sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Yes, soldier!

Jeane Borges, editora de política, é uma figura. Ela tem um traço peculiar: costuma dizer umas coisas aos outros, do nada, que têm mais significado para quem a ouve do que ela pode imaginar.
Um dia, quando a gente pegou mais amizade, ela me disse que, a primeira vez que me viu, pensou: "Lá vai o soldado espartano". Jeane explicou que a impressão que ela teve, ao me ver, é que eu sou o tipo de pessoa a quem se pode confiar uma tarefa. 
Achei "soldado espartano" ótimo. Mal sabe ela que adoro esse período da história. Esparta tinha uma coisa bonita: eles se preparavam daquele jeito não para dominar, mas para não serem dominados. Eu totalmente me identifico com isso.
Meu pai me chamava de militar quando era pequena. É que eu tinha uma disciplina e era perfeccionista de um jeito que ele não entendia.
Hoje sou menos rígida, mas ainda sou uma pessoa séria. Eu poderia estar "melhor" se não fosse assim. Entretanto, para mim, mais importa o mérito. Mente de soldado mesmo. Com honra, só assim vale alguma coisa para mim. Morro, mas de pé.
Entretanto, essa é a era do "beijinho no ombro". A gente deseja às inimigas vida longa pra que elas vejam cada dia mais nossa vitória. O importante é estar por cima.
Eu me chateava muito com isso, não entendia. Esse papinho de ética e justiça é chato e até inconveniente, eu sei, mas que fazer se eu sou um soldado?
O caso é que esse ano rolou uma revisão geral. Só passei por isso outras duas vezes na vida, mas dessa vez veio com o peso do "senhor Tempo". É preciso encontrar um ideal. E a vida é mais complexa do que a gente pode imaginar quando é muito mais jovem. Acho que eu revirei tanto o meu baú, que acabei encontrando uma pitada a mais de empatia pelos limites individuais e, principalmente, pelas chances que as pessoas se dão, ainda que desastrosas algumas vezes. Assim como ninguém sabe o que eu vivi e sinto, a gente não sabe o suficiente sobre ninguém. Isso é algo a considerar.

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