domingo, 18 de setembro de 2022

Aladin

 



Quando eu era pequena havia os discos com historinhas, contos de fada. Eu tinha vários, mas o que mais me marcou foi o disquinho do Aladin, um azul, que eu tocava, tocava e tocava. Morria de medo da parte em que ele ficava preso na caverna. Até aí normal, o maior medo de toda criança é ficar sozinha. 
Mas eis que cresci e comecei a estudar a teoria junguiana, com seus mitos e arquetipos. Ouvindo uma palestra da professora Lúcia Helena Galvão, descobri porque essa história sempre me marcou tanto: porque fala da minha relação sempre difícil com Deus. Explico: sempre achei que Deus fazia-se de surdo pros meus desejos, que eu nunca era atendida. Já pensei muito, durante a vida, em como acessar esse poder espiritual. Aladin faz desejos a um gênio (Deus) preso numa lâmpada. Ao final, ele para de querer desejos realizados e liberta o gênio do confinamento. Neste momento, o gênio/Deus está em todo lugar e ele não precisa mais desejar nada. 

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Dancing with myself

 Oh, oh, oh, oh...

Depois de uma viagem simpática e de três meses dentro de casa com minha mãe, enfim tô sozinha em casa, e adorando. 

Como eu gosto de ficar sozinha em casa!

Posso fazer o que eu quero, no meu tempo, não tenho a carga mental de ter que conciliar minha vida com as dos outros. 

terça-feira, 2 de agosto de 2022

El deseo

 



Esta noite, refletindo, tive que admitir que a vida vai bem: tenho saúde, dinheiro pro básico, uma reservinha, companhia, moro na beira da praia, tenho emprego e não trabalho aos finais de semana, todo mundo vivo ainda... O problema é o desejo, das coisas que ainda não tenho (materiais) e das coisas que nem sei direito que quero. "O que eu quero não tem nome". Um desejo lispectoriano, ainda por cima. Talvez esse desejo lispectoriano seja um propósito ainda não descoberto, que faça enfim desejar algo concreto...
Não sei mais o que fazer com isso, na moral. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Pronta pra errar?

Eu acho que sim. Ao contrário de quando eu era nova, quando eu não era validada pelos outros (continuo não sendo), eu hj sou validada pela minha própria história. Se eu errar, hoje eu sei que não sou meu erro. Tenho uma história que me faz maior do que momentos isolados. 

O lado mãe do tempo, aliás.

domingo, 31 de julho de 2022

Olhando o mapa dos meninos - parte 1 Eduardo

Vou fazer uma série aqui lendo o mapa da meninada da família. Vamos ver se bate com a personalidade deles quando crescerem. Vou começar por Eduardinho, que nasceu anteontem. O mapa dele é esse:


Planeta
Signo
Casa
Grau
Sol

Sol

Leão

Leão

11
6°23'
Lua

Lua

Leão

Leão

12
14°49'
Mercúrio

Mercúrio

Leão

Leão

12
19°48'
Vênus

Vênus

Câncer

Câncer

10
13°52'
Marte

Marte

Touro

Touro

8
16°27'
Júpiter

Júpiter

Áries

Áries

7
8°43'
Saturno

Saturno

Aquário

Aquário

6
23°5'
Urano

Urano

Touro

Touro

8
18°39'
Netuno

Netuno

Peixes

Peixes

7
25°11'
Plutão

Plutão

Capricórnio

Capricórnio

5
27°8'

Ascendente

Virgem

Virgem

1
21°37'

Meio do Céu

Gêmeos

Gêmeos

10
24°15'

Descendente

Peixes

Peixes

7
21°37'

Fundo do Céu

Sagitário

Sagitário

4

24°15'

Ele é uma mistura fogo-terra. Sendo esta mistura capitaneada por leão e virgem, e ainda mais com a educação que os homens recebem, vale muito trabalhar a empatia e a sensibilidade. Pois Eduardinho justamente tem bloqueio de ar-água, que são elementos mais relacionais. Ele tem muita força (Sol e Plutão/ Marte em Touro na 8) e terá sorte e altos ideais (bons aspectos de júpiter). Possui um mapa que eu leria como o de um potencial artista: sol, lua e mercúrio em leão, casa 12 (análoga a peixes) bem ativada, meio-céu em gêmeos ativado com vênus em câncer ali, casa 7 (a do público) também ativada e plutão na 5 (análoga a leão). Apesar de ser uma pessoa de fogo, vai ter um diálogo muito interno; ele tem 4 planetas retrógrados (plutão, jupiter, saturno e netuno), ou seja, as energias desses planetas não vão ser dirigidas para o exterior, mas para o interior, num movimento de revisão e ajustes. 

