segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Em que esquina dobrei errado?

Martha Medeiros
Jornal Zero Hora, 29/08/2010

Em que esquina dobrei errado?
Quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Aconteceu em Paris. Estava sozinha e tinha duas horas livres antes de chamar o táxi que me levaria ao aeroporto, de onde embarcaria de volta para o Brasil. Mala fechada, resolvi gastar esse par de horas caminhando até a Place des Voges, que era perto do hotel. Depois de chuvas torrenciais, fazia sol na minha última manhã na cidade, então Place des Voges, lá vou eu. E fui.

Sem um mapa à mão, tinha certeza de que acertaria o caminho, não era minha primeira vez na cidade. Mas por um desatino do meu senso de orientação, dobrei errado numa esquina. Em vez de ir para a esquerda, entrei à direita. Mais adiante, aí sim, virei à esquerda, mas não encontrei nenhuma referência do que desejava. Segui reto: estaria a Place des Voges logo em frente? Mais umas quadras, esquerda de novo. Gozado, era por aqui, eu pensava. Não que fosse um sacrifício se perder em Paris, mas eu parecia estar mais longe do hotel do que era conveniente. Mais caminhada, e então, várias quadras adiante, não foi a Place des Voges que surgiu, e sim a Place de la Republique. Eu tinha atravessado uns três bairros de Paris, mon Dieu.

Perguntei a um morador o caminho mais curto para voltar à rua onde ficava meu hotel, e ele me apontou um táxi. Teimosa, pensei: ainda tenho um tempinho, voltarei a pé. E assim foram minhas duas últimas horas em Paris, uma estabanada andando às pressas, saltando as poças da noite anterior, olhando aflita para o relógio em vez de flanar como a cidade pede. Cheguei bufando no hotel, peguei minha mala e, por causa da correria, esqueci no hall de entrada uma gravura linda que havia comprado e que planejava trazer em mãos no voo. Tudo por causa de uma esquina que dobrei errado.

Foram apenas duas horas inúteis e cansativas, e duas horas não é nada na vida de ninguém. Mas quanta gente perde a vida que almejou por ter virado numa esquina que não conduzia a lugar algum?

Alguns desacertos pelo caminho fazem a gente perder três anos da nossa juventude, fazem a gente perder uma oportunidade profissional, fazem a gente perder um amor, fazem a gente perder uma chance de evoluir. Por desorientação, vamos parar no lado oposto de onde nos aguardava uma área de conforto, onde encontraríamos pessoas afetivas e uma felicidade não de cinema, mas real. Por sair em desatino sem a humildade de pedir informação a quem conhece bem o trajeto ou de consultar um mapa, gastamos sola de sapato à toa e um tempo que ninguém tem para esbanjar. Se a vida fosse férias em Paris, perder-se poderia resultar apenas numa aventura, mesmo com o risco de o avião partir sem nós. Mas a vida não é férias em Paris, e aí um dia a gente se olha no espelho e enxerga um rosto envelhecido e amargurado, um rosto de quem não realizou o que desejava, não alcançou suas metas, perdeu o rumo: não consegue voltar para o início, para os seus amores, para as suas verdades, para o que deixou pra trás. Não existe GPS que assegure se estamos no caminho certo. Só nos resta prestar mais atenção.

domingo, 29 de agosto de 2010

A Arca de Jué

Tenho uma simpatia genuína por alguns tipos da "fauna humana". Se, assim como Noé, pudesse recolher alguns em uma arca, levaria um exemplar das seguintes "espécies":

