domingo, 7 de setembro de 2014

"Não é não!"

Se para você soou a frase dita para criança rebelde, sinto lhe dizer que a maioria de nós, então, morre sem nunca ter crescido.
É muito difícil receber um "não" sem ficar com a mente nos "porquês" disso. Aceitar uma negativa aos nossos desejos, assim, de pronto, não é para gente como a gente.
Uma amiga que acabou de romper com o namorado, de quem ela gosta muito, sofre, ainda que calada, tentando aceitar a negativa do ex. Não é fácil, dói muito...
Pensando nisso, lembrei de uma amiga que teve o pior término de relacionamento que já testemunhei. E ela gostava muito dele, estava empolgada em casar em breve, além de ser uma pessoa fofa, incapaz de fazer mal a uma mosca, apesar de ser uma loira gigantesca. Digo que tem alma de labrador, e ela se acaba de rir com a comparação. Como magoar uma criatura dessa, né?
A história dela não vai influir no restante do texto, mas é tão vil que quero compartilhar. No final de 2011, voltando das férias radiante como nunca, minha amiga me conta que encontrou o ex da época da faculdade; eles ficaram e, em poucos dias, o sujeito a pediu em casamento, combinando com ela que a cerimônia seria no ano seguinte. Ele morava em São Paulo, tinha quase 40 anos e ainda era solteiro. Havia terminado, há pouco, um namoro longo com uma ex que ele pintou como louca-problemática. Apesar do pedido de casamento ter sido "à queima roupa", minha amiga não o estranhou porque, afinal, eles já se conheciam há anos e tiveram um relacionamento, interrompido por causa da profissão dela. Era apenas questão de concluir. O reencontro teve ares de comédia romântica, de presente do destino.
Minha amiga passou o ano seguinte cuidando dos detalhes, mas o noivo, por sua vez, além de pouco vir a Salvador - geralmente com a passagem bancada por ela -, não se envolvia com a cerimônia. Todo mundo achava que alguma coisa estava acontecendo, mas ninguém fazia ideia. Remarcaram a data do casamento para o ano seguinte, quase no dia do meu aniversário. 
Eu não lembro exatamente o que a fez chamá-lo para uma conversa, mas ele reagiu muito mal. Eles terminaram. Dias depois, também não lembro a circunstância, o sujeito encontrou com o tio dela - parte da família de minha amiga mora na mesma cidade -, e ele foi ridículo: disse que nunca tinha falado de casamento - uma mentira deslavada, desmentida por qualquer um que já esteve com o casal -, que ela era louca. Uma total falta de consideração, ainda mais porque ele conhecia aquela família há uns 15 anos.
Mas lembrei dessa história de minha amiga pela fantástica reação dela, na minha opinião: não discutiu, não correu atrás, pouco falava disso e não chorava em público nem quando a história era relembrada. Tocou a vida como se nada tivesse acontecido. Como temos intimidade, perguntei como ela conseguiu superar "tão fácil" (mas a vontade era de pedir um autógrafo). Como não bateu boca depois do que ele disse ao tio? E como segurava a curiosidade de saber se estava com alguém? Eu mandaria metade da conta do casamento para ele pagar, pelo menos! 
Ela me respondeu:
- Ju, está doendo, mas eu aprendi com a minha terapeuta a aceitar o não, a não procurar os motivos e seguir em frente.
Eu fiquei chocada. E acho que ela percebeu que a maturidade da resposta havia agredido a minha longa trajetória de desespero existencial, inconformidade com as negativas da vida e tentativas frustradas de controlar os acontecimentos.
- Não foi do dia para a noite que aprendi isso, sabe? Foi um aprendizado de mais de dez anos, desde que comecei a terapia. Já sofri muito em outros términos de relacionamento.
Veja, uma década sendo "treinada" para aprender a reagir sem desespero. Mas isso tem os seus efeitos colaterais. A própria terapeuta briga com ela por "agir que nem homem", ou seja, "pegando sem se apegar". Diz a psi que isso sinaliza aos caras que ela não quer nada sério. Quem são os loucos, minha gente, nós ou eles? Ai, ai!...
Se tudo fosse só amor, estava até bom, como diz a minha mãe. A gente pode escolher, em último caso, não amar, afinal esse tipo de relacionamento é uma aposta quase como a loteria, feito para "perder" mesmo (embora sempre se ganhe algo).
Mas e quanto às coisas práticas da vida? Quando você investe em uma carreira e tudo dá errado, quando você quer um emprego e não rola. Ou que nem esse pianista famoso que tem problemas nas mãos e não pode mais tocar. 
E há coisa que é insubstituível. Uma colega ficou muito abatida quando perdeu a mãe por erro médico. Senti que a causa, o erro, ficou martelando ali, no coração. A pessoa não conseguia disfarçar a tristeza, perdeu o viço. Ela não conseguiu aceitar que não é não, que a mãe nunca mais estaria ali.
E, sabe, nem a sensatez é capaz de salvar totalmente a cena. Um religioso famoso na cidade tem um argumento muito bom para essa hora: por que se lamentar, se acontece a tanta gente no mundo? Vá fazer o coração se aquietar com isso, vá, e depois volte para me contar... Só o tempo e muita resiliência podem ajudar. 
Ainda bem que minha amiga - a que sofre agora - também sabe disso. 