Eduardo herdou um mesmo aspecto da mãe dele, minha prima, e que eu também tenho (é super comum em famílias certos aspectos se repetirem): lua em tensão com marte. Traduzindo em miúdos, significa a tendência de ter o território invadido. Traduzindo mais ainda, mamãe é meio helicóptero e tende a ser uma figura invasiva. As nossas mães realmente têm muita dificuldade de ocuparem os espaços delas e o tempo todo nos tratam como extensões delas mesmas. Se a mãe de Eduardo não tomar cuidado, vai repetir a mesma história.

Enfim, provavelmente Eduardo será uma pessoa realizadora, generosa e carismática. O único porém mesmo é a sensibilidade aos sentimentos dos outros (bloqueio de água) e a tendência a tomar tudo como pessoal (bloqueio de ar), até porque ele tem muitos signos fixos, o que, aliado com excesso em fogo, pode dar uma tendência a teimosias, chiliques e explosões.

Livre-arbítrio?


Vendo agora o doc sobre o assassinato de Daniela Perez, aumentei meus questionamentos sobre o livre-arbítrio. Parece que tudo ali não tinha como não acontecer. Foi a tempestade perfeita.

Eu tô achando que a gente mais reage que escolhe.

Mas, na aula, o professor de filosofia joga esta: "Ah, se não houver livre arbítrio, o que nós estamos fazendo aqui?".

Amore, e se for esse o exercício: aceitar que não podemos e tentar fazer banquete com as migalhas de liberdade que o universo nos concede?

domingo, 24 de julho de 2022

O início de um sonho

 


Já conheci muita criança massa, mas ela segue sendo minha # 1. 
Eu era figura e posso provar.
Alguns meses depois desta foto aí, estava eu caminhando na colônia de férias, em Salvador, para a qual a minha e outras famílias iam todo ano, quando cruzei com um amigo meu mais velho, já adolescente, comendo um pacote de biscoitos. Detalhe: ele era conhecido por odiar dividir a comida dele. Dizia que preferia dar outro inteiro a ceder um pedaço. Mas como a gente era bróder e eu era criança pequena, então acho que bateu a dor na consciência e ele excepcionalmente me ofereceu um, ao que respondi:

- Um não; quero dois! Um você dá a qualquer pessoa e eu não sou qualquer pessoa.

Ele deu risada e eu saí dali com meus dois biscoitos.
[e um bocado de gente adulta aceitando de bom grado umas migalhas...]

Legenda alternativa desta foto: a dupla mais estourada do Bloco P, Samenina & Samambaia.


PS.: Quando der tudo certo, eu posto a foto da adulta aqui

Os trabalhadores da última hora

 Sempre me intrigou a parábola dos trabalhadores da última hora, aqueles que, embora tenham chegado no finalzinho do dia, foram pagos como os trabalhadores que chegaram no início da jornada. 

No século 21, isso renderia um belo processo trabalhista.

Mas, voltando à reflexão espiritual da coisa, acho que finalmente entendi. Acho. Penso que o que se quis dizer é que Deus premia o mérito, a diligência e a obediência, mas recompensa mais a entrega da fé e a coragem. Os trabalhadores da última hora queriam apenas trabalhar. Se jogaram sem saber ao certo o que iam receber por isso. Foram premiados com o equivalente a um dia inteiro de trabalho. Um ato de fé recompensado. 

UM LEAO NO PEITO

 


Há três meses, numa consulta com uma taróloga - que depois soube que é médium da umbanda - ouvi uma coisa que foi direto ao coração (é impressionante como um desconhecido te lê melhor que gente que anda com você):

- Olha, parece que você se esforça, trabalha e nunca dá em nada, mas continue fazendo os seus corres, que você está no caminho certo. Você tá desanimada, mas você tem um leão no peito.

E tenho mesmo, senão nem estaria viva pra contar esta história. Porque, velho, se a vida é a arte dos encontros, eu domino com louvor a dos desencontros. Nunca fui amada sequer do jeito que eu amei as pessoas ou como mereço. Ou seja, nunca fui amada e ainda joguei meu amor nas pessoas e metas erradas. Ok, tudo é caminho, o erro é aprendizado, mas sofrer tira a energia da alma da gente. 

