sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A melhor definição de jornalismo que já vi

Pessoas, quando puderem, visitem o blog Desilusões Perdidas, do jornalista Duda Rangel. É catártico: ele mete o pau na profissão o tempo inteiro (risos).
Conheci o espaço por causa de um link que uma amiga me passou, Afinal, o que é jornalismo? Muito bom! Confesso que me identifiquei com um determinado trecho:

Jornalismo é o marido boêmio e safado que seduz as moças no bar, o marido que você já prometeu largar um milhão de vezes, mas não larga, porque ele sempre te convence que você não saberia viver sem ele. E sem ele você não saberia mesmo viver.


Eu saberia. Ou não... A questão é que me vi muito em outro texto do blog, Sintomas de um jornalista em crise. Eu me pergunto, pela milhonésima vez: por que diabos eu fui escolher ser jornalista?
Isso é que dar empurrar as neuroses com a barriga!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Quem dera ser um peixe...

Ôôôô...Ô Ingrid agora é assídua frequentadora da natação. A Companheira - a legítima, já que Deborah (agora em versão globalizada, com H no final) e Lília sucumbiram total ao capitalismo - está superengajada na luta em prol do Velho Chico. 
Provando que a lei da atração não é mito esotérico, Ô Ingrid vem dividindo a piscina com ninguém menos que Luiz Mott (Gri, o povo quer saber: Mott nada melhor crawl ou costas? - peito sabemos que não é o estilo dele, que já, também, passou da idade de nadar borboleta).
A princípio, fiquei preocupada. Mas depois, ao relativizar os últimos acontecimentos, cheguei à conclusão que poderia ser pior: Ingrid poderia estar envolvida, por exemplo, no documentário sobre a diáspora de Alosa. E mais: fazendo todo o trabalho braçal para, nos créditos, figurar como assistente enquanto Alosa sairia como "coordenador".

(Agora fiquei em dúvida: o movimento, como diria Bragaboys, continua sendo sexy, ou deveríamos dizer que atualmente ele é wet?!)


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ghost Writer

Quem chegou esta semana foi Julia Lima, diretamente de Portugal (em tempo: a alma retrô de nossa amiga providenciou ao corpo uma chegada similar a dos espanhóis que vieram para o País, entre a vida e a morte por causa da gripe espanhola, no início do século passado). É engraçado como entra ano e sai ano e as frases de Julinha se repetem. "Se tornou uma grande paixão minha", "Ele(a) é muito inteligente, foi um encontro de almas", "Li muito, pesquisei bastante, estou uma expert no assunto", "Voltar para o Brasil?! Deus me livre!". Tudo, claro, regado a muitas exclamações (!!!). É uma pessoa definitivamente apaixonada! :D
Isso vai ser bom para mim se um dia ela se tornar celebridade. Simmmm!... Na velhice, além de escrever a biografia não-autorizada de Alosa - que, espero, vai vender que nem água, ainda mais com o prefácio que vou fazer questão que Bomba escreva -, vou ter uma segunda fonte de renda: vender entrevistas da cine-astra Julia Lima. E o melhor: sem nem precisar me dar ao trabalho de entrar em contato com ela (amiga, você não vai me processar, né?).

Julia, fale-nos do seu novo filme, "As sandálias da humildade".
JL: Bem, sem dúvida esse é o melhor roteiro que já escrevi. Eu passei um ano inteeeiro pesquisando a vida de Jesus Cristo, que se tornou uma grande paixão na minha vida!
O trabalho ficou muito, muito bom, as imagens estão lindas. Certamente vamos ganhar o Festival de Cannes. O Oscar eu não dou certeza porque, enfim, é um prêmio comercial, depende de lobby, etc, é um prêmio para um tipo de cinema que, definitivamente, não é o meu estilo (fazendo cara de desdém).

Os católicos estão reclamando do argumento do filme, há muitas críticas sobre a veracidade da versão apresentada...*
JL: Eu tenho conhecimento suficiente sobre o assunto para refutar qualquer crítica; posso dizer que conheço a história de Jesus Cristo como poucos!

Você ficou muito amiga do ator principal do filme, o Josh Andrews...
JL: Nooossa, o Josh é incrível, um dos atores mais brilhantes que eu já vi. Meu, quando ele começou o teste, eu tive uma intuição: tinha que ser ele, eu queria aquele homem no meu filme. Nossa, foi um completo encontro de almas - meu marido anda até com ciúmes (risos).

Eu no lugar dele estaria (risos)...
JL: Meu, o Josh é viado, né!? Acho uma caretice tremenda dele não admitir isso (fazendo careta), até porque todo mundo no set sabe que ele tem um caso antigo com o diretor de arte.

(Cof, cof... Mudando de assunto para disfarçar a saia-justa) Julia, você é baiana e filma há muito tempo na Europa. Você pensa em fazer algum filme em sua terra natal?
JL: Eu acho o Brasil riquíssimo culturalmente, é um país lindo, a Bahia tem coisas belíssimas e certamente um dia vou fazer um filme sobre isso. Mas vai ser filmado no Havaí, Ibiza ou outra ilha dessas. Filmar na Bahia nem fud****!

* as reticências é porque Julia, como boa tagarela, nunca deixa o entrevistador terminar a zorra da frase! :P

domingo, 12 de dezembro de 2010

É Royal!

Ficou linda a foto, né?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fator omissão

Não sei se vocês tomaram conhecimento (a imprensa noticiou bastante o caso na semana passada, mas confesso que só soube da história porque me deram a pauta), mas há uma polêmica envolvendo a Construtora Fator, de origem fluminense, e um grupo de compradores do edifício Ícone, na Pituba. A empresa, que deveria entregar os apartamentos em maio de 2008 até agora não o fez e nem deu satisfação aos clientes. Por último, o prédio está penhorado por dívidas trabalhistas (o pessoal da construtora não separou as escrituras por unidade, então é como se o prédio todo fosse de um dono somente). A construtora ainda argumenta que não entregou os apartamentos porque essas pessoas estão inadimplentes. Mentira. O que a Fator chama de inadimplência é a recusa dos compradores em fazer o financiamento por meio do banco indicado pela empresa. O pessoal já está com os créditos aprovados, mas cadê a documentação da construtora necessária ao financiamento?!
Apartamento não é só um bem que vc compra; é um projeto de vida. Então dá para imaginar o impacto que isso tudo teve na vida de quem comprou. O único momento em que realmente me emocionei foi quando falei com um dos compradores, o Humberto, que me contou que no primeiro dia morando no apartamento (eles conseguiram liminar na segunda retrasada), após ter subido 17 lances de escada com saco de supermercado nas mãos, começou a chorar ao entrar no imóvel. Ele disse, com a voz embargada pela emoção: "Foi a luta de Davi contra Golias. Chorei de felicidade, de raiva, foi tudo junto". O cara juntou dinheiro um tempão pra comprar o imóvel, teve que desmarcar o casamento duas vezes, enfim, sofreu à beça. No final, disse que não esperava que a justiça baiana fosse ser sensível ao caso e me deu o conselho, que ouvi de dois dos quatro compradores com quem falei: "Nunca compre imóvel na planta".
Mas sabe de quem é a culpa? Do brasileiro, omisso e frouxo. Veja este caso. De 100 apartamentos, 83 já foram vendidos. Desses, 20 quitaram o apê e receberam as chaves. Ou seja, sobraram 63 nessa história. Só 11 deles entraram na justiça. E olha que os preços dos apartamentos variam entre R$500 mil e R$2,5 milhões, não se trata de pouca grana, não.
Os empresários fazem essas coisas já contando com a omissão. Por mais que eles tenham prejuízo com esse grupo de 10, 52 estão deixando a coisa pra lá. Ó que dinheiro fácil!... Nasci no país errado. Isso aqui é terra pra quem tem veia de picareta - e tenho dito!


domingo, 5 de dezembro de 2010

Meias Pretas

J-Lo e o marido, Marc Anthony, no Grammy Latino. Meu Deus, até hoje não entendo como ela casou com ele, que além de tudo é um péssimo cantor, sem charme algum. (Acho que Tia Cléo tem razão: a macumba está chegando forte ao Hemisfério Norte!) Já imaginaram o que é esse homem pelado, ou de short e meias pretas (ok, tudo bem, admito que de meias pretas no máximo o George Clooney fica bem)?!... Olha, Ben Affleck deve ter deixado ela bem mal no término do namoro, viu?... Pô, J-Lo, na moral, que marido é esse?!...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O exército paralelo do tráfico de drogas

“Penso que algo vai ter que cair primeiro: ou a gente ou a maldade”. A frase não é de um popular, mas bem que poderia. Seu autor é o sociólogo e diretor de pesquisas do Instituto Sangari, Julio Jacobo Waiselfisz, responsável por estudos como o Mapa da Violência. As tragédias e crimes provocados pelo tráfico de drogas pode dar à população a sensação de encurralamento e impotência. Mas, apesar do panorama desanimador, há sim como acabar com o poder do dos criminosos - é, pelo menos, o que garante os especialistas no assunto como o próprio Waiselfisz.


Para o sociólogo, minar o poder de atração dos traficantes demandaria três condições político-sociais básicas: a competência e a continuidade política; a formação de uma polícia bem preparada, integrada e com boas condições de trabalho; e o investimento em educação para as crianças e jovens.

“A sociedade não criou melhor mecanismo de inclusão social que a educação”, defende o sociólogo.

Um exemplo de que a escola é uma boa estratégia está bem próximo, na Região Metropolitana de São Paulo. Deixar as escolas públicas abertas aos finais de semana foi uma das medidas que levaram à expressiva redução da criminalidade. Ao perceber que nestes dias a violência crescia, as prefeituras de cidades como Diadema e Guarulhos decidiram disponibilizar a área escolar aos jovens. Deu certo. A região, que até a virada da década era uma das mais violentas do Brasil, em menos de dez anos conseguiu reduzir a um terço os índices de homicídio.