domingo, 24 de agosto de 2014

Hipocrisia sentimental

Ontem estava em um bate papo com duas amigas. O assunto que veio à baila foi relacionamento aberto.
Caros amigos, vale frisar que, antes de tudo, sou uma pragmática. Nunca mesmo se esqueçam disso. Eu quero saber do que é possível, do que na prática se confirma, e pra quê serve. Odeio teoria vazia. Só serve para gerar desilusão e culpa. Nem venham!...
Acho todos os argumentos a favor da poligamia lindos, concordo - na teoria - que seria o ideal atingir esse nível de respeito pelo próximo, odeio gente ciumenta, que não confia, mas, no atual estágio da Humanidade, esse tipo de arranjo sentimental tem tudo e mais alguma coisa para dar em merda.
Relacionamento aberto, pra mim - levando em conta os tipos humanos que conheci em três décadas de vida -, é coisa para quem: 1) não tem realmente vínculo com o seu par (é mais uma "amizade colorida"); 2) é extremamente evoluído espiritualmente. Se gente "2" existe, nunca conheci. Porque, pelo que tenho visto, as pessoas até administram ficadas, mas a zorra fede quando o par estabelece vínculos com outro alguém. Porque, por melhores que sejamos, temos ego, temos os nossos apegos e medos. É humano isso. Só essa gente muito evoluída, que eu nunca tive o prazer de conhecer, consegue, de coração, entender e aceitar calmamente as mudanças dos seus afetos.
De minha parte, apesar de entender "que amor só dura em liberdade e o ciúme é só vaidade", eu não quero saber. Eu não aguentaria e me dou o direito disso; não vou me esfolar por dentro para parecer alguém que ainda não sou. Se quem eu amo for amar outra pessoa, não me conte, não deixe as pessoas mais próximas saberem - porque sempre dão bandeira, isso quando não revelam o fato - e nem faça isso com gente que é importante para mim sentimentalmente, porque, do contrário, vou ler isso como descuido e até tentativa de me ferir. O mundo é grande, o tesão pode acontecer por muitas outras pessoas que não as do meu "raio social". As escolhas querem comunicar algo. E nem me venha com esse lance de culpa. Se for pra me contar, que seja para terminar logo e cada um seguir a sua vida. Esse negócio de contar pra nós dois darmos um jeito na relação, tô fora. Não entendo isso de "pedir tempo". Tenha personalidade, né? Assuma as suas vontades, e escolha. Não dá para manter as pernas dos dois lados da rua; viver é escolher e, eventualmente, perder algo por isso.
Invisibilidade
Na conversa, mencionei a minha surpresa com amigas, ditas descoladas, que ao fim da noite de sábado se mostravam chateadas com a vida de ficar, ficar, ficar. A não ser um idiota para dizer que antigamente era melhor que agora; as pessoas tinham medo de não seguir o script social. As pessoas eram quase coagidas a casar, ter família, manter casamentos. Mas, o que eu disse e ninguém pareceu entender, é que a evolução, nesse sentido, está sendo superestimada. A gaiola continua. A invisibilidade é de outro tipo, mas ainda fere corações. Porque ao fazer o esforço de ser racional e respeitar o outro - por generosidade ou orgulho, não é essa a questão -, se a figura não demonstra dependência afetiva, como numa espécie de vingança, @ outr@ passa a tratá-l@ como se não tivesse sentimentos, como se fosse um robô, um pedaço de carne.
Tá todo mundo ressentido. Nunca pudemos tantas coisas, mas continuamos, quanto aos nossos sentimentos, extremamente invisíveis uns para os outros. Ninguém evolui sem antes assumir que precisa evoluir, que tem coisas a serem trabalhadas. E a sociedade atual não quer admitir que os relacionamentos não só ainda têm desafios de liberdade como de segurança. Sim, deixemos o orgulho de lado: nós também precisamos de segurança afetiva. Não conheço quem seja autossuficiente sentimentalmente.
Por que a fama é uma armadilha tão grande? Porque você é visto, mas como uma grande caricatura. A armadilha é que menos gente ainda lhe enxerga quando você é famoso; você fica refém do olhar alheio, mas a essência torna-se mais invisível que antes.

***
Um amigo meu confessou que o sonho dele era ser cantor de trio elétrico.
Eu teria uma bruta crise existencial em cima de um trio.
Ia me questionar pra que diabos "grunhir" coisas do tipo "o malê de balê do dendê de obá". Ou qual o sentido de mandar alguém "tirar o pé do chão". Ou por que aquela criatura ali embaixo está se ocupando em mexer a mamãe sacode com tanta força. Ou pra quê me lenhar oito horas em cima de um trio, ganhar milhões e não poder aproveitar a vida, viajar, fazer o que me der na telha. Enfim, acabaria tendo uma crise de labirintite e caindo de cima do trio. Vexame. Essa profissão não serviria pra mim.

sábado, 19 de julho de 2014

Bia, a sobrinha

A filha de minha irmã Flávia, Beatriz, de sete meses.
O tempo voa... E Bia cada vez mais parece uma bonequinha. :)

