domingo, 31 de maio de 2009

Ponto de luz

E, graças a Deus, nem tudo embaixo do sol é só vaidade e aflição. Vejam que iniciativa interessante!

Doença Mental

O poeta Ferreira Gullar deu uma entrevista interessante sobre doença mental à revista Época. O escritor teve dois filhos esquizofrênicos, um deles já é falecido.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Vôo da Canarinha


A bonita da foto é a minha amiga Mariana (biritando num Carnaval qualquer).
A amarelinha nos deixou na última sexta-feira. Calma! Graças a Deus, ela está vivíssima, de corpo e espírito, como sempre! Apenas trocou SalCity pela Cidade Maravilhosa - que vidinha chata, hein, pessoa? Local mais apropriado para uma malandra não há (quem conhece a figura, sabe! hahaha).
Vou sentir muita saudade, mas tô muito feliz por minha amiga. Inteligentíssima, gente boa pacas, ela vem cumprindo a profecia que fez para si mesma quando botou, há anos, na sua descrição em um site de relacionamentos, o Poeminha do Contra, de Mário Quintana:

"Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
Eu passarinho"


E ela voou. Só não sei quem teria o espírito de porco de atravancar o caminho dela. Desconheço quem não goste de Mariana.
Mari me lembra um tempo bom, lá por volta de 2002-2003, no qual a gente fazia coisas divertidas de adultos mas sem a pressão da vida adulta. Coisas de criança, também, como a ida à Igreja Universal do Reino de Deus, que só podia ser invenção, mesmo, de dona Mariana! hahaha... Oh, ainda lembro da amarelinha, sentada na cadeira do auditório de Biologia, que nem criança pequena, esperando ansiosamente o resultado de um prêmio PIBIC ao qual ela concorria. "Ô, Brito, se acha que rola d´eu ganhar esse computador?". The sweetest thing.

O Rio de Janeiro tá com sorte! ;)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Amicizia

A reunião aconteceu há 3 meses, quando Samantha (de cinza) veio da Itália para alguns dias de férias. Entretanto, seguindo a nossa tradição terceiro mundista, a foto só veio a baila agora (risos). Pois é, doutora Samantha está com a moral e não está sabendo. Até que a ragazza conseguiu agregar uma boa parte da galera, isto é, se considerarmos que ela nos convidou às vesperas do Carnaval. Claudinho e eu tivemos presenças virtuais, comparecemos via Embratel.
PS.: Ô Ingrid, abre esses olhos, pô! rsrs

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O.B. servações

"Eu tenho tanto pra te falar, mas com palavras não sei dizer...". Ah, o Rei!... Na verdade, eu não tenho nada para falar. Nada substancial, ao menos. Mas eu vou falar, pois tenho observações a fazer. Besteira, viu? Se não tá com paciência para papo abobrinha, gire à esquerda.


Radicalismo
Às vezes as pessoas nem estão de todo erradas, mas o radicalismo do ponto de vista acaba botando todo o discurso a perder. Vejam a entrevista dessa feminista. Um amontoado de opiniões extremistas!
Nelson tinha razão: elas querem transformar a mulher num macho mal-acabado.

Por que não eu?!
Gostaria que meu pai tivesse tido o mesmo insight do pai da Bundchen, há 15 anos:
"Gisele, quem tem personalidade tem nariz grande. Você tem muita personalidade.”

Por que não eu?! [2]
Alosa foi para Washington DC e New York, de graça, diz ele que a trabalho. Nem Cláudio, o mais bem-sucedido entre nosotros hasta o momento, teve tal regalia - Claudinho, tô mentindo? Alguém lá no TM já te pagou passagem para qualquer lugar desses?
Hoje à noite, terei um cara a cara com Alá. Perguntarei, na lata: "O que Alosa tem que não tenho, poooxa!"
Mas, pra variar, apesar da minha indignação com a sorte da fraude, botei o sorriso de mãe de miss na cara assim que vi a fotinho dele em frente a Estátua da Liberdade, todo empacotadinho, que nem um charuto cubano... "Se me acaba el argumento y la metodología, cada vez que se aparece frente a mí tu anatomía...". Shakira me entende!... :P

