sábado, 10 de dezembro de 2016

Quando o passado volta (e ele não é nada gatinho)

Há três dias, fiz a temida entrevista do mestrado da Facom. Eu nem deveria querer falar disso, mas há uma sabedoria por trás do episódio, então vamos lá (risos).
Depois de um susto com uma professora que saiu berrando da sala (por motivo justo até, mas a cena me deixou mais apavorada ainda), estava lá eu sozinha, sentada no banco à espera da minha vez, pensando que cazzo eu queria voltando pra Facom. Vi um professor que uma vez me disse algo negativo passando pelo corredor e, de repente, a bad vibe daquele lugar voltou à memória. Lembrei também de ter dito na cara de um professor da especialização, oriundo da Facom, ainda esse ano, que pretendia fazer mestrado, mas não na Facom, Deus que me livrasse disso. Então, lá estava eu, sentada, tensa de ter que ficar de frente pra aquele povo de novo, sendo avaliada, traumatizada pelo passado, sem saber direito se eu queria voltar pra ali ou não. Até regredi aos cinco anos de idade e mandei mensagem para um amigo que adoro, ansioso crônico, desabafando: "Véi, quando é que a gente vira adulto de verdade nessa vida e para de se apavorar?". Ele ainda se deu ao trabalho de responder: "Nunca. Relaxe, menina".
Então, chegou o moço que seria entrevistado depois de mim. Um doce de criatura, mas mal sabe ele que contribuiu pra meu mal estar quando disse que havia perdido a seleção ano passado justo na entrevista. Eu entrei, passei sufoco, achei que não fui bem, saí e avistei uma conhecida, que seria entrevistada depois do rapaz. Precisava desopilar a mente e resolvi puxar papo com ela.
Nos sentamos e uma terceira moça chegou. Concentradíssima, cara séria, de quem faz o que faz - jornalismo corporativo - enquanto nós duas, de gerações diferentes da Facom, falávamos sobre as mudanças dela. Por duas vezes, a moça pediu desculpas e nos interrompeu, dizendo que havia se identificado com as nossas histórias. Como mulher às vezes é um bicho graciosamente doido, acabamos trocando as três confidências. Eu me senti tão identificada com a experiência dela que tá difícil não chamá-la de Juliana, apesar de saber que o nome dela começa com uma das últimas letras do alfabeto. Foi aquela coisa, né: menina classe média baixa, mestiça, se mete na Facom, acha aquilo o inferno em vida, muita humilhação, mas pensa duas vezes porque já foi um feito e tanto chegar ali, segue em frente, quer sair o mais rápido possível dali, luta por cada oportunidade na vida profissional, cresce, mas, quando volta ao velho lugar de deslocamento, se sente indefesa de novo, novamente. Ela também estava se perguntando que cazzo fazia ali?
Bem, ao contrário de mim, ela se fez essa pergunta antes de entrar nessa barca. A análise dela, que vou levar pra vida, é que está voltando para o mesmo lugar, que pode, infelizmente, ainda continuar o mesmo lugar ruim, mas o caso é que ela mudou, evoluiu. E é nisso que pretende se segurar. Sim, que bom que a gente evolui (em alguns casos).

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