quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Por que é tão difícil ser feminista?

Quando eu falo de feminista, digo não no sentido mesmo do movimento, mas de se pôr em pé de igualdade.
Na prática a teoria é outra. A gente sabe o que não deve fazer, mas faz, é mais forte que a razão. Por que a gente se inferioriza tanto? Por que a gente, ao contrário, combate tanto? Por que não conseguimos simplesmente ser?

domingo, 13 de agosto de 2017

Eu não sei aceitar

Aceitação é um problema pra mim.
Eu sou calma, mas eu tenho espírito de briga. Desde pequena, nunca aceitei um "não" em paz, sempre briguei por um "sim". Isso já me fez muito bem, isso já me fez muito mal. Eu gostaria muito de aprender a aceitar, porque eu acho que isso tornaria a vida mais leve.
Bem, uma colega de mestrado está com um trabalho muito legal, empolgante mesmo, sobre um caso ocorrido na Argentina, de uma mulher indígena e pobre que teve um aborto involuntário e foi parar na cadeia. A bizarrice deu origem a uma campanha no Twitter e a moça, após dois anos de prisão, foi libertada.
Fico muito puta de ainda passarmos por isso em 2017. Fico revoltada com o tanto de relacionamentos abusivos que as mulheres suportam. Me dói profundamente, mais do que posso expressar, cada feminicídio que eu vejo na mídia. Se os homens engravidassem, aborto não seria problema. Porque filho tem que ser uma coisa muito desejada, senão pode até nascer, viver, mas pode dar em muita merda, pra mãe e pra criança.
Eu não aceito que a gente passe pelo que passa só pelo fato de sermos mulheres.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Casa de ferreiro, espeto de pau

Meninos, eu sempre digo:
Saber não é sentir
E sentir não implica necessariamente em querer.
Você pode achar uma coisa correta, nobre, mas ser traído pelos próprios sentimentos. E sentir às vezes não quer dizer que você quer.
Coração de ser humano é assim e o de mulher, então, nem se fala.
Não é fácil ser feminista. Às vezes parece que a gente fala pra se auto convencer.
É tão comum ver mulheres progressistas no discurso cedendo ao contrário dos seus ideais na vida privada... Tão comum que vou provar com um exemplo dos mais clássicos: a mulher livre que cresceu com um pai infiel e na vida adulta só se envolve com homens casados. Você sabe que não é certo, mas cede à tentação. Não quer ser fraca como a mãe, mas acaba sendo por outra via, a da amante, que nada mais é que a mulher que chamava a atenção de papai.
Por isso, acho complicado se dizer desconstruído e coisas afins. Essas coisas não se dão por decreto e não se curam nunca. São ideais e, como ideais, estão fadados a nunca serem concretizados.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Epifania 3

Olhando um clipe de uma artista afro, caiu a ficha: não dá pra gostar desses artistas muito descolados porque parecem fakes. Soa a montagem, a personagem, você não vê a pessoa, só a arte dela mesmo, incluindo o que ela apresenta como ela mesma. Claro que ninguém é natural havendo pelo menos um par de olhos como testemunha. Mas eu curto gente genuína, a naturalidade, o desarranjo. Algo tipo Zeca Pagodinho me diz muito mais.

Quem disse?

Tomando uma cerveja com o povo do Póscom, uma colega, muito gente fina, começou a contar sua trajetória profissional, que incluía artista nacionalmente conhecida, um programa esportivo, intercâmbio na Europa e uma oportunidade na África. Todo mundo, com os seus 20 e tantos anos e vida praticamente acadêmica, ficou boquiaberto... e meio melancólico, do tipo: "E eu? Que merda fiz da minha vida?".
Confesso que até eu fiz uma retrospectiva mental, mas me livrei rápido porque essa coisa andarilha não é algo genuíno meu, embora eu goste muito de viajar, de conhecer coisas novas. Mas até nas viagens, tem uma hora que quero voltar pra minha casa, pro meu aconchego, pra minha rotina. Sair por aí, pra mim, é uma fuga no meio da rotina, algumas vezes no ano, mas não é o que me preenche. E é bem por aí: a coisa vista como a mais maravilhosa do mundo pode não te preencher. 
Já me deparei com gente muito agitada e com um vazio enorme, latente. Já vi gente muito tranquila e que de tão preenchida, transbordava. O movimento pelo movimento não é interessante. Claro, ele vai te levar a algum lugar, mas pode ser um lugar que não te interessa, que não te acrescenta grande coisa frente ao desgaste que você vai ter. Às vezes evoluímos mais na quietude. É possível ter uma vida ordinária e cheia de significado.
Por isso, só vale a pena ir ou ficar se for algo do seu coração, genuíno. Minha colega fofa e experiente do início da história, inclusive, ressaltou isso ao final: se for seu sonho, se for seu sentimento, batalhe. É isso. O caso é que nem todos vão querer a mesma coisa e isso precisa ser respeitado. O caso é que nem todos vão descobrir isso e vão correr como o cão atrás do caminhão.
Quem disse que existe uma receita pra felicidade?

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Você não precisa namorar (ou noivar, ou casar ou qualquer coisa assim)

PS.: Eu, que adoro uma teoria, achei o argumento do texto muito bom. Sentimento é um negócio difícil de botar na caixinha.

