sexta-feira, 26 de junho de 2015

Qual é o problema de casar, gente?

Tá certo que eu ando casamenteira, esperando que o guindaste de Santo Antônio me guie rumo ao altar, mas qual é o problema das pessoas em casar, gente? Bora assinar esse papel, PORRA.

No dia em que os gays americanos ganharam o direito de se casar, acho que acabei colaborando para um "acidente diplomático" entre um casal, no Facebook.
Atenção, que vou contar o babado: dois colegas meus namoram e eles têm na faixa dos 25, 26 anos. Ela aproveitou a deixa do "Independence Day" para "brincar" com ele dizendo que agora poderiam se casar. Ele respondeu, no mesmo tom de brincadeira, que se fosse para conhecer os EUA, ele até toparia. Eu me intrometi dizendo que adorei a ideia e dei um tema: casamento em Las Vegas, com direito a sósia gordo de Elvis. Ela respondeu pra mim que iria anotar a sugestão entre as "ideias para o casamento que jamais teremos". Depois ela viu que ficou seco e editou, completando com algo mais espirituoso.
Você, que não conhece o casal, poderia me dizer, quando lhe contar que eles só têm um ano de namoro, que são novos e ainda é cedo. Vou lhe responder que aos 25 anos pensava assim, mas hoje acho isso uma besteira. A gente leva o futuro muito a ferro e fogo quando é novinho (ou faz totalmente o oposto, faltando equilíbrio nas escolhas de qualquer jeito).
Decisão séria é ter filho. Ou, pra maioria, fazer mudanças bruscas na carreira. O resto, como diz minha pragmática mamys, se der errado, dois dias de choro resolvem.
Esse tipo de racionalidade dele quebra o encanto. As pessoas levam o casamento muito a sério, quando o máximo de efeito colateral que já vi causando é o excesso de plásticas - que o digam Fábio Jr. e Gretchen. 
Mas relacionamentos, com poucas exceções, são feitos para acabar. É amargo, quando for a hora vai doer pra caramba, por algum tempo você vai se arrepender de ter entrado nessa, vai se prometer nunca mais amar ninguém, mas nada é mais recorrente que isso na vida. Tudo o que se leva de um relacionamento, via de regra, é a experiência, a mágica daquele (curto) período em que se esteve apaixonado. Como diz a assessora de Deus para assuntos aleatórios - seccional Bahia, Ingrid Campos, o amor é uma fantasia que projetamos em outra pessoa.Quem você ama não existe. Por isso gente muito racional não se apaixona. Há, por mais que a gente desdenhe, sabedoria nos arrombos de paixão das celebridades. Elas sabem que em 99% dos casos é o melhor que vão poder extrair do contato com o outro. Por isso elas casam logo, para poder deixar correr solta essa fantasia (por isso fazem o pré-nupcial, justamente por, no fundo, saberem que é algo com prazo de validade). 
Voltando ao meu amigo, ele, na tentativa de ser sensato, tá jogando água na fogueira. Se continuar nessa, apesar das suas inúmeras qualidades, corre o risco de apagá-la. Todo mundo precisa se sentir único, prestigiado, especial. Vamos fingir que estaremos juntos pelas próximas cinco encarnações. Se levada com leveza e boa fé, essa "mentira sincera" não vai custar nada; até que é do bem. E, no caso dele, que já divide apartamento com outras pessoas, qual é o problema? A não ser que ele não goste o suficiente dela; aí é outra história. 

Pra resumir essa conversa aqui, minha gente, apenas digo: vamos parar de frescura.

"Exageradooo!... Eu sou mesmo exageradoooo"

"... Adoro um pavor inventaduuuuuu..."

Adoro nada. Pior que nem é inventado assim. Como diz um fofoqueiro da tv, "eu aumento mas não invento".
E digo mais: meu coração é guerreiro. O que passei no último mês só Jesus sabe.
Comecei a ouvir histórias cabulosas de violência no México e cheguei até a cogitar trocar de destino, o que só não fiz pra manter uma certa dignidade diante dos amigos. Na mesma semana do embarque sonhei que minha mãe morria enquanto estava fora. Que uma pessoa do trabalho, de quem não gosto, armava pra me demitir. E tive absoluta certeza que morreria nessa viagem quando um ex-colega de trabalho aposentado, no dia de viajar, disse que tinha sonhado comigo. Pra que dizer isso, gente? Toda morte trágica tem que ter um diabo de um sonho premonitório. Bem, pressionada pela situação, desabafei. O coitado terminou a conversa me consolando e prometendo que ia me visitar no jornal assim que voltasse de viagem. Paguei mico, mas foi mais forte que eu. O sofrimento só acabou quando voltei e verifiquei que minha mãe também estava viva da Silva. Levá-la na rodoviária, horas antes de eu mesma embarcar para a Cidade do México, quase me matou. Parecia que a estava vendo pela última vez. Ufa, passou!

