Eu nem deveria estar escrevendo isso aqui, mas é onde eu releio o que escrevo e, ademais, ninguém lê. E, a propósito, mesmo que alguém lesse, é a minha verdade e ninguém precisa pensar igual a mim.
Não peguemos emprestado os conceitos dos outros. Isso distrai e deprime, e o pior, sem razão de ser, sem necessidade. É como um cego definhando porque deseja um livro que não é escrito em braile.
Vamos lá, vou fazer esse exercício agora, na linha Faustão de "quem sabe faz ao vivo".
Eu entendo por "felicidade" bem-estar e afeto. A essa altura eu já percebi que meu barato maior não está em ser a mais popular, a mais rica, a mais famosa, enfim, todos esses clichês. Aprendi até muito tarde na vida que quem não é feliz comendo pão com café não vai ser feliz com nada. Acho que o difícil mesmo é dar sentido ao ordinário, aprender a ser apesar e acima de tudo, porque tudo pode nos ser tirado. E aí? Quem sou eu sem meu emprego, meu marido, minha fortuna, minha juventude, meus amigos e meu filho que não fazem mais parte da minha realidade? Meu barato é ter qualidade de vida. Eu nunca ia querer ser Lady Gaga simplesmente porque, embora eu adore música, canto, nunca seria feliz em uma rotina que me transforme em máquina de trabalhar. E não me venha com essa palestra de "quando você acha um propósito". Meu propósito, de preferência, tem que caber em um turno de trabalho. No restante, eu quero viver a gosto, sem compromisso. Get a life, don´t be a workaholic. A maioria de nós não é Picasso, Steven Spielberg, Bill Gates ou Mandela que nasceu para dar algo significativo à humanidade. Nossa missão aqui é desenvolvermos a nós mesmos.
Por isso, gosto de viver fragmentada entre vários interesses e aprendizados. Acho que é por isso que gosto tanto de ler, assistir, fazer cursos, bater papo e viajar.
Eu gosto de fazer no meu tempo, sem pressa. Eu, cansada, erro até o meu nome.
Eu gosto de ter autonomia. A essa altura, eu percebi que definitivamente preciso disso. Não aguento administrar gente, não tenho saco para executar ordem burra.
E gosto de afeto, mas de intimidade. Esse negócio de grandes grupos, eu passo. Gosto de poucos, mas íntimos. Gente com quem eu me sinto à vontade, que me aprecia, que me acompanha, que me ama de verdade. Porque tem gente que gosta de sua companhia, mas só faz aquele extra quem te estima de verdade. Não quero ser útil para ninguém. A gente passa a vida inteira querendo se fazer amável até o dia em que a gente descobre que o amor acontece mesmo quando você é "inútil" pra quem te ama, só por ser.
Eu gosto dos pequenos prazeres, do conhecimento, da realização, da autonomia e da intimidade. Isso me energiza.
And you?

Nenhum comentário:
Postar um comentário