A baixa escolaridade dos jovens em idade produtiva é uma porta aberta para a entrada no tráfico. Em tempos de globalização e valorização do saber, possuir nível escolar inferior ao ensino médio completo pode ser um trampolim para a marginalidade. “Nessa situação, qualquer saída é uma boa saída. É preciso que a criança aprenda e permaneça na escola por mais anos. Isso não vai dar a solução, mas vai dar as condições”, diz Julio Jacobo Waiselfisz.

Poderes Falidos
A debilidade das instituições no Brasil é um forte fator indireto do crescimento do contingente de envolvidos com a criminalidade. “Quando o jovem convive com bandidos, vê que o que eles têm dificilmente vai poder comprar com o salário que ganha, e que não são alcançados pela Justiça, sente-se atraído”, diz o professor da Unifacs e coordenador do Observatório de Segurança Pública da Bahia, Carlos Costa Gomes.

A conivência social, que vai de quem é tolerante com a criminalidade para não ter problemas e estende-se até os efetivos participantes do sistema do tráfico, gera condições para que o crime prolifere. A permissividade por vezes flerta com a cumplicidade. “O Rio de Janeiro, por exemplo, tem uma pré-história ligada ao jogo do bicho. As organizações que infringiam a lei eram também as financiadoras dos grandes eventos da cidade, e isso criou facilidades para que o crime se instalasse”, diz o diretor de pesquisas do Sangari.

O despreparo e a falta de unidade da polícia formam outra mazela da segurança pública. As diversas polícias não dialogam entre si, e isso dificulta o combate ao narcotráfico. A falta de preparo e de condições técnicas adequadas também contribuem para a debilidade da polícia, que não consegue, por exemplo, indicar a autoria de 90% dos homicídios no País.

Mas é complicado falar em controle do tráfico quando este já está infiltrado até nas mais altas esferas do poder político. “Alguns deputados em determinados estados foram eleitos pelo narcotráfico”, diz Waiselfisk.

Se não é por corrupção, muitas vezes a falha está na incompetência dos representantes do povo. Para Carlos Costa Gomes, enquanto o governo federal não tomar atitudes básicas como o controle de fronteiras, estará “enxugando gelo” ao tentar combater o crime. “Esse pessoal utiliza armas contrabandeadas, assim como o traficante também vende droga que vem de fora”, observa. “O governo federal ajuda os estados a combater o tráfico, mas ao mesmo tempo não faz a sua tarefa de governo federal”, critica.

O quadro é desolador, mas exemplos de outros países provam que, com vontade política, é possível revertê-lo. Um caso famoso é o da Colômbia, que conseguiu reduzir bastante os índices de violência, inclusive em cidades problemáticas como Medellín e Bogotá, com medidas como ordenamento urbano das regiões de risco, campanhas socioculturais para jovens, promoção do desarmamento da população e depuração do corpo policial.

Antecipar-se ao crime, assim como fizeram os vizinhos sul-americanos, é a saída apontada por ambos os especialistas. “O Estado entra em uma favela para prender o bandido, mas não entra para não sair dela, oferecendo uma estrutura que previna a influência do tráfico”, diz o coordenador do Observatório.

sábado, 20 de novembro de 2010

Ê, camará!

Hoje saiu o Caderno da Consciência Negra. O tema deste ano é a capoeira.
Ficou muito bacana o resultado!
Embora continue baiana não-praticante (não tenho vocação para tribos, definitivamente), a cultura desse estado é realmente linda. A Bahia é sui generis. Ponto.
Eu continuo nada atraída em jogar capoeira, mas foi muito enriquecedor aprender um pouco sobre ela. Ouvir as histórias dos capoeiristas, ver como as pessoas se envolvem de corpo e alma com essa atividade, conhecer os códigos dessa comunidade... E, claro, é sempre bom ouvir o povo das ciências sociais falando sobre qualquer tema. Adoro pautas históricas!
O interessante deste caderno, numa visão interna digamos, foi que, a exceção de Juracy, os textos foram feitos por mulheres - e sabemos que a capoeira ainda é uma prática mais masculina mesmo.
A parte que mais gostei foi ver os pequenos jogando. Muito fofo! Encontrei uma pecinha chamada Bob, de 4 anos (mas tão pequeno que aparentava ter 2 ou 3), que fez uma coisa que não esperava (aliás, é esse o barato de lidar com criança: elas sempre nos surpreendem). Virei pra ele e perguntei se gostava de capoeira. Ele fez uma expressão travessa pra mim e deu um aú (uma espécie de ponte com as pernas abertas). Melhor resposta que essa não existe, né?
(Vou tentar conseguir a foto dele pra pôr aqui)
O acolhimento que a capoeira dá às pessoas, em especial às crianças, é muito bacana. "Capoeira é liberdade" realmente, como me disse um dos entrevistados. Ninguém é forçado a jogar. Se não quiser, pode cantar ou tocar algum instrumento. Mas nem por isso há esculhambação, muito pelo contrário.  Apesar da capoeira ser "a arte da enganação", as relações são sérias, as pessoas se respeitam muito e hierarquia é coisa sagrada na roda.
Por falar nisso, vou aproveitar para agradecer e elogiar a "mestra" e editora dessa publicação, Cleidiana Ramos, que além de inteligentíssima, sabe como acolher uma equipe de repórteres. "Contramestre" Meire também deu uma colaboração preciosa ao trabalho (que vigor para o trabalho braçal de edição. Benzadeus!)

Saudações,
"Fala Mansa"

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vale Tudo?

Depois desse blog ter chamado Alosa na chincha, finalmente a Fraude postou algo no Panáfricas - creiam!
Eu daria parabéns, mas, da vero, estou chocada. A víbora andou espalhando por aí que sou parente Wesley Snipes Roriz (vejam bem: ele mal deu início ao seu projeto de poder e já está reagindo assim diante das críticas).
Repito: estou chocada!!! Fazer um treco desse logo com io che amo solo te?!
(E, para o seu governo, meus parentes corruptos de Brasília não roubam nada acima de R$10 mil!)
Nosso amigo deveria dar workshop de vilania ao núcleo mau da próxima novela de Gilberto Braga.
Aliás, falando nisso, até já sei qual será a frase final da autobiografia de Alosa: "Maria de Fátima c´est moi!". E tenho dito!

(sobe som: "Alosa, mostra a sua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...")

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ela é o cara?

Pois é, enfim Dilma Doucheff é president(uç)a!
Eu até me emocionei, ontem, com a emoção dela no palanque, após o anúncio da vitória. E olha que emocionar alguém tendo o Temer do lado não é para qualquer um - será que ela teve um "media trainning" sobre isso com Companheira Débora?...

Eu tenho minhas reservas com o PT. O Mensalão, por exemplo, não me desce até hoje. Na verdade, embora não seja justificável, essa prática corrupta eu até consigo, no fim das contas, compreender. O comportamento de Lula foi o que me matou nesse episódio: cínico e presunçoso, ele mostrou ser um belo de um malandro, no mau sentido. Desde então, não suporto as "frases espontâneas" do presidente. Saio da sala. Criei com ele a mesma agonia que tenho com Agostinho Carrara (sim, aquele de A Grande Família. É tanta mentira, tanta esperteza que prejudica os outros, que não consigo me divertir com o personagem de Pedro Cardoso. E não é nem moralismo meu, pois adoro Mendonça, que ao menos é um malandro mais sentimental, digamos).

Se você me perguntar se eu gosto de Lula, vou dizer que não, mas só sendo muito do contra para não reconhecer os méritos dele. 

O primeiro, claro, foi ter deixado de ser um sujeito que praticamente só grunhia (era esse o Lula sindicalista: fera acuada) para um homem articulado, bem informado e leve. Esse é o meu critério para avaliar as pessoas: de onde saíram e onde chegaram. Não tem muita graça nascer em "berço esplêndido" e ser mais um na linhagem de advogados, médicos, políticos, o que seja, da sua família. É o mínimo, a obrigação. Lula é um exemplo de superação. Ademais, ele tem um tipo de inteligência que admiro, "pedra bruta" por assim dizer, no caso dele esculpida na rua, no dia a dia, através do saber dos outros.

Por último, mas não menos, o que ele fez pelo Brasil é inestimável. Lula lançou 25 milhões à classe média. E isso tem revolucionado a economia. Essa explosão imobiliária, por exemplo, é fruto, sobretudo, do aumento do volume de financiamento para imóveis até R$300 mil (lógico que corremos o risco de ver uma rebordosa disso, mas por enquanto tá tudo lindo!). Veja esse programa do Sebrae do microempreendedor individual. Milhares de pessoas vão sair da informalidade e passar a contribuir com a Previdência. E o Luz para Todos? Não tenho dúvida de que foi isso que alavancou, por exemplo, Jaques Wagner ao governo do estado em 2006. Luz em casa é algo tão básico, mas nem FHC nem Itamar se ligaram (com o perdão do trocadilho) nisso.

Lógico que não se trata de bondade pura. Tudo isso traz benefícios financeiros, pra começar. Sobretudo, há ganho de imagem. Pobre é bicho fiel. Lula, assim como Getúlio, vai ser (bem) praguejado durante 5 gerações dessas pessoas que ascenderam. Por falar em Getúlio, apesar de Lula sonhar em ser JK, é impressionante como as trajetórias do torneiro mecânico e do militar gaúcho se parecem (e, de um certo modo, a oposição tem uma certa razão com a paranoia: governos ditadores não raro são populistas, dados a agradinhos para o povão - mas, por favor, se você lê isso aqui, nunca dê ousadia a um tucano, pelo contrário: ressalte a paranoia. Aliás, eles deveriam trocar o bicho símbolo, de tucano para caranguejo: são tão paranoicos, desconfiados dos petistas que chegam a andar de lado, de olho esbugalhado quando falam do futuro do Brasil na mão dos adversários). Como bem lembrou o comentário do Noblat, na edição de ontem de A Tarde, até a dobradinha Getúlio-Dutra é bastante similar a Lula-Dilma.

