Muitos fãs concordarão que a repórter canadense de How I Met Your Mother não ama Ted, que passou nove temporadas eventualmente atrás dela. O que poucas pessoas (ou nenhuma) percebem é que Ted também não ama Robin. Vejamos: quando ele está feliz com alguém, ela é só uma amiga. Quando ele está carente ou ela está séria com outra pessoa, tende a correr atrás dela. Ted deseja desesperadamente encontrar uma Lily e acha que, por se darem bem como amigos (e Robin não fazer questão dele, o que frequentemente é instigante), é só questão de conseguir o amor da amiga que a vida amorosa se resolverá. Isso não vai acontecer com ninguém até que ele pare de agir ansiosamente. Robin não é a mulher da vida dele só porque tiveram um romance mal resolvido. Isso tem nome: autossabotagem.
Barney também não gosta tanto assim de Robin. É que ela é a única que não espera nada dele e é a única que o deixa seguro justamente por causa disso. Se ela fosse grudenta-esposinha como Lily, ele sairia correndo. Robin, na verdade, é a versão feminina e sem egotrip de Barney. Eles são muito iguais para darem certo. Ted é intenso demais, eles nunca seriam um casal. Querendo muito encontrar alguém, os três confundem carinho com amor.
Na verdade, apesar de ser um fofa, Robin é o pior tipo de gente para se relacionar porque ela não se apega a ninguém. Ela uma hora acha que gosta de A, depois acha que gosta de B... Gente que não se vincula é melhor cair fora. Ted deveria se tocar disso. Mas a indústria cultural prega que você tem que correr atrás (eu concordo, contanto que haja uma chance real, né? ficar no vai e volta é coisa de quem não sabe o que quer e nem tá muito a fim de verdade de querer alguma coisa), que o que vale a pena é sofrido e muita gente se lasca nessa.
ps.: ainda estou na sexta de nove temporadas.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Dizer ou não dizer... Eis a questão!
Dois amigos meus costumam discutir bastante, mais por conta de questões da profissão. Um nunca aceita as correções e o outro sabe disso, mas insiste em dizer. Quase tudo que ele fala está correto, pelo menos me parece coerente, mas do que adianta se o outro não tem disposição de ouvir?
Eu fico neutra e sinceramente dividida. Um lado meu questiona por que achamos que temos que sempre dar a nossa opinião? Claro, tô falando da opinião não solicitada. Não faria como uma amiga que me deu uma cortada me perguntando por que eu queria saber a opinião dela. Óbvio: porque você quer que seus amigos mais íntimos deem opinião; você confia no discernimento deles e quer ver se a sua opinião é justa, coerente, comparando-a com outras respeitáveis na sua opinião. Eu não perguntaria certas coisas ao pipoqueiro. Mas se a pessoa não se interessa pelas suas questões, não custa nada respeitar. Por outro lado, minha Lua em Sagitário (risos) acha que onde minha expressão não é aceita não me interessa ficar. Não sou elegante, não sou discreta, detesto pisar em ovos e tenho ódio secreto de situações/pessoas que me forçam a isso. Eu nunca amaria realmente alguém que me cerceasse na minha autoexpressão. Isso é básico. Love it or leave it.
O caso é que há vários meios de silenciar a pessoa: não prestando atenção na figura, diminuindo a validade da opinião dela, contestando cada coisa que a pessoa diz, valorizando mais quando outra pessoa dá uma opinião ou até mesmo não dizendo nada. Claro que, eventualmente, essas coisas acontecem. Eu estou falando de hábitos na conversação. É muito chato conversar com gente que desdenha a sua opinião, mais ainda se for gente próxima. Porque se há intimidade, há vontade de trocar ideias. Mas o que fazer se o outro acha que você só fala bobagem (alguém que nunca concorda com você, por inferência, acha que você não fala o que preste)? É tenso. O julgamento/silenciamento está ali, implícito, e ninguém ousa falar sobre isso. Aliás, se falar, acabará a amizade. Meus dois amigos não discutem isso, mas uma hora, receio, o conflito virá. Ninguém é criticado longamente sem desenvolver mágoas. A seguir cenas... E eu continuo na dúvida. hehe...
Eu fico neutra e sinceramente dividida. Um lado meu questiona por que achamos que temos que sempre dar a nossa opinião? Claro, tô falando da opinião não solicitada. Não faria como uma amiga que me deu uma cortada me perguntando por que eu queria saber a opinião dela. Óbvio: porque você quer que seus amigos mais íntimos deem opinião; você confia no discernimento deles e quer ver se a sua opinião é justa, coerente, comparando-a com outras respeitáveis na sua opinião. Eu não perguntaria certas coisas ao pipoqueiro. Mas se a pessoa não se interessa pelas suas questões, não custa nada respeitar. Por outro lado, minha Lua em Sagitário (risos) acha que onde minha expressão não é aceita não me interessa ficar. Não sou elegante, não sou discreta, detesto pisar em ovos e tenho ódio secreto de situações/pessoas que me forçam a isso. Eu nunca amaria realmente alguém que me cerceasse na minha autoexpressão. Isso é básico. Love it or leave it.
O caso é que há vários meios de silenciar a pessoa: não prestando atenção na figura, diminuindo a validade da opinião dela, contestando cada coisa que a pessoa diz, valorizando mais quando outra pessoa dá uma opinião ou até mesmo não dizendo nada. Claro que, eventualmente, essas coisas acontecem. Eu estou falando de hábitos na conversação. É muito chato conversar com gente que desdenha a sua opinião, mais ainda se for gente próxima. Porque se há intimidade, há vontade de trocar ideias. Mas o que fazer se o outro acha que você só fala bobagem (alguém que nunca concorda com você, por inferência, acha que você não fala o que preste)? É tenso. O julgamento/silenciamento está ali, implícito, e ninguém ousa falar sobre isso. Aliás, se falar, acabará a amizade. Meus dois amigos não discutem isso, mas uma hora, receio, o conflito virá. Ninguém é criticado longamente sem desenvolver mágoas. A seguir cenas... E eu continuo na dúvida. hehe...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Quando a Síria deixou de ser longe demais de mim
Essa foto foi tirada há um ano e meio, com um colega muito especial da excursão pela Cidade do México, Munir, um sírio-venezuelano que bem poderia ser brasileiro. Munir foi a primeira pessoa, numa excursão da terceira idade (risos), a falar comigo na van. Sentou do meu lado e começou a falar mal do governo de Maduro, apontando para um meme de internet no celular, de um prato de comida em que a proteína animal, um pedaço de frango, estava desenhada em um pedaço de papel. Eu fiquei assustada com a abordagem à queima roupa, mas também achei engraçado. Munir seguiu o discurso indignado, contando que a Venezuela estava pior do que quando chegou ao país, no final dos anos 50. Ficamos best friends durante a viagem (com direito a ponga em várias das minhas fotos! hahaha). Uma pena que nunca mais a gente vai se ver.
Munir é comerciante, pelo visto muito bem sucedido, porque ele e a esposa viajam umas quatro vezes por ano para destinos nada baratos. Ela é mais fechada, foi se chegando aos poucos, até porque viu que estava sozinha (para uma mulher árabe, estar solteira e sozinha numa viagem deve ser o fim da picada, um atestado de forever alone, rs) e que Munir e eu havíamos estreitado laços. Ele tem alma de cachorro vira lata e conversa com to-do mun-do, fica alegre ao te ver como se fosse a pessoa mais importante do universo falando com ele. Virou o mister simpatia da viagem, xodó de guias e garçons - nem tanto assim de um dos guias, Carlos, sujeito seríssimo que perdia a paciência com as interrupções e intervenções sem noção de meu amigo, hehe.
Lembro muito dele quando ouço coisas sobre Aleppo. No último dia no México, ele falou que, se a situação melhorasse, visitaria seus parentes de lá. Não melhorou. Será que a família dele na Síria ainda está viva? Como está a situação dele na Venezuela? Toda a alegria de Munir não merece esse duplo bombardeio. Será que ele continua feliz? Tomara. Odiaria saber que, depois de uma vida que me pareceu tão bonita, meu amigo da van está sofrendo em sua velhice e não por culpa dele. Mundo, na boa, você está precisando melhorar.
sábado, 10 de dezembro de 2016
Quando o passado volta (e ele não é nada gatinho)
Há três dias, fiz a temida entrevista do mestrado da Facom. Eu nem deveria querer falar disso, mas há uma sabedoria por trás do episódio, então vamos lá (risos).
