Mulheres, como os homens falam merda sobre a gente. Impressionante!... Estava lendo um texto bacana sobre o tal macho alfa e quanto homem falando babaquice nos comentários.
Homem se ilude que dinheiro e fama vão atrair qualquer mulher, por mais babaca que ele seja. Não é bem assim. Mulher que segura essa onda - pra mim, pelo menos, seria um martírio - quer um "homem troféu" assim como esse homem quer uma "mulher troféu". Parece que muitos cristalizam os traumas da adolescência. Mas muito do que eles nos acusam a gente também sofre. Você pode ser a melhor das mulheres, que se não tiver atrativos físicos vai dançar. Eu vejo muito mais mulheres com caras inferiores a elas que o contrário. O pior homem terá uma mulher, no mínimo, melhor partido que ele. É que nós nos esforçamos mais. Aliás, se a coisa não estivesse tão fácil para eles, elas não se sentiriam tão pressionadas a alcançar a perfeição.
Lógico, no começo da vida, quando você é adolescente e está tentando se testar, você vai ligar pra gente que é mais apreciada socialmente, querendo sugar esse prestígio. Mas, com o amadurecimento você percebe que isso conta pouco, que o que vale é a pessoa te valorizar, é o encaixe de personalidades e expectativas. Tá certo que eu sou um ser que tende a uma lógica pouco popular na sociedade, mas mesmo quando era adolescente, o modo como me tratava era preponderante para me despertar sentimentos. Olha, por um par de vezes eu percebi que despertei sentimentos em rapazes considerados bonitos, um deles era bastante disputado na escola, acho até que era o mais disputado (esse é o lado A de ser uma mulher estranha: a maioria não vai ter olhos para você, mas quem tem se impacta porque justamente há algo diferente ali que não se encontra fácil). Eu achei legal, claro, desse último eu até gostei muito, mas não fui atrás porque não demonstraram fazer questão de mim, além de não saber muito o que fazer nessas situações até hoje, confesso. Você pode dizer que isso é antiquado, mas para mim é muito importante. Sempre observei que, num relacionamento, as mulheres costumam tomar à frente depois que o namoro começa, então se um homem não está disposto nem a dar o primeiro passo, que posso esperar dele?
Não posso falar por todas, obviamente, mas creio que, como canta Tina Turner, o que toda mulher quer é "a little reaction". É ação, vontade de estar junto. Isso não tem nada a ver com agressividade, com ansiedade, com ser chato ou fake. Seja você mesmo, mas esteja presente. Apenas isso. Um homem bacana, que demonstre amar sua companheira, responsável e com quem ela possa contar. Simples assim (lembrando que a questão da química física também é importante, não dá pra ficar com quem você não sente tesão e ninguém é obrigado a isso, né?). Mulher, via de regra, se excita percebendo que atrai o homem. Bem, se a mulher é competitiva, vai gostar de tomar a iniciativa e, principalmente, de disputar o macho com outra. E isso tá mais para vaidade que para amor. Se for do meu clube, vai interpretar a falta de atitude como falta de interesse e vai brochar com isso, afinal, quem te quer de verdade não te põe em dúvida, em bola dividida.
Enfim, a coisa não tem e tem segredo ao mesmo tempo. Mas se nem todos são agraciados com beleza e status, a maioria pode se tornar charmosa, se se despuser a isso, claro.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 12 de fevereiro de 2017
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Manifesto 08 de março
Fiz um teste hoje que perguntava qual era o meu tipo junguiano. Deu "o rebelde". Bem, se você olhar pela descrição clássica, estereotipada da coisa, não vou ter nada a ver com isso. Mas se considerar que eu sempre me esforço a pensar por conta própria e sigo um caminho bastante próprio, apesar das cartilhas sociais... Nada mais subversivo nesse século 21 de performances sem substância e repetitivas facilmente aplaudidas nas redes sociais e de confrontos de "facções" ideológicas.
