sábado, 21 de fevereiro de 2009

Com a palavra, dona Camille!...

Entrevista Camille Paglia
Ode à loucura apaixonada

A intelectual americana da cultura pop diz que o cenário
atual é desanimador, a não ser por um único e espetacular
fenômeno: a cantora baiana Daniela Mercury


Juliana Linhares

Misa Martin

"Madonna está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que parecem garras"

Sempre colocada nas listas dos grandes nomes da intelectualidade contemporânea e das maiores vocações para provocar encrencas, a crítica americana Camille Paglia, 61, durante anos teve como ícone máximo a cantora Madonna, de quem exaltou a ousadia e a criatividade em dezenas de artigos. Aí, desencantou-se – hoje a considera "patética". O posto de musa inspiradora, porém, não ficou vago: Camille elegeu para ocupá-lo a cantora baiana Daniela Mercury, que conheceu através de DVDs que a atingiram "como um raio". Autora de cinco livros, entre eles Personas Sexuais, uma obra popularizada pelas conexões entre arte clássica e cultura pop, Camille tirou alguns dias de folga na Universidade das Artes, na Filadélfia, onde dá aula de ciências humanas e mídia, para passar o Carnaval em Salvador e, enfim, conhecer Daniela. Antes de cair na folia pagã, falou a VEJA.

Quando a senhora esteve na Bahia, no ano passado, ganhou um pacote de DVDs de Daniela Mercury e, desde então, tem escrito entusiasmados artigos sobre ela. O que a impressionou tanto?
A sensação que tive quando vi os DVDs foi de ter sido atingida por um raio. Comecei a pesquisar freneticamente sobre ela, inclusive em vídeos no YouTube. Vi que, no começo, quando apareceu, se assemelhava a uma corsa. Hoje, é uma tigresa. Ao vê-la cantando, eu me dei conta de como andei entediada com a música americana na última década. Foi justamente a época em que Madonna perdeu a pegada. Já escrevi sobre isso, mas faço questão de repetir: fiquei chocada com aquela loucura apaixonada acontecendo ao ar livre no Brasil, enquanto nós, fãs da música americana, ficávamos presos como ovelhas anestesiadas no curral comercial de shows de estádio, caros e cheios. Sem falar nas nossas canções, que são enlatadas e só se seguram por truques de computador. A Daniela surge como uma grande explosão. Ela é a Madonna brasileira. Faz música pop, mas possui outra dimensão incrível que Ma-donna não tem: um grande conhecimento sobre folclore, sobre os grupos étnicos brasileiros e sobre a história da Bahia. É bem verdade que a cultura dos imigrantes italianos, da qual Madonna surgiu, se desintegrou com o passar do tempo. Eu também sou produto dessa cultura e lamento que tenha sobrado tão pouco, fora as citações vulgares em Família Soprano.

Durante décadas, a senhora escreveu artigos elogiando Madonna, a quem considerava "a verdadeira feminista". Depois, mudou de opinião. O que aconteceu?
Ela está patética. O que mais me espanta é esse envolvimento com a cabala. De um lado está a Madonna dos anos 80, um símbolo de rebelião contra a ortodoxia religiosa. Agora temos a Madonna pregando a cabala, catequizando pessoas. Para Madonna, consultar a cabala é como ir ao terapeuta. Não é uma crença religiosa, é um modo de lidar com seus problemas psicológicos. E não é coincidência que a criatividade dela tenha decaído. Além disso, ela está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que lembram garras. Não me parece uma sexualidade realmente autêntica, é muito conceito, muito planejamento mental. Ela deveria meditar sobre sua grande influência, Marlene Dietrich, com quem viveu algo muito triste. Madonna quis fazer um filme sobre Marlene, que ainda estava viva, reclusa em Paris. Marlene não quis. Não permitiu que ela a interpretasse, por considerá-la muito vulgar. Madonna se casou com um homem dez anos mais novo e começou a lutar para parecer uma menininha. Quanto tempo vai continuar com isso?

"Angelina Jolie está no topo da sua performance. Ela deveria gastar tempo estudando arte em vez de tentar provar que é Madre Teresa ou Joana d’Arc. Minha vontade é dizer a ela: ‘Pare de falar e vá se concentrar em outra coisa’"

A separação dela ajudou ou atrapalhou?
Eu achava Guy Ritchie um cara decente e continuo achando. Depois da separação, todo mundo esperava que ele voltasse a desfilar com loiras pernudas, o tipo de mulher com quem saía antes de se casar. Até agora, não apareceu nenhuma foto de Ritchie com outra mulher. Já Madonna quer dar o troco e mostrar que continua desejada, mas só parece desesperada ao sair com homens como Alex Rodriguez (jogador de beisebol) e agora o modelo brasileiro. Ele é muito bonito, diria magnífico, mas o caso é patético. Acho bom que mulheres mais velhas tenham namorados mais jovens. Mas tem de existir química, um entendimento na relação entre os dois. No caso de Madonna, o rapaz parece um gigolô e faz com que ela fique ridícula.

