segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Free Guided Tours

Nessas grandes cidades européias, o turista encontra fácil esses guias turísticos gratuitos. Descobri que existem no curso de francês (ou melhor, no albergue que ficava próximo ao curso). Fiquei enrolando um tempão pra ir, até porque estava esperando as colegas-fraudes do curso realmente fazerem da promessa realidade. Por fim, no último mês na capital francesa, já sem patacas pra gastar, resolvi testar um trecho desses. Lá fui eu pra frente do cavaleiro que fica à direita da entrada de Notre-Dame esperar o guia de colete rosa da Discover Walks Paris. 
Foi uma experiência bem legal. Primeiro, porque estive com gente do mundo todo, da Austrália ao Canadá (pela primeira vez, ouvi alguém falando inglês com a língua presa. very interesting experience!). Segundo, você recebe informações sobre os lugares que não seriam fáceis de conseguir, assim (a não ser que você se pendure em guias de turismo, o que tem menos graça). Terceiro, conheci Marie (essa de saia branca e sapatilha amarela), uma francesa que de tão simpática mais parecia americana; quebrei essa imagem de que francês não é extrovertido. (Aliás, ela me deu uma dica de passeio que vou executar quando Ô Ingrid, Lu e eu formos para o nosso mochilão: andar por Paris à meia-noite de bicicleta, naquela área da Champs-Elysees. Me pareceu incrível!)
Por fim, tiramos essa foto em frente a Sorbonne, numa pose que imitava os estudantes de maio de 68. À primeira vista, fiquei confusa sobre o motivo de estar encolhida, quase invisível na foto. Depois lembrei: achei mico demais e me abaixei. Pra vocês verem que os estereótipos não garantem nada. (risos)

sábado, 29 de outubro de 2011

Vassoula

(Paris, em alguma rua próxima a Place do Tertre, por volta das 17h de uma sexta-feira do final de junho)


Rapaz (em francês): Boa tarde. Nós gostaríamos de uma garrafa de água, por favor.
Proprietária do Restaurante Grego: De acordo. Mas só temos da maior, de 1 litro. Custa 1,90 euro.
Moça (cochichando para o rapaz, em português): Até que o preço está bom. No metrô, a de 200 ml tá por 2 euros...
Proprietária (interrompendo, em francês): Ei, não está caro nada; está super barato!
Moça: Mas eu...
Proprietária: Não, eu quero ver você encontrar uma garrafa deste tamanho por esse preço!
Rapaz (em francês): O que ela estava dizendo era exatamente isso, que está barato.
Proprietária (ar desconfiado): Ah tá. Pois é mesmo.
                     Um minuto que eu já trago a água.
(Rapaz e moça folheiam um caderno de visitantes que está em cima da mesa. A dona do restaurante chega com a garrafa de água)
Prop.: Vocês dois são de onde?
Rapaz: Brasil. A senhora é grega, não é?
Prop.: Siiiiiiim!
Rapaz: Meu avô era grego.
(Ela começa a conversar em grego com ele, que fica sem graça por não entender patavinas do que ela está falando)
Rapaz: Oh, me desculpe, mas eu não falo grego.
Prop.: Humpf... Vê-se que seu avô não lhe ensinou nada.
(Ela volta para detrás do balcão)
Rapaz (cochichando em português com a moça): Na verdade, eu quis dizer meu bisavô, mas eu não sei como dizer isso em francês. (Pausa) Madame, é possível usar o banheiro?
(Neste momento chega um senhor, amigo da proprietária do restaurante)
Prop. (respondendo ao rapaz, enquanto sai do balcão em direção à porta para receber o amigo que a espera): Só um minuto, jovem, que eu preciso te orientar em como usar a descarga.
Rapaz: Ok.
(Cinco minutos depois, ela ainda continua conversando com o amigo, na porta do restaurante, de costas para a dupla de turistas)
Moça: Hum, acho que comprar a água não foi um bom atalho para conseguir um banheiro.
Rapaz: Qual é mesmo o nome dela? Vassélia? Valinda?...
Moça: Vassoula.
Rapaz: Com licença, Vassoula... Posso usar o banheiro?
Prop.: Me dê só um minuto e eu já vou aí.
(Cinco minutos depois, ela vai explicar o uso da descarga ao rapaz, que finalmente consegue usar o banheiro)
Moça: E aí? Fez tudo como ela mandou? Deu tudo certo?
Rapaz (sem graça): Eu acho que acabei fazendo tudo que ela me mandou não fazer.
Moça: Então agradeça logo e vamos nos mandar antes que ela perceba.
Moça e Rapaz: Tchau. Foi um prazer conhecê-la!
Vassoula: Até mais!
(Neste momento, ela saca um perfume spray e dá uma borrifada nos dois jovens, que ficam sem entender a "saudação de despedida")
Moça (cochichando com o rapaz, ambos já de costas para o restaurante, rindo da situação): Por essa eu não esperava: viajar 12 mil km da Bahia até a França para ganhar um banho de cheiro de uma maluca grega!


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Imigrante, profissão coragem

Foi no meu segundo dia em França que fiquei frente a frente com uma das imagens cristalizadas em minha mente sobre a vida dos imigrantes: um apartamento minúsculo, daqueles em que a sala de estar fica embaixo do beliche, sem janelas, com alguns móveis e objetos amontoados. Senti, vindo da cozinha, uma fumaça de comida (boa) que empestiava todo o pequeno apartamento. Confesso que tive pena do casal que morava ali: "Deus do céu, do jeito que eu gosto de ficar em casa, nunca conseguiria viver assim, sem espaço", disse a mim mesma.

Mas para aqueles dois jovens vindos do interior do Brasil, a modesta moradia era um luxo. Residiam em França há quatro anos e ali há menos de um. Antes disso, viveram em um apartamento com mais seis pessoas, onde passaram sete meses dormindo "como irmãos" acanhados em trocar qualquer tipo de carinho na frente dos colegas de quarto.

Ele contava dias piores que a esposa, cuja chegada em terra estrangeira deu-se sete meses após a dele. No início, morava em um apartamento com 20 pessoas. Todas brasileiras. Foi ajudado pelos colegas durante momentos críticos em Paris. "O dinheiro que eu tinha para fazer o mercado eram os 20 euros que o pessoal me dava; cada um me emprestava 1 euro, que eu fazia questão de devolver quando recebia o salário. Alguns não queriam receber a moeda de volta, mas eu insistia: 'Aceita, porque se um dia eu precisar de novo, você vai confiar em me emprestar´", recorda o rapaz. A lembrança de gestos de solidariedade como esses não serviram para apagar a desconfiança gerada nesses anos no exterior, incluindo a dos próprios compatriotas."Quem mais sacaneia o brasileiro fora do Brasil é o próprio brasileiro", disse - eu ouviria essa mesma frase de outros imigrantes.
O primeiro golpe veio em menos de duas horas após a chegada em solo europeu. Os 2 mil euros que trouxera evaporaram-se nas mãos do homem - irmão de uma colega de trabalho de seu último emprego no Brasil - que havia articulado a sua mudança para Paris, com promessas de trabalho fácil e ganhos financeiros abundantes. O sujeito argumentou que precisava da quantia para saldar as despesas iniciais do rapaz, e nunca mais apareceu, deixando-o com apenas um mês de aluguel pago. À esta altura, voltar não era mais opção. "Precisava pagar o empréstimo de R$8 mil que havia pegado no Brasil pra vir pra cá", conta.


