Está todo mundo falando sobre a entrevista ostentação da colega de Facom Ticiana Villas Boas. É ótimo quando essas coisas acontecem com gente que conhecemos (ok, não somos amigaaas, mas Ticiana estudou comigo por quatro anos e, como entramos no mesmo semestre, tive a oportunidade de conviver com ela em alguns poucos eventos sociais da turma). Dá para ver a real dimensão das coisas.
Foi muito interessante ter visto o vídeo com um trecho da entrevista. O que todo mundo está criticando, o fato dela ter dito que passou um tempo sem saber o valor do litro da gasolina, ela mesma se criticou por isso. E eu duvido que você saiba o preço de tudo. Boechat não deve saber, por exemplo, quanto está custando o quilo do tomate. A empregada deve cuidar disso. E não é uma questão de ter dinheiro. É a divisão do trabalho. Se é o seu marido quem faz as compras de casa, provavelmente você não deve estar muito por dentro dos preços da cesta de alimentos.
Outra coisa que a gente tem que lembrar é que se trata do mundo dela, por mais que seja distante do nosso. É como a própria Ticiana diz no final do vídeo, que em relação a ela estudante, hoje gasta muito, mas em relação às pessoas do meio dela, não. E quem vai negar que o bom do dinheiro é não ter que fazer contas? Só sendo hipócrita mesmo.
Ticiana falou sobre isso de boa na entrevista, dá para ver no vídeo. Não vi ar de superioridade, ela apenas foi mais sincera do que convinha, já que ali é visível que a entrevista foi desenhada para pintá-la como a bonitinha fútil. Ela tem que começar a se tocar, também, que a Ticiana midiática é um produto. Não dá para sustentar essa vaidade de querer ser natural, sincera.
Não gosto de afirmação do tipo "é tudo inveja". Isso é resposta de gente idiota, de menininha tocadora de piano que não aguenta ouvir nada desagradável. Mas, nesse caso, vejo que uma parte da galera sente isso. Muita gente que a critica, no fundo, dá valor às coisas que ela tem. Porém, nesses casos, acredito mais na ignorância mesmo de quem julga.
Nessa situação específica, há duas confusões básicas:
1) "Jornalista é um ser com uma inteligência maior, o cara que dá a opinião que vai deixar a galera, na mesa de bar, de boca aberta". As pessoas sempre esperam que um jornalista fale coisas sensacionais e saiba de tudo. A galera talvez esperasse algo inteligente de Ticiana por ser a âncora da Band. "Come on, Bill!...", como diria Madonna. Eu perdi essa ilusão de que em redação só há gente genial assim que entrei em jornal. E não estou depreciando os meus colegas ao dizer isso porque eu tenho plena consciência que tudo que percebo na empresa em que trabalho existe nas outras, em maior ou menor grau. O jornalismo é feito dos operários da informação, ou seja, de gente esforçada, que não é gênia, mas que é competente para trazer a notícia. Um aqui, outro acolá vai superar a média. Ticiana é uma operária da informação. Ela, ainda repórter, fazia o trabalho dela direitinho. Chegou longe porque, além de esforçada, tem uma beleza acima da média no meio. Ponto. E conseguiu isso antes mesmo de ter se casado pela primeira vez. Ela não é interessante, mas é esforçada. E boa gente, pelo que me lembro. Gente assim pode chegar longe, mesmo no jornalismo ou em outras profissões com a fama de reunir a intelectualidade.
2) "Qualquer trajetória, para ser válida, tem que ter sofrimento". Olha, eu sou do tipo que dou muito mais valor a quem saiu de uma condição difícil e conseguiu chegar lá, mesmo que não tão longe, do que a alguém que já nasceu em "berço esplêndido" e alcançou o topo. Ticiana nunca sofreu, sempre teve tudo que quis. Que culpa tem ela? Vá reclamar com Deus, ora.
Tem gente que diz que a criatura está "brincando de ser milionária", que está deslumbrada. Gente, não é muito diferente das nossas vidas, não. Conheço um monte que brinca de ser poeta, ator, cônjuge, pai, mãe, espiritualizado (e nem sempre isso beneficia alguém mais além da própria pessoa)... Cada um com a sua maluquice/tara/ilusão. E nem acho que ela tenha casado com o feioso por dinheiro. Dá para ver que gosta dele. A dobradinha mulher bonita e homem inteligente é mais velha que a roda. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido. Agora, é claro, a criatura, pelo histórico desde os tempos da Facom, é carente; bajulou, conquistou. Quem é escolhido e não (se) escolhe nunca, corre o risco de ver que levou para casa a mercadoria trocada.
As pessoas não estão, também, acostumadas a ver jornalista em meio a tanto luxo. Ela, pelo que me lembro, é o primeiro caso do tipo. Nem os mais bem pagos da tv têm a condição de vida que ela usufrui. E isso é quase tão estranho como ver um jornalista anunciando sabão em pó.
Enfim, não vejo razão para tanto criticismo em cima de uma criatura que só está vivendo a vidinha dela. Olha, eu era feliz com a discussão do "somos todos macacos", e não sabia (risos).
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