Preocupada com a novela

Eu nunca achei que a novela fosse obrigada a fazer o que a família não faz: educar. Mas, claro, concordo totalmente com o que "prega" Luiz Fernando Carvalho, de que a tv tem a obrigação de dar ao público não apenas o que ele quer, mas aquilo que ele ainda nem sabe que quer.
O caso é que, ultimamente, ando muito insatisfeita com os exemplos que as novelas estão dando ao público. Ninguém resolve nada na conversa; é tudo no tapa, principalmente entre mulheres. E o que foi aquele assassinato de Laerte no último capítulo de "Em Família", ontem? Luiza não poderia simplesmente ter caído em si e desistido de casar com o cara? Quer dizer que uma amante contrariada resolve a frustração assim, matando o cabra?
Fico preocupada com essas coisas porque o mundo lá fora anda muito à flor da pele para a mídia ainda incitar esse tipo de solução "na toral". Mídia mesmo, pois vejo isso no jornalismo impresso, no rádio, na internet. A busca pela audiência, que às vezes chega ao sensacionalismo, vem colaborando para essa loucura coletiva, não tenho dúvida. Sei lá, acho que as mídias têm que refletir mesmo sobre os seus comportamentos enquanto formadores de opinião. Se não quer prestar um serviço, pelo menos não preste um desserviço, né?

domingo, 6 de julho de 2014

A vida não é justa

Vocês estão carecas de saber: eu acho essa vida muito sem sentido e, desde que me entendo por gente, meu grande "Desafio Sebrae" é não pirar. Não pirar é bom. É um desejo muito digno.
Folks, além de desordenada, essa vida não é justa. Dá vontade de escrever um livro com esse título (espero que a Pachá não se rete comigo por "plágio"). Teria 12 capítulos, uma associação com os 12 trabalhos de Hércules. Segue um rascunho do esquema deles:

1. To be or no to be... Te jogaram nessa roubada e agora você que se vire. Pode isso, Arnaldo?
2. Por que a natureza faz seres (como eu) sem coordenação motora?
3. Na porta do buzú havia um idiota, havia um idiota na porta do buzú.
4. Por que gente sem talento insiste em mostrar a sua "arte" no buzú cheio, na hora do rush?
5. Meu destino não é poupar (ou por que sempre surge um imprevisto que te impede de fazer isso?).
6. Minha vocação é a aposentaria. E agora?
7. Receba sem chorar: a vida não vai te retribuir por ser legal.
8. Gente tapada prospera. E muitas vezes vira chefe.
9. Quem me quer eu não quero nem pagando (e quem eu quero já está "ocupado").
10. Raramente a gente tem a família que merece.
11. As pessoas querem ser consoladas e raramente gostam de saber a verdade.
12. Os únicos que têm paciência para os fóruns da internet são os últimos que deveriam ter o direito de dizer algo publicamente.



domingo, 4 de maio de 2014

Não ignore os instintos, pois a civilização não é tão civilizada quanto querem que a gente acredite

Levante a mão quem não ficou chocado com o assassinato do menino Bernardo, em Três Passos, interior do Rio Grande do Sul? É difícil não chorar essa morte, mesmo sendo de um pequeno desconhecido.
O engraçado é que uma semana antes, peguei uma discussão longa sobre alienação parental no Facebook. Os advogados e politicamente corretos, que surgiram no post, argumentavam que o pai tem a obrigação de dar amor ao filho e acreditavam que a lei é instrumento para isso.
Gente, quem é doido de achar que um pai ou uma mãe está certo em abandonar um filho? Não é essa a questão. O problema é que não dá para forçar uma pessoa a agir corretamente no campo afetivo. Não tem lei do mundo que possa obrigar o vínculo entre pais e filhos. O juiz pode até obrigar as partes a conviverem, mas consideração e afeto não se impõem com uma canetada. E nem às vezes convém, como vemos no caso de Bernardo.
Ok, nem todo pai ausente mata o filho, mas há outros tipos de morte também que um genitor pode produzir na sua prole. A relação afetiva ali estava mortíssima, tanto que Bernardo foi pedir ajuda ao Ministério Público. E mais: além do abandono, o menino era humilhado. Por que não sermos realistas e procurar o interesse do menor? Se a Justiça quer se meter em assuntos de fórum afetivo-familiar, que amplie a sua ideia de família, primeiro. Por que insistir nesse lenga lenga de pai e mãe quando é evidente que não há amor, não existe cuidado do genitor?
Pode ser fácil falar depois que a tragédia acontece, mas por que o juiz não procurou quem tivesse interesse em ficar com o garoto? Uma avó poderia ser melhor, um padrinho, enfim. O juiz chorou. Deve ter se arrependido de não ter tido senso prático.
Cena 2. Sai a pesquisa do IPEA e um monte de gente brada que a mulher tem o direito de vestir o que quiser, que mesmo nua não merece ser estuprada. Esse posicionamento é necessário, mas está incompleto. Porque precisamos nos impor, fazer o outro entender que é nosso direito, etc. Mas, gente, só uma pessoa insana vai se fiar em leis e discursos para garantir a própria segurança. Sempre vai haver transgressores às normas e temos que estar espertos. Volto a dizer, temos que ser pragmáticos. Uma mulher deve, além de personalidade, ter prudência. Digo uma mulher porque - é inegável - somos fisicamente mais vulneráveis que os homens. Outro dia me contaram o caso de uma menina de 17 anos que topou ir para o estacionamento com um ficante da balada. Lembram da cena do estacionamento de "Telma & Louise"? É disso que eu falo: não facilitar para o azar. Quem garante que o cara vai respeitar o limite dela? Na minha opinião, a gente tem que se meter nas situações das quais conseguiremos sair.
Como bem disse Camille Paglia, sociedade é selva. Não ignore seus instintos para antever o perigo porque a civilização não é tão civilizada quanto querem que a gente acredite. Depois que o pior acontece, não tem caneta de juiz ou discurso politicamente correto que repare o estrago feito.

