Eu tenho visto que a eutanásia está em questão em Portugal. Não li sobre isso ainda, mas achei massa. Acredito que as pessoas devem ter o direito de decidir sobre tudo, inclusive sobre quando e como morrer. Pena que num fim de mundo como o Brasil isso nunca vai ser discutido, regulamentado.
Eu fico pensando em Fernanda, que está com câncer metastático, e eu, apesar de não saber o que se passa com ela, acredito que mais do que a perspectiva de ter uma vida mais breve, a dor é que deve ser a verdadeira tortura dela. Eu não saberia conviver com dor física por quase uma década. Não sei o que ela tem a perder, mas, no meu caso, eu preferiria morrer, pediria uma morte digna, sem tanto sofrimento. Aliás, a irmã caçula dela, que passou anos também lidando com o câncer, pediu pra morrer. Eu entendo. As pessoas deveriam largar de hipocrisia e também entender. Mas é que eu acho que aceitar a vontade dos outros de morrer mexe com as frágeis certezas delas sobre querer viver ou sobre outros entes queridos quererem viver.
Eu não tenho medo de morrer, eu tenho medo do como, de sentir dor, de ser torturante.
Confesso que não saberia o que dizer a alguém que cansou de viver. Eu saberia, acho, demover alguém que está querendo morrer por causa de terceiros, até porque isso é muita estupidez, mas não por estar cansado da própria vida. Poderia dizer: "Aguarda mais um pouquinho, espere pra ver se as coisas melhoram", mas não ousaria contestar o seu cansaço. Quem calça o sapato é quem sabe onde o calo aperta.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
This is us
A primeira vez que ouvi falar dessa série foi no Facebook. Alguém comparou-a às novelas de Manoel Carlos. Sem querer rebaixar a produção nacional, mas, na boa, nem em mil anos MC chegaria nesse nível. Até porque há certas diferenças culturais. Entre os autores brasileiros, acho que a Lícia Manzo, de "A vida da gente", é a mais próxima do texto de "This is us".
Resolvi experimentar pra ver e me apaixonei. Por que resolvi ver? Porque além de me interessar por relações interpessoais, por questões de família, eu amo Milo Ventimiglia há 20 anos. Eu conheci ele ainda adolescente, quando protagonizava um seriado teen que parou na primeira temporada, chamado "Opposite sex". Uns parenteses aqui: esse seriado realizou uma das cenas românticas teen preferidas da vida. O personagem de Milo é um garoto comum da escola, nem loser nem winner, que, se não me engano, se mudou pra aquela cidade nova e está em processo de se encaixar ali. Ele faz amizade com uma menina que é toda perdida, nem de longe a mais bonita, mas alegre e sensível. Uma graça. Um belo dia, ele a acompanha em alguma festa onde vai estar um cara mais velho tocando, por quem ela está apaixonada. E o sujeito trata os adolescentes muito mal, deixa o povo olhando de um cercadinho. Na hora em que Milo vê a amiga ali, decepcionada por causa de um bonitão babaca, ele fica indignado, querendo tirar ela de lá, querendo dar um consolo, e daí ele percebe que se apaixonou por ela e se pergunta por que alguém que não tem nada de especial desperta nele tanto carinho. A cena é uma graça, de um romantismo crível e delicado.
Depois assisti Milo como o Jessie de "Gilmore Girls", todo rebelde, nenhum porte de galã dos anos 50, porém munido de charme masculino. Aí vem "This is us" e ele acaba de matar mamãe interpretando o marido e o pai dos sonhos. <3
Por causa dele eu comecei a assistir a série, que é fofa sem deixar de ser realista. Jack é o meu preferido, mas eu gosto de quase todos os personagens.
