Engraçado como as informações se encontram de vez em quando. Hoje, pela manhã, li nas redes de uma amiga advogada e mãe sobre uma nova vertente do feminismo, surgida em 2016, que quer desmarginalizar as mães, o feminismo matricêntrico. Mais tarde, vi uma matéria falando que o casamento pode ser bom pra mulher, desde que ela escolha o parceiro certo.
O feminismo sempre foi muito injusto com as mães e esposas e vice-versa. Há uma falsa compreensão do movimento de que marido e filhos são um impedimento à mulher - e essa é uma meia verdade. E existe uma compreensão equivocada das mulheres de que para ser feminista não dá pra ter família.
Pesquisas indicam que mulheres casadas são menos felizes que as solteiras e que não têm filhos. Vamos trocar "felicidade" por "menos satisfeitas" porque esse lance de felicidade é meio pessoal. Interpreto esse cenário assim: mulheres que não formaram família precisam fazer algo da vida. Ou criam um projeto de vida ou vão ficar mais deslocadas ainda numa sociedade que te vê como uma chocadeira em pleno século XXI. A própria dinâmica da maternidade e o discurso que se faz sobre a mulher no casamento empurram as mulheres para que elas não tenham projeto próprio de vida, mas que vivam através dos seus filhos e maridos. Essa é a armadilha. Qualquer ser humano roubado de si vai se sentir esgotado, mesmo que os ladrões sejam uns amores. Em qualquer interação, sempre fui da opinião de que tem que estar bom para todo mundo. O caso é que não está. As mulheres ainda se ocupam muito mais com a casa e com os filhos que os maridos, mas elas hoje dividem as despesas da casa e trabalham (graças a Deus!). Enfim, women, o lance não é ter filhos e maridos atrapalhando, o lance é ter um marido que divida casa e filhos com você. Esse é o "detalhe" que faz toda a diferença. A essa altura, não dá mais pra se dar ao luxo de ser o burro de carga da família.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quarta-feira, 29 de maio de 2019
domingo, 7 de abril de 2019
Admito, perdi a paciência
Eu ando sem paciência pra quem chora no pé do Caboclo dizendo que Cicrano ou Fulana enganou (estou falando, obviamente, de relações amorosas). Desculpe, gente, mas se tem uma coisa que eu ando cansada é dessa ladainha "Fulano/a me iludiu". Não por nunca ter passado por isso, pelo contrário - já cansei de ver virtudes em quem não as tinha. E eu sei que é a carência que faz a gente ver o que não existe. Tá todo mundo ciente, mas teima em continuar, patrocinando, com isso, esse tipo de canalhice. A essa altura, tô com dificuldade de ter pena de quem se bota nesse lugar. Aliás, não só perdi a paciência, como adquiri raiva. Pronto, falei!
domingo, 31 de março de 2019
Olha o que o patriarcado faz...
... Deixa as mulheres (heteros) sem agir.
Não sou anti homem. Não é culpa deles individualmente, mas de todo um sistema ao qual todos e todas estamos integrados até a medula.
Mas eu fiquei pensando em uma coisa ontem, quando vi a notícia de (mais) uma mulher lésbica que está tocando um projeto de formação tecnológica com jovens carentes: gostar de homem atrapalha a emancipação feminina. De fato, atrapalha. Tudo de mais transformador tem a ver com as lésbicas, repare: estudos queer, feminismo negro (Angela Davis, Audrey Lorde, Patrica Hill Collins, Sueli Carneiro, Vilma Reis e tantas outras).
É isso: eu acho que estar tão afetivamente próximas dos homens nos deixa com culpa de furar o patriarcado, de apontar a cultura machista.
Não sou anti homem. Não é culpa deles individualmente, mas de todo um sistema ao qual todos e todas estamos integrados até a medula.
Mas eu fiquei pensando em uma coisa ontem, quando vi a notícia de (mais) uma mulher lésbica que está tocando um projeto de formação tecnológica com jovens carentes: gostar de homem atrapalha a emancipação feminina. De fato, atrapalha. Tudo de mais transformador tem a ver com as lésbicas, repare: estudos queer, feminismo negro (Angela Davis, Audrey Lorde, Patrica Hill Collins, Sueli Carneiro, Vilma Reis e tantas outras).