Talvez seja culpa do instinto humano que busca categorizar e taxonomizar tudo, talvez seja resultado de séculos de doutrinação social, talvez seja até influência de todas aquelas madrugadas viradas jogando Super Mario, mas a verdade é que crescemos acreditando na vida como um sistema de fases.
Sim, fases. Etapas.
Aspectos da vida que se seguem e obrigatoriamente levam um ao outro, como em uma progressão natural definida antes mesmo de nascermos e que estamos obrigados a, no decorrer da nossa existência, seguir. Escola leva pra faculdade, que leva para um trabalho, que leva para a luta por um cargo, uma sala, uma mesa de frente pra uma vista que pode ser a do fundo descascado do outro prédio, mas que é sua.
Casa dos seus pais leva pra sua casa, que leva pra sua casa de casado, que leva pra uma casa com seus filhos, que leva talvez pra um sítio ou casa de praia, se tudo der certo, se você tiver conseguido aquela sala e aquela mesa do parágrafo anterior. A bicicleta de moleque vai te levar pra um carro que vai te levar pra um carro maior, que vai te levar para aquela picape de levar os meninos para o sítio -- também, tudo depende daquela sala -- e por aí vai.
Essa visão de etapas, de progressão lógica, que existe em todos os aspectos da sua vida também se aplica, é claro, ao aspecto pessoal dela. Sua ficada deve, em tese, se for boa, resultar em um namoro, namoro esse que deve chegar a um noivado que, claramente, vai virar um casamento, uma família padrão, em perguntas do tipo “mas e quando vocês vão dar pra gente um netinho, hein?” feita por tias idosas para quem você quer responder “e quando você vai cuidar da sua vida?”, mas não responde porque fica chato, ia destruir o clima da festa de final de ano, não ia ser bacana.
E essa progressão não faz, é claro, o menor sentido.
Primeiro porque, como bem sabemos, é sempre uma péssima ideia organizar pessoas, que são seres complexos e absolutamente distintos entre si, dentro de categorias ou processos rígidos e comuns. Conforme o tempo foi passando, descobrimos que quase todas as caracterizações e dicotomias que conhecíamos são restritivas, cruéis ou apenas erradas.
São mais de duas orientações sexuais, nem todo mundo precisa de 8 horas de sono pra ficar legal de manhã, não é todo relacionamento que precisa ser composto por duas pessoas, tem gente que acha os Beatles uma banda bem merda, uma série de dogmas e definições que a gente tinha como claras, mas com o tempo foi aprendendo que eram bem mais fluidas do que poderíamos imaginar.
Mas ainda assim, e mesmo sendo a nossa umas das gerações que mais lidou com quebras de paradigmas sociais até hoje, ainda é fácil ver que muitos de nós se sentem num certo nível propensos a tomar decisões na vida pessoal menos por sentirem genuinamente o impulso necessário e mais porque acreditam que seja isso que se espera deles.
Experimente falar com seus amigos casados e ver quantos deles não casaram “porque já estavam juntos fazia um tempo” ou porque “já tava passando da hora”. Veja quantos casais de namorados você não conhece que brotaram da mais pura inércia: “ah, a gente ficou duas vezes, ele continuava voltando aqui em casa, achei mais fácil dar uma cópia da chave pra ele”, ou porque queriam continuar apenas ficando mas se sentiam desconfortáveis em admitir isso, já que “se tá ficando esse tempo todo então é um namoro”.
Vai ser um número maior do que você imagina, mais do que gostaria e avantajado perante o que aqueles filmes do Telecine Touch tentaram fazer você acreditar.
Porque a verdade é que sentimentos são únicos, particulares e, por isso mesmo, impossíveis de categorizar. Você pode gostar muito de alguém e querer essa pessoa por perto, mas não querer ser exclusiva, e isso não invalida o seu sentimento e nem quer dizer que um goste menos do outro, apenas quer dizer que -- querendo os dois o mesmo tipo de relacionamento -- ele vai ser diferente do que se considera padrão.
Uma boa ficada não precisa necessariamente se desenvolver num namoro, da mesma maneira que um ótimo namoro não precisa resultar em casamento. Existem pessoas que poderiam ficar juntas para sempre se morassem em casas diferentes, mas um arrancaria a cabeça do outro em dois dias se resolvessem viver juntas.
E muitas vezes é essa necessidade de categorizar e de “progredir” nos relacionamentos que acaba fazendo com que as pessoas percam coisas boas.
Se ele não quer namorar contigo, não presta. Se ela não se sente pronta pra casar depois de 5 anos, não te ama. Se vocês estão ficando desde abril, mas ninguém falou em namoro, é porque não se gostam e mais diversas outras conclusões que tentam encaixar o que as pessoas sentem dentro de fórmulas e de necessidades que as vezes não são reais nem mesmo para aquele que saiu magoado da jogada.
Não, não estou dizendo que, para namorar ou para casar, você precisa estar sentindo níveis x de vontade ou y de necessidade de estar perto daquela pessoa, porque isso seria tentar também categorizar os relacionamentos alheios e me tornar uma versão romântica daquela tia chata da festa, coisa que acho melhor evitar.
Mas apenas que, em um assunto tão absolutamente pessoal quanto nossas decisões de teor romântico, é sempre importante lembrar que as vontades que realmente importam são as nossas e as das pessoas de quem gostamos e não algum ideal de relacionamento de amigos, conhecidos ou parentes. Mesmo porque, se a sua tia ficar te importunando com coisas assim, você sempre pode apenas acelerar o passo e ir pra outro cômodo da festa, dificilmente ela vai te alcançar naquele andador.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mestrado

Confesso, me deu vontade de desistir.
Eu sempre tendo a resistir, mas a carne tá ficando mole, é a PVC (Porra da Velhice Chegando). Faltam as forças, a motivação. Quero deitar em posição fetal.
Quero uma vida mais tranquila. Agosto nunca é fácil e agosto de final de semestre promete ser muito menos. Deus me ajude!
É a última vez que me meto numa dessa. 😠