sexta-feira, 30 de junho de 2017

A gente pressente

Eu acho que a gente sabe mais sobre a nossa vida do que percebemos. Não vou entrar em detalhes, mas me lembro de dois momentos da minha infância, em que eu era pequena mesmo, e me arrepiei com duas coisas que pessoas falaram de brincadeira, sem nem se dar conta, mas que eu pressenti na hora que aquilo se realizaria na minha vida. Eu já sabia? Acho que até mesmo sem saber.
Pensei nisso olhando a foto de um ex colega meu de trabalho com a mulher dele, com quem ele está há algum tempo. Ele estava no auge da beleza quando o conheci, não tinha quem não desse em cima dele, era algo impressionante. Mas eu percebia que, a despeito de beleza física, ele tendia a se encantar por um tipo específico de mulher, que é exatamente o tipo de mulher que ele casou. Ele já farejava, acho, com que tipo de mulher ele ficaria. Eu, por exemplo, sempre gostei do tipo aplicado, gentil e quieto, moreno do cabelo liso. Enfim, acho que a gente não forma essas imagens na cabeça à toa; são premonições.  

domingo, 25 de junho de 2017

Os que nos enxergam

Amor é bom, mas ser visto é tão bom quanto e, se brincar, é até mais raro. Quase nunca vão ter olhos para você, espontaneamente, mas quando isso acontece, é mágico. Gente que lhe olha, que lhe compreende. 
Surpreendentemente, das poucas vezes em que isso aconteceu, foi com gente estranha. Até entendo, em parte, a falta de curiosidade dos próximos: o dia a dia tira a visão e, de quebra, nos torna um pouco parte deles; convém não questionar.
A última pessoa que me abordou com revelações quase me fez chorar. O que foi, não vou contar aqui, né? Se a profecia se realizar, o mundo vai saber. :)

sábado, 24 de junho de 2017

"Você viu Fulano/a?"

O ser humano, se tiver 5% de maldade na cabeça e souber que A e B não se dão, ao mínimo sinal de "sucesso" de uma das partes vai lá provocar a outra, quem sabe dando a sorte de ser o pombo correio da nova, o primeiro a ver a cara de surpresa, constrangimento ou mesmo raiva do desafeto do sortudo da vez.
Isso não cola comigo, a não ser que eu ainda sinta, estime, em algum grau, a criatura. E fico retada com o correspondente não solicitado, que teve a intenção de tentar me aborrecer, me testar. Para que mais você vai dar notícias que não me interessam sobre gente que está fora da minha vida? Coisa de espírito de porco. Da única vez que me peguei fazendo isso - porque não foi premeditado -, pedi desculpas, fiquei realmente sentida.
Falei em "sucesso" lá em cima porque tudo depende do ponto de vista. O que é sucesso? Para mim, no fundo da alma e quase aos 40 anos, é ser sábio para a vida, é ser boa pessoa, ética e de valores, porque a gente sabe que manter uma essência amorosa e flexível, com tanta paulada que a gente leva da vida, é difícil, é pra quem é vocacionado, para quem realmente tem algo para dar. Ter todas as condições para aflorar amorosidade é fácil; quero ver ser maltratado e ter a grandeza de insistir em ser grande, não se apequenar. Dessa gente eu tenho inveja. Na próxima encarnação, troco fácil minha ansiedade e memória afetiva de elefante, típica de um ascendente em Câncer, por uma alma "sussa" de surfista. Pois bem, quando eu me afasto de alguém, pode ter certeza que é por um desses dois motivos: a) descobri que me envolvi com gente pobre de espírito, mesquinha, que não tem nada a oferecer a ninguém; b) descobri que o afeto era unilateral, que não contava, que fui confundida com um saco sem fundo. No segundo caso, é até possível eu me importar ainda com o que foi feito da pessoa, embora ache um pouco difícil, especialmente depois de muito tempo, porque eu tendo a não gostar do que me maltrata. Mas no primeiro caso, bicho... Alguém que eu classifico como pobre de espírito, na minha cabeça, é alguém que já é perdedor simplesmente pelo fato de ser quem é. Tem gente que já é o próprio castigo, que no fundo sabe que não vale muita coisa, apesar de conseguir enganar bonito um monte de gente, inclusive as boas.
E engana porque tem um monte de gente que acha, de verdade, que ser bem sucedido é, acima de tudo, ter grana e fama. Os suicidas do showbizz parecem não concordar muito com essa hipótese, né? Faltava o primordial e isso pouca gente tem, realmente, a oferecer. Enfim, se você se importa com a sorte de quem você despreza, ou você não despreza tanto assim, ou dinheiro e fama são o primordial na vida para você.

Segundas oportunidades

Se o mundo fosse meu, os sinceramente arrependidos teriam sempre uma segunda chance. O caso é que a vida é meio Jogos Vorazes, meio filme de Woody Allen, na melhor das hipóteses, onde qualquer absurdo pode acontecer, onde tudo é aleatório, fora do nosso controle ou mesmo merecimento em algumas ocasiões. 
Uma amiga minha está agradecida por ter surgido uma oportunidade na vida dela que julga ser uma segunda chance de aproveitar algo que, da primeira vez, ela não teve olhos para perceber. 
Minha tia, que já foi muito ruim nessa vida, mas perdeu muita coisa em um período recente de dez anos, parece que também encontrou uma segunda chance. Ela, que foi uma peste quando era executiva de uma multinacional, temida pelos funcionários, encontrou vocação e amor na docência, já na terceira idade. Quem diria, hein?
A vida é surpreendente e às vezes melhor do que a gente merece.