E Angelina Jolie? Com a mistura de imagem sensual, filhos em série e trabalho voluntário, a senhora acha que ela atingiu o ponto de equilíbrio entre mulher fatal e santa, ou é simplesmente esquisita?
Eu fico triste com o que está acontecendo com Angelina Jolie. Ela é uma atriz maravilhosa. Fiquei muito impressionada com sua atuação em um filme inspirado na história da modelo Gia Carangi. O problema com Angelina é que, ao atingir o ápice do estrelato, as pressões ficaram muito fortes e ela passou a fazer um jogo de esconde-esconde esquisito. Normalmente, eu desaprovo atores que se passam por militantes políticos. Tudo bem aparecer ocasionalmente em um evento beneficente, mas eles não devem partir para cruzadas. Uma exceção é o Bono Vox. Acho interessante ver que, conforme vai envelhecendo, dedica sua energia às questões políticas. Mas Angelina ainda está no topo da sua performance. Ela deveria gastar o tempo estudando arte em vez de ficar tentando provar que é Madre Teresa ou Joana d’Arc. Minha vontade é dizer a ela: "Pare de falar e vá se concentrar em outra coisa".

Quem é, atualmente, a mulher famosa que encarna o poder da feminilidade sem cair nos excessos de futilidade?
Gosto muito de Kate Winslet. Ela estava maravilhosa em Titanic. Passados doze anos e tantas pressões, olho para ela e vejo alguém que formou uma família e ao mesmo tempo é extremamente produtiva como artista. Após Titanic, que foi um tremendo sucesso comercial, ela não começou a agir como as atrizes de Hollywood, que só topam atuar em produções suntuosas. Em vez disso, fez filmes de baixo orçamento, pequenos, obscuros. Ela tem a postura das atrizes inglesas, que é considerar a arte mais importante do que virar celebridade.

Mas Kate Winslet não está no mesmo nível de popularidade que Madonna ou Angelina. Existe alguém com o apelo delas que tenha feito bons trabalhos, sem derrapar no comportamento pessoal?
Infelizmente, estamos em um período de declínio das grandes estrelas. Eu acho que a última estrela de grande dimensão, vinda de Hollywood, foi Sharon Stone, com o estonteante Instinto Selvagem. Eu pensava que Angelina fosse ocupar esse papel. Mas ela não quis, então acabou. Nem me lembro da última vez que fui ao cinema. Em vez disso, estou aqui me deleitando com um DVD de Louise Brooks, num filme de 1929.

Como estudiosa de história antiga, a senhora acha que o presidente Barack Obama poderia ser equiparado a Adriano, que saiu da periferia do Império Romano e o revigorou, ou Constantino, o imperador convertido, que selou o começo do fim?
Não sei. O governo dele começou há muito pouco tempo. Barack Obama pode ser um presidente bem-sucedido, ou pode virar prisioneiro de um Senado à romana. Além disso, muitos imperadores romanos foram vítimas da colaboração entre a aristocracia e os militares. Veremos se Obama vai ter a habilidade de controlar o aparato governamental de maneira a impor sua vontade diante um Congresso muito independente.

O império americano está em declínio?
É difícil responder a essa pergunta, porque não tenho certeza se o chamaria de império. Os romanos impuseram a sua civilização, bem como os ingleses, no auge do império britânico. O que os caracteriza como império é o controle político e comercial de boa parte do mundo. Eu diria que os Estados Unidos, desde a sua ascensão ao topo do mundo após a I Guerra Mundial, exerceram principalmente um imperialismo cultural, através da exportação dos filmes de Hollywood e de marcas como Coca-Cola e McDonald’s. Quanto ao uso do poderio militar americano no exterior, o que ocorreu no Vietnã e no Iraque foi uma tentativa equivocada de fazer o que se achava correto, em resposta ao que pareciam ser grandes ameaças. Em nenhum dos dois casos existia a ideia prévia de que iríamos nos tornar ocupantes permanentes. Ambas as situações também propiciaram um significativo aumento do poder presidencial. O Poder Executivo usa o Exército sem consultar os demais poderes e sem que o Congresso aprove uma declaração oficial de guerra.

"A feminilidade americana hoje é louca, é ‘superconceituada’. Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays"

É possível o país estar economicamente fraco e militarmente forte?
Sim. Mas a questão não é tão simples. Os americanos que se opuseram à invasão do Iraque ficaram enfurecidos porque bilhões de dólares arrecadados via impostos foram jogados fora. Houve um desperdício obsceno do nosso dinheiro. Ele deveria ter ido para a área social, para o sistema de saúde, para infraestrutura, em nosso próprio país. O governo Bush foi muito esbanjador. Bush gastou em excesso, e a eficiência dos principais organismos governamentais parece ter piorado. Foi inesperado, porque republicanos em geral têm responsabilidade fiscal, enquanto os democratas são os imprudentes, propensos a gastar em excesso na área social. Bush deixou o Partido Republicano em ruínas. Sou uma grande ouvinte de programas de rádio (nos EUA, ultraconservadores) e notei que há anos começaram a criticar o governo Bush.

