bom dia professor tudo bem? agradeço a oportunidade, que vc esta nos dando para faser esse trabalho mas eu preciso de um pouco mais, no dia da sua prova cheguei a
perguntar a vc a data da segunda chamada, vc desse que seria mais dificil, mas eu tentei faser a prova já sabendo que era imposivel eu estava arasada,estou çosinha aqui em salvador trabalho em dois lugares para poder mim manter e pagar o curso, mas no dia da prova eu estava com um grande poblema de familia e estava desesperada sem saber como ajudar mas mesmo com todos esses poblemas cheguei na sala cansada e fiquei sabendo que o meu colega ,falou absudo de mim para o professor Icaro, só pra consequi algo que nao tinha nececidade nenhuma dele metir ,falar de mim, para conseguiro que queria, mim desqulpe mas tinha que justificar o porquer de nao conseguir faser a prova pois estive presente em todas as suas aulas por isso te peço um trabalho que eu possa tirar a nota da prova nao estou com condiçoes nenhuma de pagar a recoperaçao obrigada professor leia e pençe com carinho beijos tenha um otimo final de semana beijos.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
A má educação
Recebi o texto abaixo de um amigo meu, que é professor. É um e-mail de uma das suas alunas num curso técnico de Salvador. Eu vi esse texto no computador dele, portanto é tudo verdade, ninguém editou o que está escrito. Não preciso dizer que, apesar de não lecionar Português, ele quase entrou em depressão ao ver essa aberração. Mas esse e-mail não foi o único nesse "nível" que ele recebeu de um aluno. Na verdade, quase todos escrevem mal, é de dar dó.
É rir para não chorar!...
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Aonde você foi morar...
"Cadê Coração?!". E era por causa desse chamado meu, ainda entrando em casa, que ela saía de onde estivesse, toda manhosa e esfregando a pança no chão. Quer dizer, nem sempre. Às vezes, a safada me ignorava, o que gerava discussões (lembrava a minha irmã, só da minha parte porque o cão, claro, não me entendia. e eu respondia que a bronca não resolvia o problema do cachorro, mas aliviava o meu à beça! kkk) e ressentimentos temporários.Aliás, vinha não só quando eu a chamava assim: Zita, Preciosa - esses dois continham uma ironia velada -, Mizinha, Neném, Gorda, Gigi, enfim, qualquer coisa em tom meloso, e lá vinha ela, se espreguiçando, pedindo carinho como quem não quer nada.
Camila era uma cadela especial. Isso eu soube desde o começo, quando ela chegou em casa, em abril de 1992. O que demorou foi eu conseguir admitir que gostava dela (questões de política doméstica, com alguma colaboração da malandragem dela, que já chegou roendo os meus chinelos e roubando a minha barra de chocolate recém-ganha na Páscoa). Gostava muito, muito dessa piveta. Nos piores momentos, ela foi fundamental. É até estranho dizer isso, mas é a verdade e quem tem animal sabe: não raro o bicho é mais sensível ao seu estado de espírito e mais seu companheiro que as pessoas que te rodeiam. São crianças que nunca crescem.
Inteligentíssima. Muito carinhosa, um doce. Má, em algumas circunstâncias. Preconceituosa (detestava chinelo Havaiana, crianças e negros). Valente. E muito bem comportada, isso sem ninguém ter lhe ensinado nada (tanto é que foi custoso fazê-la ficar no sofá para tirar essa foto. só comia se tivesse algum tapete, alguma cobertura onde pudesse colocar a comida e despejar os farelos). Linda. Altiva.
Ela era o que se chama de daschund zero, ou seja, a anã da raça. Nos foi dada para não ser sacrificada, já que nasceu aleijada e não poderia ser vendida com os outros filhotes. Chegou em casa arrastando as patas traseiras no chão, parecendo um rato preto de tão pequena. Sua teimosia e um pouco de "fisioterapia" a deixaram tinindo em pouco tempo, tanto que com um mês na família, roubou uma esfirra na praia, dando uma carreira, em seguida, digna de Robson Caetano. (Engraçado, Zé Luiz, que era amarelinho, não tinha esses instintos... Alosa, longe de mim, viu, insinuar alguma coisa!...)
Acho que, além da Lua em Escorpião (risos), a intensidade, agressividade e altivez de Camila eram frutos desse início de vida em desvantagem: anã, aleijada, rejeitada e, ao que tudo indica, maltratada pela família que cuidou dela nas primeiras semanas de vida (foi a explicação que encontramos para a intolerância dela a essas coisas que eu citei há pouco). Ela respeitava a hierarquia entre as pessoas da família (eu era a exceção; ela não me respeitava), mas não admitia posições subalternas fora disso, e acho que pegou isso da sua dona, minha irmã Renata.
Na sua última noite de vida, concretizei o desejo de quase 15 anos: deixei, excepcionalmente, que dormisse comigo (sempre fui metódica com os animais daqui de casa: dormir em cama, lambida na boca e esse tipo de coisa nada higiênica estavam fora da relação). No dia seguinte, ela entrou no veterinário para uma consulta e faleceu, após uma cirurgia de emergência. Meu pai chegou e eu, que estava no banho na hora, já sabia, mesmo sem nem esperar por isso. Ele, que nunca gostou da idéia de ter bicho em casa, fez questão de enterrá-la nas Dunas do Abaeté, deu uma volta pra não chegar em casa visivelmente arrasado e ficou calado por uns três dias.
Quero ter de novo um cão em casa, mas tenho receio de gostar menos do que dela. Aliás, minha irmã outro dia confessou o mesmo receio. Mas enquanto estiver em apartamento, não vai dar. Bicho precisa de espaço, seria egoísmo confinar um cão, ainda que pequeno, num apê.
Olha, eu devo dizer que fui feliz nas minhas relações c/ animais: fora o meu último papagaio (que me ignorava), um coelho que me fez parar no hospital (tenho alergia a pêlo) e virou cozido no sítio do Seu Pio, os pintinhos de feira que sempre morriam, um gato que eu matei por acidente na infância (Haley era o nome dele; escolhi por causa do cometa cuja passagem, em 1986, havia me impressionado muitíssimo. que coisa profética!...) e Duda, a filha histérica de Camila e Zé, que não se dava com ninguém, não tenho do que reclamar.