Eu vejo dois grupos distintos, basicamente, disputando o palco da esfera pública, atualmente: um, dito mais progressista, defende avanços nos Direitos Humanos e quer parecer civilizado; o outro deseja preservar as tradições e quer soar sério, sólido e imaculado, à prova de "modismos". Dá vontade de dizer aos "apocalipticos" que a liberdade também tem as suas armadilhas, como tudo na vida, e que é um processo, portanto não adianta querer que as coisas aconteçam de uma hora para outra. Mesmo as pessoas de coração aberto vão levar tempo, porque, a propósito, não existe desconstrução, como andam dizendo por aí. Existe é a construção de novos pensamentos e valores e isso não se faz usando varinha de condão, mas aprendendo, confrontando saberes e assimilando aos poucos os novos hábitos. Dá vontade de lembrar, ainda, que defender ideais de liberdade não faz ninguém automaticamente melhor, até porque tem um monte de gente "desfilando nesse bloco" sem saber quem é e o que quer, apenas seguindo a manada porque, justamente, estar nesse roll confere uma aura de civilização, sofisticação, um selo que vale muito para quem quer fazer parte de alguns meios e ser considerado por um certo tipo de gente. Olhando algumas dessas pessoas atentamente, é impossível não notar que, na prática, a teoria é outra. Para o grupo que anda mais magoado, ressentido e deprimido (pela recente exposição das suas mesquinharias e agressões ao longo da História... Bem, um dia a casa tinha que cair mesmo...), o recado é mais breve: Migos, ninguém quer mexer com vocês, não pirem na batatinha achando que há complô gayzista, cristofóbico, maconheiro e feminazi. Ninguém estaria nem aí para vocês se não quisessem tanto atrapalhar as decisões dos OUTROS, que nada tem a ver com vocês. Acho bem razoável que cada um viva como quer. Problema seu se os seus valores estão caindo em desuso e parecem menos atraentes ao longo do tempo, se seus privilégios estão diminuindo, como, aliás, tem que ser. Você não deveria se indignar tanto quando uma minoria aponta a sua opressão histórica, as vantagens que arrancou à força, porque essa história não é só dos privilegiados, mas dos oprimidos e, portanto, é bastante razoável que eles tenham o direito de contá-la. Uma dica: faz parte da experiência humana, é pra frente que se anda (às vezes), mesmo que seja pra dar topada. Assim como pra turma dos "apocaliptícos", é conveniente destacar que ser um "integrado" não te faz automaticamente uma pessoa melhor, séria e respeitável. Isso é conquista de uma vida, um esforço contínuo e existem vários modos de viver uma determinada faceta, não há fórmula pronta como vocês acham que existe.
Minha sensação é que estou entre dois mundos. Porque eu tenho valores e sentimentos que são considerados anacrônicos, antiquados, segundo a cartilha dos civilizados. Sabe, acho legal ser vegano, mas não vou me violentar, se eu sinto falta de produtos de origem animal, para parecer um ser humano melhor, até porque - ok, parabéns para quem consegue - não é isso que faz alguém ser melhor. Por outro lado, acho doentio esse apego ao passado, à tradição, vejo mais sentido em lutar pelo que ainda não se experimentou - embora a mudança pela mudança às vezes não seja interessante, não represente ganho - do que ficar abraçado ao que está limitado, por costume, por medo, por teimosia. Só sei que eu já aceitei que não adianta me forçar a nada. As coisas vão acontecer no meu tempo e do meu jeito. Eu gosto muito de pensar com a minha própria cabeça, odeio me ver pressionada a ser como alguém (ns) espera(m).
E é isso que para mim é ser uma pessoa do meu tempo. É, diante da gama de informações e possibilidades, saber pensar por conta própria e agir conforme a minha cabeça/natureza. Só assim, acho, poderei dar alguma contribuição, criar algo, transformar as coisas, nem que seja só para mim mesma - há muito tempo eu já me liberei da utopia de salvar o mundo; se conseguir só comigo, já haverá tido revolução e das grandes.
