segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os integrantes da Academia

Tenho um amigo de infância que é até gente boa, mas um completo idiota quando se trata de política. É aquele tipo de gente que acha que tudo é uma questão de querer. Explico: a mãe dele conseguiu montar o próprio negócio, que por sinal não a deixou rica - não chega nem a classe média alta -, mas proporcionou uma vida com direito à Disney e à faculdade particular aos filhos, e por isso sempre se achou no direito de falar mal do governo e se queixar dos sofrimentos que um empresário no Brasil enfrenta para sustentar o seu negócio.
(Olha, minha mãe tem toda razão quando diz que o mal dos outros é achar que podem discursar assim que sobem no tijolo. Não preciso explicar a ironia contida na frase, ok?)
O lado privilegiado precisa aprender urgentemente a diferença entre revolta (ativo) e ressentimento (passivo). O cristianismo nos incutiu essa moral escrava que diz que devemos dar a outra face e, nessa, o mesmo grupo vai se perpetuando no poder. Nada mais legítimo do que quem sustenta essa pirâmide querer o seu pedaço também.
Quem milita não se queixa enquanto fica sentado na pedra esperando ela criar lodo. Muito pelo contrário. Um estudante cotista tem um centímetro de privilégio na entrada, mas rala o dobro pra sair da universidade.
Ninguém deve se sentir mal, claro, por ter tido oportunidades, mas, faça o favor, reconheça os seus privilégios e as léguas de frente que isso deu em relação a maioria desprivilegiada. Demonstre empatia.
Outro dia, fui cobrir o aniversário do Colégio Antônio Vieira. Descobri que lá eles têm a Academia Vieirense de Letras e Artes. Fiquei pasma. Imagine o que ser parte de uma academia e ser "vieirense" fazem pela autoestima de uma criança! É claro que ela só vai querer pensar alto. Nessas pequenas coisas a gente já vai projetando o nosso lugar na sociedade. Agora pense no menino da escola pública municipal. Ele não recebe nem a merenda. Não tem professor. A família não faz muito gosto, muitas vezes, nos estudos, que é coisa de gente preguiçosa na visão deles. Quantas vezes não ouvi insinuações desse tipo na minha própria família? Meu pai me respondia, quando eu queria um livro, que era desperdício porque livro só tem graça ler a primeira vez. Minha sorte é que sempre gostei de ler e dava um jeito. Mesmo assim, quando cheguei na Facom, ficou visível a minha defasagem em relação aos coleguinhas.
Daí vem um bufado desse dizer que não faz diferença!? Ele mesmo, pelo comportamento que tinha quando menino, não tivesse caído num ambiente protegido, provavelmente não teria sido o que preste.

Como escreveu uma figura que eu sigo no Facebook:
"Estudei num dos melhores colégios de Salvador (o Antônio Vieira), e sempre lamentei que nem todo mundo tenha as oportunidades que eu tive na vida. Sim, porque não há talento que resista se não houver a oportunidade. Semente boa não vinga em solo ruim."

Precisa desenhar? No fundo, sabe qual eu acho que é o "trauma" dessa gente? É saber que no lugar dessas pessoas que batalham, não teriam a mesma competência para tocar em frente. Fora a culpa, lá no fundo, em explorar o próximo. Geralmente quem vem com esse discursinho babaca, adora tirar vantagem de quem pode menos economicamente.

Cada vez mais tenho preguiça dessa gente, na moral...

sábado, 21 de março de 2015

"Have I Told You Lately That I Love You..."



Lulu é muito mais linda, de perto, do que essas imagens podem fazer crer. Um pitel, a boquinha mais bem feita da redondeza.
Mas aí é fera. Já chegou chegando. Anda confirmando o mapa astral dela; a bichinha é boa de briga.
Ela não é dengosa como Felipe. Mas sabe soltar aquele sorriso quando não está contrariada, rs.
Enfim, não sei explicar, mas acho essa criatura uma coisinha muito lindinha. E acho que ainda vou dar muita risada com essa sagitariana invocada. A seguir cenas...

"I want it all...

... And I want it now".

Mais uma polemica esta semana envolvendo os homossexuais (hasta quando, meu povo).
Os donos de uma grife italiana se posicionaram contra famílias formadas por adultos  gays.  Um deles arrematou sua opinião com um "na vida não se pode ter tudo".

Ele tem razão sob esse aspecto. Mas essa é uma realidade muito dura para a gente se conformar assim. É como a morte. Todo mundo sabe que é isso mesmo, mas toda a trajetória humana é uma tentativa de ser imortal. É isso o que nos move. Um sentimento completamente além da lógica.

Só é prudente se preparar, também, para a hipótese desse "tudo" não vir.

Ludibriadxs

Uma amiga mandou essa, na lata, pelo Instagram:
"Namore um homem que não desista de você
Mesmo sabendo que você é louca e complicada".

Pois é, chega uma hora em que todx bom ou boa moçx se depara com uma verdade que lhe foi ocultada: o amor não é terreno dos virtuosos, mas dos corajosos. A não ser que a sua virtude envolva capital erótico... Portanto, muchachada, mais vale um cafajeste na mão que um bom moço voando. O primeiro acaba levando a melhor porque sabe que "quem não chora, não mama".

Espero estar por perto dos meninos para ensinar isso quando for a vez deles.
Abrirei o jogo, mas com uma importante ressalva: assim como na alimentação é no amor: só vale a pena "comer besteira" se a vontade for grande, irresistível. Ganhar peso a troco de nada é falta de inteligência. Tem que ser tentação de fazer as pernas tremerem.


sábado, 14 de março de 2015

Orgulho

"Tu me mandaste embora, eu irei
Mas comigo também levarei
O orgulho de não mais voltar"

Maria Bethânia, "Orgulho".