Noblat também ressaltou algo que já vinha pensando faz algum tempo. Até o momento, sou só elogios para Dilma - tirando a expressão de maluca que ela às vezes assume, ao estilo Collor. Além de oito anos de atuação competente no governo petista, ela foi de uma determinação férrea durante a campanha e se superou, inclusive, pessoalmente, e isso sem contar que, como disse no início, Dilma é de uma gratidão comovente ao Lula. Mas será que ela vai segurar a onda do Palácio? Digo, será que o poder não vai subir à cabeça? Pergunto-me se essa lealdade a Lula vai sobreviver quando ela provar o gosto de mandar e não mais ser subordinada?
Brasileiros, sinceramente oremos!
(E seja tudo que Deus - ou a "energia" que rege o universo ou o nada dos ateus - quiser!)


Pois, apesar de ter sido eleita no Dia das Bruxas e na antevéspera de Finados, desejo que os 4 anos de Dilma não sejam um terror ou mesmo mortos. Muito pelo contrário! ;)

Excesso de bagagem

Há 25 dias, Alosinha não está mais entre nós. Calma, que o homem ainda não partiu dessa para uma melhor (mas depois que contar o fato que me leva a escrever este post - a seguir, a seguir...- , corroído(a) pelo desolamento, você vai até desejar que fosse isso mesmo - no sentido figurado, of course). A fraude do momento é a seguinte: Alosa partiu com uma equipe para filmar um documentário no continente africano. Sorry (for the), periferia!
Desde então, os comentários sobre a viagem pipocam do Twitter do nosso amigo. Nem sempre são "camaradas". Alguns são bem burgueses, como um no qual ele se queixava da cerveja quente (o povo passando fome e o nosso amigo de picuinha com o gerador?!). Em alguns momentos, dá para perceber nas entrelinhas um "Bendita diáspora que botou um continente entre mim e essa África".
Quando recebo esses tuítes, fico me perguntando que zorra Alosa anda contribuindo nesse projeto. Pelo visto, Paulo Rogério, que eu nem conheço mas já julgo um santo!, é quem está fazendo o trabalho duro (vide os posts no PanAfricas - cadê Alosa que não ajuda a atualizar o blog?). Nos créditos do vídeo, eu já prevejo o nome de Alosa em "Apoio Moral".

O que é isso, companheiro?
Aproveitando o questionamento acima, este blog pergunta: você pôs mega hair? Que cabeleira é essa?
(Cartas à redação!)


No destaque, Alosa, que de tão "prestativo", nem se abala em carregar a caixa da pobre senhora. Tsc, tsc, tsc... :(

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nobre ou esnobe?

Ou estou amadurecendo ou estou ficando esnobe: tinha uma comentário sarcástico para fazer sobre alguém de quem não gosto, mas resolvi me conter.
Palmas para mim?!...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quanto tempo

Tanto tempo sem postar em meu amado blog... Que saudade!
Eu até tenho uma pá de coisas para comentar aqui, mas cadê esse tal de tempo?! Meus finais de semana estão ficando tomados (não era, definitivamente, hora de fazer curso de francês). No Twitter até que seria mais possível atualizar as prosas, mas não rola. Facebook então... Não consigo me expressar assim, pra todo mundo ver. Meu lance é esse blog, que, se brincar, só eu mesma leio. Mas acho que vem texto por aí. Tô lendo umas coisas que estão mexendo com o meu sangue. Livro de feminista (pra variar). Também faz uma cara que não faço uma oferenda aqui para o meu orixá Alosa. A ver, a ver...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Em que esquina dobrei errado?

Martha Medeiros
Jornal Zero Hora, 29/08/2010

Em que esquina dobrei errado?
Quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Aconteceu em Paris. Estava sozinha e tinha duas horas livres antes de chamar o táxi que me levaria ao aeroporto, de onde embarcaria de volta para o Brasil. Mala fechada, resolvi gastar esse par de horas caminhando até a Place des Voges, que era perto do hotel. Depois de chuvas torrenciais, fazia sol na minha última manhã na cidade, então Place des Voges, lá vou eu. E fui.

Sem um mapa à mão, tinha certeza de que acertaria o caminho, não era minha primeira vez na cidade. Mas por um desatino do meu senso de orientação, dobrei errado numa esquina. Em vez de ir para a esquerda, entrei à direita. Mais adiante, aí sim, virei à esquerda, mas não encontrei nenhuma referência do que desejava. Segui reto: estaria a Place des Voges logo em frente? Mais umas quadras, esquerda de novo. Gozado, era por aqui, eu pensava. Não que fosse um sacrifício se perder em Paris, mas eu parecia estar mais longe do hotel do que era conveniente. Mais caminhada, e então, várias quadras adiante, não foi a Place des Voges que surgiu, e sim a Place de la Republique. Eu tinha atravessado uns três bairros de Paris, mon Dieu.

Perguntei a um morador o caminho mais curto para voltar à rua onde ficava meu hotel, e ele me apontou um táxi. Teimosa, pensei: ainda tenho um tempinho, voltarei a pé. E assim foram minhas duas últimas horas em Paris, uma estabanada andando às pressas, saltando as poças da noite anterior, olhando aflita para o relógio em vez de flanar como a cidade pede. Cheguei bufando no hotel, peguei minha mala e, por causa da correria, esqueci no hall de entrada uma gravura linda que havia comprado e que planejava trazer em mãos no voo. Tudo por causa de uma esquina que dobrei errado.

Foram apenas duas horas inúteis e cansativas, e duas horas não é nada na vida de ninguém. Mas quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Alguns desacertos pelo caminho fazem a gente perder três anos da nossa juventude, fazem a gente perder uma oportunidade profissional, fazem a gente perder um amor, fazem a gente perder uma chance de evoluir. Por desorientação, vamos parar no lado oposto de onde nos aguardava uma área de conforto, onde encontraríamos pessoas afetivas e uma felicidade não de cinema, mas real. Por sair em desatino sem a humildade de pedir informação a quem conhece bem o trajeto ou de consultar um mapa, gastamos sola de sapato à toa e um tempo que ninguém tem para esbanjar. Se a vida fosse férias em Paris, perder-se poderia resultar apenas numa aventura, mesmo com o risco de o avião partir sem nós. Mas a vida não é férias em Paris, e aí um dia a gente se olha no espelho e enxerga um rosto envelhecido e amargurado, um rosto de quem não realizou o que desejava, não alcançou suas metas, perdeu o rumo: não consegue voltar para o início, para os seus amores, para as suas verdades, para o que deixou pra trás. Não existe GPS que assegure se estamos no caminho certo. Só nos resta prestar mais atenção.

domingo, 29 de agosto de 2010

A Arca de Jué

Tenho uma simpatia genuína por alguns tipos da "fauna humana". Se, assim como Noé, pudesse recolher alguns em uma arca, levaria um exemplar das seguintes "espécies":

- Homem velho que pinta cabelo e/ou bigodudo;
- Mulher que usa estampa de oncinha ou outra que o valha;
- Mulher que não acerta na tintura do cabelo;
- Ambulante que vende coisas inúteis dentro do busú;
- Celebridade de um sucesso só e/ou de muitos amigos célebres e nenhum sucesso próprio (Preta Gil! Preta Gil! Preta Gil!);
- Malandro ou piriguete "do bem";
- Pedreiro galanteador;
- Cantor canastrão (Wando, Julio Iglesias ou o meu preferido: Luis Miguel);
- Bêbado indiscreto;
- Fracassado rebelde;
- Mulher ridícula que verdadeiramente se acha;
- Gay cínico;






