quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Uma questão de proporção

Primeiramente, fora Temer!!!
Segundamente, leiam esse texto da Juliana Cunha:
http://contente.vc/blog/a-internet-que-a-gente-quer-juliana-cunha/
Terceiramente, vejam essa palestra do TED Talks, "Como um tuíte pode arruinar a sua vida": https://www.youtube.com/watch?v=wAIP6fI0NAI&feature=share

Visto tudo isso, acho que podemos falar sobre as reações desproporcionais diante de postagens nas redes sociais. Hoje, Juliana Cunha (a blogueira) enfrentou toda a fúria de algumas meninas do movimento feminista negro contra um post dela em que dizia ser ridículo dar tanto peso e profundidade à traição do Usain Bolt. Não dá pra reproduzir aqui o que Juliana disse porque eu acho que a coisa foi tão longe que ela o apagou. As moças argumentaram que o que ele fez feriu sua companheira, uma mulher negra, que o homem negro maltrata a mulher negra e isso tudo é a confluência de machismo e racismo em nossa sociedade e por aí foi a discussão. 
Eu cheguei a um nível tal com essas discussões ideológicas nas redes sociais, que eu já simplifico assumindo que tá todo mundo certo - na maioria das vezes é por aí. Nesse caso mesmo, acho que as meninas têm razão quando pontuam que atitudes individuais também são políticas. Mas concordo com Juliana quando afirma que dar uma grande dimensão a uma traição beira o ridículo. Eu, do meu ponto de vista, acho que a medida certa seria problematizar o comportamento do atleta mas sem demonizá-lo. Trair a namorada não é o mesmo que estuprar criancinhas, então não reaja como se fosse a pior coisa do mundo... E é aí que eu acho que o caldo entorna: geralmente esse tipo de fúria tem mais a ver com uma catarse pessoal de quem brada do que com visões meramente políticas/ideológicas. Eu bem entendo essas dores, acredite, mas vamos combinar que o mundo não tem que pagar por danos individuais. (Eu já contei aqui do dia em que me acabei de chorar por causa de uma informação que recebi sobre uma amiga, da minha idade, que enfrentava um câncer metastático? Pois bem, eu, que não choro, me acabei em lágrimas, tanto que fiquei preocupada em como chegaria no trabalho. Por mais que eu goste dela, não foi só por ela que chorei: sofri ao constatar a minha própria vulnerabilidade e mortalidade. Se a morte está para ela, também está para mim, entende?)
Quando tudo é importante, nada se torna importante. As discussões ideológicas estão perdendo o senso de proporcionalidade. E o pior, como as reações são de galera, periga quem exagera nunca descobrir que está agindo como insano, além do que qualquer senso de justiça "autorizaria". Sim, porque o que é certo, se passar do ponto, vira errado. Torna-se uma violência ao próximo até pior. E, afinal, não é por isso que estamos brigando? Por respeito e justiça?
A palestra que indiquei mais acima fala exatamente disso, de como estamos utilizando deslizes de pessoas comuns, que poderiam ser nossos vizinhos ou inclusive nós mesmos, para despejarmos a nossa fúria. Acontece que essas pessoas têm as vidas destruídas. E são pessoas, antes de tudo e boas pessoas, em boa parte dos casos. É importante lembrar que gente legal, decente, também faz coisas idiotas, equivocadas. Vale destacar que o politicamente correto é uma meta e não uma espécie de palmatória; vai levar tempo até todo mundo internalizá-lo. É importante lembrar que a verdade tem vários lados. É crucial dar a devida proporção às coisas. Não há sustentabilidade para uma vida à flor da pele. Olho por olho e vamos acabar realmente cegos, como diz o chavão.

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