Muita gente achou o último filme de Woody Allen aquém dos anteriores. Esse diretor, pra mim, é que nem chocolate: é bom mesmo quando não é o melhor. É um filme pra desiludir românticos. Avisei sobre isso a uma amiga que não está atravessando uma fase muito "auspiciosa" da vida amorosa.
Finalmente, ela o assistiu, mas não ficou batida com o final sem final; o que a incomodou foi que o casal não ficou junto. "Não ficamos com os amores das nossas vidas". Acho que não, também. Eles servem, na esmagadora maioria dos casos, como uma espécie de escola do amor. Mas a pessoa com quem você se casará dificilmente será a que mais lhe empolgou. Vai ser a pessoa mais adequada, na hora certa, aquela com quem conseguirá visualizar o dia a dia.
Fui pra casa pensando sobre o filme, sem ainda digeri-lo totalmente. Hoje, enfim, a ficha caiu. Além da questão dos encontros e desencontros, como diria o poetinha, e da aleatoriedade da vida, presente nos filmes do cineasta, o verdadeiro fator de desilusão em "Café Society" é jogar na nossa cara que as nossas escolhas amorosas são mais pragmáticas que românticas. Sonho bom é aquele que não se realiza, justamente porque poderá seguir sendo idealizado. Para o dia a dia, queremos quem mais nos convém. É dispensável explicar a escolha da personagem da Kristen Stewart (mulheres são mais pragmáticas que os homens, segundo o filme, porém, se considerarmos a época em que se desenrola, temos que levar em conta a vulnerabilidade da mulher na sociedade), mas, convenhamos, o de Jesse Eisenberg não precisava ter se casado, pelo menos não tão cedo. Ele não deixou escapar a mulher que lhe convinha muito bem, apesar de amar outra. Ninguém ali lutou por amor, certamente porque intuíam ou temiam que o sentimento especial que tinham poderia ir embora com a realidade. O que sentiam era fraco para fazê-los sair da zona de conforto e forte o suficiente para não ser esquecido. Tirando o cenário de glamour de Hollywood, quem já não viu esse filme?
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