segunda-feira, 23 de agosto de 2010

De olhos bem fechados

Hoje de manhã estava assistindo a Ana Maria Braga enquanto me arrumava (desculpe-me a equipe do Roda Baiana, que odeia a global, mas ela é a melhor opção pela manhã. hehehe). No sofá de Ana, falava-se sobre a morte da garotinha Joanna. Tudo indica que a pequena foi vítima de maus tratos paternos e por isso foi parar no hospital.
Conversa vai, conversa vem e a parceira do Louro José passou um VT da mãe da vítima, Cristiane, apelando a qualquer pessoa que saiba de algum evento envolvendo agressão entre o ex, André, e a filha para que se manifeste.
Não há nada comprovado, mas acredito que nesse caso se aplica aquela máxima "Coração de mãe não se engana". Essa mulher deve estar com os nervos em frangalhos por, entre outras coisas, ficar imaginando o que teria acontecido a filha no tempo em que viveu na casa paterna.
Nessas horas, é inevitável ficar zangada com o nosso judiciário, que comete desparates como o de dar a guarda de uma criança a um pai ausente, quase um desconhecido. É certo também que (quase) nunca esperamos um mal dessa proporção da parte de quem convivemos. Mas, convenhamos, essa mãe também teve a sua parcela de culpa. Parece desumano dizer isso, mas é verdade.
Em casos como esse, no fundo não há supresa. Nunca é uma grande surpresa. O outro sinalizou o tempo todo e a gente é que se recusou a dar a devida atenção aos sinais. É sempre assim. No final das contas, a gente nunca fica zangado com a esperteza do outro em nos iludir, mas sim com a nossa própria imprudência em ignorar os indícios da verdade. É a droga da vaidade sempre falando mais alto, afinal o azar só bate na porta do vizinho e nunca vai bater na nossa. Nós, sempre mais espertos que todo mundo, nunca nos enganamos, não é verdade?! Por que a gente é assim?...
No mínimo, André, o pai de Joanna, não era boa bisca desde a época em que Cristiane e ele eram casados, quiçá desde a época do namoro. O mal é que nós latinos, sempre muito passionais, nos recusamos a admitir que a maldade existe. Há sempre uma explicação para os deslizes alheios. Certamente, iludida de que se tratava de (mais) um homem apenas "difícil" (leia-se "sujeito machista, egoísta, que sempre deixa a mulher na mão, e torna-se agressivo a qualquer contrariedade"), a mãe de Joanna subestimou o potencial de produzir encrenca desse relacionamento. É sempre assim. Joanna morreu, mas quantos maridos/pais do tipo, quando não partem para a agressão física, matam seus filhos emocionalmente? Inúmeros. Alguém duvida de que a ausência desse cara na vida da filha, nos primeiros cinco anos, trouxe sequelas? Se não trouxe agora, certamente traria no futuro, quando ela passasse a entender a situação.
Sempre fui da opinião de que as mulheres brasileiras amam muito mal. São legítimas escravas de suas próprias carências e fãs de relacionamentos conturbados. Adoram uma causa perdida. O cara nunca quis trabalhar, já casou 3 vezes, tem 5 filhos com os quais nem tem contato e ainda aparece um monte de besta achando que com ela vai ser diferente, que ela é o que faltava a ele - uma espécie de pó de pirlimpimpim que faltava na vida do sujeito. Mas nunca é. Algumas ainda conseguem cair fora. Quando entram e saem dessa sozinhas, menos mal. Problema delas, já que são maiores e vacinadas. O mal é que muitas botam terceiros (quartos, quintos, etc) no meio dessa confusão. E coisas como essa que ocorreu com Joanna acontecem porque pai e mãe são para sempre. Uma vez que a mulher tem o filho de um sujeito desse, já era e então fica difícil proteger a criança.
Muitas vezes nem o próprio assassino imaginava que poderia um dia se tornar alguém perigoso. As pessoas precisam entender que as coisas não são simples assim, preto no branco. Tirando os psicopatas, ninguém gosta de matar. Essas  atitudes criminosas dependem da oportunidade certa para virem à tona. Duvido que o Alexandre Nardoni se achasse capaz de um dia matar alguém, que dirá a própria filha. Ameaçado, ele cometeu aquela crueldade contra a menina. Dizem que a motivação do crime foi justamente essa: livrar-se do corpo de Isabela para encobrir a crueldade de Ana Carolina Jatobá e, consequentemente, preservar a "harmonia familiar".
Esse é exatamente o xis dessa questão: basta estar lidando com um egoísta para correr perigo. É isso que sujeitos como Alexandre Nardoni, Bruno Souza e André Marins são acima de tudo: egoístas. Gente assim, quando vê seus interesses em jogo, indo por água abaixo, age por impulso e não se interessa em calcular qual será o impacto do seu ato nas vidas de outras pessoas. O importante é "defender os próprios interesses". Para essas "mentes presunçosas", ninguém nunca vai descobrir. Espertos são eles e ninguém mais. Sempre ficamos entre a pena e a admiração pela audácia dessas pessoas, mas deveríamos, mesmo, é tratar com cautela esse tipo de criatura de "gênio forte".
Pode soar exagerado e um tanto utópico pedir isso quando alguém está apaixonado, mas homens e mulheres deveriam prestar mais atenção nas pessoas com quem se relacionam. Antes de cair totalmente na paixão, é prudente abrir os olhos e ver com objetividade  quem é o outro. Atos corriqueiros dizem muito sobre uma pessoa: como trata a família, como lida c/ os amigos, se gosta de crianças ou animais, se sabe ceder quando o bem-estar do grupo está em jogo, se sabe lidar com frustração, se mente com frequência ou se é honesto, etc. Uma ilusão, um capricho, pode custar uma vida. É o caso de Joanna e também de Isabela e de tantas outras(os) Brasil afora que pagam o pato de uma situação que não criaram, da qual são mero produto. 

sábado, 21 de agosto de 2010

Noblesse Oblige

"Noblesse Oblige" é uma expressão francesa que quer dizer "a nobreza manda". É  um tipo de atitude que mistura dignidade e altruísmo, com o objetivo de, geralmente, poupar o próximo de algum dissabor. Noblesse Oblige acontece, por exemplo, quando você sabe um podre de alguém e é discreto, não usando isso contra o outro, protegendo-o até de possíveis ataques. Ou quando você teria todas as razões do mundo para revidar contra um inimigo e segura seus instintos em nome do que é certo fazer. Ou simplesmente quando você faz o bem, mesmo que o alvo seja alguém que nunca vai saber disso ou que nunca vai saber agradecer pelo que recebeu. A nobreza manda quando você não teria nada a ganhar poupando o outro a não ser a sensação de dever cumprido.
Noblesse Oblige é um tipo de comportamento raramente visto entre seres humanos. É mais comum que pessoas discretas e mais velhas tenham esse tipo de atitude. Mas eu já vi isso, uma vez, em gente jovem - uma moça que estagiou comigo, pessoa elegantíssima, por dentro e por fora. É raro. Geralmente as pessoas não nascem assim, e vão desenvolvendo esse tipo de caridade ao longo da vida. 
Uma das pessoas mais elegantes na alma que conheço, apesar de sempre ter sido muito generosa, só desenvolveu essa noblesse oblige na maturidade. Na juventude - me confessou - levava as coisas muito "a ferro e fogo". Bem, em todo caso ela carregava consigo a matéria-prima desse tipo de comportamento: o altruísmo. Gente egoísta no máximo vai aprender a ser falsa com perfeição, mas nunca vai desenvolver noblesse oblige. Sorry. A nobreza manda se e somente se o comportamento nobre existir igualmente no "palco"  e nos "bastidores".

Eu ainda não sou assim; encontro-me no meio do caminho. Meu lado N.O. é, definitivamente, a  minha paciência de Jó (que geralmente só se esgota quando tenho certeza da falta de consideração total e absoluta da outra parte - depois de muito engolir sapo).

***
Bem, mas como nem só de pão vive o homem, vamos deixar o baixo-astral mandar um pouquinho nesse post (rs). O cofrinho da foto é de Shakira. Sorry, almas nobres, mas eu intimamente vibrei por ver que a endeusada cantora pop tem a pele de uma reles mortal (êêê, Shakira tem hematoma e estria! :P).


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Neuroses Complementares

Li agora que a Maria da Penha (sim, aquela da lei) vai lançar o livro "Sobrevivi, posso contar".
Deus que me perdoe, mas tirando a parte que diz respeito a negligência, a morosidade da justiça no Brasil, que deixa esse tipo de homem maluco impune, eu não consigo ter pena de mulher que é "vítima" de violência doméstica (quer dizer, tenho compaixão pela fraqueza, mas não tenho dó dessa condição). Pra mim, rola uma espécie de gozo mútuo nesse tipo de situação. Do contrário, essas mulheres não se sujeitariam a isso anos a fio. 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Adoção

Ouço muita gente falando em adotar. Cléo Pires, mesmo, disse a Istoé Gente dessa semana que deseja criar uma criança. Lindo. Nobre. Mas fico me perguntando se essas pessoas realmente sabem o que significa esse ato.
Convivi bem de perto, na infância, com duas famílias que adotaram - adoções irregulares, vale dizer, coisa muito comum até pouco tempo. Foram experiências difíceis. Delas, tirei uma conclusão: (parafraseando um pouco Djalma Argollo) "Se você quer ser feliz através da adoção, não adote; mas se você quer fazer alguém feliz através da adoção, então adote".
Porque ter um filho adotivo é diferente de ter um natural. Em uma ou duas coisinhas, é verdade, mas esse par de coisas são muito mais significativas do que as pessoas imaginam.

Um desses meninos adotados que conheci quando criança foi encontrado em um banco de ônibus por uma senhora, que o entregou a filha, à época casada e mãe de dois filhos. Perto dos 18 anos, teve uma crise psicótica. Nessa hora, a mãe adotiva sentiu a dificuldade que é tratar da saúde de alguém cujo passado é desconhecido (ouvi dizer que ela tentou encontrar a mãe biológica, mas não conseguiu).
Essa é a primeira coisinha que é preciso ter em mente quando se decide pela adoção: você está  lidando com alguém sem passado, de origem desconhecida e isso pode fazer falta em algum momento (eu sei que, por exemplo, sofro risco de morrer de infarto, pois na família paterna algumas pessoas já morreram assim. Sei o que tenho que cuidar e o que não preciso me preocupar em relação a minha saúde). Qualquer coisa pode vir daquele novo membro da família.
O mesmo aconteceu com a garota adotada pela outra família que conheci em Brasília. Aos 15 anos, disseram-lhe que era adotada. Ela não digeriu direito a descoberta. Desde então, é uma pessoa transtornada. Esse caso é um pouco diferente, pois a família adotiva conheceu, de relance por assim dizer, a mãe da garota. Sabia-se que ela tinha transtornos mentais. O garoto da outra família também apresentou problemas, não só psiquiátricos como psicológicos. Mesmo tendo sido criado com todo o amor e atenção, sempre foi uma criança chorona, com problemas de fala, muito dependente pra tudo dos pais, enfim, parecia ter uma espécie de retardo. Não saberia dizer se um recém-nascido é capaz de reter esse tipo de memória, mas sempre foi visível, para mim, que o abandono marcou muito esse menino, que ficou registrado no inconsciente dele aquele episódio do ônibus.
Essa é a segunda coisinha que as pessoas que pensam em adoção devem ter em mente: não raro, uma mãe que abandona um filho tem problemas mentais ou com drogas. Os traumas passados devem ser levados em consideração. Ser abandonado pelas duas pessoas que mais deveriam querer-lhe na vida não é algo fácil para muitas das crianças adotadas. Lógico, todas as crianças dão trabalho aos seus pais e representam um desafio de convivência. Mas filhos biológicos trazem problemas mais ou menos previsíveis e é inegável que há certas transferências automáticas de afeto, realizadas, por exemplo, quando se percebe que a filha tem o jeito da esposa, que o filho tem os traços da pai, o humor do avô, etc. Até muitos dos defeitos você é obrigado a "engolir calado" porque a criança puxou justamente a você. A paternidade biológica sai à frente "com um nariz de vantagem".
Uma terceira coisinha que se deve levar em conta é a possibilidade da criança adotada não se adaptar ao novo lar. Sabe esse menino adotado? Pois antes dele, havia chegado uma outra criança naquele lar. Houve rejeição mútua entre o garoto e o filho caçula da mulher. Não falo de birra entre crianças, mas de alergia. A criança foi encaminhada a um abrigo. Entregar uma criança a um abrigo, ainda que ela não seja sua, deve ser ruim, deve render aquela culpa, aquela dúvida sobre o que vai ser daquela pessoa dali por diante. Deve-se estar preparado para essa possibilidade antes de embarcar nesse tipo de experiência.
Há algum tempo, li uma matéria excelente de um jornal internacional falando sobre a adoção de crianças estrangeiras. No texto, histórias de famílias americanas que adotaram crianças originárias de regiões em guerra ou em dificuldade econômica. As famílias têm perfis variados. Em comum, o trauma de devolver uma criança. Alguns pais adotivos passaram o inferno com o filho adotivo e sofreram muito até reconhecerem que não poderiam continuar com a criança.
Não quero dizer com isso que a adoção seja uma experiência fadada ao fracasso. Conheço casos de sucesso, que transcorreram com muita harmonia. Esse menino, mesmo, que teve o surto psicótico foi justamente quem cuidou do pai adotivo quando esse esteve doente, foi a mão na cabeceira do pai até a morte dele. O ponto é que adotar um filho não é como levar um cão abandonado para casa. Gente é muito complexa. Adotar é um ato de amor incondicional a um completo estranho. A pergunta é: sinceramente, você é capaz de doar-se a outra pessoa dessa maneira?

