Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sábado, 12 de dezembro de 2020
A vez da minha vida
domingo, 29 de novembro de 2020
Sobre bonecas e o cuidado
Meu bonde dos sobrinhos sagitarianos 2/3: Luísa, minha guapetona, faz 6 anos!
Fofa, inteligente, ladina, uma figura. E herdeira das minhas bonecas. Até hoje não enjoou de ser mãe das bonecas, já não tenho nem mais opção de boneca para dar de presente. Vamos ver se depois da alfabetização ela vira o disco.
Muita gente implica com bonecas e carrinhos. Na boa, se a criança quer, o que o adulto tem que se meter? E isso vale também para a "inversão" de brincadeiras. Luísa gosta de bonecas e de crianças pequenas. É dela. Na verdade, temos que tomar cuidado para, sob o pretexto de estar questionando os papeis de gênero, estarmos, até sem perceber, desqualificando as qualidades ditas femininas.
É raro uma mulher que nunca quis ter as prerrogativas da condição masculina, desde as biológicas (não menstruar) até as sociais (poder viajar sozinha ou sair de noite sem morrer de medo). Um dia, há muiiiitos anos, me queixando de ser mulher a uma amiga, tomei um sermão dela, que disse amar ser mulher e também as qualidades atribuídas ao feminino. Na visão dela, o problema não era isso, mas a lógica escrota do mundo. Bingo (e scheeelp)!
O cuidado, que se exercita quando se brinca de boneca, é uma coisa importante. Digo mais, cuidar é uma das profissões do futuro. O problema não é as meninas aprenderem isso; é aprenderem só isso e a exercerem o cuidado a qualquer custo. E, principalmente, é preocupante o cuidado não ser ensinado aos homens. Para eles serem cuidados sem cuidar alguém pagou ou está pagando esta conta. Vejamos: repare quando um parente adoece. A família pode ter dez pessoas, mas vai sobrar para as mulheres. Mais frequentemente para uma só mulher, eleita pelo bando de folgados por ser solteira/viúva ou sem filhos ou a mais pobre - e que não vai receber um "Obrigado" porque sem essas coisas todas não é vista nem como pessoa. Quando essa criatura não existe na família, apela-se a uma mulher pobre que vai fazer, geralmente, o que a família inteira não faz, a um preço bem abaixo do justo.
Um homem na mesma condição dificilmente vai ser cogitado para a função de cuidador, a não ser que seja gay, o que recai, na leitura da sociedade, novamente na categoria do feminino. E o cuidado, quando fica em cima de uma pessoa só, às vezes até adoece o cuidador. Em casos pontuais, a sobrecarga mata. Dividido igualmente, cada um fazendo um pedacinho, o justo, não fica pesado pra ninguém.
Não precisamos nem chegar ao hospital, não. No dia a dia, quantas mulheres criam sozinhas seus filhos? Zero constrangimento ou penalidade para o homem que não cuida da prole. E a sociedade naturaliza isso, dá tapinha nas costas da "pãe", embora ninguém queira muito saber da mulher nesta situação. Boa parte dos empreendedores brasileiros, por exemplo, são mulheres que se veem acuadas pelo mercado de trabalho e vão trabalhar por conta própria para poderem passar o olho na cria durante o dia. Ser "pãe" é perversidade da sociedade, sacanagem dos homens, não é coisa de super mulher, não. Essa categoria não existe.
E está aí outra lição a ser aprendida pelas mulheres: o autocuidado. Antes de cuidar dos outros, é preciso cuidar de si mesma. Como dar o que não se tem? Como no avião, primeiro a gente bota a própria máscara, depois ajuda os outros.
(Que Lu cuide e se cuide!)
João, 1 ano
Esse é meu sobrinho caçula, o João aka O Poderoso Chefinho ou também O miúdo, que completa hoje um ano. O aniversário dele me remete a três temas, que vez ou outra, este ano, me vieram à mente.
O primeiro é o modo como a Covid-19 vai impactar em quem é criança agora, especialmente nas que nasceram durante a pandemia. Não foi o caso dele, mas por pouco, já que ele mora na Europa. Em todo caso, João passou o primeiro ano de vida praticamente no Quarto de Jack, sem ver nada além da família nuclear e a própria casa. Quando acabar, ele vai ter quase dois anos. Eu me pergunto que memórias eles vão ter desse período. Criança supera rápido, mas, também, até os sete anos de idade a "moleira psíquica" está aberta. A seguir cenas dos próximos capítulos...
A segunda coisa é que a mãe dele tem 48 anos. Digo isso não pra expor a idade alheia, mas porque a gente acha que, depois de uma certa idade, não podemos fazer certas coisas. Isso é uma meia verdade. Ok, as coisas tendem a ficar mais difíceis com o tempo, quer por fatores físicos, condições de vida ou principalmente por causa da sociedade que olha a gente torto (e somos seres sociais), mas fica impossível só se você quiser e entregar os pontos de vez. Roberto Marinho fundou a Globo com 65 anos. Gretchen continua subindo ao altar aos 61 anos.
