domingo, 4 de maio de 2014

Não ignore os instintos, pois a civilização não é tão civilizada quanto querem que a gente acredite

Levante a mão quem não ficou chocado com o assassinato do menino Bernardo, em Três Passos, interior do Rio Grande do Sul? É difícil não chorar essa morte, mesmo sendo de um pequeno desconhecido.
O engraçado é que uma semana antes, peguei uma discussão longa sobre alienação parental no Facebook. Os advogados e politicamente corretos, que surgiram no post, argumentavam que o pai tem a obrigação de dar amor ao filho e acreditavam que a lei é instrumento para isso.
Gente, quem é doido de achar que um pai ou uma mãe está certo em abandonar um filho? Não é essa a questão. O problema é que não dá para forçar uma pessoa a agir corretamente no campo afetivo. Não tem lei do mundo que possa obrigar o vínculo entre pais e filhos. O juiz pode até obrigar as partes a conviverem, mas consideração e afeto não se impõem com uma canetada. E nem às vezes convém, como vemos no caso de Bernardo.
Ok, nem todo pai ausente mata o filho, mas há outros tipos de morte também que um genitor pode produzir na sua prole. A relação afetiva ali estava mortíssima, tanto que Bernardo foi pedir ajuda ao Ministério Público. E mais: além do abandono, o menino era humilhado. Por que não sermos realistas e procurar o interesse do menor? Se a Justiça quer se meter em assuntos de fórum afetivo-familiar, que amplie a sua ideia de família, primeiro. Por que insistir nesse lenga lenga de pai e mãe quando é evidente que não há amor, não existe cuidado do genitor?
Pode ser fácil falar depois que a tragédia acontece, mas por que o juiz não procurou quem tivesse interesse em ficar com o garoto? Uma avó poderia ser melhor, um padrinho, enfim. O juiz chorou. Deve ter se arrependido de não ter tido senso prático.
Cena 2. Sai a pesquisa do IPEA e um monte de gente brada que a mulher tem o direito de vestir o que quiser, que mesmo nua não merece ser estuprada. Esse posicionamento é necessário, mas está incompleto. Porque precisamos nos impor, fazer o outro entender que é nosso direito, etc. Mas, gente, só uma pessoa insana vai se fiar em leis e discursos para garantir a própria segurança. Sempre vai haver transgressores às normas e temos que estar espertos. Volto a dizer, temos que ser pragmáticos. Uma mulher deve, além de personalidade, ter prudência. Digo uma mulher porque - é inegável - somos fisicamente mais vulneráveis que os homens. Outro dia me contaram o caso de uma menina de 17 anos que topou ir para o estacionamento com um ficante da balada. Lembram da cena do estacionamento de "Telma & Louise"? É disso que eu falo: não facilitar para o azar. Quem garante que o cara vai respeitar o limite dela? Na minha opinião, a gente tem que se meter nas situações das quais conseguiremos sair.
Como bem disse Camille Paglia, sociedade é selva. Não ignore seus instintos para antever o perigo porque a civilização não é tão civilizada quanto querem que a gente acredite. Depois que o pior acontece, não tem caneta de juiz ou discurso politicamente correto que repare o estrago feito.

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