Teste de esforço - Geralmente o imigrante sai de seu país intermediado por outro conterrâneo que já mora no exterior, mas há histórias em que a disposição de tentar a sorte dispensou mediadores e, diriam alguns, o bom senso. Um dos casos mais impressionantes que ouvi em Paris foi de uma mineira que há seis anos saiu do Brasil para tentar a sorte na Europa. O destino original era Londres. Como muitos brasileiros, a moça foi barrada na Imigração. Mas não desanimou: desviou a rota e aventurou-se na cidade luz, sem ninguém para ampara-la, sem saber uma palavra de francês ou de qualquer outro idioma. Hoje, casada com um francês, realizou o projeto de uma vida, se não luxuosa, ao menos mais confortável fora de sua terra natal.
Ficar rico não é uma meta fácil de ser alcançada, mesmo quando se é pago em euro. Primeiro porque aos estrangeiros cabem os empregos braçais que os nativos já não querem mais desempenhar, cujas remunerações basicamente propiciam a sobrevivência. Além disso, é comum  o uso de parte do salário para saldar débitos no país de origem ou socorrer a família.
Mas é possível fazer uma poupança. Viver no exterior é especialmente gratificante para quem não tem qualificações. Sabe o casal do início desse texto? Eles já possuem dois imóveis em sua cidade, feito difícil de realizar se não houvessem imigrado. Não foi fácil: "Após quase três anos trabalhando aqui, compramos roupa nova pela primeira vez no final do ano passado", conta a esposa.
Os empregos mais comuns são no bâtiment (construção civil), de babá e na limpeza. Os trabalhos exigem fisicamente - especialmente no deslocamento entre um local de trabalho e outro, pois quase ninguém tem apenas um empregador -, mas as condições laborais costumam ser boas. Só se encrenca quem (poucos, felizmente) realmente está desesperado por dinheiro e precisa faturar muito além da média salarial. Nesse caso, a jornada de trabalho torna-se um verdadeiro teste de esforço. O pessoal da limpeza, por exemplo, produz principalmente antes e após o horário comercial. Há quem se sujeita a jornadas que começam às 4h da manhã e terminam às 22h. Com três horas de sono por dia, muitos sucumbem, e quem resiste sabe que esse ritmo intenso de atividade tem "prazo de validade": até o corpo não mais suportar.

Nunca de mochila -  Há um código não-verbal e não-escrito que permeia a vivência em terra estrangeira. Uma das regras seguidas, por exemplo, pelos homens imigrantes é não usar mochila. "A polícia fica de olho e as chances de te pararem são maiores", explica um imigrante brasileiro. Evitar estar perto de tumultos e multidões também é um cuidado básico.
Mesmo sustentando aquela expressão sossegada típica de quem é do interior de Minas, o brasileiro Roberto já foi levado quatro vezes pela polícia e deportado uma vez. A última prisão, no inicio deste ano, aconteceu quando o mestre de obras, distraído, se entretinha assistindo a uma briga no meio da rua. O mal-entendido não poderia ter acontecido em hora pior: sua esposa estava no início de uma gravidez delicada de gêmeos. Os amigos mais próximos se mobilizaram para contatar um advogado e tira-lo da detenção. Mas houve, também, quem sequer telefonasse com receio de ser rastreado pela polícia.
Apesar de admitir nunca ter sofrido qualquer tipo de agressão das autoridades francesas, a sequência de apreensões deixou um trauma. Em visita a amiga, também imigrante brasileira, elogiou-lhe o carro, mas se recusou a passear nele. "Ele tem medo de ser reconhecido como brasileiro, pois o carro dela tem um adesivo com a bandeira do Brasil", revela, num cochicho, a esposa.

Exílio afetivo - É comum que os imigrantes, após o período inicial de adaptação, queiram fixar raízes na nova pátria. A organização dos países desenvolvidos e os bons salários - se comparados com os ganhos deles no Brasil - seduzem quem se aventura em terra estrangeira. "Quando a gente chega aqui percebe que o Brasil não é um país tão legal quanto a gente pensa quando mora lá. Só volto se puder ter um negócio próprio, mas a verdade é que gosto daqui, não tenho vontade de ir embora", confessa uma imigrante nordestina. A satisfação com a nova vida esbarra em um obstáculo natural e dificil de driblar, apesar da tecnologia: a saudade da família. Quem tem filhos, então, sofre a frustração de não estar acompanhando momentos fundamentais do crescimento deles: "Outro dia liguei chorando para uma amiga porque não reconheci meu filho mais velho em uma foto que meus pais me enviaram", conta uma rondonense.
Entretanto, é justamente a ausência de estrutura familiar que faz alguns desconsiderarem a volta para casa. "Minha mãe é separada do meu pai e cuida de um irmão meu que usa drogas. Ele já tem outra mulher e só faz beber. Daqui eu tenho condições de ajudar mais ela", diz a moça goiana, para depois revelar o real motivo de não querer voltar para Goiás: "Pra quê vou voltar se ninguém me dá bola? Minha irmã casada tem internet e ninguém nunca entra em contato comigo. Se eu não telefono, eles me esquecem", ressente-se.
Seu marido pensa diferente e aponta outro motivo que não a família para retornar em um futuro próximo: "Tenho saudade de jogar futebol com os amigos", confessa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Momento Luiza Marilac


Porque se isso é estar na pior, pohaaan, o que é estar bem, né? hahaha

Ay, te dejo Salvador!

Eu te digo, Salvador, que após 20 anos já não te amo mais. Nada pessoal - você continua lindíssima -, mas apenas o que é meu não está guardado aqui. Definitivamente. Sinto cada vez mais isso.
Mas qual vai ser dessa separação: amigável ou litigioso?
A seguir cenas dos próximos capítulos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

6 centímetros

Hoje finalmente vi as primeiras imagens de Felipinho. Fiquei impressionada: como alguém que só tem 6 cm pode já possuir tantos detalhes?! Até o pintinho dele dá pra ver no ultrassom. Ao assistir o vai e vem daquele grão de gente no útero de minha irmã, tive um insight - acredite se quiser: vai ser um cara tranquilo (tomara!). Mas já digo que rolou uma simpatia à primeira vista. :)
O saco é que ainda falta muito tempo pra ele nascer, mais de cinco meses (gravidez não deveria durar mais que 6 meses). Vou estar estourando de curiosidade pra saber como ele é.

Pra quem duvida da minha sensibilidade, saiba que eu não sou fraca, não: acertei todos os 4 palpites dos sexos dos bebês das minhas amigas grávidas. Esse par de tênis mesmo, que vai ficar um espetáculo no meu sobrinho na ocasião das Olimpíadas de Londres, eu comprei bem antes de saber o sexo (levei até bronca de minha irmã, mas, dá licença, eu confio no meu taco! hehe). Na mesma semana em que os comprei, vi um guri de uns 2 anos calçado com um par igual. Interpretei como um sinal.

Aliás, tem coisa mais fofa que sapatinho de criança?!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

As cinco pessoas que me inspiram (no Facebook)

Às vezes coisas aparentemente idiotas nos fazem pensar na vida. Fui preencher meu perfil no Facebook, e acabei escolhendo, como manda a página, cinco pessoas que me inspiram. Depois, fiquei pensando no por que delas me inspirarem e constatei que, não por acaso, essas pessoas cultivam posturas que prezo bastante. 

