segunda-feira, 21 de julho de 2025

Feel

 Come on hold my hand

I wanna contact the living
Not sure I understand
This role I've been given
I sit and talk to God
And he just laughs at my plans
My head speaks a language, I don't understand
I just wanna feel real love
Fill the home that I live in
'Cause I got too much life
Running through my veins, going to waste
I don't wanna die
But I ain't keen on living either
Before I fall in love
I'm preparing to leave her
I scare myself to death
That's why I keep on running
Before I've arrived, I can see myself coming
I just wanna feel real love
Fill the home that I live in
'Cause I got too much life
Running through my veins, going to waste
And I need to feel real love
And a life ever after
I cannot get enough
I just wanna feel real love
Fill the home that I live in
I got too much love
Running through my veins, to go to waste
I just wanna feel real love
In a life ever after
There's a hole in my soul
You can see it in my face, it's a real big place
Come and hold my hand
I wanna contact the living
Not sure I understand
This role I've been given

Outro dia, parada estava esperando o uber na Feira de São Joaquim, com Daniela e seu Nildo, e um maluco, desses do Centro, tentou me vender uns colares bem rústicos com pedras ligadas aos orixás. Depois de dizer meu orixá (ele acertou Yemanja, mas errou Ogun), o homem disparou a dizer coisas sobre mim: disse que eu tinha cara de quieta, mas era barril, que eu ficava brava; que as coisas que eu quero vão rolar (isso ele não falou com muita convicção e fui eu que perguntei); disse que no amor eu digo que não quero, mas quero (acho que captei a crítica); mas principalmente me disse que tem muita gente falsa ao meu redor, inclusive na família. Disse que sou do tipo que me dedico ao povo, mas quando viro as costas, essas pessoas não estão nem aí pra mim. Me mandou, quase gritando, me valorizar. Joguei no Google "como me valorizar' e uma das respostas mais coerentes que ouvi é que pra isso você precisa se cercar de gente que goste de você. 

Mas não é essa gente que eu ando procurando incessantemente, sem sucesso, a vida inteira? Quem me trata bem, logo sai da minha vida ou nunca rola um contato mais próximo. Quem eu aposto que vai dar bom comigo, uma hora mete a faca nas costas, sem eu entender por quê. Eu fui maltratada pelas pessoas mais próximas, a quem dei mais e de quem mais gostava. É de lascar, rasga a alma. É o desgosto de enterrar pessoas queridas vivas. Eu tenho um cemitério lotado. A minha vida inteira é lastreada nessas perdas. Eu praticamente só perdi até agora. O que eu tenho? Minha cultura, dois diplomas e saúde, graças a Deus. As minhas relações sociais/ afetivas são um acúmulo de decepções e rejeições: na família não salva ninguém, sem vida amorosa e sem amigos de fato. Quando digo que muita gente não aguentaria calçar os meus sapatos, é a isso que me refiro. É duríssimo viver sem afeto, sem ter com quem de fato contar. Eu não só não tenho, como nunca tive um afeto leal, dos bons. Pego umas migalinhas daqui, outras dali e tô com 'fome" há 45 anos. Racionalmente eu sei que a coisa tá feia pra muita gente, mas eu tenho a impressão que pouca gente se deu mal em todas as esferas como eu. E mesmo que eu esteja errada, o que eu posso fazer se a única coisa que eu sinto é o que se passa aqui dentro?

O que o cara da feira me disse combina com o que uma vidente me falou há alguns meses, de que eu não deveria dizer minhas coisas aos outros, pois nem todo mundo me quer bem. 

