sábado, 29 de setembro de 2007

Quem tem medo de Alosa Woolf?

Eu tenho! Muito!
Se você tem algo contra ele, é melhor começar a sentir também ou virar a casaca rapidinho. E tenho dito!

Já perceberam que todos os algozes de Alosa foram, aos poucos, ladeira abaixo?! "Pois é, pois é, pois é!"... O Xixi de Macaco apresenta, a seguir, uma reunião dos fatos. Leia e perceba com os seus próprios olhos, caro leitor!

Jerônimo
O que fez: queimou Alosa pro chefe.
Onde está: quem sabe?

Eliane
O que fez: não quis admitir que era vizinha de Alosa, preferiu se posicionar no lado mais elite da linha que separa Pernambués e Cabula.
Onde está: após uma temporada de poucos frutos em Sampa, voltou a trabalhar na esquerda socialista.

F. Conceição
O que fez: empurrou Alosa para uma pauta que o fez ficar mais queimado que churrasco de pobre.
Onde está: na berlinda e pode ser expulso da UFBA.

Iara
O que fez: virou a cara para Alosa quando soube que ele era o autor da tal matéria que irritou sua amiga, Aninha.
Onde está: no ostracismo.

ACM
O que fez: era o cacife do grupo que atravancava o caminho daquele outro que, historicamente, sempre apadrinhou Alosa.
Onde está: a sete palmos, para onde também levou a única oposição capaz de barrar a galera dele na Bahia.

Aninha
O que fez: torturou psicologicamente Alosa até não poder mais, por conta de uma matéria na Província.
Onde está: foi parar na chon depois que retiraram a verba de manutenção do teatro que administrava.

Alosa, diz pra mim, pra eu poder dormir tranqüila: Você vai com a minha cara?! Goste de mim, vai, que eu não mereço o seu desafeto! Pense que eu já sou mulher, brasiliense, classe média, moro longe...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A dor de cada um


Depressão e terapia

CONTARDO CALLIGARIS

Quem está no desespero, antes de qualquer consolação, pede que sua dor seja reconhecida