Pró-Atividade
Estava dando uma olhada nos classificados sexuais, enquanto fazia hora, e me deparei com o seguinte anúncio: "Maurício, dou de graça, só para homens". Achei isso o cúmulo da pró-atividade e, por que não?, da caridade. Baixo-astral, sem dúvida, mas audacioso. Agora ficou faltando um dado essencialíssimo aí, que não é o telefone. Mentes poluídas, podem matutar à vontade a respeito.
PS.: Há meses fiz a pergunta e até hoje ninguém me esclareceu o que quer dizer "abafadinha"! Humpf!...

Bompreço, más línguas
Outro dia, na fila do Bompreço, uma senhora muito simpática [que, inclusive, me cedeu o lugar na fila] comentou o seguinte, ao ler a chamada para a matéria da gravidez da namorada de Dado Dolabella: "É ter muita coragem, é pedir para ser mãe solteira! Onde essa moça está com a cabeça?!". Gente, Dado tá queimadíssimo!! E sabe o que é pior: ele está tão queimado, que até anda ofuscando a má fama da ex, Luana Piovani. Caramba, quando sua fama é tão ruim que ninguém nem se lembra mais de esculhambar uma barraqueira como a Piovani, quer dizer que o treco tá feio mesmo! Fim de feira, como diria Leão Lobo!
Por falar nisso, inicio, aqui, uma campanha pela mudança do nome "Bompreço". É muita baixaria de uma vez só: aquele mercado já é um roubo, tem uma fila que é quilométrica e nonstop, não tem empacotador, o saco é mega vagabundo e ainda por cima se chama "Bompreço"! Eu saio de lá moralmente arrasada. Saudade do tempo em que ia ao Carrefour, viu!

Uma questão de talento
Tenho uma teoria sobre a prostituição ["tenho uma teoria" sempre me remete a cara de desespero de Guto quando começo uma conversa com essa frase! hahaha], ou melhor, sobre ser prostituta. Eu nunca acreditei que alguém pudesse viver nessa condição sem querer isso. Você pode até entrar involuntariamente no ramo e no caso de ter sido seqüestrada por alguma rede de tráfico de mulheres, justifica-se permanecer ali, afinal encontra-se sob pressão. Mas a maioria, na boa!, fica porque gosta - não entendo muito bem como é possível gostar disso, mas há quem curta. Suspeito, por causa de alguns casos sobre os quais já escutei, que tenha a ver com um certo descolamento entre a personalidade e o próprio corpo, como se alma e matéria funcionassem de forma independente uma da outra.
Esse era o caso de Marilyn Monroe, pelo que já li. Dizem que, numa determinada época antes da fama, passou a ganhar a vida fazendo strip-tease. Um cliente, então, pediu para que ela fizesse uma performance particular num quarto de hotel. Chegando lá, o sujeito quis o "show" completo, claro, e ela topou. Disse que aquilo - sexo - não significava nada para ela e que por isso não viu motivos para não fazer o programa com o sujeito e pegar a grana.
Ainda assim, mesmo teorizando sobre a questão, continuo não entendendo; fico maravilhada e intrigada com o desprendimento dessa mulherada... Tem gente para tudo neste mundo... Mais surpreendente do que quem é indiferente ao próprio corpo, é quem gosta que estranhos se utilizem dele. É o caso de Gabriela Leite, a líder da grife Daspu, que hoje em dia é prostituta aposentada. Ela, ao que parece, curtia muito ser puta. Seu caso não foi de necessidade. Not at all!... "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabrieeela...".
Acho que nunca vou entender essa galera... Mas há algo de bom nisso: tenho agora mais um elemento para continuar implicando com a Capitu escrita por Manoel Carlos, em "Laços de Família". :D

É, tô vendo que o meu mal é querer ser indivíduo demais nesse mundo louco, de sentimentos frouxos e condutas banalizadas!... :(

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Caeiro

Fazia tempo que não via esse poema de Fernando Pessoa - o único, aliás, que decorei na época da escola.