Essa semana, andei pensando muito a respeito de um tema importante - que não revelarei aqui - e vi que, para a minha contrariedade, me pareço com uma certa pessoa de minha família com quem não gostaria de ter nenhuma semelhança na personalidade. Ironia do destino que logo o que eu tenho de mais forte em mim vem delx.
Não compartilhamos o mesmo sangue à toa. Vejo isso todo dia em Felipe. Ele tem muito de mim, embora tenha saído de outra barriga. Não é à toa que eu o amo tanto. Em muitas coisas ele se parece comigo na idade dele e sempre achei que eu, até os cinco anos de idade, fui a minha melhor versão. Morro de amores até hoje por aquela menininha fofa.
Sim, personalidade se herda. Mas ainda não consegui descobrir de quem puxei certas maravilhosidades da minha alma. :P
Um dia, há mais de 20 anos atrás, encontrei uma de minhas irmãs sentada na escadaria do nosso prédio. Ela não chorava, apenas tinha uma expressão de derrota, de desgosto, na cara. Havia brigado feio com o primeiro namorado e, em cinco dias, o sujeito não colaborava para acabar com a situação, como se ela não fosse importante, fingia que ela não existia. Ela começou a duvidar do amor dele. E admitiu que algo havia se partido a partir dali e me disse uma frase que eu, ao longo da vida, fui me identificando à beça: "Não consigo gostar de quem me maltrata".
Indispensável contar que aquele relacionamento acabou em indiferença total da parte dela, que deixou o moço, alguns anos depois, quando se convenceu que era possível se apaixonar uma segunda vez, e partiu pra outra sem nunca mais olhar para trás. Ele não entendia, foi a vez dele cair em depressão. E a dela de fingir que ele não existia. Mas se pudesse ver o quanto ela ficou magoada com a atitude dele naquele junho de 1993, compreenderia perfeitamente.
Minha irmã e eu compartilhamos esse mesmo traço, de matar por dentro quem nos mata aos poucos. O engraçado é que as pessoas reagem à minha indiferença, quando ela realmente chega, como traição, como se fossem incapazes de acreditar que eu um dia agiria com firmeza. Ou elas devem me achar uma santa, que sempre perdoa tudo, ou devem me achar tão miserável a ponto de não ter direito de me aborrecer com ninguém (só digo que, em ambos os casos, estavam falando com a pessoa errada). Obviamente, também tenho o meu amor próprio e, sinceramente, olhando para trás, ele mais me protegeu que me fez mal. Na verdade, não consigo ver que tenha me feito mal. Pra ser bem sincera, acho mesmo que ele sempre chegou tarde demais, que acabei aguentando sempre mais do que deveria.
O orgulho desce pro meu coração quando estou convencida de que tenho bons motivos para tê-lo. Não sou orgulhosa por qualquer coisa. Não é qualquer crítica, não é qualquer pisada na bola, não é qualquer ofensa que me põe para correr. Isso, na verdade, seria insegurança ou infantilidade. Tenho coragem para insistir. Aliás, essa minha teimosia, como diz meu pai, é a minha grande qualidade. Quantas vezes, ao longo da vida, já ouvi essa frase: "Não sei como você aguenta. Já teria desistido, no seu lugar". Mas, nessas circunstâncias, tinha bem claro para mim que era maior do que a falta de consideração alheia e, principalmente, o que fui buscar ali. Sim, havia um ganho em jogo, algo importante a receber. Também não me arrependo de nenhuma dessas situações, olhando para trás.
Mas maltrato de quem a gente só quer o amor, isso não aturo, não. Na família, nas amizades, no amor de casal, isso é tudo que a gente tem para receber e para dar, porque, qualquer outra coisa, já temos dentro da gente. Só não trazemos a capacidade de nos amar, porque "ser amado" envolve mais alguém. E mesmo que quisesse aturar, não conseguiria. Vai além das minhas forças. Eu deixo de amar quem me maltrata. E Graças a Deus é assim. Mais do que ter orgulho, é importante ter dignidade.



sábado, 7 de março de 2015

Ator x Personagem


Outro dia, após dar mechas no cabelo, me senti diferente. E percebi que isso, ainda que sutilmente, me mudou. É, tive mais uma das minhas epifanias. Sim, vi que somos atores natos - logo eu, que nunca considerei sequer fazer teatro por diversão.
Muda-se a aparência e já estamos agindo diferente. O mesmo se aplica aos cenários, pessoas ao redor e atividades cotidianas. Todo mundo adora atuar.
Mas ninguém gosta de personagens. Eu odeio e meia torcida do Flamengo já me confessou o mesmo.
Estranho, né?
É porque quando as pessoas falam que não gostam de personagem, na minha opinião devem estar confundindo isso com uma caricatura, aquela coisa com dois ou três traços exagerados, que quase nos faz rir. O personagem é complexo. Ele exige atuação. Porque atuar não é fingir que se é outro nada a ver com você. Uma boa atuação vai partir do que existe no ator em comum com aquele outro ser inventado. É se ver por outro ângulo inexplorado da alma.

Nada é por acaso

Parece título de livro de Zíbia Gasparetto, mas garanto que não é o caso, embora esse post seja sobre a mediunidade, em uma das suas roupagens mais populares: a inspiração.
Contam por aí que um crítico de cinema escreveu que a cidade espiritual mostrada no filme "Nosso Lar" tinha sido inspirada em Brasília. Seu diretor, Walter Assis, retrucou questionando se não era o contrário.
Eu bem sei o que ele quer dizer. Quero dizer, saber, saber, de modo demonstrativo, com provas e testemunhas, não sei. Mas sinto. 
Eu não acredito em invenção, ficção. É tudo realidade, que já passou ou está por vir.
Por esse motivo me sinto desconfortável com histórias de ficção científica e morro de medo filmes de terror. Tudo aquilo existe. O mal existe e a ficção certamente está antecipando o nosso futuro. Inconscientemente sabemos disso e por isso nos interessamos por esse tipo de história. É um modo de já nos prepararmos para o que está por vi.
Tive bem esse insight quando as torres gêmeas caíram em Nova York. Eu passei meia hora sem acreditar no noticiário, achando que estava vendo um filme de Hollywood. Mas os filmes de Hollywood é que estavam vendo o futuro de Nova York, hoje eu penso. 
Desconfio mesmo que o reino de Atlântida não é lenda. E acho que ET um dia ainda vai sair de bicicleta por aí.
Quem viver, verá!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Meu gerente