sábado, 3 de maio de 2014

Ticiana - inveja e confusão

Está todo mundo falando sobre a entrevista ostentação da colega de Facom Ticiana Villas Boas. É ótimo quando essas coisas acontecem com gente que conhecemos (ok, não somos amigaaas, mas Ticiana estudou comigo por quatro anos e, como entramos no mesmo semestre, tive a oportunidade de conviver com ela em alguns poucos eventos sociais da turma). Dá para ver a real dimensão das coisas.
Foi muito interessante ter visto o vídeo com um trecho da entrevista. O que todo mundo está criticando, o fato dela ter dito que passou um tempo sem saber o valor do litro da gasolina, ela mesma se criticou por isso. E eu duvido que você saiba o preço de tudo. Boechat não deve saber, por exemplo, quanto está custando o quilo do tomate. A empregada deve cuidar disso. E não é uma questão de ter dinheiro. É a divisão do trabalho. Se é o seu marido quem faz as compras de casa, provavelmente você não deve estar muito por dentro dos preços da cesta de alimentos.
Outra coisa que a gente tem que lembrar é que se trata do mundo dela, por mais que seja distante do nosso. É como a própria Ticiana diz no final do vídeo, que em relação a ela estudante, hoje gasta muito, mas em relação às pessoas do meio dela, não. E quem vai negar que o bom do dinheiro é não ter que fazer contas? Só sendo hipócrita mesmo.
Ticiana falou sobre isso de boa na entrevista, dá para ver no vídeo. Não vi ar de superioridade, ela apenas foi mais sincera do que convinha, já que ali é visível que a entrevista foi desenhada para pintá-la como a bonitinha fútil. Ela tem que começar a se tocar, também, que a Ticiana midiática é um produto. Não dá para sustentar essa vaidade de querer ser natural, sincera.
Não gosto de afirmação do tipo "é tudo inveja". Isso é resposta de gente idiota, de menininha tocadora de piano que não aguenta ouvir nada desagradável. Mas, nesse caso, vejo que uma parte da galera sente isso. Muita gente que a critica, no fundo, dá valor às coisas que ela tem. Porém, nesses casos, acredito mais na ignorância mesmo de quem julga.
Nessa situação específica, há duas confusões básicas:
1) "Jornalista é um ser com uma inteligência maior, o cara que dá a opinião que vai deixar a galera, na mesa de bar, de boca aberta". As pessoas sempre esperam que um jornalista fale coisas sensacionais e saiba de tudo. A galera talvez esperasse algo inteligente de Ticiana por ser a âncora da Band. "Come on, Bill!...", como diria Madonna. Eu perdi essa ilusão de que em redação só há gente genial assim que entrei em jornal. E não estou depreciando os meus colegas ao dizer isso porque eu tenho plena consciência que tudo que percebo na empresa em que trabalho existe nas outras, em maior ou menor grau. O jornalismo é feito dos operários da informação, ou seja, de gente esforçada, que não é gênia, mas que é competente para trazer a notícia. Um aqui, outro acolá vai superar a média. Ticiana é uma operária da informação. Ela, ainda repórter, fazia o trabalho dela direitinho. Chegou longe porque, além de esforçada, tem uma beleza acima da média no meio. Ponto. E conseguiu isso antes mesmo de ter se casado pela primeira vez. Ela não é interessante, mas é esforçada. E boa gente, pelo que me lembro. Gente assim pode chegar longe, mesmo no jornalismo ou em outras profissões com a fama de reunir a intelectualidade. 
2) "Qualquer trajetória, para ser válida, tem que ter sofrimento". Olha, eu sou do tipo que dou muito mais valor a quem saiu de uma condição difícil e conseguiu chegar lá, mesmo que não tão longe, do que a alguém que já nasceu em "berço esplêndido" e alcançou o topo. Ticiana nunca sofreu, sempre teve tudo que quis. Que culpa tem ela? Vá reclamar com Deus, ora.
Tem gente que diz que a criatura está "brincando de ser milionária", que está deslumbrada. Gente, não é muito diferente das nossas vidas, não.  Conheço um monte que brinca de ser poeta, ator, cônjuge, pai, mãe, espiritualizado (e nem sempre isso beneficia alguém mais além da própria pessoa)... Cada um com a sua maluquice/tara/ilusão. E nem acho que ela tenha casado com o feioso por dinheiro. Dá para ver que gosta dele. A dobradinha mulher bonita e homem inteligente é mais velha que a roda. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido. Agora, é claro, a criatura, pelo histórico desde os tempos da Facom, é carente; bajulou, conquistou. Quem é escolhido e não (se) escolhe nunca, corre o risco de ver que levou para casa a mercadoria trocada.
As pessoas não estão, também, acostumadas a ver jornalista em meio a tanto luxo. Ela, pelo que me lembro, é o primeiro caso do tipo. Nem os mais bem pagos da tv têm a condição de vida que ela usufrui. E isso é quase tão estranho como ver um jornalista anunciando sabão em pó.

