segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Frase da semana

"O casamento é uma má idéia se você deseja se casar para ser feliz; mas uma boa escolha se o seu intuito é casar para fazer alguém feliz."
(Djalma Argollo, terapeuta junguiano e presidente da Sociedade AMAR)

Os dois Cs da questão

Outro dia, estava com uma turma de advogados num bar da Magalhães Neto - uma espelunca, por sinal! Um querido amigo estava se despedindo, e lá fui eu dar a volta na city pra ver o "meu mascotinho"[:P] - olha, uma culpa eu não vou levar dessa vida: eu cultivo minhas amizades, e faço é coisa em nome delas!
Conversa vai, conversa vem, as fofocas sobre a vida alheia vêm à tona, e instala-se o momento deprê da noite: os meninos, todos amigos, estavam indignados com um amigo em comum que está sendo corneado, mas custa a dar crédito às evidências, e até às "denúnicas" de alguns outros amigos.
Eu entendi perfeitamente o drama. O episódio diminuiu consideravelmente a admiração deles pelo amigo do peito. E não consigo pensar em muitas coisas mais tristes que amar alguém sem admira-lo. Como diz a menina da novela, "é a treva". Entre os homens essas coisas são piores. Ser corno (desavisado) é uma coisa; resignar-se a ser corno é outra bem diferente. Enfim, eles estavam arrasados com a cornice descarada do fulaninho - fora que não há nada pior do que ver alguém querido entrando numa roubada, e não poder fazer nada.
Quem já não passou por isso, hein? A gente fica cobrando do outro bom senso, coerência, e se choca quando percebe naquela pessoa de quem tanto gostamos algo que vai além da falta disso: a má vontade em ver a verdade. "Mentiras sinceras me interessam". Nunca entendi qual é a graça disso. Tá certo que a gente acredita em um monte de porcaria ao longo da vida. Mas pessoas relativamente saudáveis costumam não saber que são mentiras - as compramos como crenças geralmente por ignorância ou imaturidade. Duro é quando sabemos que se trata de uma ilusão, e (por qualquer motivo não muito digno) descartamos a verdade como quem corta um pedaço de unha. Eu fico, no final das contas, com muita pena. Para que mentiras sinceras interessem, há que se estar muito fragilizado diante da sua própria realidade.
Uma vez, uma pessoa bem próxima a mim, que vivia um namoro vexatório, pediu minha opinião sobre o namorado dela. Eu nunca gostei dele, mas nunca falei nada. Há tempos havia desistido de dar qualquer conselho à fulana (é como eu digo, enquanto eu estiver falando, é porque me importo...). Naquele dia, sentadas no meio fio, eu perdi a paciência, e perguntei a ela, entre berros, o que faltava pra se tocar que o beltrano não tinha um pingo de afeição por ela. Cinco minutos depois me arrependi. Aquele namoro, ainda que falido, era a única coisa que quebrava a monotonia daquela vida tão sem perspectiva. Mesmo de má qualidade, o namorado rendia-lhe histórias, dava-lhe o que conversar com as pessoas. Não lhe falei nenhuma mentira, mas senti que devia ter ficado quieta. Ela sabia perfeitamente daquilo que lhe disse (ô!...), e a minha sinceridade não serviu pra nada além de aumentar a vergonha dela em relação a si mesma. Fiquei me sentindo uma vilã; uma babá malvada que tira o bico da criança (e todos sabemos como esses bicos fazem mal, mas, por outro lado, são o consolo dos bebês).

É que a gente não percebe uma coisa muito óbvia nas relações humanas: mais do que serem convencidas, as pessoas querem ser cativadas. Não há muita gente bem-resolvida (de verdade) circulando por essa Terra. O povo é muito carente, e a vida é uma sucessão de atos repetitivos e mecânicos. No fundo, a esmagadora maioria não está aqui atrás da sua verdade, mas de alguma emoção, ou melhor, de alguma sensação.
Quem tem espírito de "novidadeiro" (aquele tipo de gente que vive pulando de novidade em novidade) tende mais a esse tipo de concessão. Quem tem como meta se superar, se expandir como ser humano segura muito mais a onda e procura não agredir a realidade. Mas não que seja fácil. Às vezes é preciso comprar colhões extras no MercadoLivre.Com pra poder segurar a barra... Ainda mais numa sociedade que prega ser o sofrimento - situação básica da existência humana - coisa de perdedor, de otário.