Eu realmente, de verdade, não entendo qual é o problema das pessoas comigo. As pessoas agem como se eu fosse privilegiada, quando pra extrair o mínimo do mínimo da vida eu ralo pra porra, estou quase o tempo todo com medo que o pouco que eu tenho vá embora - e ainda tô esperando a tal colheita, pois o que tá aqui não é compatível com o que plantei. Tenho três hipóteses pra esse desamor gratuito:

1) As pessoas que ligam muito para as aparências me reconhecem como uma loser, de acordo com o que prega a sociedade, e tem medo de ser como eu, por isso me tratam como alguém de pouco valor;

2) Ou, por este mesmo motivo, as pessoas acham que eu não mereço ter coisas boas e que defender minha dignidade é metidez, e ficam botando olho gordo nas poucas coisas que, com muito esforço, eu consigo na vida. Porque elas, com muito mais, não vao pra frente (e eu faço até muito a partir de muito pouco);

3) Talvez seja algo inconsciente ou espiritual. Sei lá, uma maldição, um animus adoecido que puxa essa disputa, essas brigas. 

Sinceramente, não sei... Não sou santa, mas não merecia tanto desamor nesta vida. Me diz: se somos relacionais, como me valorizar se ninguém me valorizou ao longo da vida? E com o tempo, você vai se isolando, porque, além de perder energia com o envelhecimento, rejeição dói (e demora pra curar).

Será que um dia vou encontrar a minha turma? 



quinta-feira, 10 de julho de 2025

Nova portaria e o fim de uma era

Decidi hoje que não terei mais amizade com homem. Colega eu continuo sendo de qualquer pessoa, mas amizade quero mais não. De agora em diante, só me junto às meninas, no máximo com os gays (porque há uns bem misóginos). Não dá certo. E nem é pelo motivo que você está pensando, é por outro que atravessa absolutamente todos os meus incômodos de lidar com o sexo oposto: o autocentramento. Isso é pior que egoísmo. Valeska Zanello fez uma distinção da hora entre egoísmo e autocentramento: no primeiro, você vê o outro, e caga; no segundo, você nem se preocupa em olhar pro lado, não tem alteridade alguma. Você acha que ser amiga ou qualquer outro laço afetivo vai te proteger da falta de consideração, e quebra a cara miseravelmente. Homem só olha pro próprio umbigo e eu não estou falando só do amor. É isso em todas as instâncias de relacionamentos. Não dá.

E eu tô pensando muito nos meus relacionamentos. Pra perto, eu só vou manter quem significa. Eu quero troca. Não vou me permitir mais ser usada. 

Fim de uma era. 

terça-feira, 8 de julho de 2025

You may say I´m a dreamer...

Hoje desabafei com um amigo que estou cansada desta vida tão difícil, em que tenho que fazer tanta força para obter o básico. E em certas circunstâncias nem o básico tá me rendendo. 

E sobretudo estou muito esgotada das relações utilitaristas. Parece que é só o que há. E isto está me fazendo endurecer. As pessoas estão com você enquanto é útil, daí quando surge uma situação mais vantajosa (geralmente materialmente), elas pulam de galho descaradamente e te descartam que nem brinquedo velho. Tudo líquido demais, sensação da porra de patinar em gelo fino todo o tempo. Eu não tenho nervos pra lidar com isso.  

Queria, pelo menos uma vez na vida, relaxar e descansar. Mas o que ou quem(ns) é meu pedaço de chão? Onde eu posso deitar a minha cabeça e confiar em dormir? Estou mais nômade que cigano. Não nasci pra isso. Eu quero criar raízes e ter condições de voar. 

Veja, todos os meus movimentos e inclusive brigas nesta vida são pra ser tratada como ser humano, o que frequentemente não acontece. Eu não me sinto enxergada nem por quem é próximo, nem por quem me pôs no mundo. Eu não preciso que ninguém faça nada por mim, eu só queria ser vista e acolhida de vez em quando. Mas ninguém sabe mais como sair de dentro de si e se doar dois minutos ao outro. Me sinto sozinha o tempo todo e o pior, objetificação e ainda por cima, um objeto barato.

Meu amigo disse que o que eu quero não existe mais. Nunca achei que sou sonhadora. Eu acho que é o contrário: as pessoas estão nivelando por baixo demais. Ninguém mais tem ideais, valores e sentimentos. E há tempos venho denunciando o quanto isso é coletivamente perigoso.