É isso: eu acho que estar tão afetivamente próximas dos homens nos deixa com culpa de furar o patriarcado, de apontar a cultura machista.
domingo, 10 de março de 2019
T.S. Eliot gabaritou
“Metade do estrago causado neste mundo é porque as pessoas querem se sentir importantes. Elas não querem lesar: estão cegas em sua luta infinita para pensarem bem de si mesmas.”
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
I have nothing
Semana passada eu vi o segundo documentário da Netflix sobre Whitney Houston (gostei mais de Can I be me?). Tive uma epifania: gente quebrada atrai gente problemática. No fundo, não é culpa de ninguém. Tragédias da vida real...
Sempre tive ódio de Bob Brown, marido de Whitney. Sempre atribuí a ele o afundamento de Whitney nas drogas. Acontece tanto, diria até que é um clássico. Homem se destrói por causa de amizades erradas; mulher, por causa do homem errado. Ou seja, certas masculinidades não fazem bem nem aos próprios homens.
Nunca entendi como alguém tão bonita, como uma voz tão inigualável podia ser tão autodestrutiva. Mas quando você vai pra infância de WH, tá tudo ali, toda a explicação. Ok, eu conheço gente que passou o diabo e conseguiu seguir o baile, mas, no geral, quando a pessoa já se quebra na infância, é difícil superar. Parece até uma maldição.
Não foi culpa de Bob Brown. Whitney não tinha condições de arranjar alguém muito melhor que ele. Só se fosse alguém com um amor muito grande e abnegado, daqueles de novela... Que pena!...
Nunca entendi como alguém tão bonita, como uma voz tão inigualável podia ser tão autodestrutiva. Mas quando você vai pra infância de WH, tá tudo ali, toda a explicação. Ok, eu conheço gente que passou o diabo e conseguiu seguir o baile, mas, no geral, quando a pessoa já se quebra na infância, é difícil superar. Parece até uma maldição.
Não foi culpa de Bob Brown. Whitney não tinha condições de arranjar alguém muito melhor que ele. Só se fosse alguém com um amor muito grande e abnegado, daqueles de novela... Que pena!...
domingo, 13 de janeiro de 2019
O problema da religiões cristãs
(A meu ver, tá? É sempre bom destacar, até porque certeza, certeza, ninguém tem sobre o que acontece no lado de lá)
Não é que eu tenha algo contra as religiões cristãs - estou considerando aqui o catolicismo e o espiritismo. Eu até já as frequentei bastante e sou grata especialmente ao espiritismo. Mas eu gosto de pensar pela minha própria cabeça e não sou obrigada a concordar com tudo por mais que aprecie outras características dessas religiões. Estas sempre foram as "regras da casa"...
O que eu não gosto nessas religiões é a falta de compaixão. Soa paradoxal, mas o que pega pra mim nessas religiões é a falta de pés no chão e a ênfase na culpa e no medo.
Eu parto do seguinte princípio: se Deus quisesse perfeição, teria nos feito perfeitos. Eu acho que Deus olha mais para as nossas intenções e limites e não fica nos medindo por condutas ideais. O meu Deus quer que a gente dê o nosso melhor, ainda que não seja o ideal. Então se você passou por um monte de sofrimentos e se suicidou, não conseguiu, sucumbiu no limite das suas forças, Deus não vai te mandar deformado na próxima vida e muito menos pro vale dos suicidas. Pire aí: você perde seu parente desse modo traumático e vem de lá um (pseudo) cristão largar uma merda dessa? Vá essa figura, sim, pro inferno! Isso é ser do bem? Ou é querer posar de moralmente superior em cima das desgraças dos outros, numa total falta de empatia e falta de capacidade de interpretação de contextos? Então, se você julgou que o melhor era abortar, Deus não vai te jogar sete pedras se ele leu no seu coração que você não fez isso por mesquinhez ou perversidade. Às vezes, na vida, a gente simplesmente não aguenta e isso é humano. Meu Deus é mais sensível, justo e, por isso mesmo, inteligente.