Jack teve uma vida familiar de merda, mas conseguiu construir uma família massa. Eu gosto muito de ver isso: gente que, pela dureza da vida, tinha tudo para não dar amor, mas, por essência, seguiu pelo caminho do afeto. A cola de tudo isso era a esposa, uma fofa, que ele amava profundamente. Aliás, Mandy Moore me surpreendeu como atriz. E o roteiro da série é bom, então a mãe, apesar de ter muito da mulher ideal, é um ser humano com suas dores, dúvidas e fracassos. Adoro Rebecca. Ela não é a típica mulher que joga toda culpa no marido; ela olha para ele. Contrariando a máxima de Contardo Calligaris, de que as pessoas se casam para ter em quem jogar a culpa pelas suas frustrações, da vez em que Rebecca tentou fazer isso, ela depois refletiu e viu que Jack também sacrificou sonhos em prol da família. E ele também reconhece a importância dela para que aquele lar seja o que é. Na verdade, como ele mesmo admitiu uma vez, a vida dele só ficou boa quando conheceu ela. Isso é amor: você não tem a pessoa perfeita, mas você admira, presta atenção e entende essa pessoa, nunca desiste de mantê-la como companheiro de trincheira.
A história é a seguinte: filhos de lares complicados, Jack e Rebecca se conhecem e logo se casam. Ela quer ser cantora e ele tem talento para a construção/arquitetura. Em determinado momento, ele pede a ela por filhos e, enfim, apaixonados até a raiz do cabelo, esperam trigêmeos (é sempre assim: Rebecca, como a linha de frente da família, claro, tem dúvidas, e Jack empurra a coisa pra frente dando segurança a ela). Os filhos são Kevin, que é um ator cheio de inseguranças, Kate, que é meio perdida também, mas, ao contrário do irmão, tem como acréscimo ser o oposto do padrão de beleza, e tem o Randall, filho adotivo, negro, que é ansioso, obcecado por controle e perfeição, mas, bem sucedido, é o único entre os irmãos com a família margarina (amo o núcleo de Randall!).
Todos da família são profundamente influenciados pelo amor incondicional de Jack, mas por isso mesmo a ausência dele deixa buracos que contribuem para o mal-estar de todos no presente, quando os filhos já tem 36 anos, mesma idade do pai quando eles nasceram. Jack era obstinado em manter aquelas pessoas bem. Ele não depreciou ou largou nenhum filho por mais que os meninos fossem difíceis desde pequenos. Como disse o médico, era a pessoa que teimava em fazer do limão uma grande limonada. Tem uma fala de Kate, que era a preferida do pai, em que ela conta que toda vez que chovia, escangalhava a janela do quarto dela e entrava água no quarto. E toda vez, sem reclamar, com toda paciência, ele consertava a janela para que não molhasse mais a filha. Convenhamos que na vida adulta achar alguém assim é achar agulha no palheiro. Jack tinha mesmo que fazer muita falta. Um legado de amor desses é pra glorificar de pé. E, veja, não custa nada gostar das pessoas e mesmo assim anda difícil pra caramba.
Uma das cenas mais lindas da série, para mim, é essa primeira. Nesse episódio, os meninos deram problemas do início ao fim, nesse dia que era pra ser divertido, mas, no final, Jack conseguiu fazer todo mundo se aconchegar no peito dele - e ele apoiado no colo de Rebecca. Melhor metáfora dos Pearsons não há.
O grande destaque de "This is Us" está no texto, que todo episódio vai trazer algo pra nos fazer chorar. É batata. Você quer ser como os personagens, mas, ao mesmo tempo, se identifica bastante com as fraquezas deles. Caramba, nas primeiras cenas de Kevin, dele como ator, eu tive vontade de arrancar ele dali. É isso, é uma série sobre empatia. Quando você acha que entende um deles, lá vem um flash-back (e ultimamente um flash-forward) pra acrescentar mais um dado que ressignifica aquele personagem na trama.
Não tem muito como explicar uma série sobre personagens. É uma questão de envolvimento emocional, de achar carisma naquelas figuras. Mas eu acho que "This is Us" traz, acima de tudo, boas reflexões sobre os nossos relacionamentos, sobre a vida da infância à velhice. Eu recomendo muito.
Você tem fome de quê?
Eu tô muito gorda, no nível de estar perdendo roupas já. Estou fazendo dieta. Na verdade, como não tenho muita paciência para ficar passando fome, tô cortando açúcar, industrializados e tal. E percebi que realmente o açúcar tem um papel na minha química, no meu humor. Eu fico triste sem as minhas guloseimas.