Não sei a cor do cabelo, a altura, como são os olhos, mas ele MANDA. Ô, se manda!...
Há algum tempo, de tão consciente do poder dele sobre mim, arranjei-lhe um apelido: the boss, ou, simplificando, meu gerente.
Meu gerente tem o perfil cauteloso. O bichinho é responsável que só. Quebra a mente, faz hora extra, tenta ser criativo focando, sempre, em articular a melhor solução para o meu negócio. Tem uma paciência de Jó com os rompantes de uma tal de Angústia e com os ataques da Ansiedade. Aliás, deve estar já fortinho de tanto segurar a onda desses "maiores abandonados".
Ando percebendo, porém, que tamanha eficiência às vezes é prejudicial. O excesso de planejamento dele vem comprometendo a produtividade.
Explico: ele, matemático que é, vai sempre louvar as condições ideais. Mas a matéria-prima desse negócio definitivamente passa a léguas da perfeição. E aí?...
Eu sei que preciso dispensá-lo mais, descentralizar o poder que ele possui. Mas gosto tanto dele e ele parece ter afeição por mim também. É tão bom moço, bem intencionado, tão honesto... Se bem que do alto da sua competência, não conseguiu gerenciar muito bem um funcionário problemático chamado Apego.
Como abandonar algo com o qual você se identifica?

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Receitas prontas (e sem substância) para viver

É notória a mania que as pessoas têm de demonizar coisas quando o problema está na medida. Estou lendo agora uma crítica que fala do programa "Além da Conta", estimulador do consumismo, segundo o crítico. 
O programa é questionável até porque questionar não é o forte de Ingrid Guimarães. Mas, caramba, consumir faz parte da vida. Quem não gosta? Não adianta demonizar o consumo. O desequilíbrio é que é ruim.
Os smartphones. Eles já fazem parte do dia a dia. Faço um monte de coisas através de aplicativos. Fato. Qual é o drama de entrar no Whatsapp? É só não passar o dia inteiro nele. E o programa já faz parte da vida real. Você se comunica, inclusive, com gente que está longe através dele. 
Na boa, eu não vou ficar orgulhosa de não usar o smartphone por dois dias. Tenho preocupações mais substanciais quanto à minha vida. Eu posso usar essa zorra todo dia contanto que não faça disso o único momento da minha vida diária. 
Eu posso fazer qualquer coisa, contanto que haja bom senso. Esse é o meu ponto. E, a propósito, na hora de criticar, ele também deveria estar presente.
Se estou numa mesa cheia de gente, que mal há em parar dois minutos para responder um recado no Whatsapp? É até mais educado que receber um telefonema e fazer barulho atrapalhando a conversa dos outros. Todo mundo sabe que há um momento em que o papo se esvazia e você cai no tédio, para depois voltar à roda de novo quando a conversa voltar a lhe interessar. Se for um grupo maior que três, então, as chances de só uma ou duas figuras monopolizarem a conversa e você ficar de plateia são enormes. Qual é a diferença entre ficar quieto pensando na morte da bezerra e dar uma espiada nos seus emails e recados? Claro, ninguém vai convidar um amigo para sair e ficar pendurado o tempo todo no celular. Como disse acima, há de se ter bom senso.
"Ah, o self, que coisa idiota". Velho, todo mundo gosta de tirar retratos, desde a época da minha vó. Lógico, tudo tem limite. Self no velório é o fim da picada. Se você está dançando ou vendo o filho nascer, melhor pedir a outra pessoa para registrar enquanto você vive aquele instante. Mas um autorretrato ou fotos com a galera, se não cortam a onda do programa, são um plus, um momento divertido também para viver.
E quem tem até 40 anos menos ainda tem o direito de reclamar de computadores e smartphones, afinal, fomos a geração de crianças e jovens que fazia muita coisa em frente a TV, ao videogame, e isso não nos alienou, acredito. A "vida real" tem e sempre terá o seu lugar.
E há ainda, hoje em dia, uma série de modinhas discutíveis, mas que, sobretudo, servem para oprimir quem não adere a elas. Ser vegetariano. Se eu me sinto bem comendo carne e se há na natureza outros animais carnívoros, por que tenho que ser rotulada como uma pessoa pior só por comer carne? Porque o discurso de quem é vegetariano insinua isso.
A caceta do parto normal. Eu gosto da ideia, até porque fico horrorizada só de pensar numa faca cortando a minha barriga. Mas nessa hora do parto é o que a mãe se sente mais segura para fazer, ora. Que adianta ela ter um parto normal se tremendo de medo da dor? "Ah, é melhor para o filho?". Paciência, bicho. Numa relação, tem que estar bom para ambos. Lição número um: mãe é gente, não é santa. Como gente, ela tem o direito de não querer parto humanizado, normal, whatever!
Enfim, eu não quero ser heroína de nada. Eu me interesso em cultivar uma dose de bom senso, mas não tô aqui para fazer sacrifícios ao nada, como bem definiu Nilton Bonder. Queeeee!... A vida é muito curta para ficar me ocupando com esse tipo de preocupação vazia. Garanto que não vai ser esse tipo de picuinha que vai fazer a diferença.

Birdman

Fui assistir a "Birdman". Saí do cinema com o estômago embrulhado e não sabia se era culpa do capuccino que tomei na Sala de Arte ou da minha angústia com o desespero do protagonista. Eu me reconheci naquele nível de ansiedade. Sério. 
Deus do céu, que pânico é esse de ser esquecido que impede que a gente vire a página? Que sede é essa de ser especial para a sociedade? Que engano a gente alimenta ao pensar que popularidade significa afeto? Por que tanto medo de fracassar se, como diz o povo, do chão a gente não passa?
Você faz as suas escolhas, elas vão de encontro com o que o coletivo espera mas são sinceras com o seu querer, e ainda assim não dá para ficar bem com isso? Especiais são aqueles que conseguem se deixar em paz.
A gente procura por uma intensidade, por um significado, que não casa com a natureza da vida. Eu me pergunto se em 1500 as pessoas queriam tanto assim da própria existência, porque a minha teoria é que isso começou com a mídia, com a comunicação. Mas é que para vender informação/cultura, tem que haver apelo. Viver "na apelação" é contraproducente porque a vida não é entretenimento, é 99% de transpiração, você faz conforme as possibilidades; é espera e imperfeição suportadas pelo sonho de que, quem sabe um dia...

sábado, 24 de janeiro de 2015

36 perguntas para se apaixonar por alguém (e as minhas respostas)


