sábado, 30 de dezembro de 2023

"O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?"

 Quem canta essa música de Alexandre Pires, nos dias de hoje, está de falsidade. Só digo isso. 

Porque o que a gente não sabe mesmo é estar acompanhado. A liberdade tá fácil. Todo mundo morando sozinho, anos e anos sem compromisso, ganhando o próprio dinheiro... E é muito confortável fazer o que der na telha sem precisar consultar ninguém. Difícil, depois disso, é negociar as concessões necessárias para estar juntos. 

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Eu não acredito em Ivete Sangalo


Se eu disser o que eu vou escrever aqui, o povo me mata. Ivete já se tornou uma ideia, e do tipo incontestável. Não sei se ela já sacou isso e se sacou, se isso a afeta, mas ela já deixou de ser ela pra virar uma projeção nacional da pessoa gente boa, a imagem do brasileiro suingue sangue bom. 

Ninguém vai ler isso, mas caso leia, que fique claro: esse texto não é depreciativo. Eu gosto dela no geral, mas algumas coisas não descem redondas, não. Eu tenho uma casa 8 muito lotada pra não desconfiar do que tem debaixo das aparências... 

Acho Ivete uma pessoa sensata, como pouco se vê no meio artístico. E simples. Mas não acredito nessa alegria desmedida. Por um lado, ela teve muita sorte na vida e sabe reconhecer e aproveitar isso, o que é um sinal de sabedoria. Mas não acredito nessa coisa que ela diz que não deixa a tristeza chegar perto. Acho isso impossível. Acredito mais numa vida em que a alegria nunca chega perto do que no contrário. Não tenho certeza se isso, de Ivete, é sabedoria ou se é fuga, já que todo mundo, inclusive ela, quer essa Ivete animadona, super positiva full time. O reforço externo que ela ganha pra ser essa daí há 30 anos, pelo visto, bateu internamente e ela fica nessa de ser a animadona, a super resolvida. 

E uma parte de mim sempre pensa: ok, está tudo correndo bem na vida da pessoa, é até relativamente fácil manter o equilíbrio, o personagem de bem resolvida quando é assim. Mas como vai ser quando essa pessoa fracassar, quando as coisas saírem fora do planejado? Na prática, a teoria é outra. Tem cantos escuros do mundo e da nossa alma que só no movimento de ladeira a baixo pra gente descobrir se consegue lidar e o quanto eles conseguem influir em quem somos e na nossa vida. Sabe aquele slongan do Real World, reality da MTV? "Esta é a história real de sete estranhos escolhidos para viverem juntos numa casa e ver o que acontece quando as pessoas começam a perder a gentileza e a serem de verdade". 

Um segredinho astrológico: toda pessoa com a lua em signo de fogo não sabe sofrer (é o caso dela e também o meu, e nós duas temos a lua em sagitário, o que é pior ainda, porque é pura negação da tristeza). A pessoa quer sair por cima, mostrar "que não doeu". Ivete tem plutão em libra cravado no ascendente em virgem. Plutão no ascendente tem dois vieses: um, negativo, é aquela pessoa que joga o pior dela logo de cara, porque daí só fica quem aguenta; outro, que tem um uso mais positivo, é aquela pessoa que tem um autocontrole  espantoso. Ivete é o segundo caso e com os signos envolvidos, ela vai querer mostrar perfeição, bom senso e diplomacia. Ela se exibe muito, mas não se mostra demais - repare nisso.

Outra coisa dela que não me desce (e é tipicamente geminiana) e que eu acho que é instintiva, que ela não faz por mal, é que Ivete é amiga de todo mundo. Ou seja, não é amiga de ninguém. E isso você vê na prática. Chama todo mundo de "zamuri", mas raramente aparece fazendo um social com as amigas. Sempre vejo Ivete com a família. É uma energia gasta em ser popular e aceita por todos, mas não no aprofundando de vínculos. O famoso "só sobe na vida quem nunca se ofende", como dizia o personagem de Nelson Rodrigues.

Todos nós somos instigados a ter uma persona pública, a performar, e no caso das mulheres, a mostrar muita feminilidade, o que quer dizer doçura, submissão, fragilidade, etc. Mas eu não como esse reggae porque sou ser humano e sei como a cozinha da alma funciona, ora. 

No caso dos famosos, essa interpelação é maior ainda. Afinal, a vizinhança se amplia, você está sendo observado por quem você não vê. É uma ansiedade que eu não conseguiria imaginar. 

