domingo, 30 de março de 2025

"Quero chorar, não tenho lágrimas..."

Hoje, no meio de uma conversa, soltei a seguinte frase: "Se você me vir chorando, respeite, porque devo estar muito fodida. Eu não choro nunca". Já falei outras vezes, mas ninguém deu bola. Minha interlocutura, analista (mas não minha), tomou um susto. 

Eu não choro, minha gente. Em vez disso, desaguo aqui (risos). Até chorar é um luxo neste mundo de meu Deus.

Eu ficava vendo as meninas brancas, ricas, chorando na frente de todo mundo, ao longo da vida, e aprendi que só chora na frente dos outros, assim sem vergonha, quem tem a certeza de que será acolhido/a. Que bom que alguém é acolhido! Eu nunca. Vim de uma família em que é cada um por si e Deus por todos - menos pra controlar o outro, pra isso todo mundo se prontifica. Na rua, também nunca achei acolhimento. Como diria Freudinho, aquilo que a gente viveu fica marcado em nós. 

Quero chorar há um tempão, mas não consigo. A fonte secou.  Resultado: a casa, mais precisamente o chuveiro, secou junto comigo. Solutio emperrada, sentimentos que não podem ser desaguados, dissolvidos. Alquimia não é uma coisa fantástica? Eu acho. Meu problema com falta de água perto do Carnaval e depois com o chuveiro que estava entupido... Cano sujo, na verdade. Tanto sebo, que a água não passava. Fico de cara com esses simbolismos. 

"Quero chorar, não tenho lágrimas que me rolem nas faces pra me socorrer/ Se eu chorasse, talvez desabafasse o que sinto no peito e não posso dizer..."

Ê, vida, que eu não sei viver... Eu não sei viver. Não sei mesmo como proceder nisso aqui. 

quinta-feira, 13 de março de 2025

Falsa humildade (o ser humano, não sei não...)

Outro dia uma amiga me contou que uma ex-amiga disse a ela que tinha vontade de me dizer algumas coisas sobre o nosso rompimento, mas que tinha medo da minha reação. Claro, depois de sete anos, o que ela tem pra me dizer é justamente uma grande passada de pano a favor dela mesma, anulando minha raiva e decepção pra ela sair de boa na história. Isso elimina a culpa dela (que ela sente, não a que eu atribuo) e joga o problema no meu colo. Maravilha, né? O ser humano é inacreditável. E a pessoa ainda acha que está sendo ótima e humilde fazendo uma dessa. 

A criatura passa quase uma década produzindo episódios de desconsideração, que você pontua (saindo de megera) e que nunca cessam, pelo contrário. No acumulado dos anos, você fica puta e no vácuo quando reclama disso mais uma vez (e sempre vista como "a problemática"), e resolve desistir de vez após ficar no vácuo "pra variar" (porque quem procurava era sempre eu). Eu sei as qualidades dessa pessoa, eu não sou injusta ou ingrata. Mas uma coisa é a pessoa ser boa, outra diferente é ela ser boa com você. Justamente por ponderar tudo, quando eu saio, é porque já dei crédito em cima de crédito. Você tem todo o direito de me expulsar da sua vida e eu vou respeitar isso, mas você só vai fazer isso comigo uma vez. De uma coisa eu me auto acuso: sempre fico muito mais do que deveria e essa é metade da minha raiva nessas situações. É comigo mesma, pode ter certeza. 

Quem se importa, se incomoda com o que fez e conserta a merda na hora, não deixa o tempo passar; não é negligente ou covarde. Errar é humano e perceber que a pessoa não quis te magoar ou que sinceramente se arrependeu é crucial pra mim. Das poucas vezes em que vi isso, não tive nem como sustentar a minha raiva. A regra é clara: quem gosta de você vai sentir dor ao te machucar. Depois que você já sofreu, enterrou a pessoa em vida, do que adianta? Estava em crise?! Eu passei a minha vida assim e nunca deixei de ser cobrada pelas pessoas mesmo estando fragilizada ou mesmo deixei de me cobrar e correr atrás de fazer o certo. Se o tempo passa e a pessoa quer falar com você, raramente vai ser pra reconhecer a própria responsabilidade na situação. Vai ser por consciência pesada, pra fingir que quis resolver e você que é difícil e não quis "perdoar". O velho truque de querer a paz às custas de quem se ferrou na situação. 

Olha, me poupe.