Mas fiquei arrasada com uma coisa: constatar que até o México é mais sossegado que o Brasil. Estamos no c* da cobra, minha gente!

Eu ando com paranoia de segurança. Não é pra menos: fui assaltada, meu pai quase morreu por agora em um assalto, meus colegas estão sendo assaltados pelo menos uma vez por mês. Fico em pânico diante da mínima possibilidade. Outro dia, me senti traída quando um casal, no qual ponguei para descer do Canela para a Graça em segurança, parou no meio do caminho. Parei também e olhei pra cara deles. Três segundos depois, quando me toquei que estava pagando de louca, disfarcei e segui em frente.

O difícil de se livrar da paranoia é que ela, apesar de ser um exagero, é uma possibilidade, tem a sua razão de existir. Isso já causa imenso estresse. E, no que se refere à violência urbana, são tantas as notícias de atos bizarros e cruéis, que você começa a ter certeza de que a humanidade anda bastante desumana e que tudo pode acontecer, inclusive daqui a pouco e com você (bate na madeira!).

Enfim, gente, que as feministas não me ouçam, mas acho que estou precisando casar.
Eu possuía uma lista de três familiares/amigas que tinha a convicção de que precisavam casar bem - duas já foram e com sucesso -, mas além de tê-la ampliado com outras amigas, agora eu quero me incluir nela.
Não tá dando certo pirar sozinha. Mas será que pirar a dois presta? Bom, pelo menos se entrar ladrão em casa à noite, não passarei por esse susto all by myself.



quinta-feira, 25 de junho de 2015

A bolha

Ontem rolou, na internet, um bafáfá por conta da declaração da mãe do protagonista de "I love Paraisópolis" de que ela estava adorando ser sogra de Marquezine. Eu penso que onde há fumaça, há fogo, mas sei também que mãe é um bicho muito sem noção, que atira pra depois mirar. Half, half, concluí. Hoje a história já foi desmentida pelo pai do rapaz.
Nosso primeiro reflexo é achar que artista não tem mais o que fazer do que ficar mentindo pra todo mundo, mas, pensando bem, no lugar deles, também sairia com um "Somos apenas bons amigos". Porque, vamos combinar, a coisa é muito delicada para a gente ficar arrastando o sari na medina desse jeito. Todo mundo adora dar pitaco na vida dos outros, mas, quando se trata da vida íntima, parece que isso arranha a nossa carne mais profundamente, é muito mais irritante a intromissão. Sou da opinião de que relações íntimas deveriam ser vividas dentro de uma bolha ou pelo menos usando aquela capa que dá invisibilidade que Scheila, de "Caverna do Dragão", possuía.
As pessoas não fazem isso necessariamente por mal. É um instinto (mas você sempre pode escolher entre ser grosseiro ou não). Reparamos, especulamos sobre a vida alheia inclusive para nos entender. A gente se emociona ou se enerva em causa própria, no final das contas. Até porque esses repertórios são quase tão batidos quando a humanidade.
Mas que essa chacrinha tem poder de produzir caos, ah, isso tem. Sem resolver o problema, vale destacar. Porque ninguém sabe o que se passa dentro dos outros, simplesmente. As pessoas deveriam assistir a esse vídeo da Jout Jout a respeito dessa verdade universal (https://www.youtube.com/watch?v=dVi92F1SIto). Não ia resolver muita coisa, mas pelo menos garantiria, quem sabe?, alguma ressaca moral dos "universitários", o que já seria um indicativo de simpatia, que por sua vez, segundo dizem, é quase amor.
E tenho a impressão que quanto mais se mexe, mais porcaria se produz. Tiro pelos meus ex-empregos. Eu só trabalhei, até agora, em empresa-bomba, pré-falida. Em determinado momento, as pessoas começam a se desesperar com o futuro e só se fala nisso. Nesse meio tempo, elas começam a criar paranoias. Nada disso ajuda, mas é quase impossível parar. Isso piora o ambiente, faz o peru ir pro abate antes da hora, mas as pessoas ainda assim precisam prever, desabafar. É algo que acaba ficando maior que o bom senso delas.
Sim, de fato é melhor mesmo insistir na lorota do "não é nada disso".
E, por falar em paranoia, fica a dica de leitura do meu próximo post.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Quem tem medo da mulher solteira?

