... Enquanto eu fico sem saber se escuto a mente ou o coração.
Hoje, um amigo e eu comentávamos algo que uma colega de trabalho escreveu em uma postagem do Facebook. Em uma foto da festa da empresa, em que ela aparecia com os colegas de editoria, escreveu: "A elite da firma".
Meu amigo, que é do "baixo clero" que nem eu, não gostou do que ela escreveu. Concordei com ele. Aliás, nenhuma das 60 pessoas que curtiram a foto curtiu a frase dela, que foi a única a não receber um aval entre umas dez deixadas no post.
A menina é filha de gente rica e influente. Não é má pessoa. Aliás, noto que ela tenta acompanhar o resto da redação, percebo que ela quer se alinhar ao pensamento e às atitudes das pessoas, que tenta dar opiniões mais liberais. Ela quer mostrar que não é uma patricinha. Até ouvi dizer que está querendo morar sozinha, se bancar, sem a ajuda dos pais. Sinceramente, dou valor, achei bonito da parte dela. Por isso, um lado meu diz: "Ela tem boa vontade e as pessoas podem sempre nos surpreender".
Mas o outro lado, do diabinho, aquele que é baseado nas experiências de vida (e já vivi mais de um terço de século a essa altura), diz que a nossa criação não morre tão fácil dentro da gente e que o comentário, mesmo sem intencionalidade - e, é isso aí, o diabo costuma estar mesmo nos detalhes -, não deixa de refletir o meio do qual ela veio e, principalmente, o modo como ela foi ensinada a se pensar e a ver os seus: como elite, pequeno grupo, parte de um roll seleto, superior em qualidades. Olhe para Lobão e Roger. Para mim, eles são exemplos clássicos disso que estou falando.
Na juventude é bonito ser contra papai e mamãe e querer um mundo mais igual. Mas conforme vamos envelhecendo, nossas persistências em "nadar contra a maré" vão se afrouxando. Papai e mamãe começam a aflorar dentro de nós. Tanto que já virou até piada (machista) dizer que a sogra é a esposa no futuro.
Tenho tanta consciência disso que, confesso, tenho medo até de mim, de deixar vir à tona, algum dia, a parte ruim de meus pais, "la mala educación" que tive em família. Acho que é por isso que lanço tanto minhas opiniões nesse blog. Deve ser para firmar compromisso. Deve ser uma forma de pedir que vocês, amigos, não me deixem desviar daquilo que é importante, nunca permitam que eu ache que sou elite do que quer que seja.
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