Lázaro Ramos - Simplicidade
Pessoalmente, sinto muita falta de referências jovens. Quase todo mundo que admiro não é da minha geração. Não concordo com algumas das posturas dos meus contemporâneos. Mas, como sempre existem as exceções, gosto muito de Lázaro Ramos. Primeiro porque foi contra todas as expectativas. Lembro de um comentário de uma colega de faculdade um pouco antes dele ganhar fama nacional: "É um ótimo ator, pena que nunca vai ser escalado pra fazer o galã da novela", foi mais ou menos o que ela disse. Alguns anos depois, esse baiano interpretou um pegador em plena novela das oito. O talento quebra regras, isso é fato.
Geralmente quando uma pessoa não corresponde aos estereótipos de seu meio, acaba sendo criado um rancor, uma espécie de mágoa por conta da rejeição. Sinto que esse ator é bem-resolvido consigo mesmo;  ele me transmite simplicidade e dignidade. Creio que ter vindo do Bando de Teatro Olodum tenha a ver com isso. Aliás, a Bahia é um raro reduto da autoestima afro (talvez se Lázaro fosse gaúcho sentisse diferente). Está aí uma coisa que, a propósito, faz mais ainda a diferença no caso dele: apesar de ter orgulho da sua raça, ele não é panfletário e tem a elegância de não encher o saco da audiência com "pregação"; deixa a mensagem fluir na sua própria postura pública.


Susan Sarandon - Integridade
Sempre que digo que admiro essa atriz, o povo me pergunta a razão. Pra mim não tem dúvida, é só olhar para a face dela (embora acredite que "quem vê cara, não vê coração"). Susan faz parte de uma geração de atores (internacionais e nacionais também, claro) que cultiva ideais, estrelas cujas escolhas profissionais são coerentes com o que pregam.
Ela tem um tom firme, que eu aprecio e transmite dignidade. E, sabe, mais do que exatamente defender boas ideias, admiro gente que acredita no que fala e no que faz, que pensa as suas ações e escolhas. Isso demonstra critério na vida e integridade.

Hebe Camargo - Alegria
Nem todo mundo que você admira, admira por inteiro. Estranhamente, quando é assim o caso é mais notável, pois para continuar admirando alguém que te desagrada em parte, é preciso que o motivo de admiração seja maior que o usual.
Assim é a alegria de viver de Hebe. Nunca esqueci de uma declaração de Sílvio de Abreu sobre a Madrinha da Tv Brasileira, em que ele dizia que a coisa que mais o impressionou no tempo em que trabalhou com a loira foi o seu entusiasmo em exercer seu ofício, que não variava - quer o ibope marcasse 100 ou 0 pontos.
Eu acredito que felicidade é um dom (e não muita gente o possui hoje em dia). Hebe é inabalável neste quesito. É a personificação da máxima de uma outra loira, Marilyn Monroe: "Sei que nunca serei feliz, mas sei que posso ser muito alegre". E por que não?

Oprah Winfrey - Confiança
Oprah, como apresentadora, não me fascina. O que me impressiona nela é o exemplo de vida, a postura "para o alto e avante". Pire aí na bio dessa figura: mulher, negra e pobre, em um país preconceituoso como os EUA (lembrando aqui que ela foi jovem nos anos 60/70, época em que as coisas ainda eram muito difíceis para as minorias), veio de uma família desestruturada, e como se não bastasse, foi estuprada na infância e ainda jovenzinha perdeu um filho. Seria normalíssimo que uma mulher dessa não desenvolvesse autoestima e tampouco tivesse futuro. Oprah conseguiu os dois. Contra todas as probabilidades, ela confiou no próprio taco e, de quebra, acabou influenciando um monte de gente por aí.
Pois é, outra tendência que ela pôs por terra foi a de que celebridades são perfeitas, ao se mostrar acessível e vulnerável como qualquer ser humano. Geralmente quem chega ao topo não deseja compartilhar. Mesmo que ela não seja aquilo que demonstra, as confissões de Oprah ajudam a validar a humanidade da audiência.

Bethany Hamilton - Aceitação
Jovem, talentosa, bonita, atlética. Com tais características, essa menina poderia ser incluída no hall dos invejados. Mas eis que um dia, quando ela ainda tinha apenas 13 anos, essa mocinha passou a despertar a piedade de todo EUA ao ter um braço arrancado por um tubarão enquanto surfava no Havaí, na manhã de 31 de outubro de 2003. Mas não durou muito, pois a menina, ao invés de se lamentar, tocou a bola pra frente, tanto que hoje é uma das surfistas mais bem-sucedidas e participa de disputas com adversários sem qualquer deficiência.
Uma forte paixão pelo surfe? Certamente. Uma família que deu suporte? Sem dúvida. Mas, acima de tudo, uma alma forte. Porque não é fácil sustentar uma opinião sobre si mesma ("Eu ainda posso") quando todo mundo pensa o contrário de você ("Coitada dela, que tinha um futuro promissor pela frente"), ainda mais quando se tem 13 anos - isso fora o trauma de ser atacada por um tubarão, que ela logo superou.
A história de Bethany é uma aula de doçura, autoaceitação e, sobretudo, de dignidade. Um tapa na cara de uma sociedade de gente apegada (quase sempre a coisas sem a mínima importância), que adora uma reclamação.
(Quem quiser saber mais sobre a história dela, indico o filme Soul Sister.)

domingo, 14 de agosto de 2011

Versalhes

Sabe aquele passeio pelo qual você não dá muita coisa mas que te surpreende como um dos melhores?! Assim foi a visita ao Palácio de Versalhes. Eu já conhecia o lugar de filmes como "O homem da máscara de ferro" e sabia que era enormeee, suntuoso, mas, assim como a Torre Eiffel, só dá para saber o quão grande é esse castelo vendo-o de perto.
Meu primeiro pensamento ao entrar no jardim, confesso, não foi nada nobre: "Neste jardim deve ter rolado altas pegações, pois lugar para se perder com alguém por aqui é o que não falta!". (risos)

 A entrada do jardim. Veja como o lugar é extenso, de perder de vista mesmo.


  Esse passeio de barco é indescritível (e inesquecível), minha gente!
 Eu esperava apenas pique-niques no jardim, mas as pessoas utilizam o espaço para muito mais: correr, andar de bicileta, brincar com o patinete (os adultos usam isso como meio de transporte em Paris, acreditem, e até os idosos andam assim pelas ruas) e até brincar de princesa. :)



                                        
 Ai, que saudade, que dia perfeito e que lugar lindo!!!...
(e foi assim, fragilizada pela beleza de Versalhes, que cometi a tabarelice de comprar, numa lojinha na saída, uma camiseta "I love Paris". hahahaha)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O estrangeiro