No Dia Internacional da Mulher, numa época em que está tão em voga a questão do empoderamento das minorias, eu gostaria que as mulheres saíssem um pouco do "discurso pronto de caixinha" e se conectassem mais com as suas almas e, através dessa singularidade, fossem mais solidárias às buscas e recusas das outras e outros. Outro dia, conversando sobre isso com uma amiga, ela reproduziu uma interessante observação feita por uma amiga dela, que disse mais ou menos assim: "Quando eu passei batom vermelho, as pessoas comentaram que eu estava empoderada, elogiaram. Mas no dia em que eu saí sem batom, sem maquiagem, ninguém comentou meu empoderamento". Tá vendo aí como até gente que se acha "pra frentex" pode ter uma visão óbvia, decepcionante? Um mundo livre é um mundo onde todo mundo tem a mesma dignidade, qualquer que seja o "cardápio" escolhido. Como se vê, estamos bem longe disso. Por isso, meu povo, é "lutai e vigiai" sempre, até as hierarquias se afrouxarem de vez. Com sorte e perseverança, quem sabe daqui a uns três séculos a gente chega lá.
Eu vejo dois grupos distintos, basicamente, disputando o palco da esfera pública, atualmente: um, dito mais progressista, defende avanços nos Direitos Humanos e quer parecer civilizado; o outro deseja preservar as tradições e quer soar sério, sólido e imaculado, à prova de "modismos". Dá vontade de dizer aos "apocalipticos" que a liberdade também tem as suas armadilhas, como tudo na vida, e que é um processo, portanto não adianta querer que as coisas aconteçam de uma hora para outra. Mesmo as pessoas de coração aberto vão levar tempo, porque, a propósito, não existe desconstrução, como andam dizendo por aí. Existe é a construção de novos pensamentos e valores e isso não se faz usando varinha de condão, mas aprendendo, confrontando saberes e assimilando aos poucos os novos hábitos. Dá vontade de lembrar, ainda, que defender ideais de liberdade não faz ninguém automaticamente melhor, até porque tem um monte de gente "desfilando nesse bloco" sem saber quem é e o que quer, apenas seguindo a manada porque, justamente, estar nesse roll confere uma aura de civilização, sofisticação, um selo que vale muito para quem quer fazer parte de alguns meios e ser considerado por um certo tipo de gente. Olhando algumas dessas pessoas atentamente, é impossível não notar que, na prática, a teoria é outra. Para o grupo que anda mais magoado, ressentido e deprimido (pela recente exposição das suas mesquinharias e agressões ao longo da História... Bem, um dia a casa tinha que cair mesmo...), o recado é mais breve: Migos, ninguém quer mexer com vocês, não pirem na batatinha achando que há complô gayzista, cristofóbico, maconheiro e feminazi. Ninguém estaria nem aí para vocês se não quisessem tanto atrapalhar as decisões dos OUTROS, que nada tem a ver com vocês. Acho bem razoável que cada um viva como quer. Problema seu se os seus valores estão caindo em desuso e parecem menos atraentes ao longo do tempo, se seus privilégios estão diminuindo, como, aliás, tem que ser. Você não deveria se indignar tanto quando uma minoria aponta a sua opressão histórica, as vantagens que arrancou à força, porque essa história não é só dos privilegiados, mas dos oprimidos e, portanto, é bastante razoável que eles tenham o direito de contá-la. Uma dica: faz parte da experiência humana, é pra frente que se anda (às vezes), mesmo que seja pra dar topada. Assim como pra turma dos "apocaliptícos", é conveniente destacar que ser um "integrado" não te faz automaticamente uma pessoa melhor, séria e respeitável. Isso é conquista de uma vida, um esforço contínuo e existem vários modos de viver uma determinada faceta, não há fórmula pronta como vocês acham que existe.