Eu acho que um monte de gente tem, infelizmente.
Fui pro México sozinha, quer dizer, de excursão. Fiquei apaixonada pelo país, pelo povo, pela cultura. São amáveis, me lembraram os goianos (aquelas pestes são falsas, mas são um doce no trato, tenho que admitir, hehe). E são caprichosos, tudo tem uma cor, um desenho, um detalhe. Contadores de histórias natos, sempre há uma lenda, uma narrativa na ponta da língua. O México se ama e bota a cara no sol, se expõe. Enfim, fiquei apaixonada. Quero voltar. Ao que tudo indica, a parte que me cabe no mundo é aquela que fala espanhol. Há uma vibração nesses países que me conquista de cara.
Em 80% da viagem, era única a não ter a língua espanhola como materna. Me esforcei à beça para usar o pouco espanhol que aprendi há sete anos e acho que, no geral, obtive sucesso apesar de ter sido cansativo. Fui cara de pau, fui me jogando, tentando me comunicar, tirando dúvidas com os colegas. Fiquei com uma invejinha da integração que o resto da América Latina tem e a gente não.
Mas o maior deslocamento que experimentei foi por ser mulher, ainda jovem, e sozinha por aí.
O maior deles foi com o único casal jovem com quem cruzei na excursão, Gabriel e Mariana. De cara - peço desculpas à garota, mas é o que estava visível -, percebi que o quadro ali era o dono e o cachorro, respectivamente. A viagem era para ele. E a criatura tinha cara de ser bem católico, pela empolgação com as igrejas e com a Virgem de Guadalupe.
Nos dois dias que passei com eles, o cara me evitou. No segundo dia, quando havia mais gente, ele foi menos pior, mas no primeiro, quando só estávamos nós três, foi bizarro. Se Mariana fosse ciumenta, possessiva, até que compreenderia um pouco, mas nem isso. Percebi que simplesmente ele achava ruim me dar qualquer atenção estando com a namorada dele do lado (e a menina nem aí, conversou comigo de boa, mas não era de tomar a iniciativa). Era algo tenso pra ele. Só que ficou feio porque ele praticamente fechou a cara para mim a troco de nada.
Antes deles, estive com dois casais de idosos da Venezuela. Adorei todos, ficaram meus amigos e a viagem foi bacana em grande parte por causa deles. Fiquei mais chegada ao casal que é de origem árabe. Mas, num primeiro instante, percebi que Thereza ficou bolada pelo marido ter sentado do meu lado e começado a conversar. Entretanto, ela foi sensata e logo percebeu que não era a minha intenção dar em cima do marido dela, de jeito algum.
É isso que mais me intriga: sou o tipo de pessoa que tem discrição, nesse sentido, com todo mundo. Eu tento não dar nenhum sinal que possa indicar que estou dando em cima, num nível até que me prejudica em algumas circunstâncias pontuais, quando haveria espaço para isso. Você não vai me ver de pernas de fora no ambiente de trabalho nem em eventos que eu sei que terão presença masculina. Não faço o estilo periguete, muito pelo contrário. Lá fora posso até imaginar que se trata do estigma da brasileira. Quando estive na França, um colega do curso, turco, vivia jogando umas cantadas. Uma vez, passeando na rua, um maluco apontou pra mim e gritou, jogando charme ou algo que ele imaginava ser isso, "Brasileiraaa!". Em Portugal, um cara de 40 e tantos anos ficou forçando uma conversa comigo, na saída do avião, quando me viu conversando com um homem brasileiro. Certeza que na cabeça deles a inferência era "se brasileira, então puta". Isso sem decote, sem pernas de fora de minha parte e nem sorrisinhos, imagine.
Mas e dentro do meu próprio país, entre pessoas, inclusive, que veem o meu comportamento todo dia? De onde as pessoas tiram que uma mulher solteira é uma ameaça? Não vejo nenhum homem tirando a sua mulher de perto de homens solteiros. Homem solteiro não é ameaça, a não ser que seja o Rodrigo Lombardi.
Um colega meu não consegue conversar comigo sem citar a namorada. E é um negócio artificial, que você percebe que é indireta, do tipo "Olha, eu tenho namorada, viu?".
Se acontecer "o pior" safada é a mulher, o homem foi abduzido, né? Que ridículo! Olha, só não fico totalmente chateada porque além de saber do meu comportamento, penso que não se chuta cachorro morto, portanto algum atrativo eu devo ter.
Uma amiga defende que ser mulher é bom, quando eu reclamo dessas coisas. É bom, mas é altamente tenso. Você é muito julgada e ameaçada o tempo todo.
Segundo mal estar da viagem: ser uma mulher estrangeira andando sozinha na rua. Alvo duplamente vulnerável.
Da hora em que você nasce até perder a juventude, a mulher tem que se preocupar em não ser atacada. Outro dia, li uma frase e fiquei chocada ao perceber que é a mais pura verdade. Dizia assim: "Só uma mulher sabe o alívio que é estar numa rua deserta, perceber alguém vindo atrás e, de repente, constatar que é outra mulher e não um homem".
Ainda temos chão pela frente, viu, turma?