(Aliás, eu achava que não, mas, olhando para trás, a minha casa já foi bem animada. Houve um tempo em que animais, amigos, irmãs, primos - no verão - e namorados enchiam o ambiente. Os primeiros verões em Salvador foram muito dez!... De repente, como tudo na vida, o cenário mudou. E apesar de reclamar deles dia sim, no outro também (risos), falem tudo da minha família, mas que ela é divertida, ela é e a gente dá é risada quando a turma se reúne. Todo mundo aqui é meio metido a engraçadinho... Hoje está tudo tão quieto... Aos 20 e tantos, já sei como deve ser para os pais ver a casa vazia, sem os filhos. Mas eu mantive minha agenda cheia com aulas de italiano, dança de salão, o clube da meia idade (risos)... Tem que vir logo a próxima geração pra animar isso de novo - só não contem comigo! hehe. Fugindo um pouquinho mais do tema do post: Adoro uma reflexão do Anthony Minghella, em que ele diz que o trabalho de cineasta é, talvez, uma tentativa de voltar para a cozinha do restaurante italiano dos pais. Quando morava com a família, ele odiava a falta de privacidade do lugar: todo mundo tinha que trabalhar junto, um se metendo no que o outro estava fazendo e empregados participando dos conflitos da família; ele disse que se sente de volta aos velhos tempos quando está num set de filmagem. Nós somos loucos: vivemos metade do tempo querendo sair de onde estamos para passar a outra metade tentando voltar para o lugar do qual viemos.)
Meus animais sempre tiveram personalidade semi-humana. Por isso, também foram batizados c/ nomes de gente - contra a minha vontade, é bom deixar claro (meu voto sempre perde! :( ).
Sarney, meu primeiro papagaio, só falava palavrão. Aliás, meu pai o ganhou numa aposta de bar. O nome foi idéia da minha mãe que, sempre de oposição quando se trata de presidentes da República, resolveu comparar a falta de vergonha do verdinho com a do presidente da época (o único que ela elogia é Tancredo, e desconfio que é porque ele não viveu para virar presidente, realmente, e fazer alguma "maldade" com o contra-cheque do meu pai). Sarney foi expulso pela sindica por conta da boca suja.
Na verdade o problema foi que, através dele, ela descobriu que a gente a chamava de "Sargento Megera" pelas costas, e como alguma cabeça tinha que rolar, a mais fácil era a do bichinho. Foi o nosso Olgo Benário, entregue aos nazistas e, felizmente, nada grávido e muito menos de Luís Carlos Prestes. Entregue ao vizinho de bloco que tinha um sítio, Seu Pio, morreu assassinado por uma espécie de Glenn Close em Atração Fatal da sua espécie (ou será que esse também virou comida e meus pais não quiseram me dizer?).
Zé Luiz I era um cachorro de olhar doce, lindo, branquinho e de olhos azuis. Morreu por conta de uma planta venenosa. Antes disso, viveu três meses de tórrido romance com Tampico, o salsichinha gay do meu vizinho italiano. Tampico foi meu cachorro no verão de 86/87. Olha a coincidência: Tampi sumiu de casa e foi parar na colônia onde passava férias. Depois que fui embora, foi achado pelos donos. Anos mais tarde, fui passar o verão justamente na casa ao lado da dele.
Depois veio Zé Luiz II, ou just Zé. Esse era um Zé mesmo, como diz meu pai! Uma espécie de Agostinho Carrara de quatro patas.
Ganhei-o da minha melhor amiga na 5ª série, Mary Ellen. Nunca esqueci: nasceu no São Cosme e Damião de 1991, e isso deve explicar o erê que ele tinha. Bem, estava crente que seria a dona do próximo cachorro-propaganda da COFAP, já estava até me imaginando dando entrevista no Jô ("Olha, Jô, eu juro que nunca imaginei que isso fosse acontecer na minha vida"). Pra variar, em uma semana, todas as minhas esperanças foram por água a baixo. Peguei o mais burro da cria. Ou melhor, o cão mais retardado (e safado) de todos os tempos!... Tudo bem, eu nem queria mesmo...
Mas não fosse a falta de inteligência, teria sido um estouro. O Zé era muito carismático. Bota carismático nisso! Onde ia, fazia amigos. Meu primo Renato que o diga: utilizava o bichinho pra paquerar no Parque da Cidade, segundo ele, com ótimos resultados. Meu pai odiava o cachorro e tentou "perdê-lo" várias vezes, mas sempre alguém (que a gente nunca tinha visto mais gordo) o reconhecia na rua e o devolvia, para a frustração do velho.
Nenhum cachorro foi mais covarde que o Zé (e ainda se deixava apanhar pelos adversários das poucas vezes que criou coragem p/ enfrentá-los. com cinco anos, era tão costurado quanto uma colcha de retalhos. meu pai pagava o veterinário por pressão coletiva, porque se dependesse dele...). E nenhum era pior em achar coisas escondidas (tanto é que meu pai sempre cozinhava um osso extra, sabendo que ele iria enterrar o dele e depois não conseguiria achá-lo, em seguida tentaria pegar o osso de outro cachorro da casa, levaria uma mordida e sairia chorando). Acho que poucos tinham um equilíbrio tão ruim (ele queria imitar Camila, correndo em cima do muro, mas sempre despencava lá embaixo ao fazer a curva). Era muito insistente, às vezes a gente custava a lanchar por causa da perturbação dele no pé da mesa. Tri cara-de-pau: comeu por dias a comida do cão do vizinho, que levou fama de pidão injustamente, só sendo inocentado mediante a sua magreza súbita; quando voltava do veterinário, sempre se fazia de doente-coitado quando via alguém chegando; ia para a casa do vizinho, subia no sofá e se esparramava, deixando o Sr. Pereira, o dono da sala, constrangido em expulsá-lo para poder se sentar (p/ variar, a família inteira do vizinho era apaixonada pelo cachorro); e quando filhote, chegava ao ponto de levar palmadas para parar de latir, e recomeçava pior ainda depois que a gente virava as costas. Era tarado. Ah, se as almofadas da sala de tv falassem... O cio de Camila era época em que ninguém dormia (saiu de casa deixando-a prenha. meu pai "adorou" o presentinho tardio. ah, e o melhor: ainda se separou e ficou c/ a casinha de madeira do "casal"! hahaha).
Eu tenho certeza de que ele tinha toc: seja lá com o que cruzasse na rua, tinha que levantar a perna, como quem vai fazer xixi. O bizarro é que nem mais xixi ele tinha nem havia altura suficiente para o ato, mas ele levantava a perna para qualquer coisa com mais de dois centímetros de altura. O Zé sabia ser chato...
Quando vendemos uma das casas que tivemos no Farol, meu pai conseguiu, a muito custo, me convencer a deixá-lo com os compradores, sob o argumento de que ele estava muito velho para ficar no quintal pequeno, quase inexistente, da outra casa. Em nome do amor pelo Zé, cedi, mas nunca engoli essa separação. Três anos depois, estava eu andando na rua, perto da rua K, quando senti um focinho gelado na minha bunda e ouvi um grito de "Zé"*. Adivinha quem?! Aquele dia foi uma festa pra nós dois, ele ficou numa felicidade!... Tive que ajudar a levá-lo de volta pra casa, mas me partiu o coração porque eu sabia que, ao me ver, o coitado pensou que tinha encontrado sua família outra vez.
* era a empregada da casa onde ele morava, de quem ele se soltou quando me viu.