Minha sensação é que estou entre dois mundos. Porque eu tenho valores e sentimentos que são considerados anacrônicos, antiquados, segundo a cartilha dos civilizados. Sabe, acho legal ser vegano, mas não vou me violentar, se eu sinto falta de produtos de origem animal, para parecer um ser humano melhor, até porque - ok, parabéns para quem consegue - não é isso que faz alguém ser melhor. Por outro lado, acho doentio esse apego ao passado, à tradição, vejo mais sentido em lutar pelo que ainda não se experimentou - embora a mudança pela mudança às vezes não seja interessante, não represente ganho - do que ficar abraçado ao que está limitado, por costume, por medo, por teimosia. Só sei que eu já aceitei que não adianta me forçar a nada. As coisas vão acontecer no meu tempo e do meu jeito. Eu gosto muito de pensar com a minha própria cabeça, odeio me ver pressionada a ser como alguém (ns) espera(m).
E é isso que para mim é ser uma pessoa do meu tempo. É, diante da gama de informações e possibilidades, saber pensar por conta própria e agir conforme a minha cabeça/natureza. Só assim, acho, poderei dar alguma contribuição, criar algo, transformar as coisas, nem que seja só para mim mesma - há muito tempo eu já me liberei da utopia de salvar o mundo; se conseguir só comigo, já haverá tido revolução e das grandes.
No Dia Internacional da Mulher, numa época em que está tão em voga a questão do empoderamento das minorias, eu gostaria que as mulheres saíssem um pouco do "discurso pronto de caixinha" e se conectassem mais com as suas almas e, através dessa singularidade, fossem mais solidárias às buscas e recusas das outras e outros. Outro dia, conversando sobre isso com uma amiga, ela reproduziu uma interessante observação feita por uma amiga dela, que disse mais ou menos assim: "Quando eu passei batom vermelho, as pessoas comentaram que eu estava empoderada, elogiaram. Mas no dia em que eu saí sem batom, sem maquiagem, ninguém comentou meu empoderamento". Tá vendo aí como até gente que se acha "pra frentex" pode ter uma visão óbvia, decepcionante? Um mundo livre é um mundo onde todo mundo tem a mesma dignidade, qualquer que seja o "cardápio" escolhido. Como se vê, estamos bem longe disso. Por isso, meu povo, é "lutai e vigiai" sempre, até as hierarquias se afrouxarem de vez. Com sorte e perseverança, quem sabe daqui a uns três séculos a gente chega lá.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Minha eterna desconfiança das multidões
Estou há dois dias com ressaca moral por ter dito algumas coisas a um amigo que é militante, mas que tem os lados A e B da "geração tombamento": a audácia e a arrogância. Nem houve desrespeito ou coisa do tipo, não foi nada de mais. Eu apenas comentei com ele sobre um texto de um blog que detonava o oba oba da cibermilitância negra diante do comercial da Avon que, supostamente, celebrava a "diversidade". Confesso que me solidarizei imediatamente porque achei ridículo um caso parecido, o oba oba em cima da abertura do último "Amor & Sexo". Ok, é um feedback valioso para a luta, mas bater palminhas para quem abraça a causa depois que ela vira algo comercialmente interessante é demais para meu Tico e meu Teco, na boa.
Claro, há pontos no texto do blog que são dispensáveis, mas há outros interessantes, sem dúvida, que não são nada de outro mundo, mas que a militância se recusa a aceitar, como qualquer crítica vinda de fora (nem sei se são capazes de fazer críticas entre eles, de tão doutrinados que parecem às vezes). Vi esse texto numa lista com vários militantes e os contra argumentos se resumiam a: "Lá vem o homem branco querendo nos ensinar a como pensar e agir" e "Mas a luta de classes é inerente à luta racial (porque o autor da crítica basicamente defende que isso é o cerne da questão, a luta de classes, e que o Movimento Negro já fica de sorriso de orelha a orelha apenas por ser percebido como consumidor, o que ele julga como uma reação medíocre). Meias verdades, né, mores? Nada fora do comum nessa época de "pós-verdades". E o pior: ditas com a convicção absoluta de quem, a despeito da capacidade intelectual (que eu considero alta, o que aumenta a decepção), se acha a régua do mundo, em especial dessa causa. Eu vejo algumas explicações para isso, mas falarei mais a respeito adiante.