"A França é um país realmente socialista", foi o que pensei a princípio. Na primeira visita ao supermercado, achei fantástica a "ala dos pobres", e um cartaz que dizia assim: "Para quê pagar a mais por uma embalagem que vai parar no lixo, afinal?". "Uau!", pensei, "Ao consumidor é dada a oportunidade de comprar algo com uma embalagem mais 'fuleira' porém de valor menor. Isso é que é democracia (risos)".
Fiquei impressionadíssima, ainda, com a assistência que o governo oferece aos imigrantes, quer estejam legais ou ilegais. Minha irmã, residente aqui há mais de 4 anos, é um exemplo disso: o estado francês há quase um ano paga o tratamento dela para engravidar. Só uma injeção que ela precisa tomar custa mais de mil euros. Quando ela poderia ter uma assistência assim em sua terra natal? Uma amiga do Brasil, que descobriu a gravidez dela um mês após estar em solo francês, está recebendo um considerável amparo do governo, incluindo o pré-natal, o parto e auxílio moradia, etc. Incrível, não?
Mas se há uma coisa para a qual essa viagem serviu, certamente, foi para perceber que gente é tudo a mesma coisa nos quatro cantos do mundo - e assim são também os governos. O povo francês é simpático e educado com os estrangeiros, sejam turistas ou imigrantes. O problema é que nem sempre "simpatia é quase amor". No berço da república, a igualdade não implica de jeito algum em proximidade. O francês, pelo menos em Paris, não se mistura com a leva de árabes, latinos, portugueses, africanos e asiáticos que circulam em grande quantidade por aqui. "Cada macaco no seu galho".
Quando se tratam dos ciganos, então, a distância é o de menos, e entra em cena o preconceito e até uma dose de crueldade.
A princípio, me chamou a atenção o grande número deles mendigando pelas ruas. Pensava que se tratavam de espertalhões, afinal, haviam assim me dito, quem menos tem aqui na França é quem mais se beneficia dos auxílios governamentais. Mas pelo visto não é o caso desse grupo de imigrantes. Sarkozy já tentou se livrar deles dando-lhes dinheiro para que retornassem à Romênia, mas não deu certo. Tentou barrar a vinda pela Itália, e foi alvo de protestos. Pelo visto, a situação já ultrapassa a fase da mera implicância, e estão sendo aplicados a eles os mesmos métodos cruéis usados com os argelinos no início do século 20 (sim, a França tem histórico desse tipo, e recente!).
Sarkozy, um filho de imigrantes, não é bem visto por aqui. Um amigo francês de minha irmã (o único, por sinal, que ela conheceu, aliás, indo para o Brasil de férias), costuma dizer que o francês pensa como esquerda, mas acaba votando na direita. Sarkozy foi eleito assim e com o intuito maior de expulsar os imigrantes (o amigo francês admite que o povo responsabiliza, no fundo, a imigração pela crise em que se encontra o país, embora ela seja, evidentemente, um reflexo da crise mundial).
O problema dos franceses com o atual presidente é de "estatura política", dizem. "Muito aquém de outros presidentes que tivemos", ressalta o amigo francês, confessamente saudoso da era Miterrand. 
Podem me chamar de paranóica, mas penso que isso tem a ver, também, com o fato de Sarkozy ser estrangeiro, no final das contas. Eles têm muito orgulho da história, da tradição política e da cultura deles. Assim como o francês nunca vai achar melhor qualquer baguete, croissant, queijo ou vinho que não seja legitimamente da terra, dificilmente vai dar a devida credibilidade para um estadista que não seja "puro sangue". Não é à toa que para os filhos de imigrantes se usa o termo "nascido em França", o que, vamos admitir, já deflagra a diferença entre esses e aqueles de linhagem familiar francesa.
Na antipatia por Sarkozy, aliás, imigrantes e franceses estão juntos. No táxi, assim que cheguei aqui, ouvi de um nigeriano, em tom de irritação: "Sarkozy não cumpre o que fala". 
Reza a lenda que ao indicar um nome para o Pantheon, o atual presidente da França quis Albert Camus. A família negou o pedido, explicando claramente o motivo: "Não queremos que ele fique associado ao seu nome". (Scheeeelp!...) Tentou levar Aime Cesare para o rol dos homens ilustres do país, mas a família não quis que o corpo se mudasse da Martinica (colônia francesa) para Paris. 
(Tadinho!... :P)
Enfim, a única que dá moral para o Sarkozy é a Carla Bruni. A ela, a propósito, fica a sugestão de gravar o hit de Zeca Baleiro, "Telegrama". Certamente, o marido vai se identificar com os primeiros versos da letra: "Eu tava triste, tristinho/Mas sem graça que a top model magrela da passarela/Eu tava só, sozinho...". (risos)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Les Enfants

Se tem uma coisa que é fantástica nessa cidade são as crianças. Uma mais linda que a outra (o que é legal agora, pois na fase adulta crianças muito bonitas se transformam em adultos de aparência mediana, quase sempre)! E as roupas? Como legítimos filhos da meca da moda, arrasam na produção.
A educação deles também é de impressionar. "Bonjour", "Merci" e "S´il vous plait" estão sempre na ponta da língua. Não fazem escândalo na rua e nem são baderneiros. Além do mais, adoram um programa cultural. Ou melhor, as escolas adoram levá-los para museus, parques e afins. No Museu de Orsay mesmo, tive a companhia de uma turminha do jardim de infância. Todo mundo sentadinho, a professora explicou a obra de arte, e depois deu um kit de lápis de cor pra cada um fazer a sua reprodução. E eles puseram as mãos na massa, concentradíssimos na tarefa. Muito lindo. Senti vontade de roubar um pra mim e pôr na mala.
Não bastasse, ainda são umas figuras! Sabe essa aí da primeira foto? Pois é, meu colega e eu a conhecemos em um passeio de bateau mouche. A figura não deve ter nem dois anos, mas, juro!, nunca vi tanto arsenal de sedução em uma criatura tão jovem! (risos) Ela olhava de soslaio, sorria, encarava, grudava a cara no vidro... Por fim, na hora de ir embora, a mãe disse a ela que se despedisse. Ela encarou o rapaz, mandou um beijo com a ponta dos dedos e emendou, de quebra, um "Bonne journée" (Bom dia). Eu fiquei pasma. Segundo a mãe dela, a filha adora interagir com os jovens (mas suponho que ela não vá se orgulhar tanto disso se essa interação "femme fatale" se prolongar pela pré-adolescência).Me arrependi muito de não ter filmado essa menina. Ela era fantástica e merecia um registro melhor.

Orsay

Esse foi um dos melhores museus que visitei, gostei mais dele do que do Louvre. Pra quem curte pintura impressionista é perfeito. Particularmente, adorei a seção com os quadros de Van Gogh.
É curioso como, até recentemente, quando os artistas desejavam falar de temas tabus, esses evocavam imagens da Grécia. Fico pensando se em um futuro breve isso irá cessar na arte ou se os gregos estão de tal forma arraigados que não há chances disso.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Panthéon e as mulheres

Logo na fachada, o primeiro sinal: "Aos grandes homens, a pátria os reconhece." No templo republicano não há democracia entre os sexos. Só duas mulheres figuram entre os homenageados.

No andar das criptas, por exemplo, só lembro de ter visto Marie Curie. No mais, nos deparamos com os grandes. Isso mesmo: artigo definido masculino no plural.
Alguém pode alegar machismo da História, mas eu não concordo que este seja o impedimento principal, ainda que se constitua em um fato. Penso como Camille Paglia, para quem a diferença básica de status entre os sexos se dá, a priori, porque as mulheres não têm a mesma predisposição à obsessão que os homens. 
Essa ideia da pesquisadora americana me faz lembrar de uma palestra gravada de Contardo Calligaris. Ele pontuou o espírito de aventura dos homens. No meio do encontro, uma psicóloga infantil, na platéia, pediu a palavra, e comentou que só uma menina, dentre as que passaram por seu consultório, se interessou em arrumar o exército de brinquedo que ela tinha lá. E mesmo assim foi pra dar "Bom dia!" aos soldados. Já os meninos... Segundo a psicóloga, quase todos se interessam por esse tipo de entretenimento. 
Se é instintivo ou cultural, não há como dizer. Meu palpite é que a cultura conte aí uns 30%. Há mistérios sobre a testosterona que ninguém conhece.
O engraçado é que, se por um lado eles comandam a ação na esfera pública, elas, quando dão pra se meter nesse espaço, parecem valer por 20 homens. E, curiosamente, a história do Panteão começa justamente com uma mulher muito da arretada (ou pelo menos bastante crente), sim, senhor: Santa Genoveva.
Explico: quando os Bárbaros estavam invadindo os quatro cantos da Europa, Paris quase entrou nesta rota. Com medo, vários homens parisienses fugiram, mas Genoveva persistiu e confiou na oração para livrar a cidade-luz dos invasores. Deu certo. Ela virou, anos mais tarde, padroeira da cidade, e ganhou uma igreja enorme, que é o atual prédio do Panteão, transformado em tal após a Revolução Francesa. Irônico, não?
Apesar da pouca inclinação natural a grandes obras públicas, eu penso que, de qualquer forma, falta valorizar mais a participação feminina na História. Joana D´Arc, por exemplo, poderia ser a 3ª a entrar no Panteão. Seria uma homenagem mais que justa.