Eu acho, por exemplo, que Britney Spears e Michael Jackson são pessoas muito doces, carentes e tal (no caso dele, que já faleceu, era). É assim que o público percebe esses dois pop stars. Mas até pelo nível de sucesso e que vem desde criança, dá pra perceber que há traços de autoritarismo, que gostam que os outros façam o que eles querem e se enfurecem quando contrariados. Britney mesmo deixa vários vestígios desse comportamento, mas ninguém presta atenção nisso, pois ela está sempre performando feminilidade, doçura, fala fino, é pequena, tem ar de carente, etc.  

A pessoa performa até pra se proteger, é claro, mas não sou obrigada a acreditar.


sábado, 23 de dezembro de 2023

Out of Africa







Juju no Senegal!... Nunca pensei em pisar na África, não nesta parte da África, a parte colonizada pela França. A careta na foto é pelo calor úmido e pelo vento do Saara. Perrengue chique de turista!... hehe

Eu posso resumir minha experiência a um choque térmico e o mais bizarro é que meu estranhamento tinha a cara da minha casa.

Explico: é um mundo totalmente diferente. É como se você estivesse no Brasil dos anos 70. Só que nem tudo é pobreza. A África tem duas coisas, fruto da resistência deles, que a gente perdeu: senso de comunidade e simplicidade. Não é mera fatalidade, é também escolha. Eles não querem ir ao shopping, eles querem fazer a roupa com o alfaiate da feira, que, aliás, frequenta a mesma mesquita.

É outro mundo, minha gente. Você de repente se surpreende, numa sexta-feira de tarde, com todo mundo segurando um tapetinho de oração e indo rumo à mesquita, como se fosse a galera descendo pra Barra na sexta de Carnaval. Tudo pára. Por outro lado, você se depara com uma feira ou mesmo um pedaço de praia que te faz sentir em Salvador. Eu fico pensando como deve ter sido confuso pros escravizados quando chegaram ao Nordeste. É o outro lado do Atlântico, mas são irmãos mesmo, há semelhanças que chegam a ser bizarras. 

Ah, sim, as crianças são lindas. 

Mas tem o lado B também, e isso é inegável. 

A África me pareceu a América Latina, mas com os problemas mais acentuados. Logo que cheguei no aeroporto, uma faixa enorme contra a corrupção. O funcionário da alfândega me soou àquele tipo de gente que gosta de abusar do pequeno poder que tem. Na ida pra casa, uma blitz nos parou e o policial cobrou propina. A desigualdade, então, é muito mais gritante que aqui - daí você já imagina o drama social. 

É aquela coisa: o estereótipo pega não só porque é interessante pra quem o difunde (e está no poder), mas porque quase sempre tem um fundo de verdade. A questão é que se toma uma parte pelo todo. A África tem muito mais que problemas sociais e políticos, inclusive tem coisas interessantíssimas a nos ensinar. 
 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Mas, gente...

Anália joga cartas e na seleção desta vez, escolhi a carta 3. Esse mundo é cheio de bruxarias, definitivamente. Espero que em 2024 eu finalmente consiga renascer e recuperar a minha qualidade de vida. 🔥🙏🏼



Sobre nomes

Fazendo minha pesquisa genealógica, que há muito não avança pra lugar algum, aprendi coisas interessantes sobre a história das minhas famílias, sobre até a história do Brasil. Uma das coisas que mais me emocionou, de verdade, foi descobrir as mulheres da minha família materna. Os sobrenomes "Rosa", "De Jesus", "Cortes" que eu nem sabia que me pertenciam. Por uma questão de tradição, no meu ramo materno, os homens passavam seus sobrenomes pros filhos, sem incluir os das esposas. Somos Lopes de Menezes (em certa época, "de Meneses") há algumas gerações. Minha mãe que cortou isso radicalmente e além de não ter aderido ao Lopes de Menezes, ainda cortou o último sobrenome. Somos os únicos a usar Lopes na família de lá. Aliás, abrindo parênteses aqui, que bagunça o meu lado paterno, um contraste absoluto com o materno: ninguém passou essa zorra de sobrenome corretamente. Todos os meus primos por parte de pai são Oliveira, uma só ficou com o Turíbio (que no original era "Toribio"), novamente só a gente usa Brito, mas o nosso sobrenome correto seria Aguiar, que vem lá do patriarca, José Turíbio de Aguiar. 

Sobrenome não é qualquer coisa, assim como não são os nomes. Nunca havia me atentado ao "Brito", que coube a gente, ovelhas desgarradas que saímos do Centro-Oeste pro Nordeste, indo até pra Europa. Nunca até ontem. Lopes vem de "lobo". Brito é de "britar". Uma britada se dá em algo sólido (pedra) pra que se fragmente, vire pedaços. Eu vim aqui pra britar. Ou será que estou sendo britada? A seguir cenas dos próximos capítulos...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Meia boca

 Eu já gostei mais de gente. Não sei se digo isso com pesar ou indiferença. Não sei. 