Frase da Semana

"Sou uma ótima dona de casa: sempre que me divorcio, eu fico com a casa!"
(Zsa Zsa Gabor, atriz húngara)

Os meninos da quadra




Olha, eu não conheço os meninos da vila, mas daqui da minha janela, vejo um bando de  meninos boleiros, todos os dias. Todos os dias mesmo. Faça chuva ou faça sol, até em feriado, vejo-os, da janela do meu quarto, dando o sangue na pelada (por isso, brinco que essa quadra é a ala vip da Febem! hahaha).
Hoje deve estar havendo algo de importante pra essa garotada, algum campeonato ou alguma peneira (note que a arquibancada está preenchida).
Ê, como é bom ser criança!... Tudo é festa nessa idade... Mas, por outro lado, como brinca Medrado, eu não queria voltar de jeito algum a estudar o cateto da hipotenusa. rsrsrs

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Essa tal de assessoria de imprensa

A assessoria de imprensa é anti-jornalismo. No começo, essa ideia era apenas uma suspeita; hoje, é certeza. Esse cargo ficaria melhor na mão de publicitários e RPs, enfim, de gente habilidosa em vender (da série "Coisas que nunca diria, assim, para profissionais concorrentes").
Não que o jornalista de redação não faça isso. Jornalismo é imparcialidade e objetividade, certo? Mas quando um jornalista pega uma pauta, geralmente ele constrói a matéria com um dos lados da balança mais baixo que o outro (isso fica bem visível, por exemplo, em alguns pedidos de fontes que vejo no Twitter). Ainda assim é raro ver alguém distorcendo fatos em uma redação. Já na assessoria...
Não quero dizer com isso que jornalistas de redação sejam mais éticos. A questão é a própria natureza do trabalho, mesmo. Se fosse só vender, como disse um pouco atrás, até que estava bom, mas muitas vezes o assessor se vê obrigado a "jogar para ver se cola". 
Sim, porque já foi o tempo em que "o cliente tem sempre razão". Estava outro dia almoçando com uma colega advogada e ela falava que, atualmente, algumas empresas não se importam de iludir o consumidor se o custo disso for menor que dizer a verdade. Sobra para o departamento jurídico e também para o de comunicação limpar a sujeirada.
É esse o meu ponto: estão reduzindo o assessor, que é um cargo bacana, a uma espécie de gari(apesar de reconhecer que não levo muito jeito para isso, admiro quem leva. Há que ser um bom estrategista e é preciso ser bem articulado, também, para exercer tal função. Um dos meus ex-chefes é um exímio assessor; eu ficava impressionada vendo-o com a imprensa).
Vai ver foi sempre assim nessa atividade, e agora é mais visível, apenas. E, sim, é óbvio que quanto menor é a empresa/organização menos pressões desse tipo sofre o assessor de imprensa. Fico tão confusa com isso quanto quando penso que promotores de justiça e criminalistas são "servos" da mesma lei.
Acho que deveríamos pensar mais sobre isso, inclusive com a mediação dos sindicatos. O pessoal costuma debater o que se passa na redação e esquece-se do mundo das assessorias.

OBSIMP Acabei de ver a seguinte manchete em Veja: "A Força do Capim Talismo". Será que dá realmente pra brincar um pouco ou o jornalismo deve ser sério mesmo? Um título criativo é mais que bem-vindo, mas tenho minhas dúvidas quanto a esse tipo de trocadilho barato.

DROPS! Num final de expediente desses, resolvi espantar o tédio assistindo "Rent" no Youtube. A peça se passa na Nova Iorque dos anos 80, e os personagens são basicamente gays e drogados. Pensei, cá com os meus botões, que a peça poderia perfeitamente ser ambientada no Pelourinho. Mas daí teríamos que acrescentar um personagem a mais: o ladrão. :P

Casamento de Ticiana

Aí, Galba, as fotos do casamento ao qual você NÃO FOI! hahahaha
("Um oferecimento da comunidade ´Irritar também é carinho´")

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estupidez mútua

Outro dia estava assistindo a um programa na TV - A Liga, se não me engano -, no qual vi o Rafa Bastos conversando com um sujeito metrossexual, que estava saindo sábado à tarde de casa rumo ao salão. Chegando lá, gastou uma fortuna com limpeza de pele, sobrancelha, hidratação e etc (pra continuar igualmente horroroso, vale dizer). Fiquei desesperada ao ver aquilo. "Meus Deus, que cara burro! Uma das vantagens de ser homem é justamente estar livre de salão de beleza!..."
Mas daí fiquei refletindo, refletindo (zzzz...), e percebi que a metrossexualidade nada mais é do que o resultado de uma roda da estupidez envolvendo os 2 sexos: as mulheres começaram a achar bacana abordar os homens como eles faziam até então com elas, pois isso lhes dá poder, mas esquecem que, acima disso, passaram mesmo é a prestar um grande serviço para a ala masculina, que não precisa mais se esforçar muito para conseguir mulher. Os homens por sua vez, agora que são assediados, estão se preocupando consideravelmente mais com o visual do que costumavam fazer. Conclusão: ambos arrumaram mais sarna pra se coçar que qualquer outra coisa. Mas a mulherada foi mais burra. Por um nariz, eles ainda ganham  vantagem nesse placar. Afinal, além de nos preocuparmos com a aparência, agora temos que lidar com a preguiça masculina (gerada pela tal "mulher de atitude") e ir à caça.
(Oh, Deus, na próxima encarnação me faça em forma de girafa, viu?)

What ever happened to Javier Bardem?

Meu Deus, o que está acontecendo a Javier Bardem? De uma hora para outra, virou um bobo.
O cara, que até há pouco tempo era o Johnny Depp do cinema independente, ficou mais comercial que Coca-Cola - seu último filme é baseado no best-seller e a co-estrela é ninguém menos que Julia Roberts. Por último, andou declarando "coisas inapropriadas" a respeito de Brad Pitt - só faltou chamar de "gostoso". Assim não dá!
Eu sei o que anda acontecendo com ele: Penelope Cruz.
Achei ridículo culparem a Sara Carbonaro pelo fracasso do time da Espanha na 1ª fase da Copa, mas nesse caso de Javier, é Penelope, sim! Ela está arrastando o agora marido para a lama. Ela é quase uma Yoko.
(Julita, agora eu sei que você sempre teve razão!)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mothern*

Quando era criança, existiam basicamente dois tipos de mães: as que trabalhavam e as que eram donas-de-casa. As primeiras formavam um grupo menor, até por ser recente, mas não menos expressivo na sociedade.
O engraçado é que as duas turmas não se estranhavam como agora. Estar em casa ou trabalhar eram opções de vida. Não, não. Minto: as mães que trabalhavam eram um pouquinho mal-vistas, sim.  O respeito que se tinha pela mãe trabalhadora era mais por dever que por apreço, propriamente. Além do "abandono" aos filhos, essas mulheres eram, não raramente, também sinônimo de escolhas amorosas ruins: ou se casaram mal ou "se perderam" com um qualquer. Naquela época, os homens de classe média ganhavam bem, então das três, uma: ou o marido da mãe trabalhadora não ganhava o suficiente para sustentar a família; ou ela era mãe solteira e tinha que correr atrás do dinheiro sozinha; ou ela era apenas uma (jovem) metida a moderna que entregava os filhos nas mãos da empregada em nome do capricho de ter uma carreira. 
Lembro de um loirinho, vizinho de quadra, filho único de uma mãe solteira. O garoto passava a tarde inteira a nos espiar brincando, pela grade da janela. A cena por vezes nos causava mal-estar. Para a quadra inteira, no fundo, a mãe daquela criança era uma desalmada. As mães em tempo integral faziam comentários à boca pequena: "Tadinho! Fica preso que nem um passarinho na gaiola. Pra que pôr filho no mundo, meu Deus?", lamentavam.
No íntimo, as mães trabalhadoras também tinham as críticas delas às donas-de-casa. Na infância, já presenciei insinuações - discretas, é verdade - de que essas seriam mulheres acomodadas na vida e submissas aos maridos. Mas ninguém ousava falar isso abertamente, até porque as que olhavam torto para elas eram filhas de mulheres iguais, e isso garantia algum respeito pela condição de mãe em tempo integral.
Imune a essa rixa velada, somente as professoras. Talvez porque, apesar de trabalharem fora de casa, assumissem ainda assim uma função maternal, tipicamente feminina.