A moça do tarô não foi a primeira a me dizer algo do tipo; uma cromoterapeuta uma vez me disse que eu era um animal brigando pra viver. Só tendo mesmo um coração selvagem, um leão no peito pra continuar em frente mesmo de tanque vazio. 

Muita gente no meu lugar já teria desistido, mas eu não consigo. Schopenhauer tem absoluta razão quando diz que a gente tem livre arbítrio pra fazer o que desejar, mas não pra desejar o que deseja. Eu desejo coisas que só uma criatura com a minha resistência poderia ainda desejar a essa altura do campeonato. Sim, eu sou forte, mas odeio que as pessoas usem isso contra mim, negando a minha humanidade, como se eu fosse obrigada sempre a aguentar. Pouca gente me trata/ me tratou como pessoa ao longo da vida. Hoje em dia, não vejo mais porque aturar isso. Nova regra da casa: quem não me trata como gente, não merece nada além da minha resignação. É assim, aliás, que muitos afetos morrem. Não existe isso da pessoa gostar de você, mas desconsiderar seus sentimentos, desrespeitar sua humanidade. Simplesmente não gosta de você.

Cansei de ser sensata, vou ouvir meu instinto felino que eu ganho mais.   

Eu estava olhando uma foto minha de criança: super expressiva, animada, amorosa, alegre... Mas foi tanta cacetada, muitas delas gratuitas, que eu tô exausta. Essa menina aí ainda existe, mas é cada vez mais um segredo só meu. Eu e ela. Ela e eu.  

Eu não acredito mais no afeto na minha vida. Eu não acredito em amizades, em família, eu não acredito mais em parceria e cada vez menos eu tenho vontade de estabelecer laços. Abracei mesmo a "carreira solo". Sabe aquela máxima de "goste do vizinho, mas proteja a sua cerca"? Pois é, finalmente aprendi. Eu interajo com as pessoas, mas não espero muito e me boto em primeiro lugar. E é até melhor assim, porque se sofre menos, se tem um olhar mais objetivo e distanciado para situações e pessoas. Vivi tanto tempo comigo mesma, que acho que já não sei mais andar com outra pessoa só por andar; tem que valer muito a pena. Gosto mais hoje de ficar só do que jamais gostei na vida. Já quis muito resgatar o sentido de comunidade que experimentei nos meus primeiros anos, mas acho que nesta encarnação não vai rolar e é preciso aceitar isso.

Brincava outro dia com um amigo que o lance era virar budista: sem alimentar expectativa, na aceitação dessa sansara, esperando pelo nirvana. Cansei de ter esperança, no sentido de esperar mesmo. O desejo não controlo, mas a esperança não quero mais cultivar, não. É erva daninha. Não quero, aliás, mais nenhum ranço do cristianismo em mim: nem esperança; nem culpa; nem essa coisa de que ser melhor pros outros que pra si mesmo é o certo; nem esse endeusamento do sacrifício; muito menos essa noção ridícula de pecado, que só traz atraso de vida. O cristianismo é uma fábrica de fazer neuróticos. Também não quero mais saber de previsão do futuro e coisas afins. Pra mim, pessoalmente, isso não funciona. Eu quero é fazer, viver, me desenvolver. Serva do meu desejo porque não tem outro jeito. Que esse leão no peito me leve aonde ele tem que levar, e fim. 

terça-feira, 14 de junho de 2022

Sonhos

 


Primeiro semestre de 2022

Sonho 1

Praia de noite - missa de Padre Fábio a esquerda; pessoas em situação de rua cobertas por lençol branco no centro; ritual de umbanda no canto direito da areia. Eu vejo através do vidro do meu quarto. 


Sonho 2

Rio Ganges - eu passo de um lado a outro, com cuidado pra não deixar ir com a corrente meus poucos pertences. Estou feliz de estar vendo mais uma maravilha.


Sonho 3

Água entrando por um filete pela janela do meu quarto. Eu dizendo que preciso me mudar, minha mãe olhando e meu pai ignorando a cena.

Desço a Princesa Isabel e encontro Yuri numa barraca de frente ao Porto. Ele se aborrece com algo que falo e segue amigos do movimento negro que entram no mar. Eu demoro um pouco e sigo atrás. O mar segue quase até o Farol. Eu volto quando vejo que estou me afastando do Porto pra ir pra casa.


Sonho 4

Estou com colegas da Faculdade no mar. Combinamos de pegar um barquinho pra ir mais fundo mais tarde. Volto pra casa, tomo banho e me vem um cansaço tão grande que não consigo me levantar pra voltar pra praia e pegar o barco com meus colegas.