Toda essa patacoada se baseia no famoso "Você recebe o que você merece, por ter feito igual ou porque você está em sintonia". Eu acho que essa é uma meia verdade. Eu acho que a coisa não é tão cartesiana assim e diversos fatores entram nessa equação. Neste ponto, eu acho que o mundo espiritual funciona como a Terra mesmo, onde você está suscetível a tudo e o lance é aprender a identificar perigos e aprender os macetes pra ficar menos vulnerável. Se alguém te assalta é porque você merece ou porque tá todo mundo no mesmo globo, havia um assaltante e calhou de você estar na rota dele? Do mesmo jeito, se um espírito ruim cisma com você, ele pode te fazer mal, quer você esteja em sintonia ou não. Aliás, ele pode criar situações para que você entre na dele, assim como acontece na vida material. Uma vez, conversando com uma pessoa que comanda uma casa de umbanda, ela disse que obsessão pode acontecer com pessoas como ela, mas que a questão é que, a essa altura, ela sabe separar o que é dela e o que não é. O que tem de gente escrota que nada atinge e de gente boa penando... Por esse critério dos espíritas, pessoas ruins estariam mais vulneráveis ao mal, já que estão na mesma sintonia. Mas não é assim. Acho que a questão do poder pessoal interfere, acho que quem se gosta mais e tem menos medo e culpa, se torna menos vulnerável a ataques espirituais.
Outra coisa que eu não entendo: que validade tem eu perdoar alguém nesta vida se eu esqueci o que ela fez na vida passada? Assim é fácil, não vejo grande amadurecimento, mérito. Me faça algo nessa vida mesmo e deixe eu perder a memória e te perdoarei de boa, ora. E acho muito injusto a gente fazer acordos antes de nascer, dos quais não lembraremos, e sermos cobrados por isso. Eu não saberia explicar por que nos acontece o que nos acontece, mas essas explicações espíritas tão pouco me satisfazem. São racionais, mas não fazem sentido de verdade, não parecem justas, sabe?
Enfim, acho que a coisa deve ser muito mais complexa do que dizem. Além do mais, seria uma sacanagem do caramba se Deus desse o monopólio da verdade para uma só religião. Acho que ele andou distribuindo gotas de revelação para todas.
Outra coisa que eu não entendo: que validade tem eu perdoar alguém nesta vida se eu esqueci o que ela fez na vida passada? Assim é fácil, não vejo grande amadurecimento, mérito. Me faça algo nessa vida mesmo e deixe eu perder a memória e te perdoarei de boa, ora. E acho muito injusto a gente fazer acordos antes de nascer, dos quais não lembraremos, e sermos cobrados por isso. Eu não saberia explicar por que nos acontece o que nos acontece, mas essas explicações espíritas tão pouco me satisfazem. São racionais, mas não fazem sentido de verdade, não parecem justas, sabe?
Enfim, acho que a coisa deve ser muito mais complexa do que dizem. Além do mais, seria uma sacanagem do caramba se Deus desse o monopólio da verdade para uma só religião. Acho que ele andou distribuindo gotas de revelação para todas.
Por essas e outras que cada vez mais eu penso que, se fosse eu uma pessoa religiosa, ia me dar muito melhor na umbanda ou no candomblé, que não trabalham com essas porcarias de medo e culpa, mas com a ideia de responsabilidade. Eu acho um modo muito mais adulto de tratar as pessoas.
