Levante a mão quem não ficou chocado com o assassinato do menino Bernardo, em Três Passos, interior do Rio Grande do Sul? É difícil não chorar essa morte, mesmo sendo de um pequeno desconhecido.
O engraçado é que uma semana antes, peguei uma discussão longa sobre alienação parental no Facebook. Os advogados e politicamente corretos, que surgiram no post, argumentavam que o pai tem a obrigação de dar amor ao filho e acreditavam que a lei é instrumento para isso.
Gente, quem é doido de achar que um pai ou uma mãe está certo em abandonar um filho? Não é essa a questão. O problema é que não dá para forçar uma pessoa a agir corretamente no campo afetivo. Não tem lei do mundo que possa obrigar o vínculo entre pais e filhos. O juiz pode até obrigar as partes a conviverem, mas consideração e afeto não se impõem com uma canetada. E nem às vezes convém, como vemos no caso de Bernardo.
Ok, nem todo pai ausente mata o filho, mas há outros tipos de morte também que um genitor pode produzir na sua prole. A relação afetiva ali estava mortíssima, tanto que Bernardo foi pedir ajuda ao Ministério Público. E mais: além do abandono, o menino era humilhado. Por que não sermos realistas e procurar o interesse do menor? Se a Justiça quer se meter em assuntos de fórum afetivo-familiar, que amplie a sua ideia de família, primeiro. Por que insistir nesse lenga lenga de pai e mãe quando é evidente que não há amor, não existe cuidado do genitor?
Pode ser fácil falar depois que a tragédia acontece, mas por que o juiz não procurou quem tivesse interesse em ficar com o garoto? Uma avó poderia ser melhor, um padrinho, enfim. O juiz chorou. Deve ter se arrependido de não ter tido senso prático.
Cena 2. Sai a pesquisa do IPEA e um monte de gente brada que a mulher tem o direito de vestir o que quiser, que mesmo nua não merece ser estuprada. Esse posicionamento é necessário, mas está incompleto. Porque precisamos nos impor, fazer o outro entender que é nosso direito, etc. Mas, gente, só uma pessoa insana vai se fiar em leis e discursos para garantir a própria segurança. Sempre vai haver transgressores às normas e temos que estar espertos. Volto a dizer, temos que ser pragmáticos. Uma mulher deve, além de personalidade, ter prudência. Digo uma mulher porque - é inegável - somos fisicamente mais vulneráveis que os homens. Outro dia me contaram o caso de uma menina de 17 anos que topou ir para o estacionamento com um ficante da balada. Lembram da cena do estacionamento de "Telma & Louise"? É disso que eu falo: não facilitar para o azar. Quem garante que o cara vai respeitar o limite dela? Na minha opinião, a gente tem que se meter nas situações das quais conseguiremos sair.
Como bem disse Camille Paglia, sociedade é selva. Não ignore seus instintos para antever o perigo porque a civilização não é tão civilizada quanto querem que a gente acredite. Depois que o pior acontece, não tem caneta de juiz ou discurso politicamente correto que repare o estrago feito.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 4 de maio de 2014
sábado, 3 de maio de 2014
Ticiana - inveja e confusão
Está todo mundo falando sobre a entrevista ostentação da colega de Facom Ticiana Villas Boas. É ótimo quando essas coisas acontecem com gente que conhecemos (ok, não somos amigaaas, mas Ticiana estudou comigo por quatro anos e, como entramos no mesmo semestre, tive a oportunidade de conviver com ela em alguns poucos eventos sociais da turma). Dá para ver a real dimensão das coisas.
Foi muito interessante ter visto o vídeo com um trecho da entrevista. O que todo mundo está criticando, o fato dela ter dito que passou um tempo sem saber o valor do litro da gasolina, ela mesma se criticou por isso. E eu duvido que você saiba o preço de tudo. Boechat não deve saber, por exemplo, quanto está custando o quilo do tomate. A empregada deve cuidar disso. E não é uma questão de ter dinheiro. É a divisão do trabalho. Se é o seu marido quem faz as compras de casa, provavelmente você não deve estar muito por dentro dos preços da cesta de alimentos.
Outra coisa que a gente tem que lembrar é que se trata do mundo dela, por mais que seja distante do nosso. É como a própria Ticiana diz no final do vídeo, que em relação a ela estudante, hoje gasta muito, mas em relação às pessoas do meio dela, não. E quem vai negar que o bom do dinheiro é não ter que fazer contas? Só sendo hipócrita mesmo.