Ele não foi o primeiro filho, mas a mais velha nasceu quando a mãe tinha 41 e uns quebrados. Depois de mais de três anos de tentativas, tomando injeção na barriga diariamente, abortando - inclusive o irmão gêmeo da que nasceu - e vendo todo mundo parindo ao redor, eis que minha sobrinha nasceu. Paulo Coelho diz que quando a gente quer algo, o universo conspira a favor, mas esqueceu de avisar que, antes disso, ele pirraça até você provar que quer mesmo e não é fogo de palha. É incrível como acontece um monte de coisas pra desanimar a gente quando estamos firmes em um caminho. A jornada do herói. Há coisas que estão além do nosso controle. E algumas reviravoltas só vão fazer sentido mais para frente. O exercício é esse mesmo: confiar. Mas isso é papo para outro dia.
Por hoje, é dia de 🎂 pra João.
sábado, 14 de novembro de 2020
A mulher (e o homem) desiludida
Eu sou youtubeira, não é segredo. E brincando mais uma vez de piolho nas redes sociais, achei um canal maravilhoso, o Soltos. É um casal de amigos, ambos na casa dos 30 e tantos, ela hetero e ele gay, falando sobre relacionamentos. Mas esse é só o gancho, pois o canal toca em questões mais universais como valores culturais que nos atrapalham como um todo e baixa autoestima, então mesmo padres podem encontrar vídeos interessantes dos Soltos. Amei um recente, "Pare de aceitar migalhas e se valorize". No vídeo, além de criticarem a mania do povo de se apegar a migalhas para seguir com o que não existe, eles sentam a língua na mania do pessoal de achar que o outro tem que adivinhar, que existe glória sem luta, neste caso, sem que se diga o que se quer e o que não se quer.
É isso: as pessoas querem grandes coisas, mas ao mesmo tempo não querem perder nada, arriscar nada. Tomar toco ou falar o que sente, externar suas regras, isso tudo virou ridículo. As pessoas têm medo de ser quem elas são e não percebem que, assim, acabou ficando todo mundo igual. Somos todos aquele exército de loiras de cabelo alisado e comprido até a cintura.
E, pra mim, isso é a base da insatisfação generalizada que vemos hoje.
Vamos falar do termo da moda, responsabilidade afetiva. As pessoas querem que os outros se responsabilizem - e é justíssimo ter esse papo mesmo -, mas não querem se responsabilizar por si. Sempre há sinais, vamos combinar. Ninguém gosta de admitir, mas é a gente que, por carência, não quer ver o que o outro nos sinaliza o tempo inteiro. Há uma questão de gênero aí: mulheres são criadas para interpretar qualquer merda que venha de homem de modo positivo. Começa com o menino que puxa o teu cabelo e vem alguém dizer que isso é porque gosta de você. É doloroso admitir que se sujeita a isso. Homens são criados para pensar que mulheres são idiotas que não conseguem lidar com certas verdades, que são feitas para serem tuteladas por eles, que se uma mulher chorar isso é ruim. Melhor chorar e ser respeitada do que chorar por desrespeito. A sinceridade mostra uma deferência em relação ao outro, que é justamente o que a mentira tira.
Mas o povo fica achando que admitir isso é passar pano para quem fez o mal feito. Mana, você tem que dizer o que quer e o que não quer, os homens não vão mudar porque a gente sonha com isso; tem que externar. O Segredo não funciona aqui, sorry. E outra: como você vai exigir do outro o que nem você mesma se dá? Frequentemente o autoabandono anda junto com o abandono. Como diz o vídeo, você faz o banquete de migalhas, e depois chora que tá com fome. Os três porquinhos, minha gente. Casa bem construída, não há lobo mau que consiga botar abaixo. Equivocar-se não é pecado, pelo contrário, é errando que se aprende. Temos que, inclusive, parar de criminalizar o erro. Mas é foda quando o erro se torna um disco arranhado. Aí já é tara, não é mais azar da pessoa, convenhamos.
Mulheres (e alguns homens também, especialmente gays) precisam educar os homens e se educar em duas coisas, que são as realmente nocivas:
a) Parar de passar todo mundo na frente, antes de se satisfazerem, que é isso que gera mágoa de não ter reconhecimento. "Bote a máscara e só depois ajude o outro a pôr a dele", já diz a aeromoça no avião;
b) Achar que o outro vai conseguir sarar suas feridas. É sério que alguém acha que o outro magicamente vai saber do que você precisa? E isso pressupõe uma escravidão, já que se o outro for embora volta tudo a ser uma merda. Isso é justo?
Há um ganho em toda relação, mesmo quando se é vítima. De graça ninguém fica. As pessoas não gostam de lembrar que tinha coisa boa.