Há muito tempo tenho a teoria de que "a seco" ninguém encara essa vida. Há quem compre, quem jogue, quem ande freneticamente atrás de sexo e até quem se entretenha evitando tudo isso, se esforçando demais para ter o controle de tudo. A comida é, talvez, um dos prazeres mais democráticos. Em minha viagem de agora, para a Paraíba, vi um menino de rua pedindo guloseimas e sendo atendido pelas pessoas. Até ele pode se deliciar de vez em quando. A felicidade de um bom churros pode não ser duradoura, mas é intensa enquanto dura. <3
Quem tem fome de vida e tá de prato vazio geralmente descamba para a comida. O padrão que eu percebo (repito: que eu percebo, pois não fiz pesquisa, nem sou psiquiátrica ou psicóloga) no álcool é de gente que quer fugir de conflito, que quer se acalmar. Álcool é como uma anestesia para as dores da vida. O guloso quer afeto, quer prazer e, não tendo isso, vai se consolar com a acolhedora, saborosa e disponível comida. Tem até um termo para certas comidas, "confort food", que são comidas acolhedoras, que geralmente trazem uma memória afetiva.
Há muito tempo tenho a teoria de que "a seco" ninguém encara essa vida. Há quem compre, quem jogue, quem ande freneticamente atrás de sexo e até quem se entretenha evitando tudo isso, se esforçando demais para ter o controle de tudo. A comida é, talvez, um dos prazeres mais democráticos. Em minha viagem de agora, para a Paraíba, vi um menino de rua pedindo guloseimas e sendo atendido pelas pessoas. Até ele pode se deliciar de vez em quando. A felicidade de um bom churros pode não ser duradoura, mas é intensa enquanto dura. <3
Quem tem fome de vida e tá de prato vazio geralmente descamba para a comida. O padrão que eu percebo (repito: que eu percebo, pois não fiz pesquisa, nem sou psiquiátrica ou psicóloga) no álcool é de gente que quer fugir de conflito, que quer se acalmar. Álcool é como uma anestesia para as dores da vida. O guloso quer afeto, quer prazer e, não tendo isso, vai se consolar com a acolhedora, saborosa e disponível comida. Tem até um termo para certas comidas, "confort food", que são comidas acolhedoras, que geralmente trazem uma memória afetiva.
A personagem da foto acima é Kate de "This is us" (em breve escrevo sobre isso). Ao contrário dos irmãos, ela não tem um conflito interno gerado a partir da família. Os pais foram ótimos com ela, mas todos nós carregamos uma alma e a dela é frágil. A vida é dura e pode ser duplamente dura para quem não aprende a ser forte. Talvez ela tenha endeusado as pessoas da família e, não se achando à altura, tenha dado início ao processo de esconder-se atrás da gordura, de buscar afeto na comida.
Eu sempre digo que as pessoas não têm um problema porque são gordas, mas se tornam gordas porque têm um problema emocional. Não se deixa de ser gordo só com bariátrica, reeducação alimentar e academia. Ninguém engorda porque tem fome, mas porque desconta algo, uma carência de algo, na comida. Por isso que pressionar a pessoa a perder peso não funciona, pelo contrário. Isso só serve para a pessoa se afundar ainda mais.
Uma amiga minha que é psicóloga faz acompanhamento de gente que fez bariátrica. Ela diz que é muito comum a pessoa trocar uma dependência por outra, geralmente por bebida ou sexo.
Ou seja, folks, a vida é complicada pra caralho. Até Brad Pitt, a quem teoricamente nada falta, disse isso e não sou eu, pobre mortal, Maria Ninguém, que vou discordar.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Fraude do Gugu
Nunca gostei de Gugu. Nem dele, nem do Huck. Ambos lucram com a miséria alheia, mas fazem beicinho de quem tá comovido, tá ajudando de coração. Gugu era mais fake ainda do que o marido de Angélica. Menos mal que, dizem, era generoso com as pessoas ao redor. Levo isso em conta ao formar minha opinião.