UM DIA, ao acordar, um conhecido meu encontrou sua mulher morta, ao seu lado, na cama. À dor de perder sua amada juntou-se o choque de descobri-la já fria e a culpa atormentada por ter dormido na hora em que ela morria.No velório, muitos amigos e parentes tinham as mesmas palavras de consolação: "Ao menos, ela não sofreu", "É o melhor jeito de morrer...". Outro conhecido, anos atrás, na Flórida, perdeu sua casa e tudo o que ela continha, num tornado. Alguns dias depois, seus pais foram visitá-lo e confortá-lo; enquanto ele contemplava, com eles, os escombros de sua existência, a mãe disse: "Pelo menos você está são e salvo". E o pai: "Ainda bem que você tem seguro". São exemplos de "reavaliações" -é assim que a psicologia chama as tentativas, diante de uma catástrofe, de encontrar razões para suavizar o sofrimento do sujeito. Suspeito que, freqüentemente, as reavaliações facilitem sobretudo a vida de quem as sugere, ou seja, dos amigos e parentes que não estão muito a fim de se debruçar sobre o desespero de quem perdeu seu amor ou suas coisas. Eles se saem da embaraçosa situação de oferecer pêsames graças a um achado otimista: "Pense bem, no horror, você teve sorte".
De fato, essas intervenções são quase intoleráveis para os sujeitos que elas deveriam beneficiar. Para quem sofre, só fica uma impressão de escárnio: os outros sequer reconhecem o tamanho de sua perda, de seu dano e de seu luto.
Há especialistas em perdas, danos e luto; são os psicólogos treinados para oferecer assistência imediata às vítimas e aos próximos das vítimas de calamidades (acidentes aéreos, desmoronamentos de túneis do metrô, inundações etc).
No Brasil, conheço o Quatro Estações (http://www.4estacoes.com.br/), um instituto que treina e disponibiliza uma rede de psicólogos capazes de prestar assistência urgente em todo o território nacional, ou quase. Nos EUA, a própria Cruz Vermelha oferece um treinamento específico que qualifica os psicólogos e psicoterapeutas que ela mobiliza em caso de catástrofe. Pois bem, os especialistas em luto são, em princípio, unânimes: quem está no desespero, antes de qualquer consolação, pede que sua perda e sua dor sejam RECONHECIDAS e só depois, eventualmente, suavizadas.
Essa unanimidade encontrou recentemente uma espécie de confirmação experimental indireta. O "Journal of Neuroscience" publicou, em 15 de agosto 2007, uma interessante pesquisa de Tom Johnstone e outros. Foram constituídos dois grupos, um de 21 sujeitos diagnosticados como depressivos graves e um grupo de controle de 18 sujeitos (obviamente, não depressivos).
A atividade cerebral de todos os sujeitos foi monitorada por ressonância magnética funcional enquanto lhes era mostrada uma série de imagens, boa parte das quais foram concebidas para produzir preocupação, medo, desespero e tristeza. Os sujeitos eram também convidados a reavaliar essas imagens deprimentes, ou seja, a reinterpretá-las de maneira a suavizar ou mudar seu impacto negativo.
Deixo de lado a complexa descrição da atividade cerebral constatada nos dois grupos durante a experiência. O que importa aqui é a constatação final: os sujeitos deprimidos, aparentemente, tiveram a maior dificuldade em reavaliar as imagens negativas. Pior, a tarefa de reavaliação que lhes era pedida parecia deprimi-los ainda mais.
É possível imaginar que esta seja uma propriedade dos quadros depressivos: uma incapacidade de reavaliar positivamente o que acontece de negativo. Mas é também possível que a depressão seja aqui apenas um fator, que torna mais aguda a propensão ao desespero e impede de discriminar entre imagens e eventos aflitivos.
Seja como for, a experiência confirma o que já sabíamos: quando alguém sofre, a primeira tarefa dos próximos (e dos profissionais) não é a de consolá-lo sugerindo reavaliações, mas a de ajudá-lo a encarar seu sofrimento assim como ele é. Mais uma nota: essa constatação é também relevante na hora de administrar a necessária medicação antidepressiva.
Talvez os raros efeitos paradoxais dos antidepressivos (o paciente que "estava muito bem" e, de repente, tenta o suicídio) tenham a ver não com o fracasso, mas com o sucesso da medicação, que produziu uma melhora substancial antes que o sujeito tivesse o tempo de dizer sua dor.

ccalligari@uol.com.br

***

O texto acima é muito útil, especialmente para quem adora tirar da cartola um chavão, em momentos de crise. Não fazemos isso por mal - muito pelo contrário -, mas às vezes não falar nada é dizer tudo.
Alguém que perde uma pessoa querida pode chorar um dia, uma semana e até um mês, mas mais que isso é considerado falta de caráter, fraqueza. É que em tempos de ditadura do hedonismo, o sofrimento virou coisa de otário e quase ninguém está preparado para a visita dele (o que torna o processo duas vezes pior, pois não bastasse suportar a dor, surge o sentimento de humilhação), e pior ainda, ninguém está preparado para lidar com o sofrimento alheio.
Sou a primeira a confessar que me sinto uma autista nessas horas, apesar de entender o que se passa e querer ajudar.
A verdade é que essa cultura do self made man nos condicionou à falta de solidariedade; cada um que se vire e, se não conseguir, problema dele/a, é falta de força de vontade.
Então, da próxima vez que for a um enterro ou que o seu amigo se ferrar feio em alguma situação, ouça com atenção e, se sentir que não tem o que dizer, fique quieto/a. Se possível, faça um afago. É a minha postura habitual em velórios, por exemplo.
Quando eu tinha 15 anos, minha melhor amiga perdeu a mãe, uma semana após a avó (dois anos depois, foi a vez do pai). No enterro da mãe, optei por guardar minhas obviedades para outras pessoas, cheguei, sem lhe dizer nada, e dei um abraço forte.
É aquela coisa: fora "Eu estou muito triste com o que aconteceu" e "Eu gostaria que isso não estivesse acontecendo", tudo que se diz para consolar nessa hora é mentira. Não há consolo no modo "a" ou "b" de morrer. Morreu, uma pessoa se foi e nada ameniza o fato. Não há felicidade em tocar a vida sem alguém fundamental nela, ainda que você pudesse ter morrido também e tenha escapado disso. Morte é morte. Quem perde alguém nunca mais fica inteiro. Vive-se de felicidades possíveis para quem já não tem outro alguém. É como perder uma perna, a visão ou o seio: aprende-se a conviver bem com isso, mas não é natural, nunca vai ser confortável como nos dias em que se era inteiro. Um dia a gente melhora, mas nunca sara.
Ela entendeu o recado e respondeu apertando com muita força a minha mão. Eu também entendi o recado dela: a dor estava insuportável, embora quem a visse ali, sem derramar uma lágrima, pudesse pensar que se tratava de uma pessoa fria.
Ela e eu temos a mesma reação ao sofrimento: dar alguma leveza à situação fazendo graça.
Ela apertou minha mão mais forte ainda, ao ponto de me machucar. Eu gritei "aiii!" , e, num reflexo, fiz cara de zangada e ela deu risada de mim, repetindo o nosso número de todos os dias. Ali, eu vi que ela queria esquecer um pouco a própria miséria e aliviar o meu desconforto em estar ali. A verdade é que aquele abraço estava angustiante para as duas, precisávamos mesmo da sagaz saída pela tangente que ela improvisou.
Ter atitude faz a diferença até nessas horas.