O outro não vai resolver esse vazio que é nosso e que nem a gente dá conta, vamos admitir. Lógico, nossa autoestima também precisa, em parte, de reconhecimento externo, mas isso não resolve. O outro também deve estar lutando pra se amar. Aliás, gente escrota geralmente tem muita dificuldade de se amar, acredite.
Outra questão do nosso tempo é que as pessoas também não têm mais paciência para construir nada. A galera quer algo mágico, que dê certo de cara, que se encaixe em tudo. Os casais felizes que eu conheço dizem que o lance é achar que o outro ainda vale a pena e ir tentando - o esforço deve vir dos dois lados.
E uma vez que as pessoas deixam tanta coisa inacabada por orgulho, seguem adiante carregando um cemitério de recalques e frustrações que facilmente azedam o lance do presente. Depois reclamam que estão sozinhas.
É triste porque quem topa construir tá numa dificuldade imensa de descolar alguém na mesma vibe.
Essa geração da virada, que nasceu entre 1977 e 1983, nós crescemos com um certo desprezozinho pela vida na caixa de nossos pais. Crescemos achando que teríamos coisas muito melhores, com a sensação de que somos ótimos, que quem veio antes vivia 100% errado, e assim nunca ninguém está a altura. Aqui em casa, minhas irmãs mais velhas são dos anos 70. Outra mentalidade. Essa turma pensava no possível, que o ótimo é inimigo do bom. No geral, essa ideia é menos frustrante que a atual. Claro, há de se tomar cuidado para não cair em armadilhas, mas ela é mais real, mais pé no chão. Tínhamos o que aprender com os nossos pais, viu?
Viver o sonho engessa a vida e é elitista. Quem é que realmente pode escolher qualquer coisa na nossa sociedade?! Quem é que pode ficar sentado esperando o bonde ideal chegar? Pois é. E ainda tem aquela, que nunca sai de moda, de que quem muito escolhe, acaba escolhido.
Tem um livro bacana que li faz uns cinco anos que falava sobre isso, sobre as chances que a gente deixa passar esperando sempre alguém melhor. A autora, uma colunista de famosos jornais americanos, faz um mea culpa dos caras legais que ela já dispensou porque se achava demais e queria o Sr. Perfeito, que estaria por chegar. Resultado: quando quis formar uma família, olhou pro lado e não viu ninguém. No livro, ela conta histórias reais como a dela. E tem uma coisa que não contam aos jovens de 20: o amor pode acontecer em qualquer época, mas sua maior chance de conhecer o amor da sua vida, até pela quantidade de gente que circula ao seu redor no emprego e na faculdade, é na década de 20. Se você achou alguém que te dê aquele clique, agarre, porque pode ser que não aconteça duas vezes. Na verdade, já é raro acontecer uma.
Enfim, é o difícil equilíbrio de não aceitar qualquer coisa e ficar amargurado e ficar parado na estação, igualmente se sentindo amargurado. É preciso ter muita conexão consigo mesmo, reconhecer os próprios valores, prestar atenção no corpo, que nunca mente, e saber valorizar os encontros, já que a regra são desencontros. Mas nós não temos paciência, aliás, só com quem não quer saber da gente. Com a gente mesmo, 0% de paciência e compaixão.
sábado, 7 de novembro de 2020
O Gambito da Rainha
É mais uma história de superação com todos os clichês hollywoodianos. Acho que os diferenciais são: 1) o magnetismo da Anya Taylor Joy que faz Beth, a protagonista e 2) a protagonista não tem aqueles conflitos clichês com as pessoas, o babado é mais dela com ela mesma (e isso é universal, porque desse conflito ninguém escapa).
Pessoalmente, me chamaram atenção dois aspectos da história: 1) a quantidade de abandonos que ela sofreu ao longo da vida; 2) não sei dizer se a personagem conseguiu lidar com isso, já que é um tipo bem mental, racional, de gente que não se abala com facilidade. Há um diálogo mais pro final no qual é indicado que ela é movida pela raiva. Pois bem, o que mais gostei nela foi a capacidade de seguir em frente. Abandono e solidão assustam pra caramba, imagine uma menina que cresceu nos anos 1950. Ela não se sentiu indefesa e seguiu em frente. Em parte o xadrez foi muito importante enquanto motor, mas mesmo assim, Beth mostrou foi resiliência. Tinha potencial para dar muito mais merda do que deu. O final foi como uma espécie de reconciliação com o passado, com as pessoas de um modo geral, já que no inicio da vida fizeram mal a ela.
Enfim, é aquela história: a vida é como andar de bicicleta, e se parar, cai.
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Orientais 1 x 0 Ocidentais
Tá na Netflix um documentário sobre essa banda pop coreana. Sei zero sobre o k-pop, apesar de adorar música pop. Sei lá, é meio racista, mas eu acho o povo asiático meio estranho.
O doc mostra meninas simples que encaram o trabalho na banda como mais um trabalho. Não sei se é realidade ou roteiro, mas as meninas me impressionaram pela falta de crise existencial e espírito de grupo.