Onde estão, à esquerda e à direita, as grandes ideias para enfrentar a crise econômica, fora os sucessivos planos de estímulo?
Há um enorme caos acontecendo em Washington, com a aprovação de gastos que não temos dinheiro para bancar. Mas, na minha opinião, está havendo, sim, um embate feroz de ideias. Os republicanos desaprovam o pacote de estímulo de Barack Obama porque acreditam que o governo não deve espalhar tanto dinheiro e que a melhor maneira de acelerar a economia é reduzindo impostos e aumentando o poder de compra dos cidadãos. Os democratas sustentam que devemos auxiliar quem está com problemas agora e que o governo deve exercer controles maiores, de maneira mais parecida com o modelo europeu.

Tantos anos de pós-feminismo e as mulheres parecem continuar a viver em conflito diante de seus diversos papéis. Há solução à vista?
Não. É um dilema terrível quando as mulheres aspiram a ter filhos e carreira. E é um dilema que não afeta os homens. Não por uma questão de discriminação da sociedade, mas simplesmente porque a natureza escolheu deixar o enorme fardo da gravidez para as mulheres. Vemos nos tempos modernos uma evolução da antiga família ampliada, da grande família tribal, em que diferentes gerações viviam juntas, rumo ao modelo em que as pessoas vivem isoladas em famílias nucleares, seja mãe, pai e filho, seja mãe divorciada e filho ou mãe solteira e filho. Isso põe as mulheres sob enorme pressão para fazer coisas que antigamente eram feitas pelas parentes. Antigamente, no interior, quando uma jovem ficava grávida, ela não fazia nada. As mulheres mais velhas a dominavam e ficavam dizendo "Vá descansar, saia da cozinha. O filho que você leva aí dentro é o nosso sangue". Hoje, quanto mais bem-sucedida a mulher, mais distante ela está desse modelo comunal. Ela vive louca atrás de babá, empregada, enfermeira. Consequentemente, sofre um nível de intensidade nervosa e de exaustão sem precedentes na história. Alguém se lembra de ter tido uma avó agitada?

As mulheres perdem com isso?
Claro. A feminilidade americana hoje é estressada, é louca, é "superconceituada". Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays. O máximo que uma mulher jovem e bem colocada na carreira tem a oferecer é uma instigante conversa sobre trabalho ou um empolgante almoço de negócios. É um tédio conversar com elas. Aliás, estou cansada de falar dessas mulheres. Vamos falar mais da Daniela Mercury?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Crazy little thing called MÃE


E eis que após algumas decepções, essa semana tive algumas boas surpresas com gente que já sabia ser da melhor qualidade, mas não imaginava que tanto assim. :)
Minha mãe também me surpreendeu por esses dias. Mais uma vez, sua sabedoria instintiva me deixou boquiaberta.
Falarei dela, a seguir, mas na verdade falarei de todas as mães. Eita classe danada, sô! Acho que junto com a barriga, as mulheres [infelizmente não todas] ganham também alguns poderes mágicos. Só isso explica.
A minha mãe é uma figura. Por vezes, ela também é irritante. Mas apesar disso, nos damos muito bem. Ela não é uma mulher muito inteligente, mas é altamente instintiva. É uma boa mãe que "age certo por métodos tortos". Sobram-lhe generosidade, capacidade de proteção e intuição para conduzir as filhas. Uma vez, minha irmã, em sua fase de aprontar na adolescência, entrou bufando na cozinha, exclamando: "Minha mãe é a única pessoa a quem nunca consigo enganar!". hehe...
Pena [pra gente] que as previsões de dona Jô nunca parecem muito lógicas aos olhos da sua própria cria. Mas o fato é que são incrivelmente certeiras. Talvez porque soam a maluquice de uma cabeça neurótica de dona-de-casa, a gente nunca ouve os conselhos da mamma. Pra azar nosso. Ô!... Ela sempre diz, com um ar cansado de quem insiste em nos avisar mais por desencargo de consciência que por esperança de que possa impedir o pior: "As vidas de vocês seriam muito melhores se me ouvissem mais". Eu mesma acabei de escrever que seus conselhos são certeiros, mas vou ignorar o próximo que ela me der, achando que é invenção da cabecinha dela, coisa de quem vê muita novela e lê Danielle Steel. [risos] E vou me ferrar novamente por não ter seguido a indicação materna [e vou me arrepender novamente de não tê-la escutado...]. E la nave vá!...

NOTA: ontem, pensando sobre isso, sobre o porquê de nunca ouvirmos os conselhos que nos dão, Medrado, via rádio, me respondeu. Ele começou a falar sobre conselhos e disse que a seu ver, ninguém ouve ninguém; que quando alguém pede um, espera que a outra pessoa lhe diga algo que confirme a sua opinião.
Incrível como isso sempre acontece comigo: estou pensando cá com os meus botões sobre um assunto e, de repente, alguém completamente estranho começa a falar sobre a minha questão, como se soubesse o que estou pensando. Bizarro. [risos]

