Eu diria à autora do texto que falta real empatia pelo filhx em um genitor que age assim como ela propõe.
(Cansei de botar "x" no lugar do "o", mas vocês entenderam qual é a intenção, não é?)
Eu ainda acredito que pé de galinha não mata pinto. Claro, temos a obrigação de evoluir em relação aos nossos pais. Acho que os brasileiros ainda são incompetentes para inserir a alegria na educação da prole. No Brasil a gente ainda é ensinado que tudo que vale a pena tem que vir através do sofrimento. O resultado disso é que brasileiro não é lá tão leve quanto aparenta: reclama muito e investe pouquíssimo em mudanças. Gente alegre não vê tantos problemas e, portanto, não se paralisa. Acredita em mudanças. Espera - às vezes por muito, muito tempo, na base da resiliência - por dias melhores.
Eu sou da teoria de que primeiro você aprende os conceitos básicos, depois bola a sua própria receita. O chef não surge antes do cozinheiro. (Luize, se estiver lendo isso, pule a parte que se seguirá, amiga, rs.) Eu sempre encontrei muita similaridade entre criar um cão e uma criança. Ambos são dominados pelo instinto. E muitas vezes só param de privilegiar a realização dos seus desejos se o adulto os fizer parar. Já que é assim, acho melhor que aprendam pela mão amorosa da família que na rudeza da rua. Chegamos ao meu xis da questão: estabelecer limites não é punição; é proteção.
A meu ver esse tipo de pensamento de minha amiga e do artigo que ela compartilhou falha em uma coisinha, que não é tão "inha": o mundo não ama o seu filho as much as you. É duro admitir isso, mas aceite, que dói menos. Do lado de lá é "tiro, porrada e bomba" muitas vezes. Então, ensinar seu filho a agir dentro das regras (as realmente importantes, claro) é uma forma de protegê-lo. Porque nem todo mundo enxerga criança como "café com leite" e se uma pessoa resolver agir rigidamente com um pequeno, ele vai se impressionar com isso. As próprias crianças costumam se vingar do mau comportamento de outras crianças, isso acontece com frequência no mundo infantil. Eu sei bem porque lembro bastante de quando era criança.
Há uma diferença importante: adulto transgride porque tem condição de elaborar racionalmente uma rejeição; a criança ainda não sabe fazer isso, pelo menos as menores de oito anos.
Há uma diferença importante: adulto transgride porque tem condição de elaborar racionalmente uma rejeição; a criança ainda não sabe fazer isso, pelo menos as menores de oito anos.
Se os pais souberem educar bem na primeira infância, dificilmente as crianças passarão por problemas, mesmo se resolverem transgredir as convenções sociais - uma boa educação provocará isso, aliás. Elas terão alguns valores importantes internalizados, elas serão lúcidas sobre como as relações sociais funcionam e não produzirão tantas ilusões que só complicam a vida e elas se sentirão protegidas pelos seus pais. Repare como a gente fica com raiva mas ao mesmo tempo orgulhoso quando percebemos que os nossos pais estavam certos. É chato ver que se enganou, mas ao mesmo tempo há uma sensação boa de que você está/estava em boas mãos.
Pai e mãe, a propósito, não deveriam se desesperar tanto com a chegada da adolescência. Se chegaram junto nos primeiros anos do filho - prestando atenção à personalidade dele e tendo paciência para ensiná-lo e estimulá-lo -, esse trabalho não irá evaporar, isso eu garanto. Poderá ser "editado", mas não "descartado". Pai e mãe vivem dentro da gente para sempre e eles deveriam ter mais consciência e principalmente fé nisso.
Pai e mãe, a propósito, não deveriam se desesperar tanto com a chegada da adolescência. Se chegaram junto nos primeiros anos do filho - prestando atenção à personalidade dele e tendo paciência para ensiná-lo e estimulá-lo -, esse trabalho não irá evaporar, isso eu garanto. Poderá ser "editado", mas não "descartado". Pai e mãe vivem dentro da gente para sempre e eles deveriam ter mais consciência e principalmente fé nisso.