Então não me surpreendi quando veio o testamento e ele simplesmente ignorou a mãe dos filhos dele. Óbvio que ela não tem direito a metade do que é dele, porque ele já tinha tudo isso quando constituíram família. União estável não é essa festa toda que o povo acha; tem critério na coisa. Claro, todo mundo sabia que Gugu era gay. Eu, criança, me lembro de ter lido em uma Contigo! da vida uma matéria sobre o rompimento dele com Silvinha, ajudante de palco do Viva a Noite, e ela dizendo que ele só alisava, insinuando mesmo que não havia sexo. Com uma mulher normal, que gosta de sexo, ele nunca conseguiria levar essa farsa adiante. E Rose Miriam parece ser obcecada por ele, o que alguns conhecidos do casal confirmaram. A pata perfeita. Não importa se rolou muito dinheiro, mas se prestar ao que ela se prestou, subjetivamente, e colocando na conta que era uma mulher jovem e longe de ser uma pobre coitada, foi pesado. Por isso que adoeceu, porque se anulou demais, provavelmente esperando um reconhecimento dele que nunca veio, cuja pancada final foi o testamento.
Sim, porque eu acho que em duas coisas ele foi inegavelmente sacana. A primeira foi ter dado a curadoria das meninas à irmã. Poderia ser compartilhada, mas não tratar a criatura como se nada tivesse a ver com os próprios filhos. A segunda foi não ter garantido uma renda vitalícia. Ela foi o armário dele por 20 anos, ele a sustentava (porque se não queria fazer isso pra sempre, que deixasse claro desde o começo) e ele inclusive ganhou dinheiro com essa imagem de homem de família. Para o produto Gugu, Rose e os filhos foram um plus, não tenha dúvida. Ela foi mais importante para ele, economicamente, do que os sobrinhos que ele fez de herdeiros. Achei muito feio a família dele falando dela como se fosse uma completa estranha, como se ao ser mãe dos meninos de Gugu não fizesse parte da família de alguma maneira.
Gugu tinha que ser coerente no testamento com o que fez parecer em vida - 25 anos de capas de Caras estão aí pra não deixar mentir (vide essas fotos aí de cima). Sempre comparo o caso de Gugu com o de Michael Jackson. Na prática, foram bem semelhantes, mas MJ sempre jogou limpo, sempre situou a Debora no lugar dela de barriga de aluguel para ter filhos.
Dizem os advogados que Gugu deixou pra ela uma casa de 6 mi em São Paulo e que ela tem um investimento de meio milhão de dólares nos EUA. Primeiro que o imóvel não garante a ela uma renda compatível com a que ela tinha com Gugu e vitalícia. Segundo, esse investimento foi com o intuito de garantir o Green Card, e não sei se renderia o suficiente para mantê-la mensalmente. Se ele deixou uma pensão para a própria mãe, por que a mãe dos filhos dele não receberia? Não vai ser aos 57 anos que ela vai conseguir se reposicionar no mercado para ter o padrão de vida a qual está acostumada há 20 anos.
Eu penso assim: se eu fosse milionária, não tivesse nada com o pai dos meus filhos, mas se ele tivesse sido um bom pai e sempre disponível para mim, enfim, se tivesse sido meu funcionário como a Rose foi com o Gugu, criando os filhos (e ainda que tenha sido um negócio, envolvia afetividade e uma vivência de família), eu faria questão de deixar essa pessoa bem. Deixaria uma boa pensão vitalícia e uma casa, compatível com o que a pessoa tinha quando eu era viva. Pode não ter sido nada meu, mas será de meus filhos, de meus netos. Filho amanhã casa, vira a cabeça por causa de namorada, etc, é injusto deixar a pessoa passando o pires assim. Eu acho que a pessoa que vai criar meus filhos e netos é tão importante como os de sangue.
domingo, 16 de fevereiro de 2020
Aprendizados
Sempre gostei de aprender. Desde quando comecei a trabalhar, há quase 20 anos, nunca deixei de aprender/conhecer alguma coisa nova, pelo menos, todo ano. Fiz uma retrospectiva aqui.
2000 Primeiro estágio. Primeira matéria publicada.
2001 Curso de italiano e de audiovisual. Grupo de pesquisa. Primeira vez como repórter no jornal da faculdade. Tentei aprender webdesign, mas não deu certo.
2002 Empresa Junior, primeira experiência com o audiovisual. Primeiro contato com a psicologia.
2003 Primeira viagem sozinha. Conheci Olinda, Recife e Porto de Galinhas. Conheci Minas Gerais. Fui ao meu primeiro congresso de Comunicação. Primeira vez publicada no jornal A TARDE.