Maison Balzac

Essa é a "vista aérea" da casa do escritor Balzac, em Passy. Por fora, ela é muito simpática e tem um jardim agradável, com algumas cadeirinhas nas quais você pode sentar e conversar com os amigos. Dentro é tudo tão velho que você tem até medo de pisar. Confesso que os dois primeiros ambientes me deixaram entediada (neste tipo de museu é comum eles enrolarem colocando fotos e informações pouco substanciais sobre os amigos e parentes da personalidade tema do local). O bacana é quando começa mesmo a viagem por Balzac e sua obra.
Pode parecer bobo, mas eu gostei de passear no escritório dele, apesar da escuridão do local. Fico pensando em como deveria ser especial (ou não) trabalhar como escritor em uma época em que a grande maioria fazia trabalhos braçais (sabe, eu sonhava com isso quando pequena, mas, no fundo, ainda tenho muita esperança de ver a Máquina do Tempo existir antes de eu morrer. Já pensou que fantástico poder ver o passado em tempo real?).
Balzac vivia endividado, e por isso trabalhava muito. Em uma carta à amante, reclama de trabalhar mais de 15 horas por dia. Veja que pessoa dramática (risos):
Outra coisa bacana no museu são as amostras de alguns trabalhos corrigidos pelo próprio autor. Abaixo, uma das páginas das quais falo. Vi outras muito mais rabiscadas que essa, mas muito mais mesmo. Uma curiosidade: ao que parece, Balzac não tinha muito fôlego como revisor. As primeiras páginas de um manuscrito eram muito corrigidas. Já nas partes finais, poucas correções (me identifiquei totalmente!).
Por fim, a galeria de desenhos dos personagens de suas obras. Até então, deu para aproveitar o museu mesmo sem nunca ter lido o autor, mas nesta seção, confesso que fiquei triste comigo mesma. Deve ser muito mais divertido quando já se leu tudo, porque daí dá pra comparar a sua imaginação com os desenhos revisados pelo próprio autor.
Fizeram algo semelhante com o apartamento de Victor Hugo na Place des Vosges, mas, pessoalmente, achei a casa de Balzac infinitamente mais simpática. Ambas são gratuitas. Bem, só por isso, acho que já vale a pena visitá-las (risos).

De olhos bem abertos

Não é só nos grandes cartões postais de Paris que podemos encontrar beleza. Às vezes, em lugares pelos quais não damos nada, nos deparamos com paisagens belas.
O lugar das fotos abaixo, eu o descobri por acaso, caminhando depois da aula (fica atrás da feíssima rua do meu curso de francês, na 19eme). Mal acreditei.

Outro lugar (pessoalmente) bacana foi a Capela da Medalha Milagrosa, de Catherine Labouré. Fica em uma rua sem graça, um pouco escondida, e a fachada não é muito animadora, mas a capela é uma gracinha (só não tirei foto porque estava acontecendo uma missa no momento da minha visita).
Mesmo nos lugares icônicos de Paris, convém prestar atenção para não perder uma informação interessante. Na Champs Elysees, por exemplo, é fácil passar pela placa-homenagem a Santos Dumont e nem notá-la.

No Panteão há uma plaquinha, que é fácil de passar desapercebida, avisando o horário da visita ao topo do prédio, que é muito legal de fazer.

Enfim, regardez Paris. Vous pourriez être surpris!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Mundo cão

Odeio noticiário que explora a miséria alheia. Odeio mesmo, não gosto de assistir de jeito algum. Além de mórbido, é o tipo de coisa que não acrescenta em nada na vida das pessoas.
Por último, até vídeo no Youtube mostrando uma tal de Kelly Cyclone no necrotério o povo anda divulgando. Fala sério!...
Esse tipo de comentário sempre deixa a gente com aura de chata, eu sei. Mas realmente acho de uma pobreza de espírito tremenda dar atenção a esse tipo " notícia". E o pior é que o povo gosta, e muito.

sábado, 30 de julho de 2011

Jardim de Luxemburgo

E por falar em espaços ao ar livre, um dos mais bonitos é o Jardim de Luxemburgo, que fica nos arredores do Panteão.

Quem não tem Porto da Barra caça com "Seine" mesmo...



Bienvenue au "Paris Plage"! Até 21 de agosto vai ser isso aí: a galera esparramada em cadeirinhas, chuveiros e água potável de graça, barraquinhas de sorvete e até serviço de massagem. Como o frio aqui é uma constante, o espaço, a qualquer sol que abre em Paris, fica lo-ta-dooo!

Nos arredores de Notre-Dame

Um pouco depois da imponente Notre-Dame existe uma livraria bem simpática, especializada em literatura inglesa, a "Shakespeare and Company". No início do século passado, ela servia de abrigo para aspirantes a escritores oriundos de países de língua inglesa. A coisa funcionava assim: o futuro escritor ganhava hospedagem grátis por 3 meses (tempo de escrever sua obra) e em troca tinha que trabalhar um pouco na livraria e ler um livro por dia. Hemingway foi um desses caras.


Essa é a igreja de Julien dos Pobres. Ela é um pouco mais antiga que Notre-Dame. Dizem que sua acústica é infinitamente superior a da catedral do Corcunda, e por isso vários concertos de música clássica são realizados por lá.
 Essa é a Ponte das Artes. Aqui, vários artistas de rua se apresentam. Uma atração à parte são os cadeados depositados na ponte por casais, de modo a eternizar o amor que os une (Ohhhh!...). Mas a prefeitura não anda muito apaixonada pela ideia, segundo fiquei sabendo.

"FELIPECIDADE"

Ontem fiquei sabendo que o meu tão esperado sobrinho é realmente um sobrinho. "Felipecidade" geral na família em receber seu primeiro menino. Que fevereiro chegue logo!

A Ponte de Mirabeau

A construção em si não tem nada de especial. Minto: a construção é bem bonita, mas fica no meio do nada. Gostei muito de ver os versos do poema na lateral da ponte. Que lindo!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ô!...




Acho que a brincadeira do FB traduz o sentimento de muita gente.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ele x Ela: o princípio.

Outro dia estava no metrô, quando entraram uma mulher e duas crianças de aproximadamente oito anos - um menino e uma menina. Enquanto a acompanhante distraia-se pensando provavelmente na morte da bezerra, os dois pequenos seguravam-se em um dos mastros de ferro do vagão. Começaram a conversar - em inglês, ao que tudo indica, o primeiro idioma deles. O clima esquentou e o ruivinho, tentando pôr fim, na marra, à queda de braço na qual nitidamente levava desvantagem, tentou dar uma cabeçada na face da garota. 
Ela, sem titubear, começou a fungar, como quem está por cair no choro, chamou a adulta, e para garantir que seria entendida, fez a queixa em francês, contando como havia se desenrolado a tentativa de agressão física. Puro charme daquela mocinha de cabelos castanhos e olhos azuis, a adulta deve ter suposto, assim como era evidente pra mim. Se soubesse falar francês fluentemente, teria tomado a liberdade de brincar com a pequena: "Ora, vamos, ele nem acertou direito o alvo, deixe de manha, vá, que eu vi que não doeu!". Mas, com ou sem presepada, o caso é que ela ficou uma graça de queixosa - e parecia saber perfeitamente disso. "Une femme est une femme".
O ruivinho, aparentemente sem fluência no francês e envergonhado pela denúncia pública da companheirinha, ficou cabisbaixo. Após alguns segundos, sem levantar a cabeça ainda, inclinou a franja alaranjada pra frente, de modo a fazer carinho com os cabelos na testa da amiguinha, como quem diz: "Era isso que eu queria fazer naquela hora; não quis te machucar. Me perdoa."
Nosso vagão começou a apresentar problemas, os quais ele nem parecia notar enquanto ela parecia excitadíssima com toda aquela indefinição do nosso destino. Nós saímos dele, por fim. Durante o tempo em que olhei para o lado esperando avistar o próximo vagão, ouvi a voz (aborrecida) da acompanhante adulta. Virei na direção dela e a moreninha, com cara de zangada, havia ido se sentar. Sorri ao pensar que cada sexo, desde o início, já mostra as suas habilidades inatas: enquanto eles se calam e preferem a ação (ainda que imprudente), elas dançam com as emoções e as palavras (ainda que inventadas).

