domingo, 31 de julho de 2022

Olhando o mapa dos meninos - parte 1 Eduardo

Vou fazer uma série aqui lendo o mapa da meninada da família. Vamos ver se bate com a personalidade deles quando crescerem. Vou começar por Eduardinho, que nasceu anteontem. O mapa dele é esse:


Planeta
Signo
Casa
Grau
Sol

Sol

Leão

Leão

11
6°23'
Lua

Lua

Leão

Leão

12
14°49'
Mercúrio

Mercúrio

Leão

Leão

12
19°48'
Vênus

Vênus

Câncer

Câncer

10
13°52'
Marte

Marte

Touro

Touro

8
16°27'
Júpiter

Júpiter

Áries

Áries

7
8°43'
Saturno

Saturno

Aquário

Aquário

6
23°5'
Urano

Urano

Touro

Touro

8
18°39'
Netuno

Netuno

Peixes

Peixes

7
25°11'
Plutão

Plutão

Capricórnio

Capricórnio

5
27°8'

Ascendente

Virgem

Virgem

1
21°37'

Meio do Céu

Gêmeos

Gêmeos

10
24°15'

Descendente

Peixes

Peixes

7
21°37'

Fundo do Céu

Sagitário

Sagitário

4

24°15'

Ele é uma mistura fogo-terra. Sendo esta mistura capitaneada por leão e virgem, e ainda mais com a educação que os homens recebem, vale muito trabalhar a empatia e a sensibilidade. Pois Eduardinho justamente tem bloqueio de ar-água, que são elementos mais relacionais. Ele tem muita força (Sol e Plutão/ Marte em Touro na 8) e terá sorte e altos ideais (bons aspectos de júpiter). Possui um mapa que eu leria como o de um potencial artista: sol, lua e mercúrio em leão, casa 12 (análoga a peixes) bem ativada, meio-céu em gêmeos ativado com vênus em câncer ali, casa 7 (a do público) também ativada e plutão na 5 (análoga a leão). Apesar de ser uma pessoa de fogo, vai ter um diálogo muito interno; ele tem 4 planetas retrógrados (plutão, jupiter, saturno e netuno), ou seja, as energias desses planetas não vão ser dirigidas para o exterior, mas para o interior, num movimento de revisão e ajustes. 

Eduardo herdou um mesmo aspecto da mãe dele, minha prima, e que eu também tenho (é super comum em famílias certos aspectos se repetirem): lua em tensão com marte. Traduzindo em miúdos, significa a tendência de ter o território invadido. Traduzindo mais ainda, mamãe é meio helicóptero e tende a ser uma figura invasiva. As nossas mães realmente têm muita dificuldade de ocuparem os espaços delas e o tempo todo nos tratam como extensões delas mesmas. Se a mãe de Eduardo não tomar cuidado, vai repetir a mesma história.

Enfim, provavelmente Eduardo será uma pessoa realizadora, generosa e carismática. O único porém mesmo é a sensibilidade aos sentimentos dos outros (bloqueio de água) e a tendência a tomar tudo como pessoal (bloqueio de ar), até porque ele tem muitos signos fixos, o que, aliado com excesso em fogo, pode dar uma tendência a teimosias, chiliques e explosões.

Livre-arbítrio?


Vendo agora o doc sobre o assassinato de Daniela Perez, aumentei meus questionamentos sobre o livre-arbítrio. Parece que tudo ali não tinha como não acontecer. Foi a tempestade perfeita.

Eu tô achando que a gente mais reage que escolhe.

Mas, na aula, o professor de filosofia joga esta: "Ah, se não houver livre arbítrio, o que nós estamos fazendo aqui?".

Amore, e se for esse o exercício: aceitar que não podemos e tentar fazer banquete com as migalhas de liberdade que o universo nos concede?

domingo, 24 de julho de 2022

O início de um sonho

 


Já conheci muita criança massa, mas ela segue sendo minha # 1. 
Eu era figura e posso provar.
Alguns meses depois desta foto aí, estava eu caminhando na colônia de férias, em Salvador, para a qual a minha e outras famílias iam todo ano, quando cruzei com um amigo meu mais velho, já adolescente, comendo um pacote de biscoitos. Detalhe: ele era conhecido por odiar dividir a comida dele. Dizia que preferia dar outro inteiro a ceder um pedaço. Mas como a gente era bróder e eu era criança pequena, então acho que bateu a dor na consciência e ele excepcionalmente me ofereceu um, ao que respondi:

- Um não; quero dois! Um você dá a qualquer pessoa e eu não sou qualquer pessoa.

Ele deu risada e eu saí dali com meus dois biscoitos.
[e um bocado de gente adulta aceitando de bom grado umas migalhas...]

Legenda alternativa desta foto: a dupla mais estourada do Bloco P, Samenina & Samambaia.