Depois de um susto com uma professora que saiu berrando da sala (por motivo justo até, mas a cena me deixou mais apavorada ainda), estava lá eu sozinha, sentada no banco à espera da minha vez, pensando que cazzo eu queria voltando pra Facom. Vi um professor que uma vez me disse algo negativo passando pelo corredor e, de repente, a bad vibe daquele lugar voltou à memória. Lembrei também de ter dito na cara de um professor da especialização, oriundo da Facom, ainda esse ano, que pretendia fazer mestrado, mas não na Facom, Deus que me livrasse disso. Então, lá estava eu, sentada, tensa de ter que ficar de frente pra aquele povo de novo, sendo avaliada, traumatizada pelo passado, sem saber direito se eu queria voltar pra ali ou não. Até regredi aos cinco anos de idade e mandei mensagem para um amigo que adoro, ansioso crônico, desabafando: "Véi, quando é que a gente vira adulto de verdade nessa vida e para de se apavorar?". Ele ainda se deu ao trabalho de responder: "Nunca. Relaxe, menina".
Então, chegou o moço que seria entrevistado depois de mim. Um doce de criatura, mas mal sabe ele que contribuiu pra meu mal estar quando disse que havia perdido a seleção ano passado justo na entrevista. Eu entrei, passei sufoco, achei que não fui bem, saí e avistei uma conhecida, que seria entrevistada depois do rapaz. Precisava desopilar a mente e resolvi puxar papo com ela.
Nos sentamos e uma terceira moça chegou. Concentradíssima, cara séria, de quem faz o que faz - jornalismo corporativo - enquanto nós duas, de gerações diferentes da Facom, falávamos sobre as mudanças dela. Por duas vezes, a moça pediu desculpas e nos interrompeu, dizendo que havia se identificado com as nossas histórias. Como mulher às vezes é um bicho graciosamente doido, acabamos trocando as três confidências. Eu me senti tão identificada com a experiência dela que tá difícil não chamá-la de Juliana, apesar de saber que o nome dela começa com uma das últimas letras do alfabeto. Foi aquela coisa, né: menina classe média baixa, mestiça, se mete na Facom, acha aquilo o inferno em vida, muita humilhação, mas pensa duas vezes porque já foi um feito e tanto chegar ali, segue em frente, quer sair o mais rápido possível dali, luta por cada oportunidade na vida profissional, cresce, mas, quando volta ao velho lugar de deslocamento, se sente indefesa de novo, novamente. Ela também estava se perguntando que cazzo fazia ali?
Bem, ao contrário de mim, ela se fez essa pergunta antes de entrar nessa barca. A análise dela, que vou levar pra vida, é que está voltando para o mesmo lugar, que pode, infelizmente, ainda continuar o mesmo lugar ruim, mas o caso é que ela mudou, evoluiu. E é nisso que pretende se segurar. Sim, que bom que a gente evolui (em alguns casos).
Depois de um susto com uma professora que saiu berrando da sala (por motivo justo até, mas a cena me deixou mais apavorada ainda), estava lá eu sozinha, sentada no banco à espera da minha vez, pensando que cazzo eu queria voltando pra Facom. Vi um professor que uma vez me disse algo negativo passando pelo corredor e, de repente, a bad vibe daquele lugar voltou à memória. Lembrei também de ter dito na cara de um professor da especialização, oriundo da Facom, ainda esse ano, que pretendia fazer mestrado, mas não na Facom, Deus que me livrasse disso. Então, lá estava eu, sentada, tensa de ter que ficar de frente pra aquele povo de novo, sendo avaliada, traumatizada pelo passado, sem saber direito se eu queria voltar pra ali ou não. Até regredi aos cinco anos de idade e mandei mensagem para um amigo que adoro, ansioso crônico, desabafando: "Véi, quando é que a gente vira adulto de verdade nessa vida e para de se apavorar?". Ele ainda se deu ao trabalho de responder: "Nunca. Relaxe, menina".
Então, chegou o moço que seria entrevistado depois de mim. Um doce de criatura, mas mal sabe ele que contribuiu pra meu mal estar quando disse que havia perdido a seleção ano passado justo na entrevista. Eu entrei, passei sufoco, achei que não fui bem, saí e avistei uma conhecida, que seria entrevistada depois do rapaz. Precisava desopilar a mente e resolvi puxar papo com ela.
Nos sentamos e uma terceira moça chegou. Concentradíssima, cara séria, de quem faz o que faz - jornalismo corporativo - enquanto nós duas, de gerações diferentes da Facom, falávamos sobre as mudanças dela. Por duas vezes, a moça pediu desculpas e nos interrompeu, dizendo que havia se identificado com as nossas histórias. Como mulher às vezes é um bicho graciosamente doido, acabamos trocando as três confidências. Eu me senti tão identificada com a experiência dela que tá difícil não chamá-la de Juliana, apesar de saber que o nome dela começa com uma das últimas letras do alfabeto. Foi aquela coisa, né: menina classe média baixa, mestiça, se mete na Facom, acha aquilo o inferno em vida, muita humilhação, mas pensa duas vezes porque já foi um feito e tanto chegar ali, segue em frente, quer sair o mais rápido possível dali, luta por cada oportunidade na vida profissional, cresce, mas, quando volta ao velho lugar de deslocamento, se sente indefesa de novo, novamente. Ela também estava se perguntando que cazzo fazia ali?
Bem, ao contrário de mim, ela se fez essa pergunta antes de entrar nessa barca. A análise dela, que vou levar pra vida, é que está voltando para o mesmo lugar, que pode, infelizmente, ainda continuar o mesmo lugar ruim, mas o caso é que ela mudou, evoluiu. E é nisso que pretende se segurar. Sim, que bom que a gente evolui (em alguns casos).
Decisão
Apesar de discordar aqui e acolá, eu gosto de ouvir as palestras de Medrado, da Cidade da Luz. Eu não devo ser lá muito inteligente pra vida, mas tento buscar orientação, rs.
Dia desses, ele palestrou sobre força de vontade. O argumento dele era muito bom - pelo menos eu penso assim, já que comprovei isso na prática esse ano: para ter força de vontade é preciso decidir.
Se você fica em dúvida, não vai conseguir ir em frente. Uma vez que você decide, a coisa anda. Pode até demorar a se concretizar, mas anda, se direciona.
Dois dias depois, li algo, no Insta, que achei interessante e dizia assim: "Equilíbrio é pensar com a emoção e sentir com a razão".
Para decidir, portanto, tem que haver um equilíbrio. Refletindo sobre algumas coisas que disse a uma amiga e que acredito que foram bons conselhos, me perguntei se o que eu disse foi oportuno. Sim, porque posso estar coberta de razão, mas se eu digo certas coisas a quem não está preparado pra digerir aquilo, em vez de ajudar, estou implantando mais elementos de angústia para a criatura. Melhor mesmo é deixar que cada um siga na sua, por mais que doa, às vezes, ver a pessoa indo ladeira abaixo. Vou procurar não ajudar quem não me busca. Essa é uma decisão e dificílima. Vamos ver se haverá força de vontade.
Dia desses, ele palestrou sobre força de vontade. O argumento dele era muito bom - pelo menos eu penso assim, já que comprovei isso na prática esse ano: para ter força de vontade é preciso decidir.
Se você fica em dúvida, não vai conseguir ir em frente. Uma vez que você decide, a coisa anda. Pode até demorar a se concretizar, mas anda, se direciona.
Dois dias depois, li algo, no Insta, que achei interessante e dizia assim: "Equilíbrio é pensar com a emoção e sentir com a razão".