Dolly, a box que passou breve temporada aqui em casa, era um doce, mas babava demais. Cartão vermelho. Dinho (Tande, na verdade), o pastor alemão, foi presente do "Guenro", um dos namorados da minha irmã mais velha. Parecia um bicho de pelúcia quando filhote, e vivia entalando a pança debaixo do armário da cozinha. Cresceu só no tamanho. Para o meu desespero, pulava em cima de mim, quase me derrubando no chão, toda vez que chegava. Respeitava Camila mesmo ela sendo cruel com ele e quatro vezes menor (Mi adorava morder a orelha dele, coitado, que só balançava a cabeça tentando fazê-la largar). Doeu quando tivemos que nos desfazer dele. O mal do cão de estimação é que, apesar de animal, ele sabe que está sendo deixado para trás, e faz aquela cara de carente que te faz se sentir a pior pessoa do mundo por entregá-lo a estranhos!
Depois vieram as "trigêmeas": Carol (que foi dada a Seu Luiz, o nosso corretor carioca, que, a propósito, nunca conseguia vender nada, nem a casa dele), Luizinha (a cópia do Zé) e Duda, uma mini Camila. Minha preferida era Lu. Ela era a alegria em forma de cadela, assim como o pai, e tinha crises de ansiedade: não podíamos vacilar com a porta, que ela entrava, e uma vez expulsa, ela entrava em pânico e soltava a bexiga. Elas também foram embora. Aliás, devo isso a meu pai: ele conseguiu dar fim em todos os animais e só não o fez com a Camila porque, nas vezes em que tentou, ela adoeceu. Onde fica a lealdade!? E isso porque adora a natureza. Vai entender...
Desde que Haley morreu, passei a odiar gatos. Aliás, acho que só gostei do Haley mesmo. Como diz Wilson Gomes, pessoas normais odeiam gatos. Que graça tem criar um animal que pouco interage, que é indiferente aos donos da casa (no meu caso, acrescento o "peludo" como defeito, já que não posso com pêlo de animal - é pronto-socorro na certa!)? Mas eu até que gostei de um gato que meu irmão uma vez arrumou: Charles. Ele tinha um ar tão aristocrático e britânico quanto o seu nome pode sugerir. Era tão blasé quanto um ator da Nouvelle Vague. Nem Camila, a anã encrenqueira, tinha vez com ele. Chiquérrimo, apesar de ser mais um gato branco com manchas marrons por aí. Charles se mandou e nunca mais o vimos... Os gatos são muito infiéis...
Ter animal é muito, muito bom. Dá trabalho, mas é bom. O animal é puro. Não sei como tem gente que não se apega ou maltrata. Quando estava em Brasília, em 2005, houve algo que, para ter uma idéia, conseguiu revoltar a insensível e pragmática vizinhança da L Norte: um FDP queria se livrar do cachorro e o largou sozinho na Ceilândia, a 15 km. Não é que ele conseguiu achar o caminho de casa!? Depois dessa, o dono não teve mais coragem de abandoná-lo.
No dia em que ganhar na loto, vou comprar um haras, pra ter cavalos, e uma casa enorme pros meus cães.
Que saudade da minha pequena!... :( Onde será que ela está? Reencarna e vem bater aqui em casa, zorra! É a cara dela não atender a um pedido meu!... Humpf!
sábado, 18 de agosto de 2007
La Prima Donna do Pop

Mad fez aniversário anteontem. Está com 49 anos, mas com corpinho de 36! (risos)
Apesar de pop, é uma mulher independente, dona do próprio nariz. Geralmente neste gênero os artistas ou são preguiçosos (Britney e Robbie Williams), ou são fabricados (Jessica Simpson, Vanilla Ice) ou manipulados (Whitney Houston, Mariah - nos primeiros discos) por pessoas da equipe. Isso quando a fama não os enlouquece (Michael Jackson). Ela é uma das poucas em que a gente percebe critério, conceito e comprometimento total. Olhem os clipes antigos de Madonna, principalmente os da fase Erotica. Acho as canções desse disco umas merdas, mas os videos são tão bons que beiram a obra de arte, não têm "validade".
Uma grande mulher, certamente.
Like a Prayer
"A vida é um mistério
Todos estamos sozinhos
Eu ouço a sua voz me chamar
E isso me faz sentir em casa"
Frozen
"Você só vê o que lhe convém
Como a vida pode ser o que você deseja
Você está congelado
Quando o seu coração não está aberto"
Live to tell
"Um homem pode contar mil mentiras
Eu aprendi bem minha lição
Espero viver para contar o segredo
Que aprendi
Isso vem me queimando por dentro"
Like a Prayer
"A vida é um mistério
Todos estamos sozinhos
Eu ouço a sua voz me chamar
E isso me faz sentir em casa"
Frozen
"Você só vê o que lhe convém
Como a vida pode ser o que você deseja
Você está congelado
Quando o seu coração não está aberto"
Live to tell
"Um homem pode contar mil mentiras
Eu aprendi bem minha lição
Espero viver para contar o segredo
Que aprendi
Isso vem me queimando por dentro"
domingo, 12 de agosto de 2007
Paulo Francis para maiores

Faz dez anos que Paulo Francis morreu, não é?
Mesmo não concordando com algumas coisas, gostava de ouvi-lo. Suas frases de efeito são ótimas, adoro a sua espirituosidade pessimista. Tem uma que eu adoro: alguém perguntou a ele se havia sido torturado enquanto esteve na prisão, nos tempos da Ditadura (diga se isso não daria um bom título para filme pornô: "Nos tempos da dita dura"? kkk). Francis respondeu: "Sim. O carcereiro ouvia Wanderléia o tempo todo".
Segue um trecho de entrevista (não sei a fonte) onde ele defende a crítica, aquela prática tão marginalizada e mal-compreendida nesse mundo de crianças crescidas, sem um pingo de tolerância para o lado B da vida.
Eu nem deveria postar isso aqui, meu espírito crítico está decadente. O mal é que com isso vai-se embora a esperança, pois a crítica é um ato de fé, acreditem ou não. A verdade é que eu estou velha. Minhas vistas estão fracas. Meus ossos doem. Não agüento mais as brigas de Beatriz e Heitor nos almoços de domingo (meu filho, Rodrigo, é muito liberal na educação desses meninos. assim não dá!).
Eu nem deveria postar isso aqui, meu espírito crítico está decadente. O mal é que com isso vai-se embora a esperança, pois a crítica é um ato de fé, acreditem ou não. A verdade é que eu estou velha. Minhas vistas estão fracas. Meus ossos doem. Não agüento mais as brigas de Beatriz e Heitor nos almoços de domingo (meu filho, Rodrigo, é muito liberal na educação desses meninos. assim não dá!).
Com vocês, o mal-humorado mais genial do nosso País, no séc. 20:
"Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado."
sábado, 11 de agosto de 2007
Nasce uma estrelinha




Para quem nunca viu, essa é Suri Cruise, filha de Katie com Tom. Aliás, acho que só de olhar para o rosto da menina, isso fica óbvio, já que ela tem o nariz da mãe e, no resto, é a miniatura do pai.