Esse quadro mudou bastante nos últimos 20 anos. Hoje em dia, é difícil convencer uma mulher a cuidar dos filhos em casa. Mais difícil ainda é convencer as pessoas em volta dela quando esse desejo surge na mulher que se tornou mãe. 
Em um mundo que exige cada vez mais produtividade, é duro explicar à sociedade o desejo de "parar" - sim,  com aspas, porque filho também é uma produção e das mais importantes e trabalhosas. É complexo, nessa sociedade que prega o individualismo, explicar aos outros que alguém seja tão importante para você quanto você mesmo. Isso só emociona as pessoas quando está no papel ou quando é dito da boca para fora. Se posto em prática, ganha os rótulos da preguiça e da submissão.
Talvez esse conflito feminino não existisse se vivêssemos em um sistema mais humano.
Na Suécia, por exemplo, o pai pode tirar dois anos de licença para curtir a cria, sem retaliações no mercado de trabalho. Isso não ocorre de jeito algum no Brasil. Mas será que, se assim fosse, o brasileiro usaria essa licença para cuidar dos filhos? A própria Suécia demorou até convencer os seus homens e mulheres da importância dos cuidados paternos nos primeiros anos de vida da criança. A persistência do Estado gerou bons frutos, e hoje é comum ver naquele país os homens em cenas com os filhos que até há pouco tempo eram exclusivamente privativas das mulheres. O que antes era encarado com uma inferiorização, hoje é visto como o direito legítimo de estabelecer um vínculo com o bebê e uma tarefa de suma importância na vida de homens e mulheres.
Penso que todo mundo, antes de ter um filho, deveria se perguntar se por este ser humano que vai botar no mundo seria capaz de ficar até dois anos sem esquentar o traseiro em uma cadeira de escritório - mesmo que isso estivesse fora dos planos. Sim, ter filhos é renunciar a um pedaço da sua liberdade, mas parece que uma parte das pessoas anda desavisada disso ultimamente.
Essa renúncia é maior no caso das mães que optam por estender a assistência aos pequenos depois dos quatro meses de licença. Uma boa dose de ansiedade deve acompanhar tal decisão, que, em alguns momentos, pode se tornar uma escolha difícil de administrar internamente. Cuidar de uma criança é um trabalho braçal, repetitivo e por vezes monótono. Creio que, frequentemente, a mãe deve achar que está levando uma vida mais pobre que a das mães que trabalham. Isso sem contar a ansiedade em relação ao futuro, ao que pode acontecer quando as crianças crescerem e você tiver que "voltar ao mundo real". Não penso que essa seja uma decisão simples e confortável como muitos a consideram. É muito idealismo na veia.

Confesso que gostaria de ficar integralmente com os meus filhos no primeiro ano de vida deles e que  acharia perfeito se pudesse, ainda, trabalhar um turno só (ou menos de 8 horas) até que o mais velho completasse sete anos. Ficaria muito mais sossegada se pudesse garantir que saberiam gritar por socorro, ler a embalagem dos produtos da despensa ou ligar para os bombeiros, antes de voltar a assumir uma jornada integral de trabalho (risos). Com quatro meses de vida, dá uma pena danada de deixar um bichinho indefeso desses nas mãos dos outros. Mas sei que, a não ser que case com um homem que ganhe muito dinheiro ou arranje um emprego privilegiado, isso não vai ocorrer. Nessas horas, me consolo pensando em um grupo que está numa situação zilhões de vezes pior: as mulheres de baixa-renda, que muitas vezes largam os próprios filhos para cuidar das crianças dos outros (esse quadro só não é mais deprimente porque as abençoadas avós salvam a pátria dos netos abandonados em nome da necessidade).

Um amigo meu - pessoa muito inteligente cuja opinião considero bastante - é professor do ginásio em um conceituado colégio particular do Rio de Janeiro. Ele, outro dia, me contou algo que já desconfiava acontecer nas escolas brasileiras: os alunos chegam ao colégio com uma pobre base familiar (pais ausentes, que não têm paciência para educar os filhos e basicamente se preocupam em proporcionar conforto material a prole) e muito sabichões devido a internet. A escola, diante disso, fica de mãos e pés atados. Enfim, a juventude de hoje está absolutamente entregue a própria sorte, à deriva em um mar de informações e de pressões do seu grupo etário. Que sociedade vamos  formar desse jeito?

Além do fator sociedade, existe ainda o afetivo. As pessoas esquecem de um detalhe fundamental nessa história toda: são nesses primeiros sete anos que as conquistas mais importantes da criança acontecem. Nunca mais esses momentos vão se repetir. 

O que me deixa quase tão triste quanto saber que vou ser mais uma mãe trabalhadora a largar os pimpolhos em casa, é saber que, mesmo que pudesse abrir mão de trabalhar (tanto) durante a infância dos meus filhos, seria discriminada por essa escolha. Adquirimos direitos que nos tiraram outros direitos, mas estamos na ilusão de que não perdemos nada. Isso é perigoso. Precisamos rever o que realmente vale a pena na vida de um ser humano; e mais: precisamos investigar esse conceito contemporâneo de liberdade, que a muitos tem deixado aprisionados e infelizes. Precisamos garantir que efetivamente as pessoas tenham o direito de escolha.


* Mothern - mãe moderna

terça-feira, 27 de julho de 2010

Frase da Semana

"... mas, doutor, uma esmola para um homem que é são, ou o mata de vergonha ou vicia o cidadão."
(Luiz Gonzaga)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Por quê?

Onde nascem as almas? Por que Deus nos criou?

Sempre pensei nisso. E tanto nos dizem sobre energia, alma, reencarnação, etc, mas até agora ninguém me ofereceu  essas respostas.

Cadê minha gurua cineasta, nessa hora, pra "iluminar" as minhas idéias? :P

"Situação ridícula"

Pra quem não soube ainda (impossível, mas vá lá), Massa, que estava liderando o GP de ontem, passou a liderança ao colega Fernando Alonso, por "sugestão" da Ferrari, a equipe para qual ambos trabalham. Entendo a situação do piloto brasileiro e até mesmo o pedido da equipe italiana, mas, pô, que situação deprimente. 
Fiquei pensando se um Piquet ou um Ayrton Senna da vida se sujeitaria a isso, e duvido muito. "No way!" (adoro essa expressão americana!hehe) Os atuais pilotos brasileiros podem ter até talento equivalente ao dos que os antecederam, mas falta garra, fome de vitória, espírito de campeão.
Onde foram parar os homens de atitude deste Brasil, meu Deus! :(

terça-feira, 20 de julho de 2010

6 amigas que toda mulher deveria ter

Regina Valadares
Fonte: Revista CLAUDIA

A que diz verdades, a que coloca você para cima, a que gosta de fazer compras... Há amigas de todos os jeitos e todas são bem-vindas. Mas com este mix você faz a festa e pode se considerar a pessoa mais sortuda do mundo!

Com afinidades e diferenças, elas são a família que escolhemos. Fiéis escudeiras, conhecem nossos gostos e desgostos e sabem exatamente o que fazer quando precisamos delas. Embora a gente possa contar com as amigas nas piores enrascadas, sempre tem aquela que se encaixa melhor numa determinada situação: a que ama viajar, a que consulta os astros antes de dar palpites reveladores, a que ressuscita a auto-estima... Se você tem essas companheiras, dê graças aos céus pela linha de frente poderosa! Se não tem, vá atrás das que "faltam" - porque certamente elas tornam o dia-a-dia muito mais colorido.

AMIGA QUE DIZ A VERDADE

1. É aquela que interrompe o seu discurso cheio de razão, olha bem nos seus olhos e diz: "Não, você não está certa". Sem meias palavras, mostra um ângulo da questão que não era óbvio e pronto: você ouve os argumentos e acaba reconsiderando. Porque, quase sempre,ela tem razão. De vez em quando vocês se estranham, mas logo passa. Afinal, não é qualquer pessoa que está falando. Márcia Torvelo, economista, sabe muito bem a quem recorrer quando quer ouvir a verdade. "Se me sinto injustiçada, procuro aquela amiga que não vai concordar comigo só para me agradar. Muitas vezes fico arrasada com o que ouço, mas estabelecemos uma relação de confiança tão grande que ela tem a liberdade de me dizer coisas que outras pessoas não ousariam." Para questões menos graves, essa amiga é igualmente eficaz. Quer saber se o novo corte de cabelo ficou bom? Pergunte a ela. Detalhe: amiga que diz verdades também é capaz de ouvir verdades. Isso lhe dá o mesmo direito de ser absolutamente sincera com ela. Afinal, amiga é para essas coisas.

AMIGA CHEIA DE SABEDORIA

2. Ela conhece uma taróloga ótima, freqüenta um massagista japonês e entende um pouco de astrologia, numerologia, I Ching e cabala. Se bobear, tem ainda linha direta com Deus. Acredita que o que fazemos com o outro volta para a gente e que tudo pode dar certo se quisermos de verdade. Essa amiga realmente tem fé na energia cósmica e passa essa certeza para você. Por isso, quando sente que está pessimista, a pediatra Alice Pedroso recorre a sua amiga zen. "Sei que ela vai pegar o meu mapa e descobrir qual quadratura de astros está me deixando assim. Só conversar com ela já me tranqüiliza." Mesmo sem entender bem o que significa "entregar para o Universo", você segue seus conselhos: toma um banho de sal grosso, pinga algumas gotinhas de lavanda no lençol e vai dormir. E não é que no dia seguinte você acorda melhor?