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda
E de, vez em quando olhando para trás
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto
E eu sei dar por isso muito bem
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer
Reparasse que nascera deveras
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo

Creio no mundo como num mal-me-quer
Porque o vejo
Mas não penso nele

O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Omissão e Aceitação

"Senhor, dai-me coragem para mudar o que pode ser mudado, serenidade para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra."

Uma das situações mais difíceis da vida adulta é se deparar com uma injustiça e não poder fazer nada a respeito. Infelizmente, essas situações não são raras. E o pior, até que a punição chegue ao vilão da história, demora-se muito tempo, às vezes mais que o tempo de uma vida. Até lá, é preciso aceitar, por mais que a impunidade [momentânea] nos doa.
Mas muita atenção na diferença entre aceitar e ser omisso. Aceitar pressupõe deixar o fato se desenvolver por si só, na falta de condições de resolvê-lo sozinho; ser omisso é ser covarde, é ser indiferente diante de uma situação na qual cabia perfeitamente uma intromissão sua.
A aceitação é um processo muito difícil para a esmagadora maioria dos seres humanos. Talvez porque mais do que nunca vivemos numa sociedade cujo pilar é a crença de que somos responsáveis por tudo o que nos acontece e que estimula a fantasia do controle. Dos BBBs aos celulares com GPS, tudo leva a crer que estamos no comando, de modo absoluto. Que ilusão. Ilusão essa, aliás, que serve muito bem a uma sociedade de consumo como a nossa.
Uma boa parte da humanidade ocidental passa por crises em relação a essa idéia de controle, em algum ponto da vida, geralmente em torno dos 50 ou dos 60 anos de idade. A chegada da velhice, com as primeiras grandes limitações físicas e a proximidade da morte, nos faz perceber que não somos tão potentes e que temos, sim, limites de ação. A minha crise veio muito mais cedo, aos 20 anos, e culminou na minha ida, no início deste ano, a um centro religioso indiano para aprender sobre meditação. Falei sobre isso com uma amiga que, para a minha surpresa, topou a aventura. O curso foi bem interessante e fazê-lo com a tal amiga foi bom para estreitar laços. Não consegui exatamente o que queria, mas ganhei algo de que precisava.
Chego agora no ponto que desejava: numa das aulas, o professor falou sobre a importância de sermos um observador desapegado. O tema, que a princípio parece simples, gerou a maior polêmica dentre todos os ensinamentos do curso.
Claro, só poderia! É que ser um observador desapegado vai de encontro com a nossa cultura do "make it happen" e a nossa moral cristã. As pessoas questionavam o professor: "Quer dizer que se uma velha com uma criança estão mendigando na rua, devo fingir que não é comigo?". Minha amiga ficou confusa com a idéia. Ela dizia: "Juli, isso é impossível para mim! Se alguém te sacaneia ou se você está sofrendo, eu, como amiga, tenho que fazer alguma coisa. Acho que sou mundana demais", resmungava.
O professor cortou um dobrado para explicar seu ponto de vista, e eu sentia que a resistência do povo era tão forte que eles simplesmente não queriam entender [porque a explicação foi bem clara]. Aliás, nem deveria me surpreender com isso. É incrível a resistência que as pessoas têm em absorver ensinamentos que divirjam dos seus conceitos. Tem gente que é tão cabeça dura, que a idéia vem, bate com toda força mas cai pro lado, coitadinha!...
Por "observador desapegado" entenda-se o comportamento de aceitar o mundo como ele é, de fluir com a corrente da vida. Num estágio mais avançado, você simplesmente não sofre nem se apega porque não mais deseja. Essas religiões orientais, assim como o kardecismo, pelo pouco que conheço, entendem o sofrimento como uma oportunidade, ou de pagar um mal feito no passado e se livrar do carma ou de desenvolver uma habilidade que o fará um ser humano mais preparado para a vida. Por esse motivo o professor insistia nesse ponto. O pessoal não entendeu que não havia ali uma apologia a permissividade ou a indiferença, mas um convite à mudança de visão a respeito do sofrimento - algo difícil nesse momento de ode ao hedonismo em que vivemos, no qual, mais que em qualquer outra época, sofrer virou coisa de otário, como se uma vida sem sofrimento fosse possível. Ai, ai... Como bem disse Pessoa, "quem quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor".