Ok, todas as mães são mais ou menos assim, "bruxas". Mais OU menos - eis o diferencial. Minha mãe me impressiona por ser mais, bem acima da média. Acho que já comentei por aqui, mas várias vezes já fiquei passada ao ver como aquilo que ela dizia, e eu julgava ser um absurdo, tinha mesmo fundamento. Poucas vezes a vi errando nas impressões à primeira vista que tem das pessoas. Dá até medo.
Acho que deve ser uma questão de fé e religiosidade. Alguém que entende do riscado já me disse que ela é uma pessoa muito protegida espiritualmente. Tudo de minha mãe é oração. É um tal de "vamos entregar nas mãos de Deus". Até tiro sarro da cara dela, dizendo que o "andar de cima" não é a Bolsa de Valores e que portanto ela não precisa ficar tanto assim no pé do Altíssimo para conseguir as coisas. Mas tenho mudado de opinião: quem não chora pra Ele, não mama aqui nessa terra! hehe...
As mães são realmente poderosas! A conexão espiritual que conseguem estabelecer com as suas crias é coisa digna de estudo científico. Quando tiver os meus filhos, quero fazer algumas coisas diferentes do que minha mãe fez comigo, mas gostaria muitíssimo de ter o mesmo dom de proteger e antever meus filhos que a minha velha tem. Até porque os anos 20 do século 21 não serão tão pacatos como os anos 80/90 do século passado, né. Só contando mesmo com um terceiro olho para se dar bem nessa história!...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"As telenovelas moldaram o Brasil"

Revista Época

Alberto Chong

Economista do BID afirma que a novela ajudou o país a aceitar o divórcio e a criar famílias menores

Martha Mendonça

Qual é o verdadeiro impacto das telenovelas nos lares brasileiros? Segundo dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as tramas exibidas na TV nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em pelo menos dois aspectos: menos filhos e mais divórcios. As pesquisas, coordenadas pelo economista Alberto Chong, analisaram o conteúdo de 115 novelas transmitidas pela TV Globo entre 1965 e 1999 nos horários das 19 horas e das 20 horas. Nessa amostragem, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% delas eram infiéis a seus parceiros - o que suavizou o tabu do adultério. Para Chong, a telenovela é um excelente canal de difusão de programas sociais, como prevenção à aids e direitos das minorias. Ele deu a seguinte entrevista a ÉPOCA.

QUEM É
Economista nascido em Lima, no Peru. Tem 45 anos e mora em Washington, nos Estados Unidos

O QUE FEZ
Desde 2000, trabalha como pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

O QUE PUBLICOU
As pesquisas Novelas e fertilidade: evidências do Brasil, com Suzanne Duryea, do BID; e Televisão e divórcio: evidências de novelas brasileiras, em parceria com Eliana Ferrara, economista da Bocconi University

ÉPOCA - De que forma as telenovelas influenciaram a sociedade brasileira?
Alberto Chong - Durante o período da ditadura, os autores já viam nas novelas a oportunidade de lutar contra o sistema, apresentando novas ideias e valores. Há, de forma recorrente, a crítica à religião, ao machismo e ao consumo de luxo e a ideia de que a riqueza e o poder não trazem felicidade. A família está no centro dessas transformações. As novelas são um instrumento muito poderoso na formação de um modelo bastante específico de família: branca, saudável, urbana, bonita, consumista - e pequena.

ÉPOCA - Vem daí a explicação para a influência das novelas na queda da taxa de fertilidade?
Chong - Sim. A família pequena é uma imposição da produção, que tem limitações de elenco. Para que a história aconteça, são necessários pelo menos cinco ou seis núcleos. Então nenhum pode ser grande demais. Por um tempo essa família tão reduzida era irreal. Com o tempo, porém, a repetida exposição desse perfil influenciou fortemente na preferência por menos filhos e pelo custo financeiro mais baixo dessa escolha. Ao longo dos anos, essa queda na taxa de fertilidade foi caindo mais em áreas alcançadas pela televisão do que em áreas que não recebiam o sinal.

ÉPOCA - As mulheres são o público principal das novelas. Elas são mais influenciáveis por esse tipo de conteúdo?
Chong - Uma das ideias mais disseminadas pelas novelas, em todos os tempos, é, certamente, a emancipação feminina, junto com a entrada da mulher no mercado de trabalho. A busca do amor e do prazer pelas personagens femininas também é uma constante em qualquer trama - mesmo que ela tenha de cometer adultério, o que também é comum nas histórias.

ÉPOCA - No Brasil, de acordo com o IBGE, vem das mulheres a maior parte dos pedidos de divórcio. Quanto as novelas contribuem para isso?
Chong - Estudar o Brasil sob esse ponto de vista é interessante, porque os casos de divórcio aumentaram dramaticamente nas últimas três décadas. Estima-se que as taxas aumentaram de 3,3 em cada cem casamentos em 1984 para 17,7 em 2002, mais do que em qualquer outro país latino-americano. Nosso estudo avança na hipótese de que os valores da televisão, mais precisamente das novelas, contribuíram de fato para esse aumento, principalmente a partir do momento em que no Brasil há um alcance desse tipo de programa como em nenhum outro país. A novela é, de longe, a maior atração da TV e é veiculada pela Rede Globo, que tem mantido um domínio quase absoluto do setor por cerca de três décadas. Percebemos que, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto porcentual. A mudança é positiva. A simples possibilidade do divórcio dá às mulheres a chance de igualdade de gênero no casamento e na distribuição do trabalho, dentro e fora de casa. Também diminui a violência doméstica, os homicídios e suicídios.