Para decidir, portanto, tem que haver um equilíbrio. Refletindo sobre algumas coisas que disse a uma amiga e que acredito que foram bons conselhos, me perguntei se o que eu disse foi oportuno. Sim, porque posso estar coberta de razão, mas se eu digo certas coisas a quem não está preparado pra digerir aquilo, em vez de ajudar, estou implantando mais elementos de angústia para a criatura. Melhor mesmo é deixar que cada um siga na sua, por mais que doa, às vezes, ver a pessoa indo ladeira abaixo. Vou procurar não ajudar quem não me busca. Essa é uma decisão e dificílima. Vamos ver se haverá força de vontade.
Relacionamentos tóxicos
"E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó de vossos pés."
(Mateus 10: 14)
Como escrevo com pouca frequência ultimamente, nem lembro direito o que já falei aqui esse ano.
Eu contei que, com muito tempo livre para pensar, passei por uma revisão interna e tentei zerar questões que ainda estavam pendentes? Pois é, pelo sim, pelo não, deixarei pra lá essa história. Apenas é importante dizer (ou relembrar) que foi um completo fracasso. Tomei na cara em todas as tentativas. Antes tivesse ficado quieta no meu canto. Mentira. Foi decepcionante, mas foi ótimo para derrubar ilusões e me dar a real, uns insights significantes: quando um não quer, dois não se dão bem. Melhor deixar ir quem não faz e nunca fez esforço pra ficar. A vida é assim mesmo, cíclica e o natural é que o que já foi próximo um dia se afaste. Ah, se eu tivesse essa consciência há dez anos, vinte anos... Não tinha perdido tanto tempo, não tinha sofrido tanto, não tinha me prestado a ser saco de pancada de gente egoísta, não teria dito tantas coisas que não (me) fizeram bem e que, pior, não resolveram nada.
Eu comecei a ter amor próprio. Então, mesmo que alguém goste muito de mim, se essa pessoa não me trata bem, eu não sou ruim por ir embora. Essa sempre foi a minha maior dificuldade de sair de relacionamentos tóxicos (é perverso o modo como as meninas são criadas, forçadas a passar sempre por cima de si mesmas para satisfazer os outros). Meu maior compromisso é me proteger. Amar não pode ficar só na teoria - sim, pra quem não sabe, afeto abandonado à míngua morre de fome. Não, não. E eu sou uma pessoa muito da prática. Acho até que minha dificuldade em sair de Salvador é essa: amor, pra mim, é presença e a distância afasta mesmo, a não ser que os dois lados tenham amor pra valer e força de vontade. Eu preciso de interação, interesse. Meu afeto não se satisfaz com gente calada, ausente, não dura na unilateralidade. "All I want is a little reaction...".
Vendo TV agora, Dr. Oz discute relacionamentos tóxicos. Mãe que humilha a filha gorda, o marido que sabe que a mulher está doente, mas não ajuda no tratamento... Um horror! Eu acho que de certas mágoas não dá pra se recuperar. Quer dizer, até dá, o que não dá pra recuperar é o relacionamento. Esse nunca mais será o mesmo. Enfim, amar e não falar a mesma língua é muitíssimo complicado. Tem que ter química, não tem jeito.
Curioso que ontem eu assisti um filme muito bonitinho e que tratava desse tema: "As vantagens de ser invisível". Em determinado momento, o protagonista, um menino fofo e inocente apaixonado pela personagem de Emma Watson, pergunta ao professor por que gente legal namora gente ruim. O mestre responde: "Cada um tem o amor que pensa merecer". Bingo!
Deus me ajude a pensar direito.
(Mateus 10: 14)
Como escrevo com pouca frequência ultimamente, nem lembro direito o que já falei aqui esse ano.
Eu contei que, com muito tempo livre para pensar, passei por uma revisão interna e tentei zerar questões que ainda estavam pendentes? Pois é, pelo sim, pelo não, deixarei pra lá essa história. Apenas é importante dizer (ou relembrar) que foi um completo fracasso. Tomei na cara em todas as tentativas. Antes tivesse ficado quieta no meu canto. Mentira. Foi decepcionante, mas foi ótimo para derrubar ilusões e me dar a real, uns insights significantes: quando um não quer, dois não se dão bem. Melhor deixar ir quem não faz e nunca fez esforço pra ficar. A vida é assim mesmo, cíclica e o natural é que o que já foi próximo um dia se afaste. Ah, se eu tivesse essa consciência há dez anos, vinte anos... Não tinha perdido tanto tempo, não tinha sofrido tanto, não tinha me prestado a ser saco de pancada de gente egoísta, não teria dito tantas coisas que não (me) fizeram bem e que, pior, não resolveram nada.
Eu comecei a ter amor próprio. Então, mesmo que alguém goste muito de mim, se essa pessoa não me trata bem, eu não sou ruim por ir embora. Essa sempre foi a minha maior dificuldade de sair de relacionamentos tóxicos (é perverso o modo como as meninas são criadas, forçadas a passar sempre por cima de si mesmas para satisfazer os outros). Meu maior compromisso é me proteger. Amar não pode ficar só na teoria - sim, pra quem não sabe, afeto abandonado à míngua morre de fome. Não, não. E eu sou uma pessoa muito da prática. Acho até que minha dificuldade em sair de Salvador é essa: amor, pra mim, é presença e a distância afasta mesmo, a não ser que os dois lados tenham amor pra valer e força de vontade. Eu preciso de interação, interesse. Meu afeto não se satisfaz com gente calada, ausente, não dura na unilateralidade. "All I want is a little reaction...".
Vendo TV agora, Dr. Oz discute relacionamentos tóxicos. Mãe que humilha a filha gorda, o marido que sabe que a mulher está doente, mas não ajuda no tratamento... Um horror! Eu acho que de certas mágoas não dá pra se recuperar. Quer dizer, até dá, o que não dá pra recuperar é o relacionamento. Esse nunca mais será o mesmo. Enfim, amar e não falar a mesma língua é muitíssimo complicado. Tem que ter química, não tem jeito.
Curioso que ontem eu assisti um filme muito bonitinho e que tratava desse tema: "As vantagens de ser invisível". Em determinado momento, o protagonista, um menino fofo e inocente apaixonado pela personagem de Emma Watson, pergunta ao professor por que gente legal namora gente ruim. O mestre responde: "Cada um tem o amor que pensa merecer". Bingo!
Deus me ajude a pensar direito.
domingo, 20 de novembro de 2016
Confusão mental
Recebemos tantas informações hoje em dia que, pelo menos eu, confesso, não sei mais de nada. Tanta gente saindo do armário, tantas coisas saindo das sombras, que fica difícil organizar o pensamento, ponderar, garantir que está dando conta de todas as nuances. Às vezes nem quero saber de mais nada, de tanta coisa que já pede a minha atenção, por mais que eu reconheça que é tudo muito legítimo e necessário. Eu quero sossego. Quero não ser invadida, por mais bacana que seja o exército invasor. Tempos modernos.
Então, acontece que em meio a informações e militâncias, deixamos escapar coisas graves. Deixa eu me fazer entender. Uma vez, Fernanda Montenegro disse que via muita gente com problemas emocionais e até mentais ingressando no teatro pra tentar esconder esses problemas, já que na arte "tudo pode".
A mesma coisa eu acho que acontece nas formas "alternativas" de sexualidade (na verdade, em todas as formas). Olhem essa matéria: http://revistamarieclaire.globo.com/Web/noticia/2015/12/homem-transgenero-abandona-familia-e-passa-viver-como-uma-menina-de-seis-anos-de-idade.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post. O título diz: "Homem transgênero abandona família e passa a viver como uma menina de seis anos de idade". Não precisa ser psiquiatra pra saber que ele tem um problema psiquiátrico grave. Ele é um caso extremo, mas quando olho pra um Liniker, que tá todo mundo amando em alto grau, não vejo muito equilíbrio, não.
E é muito complicado falar disso, já que o movimento LGBTi historicamente luta para sair do estigma de doença, de perversão, que a sociedade cristã teima em lhe imputar. Então, essas questões vão sendo varridas para debaixo do tapete em nome de um bem maior. Será que isso vai dar problema? Olha, amigo, estamos em 2016 e eu não sei mais de nada.
A morte de Eduardo Martins
Faz três dias que eu soube da morte dele e uma pergunta não me sai da cabeça: como deve ser morrer? Confesso que isso meio que me apavora.