Por último, já vencido pelo cansaço, apenas aconselhou: "Siga seu coração".
Se pensarmos bem, o coração é um juiz de grande valia. Não é fácil decidir racionalmente. As pessoas têm medo de seguir seus sentimentos, mas na minha opinião, somos muito mais passíveis de engano agindo através da mente. Separar aceitação de omissão não é bolinho! Ouvir o coração é fundamental nessas horas.
Eu venho de uma família passional, neste sentido. Cresci sendo ensinada a ajudar, a não ser indiferente ao sofrimento alheio. Minha mãe, por exemplo, uma vez deixou de fazer a minha roupa da apresentação anual da academia de dança para fazer a da vizinha, amiguinha de minha irmã, que tinha uma mãe alcoólatra e estava passando por uma fase conturbada em casa.
Para mim, esse tipo de dilema é sempre custoso, desgastante. Odeio passar por isso! Pior, odeio não poder corrigir uma injustiça! Mas c´est la vie. O sofrimento é sempre uma oportunidade, e eu tenho aproveitado os casos do tipo, que vem me ocorrendo nos últimos tempos, para desenvolver na prática aquilo que defendo na teoria.
Há uns dois anos e pouco, estive numa saia-justa ética. Tudo começou quando fui checar meu resultado num concurso público federal. Estava eu passando as páginas do pdf, quando meu olho bateu em cima do nome de um conhecido dos tempos da escola. Olhei para cima e vi o que não queria ter visto [não ao menos para ficar na condição que fiquei, entre a cruz e a espada]: o fulano havia se classificado nas vagas para deficientes!!
A indignação subiu na hora. Os pensamentos começaram a surgir como raios. Tentei dar o benefício da dúvida, tentei não pensar mal do sujeito [para o meu próprio bem, inclusive], mas esse tipo de atitude casava muito bem com o comportamento do fulaninho nos tempos do colégio. Desde aquela época, ele já dava mostras do seu egoísmo e da sua elasticidade de caráter. Tentei acreditar que talvez ele tivesse sofrido um acidente e tivesse sendo verdadeiro. Cheguei a checar a história com três amigas em comum e nenhuma sabia dizer algo a respeito [elas sabiam que não havia acidente, deficiência, mas não quiseram se comprometer]. Isso só me fez ter certeza do óbvio: ele estava tentando pegar a vaga através de uma fraude. A mãe dele é médica. Meu pensamento foi de que talvez ela conhecesse o médico do tal órgão e já estivesse com tudo arranjado. Se isso fosse verdade, ficaria duplamente triste, pois sempre tive simpatia pela mãe desse rapaz.
O sangue foi todo pra cabeça. O fulano é um mauricinho, filho da classe média alta, que teve e tem todas as oportunidades de estudo; era só se esforçar que conseguiria o mesmo resultado através do próprio esforço. É aquela coisa: o brasileiro não dá um pingo de valor ao mérito, ao trabalho duro; "ser foda" é conseguir as coisas na malandragem, na base da "esperteza". Será que algum dia as pessoas, neste País, vão se tocar que o "ser ou não ser foda" está nos meios que se usa e não nos fins alcançados?!... E é como digo, três listas, para mim, são sagradas: a de transplante, a de vestibular e a de concurso. Tem gente que vende até o carro e larga o emprego para investir nisso, poxa!...
Os dias foram passando, a história foi crescendo na minha cabeça e a minha raiva foi subindo cada vez que pensava no assunto. Eu queria denunciar o caso, mas isso me causaria problemas pessoais, pois arrumaria uma meia dúzia de inimizades com gente que foi meu amigo de infância, praticamente. Que fazer?
