Eu jurava que tinha escrito sobre "Normal People" aqui, mas, abrindo o blog agora, vi que não. Como assim, Bial? 😱
Bem, assisti a série por recomendação de um youtuber (sim, eu sigo canais que falam de séries e outros canais sobre diversos temas no YouTube). Vi num tapa, até porque é curtinha, o que acho que é a tendência atual das séries. O povo percebeu que, com a enxurrada de séries, convém que elas sejam breves pra garantir que serão consumidas.
No caso de Normal People, além disso, tem o lance de ser baseada em um livro e a autora não se interessou por prolongar a história, tanto que só vai ter uma temporada mesmo.
Eu gostei pra caramba porque é uma história que poderia acontecer com qualquer um de nós. Ouvi alguém comentando que o título faz alusão à saúde mental dos protagonistas, que sofrem períodos de depressão e autodestruição durante o desenrolar da história.
A história se passa do final do ensino médio até mais ou menos o final da faculdade. Connel e Marianne cresceram na mesma cidade do interior da Irlanda, mas são opostos. Em comum, só a inteligência e a solidão. Apesar de terem convivido na escola quase a vida inteira, só no final dela eles se encontram por puro acaso... e se encaixam perfeitamente. Ela tinha dinheiro, mas não tinha o restante. Ele tinha o restante, mas não tinha dinheiro. Mas, embora ele fosse "o" popular, só com ela ele conseguia conversar de fato. Aquela coisa que o poetinha dizia, sobre a vida ser a arte dos encontros. Any doubt?
Durante a trama, as vidas deles vão se separando e se reencontrando. Eles erram o tempo todo um com o outro - ele muito mais com ela do que o inverso -, mas são erros "perdoáveis" que falam mais de deficiências emocionais e questões de falta de autoestima próprias dos dois do que de falta de amor ao outro. Sim, tem amor ali, mas tem muita falta de autoestima em cada um e por isso, também, além de amor, há muita dependência emocional. O final da série, acho, é uma indicação de que esse padrão foi rompido, de que algo mais maduro vai brotar dali.
O que gosto nos dois é que, apesar da dependência emocional, eles não correm muito atrás do outro - e desconfio que isso reflete um traço dessa geração mais nova, nascida nos anos 1990, de não insistir no que tá difícil e fluir com a corrente 👏. Mesmo de coração partido, eles querem, no fundo, que o outro fique bem, e eu acho que é essa a parte que nos faz torcer pelo casal. E acho, também, que no fundo um tem muita certeza do afeto do outro, do lugar que tem na vida do outro, especialmente Connel. Mas se por um lado há amizade entre eles, há, também, muita confusão desnecessária por pura falta de comunicação, por mania de inferir sem perguntar antes. Bem normal people mesmo. 😕

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