Suri demorou a aparecer, mas desde então tem se mostrado uma figurinha, além de linda. A julgar pelas fotos divulgadas na imprensa, é bem mais expressiva que Shiloh, filha de Brad Pitt e Angelina. Só espero que não goste de subir em sofás na idade adulta! hehe
Legendas:
1 - Suri descansa no colo do pai, na Riviera Francesa.
2 - Puppy Love: a fofa faz um amiguinho de quatro patas em Berlim.
3 - Ansiosa pelo gol, no jogo de estréia de David Beckham.
4 - Tal mãe, tal filha... Se bem que Suri se veste como um bebê, ao contrário da Katie, que está elegante... Para uma mulher de 40 anos (ela só tem 28)!
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Eterna Magia








Não me pergunte o motivo, mas tanto quanto a Itália, eu adoro a Irlanda!
É a terra da magia pela cultura celta, por aquela gaita (ou é um violino?) enjoadíssima que eu adoro, por causa da atitude drunk-quick witted do seu povo, do catolicismo e da paisagem verde e cinza. A comida parece ser péssima e é preciso desviar das bombas, mas são meros detalhes. Aliás, Machado de Assis estava errado: a julgar pela história da Irlanda, ao perdedor, sim, as batatas!
Ademais, os genes irlandeses produziram alguns dos homens mais bonitos do Hemisfério Norte, a exemplo das fotos acima. Particularmente, eu gosto do tipo: morenos, boa estrutura óssea, nariz com as abas um pouco largas, altura mediana, sorriso maroto, os sobrenomes iniciados com MC e O´...
Quem aqui assiste "Grey´s anatomy"? Gente, Patrick - quer nome mais irlandês que esse? -Dempsey melhorou uns 400 % nos últimos 20 anos (lembram dele naquele filme da Sessão da Tarde, Namorada de Aluguel? ele é aquele magrelinho cdf que paga p/ menina mais popular fingir que é sua namorada.). E ainda por cima, ficou charmoso. Ele é o cara da quarta foto...
Ingrid está mais uma vez certa: os estrangeiros têm um charme que é difícil de encontrar nos brasileiros. Por que será? Se bem que a estupidez nacional, a depender, tem lá a sua graça... As brasileiras deveriam dificultar um pouco mais para os homens desse País. Hoje em dia a coisa tá tão fácil, que eles não se esforçam para nada. Nunca fui ao exterior, mas pelo que sei, as gringas são mais criteriosas, os homens têm mais trabalho para chegar junto (mas depois que conseguem... homem é homem, mulher é mulher, e travesti Valéria é travesti Valéria! - Não tem jeito: Alosa é meu personal Wally!).
Para não deixar os meninos de fora da conversa: Grace Kelly era descendente de irlandeses.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
As más línguas atacam novamente
O povo não alivia mesmo!
Sabem da última? Estão dizendo que Bergman e Antonioni bateram as botas porque não suportaram ver Setaro no Domingão do Faustão (ele deu um depoimento no Arquivo Confidencial de Wagner Moura. vale a pena conferir, pois Setaro, em momento inédito, falou em ritmo normal! tem "milagres" que só a Globo faz! haha).
E aí? Tem fundamento? Eu acho que a teoria não é de todo absurda... (risos)
Sabem da última? Estão dizendo que Bergman e Antonioni bateram as botas porque não suportaram ver Setaro no Domingão do Faustão (ele deu um depoimento no Arquivo Confidencial de Wagner Moura. vale a pena conferir, pois Setaro, em momento inédito, falou em ritmo normal! tem "milagres" que só a Globo faz! haha).
E aí? Tem fundamento? Eu acho que a teoria não é de todo absurda... (risos)
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Ticianíssima

O povo pediu, foi lá, bateu, deixou recado na caixa postal, e eis aqui meu comentário sobre a escalação provisória da Ticiana p/ o Atualissima, ao lado do muso inspirador deste blog, Mr. Leão Lobo (Sim, nossa colega tocou no deus da fofoca. Ai!... Que inveja! Informação essencialíssima: sabiam que Leão, Einstein e eu temos o mesmo signo e ascendente? Sorry, Leão, mas eu estou mais perto da genialidade porque Einstein e eu ainda temos a mesma Lua!kkk A Lua do Leão Lobo está em Leão. Será que é daí que vem o nome? Segundo Ingrid, o grupo Earth, Wind & Fire escolheu esse nome por causa do mapa astral do vocalista...).
Eu adoro o Leão. Acho-o uma figura e um mestre na arte de ser ridículo (e eu tenho paixão por pessoas ridículas! pra mim o ridículo é o quarto estado da matéria). Embora já tenha me acostumado com Ticiana na tv, confesso que levei um susto ao vê-la sentada junto a ele. Primeiro porque é estranho ver um conhecido seu ao lado de alguém famoso - literalmente ao lado. Segundo, é mais esquisito num programa que você assiste e diariamente.
Seria como ver Eliano no Globo Esporte ou Alex nos créditos de uma novela da Globo. É um cenário distante que fica próximo porque uma pessoa próxima está lá distante (deu pra entender?). Eu não conversava com Wagner Moura, mas me batia com ele toda vez que saia da aula de Estética e eu entrava na de Teorias da Comunicação. No começo fiquei meio pasma em ver aquele cara de andar ligeiro e expressão de poucos amigos, que conhecia do corredor da escola, na novela das sete. É surreal, vamos combinar...
À primeira vista, a associação pareceu estranha. Afinal, Leão Lobo é apresentador e persona trash; Tici é jornalista, tem aquela clássica postura dos profissionais da área; é uma mistura de Ana Paula Padrão (o corpo de bailarina) com Ilze Scamparini (a fidelidade ao cabelo comprido. veja só, ela até cobriu a vinda do papa ao Brasil, mas perdeu a oportunidade de chamar Vossa Santidade de "Joseph"! risos). Enfim, Ticiana possui uma classe natural e compromisso com a postura jornalística. Nada a ver com o Leão! haha
Mas ao contrário do povo da Facom, que deve ter, no fundo, achado o fim da picada ela ter "se prestado" a isso, eu adorei, penso que não ficou ruim essa inusitada mistura.
Tenho três motivos para defender a experiência de Ticiana no Atualíssima:
1) Ela preservou seu lugar de jornalista
Pois é, eu, pelo menos, não a flagrei em nenhuma propaganda de iogurteira nem contando uma fofoca de famoso. Pelo contrário: se restringiu a apresentar a parte jornalística "séria" do programa (cá entre nós, até sentia uma leve ironia, tiração de sarro, dela quando chamava o Leão p/ entrar em ação. o povo não tem jeito! kkk). Não que eu seja contra "viradas de casaca", mas acontece que não se pode ser duas coisas ao mesmo tempo. O próprio Leão Lobo tem o defeito de querer ser artista e jornalista. Não dá, né? Ou você reza na Universal do Reino de Deus ou vai bater tambor no terreiro! Se é pra ser apresentadora, ok, mas deixe o Jornalismo, e vice-versa. Ela firmou a opção dela pelo Jornalismo. Mais um passo rumo à credibilidade.