AMIGA QUE É SUPERPRÁTICA

3. Ela sempre lembra de alguém que pode quebrar o seu galho, seja um contato de trabalho, um candidato a namorado ou uma ótima costureira. Prática por natureza e generosa por vocação, ela tem expediente e adora adotar uma alma perdida. Não sabe a que médico ir? Ela indica. Precisa organizar uma festa? Ela conhece os melhores fornecedores. Está em dúvida sobre o que escolher no cardápio do restaurante? Ela decide por você. É um pouco mandona, mas deixe claro quando não desejar sua interferência e nunca terá problemas com ela. Essa amiga quer sinceramente que você seja feliz e não poupa esforços para ajudá-la. Para melhorar o clima do seu casamento, é capaz de pegar seus filhos no fim de semana só para deixar os pombinhos sozinhos. Mas atenção: essa boa samaritana não suporta a ingratidão. Tudo que espera de você (e ela merece!) é reconhecimento. Então, agradeça, agradeça, agradeça.

AMIGA QUE LEVANTA A AUTO-ESTIMA

4. Ao menor sinal de abatimento, ela entra em ação. Lembra todas as suas conquistas, enumera suas qualidades e só falta dar uma salva de palmas para animá-la. Se percebe que você está preocupada com grana, oferece dinheiro emprestado antes de você pedir. Se acha que está triste, marca uma tarde no cabeleireiro para as duas. Sempre olha a metade do copo que está cheia e tem o dom de fazê-la sentir-se querida e admirada. Se você encerrou um relacionamento ou acaba de ser demitida, convoque-a. Como um espelho, ela devolve a sua melhor imagem: a de uma pessoa que ela admira e que, se não existisse, deixaria o mundo bem sem graça.

AMIGA DE BALADA

5. Se o forte das suas outras amigas é conversar, essa prefere ação. Uma festa a fantasia, uma noitada sem hora para acabar, uma viagem bate-e-volta... Como uma adolescente, esbanja disposição para fazer coisas, não importa muito o que nem a que horas. O tempo que passam juntas é só lazer. Esqueça crises ou inseguranças - esses assuntos são da seara de outra amiga. Essa é parceira de balada. É ela que inventa uma festa-surpresa no seu aniversário, se oferece para organizar o amigo-secreto do fim do ano e fica horas na fila para comprar ingressos para o show da sua banda preferida. Tudo o que você curte ela curte também. Assim, estão fadadas a se divertir muito, sempre. Quer companhia melhor que essa?

AMIGA FANÁTICA POR COMPRAS

6. Para ela, fazer compras é uma festa. Está sempre pronta para conhecer uma loja nova, não importa se fica numa ruazinha escondida lá no fim do mundo. Endereços descolados são a sua especialidade. E adora companhia para bater perna e consumir, seja na Daslu, seja na feirinha hippie. Sem preconceito. E jamais, em hipótese alguma, perde a paciência numa liquidação. Tem olho clínico para achar peças maravilhosas no meio de tranqueira e divide seus achados de bom grado com as amigas. Não vai se incomodar se você levar horas experimentando mil sapatos para no fim escolher mais uma bota. Mesmo sabendo que você já tem três pares, ela não a recrimina. Fica solidária com a sua súbita paixão pelo novo modelo e endossa a escolha repetindo que a bota ficou o máximo. "É a sua cara", diz, animada, deixando você ainda mais feliz.

domingo, 18 de julho de 2010

Arroz com feijão também é bom!

Ontem, para a minha surpresa, passou "Harry e Sally" na tv. Peguei do comecinho e me deliciei com a comédia romântica protagonizada por Meg Ryan e Billy Cristal (roteiro perfeito!... ). Nem parecia que já tinha assistido aquilo zilhões de vezes. Desfrutei muito mais do filme do que há 15 anos atrás. Vi outras coisas nele que anteriormente não havia percebido. Talvez isso tenha acontecido porque outra pessoa estava ali, diante da tela, e não a menina de 12, 15, 17, 21 anos. 
(Uma vez, quando eu era adolescente, meu pai me perguntou pra que gastava meu dinheiro comprando livros, se só apresentam novidade até terminá-los. Acho que vou apresentar esse argumento a ele.) 
Falem o que quiserem, mas uma boa comédia romântica tem o seu valor. Ô!...

Cegonha workaholic

Ano agitado para a cegonha! Meses de muita (re)produção para os coleguinhas de 2000.1.
Em março, nasceu Maria, de Luciana.
Quinta passada (15/7) nasceu Tales, de Jorginho.
Está para chegar, a qualquer momento, Camilinha, de Luize (ou melhor, da irmã de Luize... ainda assim, é de Luize).
Don já encomendou mais um(a).
Só falta dona Elen, que vai casar dia 6 de agosto, aparecer grávida também daqui a algumas semanas.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

Frase da Semana

Kundera e Martha Medeiros deveriam se casar!

Estava apaixonado por seu próprio destino e sua caminhada para a ruína parecia-lhe nobre e bela. Compreendam-me bem: eu não disse que ele estava apaixonado por si mesmo, mas por seu destino. São duas coisas totalmente diferentes. [...] É assim que, na minha opinião, a vida se transforma em destino. O destino não tem intenção de levantar nem ao menos o dedo mindinho por Mirek [...]. enquanto Mirek está pronto a fazer tudo por seu destino."

(Milan Kundera, "O Livro do Riso e do Esquecimento")

domingo, 11 de julho de 2010

Sobre o caso Eliza Samudio

Estou sem tempo de fazer aquele discurso de costume sobre esse episódio, mas 3 considerações não posso deixar de registrar aqui:

1) É um absurdo que, em pleno século 21, "a movimentação da perseguida" de uma mulher seja a única medida do seu valor. Entre os disse-que-disses dessa história, disseram que Eliza deu queixa na polícia sobre as ameaças de Bruno, mas que nem ligaram por se tratar de uma atriz de filme pornô. Por ser promíscua ela merece morrer? Policial tem que trabalhar, ora. Ok, preconceito é algo que todo mundo tem (quem disser que não estará mentindo ou se enganando), mas isso não dá a ninguém o direito de exercê-lo.

2) A mulherada, que anda muito metida a retada, precisa ficar mais esperta. Uma coisa é a teoria; outra é a realidade. Em tese, eu deveria poder andar pelas ruas usando ouro; na prática, se fizer isso, voltarei pra casa sem minhas jóias e quiçá bem machucada por algum pivete que tentará arrancá-las. Cabe a mim ser prudente e evitar ameaças a minha própria integridade, não?
Bruno deu a entender que é um sujeito perigoso; antes do crime, várias vezes ele a ameaçou. Por que Eliza continou a bancar a cri cri? Por que não se afastou desse psico e foi cuidar da vida? A gente tem que se meter com um adversário compatível. Brigar com quem não usa as mesmas armas é burrice. Ele tinha um monte de gente em torno dele; ela era uma mulher sem poder e sozinha. Era evidente quem sairia perdendo nessa "queda de braços" (às vezes, perder é na verdade ganhar e, a bem da verdade, uma hora cada um tem o que merece; Deus não precisa da gente para exercer a justiça).
As pessoas precisam ter em mente que a lei não cobre toda a extensão da maldade humana; na melhor das hipóteses, a pune. Cabia a ela ter "se tirado de problema". Se uma alma caridosa não tivesse denunciado o caso, a morte de Eliza teria passado em branco. A moça, sem dúvida, foi vítima, também, da sua própria imprudência. 

3) Uma boa base familiar faz falta. Essa é a uma lição que podemos tirar, sem dúvidas, desse episódio. Quanto ao futebol, está mais que evidente após esse caso, o de Adriano e a namorada no baile funk e o de Felipe Melo na Copa, que esses caras chegam ao sucesso altamente despreparados emocionalmente. Os clubes precisam investir em acompanhamento psicológico, urgentemente!

Nessa história toda, fiquei com muita pena do bebê Bruninho. Coitado, não tem um parente decente com quem possa ficar. E ainda vai ser apontado na escola como o filho do goleiro assassino. É hard, viu!

Ser Feliz Por Nada

Martha Medeiros



Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?
Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.  
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso. 



terça-feira, 15 de junho de 2010

Frase da Semana

Que, na verdade, é um pensamento de meu bróder Jorge Negão (preciso parar de andar com esse povo de publicidade, ou vou acabar incorporando esse vocabulário de surfista! hehehe):

Eu adoro cheiro de maçã do amor.
Mas detesto o gosto.
A casca é tão doce, tão doce, que a maçã fica amarga.

Deve ser por isso que chamam de maçã do amor.
Afinal, irônica é a natureza humana.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Fragmentos sobre o amor

À luz da psicologia (de alguns)
Tenho ouvido alguns psicólogos decretando o fim do amor romântico em um futuro próximo. Acho plausível que, como ouvi de alguém, o amor caminhe do ideal (ou melhor, utopia) de fusão para o da união entre duas pessoas que se amam. Além de desejarem um relacionamento, as pessoas desejarão manter a individualidade.
Penso que uniões formais como o casamento estão com os dias contados. Só não creio que a coisa vá descambar para o oba-oba que alguns pregam por aí.
Lógico que, na "fauna humana", sempre se verá de tudo um pouco, mas duvido que swings, relacionamentos a 3 ou mesmo relacionamentos abertos serão a tônica do futuro. 
O ciúme, por exemplo, é um instinto animal; deve-se trazer esse cavalo na rédea curta, claro, mas ele nunca será extinto das relações  humanas. A gente sente ciúme de um objeto, não vai sentir do par? Aliás, um dia desses vou recomendar a uma certa psicoterapeuta que dê uma olhadinha no Animal Channel antes de fazer algumas afirmações pretensiosas sobre os relacionamentos afetivos humanos. hehehe... Essa mesma psicóloga costuma dizer que as pessoas traem só porque é bom variar. Teoria muito conveniente e simplista (e que deve lhe render vários fãs). Claro que nem toda traição implica em falta de amor, mas é claro  também que se uma relação é saudável, ela não abre brechas para um terceiro. A pessoa, quando está realmente envolvida com seu par, não consegue achar graça em ninguém mais (quem já viveu a experiência bem sabe).
Dizer que o ser humano trai porque gosta de variar é até superestimar a raça, que age muito mais por covardia que por curiosidade. Em um caso como esse, de um modo geral o traidor não está satisfeito com o que tem, mas está sem coragem de abandonar o conforto do barco. E, cá entre nós, mesmo em uma situação de traição na qual não houve realmente perfídia e é até possível ao traído compreender o traidor, é inevitável a desagradável sensação de soco no estômago de saber que há um outro despertando a atenção do seu par ou, em último caso, que foi enganado por alguém em quem confiava. Acho que não há civilização que supere esse drama milenar da humanidade, sinceramente.