PS.: Quando der tudo certo, eu posto a foto da adulta aqui

Os trabalhadores da última hora

 Sempre me intrigou a parábola dos trabalhadores da última hora, aqueles que, embora tenham chegado no finalzinho do dia, foram pagos como os trabalhadores que chegaram no início da jornada. 

No século 21, isso renderia um belo processo trabalhista.

Mas, voltando à reflexão espiritual da coisa, acho que finalmente entendi. Acho. Penso que o que se quis dizer é que Deus premia o mérito, a diligência e a obediência, mas recompensa mais a entrega da fé e a coragem. Os trabalhadores da última hora queriam apenas trabalhar. Se jogaram sem saber ao certo o que iam receber por isso. Foram premiados com o equivalente a um dia inteiro de trabalho. Um ato de fé recompensado. 

UM LEAO NO PEITO

 


Há três meses, numa consulta com uma taróloga - que depois soube que é médium da umbanda - ouvi uma coisa que foi direto ao coração (é impressionante como um desconhecido te lê melhor que gente que anda com você):

- Olha, parece que você se esforça, trabalha e nunca dá em nada, mas continue fazendo os seus corres, que você está no caminho certo. Você tá desanimada, mas você tem um leão no peito.

E tenho mesmo, senão nem estaria viva pra contar esta história. Porque, velho, se a vida é a arte dos encontros, eu domino com louvor a dos desencontros. Nunca fui amada sequer do jeito que eu amei as pessoas ou como mereço. Ou seja, nunca fui amada e ainda joguei meu amor nas pessoas e metas erradas. Ok, tudo é caminho, o erro é aprendizado, mas sofrer tira a energia da alma da gente. 

A moça do tarô não foi a primeira a me dizer algo do tipo; uma cromoterapeuta uma vez me disse que eu era um animal brigando pra viver. Só tendo mesmo um coração selvagem, um leão no peito pra continuar em frente mesmo de tanque vazio. 

Muita gente no meu lugar já teria desistido, mas eu não consigo. Schopenhauer tem absoluta razão quando diz que a gente tem livre arbítrio pra fazer o que desejar, mas não pra desejar o que deseja. Eu desejo coisas que só uma criatura com a minha resistência poderia ainda desejar a essa altura do campeonato. Sim, eu sou forte, mas odeio que as pessoas usem isso contra mim, negando a minha humanidade, como se eu fosse obrigada sempre a aguentar. Pouca gente me trata/ me tratou como pessoa ao longo da vida. Hoje em dia, não vejo mais porque aturar isso. Nova regra da casa: quem não me trata como gente, não merece nada além da minha resignação. É assim, aliás, que muitos afetos morrem. Não existe isso da pessoa gostar de você, mas desconsiderar seus sentimentos, desrespeitar sua humanidade. Simplesmente não gosta de você.

Cansei de ser sensata, vou ouvir meu instinto felino que eu ganho mais.   

Eu estava olhando uma foto minha de criança: super expressiva, animada, amorosa, alegre... Mas foi tanta cacetada, muitas delas gratuitas, que eu tô exausta. Essa menina aí ainda existe, mas é cada vez mais um segredo só meu. Eu e ela. Ela e eu.  

Eu não acredito mais no afeto na minha vida. Eu não acredito em amizades, em família, eu não acredito mais em parceria e cada vez menos eu tenho vontade de estabelecer laços. Abracei mesmo a "carreira solo". Sabe aquela máxima de "goste do vizinho, mas proteja a sua cerca"? Pois é, finalmente aprendi. Eu interajo com as pessoas, mas não espero muito e me boto em primeiro lugar. E é até melhor assim, porque se sofre menos, se tem um olhar mais objetivo e distanciado para situações e pessoas. Vivi tanto tempo comigo mesma, que acho que já não sei mais andar com outra pessoa só por andar; tem que valer muito a pena. Gosto mais hoje de ficar só do que jamais gostei na vida. Já quis muito resgatar o sentido de comunidade que experimentei nos meus primeiros anos, mas acho que nesta encarnação não vai rolar e é preciso aceitar isso.

Brincava outro dia com um amigo que o lance era virar budista: sem alimentar expectativa, na aceitação dessa sansara, esperando pelo nirvana. Cansei de ter esperança, no sentido de esperar mesmo. O desejo não controlo, mas a esperança não quero mais cultivar, não. É erva daninha. Não quero, aliás, mais nenhum ranço do cristianismo em mim: nem esperança; nem culpa; nem essa coisa de que ser melhor pros outros que pra si mesmo é o certo; nem esse endeusamento do sacrifício; muito menos essa noção ridícula de pecado, que só traz atraso de vida. O cristianismo é uma fábrica de fazer neuróticos. Também não quero mais saber de previsão do futuro e coisas afins. Pra mim, pessoalmente, isso não funciona. Eu quero é fazer, viver, me desenvolver. Serva do meu desejo porque não tem outro jeito. Que esse leão no peito me leve aonde ele tem que levar, e fim.