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

El piropo


Você sabe o que é um piropo? Pois é, eu também não sabia até ontem. A tal palavra quer dizer "cantada", na língua dos hermanos.

O tema veio à tona na aula de espanhol, por acaso, e foi bem revelador sobre os instintos do povo da sala. Foi quase uma sessão de psicodrama, nunca mais nos olharemos da mesma forma (risos).

Percebi, por exemplo, que meu excesso de sinceridade me prejudica. Falta-me aquela delicada hipocrisia feminina, de sorrir para tudo e para todos, mesmo que esteja uma droga. Isso eu não herdei da minha mãe, que casou com o meu pai mesmo achando uó as cartas que ele lhe escrevia (velho, nenhuma mulher merece coisas do tipo "Você não é produto da Shell, mas tem algo mais"! os textos de punho próprio deveriam ter integrado a campanha do desarmamento. acho que nas relações amorosas não existem duas "criptonitas" melhores que as declarações cretinas e, na convivência sob o mesmo teto, o grito grotesco de "Tem gente!").
Bem, mais uma vez, saí como "a" mulher insensível. Injustiça. É o contrário: o excesso de sensibilidade frente a algo muito ruim é que me deixa de mau humor (normal. o mundo e eu temos divergências estéticas seríssimas!). E em se tratando de romance, não existe meio termo: ou funciona ou não, ou melhor, ou encanta ou é um balde de água fria. Pense nos filmes românticos: ou eles são bons ou ruins, nunca vi quem gostasse mais ou menos de "E o vento levou" ou de "Diário de uma paixão".
Um piropo é como o Domingão do Faustão: é popular há anos, mas ninguém sabe por que ainda insistem em algo que, quase unanimemente, é considerado desagradável, apelativo, o supra-sumo da falta de criatividade e de charme.
Fora que ainda tem um quê de papo de telemarketing, é aquela conversa ensaiada a fim de agregar mais um "cliente". A não ser que o "alvo" seja dado ao deslumbre fácil ou ao cinismo sentimental, não vai querer algo pessoal com alguém que tem uma abordagem tão impessoal. Um bobo que seja natural é mais atraente. De tudo, de tudo, você dá risada e o cara ganha sua simpatia.

Voltando às descobertas, vi que o professor, aquele sujeito inteligente, educado, homem sério e de família, mestre em literatura, que combina a camisa com o sapato, tem o seu lado B: ama "fútbol" e inclusive torce para o Boca Juniors (ao menos podia ser River Plate...), adora praia, considera que Hebe faz um bom programa e pensa que o piropo é o que há em termos de paquera (não só acha como ficou batido ao ver que a prática não faz o mínimo sucesso entre seus alunos... agora compreendi o famoso histerismo das argentinas! elas devem pensar, ao ver o cara se aproximando: "Deus do céu, lá vem mais um piropo!"). Se não estivesse encostada na parede, cairia para trás por conta das descobertas, mas, confesso, no fundo acho esses contrastes fan-tás-ti-cos! É puro "Apocalípticos e integrados"...
Um exemplo próximo é Ingrid, que apesar de amar Ella Fitzgerald e defender o timbre suave de Norah Jones, vê repetidamente o dvd de Beyoncé, ainda que esse contenha cenas de muito mau gosto, como a entrada da cantora de cabeça para baixo, presa pelo pé por um pano ligado ao teto. O lado B de Ingrid é um dos mais divertidos que conheço - e não estou falando da noiva de Jay-Z! (mistééério! eu sou má, não vou contaaar! guardarei tudo para a ocasião da canonização. ho!ho!ho!)