Se por um lado é difícil gostar delas individualmente porque todas elas parecem a mesma pessoa só que com cabelos de cores diferentes e há uma falta de charme nesse processo industrial coreano de fabricação de estrelas pops, por outro, é bom ver gente madura, que sabe ser feliz com as suas escolhas, que prefere trabalhar em grupo que ficar na nóia de quem brilha mais que quem.
Um amigo meu falou pra mim que há uns casos de depressão e até suicídio no k-pop. Repito, não conheço esse universo, mas eu fiquei com a impressão de que nós, ocidentais, somos individualistas demais, autocentrados demais e isso, como passa do ponto, nos adoece.
Corta pra epidemia de coronavirus. Enquanto o ocidente tá em desespero porque não consegue colocar uma máscara e praticar o distanciamento, no oriente está tudo sob controle na medida do possivel.
É, acho que temos algo mais a aprender com eles além de yoga e meditação.
domingo, 1 de novembro de 2020
A lei da percepção
SAR é o sistema de ativação reticular.
Então, na verdade, você, ao mudar suas crenças, não atrai nada. O que acontece é que você começa a afinar essa crença com o seu SAR e passa a perceber mais daquilo que faz parte do seu sistema de crenças. Se você acredita que é atraente, além de enviar mensagens de confiança através da sua linguagem corporal, você vai captar feedbacks positivos e oportunidades de se mostrar atraente. O mesmo quando você se acha feio.
Enfim, afie seu SAR. Parece fácil, mas já aviso que não é. Mas é possível. Vamos tentando.
PS.: Mas a tal lei da atração, de pensar no que vc quer atrair, cria um efeito positivo no corpo e esse efeito ajuda o próprio corpo a trabalhar melhor naquele objetivo, melhorando, inclusive, o foco.
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
Nós de família
Quem me conhece sabe que eu tenho uns buracos familiares. Fico até com vergonha, mas no fundo sei que quase todo mundo tem família como a minha, mas ninguém fala. Eu falo. Aliás, eu me exponho demais, mas não tenho paciência pra hipocrisia. Também desconfio que muitas das minhas dores não bateram iguais nas minhas irmãs. É que o trauma não depende exatamente do que aconteceu, mas de quem recebeu o que aconteceu. Um incêndio numa casa pode paralisar uma pessoa e traumatizá-la e outra pode passar pelo mesmo evento e seguir a vida normalmente. Geralmente traumatiza quem não teve condição de reagir e não entende isso, e se culpa. Se você pensar que eu sou a caçula e a mais família de todos eles, talvez aí esteja a resposta da charada.
Sempre tive dúvidas sobre ter filho ou não sobretudo porque não queria passar de novo o que passei com minha família. Sei lá, acho que tenho uma certa crença no nosso sangue ruim, de que vão nascer pessoas iguais as que já não me dou e que são mais velhas que eu nessa família.
E eis que recebo más notícias de Felipe.
Anda aprontando. Até aí, tudo bem, se esse "aprontando" fosse rompendo com as expectativas dos pais de forma saudável, para viver seu processo de individuação. Segundo Jung, o processo de individuação é sair da expectativa dos outros e se encontrar com as suas próprias. Quem não buga na infância e na adolescência dá tilt depois. Fato. Mas esse processo dele está vindo, pelo que soube, com raspas de perversidade, e isso é tudo que não pode acontecer. Qualquer pai ou mãe obteve sucesso se criou alguém ético, uma boa pessoa. Falei isso, aliás, anos atrás me referindo ao filho de um casal amigo que não se deu bem na vida, mas é boa pessoa.
Isso me disparou o gatilho da maldição familiar. Eu não sei se vou continuar gostando dos meus sobrinhos se eles se tornarem pessoas de índole ruim. Estou aqui pra ajudar, mas para isso eles precisam querer se melhorar, se ajudar. E pra ser ruim não precisa ser marginal, não. Humilhar gratuitamente os outros está incluso nesse pacote. Ser uma pessoa sem empatia já tá no script. Um macho escroto desses aí que a gente encontra a rodo pelo caminho, sabe?
Mas vamos orar. Ainda tem muita água pra rolar nessa ponte.
Eu que não quero arriscar. Filhos, nesta vida, melhor não tê-los pelo visto.
domingo, 18 de outubro de 2020
"It´s my party and I cry if I want it...
... you would cry too if it happened to you."
Essa música me lembra uma cena de "O Pestinha", quando uma menina nojentinha, a aniversariante, chora ao ver sua festa sendo estragada.