Será que vale a pena?

Acabei de ler uma matéria muito boa, muito foda da Piauí. Aliás, no Brasil, na minha opinião, só essa revista arranca elogios. A gente tem o Intercept, o Nexo e a Pública, mas é diferente. A Piauí, além de ser um projeto brasileiro, de apurar muito bem as histórias, sabe contá-las, sabe apresentar um personagem. 
Tá certo que nada se faz sozinho, portanto é leviano dizer que a revista é boa porque só tem repórteres geniais. Dá pra ver que existe uma certa estrutura e também trabalho de equipe ali. Coisa bem feita dificilmente sai de apenas duas mãos. Uma coisa que me ressinto, aliás, no jornalismo baiano é isso: a solidão na rotina produtiva e falta de orientação da reportagem, que se vira nos 30 diariamente. Bem, mas voltando à Piauí, é fato que ela conta com bons repórteres.
O caso é que esse tipo de gente corresponde a 5% da gama de jornalistas do mercado. Mas e aí? Vale a pena ser jornalista mesmo não pertencendo à nata? Sempre me perguntei isso, percebendo que uma boa parte da galera de assessoria meio que fica de olho comprido na redação, imaginando que deve ser melhor, mais emocionante. E é, mas é apenas a outra face de uma mesma cilada.
Sinceramente, depois de 17 anos nesse mercado, eu fico cada vez mais convicta de que sucesso depende mais de temperamento e relacionamento do que de talento. Qualquer carreira bem sucedida vai depender do nível de obsessão em construí-la e de ter os contatos certos. Só isso elimina uns 80% dos candidatos ao estrelato, para dizer o mínimo. As pessoas, sabiamente, privilegiam outras partes da vida que, muitos dizem por aí, é uma só. A parte do puxa saquismo e das amizades convenientes é mais fácil, tem muita gente com esse perfil por aí, infelizmente, e isso corresponde a pelo menos 15% dos que continuam no páreo rumo à glória.
Mas então por que tanta gente tenta e persiste, já que na primeira década - eu espero - a maioria saca que não vai ser o próximo Caco Barcellos, o próximo Bob Fernandes? Porque além da identificação, que eu não vou falar sobre isso aqui porque é uma coisa óbvia, existe a projeção.
Eu tiro por mim. Não me identifico com o Jornalismo, mas, pensando analiticamente, talvez tenha parado nisso por uma questão de projeção. O jornalista é atento, é rápido e é desinibido, três coisas que nunca fui. Mas gostaria de melhorar isso e acho que essa carreira me ajudou bastante, apesar de, claro, não ter feito milagres porque não se muda a essência. Mas eu só me toquei disso quando, encontrando pela primeira vez em 15 anos com um ex colega de faculdade, ele pontuou que eu estava muito mudada, que não se ouvia a minha voz na Facom e que agora estava mais falante. 
Ou seja, nem tudo na vida vai servir para lhe dar confirmação das suas habilidades. Algumas coisas simplesmente vão ter a função de lhe tirar da sua zona de conforto e lhe desafiar. 
Eu, de minha parte, se pudesse, teria umas cinco carreiras em uma vida só, mas isso dependeria de ter um vigor, uma estrutura financeira e um tempo que eu não tenho. Mas adoro aprender. Adoro, adoro, adoro. Sou curiosa. Essa é, talvez, a minha única identificação com o jornalismo.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

No armário

Vou pegar a gíria gay para falar de algo que percebo que acontece muito: o silenciamento dos sentimentos. Agora mesmo elogiam um colega por emitir um comunicado sobre a demissão tosca dele sem falar mal do empregador. Mas e se ele quisesse fazer isso? E daí? É o sentimento dele, a história dele, ora. Mas nunca permitem a gente falar sobre nada. Somos obrigados a nos tratar como produtos, não como gente, como experiências.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Morre um panda...

... Toda vez que eu descubro que há assuntos que me tocam muito e esses são evitados por meus amigos mais próximos. Acho que sou uma mente doente, que gosta de olhar certos aspectos da vida que todo mundo dá dez reais só pra evitar.
Solidão existencial, mas, enfim, é a vida. 😒

sábado, 3 de junho de 2017

Clarificando

Estou gostando do mestrado em Comunicação e ando até orgulhosa da relevância das pesquisas que andam sendo produzidas aqui na Bahia. 👏👏👏
Mas está ficando cada vez mais claro que, apesar de eu gostar de Comunicação, de Jornalismo, não é meu meio, eu não me identifico com os valores, com as pessoas, com o tipo de vaidade. É hora de mudar de barco.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Meritocracia, o apego nacional

Acho difícil a gente se livrar do mito da meritocracia. É porque afeta o ego de quem não está no lado desvantajoso da história admitir que há desvantagem. Tem que ter um controle do ego que não é o comum. As pessoas costumam ler que se há desvantagem pra alguém, há vantagem pra outros, pra si, e isso tira o brilho da trajetória pessoal. Ninguém gosta de se ver ajudado. Todo mundo gosta de se pensar como o foda. Isso não existe, não como regra.