Fui assistir a "Birdman". Saí do cinema com o estômago embrulhado e não sabia se era culpa do capuccino que tomei na Sala de Arte ou da minha angústia com o desespero do protagonista. Eu me reconheci naquele nível de ansiedade. Sério.
Deus do céu, que pânico é esse de ser esquecido que impede que a gente vire a página? Que sede é essa de ser especial para a sociedade? Que engano a gente alimenta ao pensar que popularidade significa afeto? Por que tanto medo de fracassar se, como diz o povo, do chão a gente não passa?
Você faz as suas escolhas, elas vão de encontro com o que o coletivo espera mas são sinceras com o seu querer, e ainda assim não dá para ficar bem com isso? Especiais são aqueles que conseguem se deixar em paz.
A gente procura por uma intensidade, por um significado, que não casa com a natureza da vida. Eu me pergunto se em 1500 as pessoas queriam tanto assim da própria existência, porque a minha teoria é que isso começou com a mídia, com a comunicação. Mas é que para vender informação/cultura, tem que haver apelo. Viver "na apelação" é contraproducente porque a vida não é entretenimento, é 99% de transpiração, você faz conforme as possibilidades; é espera e imperfeição suportadas pelo sonho de que, quem sabe um dia...
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