Há algum tempo já saquei que nem todo mundo agüenta grande dose de realidade, essa é que é a verdade. Pena. Manter-se na zona de conforto pode ser cômodo, mas não costuma gerar crescimento pra ninguém.


Dois celulares

(Calma, que o Edson continua sendo um só, e pertence a Claudia Raia!hehehe)
Há muito venho percebendo que grande parte do povo anda ostentando dois celulares. Com exceção dos médicos, advogados e empresários, não entendo a utilidade de se ter dois celulares para o resto das pessoas. Vai ver que é porque detesto telefone.
Resolvi investigar. Fiz uma pequena enquete com o povo do trabalho, e descobri como isso acontece. Ter dois celulares muitas vezes é como ter duas contas de banco: um dia, por necessidade, você precisa ter uma linha de outra operadora que não a sua (seja por conta do trabalho ou do/a namorado/a), e acaba se acostumando com o fato. Simples assim.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sintonia

Encaixe, desencaixe... Quem já não teve essas sensações - e até se pegou refletindo seriamente sobre isso, sem quase nunca entender muito bem - durante a vida?
Tenho um amigo que, se for contar, só o vi umas cinco vezes em dez anos que nos conhecemos, mas, quando a gente se encontra, é sempre uma festa (nota: ele é gay - antes que alguém pense besteira!), como se o intervalo de tempo não tivesse sido tão grande entre um encontro e outro. Não temos tanto em comum, assim, mas rola uma sinergia incrível. A gente simplesmente se encaixa. Ponto... E como é bom, né? Quando isso acontece comigo, sinto que a alma acorda, sei lá!... Adoro!...
Tem gente que não se encaixa na gente mas nem por decreto! Você tenta resolver pela esquerda, e nada. Você tenta se adequar pela direita, e o desastre aumenta. Você olha, pensa, respira fundo, e simplesmente não entende o porquê do descompasso. Tinha tudo para ir bem, é verdade, mas o fato é que não dá samba. E essas coisas, vejam bem, simplesmente acontecem. Sim, acontecem. E a gente tem que realmente deixar acontecer, pois quando forçamos a barra, geralmente o tiro sai pela culatra.

Mais um fenônemo estranho by Vida para a minha listinha...
Vai ver dona Clarice tem razão, e viver realmente ultrapasse qualquer entendimento.

sábado, 10 de outubro de 2009

A era do tô me achando

Por que necessitamos cada vez mais da aprovação, do amor, da admiração e (até) da inveja dos outros? Entenda como funcionam os mecanismos da vaidade – e saiba como se imunizar para não ficar se achando a última bolacha do pacote