Corta para o Brasil da semana passada. Divórcio de famosos. Ele, pateticamente, acordou a esposa às 3h da madrugada para dizer que não dava mais certo. O Brasil inteiro dizendo que foi um absurdo, que casamento não se desfaz assim, que ele não deu chance pra ela resgatar a relação. Eu compreendo a dor da rejeição e a covardia do término à queima roupa, mas duvido que essa criatura não tenha dado sinais anteriores (ou foi a carência da esposa que não permitiu vê-los?) e ainda acho que, se não for pra ficar de boa vontade, melhor que se pique mesmo. Antes tarde do que mais tarde. Porque o ser humano anda tão escroto que é capaz de marcar território pra não ver o outro indo em frente enquanto mantém a vida dupla ocultamente. Não consigo compreender essa mania de gente casada de achar que casou, tem que ser pra sempre a qualquer custo. Gente, todo mundo vai embora, quer por vontade ou por morte. Toda separação é uma dor porque é o fim de um sonho, mas eu me sentiria mal de manter uma pessoa do meu lado a base do "você tem que". Você quer a relação, o parceiro ou o símbolo da relação?
Só que quando você pondera isso, parece que você está passando pano pra quem se picou (e quase todo mundo, ainda mais homens, faz isso muito mal, de forma traumática pro outro). Não tem nada a ver. O fato de admitir que as pessoas, via de regra, emitem sinais antes de partir não anula o fato dessa criatura que foi ter sido escrota. E achar que é melhor mesmo que se pique não anula a falta de cuidado no final do relacionamento. Por isso mesmo, vá com Deus (ou com o diabo). E vamos falar o português do Brasil: mesmo que o outro vá tocando harpa e avisando com seis meses de antecedência, vai doer do mesmo jeito; o que muda é ainda ter preservado seu status de gente que mereceu ser ao menos bem tratada, ter passado por menos uma humilhação. Poucas pessoas, pensando aqui entre os meus conhecidos, encarariam um fim com relativa tranquilidade caso esse fosse feito com respeito. Quase todos iam odiar o ex do mesmo jeito.
No meu mundo ideal as pessoas agiriam com cordialidade e cuidado, mas não é esse o mundo que temos. Eu acho que todo mundo merece ao menos uma satisfação, mesmo que seja pra lavar roupa suja. Já disse coisas feias ao romper com pessoas, mas disse a verdade, a pessoa soube porque me piquei. Mas essa sou eu. Já quebrei muito a cabeça tentando imaginar o que tinha feito de errado, porque A ou Z se picaram do nada. Hoje não faço mais isso nem fodendo. Lido com o real. Aceito, mesmo que não concorde, mesmo que não tenha a menor ideia do motivo. Não interessa a razão, eu trabalho com o que a pessoa me deu. E se ela quis ir embora, ora, é porque não quis ficar. Esse é o fato e que nenhum motivo vai mudar, a não ser que seja o Super Man e ele tenha te deixado pra ir salvar o mundo. Melhor que vá. Eu respeito muito mais quem não desperdiça meu investimento e se manda do que quem fica de má vontade, resmungando, te fazendo sentir errada.
Na boa, não entendo a cabeça do brasileiro. Vamos parar com essa hipocrisia de todo mundo junto. Às vezes eu acho que até pra continuar gostando o ideal é separar mesmo. Na minha experiência, é justamente essa falta de timing, a mania de levar as situações ao limite que tornam os afetos irrecuperáveis.
sábado, 17 de outubro de 2020
Discípula de Mutley
Eu me considero uma pessoa, no geral, boa, fofa e etc e tal. Mas se tem uma coisa que nunca aprendi e acho que vou sair dessa encarnação devendo é conseguir manter o nível, a fineza quando perco o respeito pela pessoa. É melhor até eu sair de perto mesmo porque, como diz o ditado, "quando eu sou má, sou melhor ainda".
Não seguro a língua. Sou cruel, eu sei (e às vezes genial nas tiradas, não vou mentir). É quase um espirro, é muito rápido; é pura reatividade. O caso é que tenho ética, depois me dá ressaca moral. As duas coisas na mesma pessoa não dá, né?
Crianças, não tentem isso em casa. Pode não parecer, mas é arriscado.
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Normal People
Eu jurava que tinha escrito sobre "Normal People" aqui, mas, abrindo o blog agora, vi que não. Como assim, Bial? 😱
Bem, assisti a série por recomendação de um youtuber (sim, eu sigo canais que falam de séries e outros canais sobre diversos temas no YouTube). Vi num tapa, até porque é curtinha, o que acho que é a tendência atual das séries. O povo percebeu que, com a enxurrada de séries, convém que elas sejam breves pra garantir que serão consumidas.
No caso de Normal People, além disso, tem o lance de ser baseada em um livro e a autora não se interessou por prolongar a história, tanto que só vai ter uma temporada mesmo.
Eu gostei pra caramba porque é uma história que poderia acontecer com qualquer um de nós. Ouvi alguém comentando que o título faz alusão à saúde mental dos protagonistas, que sofrem períodos de depressão e autodestruição durante o desenrolar da história.