O que eu acho errado é essa mania da Band de não aceitar o Leão fútil como ele é; sempre querem agregar outra coisa pra "validar" o bichinho, coitado... Gosto dele "puro", sem "aditivos". Just Lion! (ui!)
2) Estamos aqui para experimentar
Um dos maiores pecados da juventude é não arriscar. Concordam? Quem é que sabe o que realmente quer, ou melhor, onde vai parar? Eu tenho minhas críticas ao meu currículo profissional, mas se tem uma coisa que aprecio nele é a variedade de temas: universidade, religião, engenharia, política, atividade sindical, televisão, governo... Aprendi com todos, matei minha curiosidade (em alguns eu só entrei pra isso).
Antes de tudo, estamos aqui pra ver, pra ter história pra contar. Trabalhar num programa de entretenimento, coisa diferente do que você está acostumado a fazer como jornalista, para um público extenso, é algo a se considerar. É um exercício de sedução do coletivo, pois o público desse tipo de atração se guia fundamentalmente pelo carisma e não pelo intelecto, propriamente. Ponto pra Ticiana: demonstrou ser uma pessoa curiosa. Fora que, com isso, ganha moral na emissora por não ter tido frescura (empresas valorizam muito o "jogo de cintura").
Particularmente não acho nossa colega nenhum fenômeno (não tem a presença de Liliane Reis e nem a expressão boa praça de quem veio do teatro... hehe); ela é uma jornalista de tv correta, dentro dos padrões e competente, como comentei um pouco atrás.
No entanto, como Ticiana é do meu semestre, posso dizer: foi uma das transformações mais visíveis que eu vi na faculdade. Possivelmente estou exagerando no meu julgamento, mas penso realmente que o que ela fez por ela mesma, naqueles anos, é digno de tomar nota e se inspirar.
Villas Boas nunca foi patricinha, mas eu a via como a filhinha da mamãe, cheia de não-me-toque. Lembro da primeira festa da turma, um churrasco na casa da Cinthia. Estávamos nós, as meninas, reunidas em roda, e ela se empolgou com as histórias de mochileira da Gina, daí comentou que gostaria de fazer intercâmbio, mas não iria "por baixo" (tipo, pra trabalhar com qualquer coisa, ser "peão" como geralmente os brasileiros são no exterior), falando meio que com desdém desse tipo de experiência. Três anos depois, estávamos Alosa e eu numa sala do Intercom, e quem a gente encontra, recém-chegada do intercâmbio na Espanha? Ticiana! Ela chegou contando as novas: viajou pela Europa e terminou o intercâmbio lavando chão na Inglaterra, "pra sentir como é que era". I want to break free total! (risos)
Eu tenho simpatia por esse contraste entre personalidade reservada e espírito aventureiro da Ticiana. Aprecio essa leveza que, a meu ver, ela conquistou conforme foi amadurecendo.
3) Deuses pós-modernos
Quem acha que o jornalismo marrom é futilidade está mal-informado, comendo mosca. Quem gosta de notícia é jornalista, como dizia Sampa Night Club (risos), meu ex-chefe; o povo quer é saber da vida dos outros. E não é à toa.
"Estamos sós e sem desculpas", disse Sartre. O século 21 não é sobre causas sociais e derrubada de instituições. É sobre ser, ou melhor, ter e parecer que somos. Nossa maior meta e inimigo, ao mesmo tempo, somos nós mesmos. Precisamos ser sempre felizes, nos destacar, mas não temos mais quem nos diga o que fazer - até Deus morreu, dizem por aí. Nossos "deuses" são essas pessoas que aparecem nas capas de People, Caras, Contigo!, Hola etc. As celebridades somos nós elevados ao cubo, o humano no máximo da sua realização material, enfim, o nosso ideal coletivo de perfeição.
Quem lida com esse tipo de jornalismo está inevitavelmente ajudando a orientar o senso de certo e errado do público. Muita gente pensa: "Se é bom para o/a fulano/a da Globo ou de Hollywood, é bom pra mim". Não precisa ir muito longe, não. Entre celebridades é assim. Robin Williams declarou que resolveu ir à reabilitação inspirado no progresso de Mel Gibson (antes do escândalo do ano passado, ele tinha passado mais de uma década sóbrio).
Cássia Kiss admitiu essa semana que tem bulimia e é bipolar. Isso deve ter despertado repugnância em muitas pessoas (ignorantes), mas deve ter sido um alívio para vários bipolares. A exposição da vida privada em público serve como uma espécie de ato de caridade - quase sempre involuntário. Poucas sensações na vida são melhores do que descobrir que alguém no mundo passa pelo mesmo problema que você. Isso nos aproxima e, sobretudo, nos dá esperança.
Trabalhar com esse universo dos célebres é uma tarefa de responsabilidade, infelizmente confiada a muita gente irresponsável (geralmente alguém com ego de famoso mas sem capacidade de se tornar célebre por conta própria). Por essas e outras que gosto da Sonia Abrão: ela sempre chama o psicólogo pra dar uma mãozinha! (risos)
O lado ruim é que a valorização desse tipo de imprensa vem contaminando o Jornalismo. A notícia "séria" está cada dia mais com cara de fofoca. Fora que vem invandindo o noticiário. Há nove anos, Sasha abriu o JN. Outro dia, um âncora da CNN quase que implorou à produção do canal para tirar a matéria de Lindsay Lohan do teleprompter, que ele queria seguir em frente com o jornal (imagine: a CNN divulgando notícia de estrelinha presa embriagada!).
O jornalismo de celebridades também estimula a atitude depreciativa: achamos qualquer mau comportamento normal (quando não o consideramos bacana, um exemplo de liberdade) e caímos no cinismo. A boa ação é desvalorizada, mas, paradoxalmente, meio que voltamos aos tempos do Coliseu. Virou esporte mundial: meta o pau em uma celebridade e sinta-se superior por 15 segundos. É uma coisa meio louca: falo mal mas aprecio o mau comportamento.
Há uns 50 anos, essa imprensa era bem diferente: tudo ia para debaixo do pano e a imprensa ajudava a levantar os famosos, endeusava demais, estimulava a "inveja boa". Isso também não era bom, mas agora estamos no outro prato da balança.