texto Ronaldo Bressane

“Bacanas teus óculos”, falei. Leves, classudos, num tom esportivamente escuro, cada lente com uma sombra que subia de baixo para cima, tornavam misterioso o olhar do amigo, um jovem editor. Comentei que nunca o tinha visto de óculos. Ele devolveu: “Pois é, mas eu estava com a vista cada vez mais cansada, até que fui ao oculista e ele me disse que precisava usar. Dois graus de miopia. Excesso de leitura. Fazer o quê...”, compungiu-se, o olhar vago, empurrando o par de lentes nariz acima com um charme intelectualmente sofrido. Mês depois, encontrei uma amiga cujo pai é oftalmologista. Entre anedota e outra, ela me contou que um curioso cliente do pai havia pedido um modelo de óculos sem grau. É, era ele mesmo – o editor.
Vivemos tempos curiosos. A cada segundo, e através de todos os meios possíveis, somos expostos aos corpos mais perfeitos, às biografias mais irretocáveis, à pose generalizada de famosos e anônimos. Vaidade pura. Mas um momento: você já experimentou sair por aí todo mulambento, comparecer despenteado a uma entrevista de emprego, esconder de parentes e amigos aquele êxito nos estudos? Impossível, não? Porque, hoje, não ter vaidade – não ter o hábito de apregoar aos quatro cantos, reais e virtuais, o quanto você pode ser atraente, sensacional e único – parece ser um dos maiores pecados da nossa era, esse tempo em que todo mundo parece estar “se achando”.
Por isso, os óculos de araque do meu amigo. No meio altamente intelectualizado em que ele vive, circulando entre Festas Literárias de Paraty e debates seguidos de sessões de autógrafo nas livrarias mais chiques do eixo Rio-São Paulo, ostentar uma armação bacanuda é o equivalente, em termos culturais, às pernas muito bem torneadas – horas de academia – da mocinha da novela das 8. Ou seja: tudo é vaidade.
Vício letal? Parece fácil, mas vaidade, como parâmetro norteador desta época, é algo bastante volátil para definir. Vai longe o tempo em que ser vaidoso bastava para condenar um cidadão, ou editor, ao inferno. No início da cristandade, a vaidade, sob a alcunha de vanglória, foi pecado capital; por volta de 1500, integrou a lista na forma de orgulho ou soberba; ainda é a mais diabólica contravenção para os cristãos ortodoxos; segue relacionada à Prostituta da Babilônia no Apocalipse. Foi o que conduziu Lúcifer, mais belo dos anjos, do lado direito do Senhor aos portões do inferno, por rejeitar a imagem de Deus em benefício da própria. Vanitas vanitatum, omnia vanitatum, diz o Qohélet (Eclesiastes), sobre o sentido da vida – a tradução corrente é “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”, porém o poeta e tradutor Haroldo de Campos preferiu cercar a expressão “vacuidade” do hebraico ao termo “ilusão”. E, quando iniciamos o passeio pelo significado da palavra, este se adensa, ao mesmo tempo que esfumaça... Bem, estamos falando de aparências.
Pelo Dicionário Analógico da Língua Portuguesa de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, inexplicavelmente esgotado desde 1984, “vaidade” tem 71 substantivos afins, incluindo “ânsia incontida de despertar a admiração”, “parlapatonice”, “exibicionismo”, “pretensão”, “megalomania”, “egoísmo”, “inchaço” e, claro, “narcisismo”. (Um dicionário analógico não traz sinônimos, e sim conceitos dispersos pelo campo semântico das palavras; este do lendário Santos Azevedo, mestre de Sérgio Buarque de Holanda, estrutura-se em exatos mil verbetes, começando em “existência” e terminando em “templo”; “vaidade” está entre “ostentação” e “orgulho”.)
Meu sinônimo favorito, o que ajuda a iluminar nosso tempo, é “inchaço”. Até por causa da característica física da palavra – como se o vaidoso estivesse “cheio de si”. Mas que seria concretamente esse “si”? O ser ou o nada? Batom, botox ou fotos bacanas no Facebook? Sapatos Gucci, um iPod novo ou um belo currículo na Casa do Saber? O cabelo do Justus, a peruca da Dilma, os pneus de Ronaldo Fenômeno, o bigodão de José Sarney, o retrato de Dorian Gray? A obsessão pela juventude dos sessentões vampirescos atrás das menininhas, a susanavieirização do mulherio? A vaidade sempre seria ruim, ou poderia ser um componente positivo da competitividade, um estímulo caprichoso à autoafirmação? Ou seria mesmo um vício – e um vício letal, matando tanto anônimos que tentam ficar lindos na mesa da lipoaspiração quanto os Michael Jacksons que lutam pela glória através de remédios contra a dor de horas de torturantes exercícios físicos?
Narcisismo epidêmico
Óbvio que, na sua ampla e incansável psiquiatrização do cotidiano, os norte-americanos já tratam a vaidade como patologia. Autora de Generation Me (“Geração eu”, sem edição brasileira), a psicóloga Jean Twenge crê que a autoconfiante geração nascida em 1980 – que passa horas lambendo as migalhas da própria existência entre o Facebook e o Myspace – é muito mais narcisista que as gerações anteriores.
Twenge trabalhou com o colega W. Keith Campbell no recém-lançado best-seller a analisar os miolos moles dos ianques: The Narcissism Epidemic (“O narcisismo epidêmico”, ainda sem edição brasileira). Para a dupla, a coisa ficou preta e o espelho trincou – e o resultado, ora vejam, é o bode expiatório da vez, a malfadada crise econômica. Parece meio infame, tanto quanto o transtorno obsessivo narcisista (leia na pág. 27). Mas faz sentido – sobretudo para a alma norte-americana, sempre tão disposta a diagnosticar- se e tratar-se e partir para o próximo transtorno como se não houvesse amanhã, caso a doença mexa no bolso. Em entrevista à revista de educação US World Report, Campbell afirma ter comparado as pesquisas com jovens entre narcisistas e obesos: “Os resultados foram bem semelhantes”, diz. Numa amostragem de 35 mil jovens, a dupla de psicólogos descobriu que 6% sofriam de transtorno obsessivo narcisista. Contudo, somente 3% das pessoas acima de 65 anos tinham esse transtorno. “Um dado a comprovar que estamos em uma epidemia fora de controle”, afi rma o psicólogo.