Grupo I
1. Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem convidaria para jantar?
Difícil escolher uma só. Entre os vivos, talvez alguém que atua pelos direitos humanos, como um integrante do Médicos Sem Fronteiras. 
2. Gostaria de ser famoso? De que forma?
Não. Seria insuportável a falta de privacidade. Mas gostaria de fazer algo que me deixasse satisfeita e atingisse (para o bem) as pessoas.
3. Antes de fazer uma ligação telefônica, você ensaia o que vai falar? Por quê?
Não, mas checo, mentalmente, os pontos dos quais falarei, só pra ter certeza que não vou esquecer de falar tudo que preciso.
4. Para você, como seria um dia perfeito?
Há muitas possibilidades. Basicamente seria um dia com bom tempo, com as coisas fluindo bem, pessoas queridas, relaxamento e a chegada de boas notícias.
5. Quando foi a última vez que cantou sozinho? E para outra pessoa?
Sozinha, ontem. Faço isso o tempo todo. Para outra pessoa, acho que foi há algumas semanas, para o meu sobrinho, a única pessoa para quem eu canto.
6. Se pudesse viver até os 90 anos e ter o corpo ou a mente de alguém de 30 durante os últimos 60 anos de sua vida, qual das duas opções escolheria?
O corpo, certamente. Vigor físico é melhor que inteligência. Todo mundo que envelhece reclama do corpo, mais do que da mente.
7. Tem uma intuição secreta de como vai morrer?
Sim. Acho que vou morrer lá pelos 80, de modo súbito e provavelmente ridículo. Talvez atropelada. Talvez de algo na cabeça, como um AVC. Sempre senti muita dor de cabeça.
8. Diga três coisas que acredita ter em comum com seu interlocutor.
Medos, esperanças e segredos.
9. Por quais aspectos de sua vida você se sente mais agradecido?
Pela (relativa) segurança, ainda mais sendo mulher. Há muitas partes do mundo onde as pessoas não têm liberdade, vivem em guerra e a mulher não tem direito a nada, inclusive há muitos lugares onde o aborto de fetos femininos é incentivado. Existe muita pobreza pelo mundo. E muita violência também. A possibilidade de nascer em um desses lugares e passar por circunstâncias terríveis é grande e eu escapei. Tenho uma saúde perfeita, faço o que quero e nunca fui vítima de violência ou passei fome. Parece exagero, pouca coisa, mas se a gente for olhar para a situação da esmagadora maioria da humanidade, somos altamente privilegiados.
10. Se pudesse mudar algo em como foi educado, o que seria?
Mudaria quase tudo. Gosto da parte de ter aprendido a apreciar a simplicidade, a honestidade. Mas acho que poderia ter aprendido mais habilidades domésticas e, sobretudo, ter sido mais apoiada. Faltou estímulo, atenção e acolhimento. Acho, também, que houve muita enfase na obrigação e nenhuma diversão. 
11. Use quatro minutos para contar a seu companheiro a história de sua vida com todo o detalhe possível.
12. Se amanhã pudesse se levantar desfrutando de uma habilidade ou qualidade nova, qual seria?
Inteligência emocional. 
Grupo II
13. Se uma bola de cristal pudesse contar a verdade sobre você, sua vida, o futuro ou qualquer outra coisa, o que lhe perguntaria?
Eu vou conseguir me sentir plena, algum dia?
14. Há algo que há muito tempo deseja fazer? Por que ainda não fez?
Sim, viajar muito. Aprender um instrumento e francês. A cozinhar e a costurar. Faltam dinheiro e tempo.
15. Qual é a maior conquista que conseguiu em sua vida?
Manter a integridade. Não é fácil, uma vez que o estilo de vida que eu valorizo não é o campeão entre as pessoas que me rodeiam. Pra muita gente, minha vida é puro fracasso. Nos dias em que esse olhar magoa, tenho que me lembrar do que é importante para mim e do motivo de ter feito as escolhas que fiz e que, até agora, não me geraram arrependimento. É solitário, mas é assim que eu sei ser. Não saberia inventar, sustentar um personagem como vejo tanta gente fazendo. Não tenho essa energia toda, ainda mais para gastar em vão. Em vão mesmo, porque vc deita a cabeça no travesseiro e sabe qual é a verdade.
16. O que mais valoriza em um amigo?
Empatia. Amar é até fácil e eu acho que sou uma pessoa amável, boa parte das pessoas que conheço também são. Mas realmente olhar o outro, fazer o esforço de se pôr no lugar dele e, em último caso, assinar o cheque em branco da confiança no que ele se propôs a fazer mesmo que não concorde, é o tipo de generosidade que não se encontra fácil nesse mundo. É pior que a tal agulha no palheiro. Eu já encontrei gente assim e lhes sou eternamente grata. Ser aceito é melhor que ser amado.
17. Qual é sua lembrança mais valiosa?
Várias. Mas ainda não aconteceu nada que virasse a minha cabeça e me causasse uma emoção profunda e transformadora.
18. Qual é sua lembrança mais dolorosa?
Várias. Mas passar por algo realmente ruim, sentir aquela dor de verdade mesmo, graças a Deus ainda não aconteceu comigo.
19. Se você soubesse que vai morrer daqui a um ano de maneira repentina, mudaria algo em sua maneira de viver? Por quê?
Claro que sim! Muitos desejos ficam represados, em segundo plano, porque há uma perspectiva de longevidade, a gente tem que visar também o futuro e não é estratégico. Largaria o emprego na hora. Pegaria um empréstimo bancário, aceitaria aqueles R$ 23 mil que o Banco do Brasil me oferece, rs, estouraria o cartão, rasparia a minha poupança e ia conhecer os lugares que mais gostaria de visitar no mundo, passaria um bom tempo com os meus sobrinhos, compraria um cachorro, visitaria as minhas pessoas mais queridas, diria a algumas pessoas o que está engasgado na garganta, distribuiria minhas coisas às pessoas, iria muito ao cinema e principalmente ao mar e, claro, comeria sem culpa.
20. O que significa a amizade para você?
Acolhimento e identificação.
21. Que importância tem o amor e o afeto em sua vida?
São muito importantes, mas não tenho colhido muito disso até agora (será efeito da roda das encarnações???!). Por algum tempo essa falta me magoou muito, mas a gente cresce e vê que o nosso compromisso maior é ficar bem, é sobreviver. E os anos passam muito rápido, então... O que tiver que ser será. Não dá para controlar a vida. E dar afeto, amor, é algo que se faz no escuro. De gente, pode-se esperar tudo, inclusive nada, rs. Portanto, como canta o outro, "só é seu aquilo que vc dá". Dê amor por vc, a quem vc quiser, quando tiver vontade. É absolutamente importante ser honesto. As mágoas e raivas vêm da falta de sinceridade consigo mesmo, quando vc faz o que os outros esperam e não o que queria; quando ignora o que não convém ver no outro. 
22. Compartilhem, de forma alternada, cinco características que consideram positivas em seu companheiro.
Simplicidade, honestidade, comprometimento, amizade e generosidade (é o que espero de um companheiro). Em sexto, inteligência. 
23. Sua família é próxima e carinhosa? Acha que sua infância foi mais feliz que a dos demais?
Não. Minha infância foi normal, boa, graças a Deus.
24. Como se sente em relação a sua mãe?
Eu gosto muito dela. Mas eu gostaria de mais independência para nós duas.
Grupo III
25. Diga três frases usando o pronome “nós”. Por exemplo, “nós estamos neste aposento sentindo...”
26. Complete esta frase: “Gostaria de ter alguém com quem compartilhar...”.
A vida, esse caminhar pelos anos.
27. Se fosse terminar sendo amigo íntimo de seu companheiro, divida com ele ou com ela algo que seria importante que ela soubesse.
28. Diga a seu companheiro o que mais gostou nele ou nela. Seja muito honesto e diga coisas que não diria a alguém que acaba de conhecer.
Ter me escolhido.
29. Divida com seu interlocutor um momento embaraçoso de sua vida.
O tempo todo, rs. 
30. Quando foi a última vez que chorou na frente de alguém? E sozinho?
Raramente choro, ainda mais na frente de alguém. Até gostaria de fazer isso com mais facilidade. Portanto, se eu chorar, chame o Samu, rs.
31. Conte a seu interlocutor algo que já gosta nele.
32. Há algo que seja muito sério e que não se deve fazer piadas a respeito?
Qualquer coisa que humilhe mais quem já é humilhado. Aos poucos vou interiorizando esse respeito aos outros, que é algo socialmente ainda muito novo.
33. Se fosse morrer esta noite sem possibilidade de falar com ninguém, o que lamentaria não ter dito a uma pessoa? Por que não disse até agora?
Orgulho, para não ficar vulnerável. Infelizmente, às vezes você precisa se conter não exatamente porque tem pudor em tocar em certos assuntos, mas porque sabe que isso pode ser usado contra você por algumas pessoas. Mas acho que as pessoas a quem diria algo já sabem o que sinto por elas e sabem o que elas fizeram.
34. Sua casa está pegando fogo com todas suas coisas dentro. Depois de salvar seus entes queridos e suas mascotes, sobra tempo para fazer uma última incursão e salvar um único objeto. Qual escolheria? Por quê?
Meu computador por causa das minhas fotos.
35. De todas as pessoas que formam sua família, qual morte seria mais dolorosa para você? Por quê?
Minha mãe e, agora, os meus sobrinhos. Acho que o motivo é óbvio. Mãe é apoio incondicional, talvez a única pessoa realmente pela gente nesse mundo. E os meus meninos são os meus pequenininhos. Eu os vi nascer e quero vê-los crescer. Deus me livre de algum dia ter que enterrar algum deles.