2004 Aprendi a dirigir, tirei carteira. Aulas de forró?
2005 Astrologia. Tive algumas poucas lições de espanhol num curso em Brasília.
2006 Violão (to be continued) e blog. Aprendi a diagramar. Primeira vez trabalhando em campanha política.
2007 Comecei de fato as aulas de espanhol. Pilates.
2008 Primeira vez no São João do interior da Bahia. Primeira experiência em campanha política no interior.
2009 Primeira vez trabalhando de carteira assinada. Primeira vez fazendo terapia.
2010 Primeira vez em jornal. Primeira vez no Sul, em Santa Catarina.
2011 Primeira vez em São Paulo e em Itacaré. Primeira vez fora do país, na França e em Portugal. Comecei a aprender francês. Dança do ventre.
2012 Tia pela primeira vez. Constelação familiar pela primeira vez. Hidrobike.
2013 Fui na Espanha e na Itália.
2014 Entrei na pós-graduação. Conheci o interior do Mato Grosso.
2015 Fui ao México.
2016 Aprendi tarô. Conheci Aracaju. Primeira vez trabalhando em TV. Primeira vez em um evento esportivo mundial.
2017 Mestrado, aprendi sobre gênero. Primeira experiência na umbanda.
2018 Morar sozinha. Dissertação. Primeira vez dando aula.
2019 Curso de Direito. Primeira vez na Argentina. Aprendi Reiki.
2020 Curso para virar terapeuta. Curso de edição (a ver...). Conheci a Paraíba. Aprendi a fazer assessoria de imprensa de fato. Primeiro trabalho de voluntariado. :)
2000 Primeiro estágio. Primeira matéria publicada.
2001 Curso de italiano e de audiovisual. Grupo de pesquisa. Primeira vez como repórter no jornal da faculdade. Tentei aprender webdesign, mas não deu certo.
2002 Empresa Junior, primeira experiência com o audiovisual. Primeiro contato com a psicologia.
2003 Primeira viagem sozinha. Conheci Olinda, Recife e Porto de Galinhas. Conheci Minas Gerais. Fui ao meu primeiro congresso de Comunicação. Primeira vez publicada no jornal A TARDE.
2004 Aprendi a dirigir, tirei carteira. Aulas de forró?
2005 Astrologia. Tive algumas poucas lições de espanhol num curso em Brasília.
2006 Violão (to be continued) e blog. Aprendi a diagramar. Primeira vez trabalhando em campanha política.
2007 Comecei de fato as aulas de espanhol. Pilates.
2008 Primeira vez no São João do interior da Bahia. Primeira experiência em campanha política no interior.
2009 Primeira vez trabalhando de carteira assinada. Primeira vez fazendo terapia.
2010 Primeira vez em jornal. Primeira vez no Sul, em Santa Catarina.
2011 Primeira vez em São Paulo e em Itacaré. Primeira vez fora do país, na França e em Portugal. Comecei a aprender francês. Dança do ventre.
2012 Tia pela primeira vez. Constelação familiar pela primeira vez. Hidrobike.
2013 Fui na Espanha e na Itália.
2014 Entrei na pós-graduação. Conheci o interior do Mato Grosso.
2015 Fui ao México.
2016 Aprendi tarô. Conheci Aracaju. Primeira vez trabalhando em TV. Primeira vez em um evento esportivo mundial.
2017 Mestrado, aprendi sobre gênero. Primeira experiência na umbanda.
2018 Morar sozinha. Dissertação. Primeira vez dando aula.
2019 Curso de Direito. Primeira vez na Argentina. Aprendi Reiki.
2020 Curso para virar terapeuta. Curso de edição (a ver...). Conheci a Paraíba. Aprendi a fazer assessoria de imprensa de fato. Primeiro trabalho de voluntariado. :)
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
Emotional Education
Sempre me impressiona (ou não) a facilidade com que as pessoas "cancelam" as outras. Hoje, falando sobre um caso, um amigo veio com aquela tradicional pergunta: "Será que você não tem muitas expectativas sobre os outros?". Não. Até um passado recente, sim, mas não mais. De tanto tomar na cara, aprendi e aprendo cada dia mais a contar comigo. Conversando com outra amiga, ela fez a provocação contrária. Ela acha que as pessoas é que estão exigindo demais de seus amigos e parceiros. Saiu do roteiro traçado, exclui-se a criatura da vida, e acontece que as pessoas não são iguais. Essa conta não fecha.
