segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A máquina

Eu não sei vocês, mas me canso às vezes dos estímulos das redes sociais. No Facebook, por exemplo, me sinto uma professora de pré-escolar com um monte de alunos ao redor esperando por um elogio aos desenhos que acabaram de fazer. O Twitter me informa, mas mesmo assim sou sobrecarregada de informações atualizadas em segundos. No Facebook a moda são as causas. Não que eu as ache sem importância - pelo contrário -, mas aquilo dá angústia. É tanta coisa com a qual se importar que você acaba sem vontade de se integrar ao coro dos engajados. De fato não consigo ir além do click do mouse. Mão na massa que é bom... Ai, que culpa!

Essa é uma sociedade de muito barulho, como as redes sociais podem atestar. A começar por nossas mentes tagarelas, terminando no trio elétrico em fevereiro. As pessoas acham ótimo o barulho incessante. E acreditam, equivocadamente, que isso quer dizer vitalidade. Só não percebem o efeito colateral disso: o histerismo e a dispersão.
Não é assim em todo o canto do mundo. Isso é coisa das Américas - para ser mais exata, dos Estados Unidos da América, que nos transmitiu esse "vírus".

Estava lendo um livro ("Educar para o consumo") da cientista política e educadora Cássia D´Aquino e da terapeuta familiar Maria Tereza Maldonado. Há muita coisa interessante, mas um trecho destacou-se por ter traduzido uma sensação que tive quando fui para fora do País (por favor, não é espírito de colonizado; há muita coisa que achei melhor aqui do que lá). Segue:

Maria Tereza - Tem que ser hiperativo? Entupir-se de coisas e de atividades para não pensar, não estar consigo mesmo nem com os outros em silêncio criativo? Isso revela o medo do vazio, do tédio, da falta de substância...

As crianças na França me impressionaram: elas são ativas, mas não saem derrubando tudo nem berrando. Vi, então, que dá para ser feliz na infância de um modo mais zen. Elas são muito curiosas. Perguntam tudo aos pais, observam. Frequentam museus desde cedo, e não fosse pela beleza de ver os grupinhos escolares, tão novinhos e concentrados, nem as notaríamos.

Mas a mídia europeia não é tão estridente como a da América. Ligue em um canal francês, por exemplo, e vai se sentir assistindo a missa de domingo.

Inconsciência - O resultado do que acontece no "novo mundo" (minha interpretação) é que, como as pessoas vivem estressadas no mental, pouco entram em contato com os seus próprios sentimentos. Cansam de tanta atividade cerebral, e se consolam consumindo (bens, sensações, relacionamentos, etc). Quando a doença chega são pegos de surpresa. Claro, não ouvem o corpo, as próprias emoções!

Confesso que ando nesse dilema.
Eu gosto, por exemplo, das opções que a cidade me oferece, mas não aguento mais viver correndo. Simplesmente assumo que não tenho natureza para isso; sou lenta, meu timing é outro. Mas parece que não tenho muita opção morando em uma cidade grande. Meu grande desafio vai ser sair dessa "cama de gato"... E aprender a viver bem mesmo querendo algo diferente do que me ensinaram que era o certo e no qual, sobretudo, já estou viciada, apesar de ter plena consciência de que isso me agride. #contrafobiaexistencial
O ser humano não nasceu para ser máquina. Sinto isso, todos os dias, na minha própria carne.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Nem tudo que reluz é ouro (ou golpe, ou futilidade, ou folheado)

Desde que fiquei sabendo que a colega de Facom Ticiana Villas-Boas vai se casar com um milionário tenho ouvido - e principalmente lido - muitas coisas. O engraçado é que todas elas se resumem a apenas duas frases:
1) Ela é interesseira porque está casando com um cara feio e rico.
2) Ela é deslumbrada com a high society paulistana.