No auge da ansiedade, escrevi a um amigo advogado e foi ele quem conseguiu me acalmar. Acho que meu amigo percebeu o tamanho da minha indignação e, num pensamento inspirado, me tranqüilizou com o seguinte argumento: "Mesmo que ele ou a mãe conheça alguém lá, vai ser difícil ele ser admitido não sendo deficiente de verdade. Diria que quase impossível. Se ele entrar, alguém, uma hora, vai descobrir e ele vai ser posto para fora de lá".
Foi assim que consegui largar o osso, finalmente. Eu nem sei que fim levou essa história e nem quero saber. Aliás, para que saber tanto? Só para passar raiva? Sempre me pergunto o que Deus quer de mim nessas situações. Só pode ser testar meu autocontrole, minha paciência. Tarefa nada fácil para a minha pessoa. Como diz a letra daquela canção do Coldplay, "a parte mais difícil é deixar rolar e não tomar partido". "It really breaks my hearrrt...".
Às vezes bancar o justiceiro é um risco incalculado e que tem um alcance que a gente nem imagina, a princípio. Mas em certas ocasiões nada paga a sensação de dever cumprido, apesar dos riscos.
Minha irmã que está morando no exterior quase se deu mal desmascarando uma criatura perigosa que estava pegando o dinheiro de uma turma de brasileiros. Ela poderia estar até morta agora, mas como a pessoa não tem um pingo de juízo na cabeça, não contou até três e, assim que descobriu a vigarice, pôs a boca no mundo. De quebra, acabou ajudando um monte de gente a se livrar de uma criatura dissimulada, desonesta, sanguessuga [o termo anda banalizado, mas essa criatura é uma psicopata, definitivamente!]. Depois disso, essa turma de brasileiros ficou muito amiga da minha irmã, que havia acabado de chegar naquele país; sabiam que muita gente boa se omitiria numa situação dessas, por medo. Nunca disse isso a minha irmã para não botar lenha na fogueira, já que a criatura não tem muita noção do perigo [risos], mas fiquei com um orgulho retado dela por conta disso.
Na época do colégio, eu me dava bem com todo mundo, mas não ia nem um pouco com a cara de um certo professor [não vou dizer de que matéria, pois ele virou estrela da área dele, então...]. Desde o 1º ano, eu falava ao pessoal da minha turma: "Ei, prestem atenção que esse professor é um falso e, além disso, uma fraude". Tirando uma amiga nada impressionável e a minha melhor amiga na época, ninguém mais botava fé na minha opinião. As pessoas não costumam ver além das aparências e como o fulano era do tipo brincalhão, a galerinha se deixava levar por isso, apostava que o sujeito era gente boa. Com o tempo, cansei de "pregar sozinha no deserto" e lavei as mãos.
Meus olhos são pequenininhos mas são atentos. Sou da teoria de que as entrelinhas, os pequenos gestos, revelam a verdadeira personalidade. Eu só ficava observando o movimento. Eu percebi que esse professor vigarista estava causando intriga entre dois professores que eram compadres, quase irmãos. Um deles, deslumbrado com a ascensão desse fulano, começou a debandar para o outro lado, abandonando o ex-grande amigo e virando o melhor amigo do outro. Até o jeito de dar aula da criatura chucky ele começou a copiar. Era patético! O cachorro e o dono. Gostava dele, até porque é uma pessoa de bom coração, mas me matava ver a sua absoluta falta de personalidade. E também a ingratidão para com o outro amigo [e se tem uma coisa que dói na alma é traição de amigo!]. Como sabiamente disse Cláudio, uma vez, "é muita falta de referência".
Uma coisa que havia reparado no jeito desse professor antipático lecionar é que ele não ensinava zorra nenhuma. Ele não sabia explicar, era péssimo de esquema, mas era brincalhão e elaborava provas difíceis. Daí vinha a falsa fama de que era um professor retado, muito competente: o aluno aprendia não por causa dele, mas por causa do livro e do conhecimento prévio de que a prova seria difícil, o que forçava quem quisesse passar a estudar muito. O que passei a fazer? Simplesmente pensava na morte da bezerra à vontade, enquanto ele falava, e "tomava aulas particulares" com o livro, que era ótimo.