- Homem velho que pinta cabelo e/ou bigodudo;
- Mulher que usa estampa de oncinha ou outra que o valha;
- Mulher que não acerta na tintura do cabelo;
- Ambulante que vende coisas inúteis dentro do busú;
- Celebridade de um sucesso só e/ou de muitos amigos célebres e nenhum sucesso próprio (Preta Gil! Preta Gil! Preta Gil!);
- Malandro ou piriguete "do bem";
- Pedreiro galanteador;
- Cantor canastrão (Wando, Julio Iglesias ou o meu preferido: Luis Miguel);
- Bêbado indiscreto;
- Fracassado rebelde;
- Mulher ridícula que verdadeiramente se acha;
- Gay cínico;






segunda-feira, 23 de agosto de 2010

De olhos bem fechados

Hoje de manhã estava assistindo a Ana Maria Braga enquanto me arrumava (desculpe-me a equipe do Roda Baiana, que odeia a global, mas ela é a melhor opção pela manhã. hehehe). No sofá de Ana, falava-se sobre a morte da garotinha Joanna. Tudo indica que a pequena foi vítima de maus tratos paternos e por isso foi parar no hospital.
Conversa vai, conversa vem e a parceira do Louro José passou um VT da mãe da vítima, Cristiane, apelando a qualquer pessoa que saiba de algum evento envolvendo agressão entre o ex, André, e a filha para que se manifeste.
Não há nada comprovado, mas acredito que nesse caso se aplica aquela máxima "Coração de mãe não se engana". Essa mulher deve estar com os nervos em frangalhos por, entre outras coisas, ficar imaginando o que teria acontecido a filha no tempo em que viveu na casa paterna.
Nessas horas, é inevitável ficar zangada com o nosso judiciário, que comete desparates como o de dar a guarda de uma criança a um pai ausente, quase um desconhecido. É certo também que (quase) nunca esperamos um mal dessa proporção da parte de quem convivemos. Mas, convenhamos, essa mãe também teve a sua parcela de culpa. Parece desumano dizer isso, mas é verdade.
Em casos como esse, no fundo não há supresa. Nunca é uma grande surpresa. O outro sinalizou o tempo todo e a gente é que se recusou a dar a devida atenção aos sinais. É sempre assim. No final das contas, a gente nunca fica zangado com a esperteza do outro em nos iludir, mas sim com a nossa própria imprudência em ignorar os indícios da verdade. É a droga da vaidade sempre falando mais alto, afinal o azar só bate na porta do vizinho e nunca vai bater na nossa. Nós, sempre mais espertos que todo mundo, nunca nos enganamos, não é verdade?! Por que a gente é assim?...
No mínimo, André, o pai de Joanna, não era boa bisca desde a época em que Cristiane e ele eram casados, quiçá desde a época do namoro. O mal é que nós latinos, sempre muito passionais, nos recusamos a admitir que a maldade existe. Há sempre uma explicação para os deslizes alheios. Certamente, iludida de que se tratava de (mais) um homem apenas "difícil" (leia-se "sujeito machista, egoísta, que sempre deixa a mulher na mão, e torna-se agressivo a qualquer contrariedade"), a mãe de Joanna subestimou o potencial de produzir encrenca desse relacionamento. É sempre assim. Joanna morreu, mas quantos maridos/pais do tipo, quando não partem para a agressão física, matam seus filhos emocionalmente? Inúmeros. Alguém duvida de que a ausência desse cara na vida da filha, nos primeiros cinco anos, trouxe sequelas? Se não trouxe agora, certamente traria no futuro, quando ela passasse a entender a situação.
Sempre fui da opinião de que as mulheres brasileiras amam muito mal. São legítimas escravas de suas próprias carências e fãs de relacionamentos conturbados. Adoram uma causa perdida. O cara nunca quis trabalhar, já casou 3 vezes, tem 5 filhos com os quais nem tem contato e ainda aparece um monte de besta achando que com ela vai ser diferente, que ela é o que faltava a ele - uma espécie de pó de pirlimpimpim que faltava na vida do sujeito. Mas nunca é. Algumas ainda conseguem cair fora. Quando entram e saem dessa sozinhas, menos mal. Problema delas, já que são maiores e vacinadas. O mal é que muitas botam terceiros (quartos, quintos, etc) no meio dessa confusão. E coisas como essa que ocorreu com Joanna acontecem porque pai e mãe são para sempre. Uma vez que a mulher tem o filho de um sujeito desse, já era e então fica difícil proteger a criança.
Muitas vezes nem o próprio assassino imaginava que poderia um dia se tornar alguém perigoso. As pessoas precisam entender que as coisas não são simples assim, preto no branco. Tirando os psicopatas, ninguém gosta de matar. Essas  atitudes criminosas dependem da oportunidade certa para virem à tona. Duvido que o Alexandre Nardoni se achasse capaz de um dia matar alguém, que dirá a própria filha. Ameaçado, ele cometeu aquela crueldade contra a menina. Dizem que a motivação do crime foi justamente essa: livrar-se do corpo de Isabela para encobrir a crueldade de Ana Carolina Jatobá e, consequentemente, preservar a "harmonia familiar".
Esse é exatamente o xis dessa questão: basta estar lidando com um egoísta para correr perigo. É isso que sujeitos como Alexandre Nardoni, Bruno Souza e André Marins são acima de tudo: egoístas. Gente assim, quando vê seus interesses em jogo, indo por água abaixo, age por impulso e não se interessa em calcular qual será o impacto do seu ato nas vidas de outras pessoas. O importante é "defender os próprios interesses". Para essas "mentes presunçosas", ninguém nunca vai descobrir. Espertos são eles e ninguém mais. Sempre ficamos entre a pena e a admiração pela audácia dessas pessoas, mas deveríamos, mesmo, é tratar com cautela esse tipo de criatura de "gênio forte".
Pode soar exagerado e um tanto utópico pedir isso quando alguém está apaixonado, mas homens e mulheres deveriam prestar mais atenção nas pessoas com quem se relacionam. Antes de cair totalmente na paixão, é prudente abrir os olhos e ver com objetividade  quem é o outro. Atos corriqueiros dizem muito sobre uma pessoa: como trata a família, como lida c/ os amigos, se gosta de crianças ou animais, se sabe ceder quando o bem-estar do grupo está em jogo, se sabe lidar com frustração, se mente com frequência ou se é honesto, etc. Uma ilusão, um capricho, pode custar uma vida. É o caso de Joanna e também de Isabela e de tantas outras(os) Brasil afora que pagam o pato de uma situação que não criaram, da qual são mero produto. 