Ticiana falou sobre isso de boa na entrevista, dá para ver no vídeo. Não vi ar de superioridade, ela apenas foi mais sincera do que convinha, já que ali é visível que a entrevista foi desenhada para pintá-la como a bonitinha fútil. Ela tem que começar a se tocar, também, que a Ticiana midiática é um produto. Não dá para sustentar essa vaidade de querer ser natural, sincera.
Não gosto de afirmação do tipo "é tudo inveja". Isso é resposta de gente idiota, de menininha tocadora de piano que não aguenta ouvir nada desagradável. Mas, nesse caso, vejo que uma parte da galera sente isso. Muita gente que a critica, no fundo, dá valor às coisas que ela tem. Porém, nesses casos, acredito mais na ignorância mesmo de quem julga.
Nessa situação específica, há duas confusões básicas:
1) "Jornalista é um ser com uma inteligência maior, o cara que dá a opinião que vai deixar a galera, na mesa de bar, de boca aberta". As pessoas sempre esperam que um jornalista fale coisas sensacionais e saiba de tudo. A galera talvez esperasse algo inteligente de Ticiana por ser a âncora da Band. "Come on, Bill!...", como diria Madonna. Eu perdi essa ilusão de que em redação só há gente genial assim que entrei em jornal. E não estou depreciando os meus colegas ao dizer isso porque eu tenho plena consciência que tudo que percebo na empresa em que trabalho existe nas outras, em maior ou menor grau. O jornalismo é feito dos operários da informação, ou seja, de gente esforçada, que não é gênia, mas que é competente para trazer a notícia. Um aqui, outro acolá vai superar a média. Ticiana é uma operária da informação. Ela, ainda repórter, fazia o trabalho dela direitinho. Chegou longe porque, além de esforçada, tem uma beleza acima da média no meio. Ponto. E conseguiu isso antes mesmo de ter se casado pela primeira vez. Ela não é interessante, mas é esforçada. E boa gente, pelo que me lembro. Gente assim pode chegar longe, mesmo no jornalismo ou em outras profissões com a fama de reunir a intelectualidade.
2) "Qualquer trajetória, para ser válida, tem que ter sofrimento". Olha, eu sou do tipo que dou muito mais valor a quem saiu de uma condição difícil e conseguiu chegar lá, mesmo que não tão longe, do que a alguém que já nasceu em "berço esplêndido" e alcançou o topo. Ticiana nunca sofreu, sempre teve tudo que quis. Que culpa tem ela? Vá reclamar com Deus, ora.
Tem gente que diz que a criatura está "brincando de ser milionária", que está deslumbrada. Gente, não é muito diferente das nossas vidas, não. Conheço um monte que brinca de ser poeta, ator, cônjuge, pai, mãe, espiritualizado (e nem sempre isso beneficia alguém mais além da própria pessoa)... Cada um com a sua maluquice/tara/ilusão. E nem acho que ela tenha casado com o feioso por dinheiro. Dá para ver que gosta dele. A dobradinha mulher bonita e homem inteligente é mais velha que a roda. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido. Agora, é claro, a criatura, pelo histórico desde os tempos da Facom, é carente; bajulou, conquistou. Quem é escolhido e não (se) escolhe nunca, corre o risco de ver que levou para casa a mercadoria trocada.
As pessoas não estão, também, acostumadas a ver jornalista em meio a tanto luxo. Ela, pelo que me lembro, é o primeiro caso do tipo. Nem os mais bem pagos da tv têm a condição de vida que ela usufrui. E isso é quase tão estranho como ver um jornalista anunciando sabão em pó.
Enfim, não vejo razão para tanto criticismo em cima de uma criatura que só está vivendo a vidinha dela. Olha, eu era feliz com a discussão do "somos todos macacos", e não sabia (risos).
Foi muito interessante ter visto o vídeo com um trecho da entrevista. O que todo mundo está criticando, o fato dela ter dito que passou um tempo sem saber o valor do litro da gasolina, ela mesma se criticou por isso. E eu duvido que você saiba o preço de tudo. Boechat não deve saber, por exemplo, quanto está custando o quilo do tomate. A empregada deve cuidar disso. E não é uma questão de ter dinheiro. É a divisão do trabalho. Se é o seu marido quem faz as compras de casa, provavelmente você não deve estar muito por dentro dos preços da cesta de alimentos.
Outra coisa que a gente tem que lembrar é que se trata do mundo dela, por mais que seja distante do nosso. É como a própria Ticiana diz no final do vídeo, que em relação a ela estudante, hoje gasta muito, mas em relação às pessoas do meio dela, não. E quem vai negar que o bom do dinheiro é não ter que fazer contas? Só sendo hipócrita mesmo.