Enfim, não vejo razão para tanto criticismo em cima de uma criatura que só está vivendo a vidinha dela. Olha, eu era feliz com a discussão do "somos todos macacos", e não sabia (risos).

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Muitas regras, muito barulho por nada

É racismo, é feminismo, é um monte de coisa da qual não se falava há dez anos, mas agora temos que dominar para não sermos execrados pelas militâncias. Eu entendo a importância delas existirem e sei - ou melhor, espero - que faz parte desse primeiro momento esse radicalismo, mas isso serve para quê mesmo, no final das contas? Menos ao objetivo inicial de estabelecer consciências e mais para a catarse das nossas frustrações e raivas.
Eu fico acompanhando as opiniões para complementar o que eu já sei. Mas às vezes fico frustrada porque falamos muito, mas ainda vejo poucas mudanças. Acho que somos melhores para reclamar que para repensar.
E, cá entre nós, tá tudo muito chato, né não?

segunda-feira, 17 de março de 2014

"Let it be..."

Os tempos estão difíceis, de um jeito que eu não consigo mais cavar paciência para lidar com isso.
Cara, eu entrei o ano tão bem, disposta a não me aborrecer como em 2013. Na verdade, eu não estou tensa como no ano passado, mas eu estou frustrada de ver que certas coisas não têm volta, já era mesmo.  It´s over e eu não tenho plano B. Como faz, produção?
A coisa ficou tão baixaria que, ano passado, o Além me chamou de modo bem estranho. Um dia Fabiana, uma pessoa séria, colega querida do trabalho, me chama, toda cheia de dedos, para me perguntar se eu tenho preconceito com tarô. Enfim, o rodeio foi para me dizer que havia sonhado comigo e que alguém me mandava ir na taróloga. Fui, o primeiro aviso foi esse: "Pare com essa ansiedade, que você vai acabar ficando doente".
Semana passada, estresse total, e de novo o recado: "Let it be".
Mas como assim, gente? Vou viver a base de maracujina? Aprender a ficar na minha é a meta do período.

segunda-feira, 3 de março de 2014

"Porque sim!"

Outro dia, um colega, que está num relacionamento complicado com uma mulher que se separou há alguns meses de um modo conturbado, estava se perguntando se ela era uma pessoa bacana já que ficou casada com um maluco - segundo ele e ela - por oito anos.
Ele tem alguma razão: as nossas escolhas falam sobre nós. Já me perguntei muito por que gente boa se associava a gente ruim. Até agora, só encontrei duas respostas: talvez sejam farinha do mesmo saco, no fundo; falta de autoestima da pessoa boa, que não acredita merecer coisa melhor.
Sabe, eu nunca fui casada, mas acho que posso entender essa gente que fica presa a relacionamentos ruins. Eu estou em um, de certo modo. Mal "casada" com a profissão há 15 anos, como disse o meu terapeuta.
Eu poderia dizer que isso é culpa da minha mãe, que me fez crescer ouvindo que a profissão é o meu marido. Eu comprei a ideia porque nunca quis ser dependente do dinheiro de um homem, como ela foi de meu pai. Hoje sei que isso não é verdade. Mas cadê que eu consigo me desapegar dessa crença errada?
Desde 1999 eu me sinto desconfortável nesse meio. Eu sei, no fundo, que se eu realmente quisesse, poderia ir mais longe nessa profissão. Mas apesar de gostar de vários elementos dela, não é "o homem da minha vida". Meu coração nunca esteve 100% ali. Eu sei que nem todos nós vamos ser extraordinários, mas eu sofro porque eu sei que eu tenho mais para dar do que o que até agora tem saído de mim, que enquanto o resto da humanidade mostra um fake melhor do que a realidade, eu sou aquele 3% que mostra um eu piorado. Minha primeira angústia é essa: será que realmente pode vir algo melhor ou eu estou me enganando?
Então eu vejo um monte de gente que ainda gosta de trabalhar nisso, embora se lenhe na vida pessoal por causa da profissão. Alguns permanecem por pura vaidade, mas um monte não. Então eu me questiono se não estou projetando na profissão problemas internos, que são mais fundos, e que a rotina apertada do jornalismo apenas potencializa. Ok, eu me sinto outra pessoa quando estou de folga, descansada, mas quem garante que não terei a mesma sensação em outra carreira?
(Acho que é por isso que, no fundo, eu tenho medo de relacionamentos. Porque se já é essa "guerra" com uma coisa que só envolve a mim, que deveria ser mais simples, imagine quando incluir um parceiro, um filho, uma casa e um cachorro? Será que eu vou aguentar a culpa de mexer no destino de toda essa gente se as coisas saírem mal? Sim, porque eu enrolo, mas não faz nem um pouco meu estilo permanecer ad aeternum numa situação ruim; sou meio rebelde, contestadora, sim, apesar de odiar o desgaste que isso me traz)
É extremamente difícil separar o meu do seu quando estamos em relacionamentos, em situações subjetivas. Eu apenas sei que estou prestes a abandonar a profissão porque meu corpo anda dando sinais. Ele está me tirando de uma situação que, emocionalmente, me sobrecarrega, me dá culpa, me deixa confusa para resolver. É o similar, em um casamento, a repulsa sexual do parceiro. Estou me isolando no trabalho, assim como as pessoas vão ficando distantes em uma relação. O fim de todo relacionamento é como câncer: há uma certa melhora (é você tentando dar um gás para ver se salva a situação), que provoca uma desesperada alegria, mas não se engane, o fim é certo e vem logo depois.
Desistir, embora muitas vezes seja a deixa para algo melhor, traz uma sensação de fracasso muito grande. Ninguém aposta para perder. É difícil ficar em paz com isso. Eu estou nesse ponto: tentando ficar em paz com uma decisão que já está tomada, mas que - eu sei - vai ser duro bancar.
Enfim, a gente demora muito tempo para sair dessas situações simplesmente "porque sim", como diz a propaganda da marca de cerveja. Porque cada um tem o seu próprio tempo. 