sábado, 21 de agosto de 2010

Noblesse Oblige

"Noblesse Oblige" é uma expressão francesa que quer dizer "a nobreza manda". É  um tipo de atitude que mistura dignidade e altruísmo, com o objetivo de, geralmente, poupar o próximo de algum dissabor. Noblesse Oblige acontece, por exemplo, quando você sabe um podre de alguém e é discreto, não usando isso contra o outro, protegendo-o até de possíveis ataques. Ou quando você teria todas as razões do mundo para revidar contra um inimigo e segura seus instintos em nome do que é certo fazer. Ou simplesmente quando você faz o bem, mesmo que o alvo seja alguém que nunca vai saber disso ou que nunca vai saber agradecer pelo que recebeu. A nobreza manda quando você não teria nada a ganhar poupando o outro a não ser a sensação de dever cumprido.
Noblesse Oblige é um tipo de comportamento raramente visto entre seres humanos. É mais comum que pessoas discretas e mais velhas tenham esse tipo de atitude. Mas eu já vi isso, uma vez, em gente jovem - uma moça que estagiou comigo, pessoa elegantíssima, por dentro e por fora. É raro. Geralmente as pessoas não nascem assim, e vão desenvolvendo esse tipo de caridade ao longo da vida. 
Uma das pessoas mais elegantes na alma que conheço, apesar de sempre ter sido muito generosa, só desenvolveu essa noblesse oblige na maturidade. Na juventude - me confessou - levava as coisas muito "a ferro e fogo". Bem, em todo caso ela carregava consigo a matéria-prima desse tipo de comportamento: o altruísmo. Gente egoísta no máximo vai aprender a ser falsa com perfeição, mas nunca vai desenvolver noblesse oblige. Sorry. A nobreza manda se e somente se o comportamento nobre existir igualmente no "palco"  e nos "bastidores".

Eu ainda não sou assim; encontro-me no meio do caminho. Meu lado N.O. é, definitivamente, a  minha paciência de Jó (que geralmente só se esgota quando tenho certeza da falta de consideração total e absoluta da outra parte - depois de muito engolir sapo).