Mas o melhor da noite foi ver meu amigo Gabriel sentindo a insustentável leveza do seu caráter impecável.

Gab é e sempre foi "o" garoto legal. Já vi quem tem um gênio tão bom quanto, mas não melhor. E olha que o conheci na fase geralmente crítica, quando tinha 16 anos.
Uma vez, no italiano, o professor perguntou-lhe que coisas costumava aprontar quando era criança. Ele confessou que não fazia traquinagens. Típico italiano do Sul, ficou chocado, custou a acreditar. Gabitcho, sempre inabalavelmente simpático, deu risada e fez graça: "Pensava que meus pais podiam me expulsar de casa, só descobri que não quando entrei na faculdade. Já contei a minha irmã pequena que eles não podem expulsá-la até os 18 anos, agora é com ela".
Apesar do ar melancólico, de quem está com gripe - e quase sempre isso é verdade -, Gabinho vive num comercial de margarina ("Oh, happy day!"): a família dele é legal e unida; seu poodle é alegre e comportado; a empregada trabalha direito e só ouve Globo FM; os amigos o adoram; os colegas simpatizam com ele de cara; a namorada tem tudo a ver e é a garota mais feliz que conheço; é engraçado; o examinador mais mal-humorado do Detran o aprovou de primeira; ele não mora longe nem anda de ônibus; nunca foi assaltado; conheceu Nova Iorque "na mala" da mãe, que foi lá p/ um congresso; e o cabelo da figura é maravilhoso, liso e loiro natural. Ó paí ó: ainda dá carona para residentes em Itapuã e adjacências! Brinco dizendo que é quase um au au, de tão fofo. E ele?! Acha graça disso, claro!

Mas ontem foi diferente. E tudo por causa de um piropo...

Divididos em duplas, tivemos que encarnar o Don Juan de rua. Sempre cheia de idéias e piadinhas, a dupla de nerds travou no terreno da paquera. Escreve, rabisca, escreve, rabisca e naaaada. Mas nem tudo estava perdido: lembrei de um piropo bizarro. Chega a hora da verdade. Gabriel engasga e amarela. "É muiiito brega, não consigo ler em voz alta!", cochicha pra mim. O celular chama bem na hora e ele fica mais vermelho. Por causa do que houve c/ Renan Calheiros, não me contenho ao vê-lo assim e chamo a classe p/ observar esse fenômeno raro no País: "Existe alguém que ainda ruboriza!", comemoro. Gab volta a si e sai pela tangente apresentando um insosso "Você vem sempre aqui?". O constrangimento é geral. O professor não se conforma, ao ponto de dizer que duvidava que só tínhamos pensado tal frase. Eu sinto meu orgulho ferido, tomo o caderninho e leio a cantada de pedreiro em voz alta. "Agora sim!", deve ter pensado o professor, a julgar pelos aplausos e o sorriso. A turma também aplaudiu muito. Sorry, periferia, ficamos entre os 3 melhores (???) da noite! Eu, que sempre achei uma fraude aqueles golpes certeiros de Daniel San depois de ter apanhado à beça, começo a acreditar em viradas fantásticas...

Mas isso não foi tudo. Meu amigo entrou em nova saia-justa. Aliás, não reparem o excesso de "Gabriellll" numa aula só, é que ele é o queridinho do professor - deve ser por causa da cara de italiano, do rabo-de-cavalo e da lembrança de Gabriel Batistuta... A turma formulou em conjunto uma história. O personagem dele mente pra namorada que vai sair com o amigo e omite que vai traí-la com as amiguinhas que o sujeito vai trazer. Vem a cena final, o confronto com a namorada, que era, coincidentemente, uma das amigas e encontra com ele num bar. Gab não consegue mentir para enrolar a patroa fictícia e nem percebe que ela também ia trai-lo. "Obrigado por me avisar", diz ao colega que o alertou do corno.