Razão x Emoção
A razão deve ser incluída nessa equação do amor. Sentimento sem razão (e vice-versa) pode ser muito desastroso; no mínimo, é um sinal de imaturidade. Quem se deixa levar só pelo sentimento não ama mais, de jeito algum (assim como nem sempre o sofrimento que vem com o rompimento da relação é porque ainda se ama o ex).
Ainda assim, não acho que vai ser se apoiando exclusivamente na razão que a humanidade será mais feliz em seus relacionamentos. É como eu sempre digo: certas coisas são extremamente compreensíveis, "ajeitadinhas", quando as observamos na mente, mas têm proporções muito maiores quando vistas do ponto de vista emocional. E digo mais: essa zona de conforto não gera crescimento. É na dor que a gente mais evolui, não tem para onde correr. Acho que a sabedoria está em, além de dosar razão e emoção, escolher quando vale a pena entrar em uma situação de desconforto. Já dizia o poeta: "Morrer não dói" (embora seja inviável viver assim o tempo todo). Além do mais, certas emoções, se não são "gastas", trazem problemas do mesmo jeito.

Antes e Agora
Não acho que as novas gerações sejam muito distintas das anteriores. Mudou-se uma coisa aqui, melhorou-se outra acolá, mas continuamos oprimidos. Mulheres continuam submissas ao modelo masculino (essa "liberdade sexual" não trouxe um caminho próprio; é cópia do comportamento dos machos), gays ainda são hostilizados, quem não prioriza a vida sexual é mal visto, os travestis ainda vivem em guetos, enfim, ainda estamos longe de vivermos em liberdade. Entendo como liberdade o direito de cada um viver como quiser, por mais inusitada que seja a escolha. Repito: estamos muito longe disso.
Não acho, também, que as gerações anteriores saíram no prejuízo. Os nossos avós sabiam dar um jeitinho. Uma vez, ouvi de um professor já sexagenário que seus pais se encontravam depois do horário de namoro "oficial" na sala de casa. Ela ia "dormir" e ele, "voltava para casa", mas, na verdade, ela esperava todo mundo da casa dormir e ele parava no meio do caminho esperando ela chegar e o namoro mais quente acontecia sem que ninguém se desse conta.

Amor para a vida inteira
Há muito tempo afirmo em rodas de amigos, quando surge o tema, que o amor é uma experiência que pouquíssimos mesmo vão experimentar. O que a maioria vivencia tem outro nome: empolgação que, em seus "melhores" casos, ganha o nome de paixão. Bate forte e logo passa. The end.
Amor é um sentimento mais elevado, calmo e consistente. Até que ponto é mérito? Até que ponto é sorte? (particularmente acho que a sorte vem do mérito, mas...). Sei não, apenas creio que é uma experiência para poucos.
Mesmo aqueles casais que admiramos por terem tido uma trajetória duradoura podem ser uma fraude. Muitos ficaram na relação por covardia, por convenção. Ainda entre aqueles que viveram um amor duradouro, no fim, pelo que tenho observado, tudo vira uma sólida amizade. E isso não significa pouca coisa!
Pessoalmente, sempre considerei a amizade a relação mais preciosa que uma pessoa pode desenvolver. A família vai ter que te aguentar (e vice-versa) de qualquer jeito. No romance, há o interesse físico em jogo. O afeto da amizade não tem nenhum interesse ou obrigação; é puro gostar.  Por isso é tão especial ter um grande amigo.
Toda boa relação, em minha opinião, tem como base uma sólida amizade, uma grande parceria. Só atração física não segura um casal junto.

Uma segunda chance para o amor
Amor simplesmente acontece e é bem-vindo em qualquer fase da vida. Tia Lourdinha me provou que nem tudo está perdido: dá para ser feliz mesmo na terceira idade e a sensação de liberdade pode nos transformar muito.
Tia Lourdes foi (mal) casada por 40 anos com tio Vadinho. Sempre risonha, pensávamos que, de algum modo, ela devia ser feliz com ele, apesar de se tratar de um homem difícil. Um dia, algum tempo depois que o tio havia falecido, a encontramos toda-toda, no meio de rua, com uma aparência bem mais jovem (influência das roupas mais alegres), inclusive. Estranhamos o visual. E o mais espetacular: a tia estava de carro zero, havia tirado carteira. Foi um choque, mas não mais do que escutamos dela sentada em nosso sofá. A viúva revelou que o falecimento do marido foi algo bom que lhe acontecera. Disse ainda que "a melhor coisa da vida é a liberdade da gente". E, pasme!, essa senhora, testemunha de jeová há anos, nos contou que estava namorando um homem 30 anos mais jovem. Maravilha! hahaha
É, como cantava Los Hermanos, "e ninguém dirá que é tarde demais".
Também acredito em uma segunda chance para aqueles que viviam de maneira "torta", isto é, quando se apaixonam de verdade. Amor (mais uma vez, não confundir com empolgação/paixão) pode transformar, sim, as pessoas.

Por que(m) se apaixona?
Há quem diga que os grandes amores acontecem até os 12 anos (quem diz isso é Nelson, e penso que há certo fundamento). Ouvi dizer, algumas vezes, que a gente ama projetando aquele nosso lado menos desenvolvido no outro (por isso é comum um tímido se apaixonar pelo extrovertido e vice-versa; há quem diga que esse tipo de projeção revela complexo de inferioridade. vá saber!). Já li, inclusive, que é uma questão de topar com um sistema imunológico complementar ao seu (teoria pouco romântica, mas até que faz sentido. "Baby, com o seu sistema imunológico e o meu, seremos imbatíveis contra os vírus e germes!"). Segundo a astrologia, homens procuram a vênus de seu mapa e as mulheres, o seu marte. Mas a teoria para a qual venho encontrando mais comprovação é a de que nos apaixonamos por quem nos lembra o nosso pai (no caso das mulheres) ou a nossa mãe (no caso dos homens). Na mulherada, então, a teoria cai muito bem... Geralmente nossos afetos atuais repetem as vivências com afetos passados. 
Acho que cabe aqui aquela máxima de Jung: "O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino."



Ninguém é substituível
Neste último final de semana, conheci Nina, minha "sobrinha de quatro patas". Após quatro anos sem um focinho circulando pela casa - e isso depois de quinze anos criando "cofaps" -, me animei com a chegada dela. Nos demos bem à primeira vista e ela gostou de mim mais do que esperava.
Achava que isso ia fazer parar a saudade da outra que faleceu. Ledo e ivo engano. Além de não substituir, ainda faz você se lembrar mais. 
Enfim, um afeto não substitui o outro. Cada pessoa, cada história, é única.

"You can´t hurry love..."
"...you just have to wait". 
Superstição minha, que ninguém precisa, obviamente, compartilhar: tudo que é forçado não dá bom resultado. Lógico que nem sempre me foi possível segui-la (e quando isso não aconteceu, me dei mal. :(). A boa notícia é que tudo vale a pena, mesmo quando dá tudo errado, "se a (sua) alma não é pequena". "Whatever works", como diz Woody Allen. Mas procuro respeitar a mim mesma e a vida, pois assim, creio, ela me abençoa.
Penso realmente que, nessas coisas do coração, não tem que procurar ou pra quê forçar os acontecimentos. Simplesmente deixa rolar. Os melhores casais que conheço se uniram com um bom empurrão do destino - isso não acontece só em novela; na vida real, os grandes encontros costumam ser inesperados. O coração saberá reconhecer quem lhe faz bem.
Como diz o poema, "não corra atrás das borboletas; cuide do seu jardim para que elas venham até você".

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Império do Amor

Peço licença ao meu amado Flamengo para emprestar o apelido para uma cidade especial da Bahia: Ibotirama.

Hoje à tarde, ouvi o relato de episódios de puro "carinho" cujo cenário é o município baiano em questão. Marido que arranca o pedaço da orelha da esposa é só um exemplo. Enfim, queridos, encher os outros de alfinetes é um gesto singelo, mínimo mesmo de "amor" ao próximo praticado neste território baiano.
Para completar a "doçura" do lugar, o cantor Tayrone Cigano anda circulando muito por lá. Tayrone é sucesso do mundo brega e tem entre os seus entusiastas figuras como o escritor e jornalista Xico Sá*. Detalhe básico: dizem que o cigano matou a mulher e o ex-amante dela.TudoavercomIbotirama!

População "fofa" a de Ibotirama, não?

Fernandinha, vou tomar a liberdade de mudar a sua assinatura.Que tal, de agora em diante, assinar "Nandy (So) Love", hein? :P

* "Tayrone representa a vingança, para o macho traído; para as mulheres, virilidade. O boato das mortes e a carreira romântica são a síntese do bruto que também ama e hoje canta seu arrependimento".