ÉPOCA - Há algum período da história das novelas no Brasil em que essa influência no comportamento tenha sido mais ou menos forte?
Chong - Acredito que as novelas tenham tido um impacto mais poderoso quando começaram a ser veiculadas em massa. O que corresponde aos anos 70, principalmente, muito mais que nos anos 90 ou nos dias de hoje. O público, aos poucos, vai se acostumando aos temas e à forma como a trama acontece. A audiência naquele tempo também era muito maior, refletindo-se na influência. Mas é fato que existe um efeito cumulativo e é sobre ele que focamos nossos estudos.

ÉPOCA - A padronização dos valores, de comportamentos e ideais que a televisão introduz é negativa?
Chong - É uma questão de perspectiva. As novelas, em especial da TV Globo, impõem um estilo de vida moderno e urbano que diminuiu as taxas de fertilidade e aumentou as de divórcio. Isso pode ser visto de forma positiva por um grupo e de forma negativa por outro.

ÉPOCA - O brasileiro é o povo mais influenciado por novelas na América Latina?
Chong - Não há evidências concretas em relação a isso, visto que não temos um estudo do impacto das novelas latinas como temos do caso brasileiro. Acredito que no México haja também certa influência, assim como em argentinos, peruanos ou venezuelanos. Mas é indiscutível que no Brasil haja um fenômeno bastante particular não só nos valores e personagens que as telenovelas nacionais retratam, mas também na maneira com que elas são feitas - o ritmo, o tipo de diálogo, tudo é muito marcante e característico. A esse respeito, eu não ficaria surpreso se o impacto das novelas no Brasil fosse mais forte que em outros países.

ÉPOCA - Há como comparar a influência da novela no Brasil com a do cinema na sociedade americana?
Chong - Existem indicações claras de que os filmes americanos têm enorme impacto naquela sociedade. A questão da violência, por exemplo, é alvo de muitos estudos recentes. Mas acredito que essa influência tenha características próprias, e não há como fazer uma comparação com as novelas no Brasil.

ÉPOCA - Pode-se dizer que, no Brasil, a novela é o melhor canal para a difusão de ideias sociais?
Chong - Sim, acredito que seja o mais eficaz. Por isso esses estudos são tão importantes para os países em desenvolvimento. Nas sociedades em que a alfabetização é relativamente baixa e a leitura dos jornais é limitada, a televisão desempenha um papel crucial na circulação das ideias. A televisão tem influência enorme em países como o Brasil, onde ainda há forte tradição oral. Nosso trabalho sugere que os programas orientados para a cultura da população local têm o potencial de atingir uma grande quantidade de pessoas com muito baixo custo e, portanto, poderiam ser usados por políticos para transmitir mensagens sociais e econômicas importantes - sobre aids, educação, direitos das minorias etc. Estudos recentes feitos por psicólogos sociais realçam o papel dos meios de comunicação, rádio e telenovelas em particular, como uma ferramenta para a prevenção de conflitos. A nossa investigação sugere que esse instrumento funciona na formação das mais variadas políticas de desenvolvimento e deve ser aproveitado.

Oração de Santo Expedito


Para quem está com um problema de difícil solução, essa é uma boa oração. Ensinaram-me assim: você reza para Santo Expedito, depois segue a oração com um Pai Nosso e uma Ave Maria, e isso por treze dias. Se não funcionar, dê uma pequenina pausa e continue por mais 13 dias.
Bem, segue o texto da oração a Santo Expedito:

"Meu Santo Expedito das Causas Justas e Urgentes, socorrei-me nesta hora de aflição e desespero. Intercedei por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo! Vós que sois um santo guerreiro, vós que sois um santo dos desesperados, vós que sois o santo das causas urgentes, protegei-me, ajudai-me, dai-me força, coragem e serenidade. Atendei ao meu pedido: [faça seu pedido]. Ajudai-me a superar essas horas difíceis, protegei-me de todos que possam me prejudicar, protegei a minha família, atendei ao meu pedido com urgência. Devolvei-me a paz e a tranqüilidade. Serei grato pelo resto da minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé. Muito obrigado meu Santo Expedito!"

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Obrigado por insistir

Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
“Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”
“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”
“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

Martha Medeiros

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Clube dos Corações Partidos

"Os afetos são como os impérios. Desaparecendo a ideia sobre o qual estão construídos, também eles desaparecem."
(Milan Kundera)

"O coração é uma coisa frágil. É por isso que somos tão vigorosos em protegê-lo, que o abrimos tão raramente, e é por isso que significa tanto quando o fazemos. Alguns corações são mais frágeis que outros. Mais puros, de algum modo. São como cristais num mundo de vidro; até mesmo o modo como eles se estilhaçam é bonito".
(De algum programa da tv a cabo)