A história se passa do final do ensino médio até mais ou menos o final da faculdade. Connel e Marianne cresceram na mesma cidade do interior da Irlanda, mas são opostos. Em comum, só a inteligência e a solidão. Apesar de terem convivido na escola quase a vida inteira, só no final dela eles se encontram por puro acaso... e se encaixam perfeitamente. Ela tinha dinheiro, mas não tinha o restante. Ele tinha o restante, mas não tinha dinheiro. Mas, embora ele fosse "o" popular, só com ela ele conseguia conversar de fato. Aquela coisa que o poetinha dizia, sobre a vida ser a arte dos encontros. Any doubt?
Durante a trama, as vidas deles vão se separando e se reencontrando. Eles erram o tempo todo um com o outro - ele muito mais com ela do que o inverso -, mas são erros "perdoáveis" que falam mais de deficiências emocionais e questões de falta de autoestima próprias dos dois do que de falta de amor ao outro. Sim, tem amor ali, mas tem muita falta de autoestima em cada um e por isso, também, além de amor, há muita dependência emocional. O final da série, acho, é uma indicação de que esse padrão foi rompido, de que algo mais maduro vai brotar dali.
O que gosto nos dois é que, apesar da dependência emocional, eles não correm muito atrás do outro - e desconfio que isso reflete um traço dessa geração mais nova, nascida nos anos 1990, de não insistir no que tá difícil e fluir com a corrente 👏. Mesmo de coração partido, eles querem, no fundo, que o outro fique bem, e eu acho que é essa a parte que nos faz torcer pelo casal. E acho, também, que no fundo um tem muita certeza do afeto do outro, do lugar que tem na vida do outro, especialmente Connel. Mas se por um lado há amizade entre eles, há, também, muita confusão desnecessária por pura falta de comunicação, por mania de inferir sem perguntar antes. Bem normal people mesmo. 😕
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
Atriz da estrada
Desde que essa pandemia começou a apertar, me deu uma vontade louuuuca de viajar. De preferência, pro outro lado do mundo. Tô morrendo de saudade da Europa, mas serviria qualquer lugar agradável longe do Brasil. E digo mais: não estranhe se eu ficar por lá.
Acontece que outro dia, vendo um documentário sobre o trabalho de Jim Carrey em "O Mundo de Andy", fiquei maravilhada com a capacidade dele de sair de si e ser outra pessoa, aquele personagem, por algum tempo. Eu nunca quis fazer teatro porque não acho que o tipo de persona exigido por esse meio combina comigo - embora, se tivesse um filho, faria questão de que tivesse aulas de teatro, que vêm bem a calhar no mundo de hoje que depende que você saiba se vender e rodar máscaras como nunca antes -, mas acho que numa próxima vida pode ser. Acredito que deve ser uma delícia poder ter férias de si mesma.
E foi conversando sobre isso com um amigo que ouvi dele uma frase genial, de que essa é a mesma sensação de viajar para o exterior. Bingo! É isso mesmo. Quando eu chego em uma cultura que não é a minha, em que eu sou desobrigada de relações, de expectativas, de códigos, eu posso descobrir aquele lugar e descobrir coisas novas sobre mim naquela terra estranha. É como poder tirar férias de si e ser outra pessoa. É libertador.
Troco, nessa vida, ser atriz por ser viajante. Com fé em mim e em Deus, vou rodar muito esse globo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
Ansiedade
Desde a adolescência, eu tenho episódios de falta de energia, que eu achava que eram de depressão. Mas nunca o remédio receitado fazia efeito. Eu achava que era uma dessas pessoas imune a remédios - sim, elas existem. Qual foi a minha surpresa, após 15 anos peregrinando, ser diagnosticada com ansiedade e tomar, enfim, um remédio que fazia efeito?
Ansiedade é igualmente uma merda, a diferença é que não te paralisa. Quer dizer, há momentos, no pico da ansiedade, que o corpo te apaga, parecendo uma depressão. Eu não tenho falta de energia. É que de tanto gastar energia com o que me causa a ansiedade, o corpo se esgota.
E havia pistas disso. Por exemplo, eu brigo para dormir e brigo para levantar. Me meto em mil coisas ao mesmo tempo. Não tenho muita paciência para esperar. Cabeça sempre no futuro. Como não iria ficar cansada?
Agora é aquilo: tive sorte. Mas e quem não tem e fica a vida sem o tratamento certo? E no meu caso, o tratamento foi pontual. E quem tem um problema crônico?
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Mordida de amor
Piscianamente, só hoje fui me conter na sabedoria dessa música, depois de 30 anos. Óbvio: se você não conclui, não fecha, jamais dirá adeus.
Quando faz amor se olha no espelho
Será que você gosta mesmo de mim?
Vai me dizer que era prá sempre
Isso é amor ou uma doce mentira?Uh, Baby!
Mas quando está só
Se morde de amor
Rolando na cama
E chama o meu nome...Eu não quero tocar em você, oh baby!
