"E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó de vossos pés."
(Mateus 10: 14)
Como escrevo com pouca frequência ultimamente, nem lembro direito o que já falei aqui esse ano.
Eu contei que, com muito tempo livre para pensar, passei por uma revisão interna e tentei zerar questões que ainda estavam pendentes? Pois é, pelo sim, pelo não, deixarei pra lá essa história. Apenas é importante dizer (ou relembrar) que foi um completo fracasso. Tomei na cara em todas as tentativas. Antes tivesse ficado quieta no meu canto. Mentira. Foi decepcionante, mas foi ótimo para derrubar ilusões e me dar a real, uns insights significantes: quando um não quer, dois não se dão bem. Melhor deixar ir quem não faz e nunca fez esforço pra ficar. A vida é assim mesmo, cíclica e o natural é que o que já foi próximo um dia se afaste. Ah, se eu tivesse essa consciência há dez anos, vinte anos... Não tinha perdido tanto tempo, não tinha sofrido tanto, não tinha me prestado a ser saco de pancada de gente egoísta, não teria dito tantas coisas que não (me) fizeram bem e que, pior, não resolveram nada.
Eu comecei a ter amor próprio. Então, mesmo que alguém goste muito de mim, se essa pessoa não me trata bem, eu não sou ruim por ir embora. Essa sempre foi a minha maior dificuldade de sair de relacionamentos tóxicos (é perverso o modo como as meninas são criadas, forçadas a passar sempre por cima de si mesmas para satisfazer os outros). Meu maior compromisso é me proteger. Amar não pode ficar só na teoria - sim, pra quem não sabe, afeto abandonado à míngua morre de fome. Não, não. E eu sou uma pessoa muito da prática. Acho até que minha dificuldade em sair de Salvador é essa: amor, pra mim, é presença e a distância afasta mesmo, a não ser que os dois lados tenham amor pra valer e força de vontade. Eu preciso de interação, interesse. Meu afeto não se satisfaz com gente calada, ausente, não dura na unilateralidade. "All I want is a little reaction...".
Vendo TV agora, Dr. Oz discute relacionamentos tóxicos. Mãe que humilha a filha gorda, o marido que sabe que a mulher está doente, mas não ajuda no tratamento... Um horror! Eu acho que de certas mágoas não dá pra se recuperar. Quer dizer, até dá, o que não dá pra recuperar é o relacionamento. Esse nunca mais será o mesmo. Enfim, amar e não falar a mesma língua é muitíssimo complicado. Tem que ter química, não tem jeito.
Curioso que ontem eu assisti um filme muito bonitinho e que tratava desse tema: "As vantagens de ser invisível". Em determinado momento, o protagonista, um menino fofo e inocente apaixonado pela personagem de Emma Watson, pergunta ao professor por que gente legal namora gente ruim. O mestre responde: "Cada um tem o amor que pensa merecer". Bingo!
Deus me ajude a pensar direito.
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