Estava eu lendo o blog de uma garota. Seu último post falava sobre decepção. Dizia assim: "É ruim pra caramba se decepcionar com alguém que a gente gosta. Mas decepções decorrem do fato de esperarmos algo de alguém. Não precisa ser muito; o básico já é suficiente. Esperar consideração, atenção, carinho??! Cuidado! Alta probabilidade de quebrar a cara! É melhor esperar atos nobres de si mesmo, esqueça o outro...". Mais uma [decepção], mais uma [criatura decepcionada]. Ela termina seu momento "Muro das Lamentações" assim: "... receba o que de bom oferecer como uma surpresa positiva e não como uma atitude coerente com a situação de vocês. É o conselho que me dou nesse momento".
Os decepcionados [principalmente "as" decepcionadas] são figurinhas fáceis no nosso dia-a-dia. Nesse clube, aliás, eu tenho carteirinha VIP. Um dia, sem exagero algum, ainda morro disso [ou mato alguém por isso]. Brincadeiras à parte, um dia, isso sim, fico esperta e ainda me livro disso!... Eis um estresse da vida para o qual não tenho mais tolerância. De verdade. Não tenho mais coração para repetir a dose [faria qualquer coisa para impedir isso, se fosse possível]. A essa altura do campeonato, desenvolvi verdadeiro trauma, tenho pavor a esse tipo de situação. Um tiro no pé me doeria menos. Mais uma vez, e eu não me afeiçôo a mais ninguém nessa vida. Juro.
Ver tanta gente de coração partido por expectativas quebradas com namorados, sócios, amigos, parentes, etc, me gera uma dúvida instantânea: quem sobrou para partir o coração de tanta gente assim?! Há uma galeeera no mundo padecendo do mesmo mal!
Sei lá, tem quem chora demais, mas há quem possua uma capacidade acima da média de desiludir os outros. E o pior: a gente quase nunca desconfia que eles sejam assim. Aliás, desconfiar até desconfia, mas prefere acreditar que o que há de melhor ali está guardado para poucos e selecionados. Esse é o problema. "A vida não é um filme, você não entendeu...". "Parece mas não é", pessoalmente falando, está fora do meu vocabulário de agora em diante; é um conceito que está, para mim, limitado àquela propaganda do DENOREX, popular na minha infância. Vou parar de supor, de esperar, e me prenderei apenas ao que vejo.
Rilke tinha toda e absoluta razão: "A alma humana é uma floresta escura". Ô!... Então dá licença que vou ali comprar uma lanterna e uma bússola pra mim, por segurança.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pensamento da Semana

"Tudo tem que ser bem de leve para eu não me assustar e não assustar os que amo. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza: obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim."

Assim falou Clarice Lispector!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Brasil: o inferno [do consumidor] é aqui!

Sábado passado fiz minha "boa ação" da semana levando a "véia Quaker" para dar um passeio no Shopping Barra. Claro, fomos para o circuito preferido da minha "caríssima mamma": as lojas de departamento. Eu poderia falar mal da escolha pop[ular] da minha genitora, mas seria hipocrisia da minha parte, já que o "quarteto fantástico" [C&A, Marisa, Riachuelo, Americanas e, eventualmente, a Renner] faz parte do meu circuito de compras há tempos. Apenas, ao contrário de minha mãe, vou para coisas mais, digamos, objetivas e não sinto nenhum prazer em ficar vendo artigos de cama, mesa & banho. Aliás, vi uma coisa bizarrinha nesse dia: uma família inteira se deliciando com almofadas e cortinas, como quem admira a Monalisa no Louvre. Eu, hein!...
Aproveitei a caridade filial para procurar artigos específicos que andam fazendo falta no meu guarda-roupa. À certa altura, passeando entre as araras [e me esbarrando com várias mulheres à procura como eu], questionei minha presença [e o meu desgaste] nesse tipo de loja popular. Se a gente pensar bem, nas lojas "normais" você encontra muita coisa boa e às vezes pelo mesmo preço e sem ter de passar pela fauna de consumidores desesperados e araras entulhadas e muitas vezes decepcionantes das LDs [lojas de departamento] da vida. Sendo assim, o que a minha pessoa estava fazendo ali, na Riachuelo? Why, my Lord?! What´s the meaning of life, anyway?
Enquanto dona Jô farejava pechinchas pela loja, eu refletia sobre o assunto cá com os meus botões. Acho que cheguei a boas conclusões sobre o tema e sobre as razões que me levam a ser esse tipo de consumidora, além, claro, das minhas inegáveis tendências sadomasoquistas e do fato delas estarem nos quatro cantos da cidade, o que aumenta a tentação. Take a look:

1) Esse tipo de loja fornece um tipo de serviço fundamental, para o qual não há preço [para as outras coisas, existe cartão de crédito]: o conforto psicológico de que nada ali custa mais do que dois dígitos. Siiiim, você pode abraçar a peça de roupa sem medo de ser feliz, ao contrário do que acontece nas lojas comuns nas quais você se afeiçoa ao produto e, em seguida, o expele porque fica sabendo [e toma susto] o preço dele! Não é porque o capitalismo se encontra numa fase agressiva que você, consumidor, não merece respeito ao seu "pudor monetário", né? Ora, ora!...
2) Você acredita em milagre? Um lugar off-igreja muito eficiente para mostrar a um ateu que Deus existe é a loja de departamento. Sim, porque estando em meio a uma tonelada de gente e diante de tanta coisa porcaria, achar o que preste é produto da intervenção divina. Uma das "revelações" que as LDs me proporcionaram se deu via Gabriela Fonseca. Eu duvidava que alguém pudesse ser fashion vestindo as coisas de lá... Isso até conhecer Gabi. Digo mais: isso até acompanhá-la em algumas compras na C&A. Fiquei pasma! Irmãos, isso existe, sim: você pode ser fashion vestindo roupa barata! "Meninos, eu vi!".
Naquele sábado mesmo, achei uma blusa de bolinhas da hora. A numeração era pequena e fiquei em dúvida se caberia, se deveria levá-la. Minha mãe foi curta e grossa: "Pega! Pega logo, que achar coisa bonita por aqui é raro e peça assim some rápido!". Obedeci o conselho materno [e me dei bem, que a blusa ficou massa, além de ter custado baratíssimo].
3) Escolher o que quer que seja nas LDs requer apurado bom senso, boa visão e muita perseverança. Não é tarefa para principiantes e espíritos fracos. Não mesmo! Quantas vezes, nas araras dessas lojas, você não se depara com uma boa idéia mal-executada [roupa com um pano fuleiro ou com uma costura mal-acabada, por exemplo]? Que atire a primeira pedra quem nunca largou uma peça com o coração partido por ela ter defeito ou ser de material peba!
4) Comprar nas LDs é um grande exercício de paciência, humildade e de auto-afirmação. A experiência é densa, profunda, e vai da escolha do que comprar à fila quilométrica. Esses famosos chiliquentos mudariam de vida se passassem um mês freqüentando a C&A. Sandálias da Humildade pra Dieckmann e pro Clodovil?! Mandem-nos procurar o que calçar numa LD. Ou infartariam de vez ou ficariam mansinhos da Silva. Éééé!... Olha como o esquema é de selva: Acreditam que uma mulher, na fila, quis passar a perna na minha mãe quando viu a blusa de bolinhas?! Ela queria trocá-la por outra do mesmo modelo mas roxa. Eu cheguei a tempo e fui enfática com a pessoa: é MINHA! Troco, não! "Perdeu, playboy!". hehe

Enfim, além de artigos pessoais para consumo, as lojas de departamento nos ofertam algo que não sai na conta: cenas da "vida como ela é".

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Falando sério, não creio que existam coisas muito piores no planeta Terra do que ser consumidor no Brasil. Impossível! No máximo, uma meia dúzia de coisas como os dentes dos ingleses, as guerras na África e os presidentes americanos com filhos [depois de Bush Jr., entendi a supertição americana com presidentes pais de meninas e também porque nos filmes de Hollywood só se fala nas primeiras-filhas e nunca nos primeiros-filhos. É que os filhos dos presidentes podem crescer um dia, se eleger às custas do nome do pai e fazer um monte de besteiras dentro e fora do país, por mais ou menos oito anos, deixando uma crise mundial como legado. Chego a pensar que Deus escreveu certo por linhas tortas quando explodiu o avião de John-John... Pô, mas ele era supergato!... Dá-lhe Obama e Michelle, que de macho, para Casa Branca, só levaram mesmo o cachorro!].
Se a empresa for de telefonia, boa morte pra você, meu chapa! Problema com empresa desse tipo é que nem dengue: uma hora você também pega, nem se preocupe em evitar!... Essa que vos escreve foi mais uma que passou raiva com a TeleMÁ, recentemente. Aliás, eu pensava que precisava, mas não preciso de eletrocardiograma: vi, na prática, que meu cuore tá fortinho!
Vou contar como acabei dando um "tchau" à "Oi". Há seis meses, me ofereceram um plano que parecia ser muito vantajoso. Sou desconfiada com essas coisas, mas minha mãe e a empresa me pilharam tanto que cedi. Na hora de assinar o contrato, perguntei mil vezes ao vendedor se poderia voltar, sem cobranças, para o antigo plano, a hora que quisesse. Ele jurou as mil vezes que sim, que não haveria problema. Essa hora chegou e eu me deparei com a seguinte chantagem: ou pagava R$300 de multa ou teria que ficar até junho de 2009. Detalhe: se na época do vencimento você não chiar, eles renovam automaticamente. Isso consta na parte traseira da página 3 do contrato, em letras pequeninas. São bandidos da pior espécie! Fiquei injuriada e reclamei pra atendente. Do que adianta manter o cliente contrariado?! Pra quê mentir?! Você ganha o dinheiro e perde a credibilidade da marca. Burrice. Só podia ser coisa de espanha mesmo!... Há algumas semanas, derrubaram a tal multa. Corri para "voltar às origens". Ofereceram-me mundos e fundos, mas o trauma não permitiu que caísse em tentação. Estou com um pé na GVT. E aí, o crime compensa? Acho que não. Não a longo prazo.
Da próxima vez, só assino depois do vendedor falar com a minha câmera! Só assim para consumir seguramente no Brasil! Só assim!...