Ele enumera quatro causas: a educação dos pais, a cultura de celebridades, a mídia e o crédito barato. “Muitos pais tratam seus filhos como reis”, diz. “Reality shows são altamente narcisistas, e supõe-se que sejam a vida real; neles, subentendese que o narcisismo é algo normal.” Campbell é especialmente duro com a rede. “As pessoas nunca falam que leem Guerra e Paz, de Leon Tolstói, no Myspace. Em vez disso, colocam fotos sensuais, a coleção de amigos, as músicas legais. Para piorar, crédito barato faz com que os jovens gastem para se parecerem melhores do que realmente são. Têm coisas que não fizeram força nenhuma para pagar.” Claro que esse argumento financeiro tem muito a ver com a realidade americana, onde bolhas econômicas costumam ser uma rotina – mas, afinal, o mundo está cada vez mais parecido com os Estados Unidos.
Vaidosos Anônimos
Provavelmente, a valorização do discurso da autoestima e a febre da autoajuda são culpadas dessa apoteose ao me-achismo. Porém, como depois da tempestade sempre vem a ambulância, conforme deduziria o pensador Vicente Matheus, imagino que daqui a alguns anos a loucura narcísica dará valor à autocasca-debanana, ao autofail: aprenderemos a puxar em público nosso próprio tapete. Como bem o faz esse grande vaidoso que é Woody Allen (vai dizer que deixar de ir receber um Oscar porque a data caía no mesmo dia em que ele toca com sua banda de jazz em um clubinho de Nova York não é o extremo da vaidade?). Esse culto desenfreado ao amor-próprio ainda vai produzir coisas estranhas... Em breve, abrirão inscrições para os Vaidosos Anônimos. Pode escrever.
Por enquanto, vamos vivendo a grande época da vaidade. A imodéstia saiu do armário e está toda serelepe: não à toa a burca foi proibida na França pelo presidente Nicolas Sarkozy (cuja soberba se estende dos saltos nos sapatos que o elevam à não menos digna de vaidade primeiradama Carla Bruni). Mas... não seria também a burca, ao esconder a figura feminina (ou os filhos do finado Michael Jackson), sinal de extrema vaidade? Não é cinismo: segundo o Islã, o véu torna as mulheres atraentes porque sutilmente apela à sua vaidade. Não importa quão feia ou velha seja a muçulmana: qualquer homem fica louco à mera visão de seus cabelos descobertos. Assim, sob seu modesto esconderijo, uma muçulmana é a mais desejável das criaturas. Já as pobres ocidentais, agindo livres, encontrando-se com homens em situações prosaicas, acabam, pela rotina, se tornando sem graça. A não ser que sejam jovens e belas, cairão fatalmente sob o olhar indiferente dos pares – deixarão de ser tratadas como objeto de mistério para virarem meros objetos sexuais. O que me faz pensar na pretensa vaidade de sujeitos como os escritores americanos Thomas Pynchon e JD Salinger, e os brasileiríssimos Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, reclusos ou arredios assumidos. Fogem de entrevistas e retratos como Madonna das trevas do anonimato. Paradoxo de hoje: o véu que os cobre não os tornará bem mais valorizados?
Na outra ponta do estudo do narcisismo, o filósofo francês Gilles Lipovetsky faz uma abordagem ao mesmo tempo eufórica e catastrófica – espelho fiel do espírito da época, a que ele nomeia de forma eloquente, ao gosto dos franceses, como A Era do Vazio. O próprio texto de Lipovetsky é hiperbólico, afeito aos paradoxos, extremamente vaidoso, cioso de si. Mas delicioso, e crivado de teses brilhantes. Em O Império do Efêmero, Lipovetsky faz uma leitura bastante original da cultura contemporânea através da importância cada vez mais crescente da moda. Muito gaulesmente, diz que a moda – espe- cificamente a fl orescida em Paris – condensa na ideia de individualidade os ideais da Revolução: liberdade, igualdade, fraternidade.
Solidão em massa
“A promoção das frivolidades só se pôde efetuar porque novas normas se impuseram, desqualificando o culto heroico de essência feudal e a moral cristã tradicional, que considera as frivolidades como signos do pecado do orgulho”, afirma Lipovetsky. “Da ideia de altivez relativa à dignificação das coisas terrestres saiu o culto moderno da moda, uma das manifestações (...) da humanização do sublime.” O filósofo não separa a moda – e, assim, o fascínio pelo Novo – da ideologia individualista, do culto ao bem-estar, aos gozos materiais, ao desejo de liberdade, à vontade de enfraquecer a autoridade e as coações morais, ao triunfo da ideologia do prazer.
No entanto, Lipovetsky lembra que a busca dos valores individuais traz um fenômeno ainda mais estranho que o estudado pelos senhores psicólogos acima: a “solidão em massa” refletida no número cada vez maior de suicídios. “A era da moda consumada é inseparável da fratura na comunidade e do déficit de comunicação: as pessoas se queixam de não serem compreendidas ou ouvidas, de não saberem se exprimir” – uma festa de autistas que lembra um pouco uma rave impulsionada por ecstasy, ou uma sessão furibunda de Twitter movida a banda larga.
O pensador francês sugere que vivemos um segundo momento da Era do Vazio, em que “a busca da riqueza não tem nenhum objetivo senão excitar admiração ou inveja”. Nesse mundo ultracompetitivo, o Outro só faz sentido se viabilizar o sucesso do Eu. No igualmente sombrio e triunfante A Era do Vazio, Lipovetsky aproxima os conceitos de vacuidade e vaidade, vazio e Narciso: “Que outra imagem é melhor para significar a emergência de individualismo na sensibilidade psicológica, centrada sobre a realização emocional de si mesma, ávida de juventude, de esportes, de ritmo? (...) O neonarcisismo é psicologia pop: a expressão sem retoques, a prioridade do ato de comunicação sobre a natureza do comunicado, a indiferença em relação aos conteúdos, a assimilação lúdica do sentido, a comunicação sem finalidade e sem público, o remetente transformado em seu principal destinatário”.
Em uma imagem que resuma tudo: o meu elegante amigo observando-me superior por trás das lentes falsas, feliz da vida por enganar a si mesmo.