36. Divida um problema pessoal e peça a seu interlocutor que conte como ele ou ela teria agido para solucioná-lo. Pergunte também como acha que você se sente em relação ao problema que contou.
Quando você sabe que é a hora de partir, de mudar de vida? Ou melhor: como faz para ficar bem em relação ao que vai deixar para trás?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Astrologia faz sentido

Pelo menos achei essa descrição do tipo Água + Terra completamente a minha cara.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Esqueçam tudo que eu disse

... O problema não é a sua conjuntura na vida, é ser uma pessoa profunda. É seu "defeito" de personalidade. Pense raso, viva a fundo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Não faz sentido

Se você fracassa, a responsabilidade é só sua. Ok. Mas se você faz sucesso, tem que agradecer a todos do seu entorno.
Que lógica é essa? Ou todos estão no mesmo barco ou não.
Diga logo que é uma questão de educação, mas não que isso faz sentido, na moral.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Dedicatória

Semana passada estava passando os meus livros para o novo armário. Como é usual nesse tipo de situação, redescobri livros que nem imaginava que tinha.
Um deles foi uma coletânea de entrevistas de Leda Nagle no Sem Censura com um monte de gente bacana. Tá, me julguem, mas eu adoro aquela traveca e o programa dela. Se eu estiver em casa de tarde, é batata. Fiquei tentando lembrar quem me deu. Não consegui. Talvez Ingrid, talvez Leco. Não lembrei. Decidi que, de agora em diante, ninguém me dá mais livro sem dedicatória.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Deus e o diabo cochichando no meu ouvido

... Enquanto eu fico sem saber se escuto a mente ou o coração.
Hoje, um amigo e eu comentávamos algo que uma colega de trabalho escreveu em uma postagem do Facebook. Em uma foto da festa da empresa, em que ela aparecia com os colegas de editoria, escreveu: "A elite da firma".
Meu amigo, que é do "baixo clero" que nem eu, não gostou do que ela escreveu. Concordei com ele. Aliás, nenhuma das 60 pessoas que curtiram a foto curtiu a frase dela, que foi a única a não receber um aval entre umas dez deixadas no post.
A menina é filha de gente rica e influente. Não é má pessoa. Aliás, noto que ela tenta acompanhar o resto da redação, percebo que ela quer se alinhar ao pensamento e às atitudes das pessoas, que tenta dar opiniões mais liberais. Ela quer mostrar que não é uma patricinha. Até ouvi dizer que está querendo morar sozinha, se bancar, sem a ajuda dos pais. Sinceramente, dou valor, achei bonito da parte dela. Por isso, um lado meu diz: "Ela tem boa vontade e as pessoas podem sempre nos surpreender".
Mas o outro lado, do diabinho, aquele que é baseado nas experiências de vida (e já vivi mais de um terço de século a essa altura), diz que a nossa criação não morre tão fácil dentro da gente e que o comentário, mesmo sem intencionalidade - e, é isso aí, o diabo costuma estar mesmo nos detalhes -, não deixa de refletir o meio do qual ela veio e, principalmente, o modo como ela foi ensinada a se pensar e a ver os seus: como elite, pequeno grupo, parte de um roll seleto, superior em qualidades. Olhe para Lobão e Roger. Para mim, eles são exemplos clássicos disso que estou falando.
Na juventude é bonito ser contra papai e mamãe e querer um mundo mais igual. Mas conforme vamos envelhecendo, nossas persistências em "nadar contra a maré" vão se afrouxando. Papai e mamãe começam a aflorar dentro de nós. Tanto que já virou até piada (machista) dizer que a sogra é a esposa no futuro.
Tenho tanta consciência disso que, confesso, tenho medo até de mim, de deixar vir à tona, algum dia, a parte ruim de meus pais, "la mala educación" que tive em família. Acho que é por isso que lanço tanto minhas opiniões nesse blog. Deve ser para firmar compromisso. Deve ser uma forma de pedir que vocês, amigos, não me deixem desviar daquilo que é importante, nunca permitam que eu ache que sou elite do que quer que seja.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O frágil (?) ego masculino