Eduardo foi meu colega em A TARDE. Colega mesmo, só saímos em pauta uma ou duas vezes, nunca tivemos muito contato. De longe, simpatizava com ele. Morreu jovem, 46 anos. Há uns dois, fiquei sabendo da doença. "Normal", já que meio mundo hoje em dia está tendo que lidar com o câncer. Muita gente, graças a Deus, sobrevive. Há cerca de um ano, o vi, magro pra caramba. Confesso que fiquei chocada, mas achava que era apenas uma fase ruim do tratamento. Ele morreu na quinta-feira. O que terá sentido? Ele teve tempo para digerir a ideia de que iria morrer? Pra onde foi?
Eu ando pensando muito no passado e no futuro. No que eu preciso fazer pra garantir uma boa experiência, se valeu a pena o que eu vivi até agora, que condições eu preciso pra envelhecer.
Vou te contar, nada de mais me aconteceu em 36 anos de vida: sem abuso sexual, sem fome, sem doenças, alguns bons amigos, dá pra comer pizza e comprar um livro, tudo na medida do razoável. Mas as dificuldades que atravessei pra chegar aonde cheguei, principalmente as relacionais-emocionais, me desgastaram muito, muito mesmo. O corpo está ok, mas a alma tá cansadíssima. Eu desconfio que muita gente, na mesma altura da vida que eu, também está cansada, mas como só sei mesmo de mim, confesso que já tá tudo muito repetitivo e desgastante até. Eu tô cansada de viver, mas não sei se quero morrer. Será que me mudar de Salvador resolveria? Não sei o que poderia melhorar isso. E não sei se isso acontecerá. A seguir cenas dos próximos capítulos.
Eduardo foi meu colega em A TARDE. Colega mesmo, só saímos em pauta uma ou duas vezes, nunca tivemos muito contato. De longe, simpatizava com ele. Morreu jovem, 46 anos. Há uns dois, fiquei sabendo da doença. "Normal", já que meio mundo hoje em dia está tendo que lidar com o câncer. Muita gente, graças a Deus, sobrevive. Há cerca de um ano, o vi, magro pra caramba. Confesso que fiquei chocada, mas achava que era apenas uma fase ruim do tratamento. Ele morreu na quinta-feira. O que terá sentido? Ele teve tempo para digerir a ideia de que iria morrer? Pra onde foi?
Eu ando pensando muito no passado e no futuro. No que eu preciso fazer pra garantir uma boa experiência, se valeu a pena o que eu vivi até agora, que condições eu preciso pra envelhecer.
Vou te contar, nada de mais me aconteceu em 36 anos de vida: sem abuso sexual, sem fome, sem doenças, alguns bons amigos, dá pra comer pizza e comprar um livro, tudo na medida do razoável. Mas as dificuldades que atravessei pra chegar aonde cheguei, principalmente as relacionais-emocionais, me desgastaram muito, muito mesmo. O corpo está ok, mas a alma tá cansadíssima. Eu desconfio que muita gente, na mesma altura da vida que eu, também está cansada, mas como só sei mesmo de mim, confesso que já tá tudo muito repetitivo e desgastante até. Eu tô cansada de viver, mas não sei se quero morrer. Será que me mudar de Salvador resolveria? Não sei o que poderia melhorar isso. E não sei se isso acontecerá. A seguir cenas dos próximos capítulos.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Os homens que não amavam as mulheres
Eu há muito tempo desenvolvi a convicção de que os homens héteros gostam de homens... héteros. Na verdade, ninguém gosta de mulher, embora todo mundo use e abuse delas, como fazem com a natureza (e somos natureza também porque damos a vida).
Eu sei: soa infantil, soa amargo. Mas, me explique, por que os homens preferem tanto a companhia de outros homens e se sentem rebaixados estando com a mulher? Qual é a grande dificuldade em assumir um relacionamento, de casar? Por que os "companheiros" nos matam tão facilmente? Por que nos desqualificam como quem bebe água? Por que os gays da moda matam o feminino no corpo feminino? Por que impõem um ideal de beleza inalcançável e doloroso? Por que o mercado de trabalho nos exige mais e nos paga 30% menos? Por que pagamos mais pelo que consumimos? Por que as mães são mais exigidas? Por que somos pessoas ruins apenas por questionar?
Nem as mulheres poupam outras mulheres. Não hesitamos em destilar julgamento, enquanto que para os homens somos só compreensão.
E seria tão fácil sair dessa. Bastaria apenas reconhecer no outro a dignidade que independe do sexo.
Eu sei: soa infantil, soa amargo. Mas, me explique, por que os homens preferem tanto a companhia de outros homens e se sentem rebaixados estando com a mulher? Qual é a grande dificuldade em assumir um relacionamento, de casar? Por que os "companheiros" nos matam tão facilmente? Por que nos desqualificam como quem bebe água? Por que os gays da moda matam o feminino no corpo feminino? Por que impõem um ideal de beleza inalcançável e doloroso? Por que o mercado de trabalho nos exige mais e nos paga 30% menos? Por que pagamos mais pelo que consumimos? Por que as mães são mais exigidas? Por que somos pessoas ruins apenas por questionar?
Nem as mulheres poupam outras mulheres. Não hesitamos em destilar julgamento, enquanto que para os homens somos só compreensão.
E seria tão fácil sair dessa. Bastaria apenas reconhecer no outro a dignidade que independe do sexo.
domingo, 13 de novembro de 2016
Café Society
Muita gente achou o último filme de Woody Allen aquém dos anteriores. Esse diretor, pra mim, é que nem chocolate: é bom mesmo quando não é o melhor. É um filme pra desiludir românticos. Avisei sobre isso a uma amiga que não está atravessando uma fase muito "auspiciosa" da vida amorosa.
Finalmente, ela o assistiu, mas não ficou batida com o final sem final; o que a incomodou foi que o casal não ficou junto. "Não ficamos com os amores das nossas vidas". Acho que não, também. Eles servem, na esmagadora maioria dos casos, como uma espécie de escola do amor. Mas a pessoa com quem você se casará dificilmente será a que mais lhe empolgou. Vai ser a pessoa mais adequada, na hora certa, aquela com quem conseguirá visualizar o dia a dia.
Fui pra casa pensando sobre o filme, sem ainda digeri-lo totalmente. Hoje, enfim, a ficha caiu. Além da questão dos encontros e desencontros, como diria o poetinha, e da aleatoriedade da vida, presente nos filmes do cineasta, o verdadeiro fator de desilusão em "Café Society" é jogar na nossa cara que as nossas escolhas amorosas são mais pragmáticas que românticas. Sonho bom é aquele que não se realiza, justamente porque poderá seguir sendo idealizado. Para o dia a dia, queremos quem mais nos convém. É dispensável explicar a escolha da personagem da Kristen Stewart (mulheres são mais pragmáticas que os homens, segundo o filme, porém, se considerarmos a época em que se desenrola, temos que levar em conta a vulnerabilidade da mulher na sociedade), mas, convenhamos, o de Jesse Eisenberg não precisava ter se casado, pelo menos não tão cedo. Ele não deixou escapar a mulher que lhe convinha muito bem, apesar de amar outra. Ninguém ali lutou por amor, certamente porque intuíam ou temiam que o sentimento especial que tinham poderia ir embora com a realidade. O que sentiam era fraco para fazê-los sair da zona de conforto e forte o suficiente para não ser esquecido. Tirando o cenário de glamour de Hollywood, quem já não viu esse filme?
Finalmente, ela o assistiu, mas não ficou batida com o final sem final; o que a incomodou foi que o casal não ficou junto. "Não ficamos com os amores das nossas vidas". Acho que não, também. Eles servem, na esmagadora maioria dos casos, como uma espécie de escola do amor. Mas a pessoa com quem você se casará dificilmente será a que mais lhe empolgou. Vai ser a pessoa mais adequada, na hora certa, aquela com quem conseguirá visualizar o dia a dia.
