Hoje, no meio de uma conversa, soltei a seguinte frase: "Se você me vir chorando, respeite, porque devo estar muito fodida. Eu não choro nunca". Já falei outras vezes, mas ninguém deu bola. Minha interlocutura, analista (mas não minha), tomou um susto.
Eu não choro, minha gente. Em vez disso, desaguo aqui (risos). Até chorar é um luxo neste mundo de meu Deus.
Eu ficava vendo as meninas brancas, ricas, chorando na frente de todo mundo, ao longo da vida, e aprendi que só chora na frente dos outros, assim sem vergonha, quem tem a certeza de que será acolhido/a. Que bom que alguém é acolhido! Eu nunca. Vim de uma família em que é cada um por si e Deus por todos - menos pra controlar o outro, pra isso todo mundo se prontifica. Na rua, também nunca achei acolhimento. Como diria Freudinho, aquilo que a gente viveu fica marcado em nós.
Quero chorar há um tempão, mas não consigo. A fonte secou. Resultado: a casa, mais precisamente o chuveiro, secou junto comigo. Solutio emperrada, sentimentos que não podem ser desaguados, dissolvidos. Alquimia não é uma coisa fantástica? Eu acho. Meu problema com falta de água perto do Carnaval e depois com o chuveiro que estava entupido... Cano sujo, na verdade. Tanto sebo, que a água não passava. Fico de cara com esses simbolismos.
"Quero chorar, não tenho lágrimas que me rolem nas faces pra me socorrer/ Se eu chorasse, talvez desabafasse o que sinto no peito e não posso dizer..."
Ê, vida, que eu não sei viver... Eu não sei viver. Não sei mesmo como proceder nisso aqui.