LIVROS O Império do Efêmero, Gilles Lipovetsky, Companhia das Letras A Era do Vazio, Gilles Lipovetsky, Manole

Você precisa estar no centro das atenções (médicas) se...

• Possui senso grandioso de autoimportância (espera ser reconhecido como superior sem que tenha feito ações à altura)
• Preocupa-se com fantasias de sucesso, poder, brilho, beleza ou amor ideal ilimitados
• Acredita que é “especial” e que só pode ser compreendido por outras pessoas especiais ou de status elevado
• Precisa de admiração excessiva
• Sente-se em posição de possuir direitos, ou seja, tem expectativas além do razoável de receber tratamento favorável ou de aceitação automática das suas expectativas
• Aproveita-se de relacionamentos interpessoais, isto é, manipula os demais para atingir seus próprios objetivos
• Não demonstra empatia, não tem disposição para reconhecer os sentimentos e as necessidades alheias ou identificar-se com isso
• Muitas vezes inveja os demais ou acredita que os outros o invejam
• Demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes
• Leu este teste observando-se ao espelho (brincadeira...)

Fonte: DSM-IV, Diagnostic and Statistic Manual of Mental Disorders,


Fonte: Revista Vida Simples, "Grandes Temas", outubro de 2009.

sábado, 3 de outubro de 2009

Cães & Gatos

Outro dia, assistindo a "Paraíso", ouvi uma comparação interessante feita por uma das personagens: "Cachorros seguem o caminhão da mudança; gatos ficam na casa".
Você é cachorro ou gato? Não entendeu? Eu quero saber se você segue os seus instintos ou se opta pela situação mais cômoda pra você.
Nunca gostei de gatos. Que me perdoem os admiradores dos felinos, mas os cachorros, sim, são fundamentais. Claro que se trata de uma questão de identificação. Nunca fui muito egoísta, no sentido "farinha pouca, meu pirão primeiro"; minhas tendências sempre foram mais gregárias, assim como são as dos cães. Ah, pra quê cuidar de um animal que só quer receber e pouco dá?
O cão é um ser sentimental, carinhoso e leal. Tanto é que o relacionam muito a palavra "amizade". "O cachorro é o melhor amigo do homem", dizem. O gato é o esperto, o malandro. Dizem do ladrão que se trata de um "gatuno".

Estereótipos, claro. De cão e de gato, para o bem e para o mal, todos temos um pouco.