata)? Abriu o berreiro assim que nasceu e foi o que mais se mexia no berçário. Também foi o primeiro a abrir os olhos, para o orgulho da madrinha. :P
Na verdade, não sei se genioso seria a melhor definição. Às vezes ele me parece carente. Lembro de uma das primeiras trocas de fralda do meu sobrinho. Chorava como se estivessem arrancando um pedaço do seu corpo. Assim que dei o meu dedo indicador para ele segurar, ficou quietinho, a coisa mais fofa do mundo - que é como ele se parece quando está quieto, com aquela boca de coração dele sugando o peito ou o bico ou dormindo com a mãozinha embaixo da cabeça e as perninhas cruzadas. Felipe teve dificuldade para dormir mesmo em casa. Houve uma noite em que o pai resolveu colocá-lo apoiado sobre a barriga, e ele dormiu por cinco horas seguidas e nem sendo chamado para mamar quis despertar. Ele também fica quietinho quando minha mãe, que conversa até com poste, dana a tagarelar com ele. Felipe prefere dormir no carrinho, onde ele tem encaixe, do que no bercinho que é grande demais pra ele.
Eu sinceramente fiquei surpresa com isso tudo. Não sabia que a gente já nascia tão gente, tão carente, tão necessitado de aconchego. Pensava que isso tudo era coisa que a cultura enfiava na mente das pessoas. Mas pelo visto não é: assim como Lipe, em seus 22 dias de vida, vivemos procurando o quentinho, o encaixe perfeito de dois corpos da época da barriga, chorando pelo aconchego primário e perfeito perdido. 

As Piriguetes

Nem Daniela, nem Ivete. Nas ruas, só se fala, só se pede a “piriguete”. É assim que ficaram conhecidas as latinhas de 269 ml de cerveja vendidas desde o Carnaval passado ao preço módico de R$ 5 o trio e em alguns casos R$ 1 a unidade. A entrada de uma prestigiada marca de cerveja neste mercado é a novidade deste ano. “É uma piriguete de valor. É facinha, mas é da boa!”, explica a ambulante Fátima Sacramento.
Mas porque a latinha leva o nome de piriguete? São muitas as teorias. A ambulante Luciene Gonçalves destaca a relação custo/benefício. “Ela é que nem mulher piriguete: com R$ 5 você pega três”, compara. A explicação da estudante Hilma Santos é mais comportada. “Porque ela é pequena e toda arrumadinha”, define. Comportamento é o que o folião não vai ter com a piriguete, na opinião da ambulante Débora Alves. “Olha, se beber com vontade, ela arregaça. Com 20 contos de piriguete, você fica louca”, garante.
Na versão cerveja, a “piriguetagem” não é exclusividade da mulherada. “É coisa de homem também”, afirma o técnico de telecomunicações Adelino Júnior. Ele acredita que a similaridade com as piriguetes vem do fato de serem ambas “atrevidas”. “Ah, quanto mais a gente bebe, mais a gente quer”. O historiador José Libânio aposta numa explicação parecida, e afirma que o apelido da latinha tem a ver com o poder de fazer a libido aumentar. “Essa cerveja é boa e dá um fogo danado, que nem a piriguete”, teoriza. Já o taxista Jaime Evangelista acredita que as duas se aproximam na “temperatura”. “Ela é pequenininha e por isso é difícil que perca a temperatura. Está sempre no ponto, geladinha, que nem as piriguetes”, observa Jaime.
Diretamente dos mares do Caribe, o pirata Jack Sparrow ficou confuso ao responder a questão. “Quando as piriguetes chegarem por lá, eu te explico”, esquiva-se o pirata.
Mas, ao contrário das piriguetes de carne e osso, as latinhas estão ajudando uma turma de trabalhadores da folia a faturar mais. “Elas têm aumentado um bocado o número de latinhas que pego nas ruas”, conta o catador de latas Rafael da Silva.