domingo, 18 de outubro de 2020

"It´s my party and I cry if I want it...

 


... you would cry too if it happened to you."

Essa música me lembra uma cena de "O Pestinha", quando uma menina nojentinha, a aniversariante, chora ao ver sua festa sendo estragada. 

Corta para o Brasil da semana passada. Divórcio de famosos. Ele, pateticamente, acordou a esposa às 3h da madrugada para dizer que não dava mais certo. O Brasil inteiro dizendo que foi um absurdo, que casamento não se desfaz assim, que ele não deu chance pra ela resgatar a relação. Eu compreendo a dor da rejeição e a covardia do término à queima roupa, mas duvido que essa criatura não tenha dado sinais anteriores (ou foi a carência da esposa que não permitiu vê-los?) e ainda acho que, se não for pra ficar de boa vontade, melhor que se pique mesmo. Antes tarde do que mais tarde. Porque o ser humano anda tão escroto que é capaz de marcar território pra não ver o outro indo em frente enquanto mantém a vida dupla ocultamente. Não consigo compreender essa mania de gente casada de achar que casou, tem que ser pra sempre a qualquer custo. Gente, todo mundo vai embora, quer por vontade ou por morte. Toda separação é uma dor porque é o fim de um sonho, mas eu me sentiria mal de manter uma pessoa do meu lado a base do "você tem que". Você quer a relação, o parceiro ou o símbolo da relação?

Só que quando você pondera isso, parece que você está passando pano pra quem se picou (e quase todo mundo, ainda mais homens, faz isso muito mal, de forma traumática pro outro). Não tem nada a ver. O fato de admitir que as pessoas, via de regra, emitem sinais antes de partir não anula o fato dessa criatura que foi ter sido escrota. E achar que é melhor mesmo que se pique não anula a falta de cuidado no final do relacionamento. Por isso mesmo, vá com Deus (ou com o diabo). E vamos falar o português do Brasil: mesmo que o outro vá tocando harpa e avisando com seis meses de antecedência, vai doer do mesmo jeito; o que muda é ainda ter preservado seu status de gente que mereceu ser ao menos bem tratada, ter passado por menos uma humilhação. Poucas pessoas, pensando aqui entre os meus conhecidos, encarariam um fim com relativa tranquilidade caso esse fosse feito com respeito. Quase todos iam odiar o ex do mesmo jeito.   

No meu mundo ideal as pessoas agiriam com cordialidade e cuidado, mas não é esse o mundo que temos. Eu acho que todo mundo merece ao menos uma satisfação, mesmo que seja pra lavar roupa suja. Já disse coisas feias ao romper com pessoas, mas disse a verdade, a pessoa soube porque me piquei. Mas essa sou eu. Já quebrei muito a cabeça tentando imaginar o que tinha feito de errado, porque A ou Z se picaram do nada. Hoje não faço mais isso nem fodendo. Lido com o real. Aceito, mesmo que não concorde, mesmo que não tenha a menor ideia do motivo. Não interessa a razão, eu trabalho com o que a pessoa me deu. E se ela quis ir embora, ora, é porque não quis ficar. Esse é o fato e que nenhum motivo vai mudar, a não ser que seja o Super Man e ele tenha te deixado pra ir salvar o mundo. Melhor que vá. Eu respeito muito mais quem não desperdiça meu investimento e se manda do que quem fica de má vontade, resmungando, te fazendo sentir errada.

Na boa, não entendo a cabeça do brasileiro. Vamos parar com essa hipocrisia de todo mundo junto. Às vezes eu acho que até pra continuar gostando o ideal é separar mesmo. Na minha experiência, é justamente essa falta de timing, a mania de levar as situações ao limite que tornam os afetos irrecuperáveis.   


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