Meu amigo me ignorou em alta, ficou no silêncio absoluto, como se eu não tivesse dito nada a ele, reação típica de quando ele discorda, mas não quer aparentar que ficou afetado. Contracenei com ele fingindo que não havia notado o texto contido no silêncio dele - sim, a ausência de texto é obviamente um texto em si - e desse jeito "la nave va", né?
Eu tenho uma relação ambígua com a cibermilitância (de certo modo, são os mesmos problemas da militância, mas pelo menos a galera do mundo físico tá gastando gogó e suor, tirando a bunda do sofá e isso eu respeito, até porque eu deveria me engajar mais também, embora eu eventualmente participe das reuniões e passeatas). Por um lado, eu acho massa que as pessoas estejam discutindo e que, por conta disso, estejam exercendo pressão e causem efeitos relevantes. Do outro, vejo muita gente se comportando que nem criança e se achando a régua do mundo, o próximo Martin Luther King. Nesse último ponto, três coisas me irritam em particular: a) O comportamento de manada, de todo mundo repetir o mesmo discurso, me levando à suspeita de que não pararam sequer para refletir sobre ele; b) A violência com que tratam qualquer tentativa de argumentação contrária; c) A autopromoção de algumas pessoas que usam essas bandeiras como se fossem uma roupa de grife e você percebe claramente que a criatura não estaria nesse fogo todo se não fosse chique ser engajado socialmente em alguns círculos sociais. Levantar certas bandeiras, reproduzir determinados discursos confere uma aura de civilidade 0800 a qualquer figura, ainda mais quando a criatura tem o "fisique du role".
Tive uma colega na turma de pós-graduação que ancora a identidade dela em cima do Movimento Feminista. Sério: se você soprar isso, só sobram os óculos e o cabelo (mas, para deixar bem claro, pra não dar uma impressão contrária e inverídica, eu diria que ela é uma boa pessoa, uma moça esforçada, apesar do lado B que vou relatar a seguir). A jovem tem 22 anos, é um exemplar típico da classe média que faz parte da "geração tombamento" e é seguida por vários pares nas redes sociais, onde praticamente ela fala só disso: de feminismos, empoderamento e de solidariedade e reconhecimento das minorias. Houve um dia, em uma disciplina que falava sobre África, no qual ela, moça branca, sinalizou que sempre quis muito perguntar algo ao povo do Movimento Negro, no entanto morreu na praia, apesar da afetuosa insistência do grupo, em especial daqueles mais competentes para responder esse tipo de questão (no MN, confesso, eu gosto das mulheres mais velhas, aquelas que aprenderam com a vida, que deram a cara pra bater quando isso marginalizava de fato uma pessoa. Havia algumas delas na minha sala, para a nossa sorte! <3). A moça repetia, com muita ênfase, que tinha medo de magoar alguém. Mas eu saquei logo o personagem, que a razão principal para a hesitação era outra: o medo de parecer menos esclarecida e arranhar a imagem de "moça desconstruída" que ela tanto se esforça para consolidar, especialmente nas redes sociais e que traz reações fortes e apaixonadas de seus seguidores. Enfim, ela perdeu uma oportunidade de aprender para preservar a imagem de engajada. Sim, meus caros, porque é falando (eventualmente) besteira e principalmente sendo humilde que a gente aprende. Faz parte, como cantava Raulzito, "dizer agora o oposto do que eu disse antes". Por que, aliás, disse lá em cima que aquela conversa com meu amigo me deu ressaca moral? Porque além do gelo dele, que indicou uma recusa em conversar comigo (e o motivo real nunca saberei, embora tenha desconfianças), admito que realmente posso não estar vendo algo importante e falando besteira. Mas como saber sem testar, sem questionar, sem me lançar? Enfim, a dúvida gera angústia, ainda mais quando você se preocupa em pensar "certo", em ser o mais justo possível...e em ter um argumento melhor do que o seu opositor mediano, para quem você não quer perder a discussão, hehe.