Além disso, eu acho que você tem que aprender, como diz uma colega minha, a "cair em cima de si mesmo". O que é isso? É não esperar que os outros vão se responsabilizar ou saber consertar/lidar o que você mesmo não consegue. E as pessoas exigem do outro uma infalibilidade, uma perfeição que nem elas sustentam em suas próprias vidas.
Mas, minha gente, por outro lado, certas coisas fazem parte do "contrato" e sem elas não se pode falar de amizade, de família e de relacionamento amoroso, por mais que os tempos sejam líquidos e as responsabilidades individuais. Você tem alguns deveres e direitos. Ponto. Vamos pensar nas relações trabalhistas, onde há traços específicos que as caracterizam para a justiça. É por aí. Em qualquer relação, desde a mais banal, ninguém é livre totalmente. Quem quer fazer tudo que lhe dá na telha, vai ter que viver sozinho. Conviver é "viver com", é ceder, não tem pra onde escapar.
Eu tive uma amiga de anos, de viajar, de frequentar a casa, que em determinado momento eu percebi que não era minha amiga, que havia uma amizade unilateral (coleguismo não é amizade, sorry). Ela não fazia as coisas comigo por gosto, mas "batendo o ponto". E quando o que estava em jogo era a diversão dela, ufff... Uma vez senti que ela ficou com raiva de mim por ter passado mal durante um voo. No entanto, eu me sentia má quando reclamava de coisas sérias que ela fazia contra a nossa amizade. A condição base para o contrato de amizade não estava sendo cumprida e, quando era, era na base da obrigação, no tédio. Quando a pessoa tá nessa vibe, ela parou de olhar pra você, ela já te desumanizou e é daí que toda a confusão acontece. Minha parte equivocada nessa história foi esperar dela algo que há muito tempo ela sinalizava, aqui e acolá, que ela não era. Um belo dia, de saco cheio por causa de mais uma desconsideração dela, eu fui falar o que eu achava, e ela nunca mais falou comigo, porque, em tempos de cancelamento, se saiu do roteiro, se questionou, o povo prefere cair fora do que admitir que errou, do que lidar com as coisas. Talvez fosse essa a deixa que ela estava esperando. Nunca saberei. Aliás, as pessoas se ofendem demais, mas nunca pedem desculpas quando pisam na bola. Ego demais, inflexibilidade, falta de autocrítica, mimo... tá difícil. Outra conta que não fecha.
Ainda sobre esse caso, algo paradoxal me aconteceu nesse episódio: uma das amizades mais importantes, quando se foi, me causou a menor dor dos últimos tempos. E eu não acho que tem a ver com ter sido algo que foi erodindo gradualmente, mas com uma mudança de paradigma meu. Àquela altura eu já conseguia separar os outros de mim, eu já conseguia entender que alguém pode não gostar de mim e isso ter a ver só com ela e não comigo. Isso tem a ver com o que eu escrevi nos dois primeiros parágrafos, que é você ter noção do que cabe ao outro e do que cabe a você em qualquer relação. Aprendi, tarde demais na vida (mas melhor que nunca!), que por mais que eu tente, se o outro não quiser, se não trabalhar também, não vai rolar.
Outra coisa que eu aprendi foi a não barganhar. Você expôs suas questões, fez sua parte e a pessoa não fez nada? Antigamente eu ficava argumentando com a pessoa, hoje eu aceito. Justa ou injusta, foi uma decisão e, diante de uma decisão do outro, a gente só pode aceitar e seguir em frente. Quem te quer na vida facilita os processos. Quem dificulta... o meio é a mensagem.