Numa das provas, fui a única a tirar uma nota azul. Ele quis argumentar que não falhara mas sim a turma, me usando como argumento, tipo, "se Juliana conseguiu tirar a nota, vocês também poderiam; a aula foi a mesma para todos". Eu pedi a palavra. Acho que ele pensou que eu iria agradecer a menção elogiosa e criticar a turma, mas aconteceu o contrário. Desmascarei o método dele na frente de todo mundo - com educação, claro, mas essas coisas não contam muito para o ser criticado. Ele ficou vermelho e parou de falar. Seguiu a aula.
Uns dois anos depois, na aula final desse professor bonzinho que perdeu a amizade do outro professor, estávamos somente duas colegas, o professor e eu, e o nosso mestre nos fez uma confidência: essa minha crítica foi assunto de todo conselho de classe daquele dia em diante. O tal professor vigarista sempre tocava no assunto, com amargura: "Porque tem aluno nessa escola que diz que eu não dou aula direito!...". Detalhe: o sujeito nem sabia que eu existia antes desse episódio, mas daquele dia em diante, passou a me tratar com uma simpatiaaa, embora quisesse afogar minha cabeça num tanque de água, isso sim!... O professor injustiçado e eu já rimos disso. Muito! Não só daquela vez, mas em outras ocasiões nas quais nos encontramos [a última vez foi em 2004, mais de cinco anos depois do fim da escola]. Os olhinhos dele brilhavam de satisfação. O professor nunca me agradeceu formalmente por isso - e nem precisava -, mas eu sentia no jeito dele o "obrigado" implícito. Não só fiz justiça para os meus colegas, naquele dia, como havia feito para ele também - e, olhe, corria risco e nem sabia, pois se precisasse da criatura chucky para alguma situação de conselho de classe, estaria superferrada! Fiz, sem nem ter a intenção, aquilo que esse professor queria fazer, mas por questões éticas não podia. Bem, minha mania de meter o bedelho onde não fui chamada, dessa vez, serviu para lavar a alma de alguém. Uma vez na vida não me queimei em vão! :D
No final do terceiro ano, a máscara daquele cidadão "de bem" caiu. Ele aprontou uma com a turma, de modo que os alunos que ele calculava que não passariam no vestibular perdessem de ano (para não sujar a boa reputação dele, pode?). Só que a galera descobriu a tempo. Hoje a minha turma sabe que aquele sujeito não é massa, o tiozinho legal, como queria nos fazer crer... Acho que preciso criar uma coreografia do "Eu não te disse?".
Quando a gente é novinho faz dessas coisas, mas depois de uma determinada fase, a idade não mais nos protege, e você tem que escolher suas causas como um adulto. Fica até ruim para a nossa cara ficar comprando briga a torto e a direito, fala a verdade!
Situações como a da colega de trabalho que "dá" para o chefe e sobe na hierarquia vão ser corriqueiras, e não é possível nem justo perder o emprego que custou tanto - e foi mérito! - para posar de paladina da justiça e da verdade, toda vez que se deparar com uma injustiça como essa. Não se trata de cinismo ou de culto à indiferença. É questão de confiar na vida e eleger as brigas que realmente valem a pena. As máscaras, um dia, caem. Sempre caem. Como dizem por aí, "a justiça tarda mas não falha". Essa pessoa, que a princípio é "a esperta", está cavando sua própria cova. Nem todo chefe vai querer "comê-la", o cargo de chefia costuma ser rotativo e a juventude não dura para sempre. O que essa criatura vai fazer quando não puder mais se utilizar da "arma secreta"? Esse menino que fraudou no concurso, mesmo, é um exemplo disso. Sempre passou de ano, no colégio, colando. Quando fez vestibular, nem na primeira fase da Federal passou. Quando saiu da faculdade, bem, essa fase dispensa descrições. Que esperteza a dele, né? Como ele se deu bem na vida!... :P
Enfim, é tão bom ver o destino dando o troco sem a gente ter que sujar as próprias mãos!... Não é questão de jogar praga ou de desejar o mal do próximo, não. É a lei da vida, ou como gosta de dizer a minha mãe, é a lei do retorno. Djalma Argollo - se não me engano, ouvi isso dele - tem uma frase que é supimpa: "O mal é como uma compra de cartão de crédito: você faz hoje, mas pode esperar que um dia a fatura disso chega".