E fazer seu jogo vai me deixar louco
Sei que você pensa o amor é do seu jeito
Coração quebrado e orgulho inteiroAmar assim é jamais dizer adeus
Já não é mais a grande surpresa
Viver assim a se morder de amor(Refrão)
Amar assim jamais dizer adeus
Já não é maisAmar assim é jamais dizer adeus
Já não é mais a grande surpresa
Viver assim a se morder de amor
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
Ganhos secundários
É triste admitir (porém elucidante), mas por trás de uma situação aprisionante sempre há ganhos por debaixo. Ou melhor, os chamados ganhos secundários.
De graça, amores, ninguém fica. Alguma besteirinha boa rola nessa história. Claro, não estou falando aqui das situações de violência.
Você não quer sair do emprego que te massacra emocionalmente todo dia. Ganho secundário: estabilidade, salário e benefícios.
Você é maltratada pelo marido, que te põe pra baixo dia sim, dia não, mas não larga o indivíduo. Ganho secundário: o status de casada e "antes mal acompanhada do que só". Quem maltrata, afinal, não ignora.
Ted (foto) nunca logrou ficar com Robin antes de ficar viúvo, que já falou na cara dele que não o amava. Suspeito que, no final, ela ficou com ele como prêmio de consolação, já que ela tinha feito tudo que queria e não havia dado certo com ninguém. Por que Ted se sujeitou a isso? Amor? Não creio. É que essa fantasia virou estruturante da vida dele, e sem isso seria um tédio.
Por isso, quando estivermos presos em situações que nos maltratam, convém investigar que ganhos secundários há na situação. Só assim pra desmontar a permanência.
domingo, 9 de agosto de 2020
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Donde estás corazón?
Mas mais preocupante que essa constatação está outra: a de que eu não sei onde está meu coração, só onde ele não está.
E que Deus me ajude a cumprir essa jornada.
quarta-feira, 8 de julho de 2020
Fersami
Fernanda Santana Miranda aka fersami (pelo menos no e-mail que eu ajudei a criar nos anos 2000 e que ela usava até a última vez que nos encontramos, hehe) faleceu no último domingo, depois de oito anos de uma batalha cheia de dignidade, generosidade e sabedoria contra o câncer que teimava ocupar seu jovem corpo de 40 anos. Não lamentei que tivesse partido; até eu, que estava de fora, estava exausta de "câncer vai, câncer volta", imagine ela. Na verdade, lamentei anos antes, quando soube da metástase. Fernanda era muito jovem, muito dinâmica, cheia de vida, amigos e interesses. Eu lembro dela assim, como nessas fotos, e era assim que ela estava antes da doença. Mesmo desgastada pelos tratamentos, ela tinha uma aparência corada, bonita, mas eu quero lembrar dela assim.
Como disse, senti alívio com a notícia, acompanhado de um sentimento natural de tristeza. Na verdade, eu chorei a morte de Fernanda em 2014, antes do diagnóstico de metástase, quando o câncer voltou. Tinha ido na casa de uma amiga de meu cunhado, que joga cartas, e acabei perguntando por Fernanda, e a mulher me disse que ela não ia escapar. Fui pro jornal, meu emprego na época, chorando muito, tentando cobrir os olhos com os óculos escuros. Parecia cena de filme de Paul Thomas Anderson, daquelas em que sobe o som e o personagem se acaba no drama. E confesso que não chorei só pela má sorte dela. Eu e ela temos a mesma idade, ela 17 dias mais nova que eu. Chorei ao descobrir a minha própria mortalidade. Gente de 30 anos não costuma saber que pode morrer. Com Fernanda eu vi a minha própria morte. Vejo hoje as meninas, Mariana e Ceyse, chorando e sei que não é só saudade, mas a perda da própria inocência, a certeza de que o que nasce, morre também - e bem poderia ser qualquer um de nós já que pôde ser Fernanda. A gente nunca chora pelos outros sem chorar a si mesmo em alguma medida.
Plot point
Nem sempre Fernanda foi uma pessoa legal, embora nunca tenha sido detestável. Mas ela era do grupinho que se achava descolado, da escola, e às vezes era meio metidinha (delas, a única que consegui realmente gostar depois de adulta foi justo ela). No entanto, sempre foi educada. Lembro-me de uma atividade da escola, em que mandamos bilhetes secretos para colegas, e ela elogiou minha inteligência de um modo muito sincero e bacana. Depois que foi morar fora, mudou, amadureceu e deixou essa versão Garotas Malvadas para trás definitivamente. Se ela fosse essa pessoa aos 12 anos, teríamos sido grandes amigas. Ou talvez ela já fosse e eu não via.