The Gift

Se tem uma coisa que me dá barato é poder presentear. Tenho um espírito meio de apresentador de auditório, acho impagável o sorriso e a satisfação de alguém que recebe um presente. Até algum tempo atrás, a satisfação tinha que ser mútua (traduzindo, eu costumava dar presentes que eu pudesse pedir emprestado depois. rs). "Evoluí", e hoje o meu barato é procurar algo que seja muito parecido com a pessoa que vai receber o presente. Às vezes o processo é árduo, mas sempre vale a pena. É muito ruim presentear por presentear; quase sempre, melhor não dar nada. Poucas coisas afirmam mais a indiferença alheia que isso. O bacana do presente, muitas vezes, é saber que alguém pensou em você ao comprar o objeto ofertado.
Meu ascendente em câncer também fala alto nesse aspecto: ao dar algo a alguém, posso me infiltrar no ambiente mais íntimo dele e, mesmo que os anos passem, um dia, ainda que distraidamente, aquele objeto vai evocar a minha lembrança (por isso é bacana dar livros, pois esses abrem brecha para cartinhas-dedicatórias).

domingo, 29 de maio de 2011

Para posteridade

Eu não sou muito de fotografar. Em meio a correria, nunca me liguei em tirar foto no A Tarde.
A única que tenho - que Aguirre não me leia!hahaha - é by Kin Kin, tirada durante a Festa dos Jornalistas do Grupo JCPM, em dezembro do ano passado. 
Mirem bem este "rezistro". É aquela coisa: quem nasceu pra se lascar, não tem pra onde correr. O tema de 2010 foi "circo" (por isso estamos segurando algodão doce). O de Donaldson quase não aparece. Ari recebeu uma mega ajuda do selo do site, que praticamente "abafou o caso". Vanessa Alonso, como jornalista que se dá ao respeito (não à toa, foi premiada pelo Sebrae essa semana), não segura nada. Pra quem sobrou? Adivinha!... E, pra piorar, ainda tô quase check-to-check com o velhinho do Grupo Paes Mendonça. Tsc, tsc, tsc... (Não preciso de ninguém para queimar o meu filme. Neste quesito, sou self-made. hahaha...)


terça-feira, 24 de maio de 2011

Seul

Agora caiu a minha ficha: vou viajar sozinha. Xiiii!...
Mas nem tudo está perdido. Há a esperança de arranjar companheiros de passeio no curso de francês.

domingo, 22 de maio de 2011

O lado de cá, o lado de lá


Daqui a oito dias, embarco rumo a Paris. É engraçado que quando comento o fato com alguém, já vem logo a "praga": "Olha, tomara que você arranje um francês lá, viu?". 
Pelo amor de Deus, né! Casar com estrangeiro não deve ser o auge da vida da mulher brasileira. Ai, ai...
No fundo, me dizem isso porque tá todo mundo desiludido com esse país, que nos estressa muito e nos oferece pouca perspectiva. Sim, confesso que tenho medo da volta. Mas vou voltar, sem dúvida. Já foi a época em que acreditava que minha vida seria lá fora. Coisa de menina, hoje eu sei. Coisa de intuição que meu destino é aqui no Brasil, mas não na Bahia (sinto que, não demora muito, vamos nos separar, após quase 20 anos juntas).
Minha intuição não apita nada sobre essa viagem ainda. Isso me angustia, pois geralmente ela canta algumas pedras pra mim. No entanto, do jeito que as coisas estão conspirando para que minha ida à Europa aconteça, começo a acreditar que algo importante deve me ocorrer por lá.
Enquanto isso, fico aqui às voltas com os últimos preparativos. E também com um livro de expressões para viagem que comprei. Tento decorar algumas frases em francês, sem muito sucesso. Ao final de cada tentativa com o livrinho, me bate a dúvida se vou conseguir aprender algo em francês. Vai ser fracasso geral voltar sem ao menos conseguir articular uma conversação. Já pensou? hahaha...Mas, de verdade? Eu só quero ser feliz enquanto estiver por lá. Torçam por mim. ;)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Shakira em Paris: Eu vou!!!!!!!!!!!

É gravação de DVD, pai! Uhuuuuuuuuuu!...

sábado, 14 de maio de 2011

Infeliz por quê?

Mais uma vez, o noticiário me gerou uma reflexão. Estava ontem vendo uma reportagem dessas sobre drogas, em que uma mãe lamentava a morte do filho de 18 anos, viciado, dizia que tinha feito tudo ao seu alcance para tira-lo disso, e já "se preparava" - se é que isso é possível - para o mesmo destino do seu caçula, de apenas 13 anos. Não aguentei, e questionei a minha mãe: "Qual o motivo de tamanha infelicidade?" Sim, pois quem tá feliz não se afunda em drogas. Agora, venha cá, me diga uma coisa, há realmente tanta gente infeliz assim? A vida de todas elas é realmente tão miserável para fazerem coisas absurdas, destrutivas?
Esse rapaz mesmo da reportagem tinha saúde (física, ao menos), mãe (tanta gente por aí nem tem ideia de quem o gerou...), irmã e juventude. O que faz uma pessoa com essas configurações querer morrer? Carambola, a vida nem começou e o sujeito já se julga tão derrotado a ponto de se afundar nas drogas para se matar (sim, porque é isso que deseja - inconscientemente, ao menos)!? Pense direito: isso faz sentido?

Alguns podem dizer que tal fenômeno é sinal da falta de Deus, de fé no coração. Crenças à parte, digo que isso é, sobretudo, falta de sensibilidade. Estamos todos visivelmente orientados para o que ainda falta. Ninguém se ocupa nem por um segundo do que já foi conquistado. Ninguém tem a sensibilidade de imaginar que teve sorte, uma vez que aquilo que parece ser uma conquista banal poderia não rolar mais ou simplesmente nunca ter rolado.
Aposto que o seu Luiz Alberto, um senhor conhecido meu recém-transplantado, adoraria ter 30% da saúde desses jovens que se drogam por aí. Entrar e sair de UTI, oscilando entre vida e morte, isso sim é sofrimento. E mesmo assim esse sujeito que vem passando um pedaço tem muito o que agradecer: de sangue raro, conseguiu, relativamente rápido, um doador compatível. Muitos queriam ao menos ter a chance de estar passando os mesmos perrengues, na tentativa de prolongar a vida.
A vida é difícil e milagrosa, ao mesmo tempo, para todo mundo. O que faz a diferença é a criatividade de cada um, pois, sim, viver bem é, acima de tudo, um desafio à criatividade. Isso é óbvio, é próprio do fato de estar vivo, neste mundo. Enigmático é estar faltando sensibilidade quase que generalizada para ver isso. Há definitivamente uma epidemia de "cegueira" na população mundial (quando ricos e pobres querem se matar em proporção quase igual, o problema não é mais social). E suponho que talvez o problema seja justamente o contrário do que se supõe: a vida desse povo anda muito boa. Se realmente tivessem um problema, não teriam espaço, na vida, pra pensar besteira. 
De uma coisa tenho certeza: a infelicidade humana anda super cotada.Não há por que ser tão miserável assim.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Irreflexão