Mas, olha, a militância é a minha implicância mais light quanto a grupos. Pois é, eu percebo que minha desconfiança é, na verdade, voltada à merda em potencial quando há muita gente junta; a muito comportamento parecido, o que não é nada natural, obviamente; de muita boa intenção, na quantidade mais que suficiente para encher o inferno duas vezes. Eu sempre acho que em muitos casos há algo por trás, uma grande motivação que não quer se fazer evidente, sob a capa da civilidade, da moral e dos bons sentimentos. Pode culpar o meu Mercúrio na casa 8, descrito pelos textos astrológicos como "cônscio da motivação", na falta de explicação mais satisfatória e lógica.
Não é por nada não, apenas sou humana e como ser humano - do tipo que escrafuncha a própria sombra - eu sei que sempre existe um lado B e verdades internas que, na melhor das hipóteses, nem nós mesmos reconhecemos. Não é um cenário belo o das segundas intenções, mas é plenamente humano. Por que as pessoas se recusam tanto a admiti-lo? É tão útil, apesar de doloroso.
Claro, há pontos no texto do blog que são dispensáveis, mas há outros interessantes, sem dúvida, que não são nada de outro mundo, mas que a militância se recusa a aceitar, como qualquer crítica vinda de fora (nem sei se são capazes de fazer críticas entre eles, de tão doutrinados que parecem às vezes). Vi esse texto numa lista com vários militantes e os contra argumentos se resumiam a: "Lá vem o homem branco querendo nos ensinar a como pensar e agir" e "Mas a luta de classes é inerente à luta racial (porque o autor da crítica basicamente defende que isso é o cerne da questão, a luta de classes, e que o Movimento Negro já fica de sorriso de orelha a orelha apenas por ser percebido como consumidor, o que ele julga como uma reação medíocre). Meias verdades, né, mores? Nada fora do comum nessa época de "pós-verdades". E o pior: ditas com a convicção absoluta de quem, a despeito da capacidade intelectual (que eu considero alta, o que aumenta a decepção), se acha a régua do mundo, em especial dessa causa. Eu vejo algumas explicações para isso, mas falarei mais a respeito adiante.
Meu amigo me ignorou em alta, ficou no silêncio absoluto, como se eu não tivesse dito nada a ele, reação típica de quando ele discorda, mas não quer aparentar que ficou afetado. Contracenei com ele fingindo que não havia notado o texto contido no silêncio dele - sim, a ausência de texto é obviamente um texto em si - e desse jeito "la nave va", né?
Eu tenho uma relação ambígua com a cibermilitância (de certo modo, são os mesmos problemas da militância, mas pelo menos a galera do mundo físico tá gastando gogó e suor, tirando a bunda do sofá e isso eu respeito, até porque eu deveria me engajar mais também, embora eu eventualmente participe das reuniões e passeatas). Por um lado, eu acho massa que as pessoas estejam discutindo e que, por conta disso, estejam exercendo pressão e causem efeitos relevantes. Do outro, vejo muita gente se comportando que nem criança e se achando a régua do mundo, o próximo Martin Luther King. Nesse último ponto, três coisas me irritam em particular: a) O comportamento de manada, de todo mundo repetir o mesmo discurso, me levando à suspeita de que não pararam sequer para refletir sobre ele; b) A violência com que tratam qualquer tentativa de argumentação contrária; c) A autopromoção de algumas pessoas que usam essas bandeiras como se fossem uma roupa de grife e você percebe claramente que a criatura não estaria nesse fogo todo se não fosse chique ser engajado socialmente em alguns círculos sociais. Levantar certas bandeiras, reproduzir determinados discursos confere uma aura de civilidade 0800 a qualquer figura, ainda mais quando a criatura tem o "fisique du role".