Inclusive minha vontade de fazer Psicologia, de ser terapeuta, vinha muito disso. Eu me interessava pelas pessoas, gostava de ouvir mesmo quando ninguém mais tinha paciência. Gostava de ajudar, de aconselhar. Não quero mais. É, se a minha primeira vida é uma morta viva, a minha segunda vida nasceu natimorta. Acho todos os meus (poucos) pacientes chatos. As neuroses são nada interessantes (risos). Descobri que eu gostava de mim nas minhas próprias sessões, conversando com um terapeuta sagaz (sim, é como uma dança, não adianta só um lado botar pra quebrar). Modéstia à parte, eu sei desenvolver a conversa. Descobri que um bocado de gente é péssima nisso, mesmo quando o assunto é a própria vida. Eu me interesso por quem sabe conversar. Ponto. Aliás, eu tenho mil coisas pra falar mal do povo da Comunicação, mas, neste quesito do papo, é um meio que te acostuma mal, pois geralmente as pessoas sabem conversar (o nível anda caindo, mas ainda é superior à média da sociedade). A única coisa que salva é conhecer as histórias de vida, isso é sempre interessante de fato. 

Eu antes não era assim.

Acho que foi a pandemia. Explico: a gente foi mais pra dentro, não necessariamente num sentido mais profundo, mas a gente teve que se dar mais relevo, já que os outros estavam longe. Fizemos isso através das redes sociais, o que tornou esse show do eu mais agudo. 

E eu acho que também tomei uns vááários baculejos sucessivos da vida, que me fizeram ficar mais amiga de mim mesma e menos disponível pros outros. Mais interessada em resolver as minhas coisas, até porque hoje tenho mais passado que futuro. Até porque não tem ninguém me dando contrapartida, interessado assim em mim. E eu tenho feito muita coisa e tô andando muito ocupada com isso, porque preciso agilizar certas áreas da vida, e então não tem sobrado muito tempo e o que tem, eu quero gastar com qualidade. Preciso inclusive desacelerar, descansar... 

Influi nisso meu desgaste com Salvador (na verdade, com o Brasil). Definitivamente esse não é meu lugar no mundo, embora eu tenha afeição pela cidade. Mas aqui nada frutifica pra mim (há lugares, pessoas e situações que definitivamente não são pra gente). Eu não curto os tipos da cidade, acho todo mundo meio personagem, até gente boa, mas quase todo mundo faz tipo, uma coisa meio falsa, todo mundo fingindo que está sendo super espontâneo mas jogando na retranca, uns tipos meio batidos, até porque o povo não é nada criativo (eu poderia separá-los em gavetas de acordo com o tema do personagem). Eu não consigo me desenvolver nessas bases. Eu gosto de intimidade e aqui é o antilugar pra essas coisas. Salvador e seus códigos dúbios me fizeram uma sujeita desconfiada das pessoas. Eu não era assim. Cheguei aqui criança, levando bolo de aniversario pra vizinha que mal conhecia, mas hoje não quero mais conhecer ninguém nessa cidade. Não tem novidade, é como se eu sempre estivesse lidando com o mesmo tipo de pessoa que eu já conheço à exaustão e não tenho muita admiração, não. 

E o mais triste pra mim é que eu sou meio Tom Cruise. Se animada, eu sou do time de quem sobe no sofá de Oprah. E eu sou reativa, esse lado só aparece se acionado por outra pessoa com quem consigo desenvolver uma ligação, assim como também acontece com o meu pior lado. Mas a realidade foi e tem sido tão meia boca, que eu me sinto uma bola murcha quase todo o tempo. Tô vendo umas paradas aí pra ver se melhora a coisa, mesmo que parcialmente, mas não depende só de mim. Gostaria muito de encontrar quem jogue comigo antes de sair desse jogo da vida. Qualquer um, pode ser até um cachorro. All I want is a little reaction... 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Raiva loves u

Hoje eu li, num desses memes de internet, que a raiva é a parte de você que se indigna quando você está sendo injustiçado, que te ama.

Faz sentido se a raiva é justificada. Digo isso porque vejo muita gente, geralmente privilegiada, com raivas indevidas. 

É quando você aguentou mais do que devia e os demais não querem reconhecer isso que é legítimo ela entrar. É o seu amor próprio e senso de justiça quebrando tudo.  

sábado, 9 de dezembro de 2023

Acreditando

 Hoje acordei de um sonho com esse trecho de música: "Acredite no final feliz". Em minha defesa, digo que nem de Jorge Vercilo eu gosto. Vou levar como premonição. Pode ser golpe do meu inconsciente, mas vou me apegar à melhor versão.