Ticiana falou sobre isso de boa na entrevista, dá para ver no vídeo. Não vi ar de superioridade, ela apenas foi mais sincera do que convinha, já que ali é visível que a entrevista foi desenhada para pintá-la como a bonitinha fútil. Ela tem que começar a se tocar, também, que a Ticiana midiática é um produto. Não dá para sustentar essa vaidade de querer ser natural, sincera.
Não gosto de afirmação do tipo "é tudo inveja". Isso é resposta de gente idiota, de menininha tocadora de piano que não aguenta ouvir nada desagradável. Mas, nesse caso, vejo que uma parte da galera sente isso. Muita gente que a critica, no fundo, dá valor às coisas que ela tem. Porém, nesses casos, acredito mais na ignorância mesmo de quem julga.
Nessa situação específica, há duas confusões básicas:
1) "Jornalista é um ser com uma inteligência maior, o cara que dá a opinião que vai deixar a galera, na mesa de bar, de boca aberta". As pessoas sempre esperam que um jornalista fale coisas sensacionais e saiba de tudo. A galera talvez esperasse algo inteligente de Ticiana por ser a âncora da Band. "Come on, Bill!...", como diria Madonna. Eu perdi essa ilusão de que em redação só há gente genial assim que entrei em jornal. E não estou depreciando os meus colegas ao dizer isso porque eu tenho plena consciência que tudo que percebo na empresa em que trabalho existe nas outras, em maior ou menor grau. O jornalismo é feito dos operários da informação, ou seja, de gente esforçada, que não é gênia, mas que é competente para trazer a notícia. Um aqui, outro acolá vai superar a média. Ticiana é uma operária da informação. Ela, ainda repórter, fazia o trabalho dela direitinho. Chegou longe porque, além de esforçada, tem uma beleza acima da média no meio. Ponto. E conseguiu isso antes mesmo de ter se casado pela primeira vez. Ela não é interessante, mas é esforçada. E boa gente, pelo que me lembro. Gente assim pode chegar longe, mesmo no jornalismo ou em outras profissões com a fama de reunir a intelectualidade.
2) "Qualquer trajetória, para ser válida, tem que ter sofrimento". Olha, eu sou do tipo que dou muito mais valor a quem saiu de uma condição difícil e conseguiu chegar lá, mesmo que não tão longe, do que a alguém que já nasceu em "berço esplêndido" e alcançou o topo. Ticiana nunca sofreu, sempre teve tudo que quis. Que culpa tem ela? Vá reclamar com Deus, ora.
Tem gente que diz que a criatura está "brincando de ser milionária", que está deslumbrada. Gente, não é muito diferente das nossas vidas, não. Conheço um monte que brinca de ser poeta, ator, cônjuge, pai, mãe, espiritualizado (e nem sempre isso beneficia alguém mais além da própria pessoa)... Cada um com a sua maluquice/tara/ilusão. E nem acho que ela tenha casado com o feioso por dinheiro. Dá para ver que gosta dele. A dobradinha mulher bonita e homem inteligente é mais velha que a roda. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido. Agora, é claro, a criatura, pelo histórico desde os tempos da Facom, é carente; bajulou, conquistou. Quem é escolhido e não (se) escolhe nunca, corre o risco de ver que levou para casa a mercadoria trocada.
As pessoas não estão, também, acostumadas a ver jornalista em meio a tanto luxo. Ela, pelo que me lembro, é o primeiro caso do tipo. Nem os mais bem pagos da tv têm a condição de vida que ela usufrui. E isso é quase tão estranho como ver um jornalista anunciando sabão em pó.
Enfim, não vejo razão para tanto criticismo em cima de uma criatura que só está vivendo a vidinha dela. Olha, eu era feliz com a discussão do "somos todos macacos", e não sabia (risos).
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Muitas regras, muito barulho por nada
É racismo, é feminismo, é um monte de coisa da qual não se falava há dez anos, mas agora temos que dominar para não sermos execrados pelas militâncias. Eu entendo a importância delas existirem e sei - ou melhor, espero - que faz parte desse primeiro momento esse radicalismo, mas isso serve para quê mesmo, no final das contas? Menos ao objetivo inicial de estabelecer consciências e mais para a catarse das nossas frustrações e raivas.
Eu fico acompanhando as opiniões para complementar o que eu já sei. Mas às vezes fico frustrada porque falamos muito, mas ainda vejo poucas mudanças. Acho que somos melhores para reclamar que para repensar.
E, cá entre nós, tá tudo muito chato, né não?
Eu fico acompanhando as opiniões para complementar o que eu já sei. Mas às vezes fico frustrada porque falamos muito, mas ainda vejo poucas mudanças. Acho que somos melhores para reclamar que para repensar.
E, cá entre nós, tá tudo muito chato, né não?
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