Outro dia, um amigo da faculdade me telefonou. Sacomé, terminou um namoro de anos - quando dona patroa entra, azamiga saem e vice-versa -, está morando onde o vento faz a curva depois que passou no concurso da PF e - vou jogar na cara mesmo! - agora ele me telefona com certa frequência, como era antes. Ando recebendo mais telefonemas dele, em três meses, do que nos últimos três anos e até levei bronca, no último, por não ligar. Como o mundo gira! rs.
Ele, nessas conversas, andou se queixando do difícil ego masculino, que demonstra a sua fragilidade através de uma competitividade que o aborrece. Reclamou do clima na academia da polícia de muito exibicionismo, disse que isso não casava com a personalidade dele e blá, blá, blá.
Meu amigo não é o tipo de cara que tem problemas com o masculino. Não, não. É um cara bem "normal", que não sofreria bullying numa roda de homens. Por isso me surpreende saber que, de dentro, o mundo dos machos alfa é tão competitivo. Confesso, sempre achei - e até invejava - que os caras eram mais simples, mais relaxados, chegados numa camaradagem gratuita - coisa que raramente encontro nas mulheres, que tendem à gentileza apenas quando se chegam.
Claro, notava um ou outro exemplar do sexo masculino com um problema de orgulho agudo, do tipo raramente visto do lado de cá da cerca. Mas não imaginava a existência desse "aborrecente" ego dos homens.
Andei refletindo um pouco sobre isso e não é que faz sentido a queixa do rapaz?
Acho que é porque isso é mais visível no campo amoroso. Ali fica evidente que eles são mais orgulhosos e menos corajosos que a gente. São várias as situações em que eles têm reações duras, a nosso ver, a troco de nada (depois nós somos as histéricas, né?).
Uma amiga me contou que estava saindo com um carinha, colega dela de profissão. Ela queria curtir,  no sentido de aproveitar a vida sem compromisso; ser feliz junto sem estar num relacionamento; "somente sexo e amizade", capisci? Um dia ela precisou desmarcar com ele por um motivo real. Quando o procurou para marcar uma saída, fez que não era nem com ele. Uma mulher dificilmente seria indócil numa situação dessa. A maioria ficaria até solidária, preocupada com o cara, mesmo ainda não havendo amor da parte dela.
Uma vez soube de uma história que me deixou impressionadíssima. Um homem pobre havia se casado por amor com uma mulher de origem rica. Dez anos e três filhos depois, em uma discussão ela disse o que nunca deveria ter dito (nunca mesmo, porque certas coisas ninguém tem direito de dizer ao outro, nem na hora da raiva, a não ser que nunca mais queira ver a pessoa na vida), que quem tinha dinheiro ali era ela e ele era um zero à esquerda. Ele saiu de casa, estudou bastante e se tornou um homem importante no Direito, acho que juiz ou desembargador. Nunca deixou de gostar dela e depois da separação teve alguns casos e namoros, mas nunca mais houve alguém importante. Ela se arrependeu logo e passou a vida inteira pedindo a ele que a perdoasse, que voltasse para casa. Ele nunca cedeu. Enfim, envelheceram brigados e se amando. Se o ofendido fosse uma mulher, essa briga não teria durado tanto.
Eu poderia citar outros casos que eu lembro de atitudes orgulhosas deles ao mínimo sinal de "ofensa". Por incrível que pareça, pensando bem e discutindo o assunto com essa amiga, os homens têm mais necessidade de serem endeusados do que a gente. Não aguentam muito bem serem contrariados.
São muito mais preocupados com o destaque profissional (= social, público). As mulheres são mais relaxadas quanto a isso, outras coisas têm prioridade e ficam igualmente felizes se o marido ou os filhos são bem sucedidos. Não precisa acontecer exatamente com elas, na maioria dos casos.
A única parte relax - e por enquanto - é a física. Porque eles são tão bem tratados, tão reizinhos do pedaço, que ninguém nem liga se estão carecas, se estão barrigudos ou mesmo mal-vestidos. Basta ser "macho". E ser macho significa ser o que domina. Sempre. Ponto final.
Minha amiga fala: "Isso vem da relação da mãe". Bastante provável. No fundo, penso eu, eles querem a mãe. Ainda não estão preparados, em sua maioria, para uma relação homem-mulher.
Nascem, crescem e permanecem meninos.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Coração de gente é terra de ninguém