***
Bem, mas como nem só de pão vive o homem, vamos deixar o baixo-astral mandar um pouquinho nesse post (rs). O cofrinho da foto é de Shakira. Sorry, almas nobres, mas eu intimamente vibrei por ver que a endeusada cantora pop tem a pele de uma reles mortal (êêê, Shakira tem hematoma e estria! :P).


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Neuroses Complementares

Li agora que a Maria da Penha (sim, aquela da lei) vai lançar o livro "Sobrevivi, posso contar".
Deus que me perdoe, mas tirando a parte que diz respeito a negligência, a morosidade da justiça no Brasil, que deixa esse tipo de homem maluco impune, eu não consigo ter pena de mulher que é "vítima" de violência doméstica (quer dizer, tenho compaixão pela fraqueza, mas não tenho dó dessa condição). Pra mim, rola uma espécie de gozo mútuo nesse tipo de situação. Do contrário, essas mulheres não se sujeitariam a isso anos a fio. 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Adoção

Ouço muita gente falando em adotar. Cléo Pires, mesmo, disse a Istoé Gente dessa semana que deseja criar uma criança. Lindo. Nobre. Mas fico me perguntando se essas pessoas realmente sabem o que significa esse ato.
Convivi bem de perto, na infância, com duas famílias que adotaram - adoções irregulares, vale dizer, coisa muito comum até pouco tempo. Foram experiências difíceis. Delas, tirei uma conclusão: (parafraseando um pouco Djalma Argollo) "Se você quer ser feliz através da adoção, não adote; mas se você quer fazer alguém feliz através da adoção, então adote".
Porque ter um filho adotivo é diferente de ter um natural. Em uma ou duas coisinhas, é verdade, mas esse par de coisas são muito mais significativas do que as pessoas imaginam.

Um desses meninos adotados que conheci quando criança foi encontrado em um banco de ônibus por uma senhora, que o entregou a filha, à época casada e mãe de dois filhos. Perto dos 18 anos, teve uma crise psicótica. Nessa hora, a mãe adotiva sentiu a dificuldade que é tratar da saúde de alguém cujo passado é desconhecido (ouvi dizer que ela tentou encontrar a mãe biológica, mas não conseguiu).
Essa é a primeira coisinha que é preciso ter em mente quando se decide pela adoção: você está  lidando com alguém sem passado, de origem desconhecida e isso pode fazer falta em algum momento (eu sei que, por exemplo, sofro risco de morrer de infarto, pois na família paterna algumas pessoas já morreram assim. Sei o que tenho que cuidar e o que não preciso me preocupar em relação a minha saúde). Qualquer coisa pode vir daquele novo membro da família.
O mesmo aconteceu com a garota adotada pela outra família que conheci em Brasília. Aos 15 anos, disseram-lhe que era adotada. Ela não digeriu direito a descoberta. Desde então, é uma pessoa transtornada. Esse caso é um pouco diferente, pois a família adotiva conheceu, de relance por assim dizer, a mãe da garota. Sabia-se que ela tinha transtornos mentais. O garoto da outra família também apresentou problemas, não só psiquiátricos como psicológicos. Mesmo tendo sido criado com todo o amor e atenção, sempre foi uma criança chorona, com problemas de fala, muito dependente pra tudo dos pais, enfim, parecia ter uma espécie de retardo. Não saberia dizer se um recém-nascido é capaz de reter esse tipo de memória, mas sempre foi visível, para mim, que o abandono marcou muito esse menino, que ficou registrado no inconsciente dele aquele episódio do ônibus.
Essa é a segunda coisinha que as pessoas que pensam em adoção devem ter em mente: não raro, uma mãe que abandona um filho tem problemas mentais ou com drogas. Os traumas passados devem ser levados em consideração. Ser abandonado pelas duas pessoas que mais deveriam querer-lhe na vida não é algo fácil para muitas das crianças adotadas. Lógico, todas as crianças dão trabalho aos seus pais e representam um desafio de convivência. Mas filhos biológicos trazem problemas mais ou menos previsíveis e é inegável que há certas transferências automáticas de afeto, realizadas, por exemplo, quando se percebe que a filha tem o jeito da esposa, que o filho tem os traços da pai, o humor do avô, etc. Até muitos dos defeitos você é obrigado a "engolir calado" porque a criança puxou justamente a você. A paternidade biológica sai à frente "com um nariz de vantagem".
Uma terceira coisinha que se deve levar em conta é a possibilidade da criança adotada não se adaptar ao novo lar. Sabe esse menino adotado? Pois antes dele, havia chegado uma outra criança naquele lar. Houve rejeição mútua entre o garoto e o filho caçula da mulher. Não falo de birra entre crianças, mas de alergia. A criança foi encaminhada a um abrigo. Entregar uma criança a um abrigo, ainda que ela não seja sua, deve ser ruim, deve render aquela culpa, aquela dúvida sobre o que vai ser daquela pessoa dali por diante. Deve-se estar preparado para essa possibilidade antes de embarcar nesse tipo de experiência.
Há algum tempo, li uma matéria excelente de um jornal internacional falando sobre a adoção de crianças estrangeiras. No texto, histórias de famílias americanas que adotaram crianças originárias de regiões em guerra ou em dificuldade econômica. As famílias têm perfis variados. Em comum, o trauma de devolver uma criança. Alguns pais adotivos passaram o inferno com o filho adotivo e sofreram muito até reconhecerem que não poderiam continuar com a criança.
Não quero dizer com isso que a adoção seja uma experiência fadada ao fracasso. Conheço casos de sucesso, que transcorreram com muita harmonia. Esse menino, mesmo, que teve o surto psicótico foi justamente quem cuidou do pai adotivo quando esse esteve doente, foi a mão na cabeceira do pai até a morte dele. O ponto é que adotar um filho não é como levar um cão abandonado para casa. Gente é muito complexa. Adotar é um ato de amor incondicional a um completo estranho. A pergunta é: sinceramente, você é capaz de doar-se a outra pessoa dessa maneira?