Pra fechar, tem uma moça esquisita no YouTube chamada Lauren, que entende desses paranauês espirituais, que fez um vídeo que, apesar do tom afrontoso, traz alguns questionamentos que eu concordo. Recomendo esse vídeo.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Coração Selvagem (e lições sobre a vida)
Um aviso antes de começar este texto: neste blog é proibido falar mal de Fernando Colunga e Eduardo Palomo. De resto, problema seu se não gosta de novela latina. :P
Essas fotos são da novela Coração Selvagem, terceira versão. Eu a assisti quando tinha uns 14 anos, depois quando tinha 17 e 21 e, graças ao YouTube, me deparei com ela de novo em dezembro passado. É uma das minhas novelas preferidas e a melhor novela não brasileira que já assisti. :) A história, que é baseada em um romance dos anos 50 da mexicana de ascendência cubana Caridad Bravo Adams, teve quatro versões para a tv. A última delas, de 2009, é, aliás, pavorosa. Tiveram a capacidade de juntar nos papéis principais a versão mexicana do cigano Igor com uma atriz canastrona para fazer gêmeas, a boa e a má (ideia mais cretina, até porque as personagens do livro não são gêmeas). A atriz em questão é a ex mulher de Luis Miguel. Agora eu entendo porque ele se separou dela. Realmente, com atriz canastrona não dá. Tomara que os filhos deles puxem ao pai em talento, hehe... Enfim, a única coisa que prestou nessa versão foi o tema, a baladinha de Chayanne, "Me enamoré de ti".
E essa terceira versão, com Edith Gonzalez e Eduardo Palomo, prima não só por um roteiro bem feito, dinâmico, que mistura romance com ação, mas por boas atuações de todo o elenco, com destaque para o par romântico, que teve muita química. Você assiste as cenas de Monica e Juan e parece que você está numa situação real, os atores realmente conseguiram passar verdade, conseguiram entrar mesmo num jogo cênico entre eles, inclusive se movendo em cena de acordo com os movimentos do outro. Palomo teve uma química com Edith que nem com a própria esposa dele conseguiu ter (aliás, outra canastrona). Suspeito até que essa química veio não só do talento de ambos e de um bom entendimento profissional, mas de algo fora das telas (veja bem, não estou dizendo aqui que se consumou, mas só a intenção já bastaria para mobilizar emoções, hehe)... A evolução do relacionamento de Monica e Juan foi um negócio muito bem feito, gradual. Monica, que saiu diretamente de um convento, começa bem tímida, mal sabia o que fazer com a boca nos primeiros beijos com o noivo, e termina a novela segura, outra mulher. Esse tipo de transformação sutil e ao mesmo tempo significativa só uma boa atriz pode conseguir. Viva Edith!
A direção também foi muito boa. A cena mesmo em que Juan corre montado a cavalo de frente pra câmera é massa. E em vários momentos os personagens passam informações sem abrir a boca, só pela expressão corporal, o que não é comum em novelas mexicanas (mas também trata-se de um elenco de larga experiência, inclusive no teatro). A cara de Juan para Monica, por exemplo, quando descobre que ela mentiu sobre Aimée já ter ido pra lua de mel dispensa texto. Outra cena boa é quando, já casado com Monica, Juan recebe o irmão em sua casa, de quem ele morre de ciúmes por ter sido a paixão da vida inteira da esposa. Na hora de se despedirem, já sabendo que faz parte do ritual que seu irmão beije a mão de Monica, ele se adianta para abrir a porta e estar de costas quando isso acontecer, pra não ver Andrés se aproximando de Monica. Também é muito boa a cena do choro misturado com riso de Monica ao saber que Juan não estava morto como disseram a ela e ainda quando Monica, olhando fixamente pra frente, vai embora depois de dar de cara com Juan pela primeira vez após meses separada dele, como quem diz "Não vou nem olhar para ele para não cair em tentação, para não sucumbir a esse olhar 43 aí". Muito boa a expressão de saudade e desespero de Juan ao vê-la depois de tanto tempo. Mas a melhor direção, a meu ver, foi a do "balé" dos dois na escada da casa de Andrés, enquanto faziam uma DR. <3