Também tem aquela coisa, o público possui sua dose de razão para ser cruel: é uma vida tão artificial, uma gente tão distante, um comportamento às vezes tão bizarro e que beira a chacota, que acaba sendo fácil esquecer que eles possuem emoção, um coração. Se você se comporta como um personagem, como as pessoas vão ver o ser humano?! É o preço que se paga quando se quer parecer intocável para o mundo; instintivamente as pessoas desconfiam porque, por mais que sejamos "ricuperianos" (o que é bom, a gente divulga; o que é ruim, a gente esconde), no fundo todo mundo sabe dos seus defeitos e fraquezas e, por tabela, que os outros passam pelo mesmo. Como gosta de dizer minha irmã do meio, quando vê as milagrosas transformações estéticas das celebridades, "tá certo que tem tudo na mão, mas nem por isso é melhor do que ninguém" - o ápice da indignação dela foi quando viu a barriga sarada da Carla Perez no Carnaval, dois meses após o parto! (risos)
Essa imagem de poder, que no fundo esconde um pavor à rejeição, causa a agressão. Às vezes a pessoa leva a paulada e não sabe o porquê. Nem tudo é inveja. Há quem se sinta ofendido na sua capacidade de perceber e raciocinar. Quem gosta de ter a sua inteligência subestimada, de ser descaradamente enganado?! A grande maioria reage mal e retribui com agressividade, menosprezo (a cantora Sandy é um exemplo, com aquelas mentiras sobre nunca ter beijado e aquela lenga-lenga da virgindade). A coletividade é que nem cachorro: quando fareja o medo, ataca. "Seja você mesmo" não é só uma filosofia de vida mas uma tática de sobrevivência (se a pessoa é autentica, a rejeição social não "evapora", mas pelo menos só vêm da parte dos idiotas e desses, como diz Nelson, só se pode desejar mesmo as vaias). As pessoas mais sagazes sempre descobrirão a fraude e eu gosto de acreditar que, no fundo, ninguém se engana e sabe o que é, portanto parecer o que não é pode ser uma dor interna pior do que não ser. Poupe-se desse vexame.
Eu acredito que a vida de famoso tem lá a sua dose de esquizofrenia: eles são deuses ao estilo pagão mas julgados de acordo com a moral cristã, pela imprensa e pelo público. Entretanto, ser celebridade, no fundo, não é diferente de ter qualquer outra vida, apenas é como ter a vizinhança ampliada (quem nunca foi vítima das más línguas?). Neste sentido, todos nós já tivemos ao menos 15 minutos de "fama".
Por tudo isso exposto acima, não tem como negar: a imprensa marrom é uma das principais arenas da sociedade atual. Uma arena Atualíssima.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Gente demais

Eu amo a Mafalda (de Quino)! Sério! A turminha argentina é mais refinada e politizada, claro, mas o tipo de humor me lembra o de Chaves: verossímil, direto e ingênuo. AMO!!! (vou parando por aqui, antes que vire miguxa total - porque miguxo, só Daniel Lisboa! kkk)
Post em homenagem a Rafael, filho do Donaldson, que nasceu na semana passada!
Post em homenagem a Rafael, filho do Donaldson, que nasceu na semana passada!
"Profissão Repórter" sintetiza linguagem do cinema moderno
PEDRO BUTCHER
CRÍTICO DA FOLHA
A câmera se afasta do corpo de Jack Nicholson, deitado na cama de um hotel vagabundo em um vilarejo espanhol; passa pela janela do quarto, passeia pelo pátio onde carros estão estacionados e se detém em alguns personagens, antes de retomar seu movimento lento, quase imperceptível, para então voltar ao quarto e ao corpo do ator -cujo personagem, agora, está morto.
Essa imagem, que está nos minutos finais de "Passageiro: Profissão Repórter" (1975), tornou-se uma espécie de síntese do cinema moderno -além de fetiche de muitos cinéfilos, cineastas e técnicos, que até hoje tentam desvendar seu virtuosismo técnico (a câmera, entre outra proezas, "atravessa" uma cerca sem que haja cortes).
Mas essa imagem é emblemática não só por ser um plano-seqüência virtuoso, na grande tradição inaugurada por Orson Welles, mas principalmente por conter em si as características mais importantes do cinema moderno: a imagem que incorpora o tempo (recusando o corte da montagem) e o chamado extra-campo, ou seja, aquilo que está fora do quadro.
A "informação" mais importante desse plano para a compreensão narrativa do filme está fora da imagem. É o som do tiro que mata o personagem de Nicholson. Antonioni chegou a dizer que só criou esse plano para não precisar mostrar o assassinato: "A idéia de vê-lo morrer me aborrecia".Um tiro que não se vê e que dá fim à vida "dupla" do personagem central, um repórter que, lá no começo do filme, assumiu a identidade de um traficante de armas. "Trama" que resume uma aflição presente até hoje em tantos filmes, mas que raramente encontrou expressão tão "precisa" -cuja força está, justamente, em sua imprecisão.
Sem medo do silêncio
Antonioni não tem medo do silêncio e do vazio, ou seja, das lacunas que fazem parte da nossa experiência de mundo, mas que o cinema, até então, recusava-se a enxergar.
Esse modo de ver se expressa em um trabalho de câmera genial, que nos obrigou a ver o cinema com novos olhos e transformou Antonioni em um cineasta de assinatura inconfundível, presente até em seus filmes mais recentes, como o criticado episódio do longa "Eros" ou o genial curta "O Olhar de Michelangelo".
Se Antonioni tivesse filmado apenas esse plano em toda sua vida, o fim de "Passageiro: Profissão Repórter" já teria justificado sua importância como cineasta. Mas a sua obra comporta muitas outras imagens marcantes que, de alguma forma, fazem parte do imaginário contemporâneo, como os corpos no deserto e as explosões fragmentadas de "Zabriskie Point" ou a névoa industrial que toma conta da imagem e faz desaparecer a atriz Monica Vitti em "Deserto Vermelho". Imagens que permanecem.
CRÍTICO DA FOLHA
A câmera se afasta do corpo de Jack Nicholson, deitado na cama de um hotel vagabundo em um vilarejo espanhol; passa pela janela do quarto, passeia pelo pátio onde carros estão estacionados e se detém em alguns personagens, antes de retomar seu movimento lento, quase imperceptível, para então voltar ao quarto e ao corpo do ator -cujo personagem, agora, está morto.
Essa imagem, que está nos minutos finais de "Passageiro: Profissão Repórter" (1975), tornou-se uma espécie de síntese do cinema moderno -além de fetiche de muitos cinéfilos, cineastas e técnicos, que até hoje tentam desvendar seu virtuosismo técnico (a câmera, entre outra proezas, "atravessa" uma cerca sem que haja cortes).
Mas essa imagem é emblemática não só por ser um plano-seqüência virtuoso, na grande tradição inaugurada por Orson Welles, mas principalmente por conter em si as características mais importantes do cinema moderno: a imagem que incorpora o tempo (recusando o corte da montagem) e o chamado extra-campo, ou seja, aquilo que está fora do quadro.