Dá para perceber uma boa dose de inveja nesses comentários. Mais do que a dor de cotovelo coletiva que o casamento da figura com o rei da carne suscita, me espanta o deslumbramento de todas essas pessoas com os signos do sucesso que Ticiana apresenta. Pois é, até "segunda ordem", são apenas signos. O buraco do sucesso é muito mais embaixo, e nunca saberemos, ao certo, o quão bem-sucedida ela, ou Mendigo de Curitiba ou o Eike Batista é ou deixa de ser.
Acho que nem ela tem plena consciência do que é a vida dela. Quem tem? Ainda estamos no meio do caminho, com muita água para rolar debaixo da ponte.

De minha parte, não me impressiono porque, apesar de toda a pompa, acho Ticiana "gente como a gente".

Não acredito nesse primeiro ponto. Não creio que ela está se casando por interesse. Acho que até falta senso de realidade a quem diz isso. Basta olhar ao redor. A associação homem feio e mulher bonita é clássica. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido nem o suficiente para gerar Jesus Cristo.

Olhem os nossos genitores, e digam: geralmente as mães são muito mais bonitas que os pais, não é? E eles sempre foram, são e provavelmente serão uns duros pela vida inteira. O mau gosto feminino é quase biológico. Fato. Minha tia tem uma conhecida em Brasília cujo marido é a cara de seu Madruga, mas ela insistia que ele era a cópia do José Mayer na época daquela novela "Laços de Família".

Enfim, Ticiana fez uma escolha bem dentro da linha de normalidade.

Além do mais, que atire a primeira pedra quem nunca se relacionou com alguém porque a pessoa enchia a bola, tratava bem para caramba. É assim, na base do carinho e da generosidade, que muitas mulheres acabam se casando com homens que à primeira vista não são atraentes.

O mais comum é, muito tempo depois, a pessoa se tocar que não tinha nada a ver com a figura e que tampouco tinha um grande amor por ela. "Movidos pela carência" - já vi mil vezes esse filme. Obviamente, a chance de acabar mal é grande, mas às vezes as pesquisas não traduzem o resultado final da eleição. Ela pode ser muito feliz com ele, apesar de todas as probabilidades dizerem que não. Quantas coisas em que a gente não botava fé acabam se revelando melhores que o esperado?

Se ela é deslumbrada com o poder, a alta sociedade e a fama? Eu me chocaria se não fosse assim. E, afinal, o que é ser deslumbrado? Por muito menos já vi o povo se iludindo e, como diz a minha mãe, "subindo no tijolo para fazer discurso". É mais fácil você localizar esse tipo de atitude quando a situação é óbvia. Mas quanta gente não é deslumbrada com um cargo, com o próprio conhecimento, com um "gol" aqui e acolá? Facebook tá aí para comprovar.

O que eu teria para falar dessa situação toda é que ela - arriscando aqui um palpite - faz as coisas mais por impulso que com o coração, realmente. Mas eu acho que nem isso é um problema, já que demonstra reagir rápido quando a coisa não termina bem, como foi o outro casamento.

Por essas e outras, continuo sem entender qual é o problema de Ticiana querer se casar com um milionário ou com qualquer outro que não ofereça perigo a integridade dela. Aos que acham algo de errado nisso, don´t worry, ´cause ela parece ter altos e baixos na vida como todos nós. Apenas a "vitrine" é mais bonitinha, mas o interior da loja parece o mesmo de qualquer jovem adulto de 30 anos que vive dando cabeçada por aí tentando achar o seu rumo.

Nessa situação toda, me limito a me divertir com os comentários nos sites de "notícia". Não me aguentei com uma criatura que comparou o noivo a Christian Grey, protagonista de "50 tons de cinza", e com a confusão que fizeram chamando-o de "rei do frango", que é o título do ex-marido de uma socialite famosa por participar de um reality show. A-do-rei! hahahaha

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dos mestres com carinho

O tempo passa, mas a memória dos grandes mestres permanece. Alguns ensinamentos ficam -  geralmente sem relação com as disciplinas - para a vida inteira. Mas o caso é que nem tudo que ficou foi um ensinamento (não, ao menos, politicamente correto. rs). Separei algumas frases de meus professores. Vocês poderão perceber porque me tornei esta grande alma (cof, cof, cof).