A direção também foi muito boa. A cena mesmo em que Juan corre montado a cavalo de frente pra câmera é massa. E em vários momentos os personagens passam informações sem abrir a boca, só pela expressão corporal, o que não é comum em novelas mexicanas (mas também trata-se de um elenco de larga experiência, inclusive no teatro). A cara de Juan para Monica, por exemplo, quando descobre que ela mentiu sobre Aimée já ter ido pra lua de mel dispensa texto. Outra cena boa é quando, já casado com Monica, Juan recebe o irmão em sua casa, de quem ele morre de ciúmes por ter sido a paixão da vida inteira da esposa. Na hora de se despedirem, já sabendo que faz parte do ritual que seu irmão beije a mão de Monica, ele se adianta para abrir a porta e estar de costas quando isso acontecer, pra não ver Andrés se aproximando de Monica. Também é muito boa a cena do choro misturado com riso de Monica ao saber que Juan não estava morto como disseram a ela e ainda quando Monica, olhando fixamente pra frente, vai embora depois de dar de cara com Juan pela primeira vez após meses separada dele, como quem diz "Não vou nem olhar para ele para não cair em tentação, para não sucumbir a esse olhar 43 aí". Muito boa a expressão de saudade e desespero de Juan ao vê-la depois de tanto tempo. Mas a melhor direção, a meu ver, foi a do "balé" dos dois na escada da casa de Andrés, enquanto faziam uma DR. <3
Bem, a história de Coração Selvagem fala de um quarteto amoroso formado por duas irmãs de uma família nobre e falida, de caráteres completamente opostos (Aimée Altamira, a atrevida e sem caráter e Monica Altamira, a gente boa e tímida) e dois meio irmãos que não se sabem irmãos (Andrés Alcázar, o rico e Juan del Diablo, sem sobrenome mesmo, o pobre, filho bastardo de Francisco Alcázar) até determinada altura da história, que se passa numa cidadezinha costeira do México, em 1902. Só pra explicar o eixo da trama: Monica e Andrés tinham um compromisso firmado pelas suas mães desde a infância, mas ele morou no exterior a vida inteira, portanto, não tiveram contato. Só que ao conhecer Aimée na capital - ela foi criada por uma tia de lá, por causa da falta de recursos de sua mãe -, Andrés se apaixona por ela. Quando Aimée volta pra San Pedro, a cidadezinha da história, conhece Juan e eles têm um caso. Poucos dias depois, é a vez de Andrés voltar. Ele rompe o compromisso com Monica, que fica devastada e resolve entrar pra um convento, e se declara para Aimée, que por ambição e ódio gratuito pela irmã resolve aceitar o pedido de casamento. Neste meio tempo, Juan, que já está apaixonado por Aimée, pede ela em casamento, prometendo que vai voltar rico de uma viagem que vai fazer (é dono de um barco de carga, onde faz entregas e carrega mercadorias para vender), e ela aceita, mas da boca pra fora e duvidando que isso aconteça. Juan, o azarado, volta um dia depois do casamento de Aimée e Andrés. Pra ele, foi um soco no estômago: primeiro, por ter sido enganado pela mulher que ele queria se casar e depois porque ela conseguiu a proeza de, com isso, por o dedo na pior ferida dele, que sempre foi complexado por ser um bastardo, sem sobrenome e sem família, que viu o irmão crescendo com tudo que ele poderia ter também e não teve - Aimée ter preferido se casar com Andrés foi a cereja desse bolo. Em determinada altura, Juan e Monica se veem meio que empurrados a se casarem, e a partir daí coisas bacanas e coisas tristes acontecem.
Quem é o coração selvagem? Juan, o arrebatado? Monica, a apaixonada? Aimée, a egoísta? Ou Andrés, o iludido?
Essa novela é o folhetim clássico e a prova que, se bem feitos, produtos deste gênero não ficam nada a dever às tramas descoladas de HBO e Netflix. Os personagens são críveis, humanos, e você torce pelos mocinhos e odeia os vilões (em determinada altura, eu mesma, se pudesse, daria cabo de Aimée, Bautista, Espíndola e até de Andrés, Açucena e dona Catalina. Ô vontade de chamar Nazaré Tedesco pra empurrar esses insuportáveis da escada!... Gente, é tão bom se zangar com personagem de novela! É catártico! hehe).
Quem é o coração selvagem? Juan, o arrebatado? Monica, a apaixonada? Aimée, a egoísta? Ou Andrés, o iludido?