Ser um observador desapegado é um exercício de fé, esforço de compreensão e paciência.
Na dúvida, como disse o professor, siga seu coração. Ele sempre sabe o que é melhor para gente, por mais bobo que isso possa soar. Tudo que precisa saber já está dentro de você.
Ou melhor, aproveitando que estamos próximos do Dia das Mães, se encare como se fosse seu próprio filho. Se você fosse mãe de você mesmo(a), puxaria sua orelha por ter agido assim? Ficaria orgulhoso de você por ter agido assado? Pense nisso.

sábado, 2 de maio de 2009

Liga dos Injustiçados

Sabem qual é o verdadeiro nome de Gretchen? Maria Odete Brito de Miranda. Pois é, nome de bibliotecária. Quem diria... Uma vez, comentei tal dado com meu pai [detalhe: ele não suporta Gretchen!], e ressaltei a presença do "Brito" na certidão de nascimento da "cantora". O velho, que não vale 1 centavo, disparou, na lata: "Minha filha, abafe o caso! A família já não dá o que preste e você ainda quer anexar essa criatura à nossa árvore genealógica?!". Ô, pai, Gretchen é também um ser humano, poxa! Embaixo do silicone bate um coração. Pega leve...

Gretchen é uma artista deveras injustiçada. Assim como Magal. Assim como Ronnie Von. Assim como Xuxa.
Foram visionários. Incompreendidos, isso sim!, por estarem à frente do seu tempo.
Gretchen, por exemplo, antecipou o fenômeno da globalização. Quando todo mundo cantava ou em inglês ou em português, Gretchen fazia a Torre de Babel em suas letras. Era um tal de misturar francês com português com espanhol com inglês... Sem dúvida, a primeira artista poliglota do Brasil - e com amortecedores!
Magal foi o primeiro metrossexual que vi na vida. Feminino, sim, mas nem um pouco gay, como o Ney Matogrosso. Para começar, ele nunca cantou nada como "Telma, eu não sou gay". Metrossexual: homem que é mais enfeitado que 90% das mulheres, mas, ainda assim, jura que dá no couro com elas. Ninguém deu valor a Magal. Precisou aparecer o Beckham pra todo mundo respeitar o movimento. Tsc, tsc... Alosa, terá sido racismo?
E o que dizer do Ronnie? Anos antes da guarda compartilhada virar algo habitual e dos homens invadirem a cozinha, o Bonitinho já estava lá, na jovem e van guarda [Ronnie é de "Von" guarda]! Ai, Ronnie!... Tava até comentando com as meninas, ontem: só compro a "G Magazine" em duas ocasiões: se Leão Lobo ou Ronnie Von for a capa.
Xuxa é uma guru de short curto, né? Veja ou leia "O segredo" e verás que tudo se resume a uma frase muy famosa da lôra: "Querer, poder e conseguir", ou como diz a letra de "Lua de Cristal": "Tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar". Enfim, você, fã de "O Segredo", poderia ter poupado seu tempo e o seu real ouvindo os conselhos da Rainha. Ninguém quis escutar a moça... É nisso que dá a falta de humildade!

