sábado, 17 de julho de 2021

O que a vida nos roubou

 



O melhor das novelas mexicanas são os títulos (ou, quem sabe, a tradução do SBT). 

Mas não vim falar disso, não. Vim falar das coisas que a vida nos tira, à revelia da nossa vontade. 

Quem não esteve em coma durante esses 17 meses de pandemia sabe muito bem do que estou falando. No entanto, a pandemia apenas deixou mais intenso um processo que é da vida. Tudo que ela quer da gente é coragem, como disse Guimarães Rosa. Eu gosto de uma outra palavra, e que neste contexto tem quase o mesmo sentido: flexibilidade. 

Flexibilidade para aceitar que é isso mesmo e não tem muito o que fazer. Parar de achar que há "perdedores", porque todo mundo perde ao longo do caminho. Aliás, sem perder não se abre lugar para o novo entrar. Largar mão, também, de tapar o sol com a peneira e dizer que tudo vira ganho. Às vezes, não há ganho que console a perda. Como disse um meme sobre relacionamentos, que ficou popular por esses dias, não há aprendizado que cubra a frustração de quem queria um relacionamento e saiu com o saldo de um workshop.

Flexibilidade para não se afundar na lista de perdas e ir atrás de outros ganhos. 

O que é roubado nunca nos pertenceu (não há solução) ou o que não está em nossa posse está adormecido e pode ser resgatado (está nas nossas mãos).