"O que estão fazendo às crianças do nosso Brasil?", perguntou a loira que apresenta um programa matutino, recém-avó, a sua rede de milhões de telespectadores espalhados pelo País.
O apelo de Ana Maria Braga poderia ser tachado de sensacionalismo televisivo. Mas não era. Infelizmente, é impossível negar que, ultimamente, maus tratos infantis têm rendido mais noticiário do que gostaríamos. Não lembro de ter ouvido tantas histórias sobre bebês jogados no lixo como atualmente. É estranho perceber, de repente, que, no grosso, o nosso saber não serve para nos melhorar de jeito algum.
Na mesma semana, Drauzio Varella tocou no tema "aborto" em entrevista ao "Roda Viva".
De um certo modo, ambos os temas entrelaçam-se. Quando vemos bebês jogados no lixo, logo pensamos: "Por que deixa vir ao mundo, se é pra fazer isso?". Quando sabemos de alguém que fez aborto nos perguntamos:  "O que custava ter deixado nascer?".
Por trás de todas essas situações percebo irreflexão. As pessoas esqueceram que os atos têm desdobramentos.  O desespero total conduz a cenas bizarras que não tinham razão de ser.
No mesmo dia em que a loira se perguntava sobre a situação esquisita das crianças do Brasil, muito indignada, mandou o recado para as "loucas da lixeira":
- Olha, não querer ficar com o filho não é crime, não; não precisa largar em lixeira, com medo de ser pego. Para isso existe a adoção.
Pois é. Óbvio, não?
Contra o aborto, existe, além da adoção, a pílula, o planejamento familiar.

Qual é a dificuldade em poupar sofrimento para si mesmo e para os outros?
Não entendo...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Do the evolution, babies!

Aviso aos navegantes: o tema é pop, o post é frívolo.

Por esses dias, saiu o novo clipe de Britney Spears, "Hold it Against Me", do álbum "Femme Fatale". Apesar do título, o repertório continua o mesmo de quando ela cantava pendurada num balanço de uma árvore. Uma fêmea fatal não perguntaria "Você usaria isso contra mim?". Muito beicinho, muito menininha ainda pra assinar um álbum com esse título. Eu gosto de Britney, mas ela não age com sinceridade nessa carreira há tempos. Faz o que sabe que dá certo desde que surgiu no show business. Por essas e outras que Madonna continua Madonna. Com exceção de uma breve fase garota, sempre se posicionou como mulher, sempre procurou não se repetir. Discípula dela, só Lady Gaga, realmente.
Um pouco mais ousada porém tão estagnada musicalmente quanto é Sandy. Teve peito pra ir para a carreira solo, ok, mas continua cantando letras adolescentes. Ela é ainda muito verde compondo. Nessas horas, é preciso ter humildade e praticidade. Sandy deveria desistir, por enquanto, de compor todo o material e priorizar a gravação de letras de outros compositores. Luiza Possi faz muito isso, e dá supercerto.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Animal

Por estes dias, Delfim Neto atiçou a turma do politicamente correto dizendo que o animal empregada doméstica estava entrando em extinção (não lembro exatamente a frase, mas era algo neste sentido). A turma se revoltou com o uso do termo "animal". Não acho que o politicamente correto seja histeria vazia. É patrulha com função. Mas às vezes, na ânsia de não deixar nada passar, acaba minando a credibilidade daquilo que defende. Este caso nem foi gritante. Mas, hipocrisia à parte, como é mesmo tratada essa classe no Brasil, hein? Animal de estimação se dá melhor com a patroa que muita trabalhadora doméstica. São exploradas, sim, tratadas como animais de carga. Por que o choque com a expressão utilizada pelo Delfim?!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Direito de Escolha

Ontem assisti a um filme que há muito já tinha curiosidade de ver: My sister´s keeper, que em português ganhou o péssimo título Uma prova de amor (se eu dependesse só dessa informação teria desistido do filme pensando ser uma pieguice só, e ele está longe disso).
A sinopse é a seguinte:
"Concebida por meio de fertilização in vitro, Anna (Abigail Breslin, a menininha de Pequena Miss Sunshine) foi trazida ao mundo para ser uma combinação genética para a sua irmã mais velha, Kate (Sofia Vassilieva), que sofre de leucemia promielocítica aguda. Quando Kate faz 15 anos, ela passa a sofrer de insuficiência renal. Sabendo-se que ela terá que doar um de seus rins para sua irmã, Anna processa os pais para a emancipação médica e os direitos sobre seu próprio corpo."
Se Anna se recusar a doar o rim, Kate não vai ter nenhuma chance de sobreviver, mas se ela doar, nada garante que a irmã irá se salvar. E mais: Anna terá restrições para o resto da vida por conta da doação do órgão. 
O pai das meninas, a partir do processo jurídico, começa a refletir se a filha de 11 anos foi negligenciada durante todos esses anos. A mãe fica furiosa com a recusa da caçula (na verdade, ela está quase enlouquecendo de desespero ao perceber que são poucas as chances de salvar Kate) e tenta conseguir a autorização para o transplante na justiça.
Difícil, não é? Até porque as duas irmãs não são rivais. Pelo contrário, se amam, e muito.
Gosto de filmes polêmicos. A deste filme é das boas. Mesmo sendo por um motivo muito nobre, é justo sacrificar tanto o corpo de alguém que tem uma saudade perfeita? E se essa pessoa não quiser se submeter a isso, ela está errada, ela não tem o direito de zelar pela sua integridade? Mas, por outro lado, tá valendo uma outra vida essa escolha pessoal...
De quebra, "Uma prova de amor" nos oferece uma reflexão sobre vida e morte (mas não vou me estender muito a respeito, pois teria que contar cenas do filme).
Enfim, assistam o filme. Garanto que não vão se arrepender (só não esqueçam o pacote de lenços).


domingo, 27 de março de 2011

É Fantástico!

Frase da Semana

By Martha Medeiros!

Você será o que sempre foi – e isso já é muito bom, pois presumo que você não seja nenhum contraventor, apenas não consegue dar conta de todos os seus bons propósitos, quem consegue? Às vezes não dá. Vá no seu ritmo, siga sendo quem é, não espere entrar numa cabine e sair de lá vestido de super-homem ou de supermulher. Deixe de fantasias. Deixe-se em paz.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Surfistinha