Frase da Semana

"Sou uma ótima dona de casa: sempre que me divorcio, eu fico com a casa!"
(Zsa Zsa Gabor, atriz húngara)

Os meninos da quadra




Olha, eu não conheço os meninos da vila, mas daqui da minha janela, vejo um bando de  meninos boleiros, todos os dias. Todos os dias mesmo. Faça chuva ou faça sol, até em feriado, vejo-os, da janela do meu quarto, dando o sangue na pelada (por isso, brinco que essa quadra é a ala vip da Febem! hahaha).
Hoje deve estar havendo algo de importante pra essa garotada, algum campeonato ou alguma peneira (note que a arquibancada está preenchida).
Ê, como é bom ser criança!... Tudo é festa nessa idade... Mas, por outro lado, como brinca Medrado, eu não queria voltar de jeito algum a estudar o cateto da hipotenusa. rsrsrs

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Essa tal de assessoria de imprensa

A assessoria de imprensa é anti-jornalismo. No começo, essa ideia era apenas uma suspeita; hoje, é certeza. Esse cargo ficaria melhor na mão de publicitários e RPs, enfim, de gente habilidosa em vender (da série "Coisas que nunca diria, assim, para profissionais concorrentes").
Não que o jornalista de redação não faça isso. Jornalismo é imparcialidade e objetividade, certo? Mas quando um jornalista pega uma pauta, geralmente ele constrói a matéria com um dos lados da balança mais baixo que o outro (isso fica bem visível, por exemplo, em alguns pedidos de fontes que vejo no Twitter). Ainda assim é raro ver alguém distorcendo fatos em uma redação. Já na assessoria...
Não quero dizer com isso que jornalistas de redação sejam mais éticos. A questão é a própria natureza do trabalho, mesmo. Se fosse só vender, como disse um pouco atrás, até que estava bom, mas muitas vezes o assessor se vê obrigado a "jogar para ver se cola". 
Sim, porque já foi o tempo em que "o cliente tem sempre razão". Estava outro dia almoçando com uma colega advogada e ela falava que, atualmente, algumas empresas não se importam de iludir o consumidor se o custo disso for menor que dizer a verdade. Sobra para o departamento jurídico e também para o de comunicação limpar a sujeirada.
É esse o meu ponto: estão reduzindo o assessor, que é um cargo bacana, a uma espécie de gari(apesar de reconhecer que não levo muito jeito para isso, admiro quem leva. Há que ser um bom estrategista e é preciso ser bem articulado, também, para exercer tal função. Um dos meus ex-chefes é um exímio assessor; eu ficava impressionada vendo-o com a imprensa).
Vai ver foi sempre assim nessa atividade, e agora é mais visível, apenas. E, sim, é óbvio que quanto menor é a empresa/organização menos pressões desse tipo sofre o assessor de imprensa. Fico tão confusa com isso quanto quando penso que promotores de justiça e criminalistas são "servos" da mesma lei.
Acho que deveríamos pensar mais sobre isso, inclusive com a mediação dos sindicatos. O pessoal costuma debater o que se passa na redação e esquece-se do mundo das assessorias.