Fui pra casa pensando sobre o filme, sem ainda digeri-lo totalmente. Hoje, enfim, a ficha caiu. Além da questão dos encontros e desencontros, como diria o poetinha, e da aleatoriedade da vida, presente nos filmes do cineasta, o verdadeiro fator de desilusão em "Café Society" é jogar na nossa cara que as nossas escolhas amorosas são mais pragmáticas que românticas. Sonho bom é aquele que não se realiza, justamente porque poderá seguir sendo idealizado. Para o dia a dia, queremos quem mais nos convém. É dispensável explicar a escolha da personagem da Kristen Stewart (mulheres são mais pragmáticas que os homens, segundo o filme, porém, se considerarmos a época em que se desenrola, temos que levar em conta a vulnerabilidade da mulher na sociedade), mas, convenhamos, o de Jesse Eisenberg não precisava ter se casado, pelo menos não tão cedo. Ele não deixou escapar a mulher que lhe convinha muito bem, apesar de amar outra. Ninguém ali lutou por amor, certamente porque intuíam ou temiam que o sentimento especial que tinham poderia ir embora com a realidade. O que sentiam era fraco para fazê-los sair da zona de conforto e forte o suficiente para não ser esquecido. Tirando o cenário de glamour de Hollywood, quem já não viu esse filme?
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Nem vou posar de vítima das circunstâncias...
Não vou posar, aliás isso que vou comentar aqui é quase um segredo de estado, pois me gera vergonha, ou melhor, mais que isso uma frustração profunda. Mas às vezes todo ser humano acaba sendo vítima das circunstâncias: do país onde nasce, da família que o recebeu, da época em que nasceu, do corpo que recebeu. É difícil essa tarefa de herói do dia a dia. Super Man tinha super poderes, eu não.
O meu corpo, que é bom no geral, me "presenteou" com uma falta de energia, que faz a minha "pilha" acabar muito rapidamente. Eu consigo um bom desempenho quando estou descansada, mas canso rápido. Um turno de atividades já me deixa esgotada. E daí tenho que conviver, depois disso, com um desempenho meia boca. O corpo não corresponde ao espírito, que tem muita energia. Estou sempre cansada e isso é frustrante. E ainda há o estigma...
O meu corpo, que é bom no geral, me "presenteou" com uma falta de energia, que faz a minha "pilha" acabar muito rapidamente. Eu consigo um bom desempenho quando estou descansada, mas canso rápido. Um turno de atividades já me deixa esgotada. E daí tenho que conviver, depois disso, com um desempenho meia boca. O corpo não corresponde ao espírito, que tem muita energia. Estou sempre cansada e isso é frustrante. E ainda há o estigma...
Ônibus 174
Vi o documentário só agora, 14 anos depois, para uma disciplina da pós. O cara, Sandro, era um pobre coitado, sozinho pra caramba, desde os seis anos por conta própria, traumatizado pela morte violenta da mãe e que, diante das câmeras, desempenhou o papel que aprendeu ser reservado a "gente como ele".
Eu sou uma versão mais rica de Sandro, nós temos muito em comum e, olha, pensando bem, ter tido mais dinheiro me livrou foi de coisa.
Tenho tendências inclusivas na política porque tenho pena, porque tenho remorso (sou essa parte da sociedade) e porque tenho consciência de que estamos aqui para tudo e não gostaria de pensar que, em casos extremos, algum sobrinho-neto, sobrinho-bisneto possa sofrer o mesmo que Sandro. Tem que haver um mínimo de amparo para todos. Isso não é nem ser bom samaritano, porque não me acho tão nobre assim; é ser inteligente.
Eu sou uma versão mais rica de Sandro, nós temos muito em comum e, olha, pensando bem, ter tido mais dinheiro me livrou foi de coisa.
Tenho tendências inclusivas na política porque tenho pena, porque tenho remorso (sou essa parte da sociedade) e porque tenho consciência de que estamos aqui para tudo e não gostaria de pensar que, em casos extremos, algum sobrinho-neto, sobrinho-bisneto possa sofrer o mesmo que Sandro. Tem que haver um mínimo de amparo para todos. Isso não é nem ser bom samaritano, porque não me acho tão nobre assim; é ser inteligente.
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Olhando pelo retrovisor
Se tem algo positivo nesse momento político que estamos vivendo é a possibilidade de repensar antigas certezas e atitudes. Quanta coisa, hoje, o PT está vivendo e quis impor aos seus adversários políticos (não podemos comparar, lógico, o poder para esse tipo de manobra que direita e esquerda possuem)? Quantas atitudes equivocadas ou violentas? Mas a gente só tem noção disso vendo a coisa vindo contra o partido que a gente discorda menos ("preferir" ou "gostar" são verbos muitos fortes para os tempos atuais no país), até porque, mesmo sendo vítima de exageros da esquerda, a direita sempre foi canalha, portanto se os meios foram questionáveis, os fins, sem dúvida, eram legítimos.
Às vezes eu mesma duvido de minhas convicções sobre Lava-Jato, PT e etc. Mas uma certeza não cai, infelizmente, porque isso me gera raiva e frustração: quem está do lado CBF da força não quer um projeto de inclusão. Portanto, sinto muito, não dá pra ficar do lado dessa gente. Canalhice tem limites.
Às vezes eu mesma duvido de minhas convicções sobre Lava-Jato, PT e etc. Mas uma certeza não cai, infelizmente, porque isso me gera raiva e frustração: quem está do lado CBF da força não quer um projeto de inclusão. Portanto, sinto muito, não dá pra ficar do lado dessa gente. Canalhice tem limites.
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Parceria forte na vida
Estou assistindo agora, na televisão, um documentário sobre a trajetória de Hillary Clinton. Todo mundo sabe o que ela passou no casamento, sendo publicamente vista como a esposa traída do presidente, e não se separou. A biografia deixa bem claro que ali há amor: não do tipo romântico, eu acredito, e há "amor ao poder", que a gente bem sabe, mas o que existe ali é admiração mútua. Quando é assim, é difícil deixar para trás. Porque ela ganharia moral com o público se o deixasse, mas preferiu mantê-lo por perto. Rola uma certa sapiossexualidade ali, de fato. Grande encontro, sem dúvida. Invejei.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Aquarius
Ontem finalmente assisti "Aquarius". Gostei! Kleber Mendonça Filho está fazendo o que imagino que será uma trilogia interessante sobre a classe média. Diz um amigo meu que, na verdade, se trata de um movimento do cinema pernambucano esse de colocar um olhar crítico em cima da classe média, essa Blue Jasmine do Brasil.
Quem lê isso aqui já viu o filme, imagino, portanto não vale a pena resumir a história. Ao contrário do primeiro filme do diretor, "O Som ao Redor", "Aquarius" não fala da violência da classe média no trato com a classe pobre (embora pincele esse assunto, como comentarei a seguir), mas avisa à classe média que ao contrário do que ela imagina não é o pobre - a quem também maltrata - que a ameaça, mas o grande capital, personificado, na história, na empreiteira Bonfim, que foi claramente inspirada na pernambucana Moura Dubeux, autora do projeto de "requalificação" do cais da cidade de Recife. São aqueles que a classe média considera "homens de bem", que são seus modelos de sucesso, que podem realmente destruí-la. Um amigo ficou muito incomodado com essa abordagem centrada na classe média (o que faz o filme, por vezes, lembrar as novelas de Manoel Carlos, embora, claro, contenha um nível de crítica a esse estilo de vida que o homem do Leblon nunca seria capaz de ter). Mas Mendonça Filho fez filmes conectados com as urgências de suas épocas. "O Som ao Redor", como foi dito, discute a violência da classe média, em um momento do Brasil em que claramente essa esfera da sociedade se encontrava incomodada com a ascensão dos mais pobres. Mas agora o que está em jogo é a tomada do país pelo "andar de cima" sem que uma parte considerável da classe média se dê conta - pelo contrário, essa gente ainda acha que isso faz o país andar para frente e que tem algum poder de decisão quando não o tem de fato.
Desconstruindo Clara
Mas meu amigo tem razão de estar chateado. A classe média, mesmo a mais "engajada", provavelmente sai do cinema achando que Clara é uma heroína, quando na verdade ela é uma pessoa iludida. Sim, ela se importa em agir bem, com integridade, mas o comportamento dela apresenta falhas que são as de todos nós, na verdade, e por isso acho que será difícil que a maioria dos espectadores se dê conta do que está sendo criticado ali, a hipocrisia diária da sua classe social, a ilusão dela de que apita nesse jogo produzida por uma vida desfrutada em uma redoma.