segunda-feira, 1 de junho de 2015

O corpo

Quem tem um não precisa ir a Guantánamo. Sério.
É muita interdição na vida do ser humano por causa dele.
Você não "pode" usar certas roupas para não dar ideia errada aos outros.
Você não pode ser carinhosa ou assídua de uma companhia do seu mesmo sexo porque vão dizer que você é homossexual.
Se o mesmo acontece com alguém do sexo oposto, tá rolando algo.
Mas se você não é muito de toque, é frio.
O corpo ainda cumpre uma pena que não é dele. Na verdade, é da mente.
O crime perfeito.

*****
Cada vez mais confirmo que a mente humana não ultrapassa o nível de crianças da quinta série, não importando quão velho/a a figura seja.
Só isso explica não evoluirmos em coisas tão simples.
Um amigo recebeu uma confissão de uma amiga de que ela gosta dele. Ele não quis admitir, mas pesquei que ele está fugindo dela. Disse a ele que pode estar magoando alguém à toa (mas sei que não é essa a intenção). Ela provavelmente está tentando fingir que nada aconteceu e ser a mesma de antes, para não perder a amizade, e ele está cauteloso à beça com ela achando que qualquer atenção pode alimentar os sentimentos da tal figura.
Não tenho ampla experiência nisso, mas já me aconteceu - uma vez o papo foi até bem direto, me pegando de surpresa. Eu fiquei constrangida - normal porque além da situação, entra em jogo a minha timidez -, mas não demorei a ser a mesma com o cara. Era meu amigo e eu não levei isso como ofensa; ficamos de boa logo. Aliás, como pode ser ofensivo alguém encher o seu ego? Isso só não aconteceu com quem fechou a porta na minha cara. Afinal, para os que provaram não serem amigos, a lei - como dizia o outro. Para os que são, falsidade seria eu me afastar. Na boa, moças, nada a ver ficar chocada porque o seu amigo - de verdade, não do tipo que finge com segundas intenções - confessou que sente vontade de transar com você. Vai fazer com o inimigo? Você pode até não gostar da ideia, mas ela está longe de ser indigna.
Eu penso o seguinte: as pessoas têm o direito de propor, você de negar ou aceitar. Dá um certo constrangimento mesmo quando as vontades não se casam, mas cada um é responsável por si, certo?
Ficar nessa cautela pode até ter uma boa intenção por trás, mas, na prática, só fere a dignidade do outro, que sente que a pessoa tomou pânico dela. E quem tem carinho a ponto de se declarar não merece isso, né mesmo? Eu até entendo, mas, na boa, pense bem, é chutar cachorro morto. A pessoa já tá ali, rejeitada pelo "não" e ainda vem essa?! Dose.
Enfim, gente, é todo mundo adulto. Ou deveria ser, sei lá.