OBSIMP Acabei de ver a seguinte manchete em Veja: "A Força do Capim Talismo". Será que dá realmente pra brincar um pouco ou o jornalismo deve ser sério mesmo? Um título criativo é mais que bem-vindo, mas tenho minhas dúvidas quanto a esse tipo de trocadilho barato.

DROPS! Num final de expediente desses, resolvi espantar o tédio assistindo "Rent" no Youtube. A peça se passa na Nova Iorque dos anos 80, e os personagens são basicamente gays e drogados. Pensei, cá com os meus botões, que a peça poderia perfeitamente ser ambientada no Pelourinho. Mas daí teríamos que acrescentar um personagem a mais: o ladrão. :P

Casamento de Ticiana

Aí, Galba, as fotos do casamento ao qual você NÃO FOI! hahahaha
("Um oferecimento da comunidade ´Irritar também é carinho´")

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estupidez mútua

Outro dia estava assistindo a um programa na TV - A Liga, se não me engano -, no qual vi o Rafa Bastos conversando com um sujeito metrossexual, que estava saindo sábado à tarde de casa rumo ao salão. Chegando lá, gastou uma fortuna com limpeza de pele, sobrancelha, hidratação e etc (pra continuar igualmente horroroso, vale dizer). Fiquei desesperada ao ver aquilo. "Meus Deus, que cara burro! Uma das vantagens de ser homem é justamente estar livre de salão de beleza!..."
Mas daí fiquei refletindo, refletindo (zzzz...), e percebi que a metrossexualidade nada mais é do que o resultado de uma roda da estupidez envolvendo os 2 sexos: as mulheres começaram a achar bacana abordar os homens como eles faziam até então com elas, pois isso lhes dá poder, mas esquecem que, acima disso, passaram mesmo é a prestar um grande serviço para a ala masculina, que não precisa mais se esforçar muito para conseguir mulher. Os homens por sua vez, agora que são assediados, estão se preocupando consideravelmente mais com o visual do que costumavam fazer. Conclusão: ambos arrumaram mais sarna pra se coçar que qualquer outra coisa. Mas a mulherada foi mais burra. Por um nariz, eles ainda ganham  vantagem nesse placar. Afinal, além de nos preocuparmos com a aparência, agora temos que lidar com a preguiça masculina (gerada pela tal "mulher de atitude") e ir à caça.
(Oh, Deus, na próxima encarnação me faça em forma de girafa, viu?)

What ever happened to Javier Bardem?

Meu Deus, o que está acontecendo a Javier Bardem? De uma hora para outra, virou um bobo.
O cara, que até há pouco tempo era o Johnny Depp do cinema independente, ficou mais comercial que Coca-Cola - seu último filme é baseado no best-seller e a co-estrela é ninguém menos que Julia Roberts. Por último, andou declarando "coisas inapropriadas" a respeito de Brad Pitt - só faltou chamar de "gostoso". Assim não dá!
Eu sei o que anda acontecendo com ele: Penelope Cruz.
Achei ridículo culparem a Sara Carbonaro pelo fracasso do time da Espanha na 1ª fase da Copa, mas nesse caso de Javier, é Penelope, sim! Ela está arrastando o agora marido para a lama. Ela é quase uma Yoko.
(Julita, agora eu sei que você sempre teve razão!)