terça-feira, 27 de agosto de 2013

A desconfiança de quem agrada todo mundo

Como se poderia ter a certeza de que a sua alma estava verdadeiramente purificada? O Sr. Elliot era racional, discreto, educado - mas não era franco. Nunca havia uma explosão de sentimentos, nenhuma indignação ou deleite acalorados perante o mal ou o bem dos outros. Para ela, isto era decididamente um defeito. As suas primeiras impressões eram imutáveis. Ela gostava, acima de tudo, de pessoas francas, sinceras e impulsivas. O ardor e o entusiasmo ainda a cativavam. Ela achava que podia confiar mais na sinceridade dos que por vezes diziam uma coisa imprudente e precipitada do que na daqueles que nunca perdiam a presença de espírito ou cuja língua nunca tinha um deslize. O Sr. Elliot era demasiado simpático em relação a todos. Eram várias as maneiras de ser em casa do pai dela, e ele agradava a todas elas. Ele suportava tudo com a maior complacência, dava-se demasiado bem com toda a gente. Ele falara-lhe da Sra. Clay com alguma franqueza; parecera que vira claramente o que a Sra. Clay pretendia, que a desprezava; no entanto, a Sra. Clay achava-o tão simpático como toda a gente. Lady Russell via menos ou mais do que a sua jovem amiga, pois não via nada que provocasse desconfiança. Ela não conseguia imaginar um homem mais ideal do que o Sr. Elliot; nem sensação alguma lhe era mais agradável do que a esperança de o ver receber a mão da sua querida Anne na igreja de Kellynch, no Outono seguinte.

domingo, 18 de agosto de 2013

Na prateleira

Acabo de ler uma matéria sobre um estudo inglês que constata que os adolescentes têm problemas para se relacionar com as meninas de sua idade por influência da tecnologia.
" (...) os meninos, pelo fácil acesso à pornografia, acham que as meninas são descartáveis e, por isso, têm utilizado um linguajar insensível. (...) Dentre as 1.000 entrevistas com adolescentes feitas para o estudo, Catherine percebeu que vários garotos estão usando mensagens de texto para conseguir o que eles querem (na maioria das vezes, assuntos relacionados a sexo) sem mesmo dizerem que gosta da pessoa."
[http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/16/estudo-culpa-excesso-de-tecnologia-por-ma-qualidade-de-flerte-de-garotos.htm]
É uma coisa que me chateia, não só no âmbito das relações pessoais mas também profissionais. Somos tratados e, inclusive, tratamos os outros como máquinas.
O ser humano virou um objeto na prateleira, que sai de lá ou é descartado no lixo por motivos superficiais. E o pior: ninguém se move na direção contrária. E mesmo por dentro quebrados com tanta frieza, as pessoas não dão o braço a torcer que estão infelizes. Até quando, né?