Essa novela é o folhetim clássico e a prova que, se bem feitos, produtos deste gênero não ficam nada a dever às tramas descoladas de HBO e Netflix. Os personagens são críveis, humanos, e você torce pelos mocinhos e odeia os vilões (em determinada altura, eu mesma, se pudesse, daria cabo de Aimée, Bautista, Espíndola e até de Andrés, Açucena e dona Catalina. Ô vontade de chamar Nazaré Tedesco pra empurrar esses insuportáveis da escada!... Gente, é tão bom se zangar com personagem de novela! É catártico! hehe).
Como toda boa história, essa rende algumas reflexões sobre a vida (atenção, daqui pra baixo vão rolar uns spoilers mesmo).
1 - Quem vê cara, não vê coração
Tanto no livro como na ótima adaptação de Maria Zarattini para a TV (uma roteirista italiana, autora da Televisa, que também é responsável por outra novela que fez muito sucesso, embora bem inferior a Coração, "Amor real", outra adaptação de um livro de Caridad Bravo Adams), Aimée é descrita como uma mulher belíssima, extrovertida, sem nenhum pudor em viver a sua sexualidade (essa parte da sexualidade fica mais evidente no livro que na novela). Os caras ficaram hipnotizados, mas logo quando descobriram como ela era egoísta, mentirosa e sem escrúpulos, se desapaixonaram (pelo menos isso, né?). Já Monica, que por ser pudica e tímida ninguém dava um vintém por ela, despertou amores mais intensos, por incrível que pareça. Na verdade, Monica é uma pessoa apaixonada, porém contida. Isso demora de ser mostrado na novela, mas logo nas primeiras descrições da personagem no livro é dito: se trata de uma mulher muito intensa, mas que vivia isso em silêncio. Ela tinha a mesma energia e força que Aimée, só que enquanto essa extravasava pela via do egoísmo, Monica usava essa paixão de forma mais positiva - além disso, ao contrário da irmã, ela tinha conteúdo.
Gosto do fato de Juan e Monica terem se escolhido pela qualidade do ser humano, abrindo mão até dos seus padrões até o momento: ele gostava de mulheres com "sangue nas veias" e ela foi criada para casar com um cavalheiro.
Moral da história: às vezes as melhores opções não vão estar piscando na prateleira, pelo contrário. E nem tudo que reluz é ouro.
Gosto do fato de Juan e Monica terem se escolhido pela qualidade do ser humano, abrindo mão até dos seus padrões até o momento: ele gostava de mulheres com "sangue nas veias" e ela foi criada para casar com um cavalheiro.
Moral da história: às vezes as melhores opções não vão estar piscando na prateleira, pelo contrário. E nem tudo que reluz é ouro.
2 - A potência de ser diferente
Geralmente quando você destoa da média, quase ninguém vai ter olhos pra você, mas quem tem, encontra algo que ninguém mais seria capaz de dar, daí o motivo do encantamento bater forte. Explico: Juan, por ser um pária, com fama até de marginal, por mais que tivesse qualidades humanas importantes, só despertava paixão nas mulheres, que justamente por ele ser bonito, masculino, rude, "selvagem", buscavam nele mais emoção na vida amorosa. Monica foi a exceção: ela gostou dele primeiro pelas qualidades como pessoa. Foi a primeira vez que ele conseguiu juntar amor e paixão, aliás, o amor puxou a paixão. Na verdade, como Don Noel fala no início da novela, por ter vivido toda a rejeição que viveu, a grande fome de Juan era de afeto, e isso Monica tinha de sobra pra dar. Quando ele percebeu que Monica era melhor que a média, generosa apesar de pertencer a classe alta, brigou com unhas e dentes pra ficar com ela. Juan poderia achar mulheres mais exuberantes, mais charmosas, mais performáticas, mas não com a integridade e afetuosidade dela. Mesmo no século 19, suspeito que a coisa andava difícil (risos). Ao se casar com alguém marginalizado como Juan, Monica praticamente cometeu suicídio social (na novela, porque no livro é diferente o caminho pelo qual eles se unem), coisa que nem Aimée no auge da paixão teve coragem, admitindo que tinha vergonha dele. Aimée, aliás, só corre atrás de Juan quando já não tem mais nada a perder, e até então ela queria juntar a paixão de Juan com a fortuna de Andrés. O tipo de criatura que só pensa em si.