Tive uma colega na turma de pós-graduação que ancora a identidade dela em cima do Movimento Feminista. Sério: se você soprar isso, só sobram os óculos e o cabelo (mas, para deixar bem claro, pra não dar uma impressão contrária e inverídica, eu diria que ela é uma boa pessoa, uma moça esforçada, apesar do lado B que vou relatar a seguir). A jovem tem 22 anos, é um exemplar típico da classe média que faz parte da "geração tombamento" e é seguida por vários pares nas redes sociais, onde praticamente ela fala só disso: de feminismos, empoderamento e de solidariedade e reconhecimento das minorias. Houve um dia, em uma disciplina que falava sobre África, no qual ela, moça branca, sinalizou que sempre quis muito perguntar algo ao povo do Movimento Negro, no entanto morreu na praia, apesar da afetuosa insistência do grupo, em especial daqueles mais competentes para responder esse tipo de questão (no MN, confesso, eu gosto das mulheres mais velhas, aquelas que aprenderam com a vida, que deram a cara pra bater quando isso marginalizava de fato uma pessoa. Havia algumas delas na minha sala, para a nossa sorte! <3). A moça repetia, com muita ênfase, que tinha medo de magoar alguém. Mas eu saquei logo o personagem, que a razão principal para a hesitação era outra: o medo de parecer menos esclarecida e arranhar a imagem de "moça desconstruída" que ela tanto se esforça para consolidar, especialmente nas redes sociais e que traz reações fortes e apaixonadas de seus seguidores. Enfim, ela perdeu uma oportunidade de aprender para preservar a imagem de engajada. Sim, meus caros, porque é falando (eventualmente) besteira e principalmente sendo humilde que a gente aprende. Faz parte, como cantava Raulzito, "dizer agora o oposto do que eu disse antes". Por que, aliás, disse lá em cima que aquela conversa com meu amigo me deu ressaca moral? Porque além do gelo dele, que indicou uma recusa em conversar comigo (e o motivo real nunca saberei, embora tenha desconfianças), admito que realmente posso não estar vendo algo importante e falando besteira. Mas como saber sem testar, sem questionar, sem me lançar? Enfim, a dúvida gera angústia, ainda mais quando você se preocupa em pensar "certo", em ser o mais justo possível...e em ter um argumento melhor do que o seu opositor mediano, para quem você não quer perder a discussão, hehe.
Mas, olha, a militância é a minha implicância mais light quanto a grupos. Pois é, eu percebo que minha desconfiança é, na verdade, voltada à merda em potencial quando há muita gente junta; a muito comportamento parecido, o que não é nada natural, obviamente; de muita boa intenção, na quantidade mais que suficiente para encher o inferno duas vezes. Eu sempre acho que em muitos casos há algo por trás, uma grande motivação que não quer se fazer evidente, sob a capa da civilidade, da moral e dos bons sentimentos. Pode culpar o meu Mercúrio na casa 8, descrito pelos textos astrológicos como "cônscio da motivação", na falta de explicação mais satisfatória e lógica.
Não é por nada não, apenas sou humana e como ser humano - do tipo que escrafuncha a própria sombra - eu sei que sempre existe um lado B e verdades internas que, na melhor das hipóteses, nem nós mesmos reconhecemos. Não é um cenário belo o das segundas intenções, mas é plenamente humano. Por que as pessoas se recusam tanto a admiti-lo? É tão útil, apesar de doloroso.
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