Para começar, a personagem de Sônia Braga é uma pessoa que tem direito à subjetividade, ao contrário da sua empregada, que tem a mesma idade e sofreu uma grande dor, a morte do filho, mas precisa continuar trabalhando, seguindo em frente como se nada tivesse acontecido, sem direito a banho de mar e yoga pra relaxar. Clara lida com a "solidão com vista pro mar". A empregada lida com as asperezas do dia a dia, como a violência no trânsito que vitimou seu único filho e a necessidade diária de lutar pela sobrevivência.
Clara e sua geração de amigas, todas mulheres muito bem sucedidas, têm a independência bancada por essas mulheres da classe baixa. A patroa vive uma falsa aproximação com a empregada, que só acontece segundo a vontade da primeira. Ela é, como os melhores exemplares de nós, pessoas de classe média, gentil: leva bolo pro porteiro, frequenta a festa na casa da empregada. Mas quando é, mesmo, que as duas almoçam juntas na mesa, com a família da patroa? Isso tudo que a gente faz, no máximo, traduz educação, mas nunca inclusão. Nada mais hipócrita do que dizer que os empregados são "da família".
Apesar de muito gentil, a jornalista, em determinado momento do filme, mostra rancor de uma ex-empregada, que furtou joias de sua família. É maravilhosa a intervenção da cunhada: "É, a gente explora elas e elas roubam a gente", lembrando que o abuso é bilateral. É representativo, aliás, que ao ter uma intuição de que está em perigo, isso aconteça através de um sonho com essa ex-empregada, que ao roubar as joias dela a avisa que está sangrando. A doméstica, na mente de Clara, representa sua ideia de ameaça e é justamente ela que resume o recado deixado pelo diretor. O aviso dado por ela no sonho de Clara é como se ela quisesse dizer: "Eu não sou uma ameaça para você, como imagina. A ameaça não vem "de baixo", como você pensa, "mas de cima", de gente que está te sangrando sem que você perceba".
Clara, como boa parte da sua classe, age o filme inteiro partindo do pressuposto de que "tem direitos", ignorando o porte do seu inimigo na história: a empreiteira, importante anunciante da imprensa local e detentora de um robusto departamento jurídico. A personagem age baseada numa ilusão. A meu ver, os verdadeiros heróis são os dois ex-funcionários da empreiteira, que se arriscam para fazer o que é certo - aqueles dois, sim, sabiam o que estava acontecendo.
Dinheiro e Medo
"Aquarius" fala de uma classe média que só é movida por duas coisas: medo e dinheiro. Qualquer coisa que não tenha cunho pragmático é rechaçada por essas pessoas. Quem cultiva ideais, quem pensa diferente, ganha o rótulo de louco.
Todos os personagens ao redor de Clara, da filha dela ao filho do vizinho, só sabem abordar a venda do apartamento por esses dois ângulos. Ninguém se atreve a abrir um terceiro, mais humano: é onde ela, uma senhora de meia idade, ainda se sente acolhida e construiu a vida dela. Os afetos, o eu, também importam, mas quase todo mundo ao redor da personagem parece desconhecer isso.
O conhecimento tão pouco tem valor. Durante a discussão com a filha, Clara é lembrada de que não contribuiu para o patrimônio da família, que sua atividade intelectual de jornalista e escritora não rende dinheiro. O grande legado dos pais, para a filha da protagonista, foram os cinco apartamentos. A produção cultural da mãe não lhe diz nada.
Minorias
Nessa cena, a filha também joga na cara de Clara sua ausência por dois anos (coisa que certamente ela não faria caso tivesse ocorrido com o pai), mostrando a cobrança que se tem em cima do papel da mãe. A própria filha cria o filho praticamente sozinha após a separação e evidencia, em uma de suas falas, que o pai se ausentou da vida do filho desde então. Mas nem isso a faz ser solidária à mãe, enquanto mulheres. Outro diálogo com os filhos, dessa vez com o filho gay, toca nessa questão das minorias: ela, enquanto mulher e idosa, pede a ele, que sabe o que é ser julgado por ser diferente, a compreenda, que não a considere uma louca por pensar diferente da maioria.
Clara, sua beleza, sua idade e seu mutilamento proveniente de um câncer levantam questões sobre o ser mulher em uma sociedade machista, na qual é sempre vista como objeto, como corpo. Ela é uma mulher bem cuidada e por isso ainda atrai olhares, mas mesmo quando se relaciona com um homem equivalente em idade, status social e status civil, pode ser descartada por não ter um dos seios inteiros. Ela range os dentes, em outra sequência, quando é elogiada pelo ex-trabalhador da construtora, que ressalta a sua beleza, numa mistura de incômodo pela invasão e de medo, porque afinal trata-se de um homem bêbado e qualquer mulher sabe a ameaça que isso significa.
Em diversos momentos, inclusive ao falar de tia Laura, mulher que nasceu no início do século 20, o diretor nos lembra de que idosos e idosas já tiveram uma vida sexual ativa, que já amaram e ainda pensam e querem isso. A geração de Laura não tinha acesso a "liberdades" como o sexo pago na terceira idade, coisa já possível para a geração de idosas de Clara, na qual algumas mulheres, inclusive, já lidam bem com isso, pois são, inclusive, economicamente independentes, profissionais capazes, enfim, sujeitos de fato. Por esse prisma, o filme é um bálsamo por retirar um pouco do peso da velhice, etapa dos medos (da solidão, da pobreza, da doença, do preconceito), de quem está concluindo a primeira fase da vida e se despedindo da juventude, como eu, mostrando que ainda pode haver pulso de vida em qualquer etapa dela.
Por último, mas não menos importante, uma personagem aparece amamentando o bebê dela durante uma boa parte do filme, numa evidente defesa da liberdade de exposição do seio que, ao contrário do que prega a nossa cultura, não é só um objeto erótico, mas algo que serve para nutrir e que portanto é natural.
Mas tudo isso só será visível ao entendedores, aos já integrados a esse discurso. Para a maioria, "Aquarius" vai parecer apenas o filme de uma senhora que teima em não sair de sua casa.
Quem lê isso aqui já viu o filme, imagino, portanto não vale a pena resumir a história. Ao contrário do primeiro filme do diretor, "O Som ao Redor", "Aquarius" não fala da violência da classe média no trato com a classe pobre (embora pincele esse assunto, como comentarei a seguir), mas avisa à classe média que ao contrário do que ela imagina não é o pobre - a quem também maltrata - que a ameaça, mas o grande capital, personificado, na história, na empreiteira Bonfim, que foi claramente inspirada na pernambucana Moura Dubeux, autora do projeto de "requalificação" do cais da cidade de Recife. São aqueles que a classe média considera "homens de bem", que são seus modelos de sucesso, que podem realmente destruí-la. Um amigo ficou muito incomodado com essa abordagem centrada na classe média (o que faz o filme, por vezes, lembrar as novelas de Manoel Carlos, embora, claro, contenha um nível de crítica a esse estilo de vida que o homem do Leblon nunca seria capaz de ter). Mas Mendonça Filho fez filmes conectados com as urgências de suas épocas. "O Som ao Redor", como foi dito, discute a violência da classe média, em um momento do Brasil em que claramente essa esfera da sociedade se encontrava incomodada com a ascensão dos mais pobres. Mas agora o que está em jogo é a tomada do país pelo "andar de cima" sem que uma parte considerável da classe média se dê conta - pelo contrário, essa gente ainda acha que isso faz o país andar para frente e que tem algum poder de decisão quando não o tem de fato.
Desconstruindo Clara
Mas meu amigo tem razão de estar chateado. A classe média, mesmo a mais "engajada", provavelmente sai do cinema achando que Clara é uma heroína, quando na verdade ela é uma pessoa iludida. Sim, ela se importa em agir bem, com integridade, mas o comportamento dela apresenta falhas que são as de todos nós, na verdade, e por isso acho que será difícil que a maioria dos espectadores se dê conta do que está sendo criticado ali, a hipocrisia diária da sua classe social, a ilusão dela de que apita nesse jogo produzida por uma vida desfrutada em uma redoma.