Estreou mês passado o filme da Bruna Surfistinha. Pensei em ver, mas como li uma crítica ruim e ouvi um comentário negativo de uma amiga minha, desisti. É o tipo de história que periga, e muito, cair em uma abordagem medíocre. Não fiquei surpresa com o resultado decepcionante.
Tenho mania de pensar sobre as motivações alheias, e um caso como o da ex-prostituta de classe média é - vamos admitir - intrigante. Eu poderia dizer que ser prostituta é uma vocação, como ser freira (não acredito que alguém permaneça nessa atividade contra a vontade, à exceção, claro, dos casos em que há tráfico de mulheres). A pessoa simplesmente é "inclinada a", e ponto. Mas o que faz um ser humano tolerar oito, às vezes 10 pessoas desconhecidas, por dia, fazendo sexo com ela? Não é algo usual na "fauna humana".
Fui, então, pro primeiro livro da Surfistinha, "O Doce Veneno do Escorpião". Muito melhor investigar lá do que no filme (fora que ninguém merece mais uma performance canastrona de La Secco, né?). Penso que poderia, com o perdão do trocadilho, ter sido um puta relato. Poxa, com tantos programas na lista, Bruna poderia ter explorado melhor as histórias dos clientes, ter contado mais sobre quem frequenta esse universo (não diz que quer ser psicóloga? Então!...). Ela basicamente conta a história dela  resumidamente e faz comentários sexuais sobre meia dúzia de programas.  
O que ficou latente foi uma vontade de chocar/agredir, derivada de uma carência afetiva profunda. A prostituição foi, também, uma vingança do meio social do qual, originalmente, ela não faz parte por ter sido abandonada pelos pais biológicos ("Se eu, que estou nesse meio degradante, vim da mesma classe média que você, então não dá para você se achar tão superior assim, afinal, como aconteceu comigo hoje, amanhã pode ser com você, sua irmã, ou sua filha"). Das vezes em que teve como clientes ex-colegas de colégio, fez questão de dizer quem era.
A prostituição também foi um canal de satisfação da vaidade. Se por um lado a atividade é degradante, na medida em que a mulher tem que ir com qualquer um e fazer qualquer coisa que esse lhe pedir (se bem que, a depender da competência da "prost", ela detém o comando da situação), por outro lado é lisonjeiro para a mulher, que tem na sua frente um homem que está  precisando dela, que está pagando para transar com ela (não deixa de ser uma forma de humilhar o sexo oposto, o que pode fazer bem ao ego de algumas mulheres nesta posição. Em algumas passagens, Bruna deixa claro que é importante para ela ser escolhida pelo cliente). Ela fala o tempo todo em busca pela liberdade, mas interpretei essa escolha dela como uma busca por poder.
Como típica escorpiana, Bruna gosta de testar os limites - os dela e os das pessoas, para ver se aquilo é de verdade mesmo ou conversa fiada -, afinal "o que não mata, fortalece". Ela aprontou loucuras com a família adotiva (apesar de ter entendido o ponto de vista dela, de qualquer modo, creio que foi ingrata com os pais). E com ela mesma. A sorte é que teve força de vontade. Bruna poderia ter assinado o seu atestado de óbito, por exemplo, ao se envolver com droga, que é um troço difícil de largar.
 E por falar em difícil, descobri, ou melhor confirmei, que não dá mesmo para confiar na higiene desse povo do ramo sexual: Surfistinha confessou que usava o mesmo lençol em dois programas. Não deve ser muito diferente nos motéis (pensando bem, até nos hotéis. Arrrrgh!...). Melhor nem pensar nessas coisas. hehe...



quarta-feira, 9 de março de 2011

"Ê, São Paulo, ê, São Paulo..."

Finalmente, neste Carnaval, pisei em solo paulistano, após muito ouvir falar dessa cidade. Quase sempre mal, diga-se de passagem. Cheguei com o pé atrás. Saí com uma impressão muito melhor do que a que tinha até então. Quero voltar a São Paulo. Um bom motivo? Bem, como costuma dizer Cláudio, trata-se de uma cidade diversa. A reunião de várias tribos e etnias, as opções de atividades que oferece enchem os olhos, sim. Na Paulicéia Desvairada, as pessoas são educadas e eficientes e tudo é imenso e, principalmente, rápido. Dá vertigem. Mas, apesar de reclamar o tempo todo da lerdeza dos "salvadorenhos", no fundo, como dizia Nelson Rodrigues, "ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca". Não conseguiria morar lá. 

Por exemplo, ao vivenciar cinco dias de "gincana" na estação de metrô, percebi o quanto o nosso transporte poderia ser melhor mas também o quão fundamental foi, nos meus tempos de estudante, não tê-lo como opção. No metrô, perderia dois dos meus maiores prazeres (e consolos diante do estresse dessa rotina): dormir no buzão e ver a paisagem (risos).
O visual da metrópole, aliás, é um caso à parte. Muito concreto, muito cinza, marginais feiosas... "Então", à primeira vista me pareceu uma cidade "encardida". Apesar da imponência de seus prédios, falta natureza, falta, enfim, beleza a São Paulo. E vendo isso, foi que percebi mesmo que essa tal de Salvador, que eu amo, é realmente "bonitinha mas ordinária" (tão charmosa!... que custava ser mais bem-cuidada, hein?). 

Bem, seguem algumas fotos e mais detalhes sobre a viagem. 
Sampa Crew: Luize Meirelles, Ingrid Campos y yo! "Agradecimento" especial à tradicional garoa paulistana, que nos acompanhou do começo ao fim.

Estação Pinacoteca, Memorial da Resistência. Nossa presidente Dilma ficou presa nesta cela. Amigas que lá estiveram depois dela escreveram seu nome na parede (atrás da toalha branca) em homenagem.

Museu da Língua Portuguesa, um dos meus preferidos nesta viagem (outro maravilhoso é o Masp. Aliás, a Av. Paulista é toda massa!). Esse vulto sou eu! hehe...
Wall Street, Vila Olímpia. A ideia do bar é bem legal: conforme os clientes vão fazendo os seus pedidos, a cotação dos itens do cardápio sobe ou desce. Na foto, os primos de Ingrid.
OBS.: Perceberam uma luz esquisita no rosto de Luize e do rapaz? Pois é, "efeitos especiais" nos acompanharam durante a (as fotos) viagem. Essa luz será Jesus ou um flash muito do vagabundo?! Hummm...



Programa tipicamente paulistano: boate no sábado à noite. Não é muito a minha praia, mas gostei!

Museu do Ipiranga: acervo "meeiro" e um jardim belíssimo. Pense em 3 pessoas que andaram. Fomos nós nesta viagem! Sem contar as saídas noturnas, a média foi de 8 horas por dia. Meus pés voltaram só o bagaço (depois disso, o Caminho de Santiago foi definitivamente descartado da minha lista de possíveis viagens. hehe).

O lugar é mesmo grande à beça...

Lá embaixo, perto de um monumento, muitas pessoas praticam atividades físicas. Os skatistas são figuras habituais da área.
Na "balada" em Vila Madalena, na madrugada de terça, a galera caiu no samba. Neste dia eu não ri foi pouco, não: havia um bêbado se acabando de dançar (ou melhor, tentando fazê-lo). Houve um momento, durante uma música de axé, que ele se atrapalhou tanto nos movimentos que acabou foi dançando passos do Créu (O bar não cobrou couver, mas se o bebum me pedisse, pagaria de boa!). Hahaha... Aliás, nesta noite foi a primeira vez em que vi gente sem noção em São Paulo; já tava até ficando triste. De minha parte, digo que foi reconfortante. Encarei como um presente de aniversário da cidade para moi. :P
Outra "interna" entre mim e ela, neste dia, foi a última canção que a banda tocou: "Trem das Onze". Pra mim, essa música é a cara da cidade, a que mais me faz lembrá-la.

 Ô Ingrid na pista...

Que mêda: minha alma quis sair do meu corpo bem na hora dos parabéns!... Nem Shyamalan conseguiria este efeito especial ("I see friendly people". :D)!
Meu "pequeno bolo" de aniversário! Estava uma delícia, aliás, como tudo que comi durante a viagem. Só fiquei ressentida com a falta de churros pelas ruas. :(
Ibirapuera. Pense em um parque enorme... Muito bom para passear com a família, mas é difícil ir até lá de transporte público.
É neste parque que fica o prédio onde acontece a Bienal. Ingrid ficou de boca aberta com o que viu, pena que estava fechado para visitação na terça de Carnaval. Ah, sim, uma reclamação: assim como boa parte dos museus deste parque, vários comércios fecharam durante esse feriado em SP. Nova Iorque brasileira? Não, não. Ao contrário da megalópole americana, que não dorme nunca, Sampa dá algumas boas cochiladas, sim, que eu vi!
A ponte do parque. Embaixo, uns patos feios e uma água bem sujinha.
São Paulo soube que o blog iria até lá nesse feriado e fez essa singela homenagem. ;)