segunda-feira, 31 de julho de 2023

Em crise com a criança interior


Este final de semana serviu para me mostrar que definitivamente não superei a minha infância. Dois tapas na cara no mesmo dia. Primeiro vendo "Barbie". Velho, só aquele cenário de brinquedo já valeu o ingresso. As piadas com o patriarcado e o feminismo foram boas, mas eu achei Ryan Gosling bonito como nunca. Apaixonei no boneco - e o meu Ken nem era o loiro...

De noite, fui pro show de Fabio Jr., meu primeiro crush famoso. Reza a lenda que eu bebê me agarrei ao compacto de "O que é que há?" (pelo visto, minha pergunta desde sempre) no Carrefour, e o jeito foi meu pai - que detesta Fabio Jr.! - comprar o LP pra poder ir pra casa. Fui ver o show dele despretensiosamente, pedi o ingresso a um amigo, e além de ver que sabia cantar todas, ainda não parei de ver os vídeos desde então. Não superei Fabão!...

sábado, 22 de julho de 2023

Frances Ha


 

Ontem assisti "Frances Ha" pela primeira vez. Me lembro de ter tentado assistir faz alguns anos, mas alguma coisa me irritou e eu desisti - sim, eu desisto mesmo, tenho zero problema em não ir até o fim.

Me impressiona a opinião geral de que Frances anda pelos percalços da vida adulta de forma otimista. Não acho que ela tava bem ali não. A falta de disciplina e de energia pra mudar, a insistência numas situações degradantes e a impulsividade são bem de quem tá na merda. Aquela cena no banheiro da casa dos pais é bem típica de quem está com um pezinho na depressão. E depressão é o oposto de otimismo.

A questão é que há formas e formas de manifestar a bad, a depressão. Nem todo mundo é tipo Maísa. No final do filme é que ela começa a se recuperar e a inclusive tomar atitudes pra sair dessa.

Confundiram doçura com otimismo. Ela é doce, e é isso que dá pena, faz você se afeiçoar a ela. Um labrador humano, que foi ficando mal a medida que foi experimentando rejeições (porque é muito difícil mesmo), a começar a da amiga-irmã. Aliás, achei aquela cena de Sophie comunicando que ia morar com outra colega tão vida real. Como ouvi uma vez, não é que as pessoas, aquelas que te magoam, estão contra você; elas estão a favor delas mesmas. E Sophie até engoliu alguém que ela não tolerava em nome de realizar um desejo. Mais típico que isso, impossível.

Pelo menos, pra aquecer o coração da gente, essa milenium teve um final feliz.

Sem olhos para você

Por mais que a gente queira o reconhecimento de determinadas pessoas (geralmente aquelas da família ou de uma convivência bem antiga ou próxima), uma hora é preciso ACEITAR que certas pessoas NÃO TÊM olhos para a gente, e nunca vão reconhecer nossas qualidades, nos olhar de modo justo, atualizado e generoso, simplesmente porque elas estão projetando coisas delas em nós. Projeção é foda, babe. Pra quebrar esse feitiço, nêgo precisa olhar pra dentro, se refazer, coisa que dificilmente vai rolar da criatura bancar porque é bem mais gostoso e menos oneroso despejar em alguém próximo. 

Olha só quanta energia a gente não poupa deixando de correr atrás do impossivel. Queira não. 

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Um homem só

Outro dia vi uma postagem, daquelas bem intencionadas, que dizia mais ou menos assim: independente do que acontecer, você escolhe como reagir. É bem intencionada, mas é cretina. É como aquele tipo de frase pseudo animadora: "tenha fé, que você vai se curar". Ou seja, se eu não me curar é porque não tive fé o suficiente. 

Eu acredito naquela frase de Gasset y Ortega, de que o homem é o homem e suas circunstâncias. Genéticas, ambientais, temporais e econômicas. O próprio Freud disse em um de seus livros que algumas pessoas são mais talhadas pra lidar com a vida do que outras. E alguns tiveram muito apoio e orientação durante a vida e outros não; outros estão em grupo, outros sozinhos da vida. E por aí vai. Não temos os mesmos recursos. Às vezes aquele resultado que parece pouco, dependendo de onde a pessoa partiu, é vitória pura. 

Enfim, acho perigoso e desumano falar de um homem só, como se todos nós tivessemos os mesmos recursos na vida.