Eu me acho tolerante pra caramba. Defeitos todos nós temos, mas eu acho que tenho uma paciência com as pisadas de bola dos outros e com as características complicadas de cada um que eu não vejo muito por aí, não. Pelo menos eu não recebo de volta na mesma proporção. Desenvolvi um critério para manter e tirar pessoas da minha vida que acho justo (sim, eu preciso achar justo, eu não consigo "cancelar" alguém só por birra, tenho que ter uma fundamentação). Eu me pergunto: É uma boa pessoa? Essa pessoa gosta de mim (e nisso está embutida a consideração pela minha pessoa: me aceitar, ter vontade de estar comigo, dar demonstrações de carinho)? Se "não" para uma delas, posso puxar meu carro. Pode ser a melhor pessoa da face da Terra, mas eu me pico. Satisfeitas essas duas condições, dá pra ficar, mesmo que seja uma pessoa com problemas. Por enquanto eu ainda tenho paciência pra maluco do bem.
Além disso, eu acho que você tem que aprender, como diz uma colega minha, a "cair em cima de si mesmo". O que é isso? É não esperar que os outros vão se responsabilizar ou saber consertar/lidar o que você mesmo não consegue. E as pessoas exigem do outro uma infalibilidade, uma perfeição que nem elas sustentam em suas próprias vidas.
Mas, minha gente, por outro lado, certas coisas fazem parte do "contrato" e sem elas não se pode falar de amizade, de família e de relacionamento amoroso, por mais que os tempos sejam líquidos e as responsabilidades individuais. Você tem alguns deveres e direitos. Ponto. Vamos pensar nas relações trabalhistas, onde há traços específicos que as caracterizam para a justiça. É por aí. Em qualquer relação, desde a mais banal, ninguém é livre totalmente. Quem quer fazer tudo que lhe dá na telha, vai ter que viver sozinho. Conviver é "viver com", é ceder, não tem pra onde escapar.
Eu tive uma amiga de anos, de viajar, de frequentar a casa, que em determinado momento eu percebi que não era minha amiga, que havia uma amizade unilateral (coleguismo não é amizade, sorry). Ela não fazia as coisas comigo por gosto, mas "batendo o ponto". E quando o que estava em jogo era a diversão dela, ufff... Uma vez senti que ela ficou com raiva de mim por ter passado mal durante um voo. No entanto, eu me sentia má quando reclamava de coisas sérias que ela fazia contra a nossa amizade. A condição base para o contrato de amizade não estava sendo cumprida e, quando era, era na base da obrigação, no tédio. Quando a pessoa tá nessa vibe, ela parou de olhar pra você, ela já te desumanizou e é daí que toda a confusão acontece. Minha parte equivocada nessa história foi esperar dela algo que há muito tempo ela sinalizava, aqui e acolá, que ela não era. Um belo dia, de saco cheio por causa de mais uma desconsideração dela, eu fui falar o que eu achava, e ela nunca mais falou comigo, porque, em tempos de cancelamento, se saiu do roteiro, se questionou, o povo prefere cair fora do que admitir que errou, do que lidar com as coisas. Talvez fosse essa a deixa que ela estava esperando. Nunca saberei. Aliás, as pessoas se ofendem demais, mas nunca pedem desculpas quando pisam na bola. Ego demais, inflexibilidade, falta de autocrítica, mimo... tá difícil. Outra conta que não fecha.
Ainda sobre esse caso, algo paradoxal me aconteceu nesse episódio: uma das amizades mais importantes, quando se foi, me causou a menor dor dos últimos tempos. E eu não acho que tem a ver com ter sido algo que foi erodindo gradualmente, mas com uma mudança de paradigma meu. Àquela altura eu já conseguia separar os outros de mim, eu já conseguia entender que alguém pode não gostar de mim e isso ter a ver só com ela e não comigo. Isso tem a ver com o que eu escrevi nos dois primeiros parágrafos, que é você ter noção do que cabe ao outro e do que cabe a você em qualquer relação. Aprendi, tarde demais na vida (mas melhor que nunca!), que por mais que eu tente, se o outro não quiser, se não trabalhar também, não vai rolar.
Outra coisa que eu aprendi foi a não barganhar. Você expôs suas questões, fez sua parte e a pessoa não fez nada? Antigamente eu ficava argumentando com a pessoa, hoje eu aceito. Justa ou injusta, foi uma decisão e, diante de uma decisão do outro, a gente só pode aceitar e seguir em frente. Quem te quer na vida facilita os processos. Quem dificulta... o meio é a mensagem.