Vi que Fernanda tinha se tornado outra pessoa quando assumiu ser lésbica. Conhecendo ela desde priscas eras, senti que ela evoluiu porque sempre a vi como alguém que se preocupa com a opinião dos outros (se bem que ela andava com artistas, um meio em que a homossexualidade é natural). E principalmente aceitou com muita docilidade os revezes, tanto na vida amorosa (foi abandonada de forma escrota quando descobriu que tinha metástase) quanto na saúde. Nisso, ela se mostrou mais evoluída que 99% dos meus conhecidos, inclusive essa que aqui escreve. Eu não seria tão sábia e desapegada quanto Fernanda foi. Bato palmas para quem ela se tornou. Onde muitos esmorecem, ela se agigantou. Lamento que tenha sido pelo caminho da dor, mas Fernanda passou pela escola da vida e com louvor. Fico com as palavras do amigo dela, Alexey:
E foi assim que a gente se conheceu: por causa do câncer, em 2014. O meu, bem menos grave que o dela. Descobertos na mesma época. Deram-lhe um mau prognostico, mas Fernanda teimou: “pelo menos quarenta anos eu vou fazer”. E fez, este ano. Se dissermos que foram seis anos sem sofrimento, estaremos mentindo. Mas foram seis anos heróicos, nos quais Fernanda ajudou uma quantidade descomunal de mulheres com o mesmo problema. Ajudou-as como profissional, como mulher, como paciente oncológica. Dedicou-se profundamente a ajudar a quem, como ela, sofria. Uma vez, me disse que isso dirimia as dores físicas que sentia. Ao dedicar-se aos outros, esquecia-se do próprio padecimento. Talvez seja este, o segredo.Neste ínterim, aconteceram milagres médicos: os tumores sumiram. Voltaram. Sumiram. Voltaram. Mas Fernanda nunca, jamais sumiu. Ela até pode ter nos deixado hoje, mas sumir é impossivel.Foi-se suave, e como queria: sem dor, e ao lado da mãe.Adeus, minha amiga querida. Não sei se existe vida após a morte, mas sei que existe vida antes da morte. Nem todo mundo tem vida antes de morrer.Você teve. (Alexey Dodsworth Magnavita)
domingo, 5 de julho de 2020
A soma de todas as opressões (e depressões)
quarta-feira, 1 de julho de 2020
Qual é o meu conceito de felicidade e o que me faz bem nessa vida? (Tchan, tchan, tchan, tchan...)
Eu nem deveria estar escrevendo isso aqui, mas é onde eu releio o que escrevo e, ademais, ninguém lê. E, a propósito, mesmo que alguém lesse, é a minha verdade e ninguém precisa pensar igual a mim.
Não peguemos emprestado os conceitos dos outros. Isso distrai e deprime, e o pior, sem razão de ser, sem necessidade. É como um cego definhando porque deseja um livro que não é escrito em braile.
Vamos lá, vou fazer esse exercício agora, na linha Faustão de "quem sabe faz ao vivo".
Eu entendo por "felicidade" bem-estar e afeto. A essa altura eu já percebi que meu barato maior não está em ser a mais popular, a mais rica, a mais famosa, enfim, todos esses clichês. Aprendi até muito tarde na vida que quem não é feliz comendo pão com café não vai ser feliz com nada. Acho que o difícil mesmo é dar sentido ao ordinário, aprender a ser apesar e acima de tudo, porque tudo pode nos ser tirado. E aí? Quem sou eu sem meu emprego, meu marido, minha fortuna, minha juventude, meus amigos e meu filho que não fazem mais parte da minha realidade? Meu barato é ter qualidade de vida. Eu nunca ia querer ser Lady Gaga simplesmente porque, embora eu adore música, canto, nunca seria feliz em uma rotina que me transforme em máquina de trabalhar. E não me venha com essa palestra de "quando você acha um propósito". Meu propósito, de preferência, tem que caber em um turno de trabalho. No restante, eu quero viver a gosto, sem compromisso. Get a life, don´t be a workaholic. A maioria de nós não é Picasso, Steven Spielberg, Bill Gates ou Mandela que nasceu para dar algo significativo à humanidade. Nossa missão aqui é desenvolvermos a nós mesmos.
Por isso, gosto de viver fragmentada entre vários interesses e aprendizados. Acho que é por isso que gosto tanto de ler, assistir, fazer cursos, bater papo e viajar.
Eu gosto de fazer no meu tempo, sem pressa. Eu, cansada, erro até o meu nome.
Eu gosto de ter autonomia. A essa altura, eu percebi que definitivamente preciso disso. Não aguento administrar gente, não tenho saco para executar ordem burra.
E gosto de afeto, mas de intimidade. Esse negócio de grandes grupos, eu passo. Gosto de poucos, mas íntimos. Gente com quem eu me sinto à vontade, que me aprecia, que me acompanha, que me ama de verdade. Porque tem gente que gosta de sua companhia, mas só faz aquele extra quem te estima de verdade. Não quero ser útil para ninguém. A gente passa a vida inteira querendo se fazer amável até o dia em que a gente descobre que o amor acontece mesmo quando você é "inútil" pra quem te ama, só por ser.
Eu gosto dos pequenos prazeres, do conhecimento, da realização, da autonomia e da intimidade. Isso me energiza.
