Sonho 5

A turma de Direito faz uma atividade artística, de pintura em tecido. Eu chego atrasada. A turma tem gente da Fdufba, mas tem gente como Alexandre Galvão, jornalista que começou a estudar Direito. Quem não for bem na atividade, vai sair do curso. Eu e Alexandre somos reprovados.


Sonho 6

Estou na Tancredo Neves e vejo Thais trabalhando, eu roubo comida japonesa sem ninguém perceber. Terena também me encontra no café e me paga o café. Renata encontra comigo no mesmo lugar, ela está muito magra. 

Encontro com Neto e ele está solto, fazendo uma participação numa novela de Walcyr Carrasco.


Sonho 7

Estou em Acapulco num grupo, numa mistura de familia e pessoas amigas que não conheço. Estou numa espécie de quiosque e quero apreciar o mar de Acapulco. O dia está caindo, já tá ficando escuro e um monte de gente passa na minha frente, pra lá e pra cá, atrapalhando minha apreciação e minhas fotos. 


Sonho 8

Eu voltando à escola. 


Sonho 9

Estou participando de um reality show, e essa é uma competição muito difícil. Gente que considero talentosa falhou. Não me recordo bem qual era o tipo de trabalho, mas acredito que era algo de produção textual. Mesmo assim sigo, achando que logo serei eliminada. Corta pra final. Eu e um cara todo riponga, que lembra Raul (jornal) estamos competindo pelo título. Eu acho que posso ganhar. Venço e descubro que tinha uma torcida grande. Eu fico eufórica, dá uma sensação muito boa de realização. 


Segundo semestre

Sonho 10

Estou com Anderson e Flavimir pela noite. Primeiro estamos numa espécie de lanchonete e algo que não lembro nos incomoda numa mesa próxima. 

Depois vamos para uma festa numa casa grande e ótima. Não consigo me sentir à vontade, embora as pessoas estejam sendo simpáticas. Sinto que não eu a minha turma. Espero os meninos manifestarem o mesmo pra gente ir embora. Não quero ir embora pra casa sozinha de noite.


Sonho 11

Meu cunhado está prestes a aceitar o trabalho com uma figura que é pedófila e pode ameaçar meus sobrinhos, mas eu não consigo falar.

Antes eu vou com uma turma, incluindo Heide, em algum festival e rola algum exercício em relação a um filme erótico e isso vira resenha depois da seção - não consigo lembrar direito o que foi.


Sonho 12

Estou em cima da minha cama escondendo os meus pés, o meu corpo, de várias cobras que estão coladas a cama, no chão. Um cachorro chega e engole as cobras, me salvando do ataque.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Encanto


Com muito atraso, comento aqui "Encanto", o último desenho animado da Disney. O filme, que se passa na Colômbia, tem como personagens os membros da família Madrigal, formada por pessoas com poderes/ talentos mágicos que os destacam do restante da cidade. Só que isso tudo anda ameaçado e a pessoa que decide ir em busca de uma solução é a única Madrigal sem um talento mágico, Maribel. 

O que a história de "Encanto" vai nos mostrando, aos poucos, é que manter uma identidade, viver em cima de uma característica, da utilidade que essa pode ter, tem um custo pessoal grande. E não é o que fazemos pela vida? Nos apegamos às identidades profissionais e às relacionais, de tal modo que, para muitas pessoas, sem aquele emprego, relação, status ou habilidade, não se é ninguém. Só que manter essas identidades exige um controle, que por sua vez demanda muita energia, ou seja, nos aprisiona. Ao começar a perder a força extraordinária, Luiza, prima de Maribel, começa a entrar em crise. No fundo, a família Madrigal tem medo mesmo é de deixar de ser querida se não for útil, se não der aos outros o que eles esperam (e o final do filme traz uma bela resposta a essa insegurança). Assim também é na vida da gente. Alimentamos as crenças de que se não formos o que os outros esperam de nós, se não oferecermos algo que lhes interesse, não seremos amados. Pare e pense em quantas coisas a gente faz não exatamente porque são importantes pra gente, mas por querer a atenção dos outros. Sempre tem. Neste ponto, é interessante a história de Bruno, cuja habilidade era a de prever o futuro, que nem sempre correspondia às idealizações dos outros, e por isso foi banido. 
De tanto controle, os Madrigal perderam o controle. Por fim, Maribel salva a casita usando o único "dom" que ela tinha: o grande amor pela sua família. E do que mais alguém precisa?