Mas, pra mim, top of the tops é Wando. Nunca saberei ao certo porque a fórmula ainda não existe, mas tenho certeza de que o Viagra feminino, quando existir, vai ser, por assim dizer, a tradução química para toda a extensa e sedutora discografia de Wando [Uando ou Vando? Dilema!...]. Não, peraí, Wando é o precursor das campanhas de lingerie, apimentadíssimas nos anos 90! Antes de "Duloren" sonhar em fazer anúncios mega provocantes, Wando já cutucava a libido da mulherada e incendiou as paradas com "Fogo e Paixão". Wando é "o" cara - e tenho dito!

Fiel!!!


É por isso que eu amo essa menina: quer maior fidelidade ao Macaco que isso? Nem eu fui tão fiel assim. hahaha... LINDONA!!!
[e ela também tinha que ter, claro!, nome de imperador! "Ave Adriana!":D]

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Frase(s) da Semana

Como o tema é a fantástica Mae West, não daria para escolher só uma, não é?

"Uma mulher só precisa de quatro animais na vida: uma raposa no armário, um tigre na cama, um Jaguar na garagem e um burro para pagar tudo isso."

"Ama o teu proximo - e se ele for alto, moreno e bonitão será muito mais fácil."

"Eu mesma escrevi a história. É sobre uma menina que perdeu a reputação e jamais sentiu falta dela."

"O que conta não são os homens em minha vida, mas a vida em meus homens."

"Claro que meu amante pode confiar em mim. Eu disse a ele que centenas já confiaram."

"O casamento é uma grande instituição, mas eu não estou preparada para as instituições."

"Quando sou boa, sou muito boa, mas quando sou má, sou melhor ainda."

"Entre dois males, escolho sempre aquele que nunca experimentei."

"Quando as mulheres erram, os homens vão atrás."

“Nunca amei ninguém do jeito que amo a mim mesma.”

"Mulher é como um chá: nunca se sabe o quão forte ela é até colocá-la na água quente."

"Sua mãe devia tê-lo jogado fora e ficado com a cegonha."

"Os homens não conseguem olhar para um par de seios e, ao mesmo tempo, pensar."

A importância de saber cativar

Sim, "a vida é a arte dos encontros, embora haja tantos desencontros pela vida". Mas um ou outro relacionamento vai vir assim, "de graça", configurando um encontro de almas. Para todas as outras coisas, nem MasterCard resolve; é esforço de conquista mesmo. Pena que estamos tão imersos nessa cultura da imagem, iconizada pelo mundo da celebridade, que acabamos incorporando o "celebrity behavior" no dia-a-dia. Achamos que o nosso simples aceno é o suficiente para arrebatar a multidão [quem já não se sentiu "platéia" de algum amigo, parente?]; a maioria de nós se sente especial demais para fazer o "trabalho braçal" do cuidado e do companheirismo, na convivência diária. Ledo e Ivo engano. Aviso aos navegantes: nem o seu dente vai permanecer na sua boca se você não cuidar direito dele! [risos] Não é à toa que os relacionamentos, quando não terminam, são frágeis demais, superficiais ou conturbados. É um querendo tirar do outro o que esse tem de melhor; pouca gente anda interessada em trocar, e menos ainda, em dar algo desinteressadamente.
Segue um trecho de "O pequeno príncipe", que achei muito oportuno postar aqui. Olha, as misses podem até serem leitoras de um livro só, mas elas sabem escolher!

Então a raposa apareceu. "Bom dia", disse a raposa. "Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você? Você é tão bonita de se olhar." "Eu sou uma raposa", disse a raposa. "Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste". "Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada". "O que significada isso – cativar?" "É uma coisa que as pessoas freqüentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços". "Sim", disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas sem você me cativar então nós não precisaremos um do outro". A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse: "Por favor cativa-me." "O que eu devo fazer para cativar você?" perguntou o Pequeno Príncipe. Você deve ser muito paciente". disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia." Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele – "Oh!" disse a raposa. "Eu vou chorar". "A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse". "Adeus", disse o Pequeno Príncipe. "Adeus", disse a raposa. "E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa".