sábado, 12 de dezembro de 2020

A vez da minha vida

 



Terminei hoje esse livro aí, "A vez da minha vida", da irlandesa Cecelia Ahern. Ela é mais conhecida por aqui pelo livro que deu origem ao filme "P.S. Eu te amo". Comecei a leitura por indicação do meu terapeuta, que "intuitivamente" achou que a história poderia me render insights. Eu aceitei pra não fazer desfeita, já que ainda estou atolada de coisas que dependem de muita leitura, mas conheço esse tipo de literatura gringa e sei que são livros grossos porém facinhos de ler. E assim foi. Gostei viu? Vou explicar por quê.
Resumidamente, o livro conta a história de Lucy, uma mulher de 29 anos, de família rica, que tinha a "vida perfeita" até 3 anos atrás, mas um término fez a autoestima dela e tudo mais descer ladeira abaixo. Como nem ela mesma está segurando a onda da própria realidade e todo mundo ao redor dela parece estar indo magnificamente bem, ela, para não ter que ficar falando de si, começa a mentir. Mas Lucy mente tanto que nada na vida dela fica isento de mentira. Um dia, com um pé na depressão já, ela recebe correspondência da própria vida dela querendo uma reunião. Não preciso dizer que ela reluta em acreditar no convite, nega estar tão f**ida na vida e que Vida consegue, enfim, do auge da sua irritação (e perebas) causadas pelas últimas de Lucy, se encontrar com ela e, aos poucos, ir ajeitando a bagunça. 

[spoiler abaixo, para o caso de alguém ler isso...]

Entendi porque meu terapeuta me indicou essa história. Assim como eu, Lucy começou a história escondendo uma culpa muito grande por ter "fracassado" na vida adulta. Aos poucos, conforme o livro vai evoluindo, ela descobre que não fracassou, que na verdade não tinha a obrigação de se encaixar nas expectativas de ninguém - ela se sentia um fracasso especialmente aos olhos do pai, um intransigente de pai e mãe. Demorou um bom tempo até ela entender que ela não tinha culpa, que algumas coisas, como o fim do relacionamento com Blake, não dependiam dela e que ela não tinha motivo para se esconder e sentir vergonha de si. A culpa era tanta que ela não conseguia enxergar o afeto que as pessoas ao redor sentiam por ela. Basicamente a vida de Lucy só começou a andar quando ela aceitou o passado e começou a se ligar no presente, movimento que demorou boa parte do livro - até chegar essa parte, você fica cumplice de todos os chiliques de Vida com as bobagens que Lucy faz. 
Sobretudo, Lucy, que começou a história dando o perdido em Vida, terminou o livro 100% em aliança, amor e gratidão por ele. 
Ela havia se autoabandonado e, quando é assim, você começa a depender exclusivamente da opinião, do feedback dos outros sobre você. Qualquer vento menino, como canta Fábio Junior, leva pra outro lugar. A pessoa perde a noção de "quanto vale o show" e aceita qualquer esmola. Então, quando o namorado, que ela e todos julgavam perfeito, foi embora, levou junto todo o senso de autovalor dela. Esse ex, aliás, é a cópia do pai dela, uma prova de que o que você não resolve, encontra como destino. Interessante que ela só vai pra um outro tipo de relacionamento quando ela resolve isso do pai internamente.
Na verdade, como indica o título, a jornada de Lucy foi sobre isso: parar de viver para os outros e dar valor a própria vida, se encantar com Vida, ficar parceira dele. 
Há um trecho que é bem engraçado. Entre dois homens, Lucy tem que escolher entre um que quer saber dela, mas ignora completamente Vida e outro que é ignorado por ela, mas que adora Vida. Hummm, com quem será que Lucy deve ficar?
Não vou contar. Leiam. É literatura fast-food, mas vale a pena: Ahern escreve bem, a história é divertida, traz uma mensagem positiva, enfim, uma boa Sessão da Tarde.

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