Eu odeio a minha, na moral. Fora o apoio financeiro do meu pai, que infelizmente precisei ao longo desses anos, esse povo, além de não me ajudar, ainda me atrapalha. E critica quando eu reclamo. Eu sou a ruim da história. Sério mesmo, foram tantos anos de sobrecarga emocional, que eu tomei ranço. Se houver uma situação em que eu precise cuidar dos meus pais, teremos problemas, porque não estou aguentando a mínima convivência mais. Foram anos confinada num quarto e sala com minha mãe, colada em mim, sem vida própria, que não saía de casa. Ela ainda sai de dedicada, quando na verdade virou uma parasita da minha vida. Ninguém gosta de parasita, ninguém suporta ser sugado energeticamente. Mas tive que aguentar porque é mãe (e eu gosto dela, mas não dá pra viver a vida nesta simbiose doentia). Minha mãe tem sido uma figura tão pesada que me tirou qualquer vontade de constituir família. Deus me livre ficar presa a alguém de novo.
Se minha vida foi uma grande sucessão de abusos emocionais, a família foi o principal palco disso, infelizmente. Me choca como eles se enxergam como pessoas ótimas e não enxergam o quão tóxicos são em família. Eu tenho consciência dos meus, mas eu sou a ponta dessa corda, a última a chegar. Muita coisa já é resposta e autodefesa. Sabe aquela coisa do se der mole, monta em cima? Bem isso aí.
Meu pai há quatro anos promete me ajudar a procurar a minha casa, mas toda vez, além de me submeter a esse confinamento que eu odeio, que me bota trancada em um quarto minúsculo, não faz nada. É desculpa pra tirar férias. Ele só fez isso uma vez. Ele tira meu sossego pra tirar férias. Só que ele não tem nada pra fazer o dia inteiro; já o meu dia só pára depois das 22h. Eu não tiro férias, mas minha irmã tira e marca pra meus pais chegarem bem no meio de um feriado em que eu poderia viajar (ela viajou, eu não). Acabou com as minhas férias, mais uma vez marcando essa porra dessa viagem sem falar nada comigo. Tive que cancelar. Mamãe querida mais uma vez queria impor a presença dela aqui, mesmo eu falando que não queria ela aqui. Quando eu consigo juntar um dinheiro pra me distrair, a irmã mais velha, mais uma vez, estraga as minhas férias. E eu sou a gente ruim da história. Passei a vida inteira sobrecarregada, nunca ajudada, muito menos emocionalmente, mas eles não hesitam em jogar um peso a mais, como se eu fosse um burro de carga, qualquer coisa, menos um ser humano.
Qual é o problema deste povo comigo? Eu não faço nada pra essa gente, fico o mais no meu canto possível, mas além de não me ajudarem em nada, eles não estão nem aí pro caso de me atrapalhar. É inveja? É maldade pura? Eu não sei. Só sei que só terei paz quando estiver longe deles. Amém!