Ontem estava em um bate papo com duas amigas. O assunto que veio à baila foi relacionamento aberto.
Caros amigos, vale frisar que, antes de tudo, sou uma pragmática. Nunca mesmo se esqueçam disso. Eu quero saber do que é possível, do que na prática se confirma, e pra quê serve. Odeio teoria vazia. Só serve para gerar desilusão e culpa. Nem venham!...
Acho todos os argumentos a favor da poligamia lindos, concordo - na teoria - que seria o ideal atingir esse nível de respeito pelo próximo, odeio gente ciumenta, que não confia, mas, no atual estágio da Humanidade, esse tipo de arranjo sentimental tem tudo e mais alguma coisa para dar em merda.
Relacionamento aberto, pra mim - levando em conta os tipos humanos que conheci em três décadas de vida -, é coisa para quem: 1) não tem realmente vínculo com o seu par (é mais uma "amizade colorida"); 2) é extremamente evoluído espiritualmente. Se gente "2" existe, nunca conheci. Porque, pelo que tenho visto, as pessoas até administram ficadas, mas a zorra fede quando o par estabelece vínculos com outro alguém. Porque, por melhores que sejamos, temos ego, temos os nossos apegos e medos. É humano isso. Só essa gente muito evoluída, que eu nunca tive o prazer de conhecer, consegue, de coração, entender e aceitar calmamente as mudanças dos seus afetos.
De minha parte, apesar de entender "que amor só dura em liberdade e o ciúme é só vaidade", eu não quero saber. Eu não aguentaria e me dou o direito disso; não vou me esfolar por dentro para parecer alguém que ainda não sou. Se quem eu amo for amar outra pessoa, não me conte, não deixe as pessoas mais próximas saberem - porque sempre dão bandeira, isso quando não revelam o fato - e nem faça isso com gente que é importante para mim sentimentalmente, porque, do contrário, vou ler isso como descuido e até tentativa de me ferir. O mundo é grande, o tesão pode acontecer por muitas outras pessoas que não as do meu "raio social". As escolhas querem comunicar algo. E nem me venha com esse lance de culpa. Se for pra me contar, que seja para terminar logo e cada um seguir a sua vida. Esse negócio de contar pra nós dois darmos um jeito na relação, tô fora. Não entendo isso de "pedir tempo". Tenha personalidade, né? Assuma as suas vontades, e escolha. Não dá para manter as pernas dos dois lados da rua; viver é escolher e, eventualmente, perder algo por isso.
Invisibilidade
Na conversa, mencionei a minha surpresa com amigas, ditas descoladas, que ao fim da noite de sábado se mostravam chateadas com a vida de ficar, ficar, ficar. A não ser um idiota para dizer que antigamente era melhor que agora; as pessoas tinham medo de não seguir o script social. As pessoas eram quase coagidas a casar, ter família, manter casamentos. Mas, o que eu disse e ninguém pareceu entender, é que a evolução, nesse sentido, está sendo superestimada. A gaiola continua. A invisibilidade é de outro tipo, mas ainda fere corações. Porque ao fazer o esforço de ser racional e respeitar o outro - por generosidade ou orgulho, não é essa a questão -, se a figura não demonstra dependência afetiva, como numa espécie de vingança, @ outr@ passa a tratá-l@ como se não tivesse sentimentos, como se fosse um robô, um pedaço de carne.
Tá todo mundo ressentido. Nunca pudemos tantas coisas, mas continuamos, quanto aos nossos sentimentos, extremamente invisíveis uns para os outros. Ninguém evolui sem antes assumir que precisa evoluir, que tem coisas a serem trabalhadas. E a sociedade atual não quer admitir que os relacionamentos não só ainda têm desafios de liberdade como de segurança. Sim, deixemos o orgulho de lado: nós também precisamos de segurança afetiva. Não conheço quem seja autossuficiente sentimentalmente.
Por que a fama é uma armadilha tão grande? Porque você é visto, mas como uma grande caricatura. A armadilha é que menos gente ainda lhe enxerga quando você é famoso; você fica refém do olhar alheio, mas a essência torna-se mais invisível que antes.
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Um amigo meu confessou que o sonho dele era ser cantor de trio elétrico.
Eu teria uma bruta crise existencial em cima de um trio.
Ia me questionar pra que diabos "grunhir" coisas do tipo "o malê de balê do dendê de obá". Ou qual o sentido de mandar alguém "tirar o pé do chão". Ou por que aquela criatura ali embaixo está se ocupando em mexer a mamãe sacode com tanta força. Ou pra quê me lenhar oito horas em cima de um trio, ganhar milhões e não poder aproveitar a vida, viajar, fazer o que me der na telha. Enfim, acabaria tendo uma crise de labirintite e caindo de cima do trio. Vexame. Essa profissão não serviria pra mim.