Ainda bem que a sorte também vai com a cara dele: só Ana mesmo, com sua atitude self-service diante da vida, para driblar a cautela de Gabriel no campo amoroso. E ela pode dormir tranqüila que, se ele fizer algo errado, ela não vai ter trabalho para descobrir (e olha que a lábia dele até que é boa quando se trata de assuntos práticos do dia-a-dia!). Gab também deve agradecer por seu destino de classe média alta. Além de detestar esportes, não teria chances de ascender como pagodeiro, muito menos, pelo visto, pagodeiro piropo... oops!, romântico. É um agnóstico muito do abençoado, viu!...

Fim de aula, volta pra casa. Ele está pensativo, um pouco descontente. Especulo qual será a razão: acho que, pela primeira vez, meu amiguinho sentiu o gosto amargo da sua boa índole. Eu, também pela primeira vez, entendi realmente o que Nelson Rodrigues quis dizer quando afirmou que "A virtude é triste, azeda e neurastênica”.

Ser virtuoso, às vezes, é um fardo.

***

A verdade sobre o piropo é que o mal não está exatamente nele. Quero dizer, é um treco deprimente, mas tudo depende de quem o diz. Você, mulher que lê esse blog, se por acaso o George Clooney aparecer na sua frente ou o Reynaldo Gianecchini, vai fazer diferença o texto? Pode ser até a lista telefônica, fale a verdade!... É a mesma diferença, por exemplo, entre "É o amor" interpretada por Zezé Di Camargo e por Maria Bethania.
Hombres, hablen, sí, con ellas, pero con los ojos, con la sonrisa, con su cuerpo! Afinal, como canta Miltón, "tudo que cala fala mais alto ao coração...". É mais envolvente e, principalmente, seguro. Cantada é pra quem tem o dom da oratória, e se tiver o borogodó, repito, nem precisa (vide galãs de Hollywood: Rhett Butler mandou Scarlett ir se danar e, mesmo assim, por conta do seu 1kg de charme, soou a galanteio. Isso é que é ter a técnica, o mojo!... kkk). Eu tive um vizinho que não só era gato, era ainda charmoso. De boca fechada. Quando abria, meu Deus!... Ele falava coisas como "buniteza"! Ficava numa frustração brascubana ("Por que encantador, se burro? Por que burro, se encantador?"). Deveríamos vir ao mundo com um controle remoto. Nessas horas, bastaria apertar o "mute". Não que eu não fale besteira (ô!... quem fala demais sempre acaba falando muita bobagem), mas, em algum momento, também faço meu gol. Ele não. Era de matar (tanto a presença quanto a estupidez dele)!... Sorte que ele falava muito pouco.

Eu falei de charme como substituto do bom papo, mas, no final das contas, as qualidades são meros acessórios no caso de haver sentimento. Quando a mulher está a fim, ele pode ser a cara do Ronaldinho Gaúcho, ter a estupidez do meu ex-vizinho e ser pior de composição que meu pai, e ela vai achar lindo. Se a vida não fosse um absurdo e o amor, a exaltação disso, a Humanidade não teria sobrevivido nem 200 anos... Alguém discorda?
Mas uma coisa temos que reconhecer, quando o assunto é cantada: o homem de rua é o último romântico, aquele que sempre tem um galanteio p/ a sua "musa", mesmo que a visão daquela que passa por ele seja tão inspiradora quanto a do Corcunda de Notre Dame! Os pedreiros bem sabem tudo: só o amor constrói...

(Alguns dos piores piropos: http://www.felipex.com.br/div_cantadas_xavecos01.htm)

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Frase do Mês

"Ela anda na moto dele usando saia".
Ingrid Campos, candidata a santa da Igreja Católica, competindo com Nelson Rodrigues no quesito "sugestões eróticas".

quarta-feira, 12 de setembro de 2007