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Quando o erro atinge seu bolso e a sua dignidade de consumidor, menos mal. Pior é quando te produz danos palpáveis e na saúde. Vi hoje, na Globo, o caso de uma cirurgia plástica feita por um pediatra.
Amigos, cuidado com os profissionais de saúde! O código de ética deles permite que exerçam atividades na área sem que tenham especialização para tanto, contanto que se responsabilizem por quaisquer erros ["hahaha"! Piada de muito mau gosto, né!... Eis uma raça que sabe se proteger de processos!].
Eu já passei por isso e senti na pele a humilhação de ser passada para trás assim, na cara dura, por um picareta.
Minha irmã e eu fizemos tratamento ortodôntico com uma "ortodontista" famosa em Brotas, entre 93 e 2000. Os anos se passaram e nada do dente ficar no ponto [até hoje eles precisam de aparelho, mas tenho um trauma tão grande desse treco, que nem se as vacas da Índia cantarem em coro o hino do Brasil, ponho aquele trombolho novamente!]. A picareta ainda nos dava bronca por não "usarmos corretamente". Lógico que há pelo menos cinco anos já vinha fazendo muito barulho junto aos meus pais; direto reclamava da falta de qualidade da "doutora" em questão. Era uma briga me fazer pular da cama, um sábado por mês, para ir lá. Meu pai sempre voltava do consultório puto da vida comigo. Mas era aquela coisa: todo mundo botava e tirava o aparelho e a gente lá, com aquilo apodrecendo na boca. Tinha mesmo que estar bronqueada [admito que fico insuportável quando perco o respeito por alguém]. Quem merece ter "boca de lata" em plena adolescência?! Ela botou cada coisa na gente que dava dó, e eu via o olhar de pena dos colegas da escola. Só nunca coloquei aquele externo. Aquilo neeem a pau, e havia dito isso a ela! Mas na parte interna, a criatura fazia miséria. Minha boca vivia cortada, machucada.
Meu pai nunca leva a sério as reclamações dos filhos. Acho que é por isso que até hoje me incomoda muito falar algo seriamente sem que respeitem a minha fala, ainda mais se for alguém próximo. Meu pai argumentava que se ela se dizia profissional, uma hora teria que dar um jeito - e um fim - no tratamento. Até que no ano novo do milênio, dei um superchilique - estágio de revolta no qual odeio chegar! - sobre isso na praia, e minha mãe resolveu ceder à minha pressão. Fomos numa especialista indicada por uma amiga. Fizemos todos os exames e a mulher ficou horrorizada com o que a colega havia feito com os dentes da gente. Minha irmã, inclusive, nunca foi caso ortodôntico, mas de cirurgia ortogonal [a coitada tem o maior complexo de ter saído de aparelho fixo nas fotos da formatura. Ela nem olha o álbum, de raiva]. Meu chilique veio como uma salvação para ela, aos 44´do 2º tempo. Ela por pouco não perdeu o direito de fazê-la pelo plano; o cirurgião teve que correr contra o tempo, senão seriam mais de R$ 7 mil só em pinos que precisam ser postos na boca [era uma grana preta, naquela época: um Ford Ka custava um pouco mais, R$ 10 mil].
Entramos na justiça contra essa barbeira e esperamos um resultado até hoje. Ainda vou fazer a festa às custas da desonestidade dessa fulana! Ô, se vou!... Para vocês verem como são as coisas, descobri, levantando a ficha da dita cuja no Conselho, que ela era apenas graduada, sem qualquer especialização, e mais, que ela poderia sim ser ortodontista sem o título.
O "melhor" do caso ficou por conta da colega que atestou a incompetência da picareta de Brotas: após nos ter dito que não poderia dizer o que pensava na justiça por uma questão de ética profissional, ela recebeu uma graninha da acusada e foi depor a favor dela no processo. É mole?! Essa pessoa não conseguia olhar pra gente no dia da audiência no fórum, de tanta vergonha. A minha amiga da época do colégio, que havia nos indicado ela e que foi também a nossa testemunha no processo, ficou revoltada e largou o tratamento, apesar de adorar o trabalho da orto e de simpatizar com ela. Mas olha a lei do retorno, aí, em ação: essa doutora que ajudou a outra hoje não pode mais exercer a profissão por causa de uma lesão no braço. Não que deseje isso a ela [deve ser péssimo ter LER] e verdade seja dita, trata-se de uma ótima profissional, portanto é uma pena que ainda tão jovem não possa mais trabalhar, mas é como se diz no Espiritismo: a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!
NÃO CONFIEM CEGAMENTE NESSA GENTE SÓ PORQUE FAZEM CARA DE SÉRIOS E VESTEM JALECO!!! PROTEJAM-SE! PESQUISEM AS QUALIFICAÇÕES DESSES CIDADÃOS!!! Visita ao conselho regional da profissão, Google e opiniões de outros pacientes são itens imprescindíveis na escolha, sempre!!!

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Felizmente, há competência em meio ao caos ético. A Fapex foi show de bola comigo essa semana!
Semestre passado, me matriculei no Espanhol, mas desisti. A coordenadora, Iara Lobo, me prometeu um bônus para esse semestre. Fui na secretaria, há um par de dias, armada até os dentes de provas de nossas conversas. Não precisei tirar nada, além da minha identidade, do bolso. Dona Iara havia mandado um e-mail avisando ao pessoal da matrícula sobre o meu bônus. Tava lá o meu direito garantido, seis meses depois!
Os espanhas da telefonia deveriam aprender un poquito com a galera da Extensão em Espanhol da UFBA, viu!

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Mas sabe que tipo de consumidor é o fim da picada? Artista drogado. Enchem de dinheiro o bolso do traficante e depois vão desfilar "pela paz" nas ruas do Rio. Rai, ai... Santa hipocrisia, Batman!...