Monica também encontrou um homem diferente do que ela imaginava: íntegro, carinhoso e que a trata de igual para igual, o que não é comum hoje, muito menos há 120 anos. Como li no comentário de uma espectadora, no YouTube, Juan é o sonho de qualquer mulher: gato, rico, sincero e apaixonado (risos). Mesmo Andrés sendo um bom rapaz, ele tinha aquela ideia errada de que mulheres de alta classe devem ser tratadas como seres puros e incapazes que devem ser tuteladas pelos homens, quase como um animal de estimação caro. Melhor resposta de Juan pra essa baboseira: "Uma mulher é uma mulher, quer tenha nascido num estábulo ou palácio". Homem bitolado como Andrés tem mesmo o destino de perder a mulher para homens mais lúcidos e espontâneos como Juan.
3 - Nem sempre o que você queria era o que te convinha
Pelo perfil de Monica, ela teria sido feliz com qualquer um dos dois, embora a oportunidade dela de crescer e evoluir estivesse com Juan (aliás, é curioso como um puxou no outro aquilo que sempre tiveram, mas estava recalcado: nele, o lado carinhoso; nela, o lado apaixonado e corajoso). Mas ele, se tivesse se casado com Aimée, teria sido muito infeliz. Um cara simples, generoso e afetuoso como Juan logo ia se frustrar com uma mulher frívola, egoísta e sem caráter como ela. A felicidade não ia durar 30 dias. E, com o tempo, comparando-a com Monica, mais uma vez ia se ressentir do irmão ter levado a melhor e ele, a pior. Juan e Monica comprovam uma teoria que tenho há algum tempo: para qualquer tipo de parceria, especialmente casamento, as pessoas podem até ter temperamentos opostos, mas precisam ter os mesmos valores.
Como Juan mesmo disse, é de agradecer a Aimée que o tenha traído, pois permitiu que conhecesse Monica. Aliás, foi a única coisa boa que resultou de Aimée, porque binha só trouxe problema pra vida dele.
Como Juan mesmo disse, é de agradecer a Aimée que o tenha traído, pois permitiu que conhecesse Monica. Aliás, foi a única coisa boa que resultou de Aimée, porque binha só trouxe problema pra vida dele.
4 - É preciso acreditar em segundas chances e não se paralisar pelas experiências ruins
Monica e Juan se juntam de forma muito rápida depois de terem passado por grandes decepções amorosas. Mas se permitiram tentar mais uma vez quando se apaixonaram de novo, um pelo outro. Acho massa que tanto ele quanto ela admite ter já se apaixonado por outras pessoas, mas reforçando que Monica/Juan foi a pessoa a quem mais amou na vida, que foi algo diferente, especial. Se tivessem sido dominados pelo trauma, olha só a oportunidade que teriam perdido.
Aliás, neste ponto, o Juan da novela merece mais aplausos que o do livro. No romance, Juan se casa pra se vingar; ele acha que Monica combinou com Aimée a armadilha que os levou ao casamento. Ele a arrasta para o navio dele, contra a vontade dela, e conforme vão se conhecendo, vão se apaixonando (eu acho que a novela deveria ter demorado um pouco mais nesse processo. Entre se conhecerem e se apaixonarem, Juan e Monica levam apenas dez capítulos. É bom deixar o público um pouco ansioso, na espera). O Juan da novela se casa com uma mulher por quem ele já está apaixonado mas que ele pensa que ainda está apaixonada por outro. Mesmo tendo sofrido muito por Aimée, que foi uma aposta alta que ele fez (arriscando a vida pra ficar rico e poder dar uma vida confortável a ela, moça de classe alta acostumada a luxos), mesmo sendo orgulhoso, Juan aposta de novo e em Mônica, em poder fazê-la se apaixonar por ele. Claro que isso deixa ele ciumento a novela inteira (até porque tem um gênio do cão), principalmente no começo do casamento quando ele não tinha ainda segurança no amor dela. Mas Juan dispensa a segurança, o orgulho e aposta tudo na felicidade dele, mesmo morrendo de medo de sofrer de novo e bem mais, porque com Monica ele tinha altas expectativas por ela ser como é. Bravo, Juan! Como diz o outro, quem não morre também não vê Deus.