"Seus salientes!" - Maria Luiza, minha professora de educação física do primário, quando a gente furava a fila do lanche. "Saliente" foi a primeira palavra que procurei no dicionário.

"Para a natureza, o que interessa é a mistura das raças; quanto mais mestiça, menos doença tem a pessoa" - Bira, professor de biologia.

"Limpar a bunda com papel higiênico é só lixa-la; não limpa nada" - Antenor, professor de matemática.

"Quem faz duas coisas ao mesmo tempo não faz nenhuma bem" - ele, de novo.

"Vocês não têm que comemorar 15 anos, não; têm que comemorar a primeira trepada" - Patrícia, a professora de história da 7ª série.

"Neném, se você tem 17 anos e se acha feio, tem algum problema mental" - Fernando Eleodoro, professor de português.

"Estamos na merda sem mistura" - ele, again.

"Feliz 2000 para vocês. Não, não contei errado, não. Para mim 1999 já é um ano perdido" - Fernandinho.

"Neném, cuidado para não ficar escravo de uma porrada de coisa que você não precisa. O negócio funciona assim: você ganha dinheiro, e compra. Vai atrás de mais dinheiro para comprar mais coisas, e quando abre os olhos, trabalha só para sustentar essas coisas" - Fernandinho [2].

"A tecnologia não é boa, nem má, nem neutra" - André Lemos.

sábado, 13 de outubro de 2012

Embriagado de amor!

São tantos os beijos, que Feliptcho fica zonzo! hahahaha... Vai fugir da tia assim que aprender a caminhar!

Just a little respect

Percebo que uma das coisas mais difíceis nas relações interpessoais é ter respeito pelo outro. A gente sempre está pronto a menosprezar as escolhas alheias, esquecendo que para a gente também não é fácil, assim como não deve ser para o outro.
Agora mesmo estou p. da vida com alguém. Na minha opinião, falta uma qualidade importante a pessoa. Mas ao mesmo tempo fico brava comigo por ficar brava com ele. Por que deveria atender a minha expectativa? E, a bem da verdade, nunca se sabe o que se passa com a pessoa. Mas a partir das nossas próprias vivências sabemos, se tivermos alguma humildade, que sempre tem uma explicação.
O negócio é saber como negociar o meu desejo com o do outro. Difícil... Como saber, também, que não está se desrespeitando?
Eu participei de uma atividade que me fez atentar para a importância do respeito. Por enquanto, tenho apelado para a teoria do "tudo tem uma explicação". Quando souber realmente como sentir isso por todo mundo, posto aqui - promessa de escoteiro.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A inspiração

Não sei se já contei, mas ganhei meu nome numa inspiração súbita de meu pai, ao ouvir a faixa "Juliana", de Sérgio Reis. Música triste (e de refrão ruim, embora goste da introdução dela), preferia que fosse um samba... Bem, mas poderia ser pior se me chamasse Juliana por causa de "Domingo no Parque". hehehe

Olha aí a letra:

Nestas mal traçadas linhas
As palavras não são minhas
Quem escreve é o coração
Mesmo de você ausente
Sua imagem está presente
Mas aumenta a solidão
Está carta é mais feliz
Vai fazer o que eu não fiz
Que é ficar em suas mãos
Não quero pedir resposta
Não se deixa quem se gosta
E por isso canto assim
Juliana, Juliana
Eu prometo pra semana
Vou ai pra te buscar
A saudade é muito grande
E por onde quer que eu ande
Em você vivo a pensar
Eu sinto o cheiro de mato
Quando beijo seu retrato
Dá vontade de chorar
Juliana tão brejeira
Será sempre a primeira
A ter os carinhos meus
Muito embora tão distante
Não te esqueço um só instante
Porque fui dizer adeus
Juliana, Juliana
Eu prometo pra semana
Vou ai pra te buscar