Eu me acho tolerante pra caramba. Defeitos todos nós temos, mas eu acho que tenho uma paciência com as pisadas de bola dos outros e com as características complicadas de cada um que eu não vejo muito por aí, não. Pelo menos eu não recebo de volta na mesma proporção. Desenvolvi um critério para manter e tirar pessoas da minha vida que acho justo (sim, eu preciso achar justo, eu não consigo "cancelar" alguém só por birra, tenho que ter uma fundamentação). Eu me pergunto: É uma boa pessoa? Essa pessoa gosta de mim (e nisso está embutida a consideração pela minha pessoa: me aceitar, ter vontade de estar comigo, dar demonstrações de carinho)? Se "não" para uma delas, posso puxar meu carro. Pode ser a melhor pessoa da face da Terra, mas eu me pico. Satisfeitas essas duas condições, dá pra ficar, mesmo que seja uma pessoa com problemas. Por enquanto eu ainda tenho paciência pra maluco do bem.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
Você é aquilo que ninguém (quer) vê
Ontem, excepcionalmente, estava desabafando com um amigo. O tipo de coisa que dá sempre um frio na barriga de fazer, porque, afinal, gente não é gente. Mas, enfim, eu também sei quem eu sou, então qualquer ataque eu sei filtrar o que é verdade e o que não é. Eu sei que a gente não tem uma visão neutra e 100% verdadeira sobre a gente, mas, por outro lado, a gente sabe o que viveu e sentiu e é impressionante a má vontade que as pessoas têm de reconhecer as dores dos outros. Parece que no fundo há uma competição. Ninguém quer dar o braço a torcer que o outro foi mais corajoso, mais forte ou simplesmente é mais amoroso de superar certas coisas difíceis. O que mais dói geralmente não é exibido.
Saindo de mim, que sou suspeita, eu tenho um amigo que é um exemplo disso. Trata-se de uma das pessoas mais racionais que eu conheço. E das mais inteligentes também. Bichinho só se fode. Ele não é apreciado pelas virtudes porque simplesmente não é o simpaticão do rolê. As pessoas lembram dele quando precisam de algo, não para oferecer algo a ele. As pessoas não andam com você porque é gente boa, as pessoas andam com você somente se elas querem ser igual a você.
Pois bem, eu, sempre que converso com essa criatura, vejo como ele racionaliza tudo que acontece ao redor dele e com ele. Às vezes é tão racional que chega choca. Mas ele, pra mim, é a prova de que nem a mente mais racional consegue segurar a barra que é existir às vezes. Eu vejo sintomas do que a solidão e o azar na vida causaram nele.
Ele está cada vez mais isolado. Sai pouco, cada vez menos tolera gente. Quando a gente viajou juntos, em determinado momento eu saquei que ele estava incomodado em ter uma pessoa o tempo todo junto com ele. Os revezes da vida fuderam o emocional dele. Há ali uma depressão de fraca a moderada, porém perene. Ele não procura ajuda. Eis aí o lado ruim de ser racional demais.
Saindo de mim, que sou suspeita, eu tenho um amigo que é um exemplo disso. Trata-se de uma das pessoas mais racionais que eu conheço. E das mais inteligentes também. Bichinho só se fode. Ele não é apreciado pelas virtudes porque simplesmente não é o simpaticão do rolê. As pessoas lembram dele quando precisam de algo, não para oferecer algo a ele. As pessoas não andam com você porque é gente boa, as pessoas andam com você somente se elas querem ser igual a você.
Pois bem, eu, sempre que converso com essa criatura, vejo como ele racionaliza tudo que acontece ao redor dele e com ele. Às vezes é tão racional que chega choca. Mas ele, pra mim, é a prova de que nem a mente mais racional consegue segurar a barra que é existir às vezes. Eu vejo sintomas do que a solidão e o azar na vida causaram nele.
Ele está cada vez mais isolado. Sai pouco, cada vez menos tolera gente. Quando a gente viajou juntos, em determinado momento eu saquei que ele estava incomodado em ter uma pessoa o tempo todo junto com ele. Os revezes da vida fuderam o emocional dele. Há ali uma depressão de fraca a moderada, porém perene. Ele não procura ajuda. Eis aí o lado ruim de ser racional demais.
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