A "informação" mais importante desse plano para a compreensão narrativa do filme está fora da imagem. É o som do tiro que mata o personagem de Nicholson. Antonioni chegou a dizer que só criou esse plano para não precisar mostrar o assassinato: "A idéia de vê-lo morrer me aborrecia".Um tiro que não se vê e que dá fim à vida "dupla" do personagem central, um repórter que, lá no começo do filme, assumiu a identidade de um traficante de armas. "Trama" que resume uma aflição presente até hoje em tantos filmes, mas que raramente encontrou expressão tão "precisa" -cuja força está, justamente, em sua imprecisão.
Sem medo do silêncio
Antonioni não tem medo do silêncio e do vazio, ou seja, das lacunas que fazem parte da nossa experiência de mundo, mas que o cinema, até então, recusava-se a enxergar.
Esse modo de ver se expressa em um trabalho de câmera genial, que nos obrigou a ver o cinema com novos olhos e transformou Antonioni em um cineasta de assinatura inconfundível, presente até em seus filmes mais recentes, como o criticado episódio do longa "Eros" ou o genial curta "O Olhar de Michelangelo".
Se Antonioni tivesse filmado apenas esse plano em toda sua vida, o fim de "Passageiro: Profissão Repórter" já teria justificado sua importância como cineasta. Mas a sua obra comporta muitas outras imagens marcantes que, de alguma forma, fazem parte do imaginário contemporâneo, como os corpos no deserto e as explosões fragmentadas de "Zabriskie Point" ou a névoa industrial que toma conta da imagem e faz desaparecer a atriz Monica Vitti em "Deserto Vermelho". Imagens que permanecem.
Famosos falam de Antonioni
Sabe que eu nunca vi um filme de Antonioni? Morro de vontade de ver "Blow-up" por causa de um conto de Julio Cortazar que li e fiquei sabendo que serviu de base para o roteiro desse filme.
Puxa, cá entre nós, Deus tá dando um fim mesmo no século XX.
Quando Dercy morrer, vou saber que realmente estamos no século XXI, e quando Dona Canô partir desse mundo, pararei de acreditar em alma imortal (viver tanto assim chega até a ser um insulto. Deus é mais!...).
ARNALDO JABOR, cineasta, em artigo na Ilustrada de 9/08/1994 "Ele é uma espécie de Albert Camus do cinema. Como ele, Antonioni teve uma revolta contra o real. Não se conformou com as convenções de Hollywood que determinavam o ritmo de nossas vidas. (...)Antonioni nos libertou de um mecanismo de defesa contra a morte, que o ritmo dos americanos inventou. A morte fica nua em Antonioni, o mistério, o suspense, o desaparecimento das pistas, a falta de motivo para a tragédia."
CARLOS REICHENBACH, cineasta "O cinema moderno perde um dos seus ícones, uma das figuras essenciais da modernidade no cinema. O cinema mundial, o cinema como arte moderna, dá um salto fenomenal com o olhar do Antonioni. Não quero atrair o olhar da dona Fatalidade, mas agora, depois das mortes de Bergman e de Antonioni, só sobrou o Godard entre os grandes do cinema moderno. Que tenha muitos anos de vida. E não me ligue amanhã para dar outra notícia desse tipo, pelo amor de Deus."
DOMINGOS OLIVEIRA, cineasta "O Michelangelo [Antonioni] foi o grande poeta do tédio. Ele é parte de uma geração que trouxe para a discussão cotidiana temas que não pertenciam a ela, dados culturais que mudaram as pessoas. Ele trouxe para a minha geração o tema da náusea, do tédio, foi muito importante. Era um cineasta de uma humanidade candente. É interessante observar que esses grandes cineastas estão morrendo tarde, o que parece mostrar que o bom caráter e a honestidade intelectual rendem frutos."
HECTOR BABENCO, cineasta "Não está ficando ninguém, estão indo todos os mestres, todas as grandes referências. Para mim, o Antonioni era o perfeito contraponto ao neo-realismo do [cineasta italiano Luchino] Visconti. Cresci tendo na mão esquerda o fascínio pelo Visconti e, na direita, o minimalismo, o silêncio e a profundidade existencial do Antonioni."
JÚLIO BRESSANE, cineasta Eu estive com ele algumas vezes, inclusive recebi-o em casa aqui no Brasil, fiz um filme chamado "Antonioni e Hitchcock - A Imagem em Fuga" e mostrei a ele. Estou bastante chateado. "Crônica de um Amor" (1950) e, principalmente, "A Dama sem Camélias" (1953) já antecipavam todo o cinema moderno. Foi um dos cineastas mais estudados e admirados da história, mas, apesar do esforço e de algumas tiradas de gênio, infelizmente deixou pouca influência no cinema de hoje, que teve uma queda grande de substância, vive submetido a uma grande tirania. É um dia de luto para o cinema.
NICOLAS SARKOZY, presidente da França "Antonioni foi um poeta da elegância estilística, do rigor e da pureza. Sua obra está marcada pela dificuldade das relações entre os indivíduos e o mundo. Ele acaba de se unir a Ingmar Bergman além das nuvens."
JOSÉ MANUEL BARROSO DURÃO, presidente da Comissão Européia "A morte de Michelangelo Antonioni deixa a Europa sem um de seus grandes artistas, alguém que se destacou no desenvolvimento do cinema na Europa e no mundo e cuja busca contínua por novas formas de expressão gerou obras-primas como "Blow Up" e "Zabriskie Point"."
GILLES JACOB, presidente do Festival da Cannes "Ele foi um alquimista do íntimo, o maior aquarelista do coração que o cinema moderno já conheceu."
THEO ANGELOPULOS, cineasta grego"[A morte de Antonioni e Bergman] é algo simbólico. Ambos haviam alcançado a plenitude em sua vida e em suas obras."
Puxa, cá entre nós, Deus tá dando um fim mesmo no século XX.
Quando Dercy morrer, vou saber que realmente estamos no século XXI, e quando Dona Canô partir desse mundo, pararei de acreditar em alma imortal (viver tanto assim chega até a ser um insulto. Deus é mais!...).
ARNALDO JABOR, cineasta, em artigo na Ilustrada de 9/08/1994 "Ele é uma espécie de Albert Camus do cinema. Como ele, Antonioni teve uma revolta contra o real. Não se conformou com as convenções de Hollywood que determinavam o ritmo de nossas vidas. (...)Antonioni nos libertou de um mecanismo de defesa contra a morte, que o ritmo dos americanos inventou. A morte fica nua em Antonioni, o mistério, o suspense, o desaparecimento das pistas, a falta de motivo para a tragédia."
CARLOS REICHENBACH, cineasta "O cinema moderno perde um dos seus ícones, uma das figuras essenciais da modernidade no cinema. O cinema mundial, o cinema como arte moderna, dá um salto fenomenal com o olhar do Antonioni. Não quero atrair o olhar da dona Fatalidade, mas agora, depois das mortes de Bergman e de Antonioni, só sobrou o Godard entre os grandes do cinema moderno. Que tenha muitos anos de vida. E não me ligue amanhã para dar outra notícia desse tipo, pelo amor de Deus."