Para começar, a personagem de Sônia Braga é uma pessoa que tem direito à subjetividade, ao contrário da sua empregada, que tem a mesma idade e sofreu uma grande dor, a morte do filho, mas precisa continuar trabalhando, seguindo em frente como se nada tivesse acontecido, sem direito a banho de mar e yoga pra relaxar. Clara lida com a "solidão com vista pro mar". A empregada lida com as asperezas do dia a dia, como a violência no trânsito que vitimou seu único filho e a necessidade diária de lutar pela sobrevivência.
Clara e sua geração de amigas, todas mulheres muito bem sucedidas, têm a independência bancada por essas mulheres da classe baixa. A patroa vive uma falsa aproximação com a empregada, que só acontece segundo a vontade da primeira. Ela é, como os melhores exemplares de nós, pessoas de classe média, gentil: leva bolo pro porteiro, frequenta a festa na casa da empregada. Mas quando é, mesmo, que as duas almoçam juntas na mesa, com a família da patroa? Isso tudo que a gente faz, no máximo, traduz educação, mas nunca inclusão. Nada mais hipócrita do que dizer que os empregados são "da família".
Apesar de muito gentil, a jornalista, em determinado momento do filme, mostra rancor de uma ex-empregada, que furtou joias de sua família. É maravilhosa a intervenção da cunhada: "É, a gente explora elas e elas roubam a gente", lembrando que o abuso é bilateral. É representativo, aliás, que ao ter uma intuição de que está em perigo, isso aconteça através de um sonho com essa ex-empregada, que ao roubar as joias dela a avisa que está sangrando. A doméstica, na mente de Clara, representa sua ideia de ameaça e é justamente ela que resume o recado deixado pelo diretor. O aviso dado por ela no sonho de Clara é como se ela quisesse dizer: "Eu não sou uma ameaça para você, como imagina. A ameaça não vem "de baixo", como você pensa, "mas de cima", de gente que está te sangrando sem que você perceba".
Clara, como boa parte da sua classe, age o filme inteiro partindo do pressuposto de que "tem direitos", ignorando o porte do seu inimigo na história: a empreiteira, importante anunciante da imprensa local e detentora de um robusto departamento jurídico. A personagem age baseada numa ilusão. A meu ver, os verdadeiros heróis são os dois ex-funcionários da empreiteira, que se arriscam para fazer o que é certo - aqueles dois, sim, sabiam o que estava acontecendo.
Dinheiro e Medo
"Aquarius" fala de uma classe média que só é movida por duas coisas: medo e dinheiro. Qualquer coisa que não tenha cunho pragmático é rechaçada por essas pessoas. Quem cultiva ideais, quem pensa diferente, ganha o rótulo de louco.
Todos os personagens ao redor de Clara, da filha dela ao filho do vizinho, só sabem abordar a venda do apartamento por esses dois ângulos. Ninguém se atreve a abrir um terceiro, mais humano: é onde ela, uma senhora de meia idade, ainda se sente acolhida e construiu a vida dela. Os afetos, o eu, também importam, mas quase todo mundo ao redor da personagem parece desconhecer isso.
O conhecimento tão pouco tem valor. Durante a discussão com a filha, Clara é lembrada de que não contribuiu para o patrimônio da família, que sua atividade intelectual de jornalista e escritora não rende dinheiro. O grande legado dos pais, para a filha da protagonista, foram os cinco apartamentos. A produção cultural da mãe não lhe diz nada.
Minorias
Nessa cena, a filha também joga na cara de Clara sua ausência por dois anos (coisa que certamente ela não faria caso tivesse ocorrido com o pai), mostrando a cobrança que se tem em cima do papel da mãe. A própria filha cria o filho praticamente sozinha após a separação e evidencia, em uma de suas falas, que o pai se ausentou da vida do filho desde então. Mas nem isso a faz ser solidária à mãe, enquanto mulheres. Outro diálogo com os filhos, dessa vez com o filho gay, toca nessa questão das minorias: ela, enquanto mulher e idosa, pede a ele, que sabe o que é ser julgado por ser diferente, a compreenda, que não a considere uma louca por pensar diferente da maioria.
Clara, sua beleza, sua idade e seu mutilamento proveniente de um câncer levantam questões sobre o ser mulher em uma sociedade machista, na qual é sempre vista como objeto, como corpo. Ela é uma mulher bem cuidada e por isso ainda atrai olhares, mas mesmo quando se relaciona com um homem equivalente em idade, status social e status civil, pode ser descartada por não ter um dos seios inteiros. Ela range os dentes, em outra sequência, quando é elogiada pelo ex-trabalhador da construtora, que ressalta a sua beleza, numa mistura de incômodo pela invasão e de medo, porque afinal trata-se de um homem bêbado e qualquer mulher sabe a ameaça que isso significa.
Em diversos momentos, inclusive ao falar de tia Laura, mulher que nasceu no início do século 20, o diretor nos lembra de que idosos e idosas já tiveram uma vida sexual ativa, que já amaram e ainda pensam e querem isso. A geração de Laura não tinha acesso a "liberdades" como o sexo pago na terceira idade, coisa já possível para a geração de idosas de Clara, na qual algumas mulheres, inclusive, já lidam bem com isso, pois são, inclusive, economicamente independentes, profissionais capazes, enfim, sujeitos de fato. Por esse prisma, o filme é um bálsamo por retirar um pouco do peso da velhice, etapa dos medos (da solidão, da pobreza, da doença, do preconceito), de quem está concluindo a primeira fase da vida e se despedindo da juventude, como eu, mostrando que ainda pode haver pulso de vida em qualquer etapa dela.
Por último, mas não menos importante, uma personagem aparece amamentando o bebê dela durante uma boa parte do filme, numa evidente defesa da liberdade de exposição do seio que, ao contrário do que prega a nossa cultura, não é só um objeto erótico, mas algo que serve para nutrir e que portanto é natural.
Mas tudo isso só será visível ao entendedores, aos já integrados a esse discurso. Para a maioria, "Aquarius" vai parecer apenas o filme de uma senhora que teima em não sair de sua casa.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Meus amigos gays arruinaram minha vida amorosa
Ok, eu sou lerda, eu idealizo, eu tenho um karma amoroso, mas a culpa não é só minha. Meus amigos gays também têm culpa no cartório. Por causa deles, eu quero um homem que goste de mulher, que seja meu amigo. O que vejo, na maioria das vezes, é que os homens heteros são amigos apenas de outros homens heteros. As mulheres ficam apenas com o desejo, que deriva de uma certa ideia de inferioridade.
Perto dos meus amigos gays, os homens heteros perdem a graça. Eles são bem humorados, eles são cultos, eles nos escutam, eles são mais humanos. Se permitem com mais facilidade serem humanos. Atacados, reconhecem esse lado que é abafado na criação dos meninos heterossexuais, inegavelmente.
Os homens gays chegam mais facilmente uns nos outros. É um mundo mais carente, diz uma amiga minha, não exatamente mais apaixonado. Penso que ao menos eles se arriscam mais: se entregam, se dão mal e se curam, seguem em frente. Eles não tratam seus namorados como uma posse, como se eles estivessem sempre prontos a trair. Cenas de ciúmes são raras. Eles não têm preconceito com os filmes de Almodóvar, muito pelo contrário. Homem hétero não vai pro cinema ver Almodóvar. E os gays ainda sabem cozinhar.
Não que todos sejam assim. Há gays de baixo nível, que só sabem falar de cu e pica, aliás, como vários homens que enxergam no sexo apenas o toque das genitálias. Os que eu conheço não são assim. Queria ao menos ver um nicho hétero que também fosse assim. Até agora, não tenho tido muita sorte.
Perto dos meus amigos gays, os homens heteros perdem a graça. Eles são bem humorados, eles são cultos, eles nos escutam, eles são mais humanos. Se permitem com mais facilidade serem humanos. Atacados, reconhecem esse lado que é abafado na criação dos meninos heterossexuais, inegavelmente.
