quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Sucession


Silvio Santos morreu em agosto aos quase 94 anos. Uma figura controversa, com muitos feitos grandiosos pro bem e pro mal, mas alguém que deixou um legado. Gente como ele está indo embora e sem substituição. 

Há tempos, até antes do fenômeno influencer, que venho observando que as pessoas estão perdendo o sentido de legado. Da minha idade pra baixo, a maioria quer ser suficientemente famoso pra poder ganhar dinheiro fazendo publis nas redes sociais e frequentar festas badaladas. Eu posso citar vários famosos nessa pegada. Alguns teriam potencial pra uma carreira rica em bons trabalhos, mas falta a disposição de dar um algo a mais para ter esses resultados. Sim, não tem como fazer coisas extraordinárias sem esse esforço a mais, sem suar pra valer a camisa. 

Estão todos no Bloco do Prazer, mas não é nada que honre Dionísio. É só acomodação e imediatismo mesmo. Eu sinto pena dos casos em que há muito talento envolvido, mas... E saúde mental virou a desculpa de muita gente para largar o corpo e não fazer nada. Equilíbrio é tudo, até nisso. A vida é um eterno intercalar entre relaxamento e tensão. Tanta gente marombeira neste Brasil e ninguém se liga nisso, que a musculatura, pra se desenvolver, precisa de esforço e descanso, no corpo e na alma. 

Curiosamente, durante as Olimpíadas de Paris, eu percebi que talvez os esportes sejam a última arena das pessoas que estão a fim de se jogar numa missão e produzir legado. Provavelmente porque o tempo de um atleta é curto e não há muito tempo para, como Adele e Rihanna, tirar férias por prazo indeterminado. É agora ou nunca de fato. E mesmo assim vemos grandes atletas preferindo mais ser uma celebridade vazia que um atleta que marcou história e viveu todo o seu potencial. Temos um exemplo mesmo aqui no Brasil, que dispensa citação. 

O que me preocupa nisso tudo (por esse blog, dá pra perceber que várias pequenas coisas me preocupam no plano mental) é que se as pessoas não estão querendo se sacrificar nem pra escrever a melhor história para si mesmas, o que será das coletividades quando vários sacrifícios individuais forem requeridos? Tivemos um "trailer" desastroso disso durante a pandemia, mas conseguimos nos safar. Neste sentido, estou muito pessimista quanto ao futuro. 

O peso do passado, a leveza das pessoas maravilhosas que não conhecemos (e que não nos conhecem também)


Por culpa de Hollywood, sempre achei bacana a imagem dos amigos que se conhecem desde a infância. Eu não os tenho, mas mantenho os da adolescência em diante. Uma dessas amizades já tem 20 e poucos anos. Como é uma pessoa assídua na minha vida, que eu conheço a família, o contexto, etc, eu já consigo antecipar as cenas dos próximos capítulos, perceber quando está falando da boca pra fora e por aí vai. Não é culpa dela. Dificilmente os seres humanos são imprevisíveis. Uma amiga em comum até dá risada dos meus comentários premonitórios. Essa semana, me caiu a ficha de que pra ela, e pra todo mundo que passa por isso, deve ser um porre ter gente assim ao redor.

Explico: tem horas em que a gente enjoa da gente e quer se ver diferente e também ser vista de um outro modo pelas pessoas. Eu já reparei que essa amiga mesma vende uma versão diferente dela pras novas amizades. Eu achava infantilidade, mas vejo que tem razão de ser. E por que não? Que coisa chata deve ser essa cristalização. Também não gosto quando as pessoas me enquadram, ou dizendo algo que não sou (o mais comum), ou falando como se não pudesse mudar (tão bleh quanto). Ficcionar-se é preciso, e vamos deixar nossos velhos conhecidos em paz com isso, né? 

domingo, 22 de setembro de 2024

Interpretando um sonho

 


Ontem, fui dormir reflexiva sobre uma situação estranha durante o dia. De noite, sonhei. Este sonho dá um belo exemplo de como interpretar sonhos. 

No sonho, eu estava na sala da minha casa - uma super sala, do jeitinho que eu sonho - e a luz estava baixa, eu acho que estava mexendo nos livros. Do lado de fora, uma piscina comprida, belíssima, de água cristalina, e algumas pessoas andavam por ela ou pilotando jet-ski ou sendo puxados por uma corda. Eu olhava e percebia que as pessoas estavam aproveitando lá fora e eu não. Fui, em determinada hora, no início da piscina, e havia crianças botando colete e andando nela. 

Como interpretamos isso?

Tem dois modos, um ao pé da letra e outro que depende de outros sonhos prévios. 

No primeiro modo, a casa, na linha junguiana, representa a psique. A água, as emoções. Como aqui é uma piscina, podemos falar de água contida, um curso artificial. Adultos passam por ela correndo, audazmente, e parecem se divertir. Crianças começam pela beirada, com coletes. Nesta interpretação, me ressinto de não saber brincar com essa água represada/ falsa. Eu estou no conforto da minha casa. Tipicamente introvertida. 

Mas eu acho que faz mais sentido a segunda, de que a piscina significa lazer e leveza. 

Acho que meu inconsciente está me mandando pegar leve. Nesta mesma semana, sonhei que Ivete Sangalo estava batendo papo comigo e com pessoas da minha família na sala de casa. Ela sentada no chão e de camiseta e calça. Vejo ela todo dia no Instagram, então não foi uma imagem do dia. Ivete é conhecida pela descontração. 

Tentarei.