Essa semana, uma amiga de longa data, pessoa não só querida como figura que admiro muito, assumiu um relacionamento lésbico no Facebook. Ainda não falei com ela sobre isso, mas me pareceu tão plena nas fotos com a namorada que, claro, não dá para não ficar feliz pela pessoa - e essa amiga merece muito ser feliz -, embora eu confesse alguma estranheza em ver duas mulheres em vez de um homem e uma mulher. Mas vai passar. É questão de costume. Precisamos, nessa fase da sociedade, nos acostumar, juntar consciência e coração. E nisso eu admirei muito essa minha amiga. Ela passou por um câncer e disse que algumas pessoas se afastaram dela por causa da doença. Outras pessoas vão se afastar depois disso. É preciso ter coragem para bancar esse tipo de reação. Bem, ela é ariana, rs.
Coincidentemente, desde o ano passado histórias de casais controversos vêm acontecendo perto de mim. Essa aí que contei é light, é puro amor que ousa dizer, inclusive, seu nome.
A primeira que me apareceu foi punk. Muita traição, muita agressividade, uma boa dose de perversidade e de falta de amor próprio. A parte, digamos, mais fraca do triângulo amoroso saiu muito humilhada. Quem mais aprontou foi justamente meu amigo. Fiquei revoltada com ele. Claro, você, como mulher, se põe no lugar. Parei quando vi que eu mesma já estava ficando constrangida de passar o sermão nele. Um dia, eu espero, ele para com esse tipo de comportamento que, eu sinto, também faz mal a ele. A história continua, mas eu resolvi apenas me divertir na companhia dele falando amenidades, seguindo o conselho de uma amiga em comum que também não concorda com as coisas que ele apronta. Não falo mais disso para não me aborrecer e perder o amigo.
Depois me entreti com uma cama de gato hetero-lésbica, rs. Teve gente machucada nessa história e alguns comportamentos nada cuidadosos e éticos da parte dos envolvidos. Mas era gente menos próxima de mim, por isso não me choquei tanto. Confesso, agradeci por isso.
Depois de tanto ver esse tipo de situação, houve uma hora em que comecei a pensar que não gostaria de saber o que as pessoas fazem na vida privada, pois, ao que parecia, ninguém agia bem com o outro, cada um estava preocupado com os seus próprios interesses e, o mais chocante para mim, ninguém sofria um pingo por isso.
Uma nova amiga me diz que gosta muito de sexo, mas não se vincula a ninguém. É feliz assim. É muito diferente do que eu sou, mas eu acho que deve ser legal, também, ser assim desapegada. Enfim, tudo tem seus prós e contras. É clichê, mas é isso aí.
Porém, o que me fez pensar mesmo foi a Parada Gay desse ano. Cobri pela primeira vez. A Parada é cheia de "bichas pão com ovo", como as beeshas bem-humoradas gostam de chamar as coleguinhas mais pobres, rs. Pense em como aquilo é importante para elas. É o momento de viver a fantasia sexual em segurança, sendo até admirada pelos simpatizantes.
Bingo. Esse é o ponto: viver a fantasia. Isso tem um peso muito grande na experiência humana. Enfim, essa vivência na Parada começou a despertar a minha percepção de que coração de gente é terra de ninguém. Amor e sexo, esses fios da vida, quando chegam com força, tem que ser vividos até o fim. Se mal resolvidos causam muito sofrimento. Jabor, aliás, tem um texto interessante sobre isso (http://arteymanhas.blogspot.com.br/2008/05/amor-mal-resolvido-arnaldo-jabor.html).
Mas, sabe, eu continuo achando que realizá-los a qualquer preço também causa muita dor. Nunca acreditei em felicidade na qual se passa por cima dos outros. Não falo de passar por cima dos caprichos, chantagens e teimosias. Ninguém deve ficar refém da birra alheia. Falo de atos que realmente prejudicam alguém. Essa conta pode vir um dia. É preciso estar ciente disso e não se revoltar quando chegar, afinal estamos aqui para tudo e quem não aguenta, que não desça pro play.
Enfim, o que aprendi é que, se alguém estiver a fim de pagar essa conta, quem somos nós? A gente nunca sabe mesmo o que se passa dentro do outro. Vai que aquilo tem uma importância que não conseguimos alcançar? A vida é curta, muito curta...
Como diz Fernando Pessoa, em uma frase que tirei em um sorteio essa semana: "Nada se sabe, tudo se imagina". É preciso perceber que realmente não sabemos.

sábado, 29 de novembro de 2014

Limite também é prova de amor

Uma amiga minha acaba de ter filhx e, pessoa amorosa que é, está encantada com a maternidade (a filhota é mesmo uma fofa, uma coisaaa de linda! me deu um sorriso de dois dentes, faz um mês, um charme só). Outro dia, postou no Facebook um link para uma matéria que defende que basta aos pais ter "empatia" pelxs filhxs para criá-lxs bem; que o mundo já é duro e xs pais não precisam torná-lo mais difícil impondo limites. Gente, isso é tão seguro quanto uma mulher de ciclo irregular fazer tabelinha para evitar engravidar. Há uma mesma motivação, aliás, se a gente pensar bem nessas duas situações: não "prejudicar o organismo". Mas a questão é: a que preço? Olha o risco desnecessário aí (porque, sim, há outras vias menos danosas, como se deseja, porém mais seguras). 
Eu diria à autora do texto que falta real empatia pelo filhx em um genitor que age assim como ela propõe. 
(Cansei de botar "x" no lugar do "o", mas vocês entenderam qual é a intenção, não é?)
Eu ainda acredito que pé de galinha não mata pinto. Claro, temos a obrigação de evoluir em relação aos nossos pais. Acho que os brasileiros ainda são incompetentes para inserir a alegria na educação da prole. No Brasil a gente ainda é ensinado que tudo que vale a pena tem que vir através do sofrimento. O resultado disso é que brasileiro não é lá tão leve quanto aparenta: reclama muito e investe pouquíssimo em mudanças. Gente alegre não vê tantos problemas e, portanto, não se paralisa. Acredita em mudanças. Espera - às vezes por muito, muito tempo, na base da resiliência - por dias melhores.
Eu sou da teoria de que primeiro você aprende os conceitos básicos, depois bola a sua própria receita. O chef não surge antes do cozinheiro. (Luize, se estiver lendo isso, pule a parte que se seguirá, amiga, rs.) Eu sempre encontrei muita similaridade entre criar um cão e uma criança. Ambos são dominados pelo instinto. E muitas vezes só param de privilegiar a realização dos seus desejos se o adulto os fizer parar. Já que é assim, acho melhor que aprendam pela mão amorosa da família que na rudeza da rua. Chegamos ao meu xis da questão: estabelecer limites não é punição; é proteção. 
A meu ver esse tipo de pensamento de minha amiga e do artigo que ela compartilhou falha em uma coisinha, que não é tão "inha": o mundo não ama o seu filho as much as you. É duro admitir isso, mas aceite, que dói menos. Do lado de lá é "tiro, porrada e bomba" muitas vezes. Então, ensinar seu filho a agir dentro das regras (as realmente importantes, claro) é uma forma de protegê-lo. Porque nem todo mundo enxerga criança como "café com leite" e se uma pessoa resolver agir rigidamente com um pequeno, ele vai se impressionar com isso. As próprias crianças costumam se vingar do mau comportamento de outras crianças, isso acontece com frequência no mundo infantil. Eu sei bem porque lembro bastante de quando era criança.
Há uma diferença importante: adulto transgride porque tem condição de elaborar racionalmente uma rejeição; a criança ainda não sabe fazer isso, pelo menos as menores de oito anos. 
Se os pais souberem educar bem na primeira infância, dificilmente as crianças passarão por problemas, mesmo se resolverem transgredir as convenções sociais - uma boa educação provocará isso, aliás. Elas terão alguns valores importantes internalizados, elas serão lúcidas sobre como as relações sociais funcionam e não produzirão tantas ilusões que só complicam a vida e elas se sentirão protegidas pelos seus pais. Repare como a gente fica com raiva mas ao mesmo tempo orgulhoso quando percebemos que os nossos pais estavam certos. É chato ver que se enganou, mas ao mesmo tempo há uma sensação boa de que você está/estava em boas mãos.
Pai e mãe, a propósito, não deveriam se desesperar tanto com a chegada da adolescência. Se chegaram junto nos primeiros anos do filho - prestando atenção à personalidade dele e tendo paciência para ensiná-lo e estimulá-lo -, esse trabalho não irá evaporar, isso eu garanto. Poderá ser "editado", mas não "descartado". Pai e mãe vivem dentro da gente para sempre e eles deveriam ter mais consciência e principalmente fé nisso. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A síndrome de "rei do camarote"