domingo, 2 de março de 2014

Only you

O amor não está no "eu te amo" (que, inclusive, eu demorei seis meses para te dizer). Está naquilo que mexe tanto comigo que nunca tive coragem de falar. Pra ninguém. Sei lá, estranho como essas coisas entalam na garganta. A gente é tão carinhoso quando não há tanto significado, mas quando o treco nos toca, vai fundo, falar é quase como ficar nu na multidão. Sei disso e talvez essa seja a minha dificuldade em acreditar somente nas palavras.
Eu nunca te contei, por exemplo, que, quando deitava a minha cabeça na sua barriga, de noite, meu barato era ficar ali, quietinha, escutando o seu estômago, como eu fazia com a minha mãe quando eu era pequena "em busca do elo perdido". E que quando a gente ainda nem namorava, achava uma delícia roçar de leve a minha bochecha na sua quando nos dávamos dois beijos de cumprimento. Será que você percebia? Eu apostava que não. Eu me sentia a própria borracha de duas cores da minha infância (risos) com essa mania de sempre esfregar uma parte minha na sua, uma molecagem a ser feita escondida, uma gostosura tão particular que não tem mesmo como expressar. A ponta do meu nariz deslizando nas suas costas enquanto você dormia, de leve o meu dedo no seu cabelo... Tocar em você nessas ocasiões era transcendental. Eu sei que podia parecer implicante às vezes, mas a verdade é que eu te achava uma cooooisa, um charme, lindo nos mínimos detalhes que, quem sabe?, só eu percebia, mas acho que não: sua generosidade, sua inteligência, seu sorriso tímido, a tranquilidade, a mania de passar a mão na minha cintura e se encostar a qualquer pretexto, de me fazer vez ou outra um bom café, que você sabe que eu adoro. Eu queria que meus filhos parecessem com tudo isso. Aliás, só me bateu a vontade forte de tê-los por sua causa. Only you. Foi um sonho não realizado, mas, na verdade, o maior presente você me deu logo no começo. Lembro que tomei um susto da primeira vez que percebi que me reparava. Me olhava como se eu fosse magia, os olhos marejados e eu podia ver, como um balão de história em quadrinho, o seu pensamento naquele momento: "Queria mais que tudo que você percebesse o quanto gosto de você e perceber que você sente o mesmo por mim". Aquilo me cativou. Acho mesmo que todo mundo, uma vez na vida, deveria ser olhado assim.
Como você nunca percebeu tudo isso e foi embora achando que não te amava? Eu, até nessa hora, me fingindo de durona, gritei, disse um monte de coisa, menos o que interessa; nada disso chegou aos seus ouvidos. Como é que pode? Medo de quê? De ficar na sua mão? Como se isso pudesse ser uma escolha. Foi aquela maldita crença de que as palavras matam os atos. Que droga que você precisava muito delas e eu não consegui entender a tempo. Mas por que você também nunca me percebeu? Por mais que a gente se iluda, baby, o fato é que um casal é feito de dois corações, não de um como a gente sonhava.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Conselho para a juventude feminina

Evitem os homens de aquário. Sério.
Conseguem ser piores que os de virgem, que são neuróticos, mas pelo menos responsáveis.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

????

Olha, é sério, se eu tivesse um filho hoje, eu não saberia que valores lhe transmitir.
Eu estou confusa: o que eu sempre acreditei ser o correto está se mostrando em desuso, e eu fico me questionando se, de repente, ando vendo errado.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Soberano

Saldo do final de semana: qualquer que seja a circunstância, o AMOR deve sair soberano dela. Não importa o quanto doa. Porque se não dá para ser perfeito, pelo menos tem que ser bonito. Por uma estética da vida - e tenho dito!

domingo, 6 de outubro de 2013

Deus e o Diabo...

... estão dentro de nós.
A Astrologia é cheia de simbologias. E como nossas escolhas são, a priori, estéticas, acho isso muito belo de se conhecer. Amo quebrar a cabeça tentando decifrar cada aspecto, cada símbolo que traz. É, desvendar mistério me dá muito barato (coisa dessa conjunção Sol-Mercúrio na Casa 8).