Os homens gays chegam mais facilmente uns nos outros. É um mundo mais carente, diz uma amiga minha, não exatamente mais apaixonado. Penso que ao menos eles se arriscam mais: se entregam, se dão mal e se curam, seguem em frente. Eles não tratam seus namorados como uma posse, como se eles estivessem sempre prontos a trair. Cenas de ciúmes são raras. Eles não têm preconceito com os filmes de Almodóvar, muito pelo contrário. Homem hétero não vai pro cinema ver Almodóvar. E os gays ainda sabem cozinhar.
Não que todos sejam assim. Há gays de baixo nível, que só sabem falar de cu e pica, aliás, como vários homens que enxergam no sexo apenas o toque das genitálias. Os que eu conheço não são assim. Queria ao menos ver um nicho hétero que também fosse assim. Até agora, não tenho tido muita sorte.
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Uma questão de proporção
Primeiramente, fora Temer!!!
Segundamente, leiam esse texto da Juliana Cunha:
http://contente.vc/blog/a-internet-que-a-gente-quer-juliana-cunha/
Terceiramente, vejam essa palestra do TED Talks, "Como um tuíte pode arruinar a sua vida": https://www.youtube.com/watch?v=wAIP6fI0NAI&feature=share
Segundamente, leiam esse texto da Juliana Cunha:
http://contente.vc/blog/a-internet-que-a-gente-quer-juliana-cunha/
Terceiramente, vejam essa palestra do TED Talks, "Como um tuíte pode arruinar a sua vida": https://www.youtube.com/watch?v=wAIP6fI0NAI&feature=share
Visto tudo isso, acho que podemos falar sobre as reações desproporcionais diante de postagens nas redes sociais. Hoje, Juliana Cunha (a blogueira) enfrentou toda a fúria de algumas meninas do movimento feminista negro contra um post dela em que dizia ser ridículo dar tanto peso e profundidade à traição do Usain Bolt. Não dá pra reproduzir aqui o que Juliana disse porque eu acho que a coisa foi tão longe que ela o apagou. As moças argumentaram que o que ele fez feriu sua companheira, uma mulher negra, que o homem negro maltrata a mulher negra e isso tudo é a confluência de machismo e racismo em nossa sociedade e por aí foi a discussão.
Eu cheguei a um nível tal com essas discussões ideológicas nas redes sociais, que eu já simplifico assumindo que tá todo mundo certo - na maioria das vezes é por aí. Nesse caso mesmo, acho que as meninas têm razão quando pontuam que atitudes individuais também são políticas. Mas concordo com Juliana quando afirma que dar uma grande dimensão a uma traição beira o ridículo. Eu, do meu ponto de vista, acho que a medida certa seria problematizar o comportamento do atleta mas sem demonizá-lo. Trair a namorada não é o mesmo que estuprar criancinhas, então não reaja como se fosse a pior coisa do mundo... E é aí que eu acho que o caldo entorna: geralmente esse tipo de fúria tem mais a ver com uma catarse pessoal de quem brada do que com visões meramente políticas/ideológicas. Eu bem entendo essas dores, acredite, mas vamos combinar que o mundo não tem que pagar por danos individuais. (Eu já contei aqui do dia em que me acabei de chorar por causa de uma informação que recebi sobre uma amiga, da minha idade, que enfrentava um câncer metastático? Pois bem, eu, que não choro, me acabei em lágrimas, tanto que fiquei preocupada em como chegaria no trabalho. Por mais que eu goste dela, não foi só por ela que chorei: sofri ao constatar a minha própria vulnerabilidade e mortalidade. Se a morte está para ela, também está para mim, entende?)
Quando tudo é importante, nada se torna importante. As discussões ideológicas estão perdendo o senso de proporcionalidade. E o pior, como as reações são de galera, periga quem exagera nunca descobrir que está agindo como insano, além do que qualquer senso de justiça "autorizaria". Sim, porque o que é certo, se passar do ponto, vira errado. Torna-se uma violência ao próximo até pior. E, afinal, não é por isso que estamos brigando? Por respeito e justiça?
A palestra que indiquei mais acima fala exatamente disso, de como estamos utilizando deslizes de pessoas comuns, que poderiam ser nossos vizinhos ou inclusive nós mesmos, para despejarmos a nossa fúria. Acontece que essas pessoas têm as vidas destruídas. E são pessoas, antes de tudo e boas pessoas, em boa parte dos casos. É importante lembrar que gente legal, decente, também faz coisas idiotas, equivocadas. Vale destacar que o politicamente correto é uma meta e não uma espécie de palmatória; vai levar tempo até todo mundo internalizá-lo. É importante lembrar que a verdade tem vários lados. É crucial dar a devida proporção às coisas. Não há sustentabilidade para uma vida à flor da pele. Olho por olho e vamos acabar realmente cegos, como diz o chavão.
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
A vida é tão rara
Quem me conhece mais intimamente sabe que meu "medo de estimação" é da pobreza. Enfim, pelo meu histórico familiar, por ter tido um pai que nos tratava como gado, sem qualquer apoio ao nosso crescimento ou respeito às nossas subjetividades, sempre soube que dinheiro é liberdade. Não tê-lo é estar nas mãos dos outros, dependendo da bondade de estranhos, como disse Blanche, ou pior, de conhecidos que podem te humilhar muito por causa disso. Não quero. Só vou descansar em paz quando atingir a minha tão sonhada estabilidade financeira.
Mas, durante essa jornada, descobri que há um medo que devemos ter: a falta de paixão. Por trás de todas as histórias de gente excepcional há ela. Mandela não aguentou 27 anos na prisão à toa. Nossos atletas, de origem bem pobre, não chegaram às medalhas olímpicas à toa. Eu só quero que meus sobrinhos tenham ética e uma paixão, que sejam movidos por alguma coisa nessa vida, nem que seja um time de futebol ou tocar violão.
Eu, aos poucos, estou tentando aflorar as minhas.
Mas, durante essa jornada, descobri que há um medo que devemos ter: a falta de paixão. Por trás de todas as histórias de gente excepcional há ela. Mandela não aguentou 27 anos na prisão à toa. Nossos atletas, de origem bem pobre, não chegaram às medalhas olímpicas à toa. Eu só quero que meus sobrinhos tenham ética e uma paixão, que sejam movidos por alguma coisa nessa vida, nem que seja um time de futebol ou tocar violão.
Eu, aos poucos, estou tentando aflorar as minhas.
domingo, 21 de agosto de 2016
The way you make me feel...
Não importa as qualidades de uma pessoa, importa como ela faz você se sentir. Se ela desperta o melhor em você, tá valendo. Se não, manda vazar.
Esse pensamento é da Marta, ela mesma, a cronista, que mais uma vez conseguiu resumir o que eu sentia e não conseguia entender.
É tão simples... Como não pensei isso antes? Já me torturei muito na vida temendo estar sendo injusta ao querer me sair de gente que não me fazia bem, que não me tratava bem, apesar do afeto, apesar das qualidades da pessoa. É isso: qualidades e defeitos todos terão. Temos que selecionar, pra perto, aqueles que despertam o melhor de nós. Não há tempo para perder com quem só te joga para baixo. Não mesmo. Hoje eu vejo isso.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Aleatória, ridícula e, às vezes, maravilhosa
Assim é a vida, segundo Woody Allen e Nelson Rodrigues, dois pessimistas românticos que o mundo da cultura nos apresentou.
Somos risíveis vistos de perto. E somos porque, basicamente, tentamos o tempo todo controlar o incontrolável, às vezes brincando de Deus, em outras completamente desesperados. Mas apesar de todo esse caos, de vez em quando as coisas dão certo pra gente, ainda que não faça sentido algum o caminho percorrido.
Allen e Rodrigues são donos de uma lucidez incomum. Quando se chega a esse nível de percepção da vida, só o amor - e na maioria das vezes o humor - salva.
Somos risíveis vistos de perto. E somos porque, basicamente, tentamos o tempo todo controlar o incontrolável, às vezes brincando de Deus, em outras completamente desesperados. Mas apesar de todo esse caos, de vez em quando as coisas dão certo pra gente, ainda que não faça sentido algum o caminho percorrido.
Allen e Rodrigues são donos de uma lucidez incomum. Quando se chega a esse nível de percepção da vida, só o amor - e na maioria das vezes o humor - salva.
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