Quando cheguei a Salvador, no início da década de 90, morei na Rua K, em Itapuã. Minha vizinhança era de elite: à minha esquerda, o dono da antiga Alimba; atrás, o humorista Juca Chaves e, do lado, uma família ítalo-brasileira, com uma casa incrível de dois andares, dois filhos e um dog que eu amava.
Fiquei muito amiga de Danilo, um menino uns dois anos mais velho, e da filha da empregada, que, como nunca mais tive contato, esqueci o nome - a mãe de Danilo é meu contato até hoje. Gostava muito de brincar com os dois, até porque eram as únicas crianças dali. Mas um evento me marcou nessa convivência. Foi quando a menina, mais criança que eu, pediu para usar o banheiro.
Estávamos na minha casa jogando algum jogo de tabuleiro e ela fez o pedido. Indiquei o banheiro da casa. Quando ela saiu da sala, Danilo não se conteve e revelou o incômodo mais ou menos assim:
- Como você deixa ela usar o seu banheiro?! Ela pode ter muitas doenças e passar para vocês!
Eu respondi na lata, como até hoje eu costumo fazer, ainda mais quando alguém diz uma grande merda perto de mim:
- Você pode ter muito mais doenças que ela, afinal, já é rapaz, já namora, e ela é criança.
Ele ficou mudo, puto da vida, uma reação típica de playboy contrariado. Mas nunca mais me disse nada. E sorte dele que meus pais não estavam em casa. Se conheço minha mãe, daria uma resposta muito mais cortante que a minha.
Essa historinha toda é para explicar porque eu não gosto dessa chamada elite brasileira. Não é por inveja - que é o que alegam quando se toca nesse tipo de ferida, no classismo de uma certa parte da sociedade -, até porque não sou consumista. Se um dia tiver muito dinheiro, meus luxos serão ter uma casa confortável, estudar e viajar. É que eles são escrotos pra cachorro. Tem a síndrome de "rei do camarote", acham sempre que estão agregando valor por onde passam, por isso todos devem servi-los.
Um amigo meu escaldou publicamente uma colega de faculdade por causa disso. A menina teve a cara de pau de dizer que não era racista porque almoçava com uma menina negra, a única do local onde ela trabalhava, e disse que até foi dançar com ela em alguma festa da rua da menina. Rainha do camarote total, gente! Ela acha que não é racista porque deu a garota negra o prazer de sua companhia. Afinal, ela, branquinha, agrega ao fazer isso. Resultado: meu amigo, negro e muito "nigrinha", esperou um seminário da turma da faculdade, escolheu o tema "racismo" e relacionou a teoria às coisas que a menina falou, citando o nome dela. Ela chorou, provavelmente de raiva e não de remorso. Tá com pena? Eu não. Gente idiota tem que levar esse tipo de escalde para ver se começa a se humanizar um pouco. Isto é, nos casos em que a pessoa tem essa capacidade no DNA; desconfio que a maioria não tem.
 E essa elite, se precisar fuder com quem precisa - leia-se, os mais pobres - para se beneficiar, não sente culpa alguma. Afinal, eles agregam. O pobre é que deveria estar muito feliz em servi-los.
Um colega de trabalho conta que a sua ex-babá tinha verdadeiro horror à ideia de voltar a atuar como doméstica. O motivo: a antiga patroa colocou, uma vez, a figura para trabalhar numa festa sábado à noite, quando ela deveria estar folgando. Foi pega de surpresa, mas trabalhou. No dia seguinte, bem cedinho, se picou para casa para, afinal, gozar de uma parte restante da sua folga. A patroa escaldou a criatura, depois, porque ela saiu sem pôr o café da manhã do fulaninho, filho dela. A moça ficou tão humilhada que nunca mais quis atuar nessa função. Provavelmente não foi a única situação do tipo enfrentada por ela, mas foi uma bela gota d´água.
Enfim, eu nunca acreditei muito nessa tal de igualdade de classes. Quem tem dinheiro, só respeita dinheiro e os signos ligados a isso. É bem verdade que conheço algumas exceções, mas já vi muita gente pintar o diabo com os outros porque tinha dinheiro. Alguns se lascaram mais na frente e perderam tudo - precisando, inclusive, das figuras que haviam humilhado. Não gosto dessa gente. Usam perfume importado mas fedem na alma. Não respeitam as pessoas e usam critérios aristocráticos e fúteis para decidir sobre o valor de alguém. Até admito para a convivência eventual, mas trazer para perto, não mesmo. Ao contrário da crença deles, não agregam nada, pelo menos não moralmente e espiritualmente.