Esse é um aspecto fortíssimo do meu mapa, a oposição entre o Sol em Peixes e o Saturno em Virgem. Os planetas estão, respectivamente, nas casas 8 (a intimidade, a morte, o desapego) e 2 (a matéria, os valores internos e externos). Me desapegar dos outros sempre foi difícil. Meu sentido de posse é forte demais (casa 2), juntamente com a minha falta de autovalor (saturno na casa 2) é o meu diabo interno. Mas é nas crises que eu me autoafirmo, que minha consciência se expande. Eu morro um pouco nesse processo. Mas esse complexo tem que ser rompido. Há de haver um caminho menos dolorido para crescer. TEM QUE.

Es usted severa, terminante y rígida con sus decisiones. Probablemente no demuestre mucho por fuera todo lo que ocurre en su interior. Considera que la vida es dura y que cada cosa que quiera obtener implica un sacrificio. A veces, su actitud puede ser exageradamente realista llegando al pesimismo. Tiene que aprender a ser más positiva y a cambiar su programación mental de ..."todo es difícil"... por otra más efectiva que le permita obtener lo que se proponga con mayor facilidad.

      Vivirá muchas pruebas kármicas durante su vida las cuales pueden acarrearle frustraciones o depresión. Mantenga su mente tranquila para poder captar de la vida cuál es la lección que en cada momento debe aprender.

      La relación con su padre no fue fácil. La falta de comprensión de él hacia usted, su enemistad o su ausencia originaron un vacío afectivo muy grande que intentará llenar con su pareja, y ello sólo la conducirá a otra frustración. Elegirá a un hombre duro, frío, inflexible y quizás irresponsable, que limitará en gran medida su evolución personal. Las frustraciones de él serán las de usted y sus problemas no la dejarán concentrarse en lo suyo. No caiga en el error de culparlo a él por sus limitaciones. Tiene que trabajar consigo misma para crearse un futuro mejor.

      Para ayudarse deberá primeramente liberarse de los malos recuerdos del pasado, aprender a perdonar y a eliminar el rencor que pueda existir dentro de usted. Deberá confiar en sus propios recursos y valorizarlos sin esperar el reconocimiento externo (recuerde su falta de aprobación paterna). De lo contrario, vivirá quejándose de su realidad. También pudiera tener algún problema de salud, especialmente en las articulaciones y los huesos.

      Los sentimientos de insuficiencia personal, las inhibiciones y las dudas sobre sí misma a menudo le afligen. Posee una actitud cautelosa, realista y cuidadosa ante la vida y es de gran responsabilidad y disciplina hacia sus obligaciones y deberes. Tiende a luchar y a trabajar más de lo necesario, y a tomarse demasiado en serio a sí misma.

sábado, 5 de outubro de 2013

"Só aceito se me der dois"

No início dos anos 80 havia uma colônia de férias, em Itapuã, onde várias famílias de diversos cantos do País e da Bahia costumavam veranear. Passados alguns anos, todo mundo já se conhecia e era amigo. Havia gente de toda idade, mas, naturalmente, os grupos se dividiam conforme a idade: a turma dos adultos/pais; dos adolescentes/jovens; e, claro, a dos pequeninos, que circulavam nos outros grupos.
Ele, um dos rapazes mais populares da turma dos jovens, era conhecido pela gula. Dizia: "Prefiro te dar outro a dar um pedaço do que estou comendo". Ninguém se atrevia a sequer pedir um pedaço - quando fazia, era para divertir-se com a reação raivosa dele.
Um dia, ele andava pela área comum do lugar, comendo um pacote de biscoitos recheados. Cruzou com ela, sua amiguinha 13 anos mais nova, olhou pro pacote e com vergonha de negar comida a criança, com certa reticência ofereceu:
- Aceita um?
Qualquer um da colônia teria ficado para lá de satisfeito com a oferta dele. Mas ela, do alto dos seus quatro anos de idade, foi categórica:
- Só aceito se me der dois!
Passado o susto, e dando risada da resposta criativa, ele deu os dois biscoitos. Ela partiu, comendo o doce como se nada tivesse acontecido.

A garotinha da história sou eu, à época a rainha das respostas desconcertantes.
Ia postar isso aqui por ser uma boa história da minha infância, mas, pensando bem, há alguns ensinamentos para adultos aí.

"Só aceito se me der dois"

Pois bem, não aceite o que estão dispostos a dar a você. Vá além. Lute pela sua satisfação. Não reaja; aja.

Mas eu sei porque disse isso a ele. Sei porque sou assim até hoje. Ele brincava comigo - posso dizer que era a criança predileta dele na colônia - e, como era bonito e engraçado, eu adorava aquela atenção. Então devo ter achado muito desaforo da parte dele me oferecer somente um biscoito. Isso é oferta que se faz a qualquer pessoa, ora! Se somos amigos, me ofereça algo mais, me mostre deferência.
Todo mundo que me ofereceu um biscoito, ao longo da vida, poupou o pacote mas perdeu a amiga.