DOMINGOS OLIVEIRA, cineasta "O Michelangelo [Antonioni] foi o grande poeta do tédio. Ele é parte de uma geração que trouxe para a discussão cotidiana temas que não pertenciam a ela, dados culturais que mudaram as pessoas. Ele trouxe para a minha geração o tema da náusea, do tédio, foi muito importante. Era um cineasta de uma humanidade candente. É interessante observar que esses grandes cineastas estão morrendo tarde, o que parece mostrar que o bom caráter e a honestidade intelectual rendem frutos."
HECTOR BABENCO, cineasta "Não está ficando ninguém, estão indo todos os mestres, todas as grandes referências. Para mim, o Antonioni era o perfeito contraponto ao neo-realismo do [cineasta italiano Luchino] Visconti. Cresci tendo na mão esquerda o fascínio pelo Visconti e, na direita, o minimalismo, o silêncio e a profundidade existencial do Antonioni."
JÚLIO BRESSANE, cineasta Eu estive com ele algumas vezes, inclusive recebi-o em casa aqui no Brasil, fiz um filme chamado "Antonioni e Hitchcock - A Imagem em Fuga" e mostrei a ele. Estou bastante chateado. "Crônica de um Amor" (1950) e, principalmente, "A Dama sem Camélias" (1953) já antecipavam todo o cinema moderno. Foi um dos cineastas mais estudados e admirados da história, mas, apesar do esforço e de algumas tiradas de gênio, infelizmente deixou pouca influência no cinema de hoje, que teve uma queda grande de substância, vive submetido a uma grande tirania. É um dia de luto para o cinema.
NICOLAS SARKOZY, presidente da França "Antonioni foi um poeta da elegância estilística, do rigor e da pureza. Sua obra está marcada pela dificuldade das relações entre os indivíduos e o mundo. Ele acaba de se unir a Ingmar Bergman além das nuvens."
JOSÉ MANUEL BARROSO DURÃO, presidente da Comissão Européia "A morte de Michelangelo Antonioni deixa a Europa sem um de seus grandes artistas, alguém que se destacou no desenvolvimento do cinema na Europa e no mundo e cuja busca contínua por novas formas de expressão gerou obras-primas como "Blow Up" e "Zabriskie Point"."
GILLES JACOB, presidente do Festival da Cannes "Ele foi um alquimista do íntimo, o maior aquarelista do coração que o cinema moderno já conheceu."
THEO ANGELOPULOS, cineasta grego"[A morte de Antonioni e Bergman] é algo simbólico. Ambos haviam alcançado a plenitude em sua vida e em suas obras."
Adeus, Bergman (a segunda melhor coisa vinda da Suécia, depois do ABBA)!
A seguir, um belo depoimento sobre Ingmar Bergman que o cineasta Domingos Oliveira ("Todas as Mulheres do Mundo", "Amores", "Carreiras") gentilmente redigiu para a Ilustrada. Muito do que ele escreve abaixo também vale, creio, para Michelangelo Antonioni, morto menos de 24 horas depois de seu colega sueco.
*
Bergman fez a vida valer, por Domingos Oliveira
No futuro, as crianças cineastas aprenderão nas escolas que, entre o início do século 20 e o início do século 21, viveram três cineastas a quem nunca mais ninguém se comparou. Artistas que contaram a humanidade como aquele outro, russo, chamado Dostoiévski. Dizem que é preciso entender da vida para compreender a arte. A formulação está inversa. É preciso conhecer da arte para saber o que é a vida. A arte é o arauto. Ela conta aos homens aquilo que, confusos e torturados, eles não conseguem compreender. Devassam o intenso mistério da condição humana.
Charles Chaplin, sem dúvida, dos três é quem mais amou. Fellini atravessava com sua câmera as paredes finas do real e filmava o transcendente. Bergman talvez tenha sido menos divino, o mais humano desses três reis magos. E trouxe a alma para o cinema. Aquilo que é mais complexo no homem. O mais complexo da sua consciência. E descobriu, segundo declarou, a cor da alma: é vermelha.
O verdadeiro artista, como um Cristo, não vem ao mundo para julgá-lo e, sim, para salvá-lo. A luz que Bergman lançou sobre a cultura ocidental. A alegria e a beleza que fez chegar até nós, somente poderão ser justamente avaliadas nos confins da eternidade. Filmes como "Vergonha", "Sorrisos de uma Noite de Verão", "Gritos e Sussurros" e, particularmente, "Fanny e Alexander" (foto) não são simplesmente filmes. São "a coisa" em si.
Quando morre um artista assim, perde-se um amigo, sem dúvida. Mas não se deve lamentar a morte de gente gloriosa. O inocente Ingmar, tão preocupado com as besteiras daquele pastor que o criou, morreu em idade aceitável. Fez os mais belos filmes, comeu as mais belas mulheres. Ou seja, realizou a maior das façanhas, que é fazer a vida valer.
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Bergman fez a vida valer, por Domingos Oliveira
No futuro, as crianças cineastas aprenderão nas escolas que, entre o início do século 20 e o início do século 21, viveram três cineastas a quem nunca mais ninguém se comparou. Artistas que contaram a humanidade como aquele outro, russo, chamado Dostoiévski. Dizem que é preciso entender da vida para compreender a arte. A formulação está inversa. É preciso conhecer da arte para saber o que é a vida. A arte é o arauto. Ela conta aos homens aquilo que, confusos e torturados, eles não conseguem compreender. Devassam o intenso mistério da condição humana.
Charles Chaplin, sem dúvida, dos três é quem mais amou. Fellini atravessava com sua câmera as paredes finas do real e filmava o transcendente. Bergman talvez tenha sido menos divino, o mais humano desses três reis magos. E trouxe a alma para o cinema. Aquilo que é mais complexo no homem. O mais complexo da sua consciência. E descobriu, segundo declarou, a cor da alma: é vermelha.
O verdadeiro artista, como um Cristo, não vem ao mundo para julgá-lo e, sim, para salvá-lo. A luz que Bergman lançou sobre a cultura ocidental. A alegria e a beleza que fez chegar até nós, somente poderão ser justamente avaliadas nos confins da eternidade. Filmes como "Vergonha", "Sorrisos de uma Noite de Verão", "Gritos e Sussurros" e, particularmente, "Fanny e Alexander" (foto) não são simplesmente filmes. São "a coisa" em si.
Quando morre um artista assim, perde-se um amigo, sem dúvida. Mas não se deve lamentar a morte de gente gloriosa. O inocente Ingmar, tão preocupado com as besteiras daquele pastor que o criou, morreu em idade aceitável. Fez os mais belos filmes, comeu as mais belas mulheres. Ou seja, realizou a maior das façanhas, que é fazer a vida valer.
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