Ele deu os dois biscoitos

 As crianças são seguras. Não é à toa que Renato Russo cantava "não sou criança a ponto de saber tudo". Certamente não pensei que teria meu pedido negado, que poderia ficar sem nenhum biscoito. Os complexos são coisas que os adultos transferem para as crianças. E é tão triste porque elas confiam tanto na sabedoria da gente.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sexo frágil

Por indicação de um amigo, comecei a ler um livro que anda mexendo muito comigo por trazer novas ideias sobre a nossa educação sexual, digo, dos latinos.
O nome da obra, de autoria da jornalista colombiana radicada em N.Y. Silvana Paternostro, é "Na terra de Deus e do homem".
O fio que puxa o livro são dados sobre a contaminação de mulheres casadas, fiéis, pelo vírus HIV na América Latina. Isso faz uns 15 anos. Silvana tomou um choque e ficou intrigada com um grupo que surgiu na pesquisa: Homens Heterossexuais que se Relacionam com Homossexuais. Isso existe. E é coisa da América Latina
Descobri que, aqui, um homem só é bicha se é o passivo. Comer outro homem é até símbolo de macheza, do tipo "enrabo tudo, até outro homem". Visto assim é tão ridículo...
E tem mais: eles não gostam de usar preservativos. E as mulheres, tão submissas, muitas vezes não exigem isso também dos maridos e nem se revoltam muito menos admitem que os conjuges as traíam com outros homens, pegando o vírus.
Tá explicado porque os homossexuais sempre acham que todo mundo é gay. Lidam com muita falsidade dos heteros, que pegam, às vezes se apegam, mas sempre negam.
Sabe, eu sempre pensei no machismo como ferramenta de morte psicológica das mulheres, mas não de dano físico. E é verdade. Quando ninguém orienta as mulheres e falar de sexo não é coisa de mulher "direita", violências como um aborto mal feito lenham com o aparelho reprodutor quando não ceifam a vida da pessoa.
E tem uma coisa que me deixou mais arrasada: apesar das mulheres terem muito em comum com os gays, em discriminação, nem eles querem ser comparados a gente. Ser afeminado é desprezível. Ser passivo - o que recebe a penetração  - na relação também é. E muitos travestis dizem que são mais femininos que a gente.
Tá osso, viu?

Megera

Ando me tornando uma pessoa impaciente, sabia?
É que eu preciso descansar. Sempre foi assim. Eu, se não parar, se não descansar, fico querendo matar um.
Meu Deus, eu preciso desacelerar! Mas como? Cartas à redação.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A desconfiança de quem agrada todo mundo

Como se poderia ter a certeza de que a sua alma estava verdadeiramente purificada? O Sr. Elliot era racional, discreto, educado - mas não era franco. Nunca havia uma explosão de sentimentos, nenhuma indignação ou deleite acalorados perante o mal ou o bem dos outros. Para ela, isto era decididamente um defeito. As suas primeiras impressões eram imutáveis. Ela gostava, acima de tudo, de pessoas francas, sinceras e impulsivas. O ardor e o entusiasmo ainda a cativavam. Ela achava que podia confiar mais na sinceridade dos que por vezes diziam uma coisa imprudente e precipitada do que na daqueles que nunca perdiam a presença de espírito ou cuja língua nunca tinha um deslize. O Sr. Elliot era demasiado simpático em relação a todos. Eram várias as maneiras de ser em casa do pai dela, e ele agradava a todas elas. Ele suportava tudo com a maior complacência, dava-se demasiado bem com toda a gente. Ele falara-lhe da Sra. Clay com alguma franqueza; parecera que vira claramente o que a Sra. Clay pretendia, que a desprezava; no entanto, a Sra. Clay achava-o tão simpático como toda a gente. Lady Russell via menos ou mais do que a sua jovem amiga, pois não via nada que provocasse desconfiança. Ela não conseguia imaginar um homem mais ideal do que o Sr. Elliot; nem sensação alguma lhe era mais agradável do que a esperança de o ver receber a mão da sua querida Anne na igreja de Kellynch, no Outono seguinte.

domingo, 18 de agosto de 2013

Na prateleira

Acabo de ler uma matéria sobre um estudo inglês que constata que os adolescentes têm problemas para se relacionar com as meninas de sua idade por influência da tecnologia.
" (...) os meninos, pelo fácil acesso à pornografia, acham que as meninas são descartáveis e, por isso, têm utilizado um linguajar insensível. (...) Dentre as 1.000 entrevistas com adolescentes feitas para o estudo, Catherine percebeu que vários garotos estão usando mensagens de texto para conseguir o que eles querem (na maioria das vezes, assuntos relacionados a sexo) sem mesmo dizerem que gosta da pessoa."
[http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/16/estudo-culpa-excesso-de-tecnologia-por-ma-qualidade-de-flerte-de-garotos.htm]
É uma coisa que me chateia, não só no âmbito das relações pessoais mas também profissionais. Somos tratados e, inclusive, tratamos os outros como máquinas.
O ser humano virou um objeto na prateleira, que sai de lá ou é descartado no lixo por motivos superficiais. E o pior: ninguém se move na direção contrária. E mesmo por dentro quebrados com tanta frieza, as pessoas não dão o braço a torcer que estão infelizes. Até quando, né?