5 - Um casal precisa se comunicar
Esse problema é muito maior no livro que na novela. E dá até raiva da teimosia e falta de autoconfiança de Monica e Juan. Eles se apaixonam, mas passam quase o livro inteiro sofrendo, achando que não podem se declarar porque serão rejeitados. Um beijo roubado, uma carta, uma conversa teria abreviado o sofrimento. O Juan do livro é mais orgulhoso. De tão ciumento, acha que todos os gestos de Monica são de amor a Andrés (que no livro se chama Renato), e mesmo quando bichinha, que é mais fechada que uma ostra, toma coragem e se insinua um pouco, ele dá um jeito de ver de outro modo. Os dois passam o livro entendendo tudo errado porque não conseguem conversar sobre seus sentimentos. O Juan da novela é mais barraqueiro e entrão: quer saber das coisas, enche o saco de Monica para que ela fale francamente, pergunta a outras pessoas, fala o que sente e até escala muro e entra pela janela quando está muito difícil ter acesso a ela pelas vias civilizadas. Isso, Juan: melhor se arriscar que passar vontade! hehe...
6 - Nem sempre haverá chance para consertar um erro
Essa parte é muito interessante: tanto Andrés quanto Juan são boas pessoas, gente de bom coração, mas as vivências fizeram a diferença no caráter de cada um deles. Andrés é autocentrado e confiante, já que nunca teve uma vontade negada e sempre teve todo mundo ao seu redor disposto a satisfazê-las. Juan cresceu numa situação de vulnerabilidade, portanto sabe que solidariedade é condição de sobrevivência pra ele e pras pessoas que o cercam. Como ele sabe que no mundo real é cada um por si e Deus por todos, quando ele se depara com Monica, ele percebe que está com alguém especial, que mesmo sofrendo, ainda é generosa. Para Andrés, essas qualidades só vão valer de alguma coisa depois que ele quebrar a cara com Aimée e perceber que Juan está muito feliz com Mônica, se arrependendo pela primeira vez de não ter ouvido o conselho de sua mãe de que conhecesse Monica primeiro antes de se decidir de vez pela irmã dela. Tão acostumado que está de não se importar com ninguém além dele, Andrés não reparou nos sinais de que Aimée não sentia nada por ele; não se colocou no lugar de Juan, que passou pela mesma coisa que ele com Aimée, achando que só ele foi ofendido e sofreu e que podia descontar em Juan sua frustração causada, na verdade, por ele mesmo e Aimée. Com Monica, então... Andrés, apesar de ter muito afeto por ela, nunca a enxergou: terminou o compromisso sem nem sequer considerar o sofrimento dela (o que valeria ao menos uma conversa, uma atenção com os sentimentos dela); tentou empurrar um marido que ela não queria (Alberto), quando ele mesmo esperneou contra um casamento arranjado, e de qualquer modo a forçou a se casar, o que ela acabou fazendo felizmente com Juan; e quando quis se vingar de Juan, Andrés em nenhum momento considerou o sofrimento que iria imputar a principal prejudicada da história, Monica, ainda querendo forçar um casamento com ela só pra se vingar do irmão. No livro isso se dá um pouco diferente, porque depois de se decepcionar com Aimée, ele realmente se dá conta de que ama Monica e tenta de todos os modos, inclusive não éticos, tirar ela de Juan, se negando a aceitar que ela já está apaixonada por outro. Enfim, muito provavelmente quem vai te ferrar na vida não é uma pessoa maquiavélica, vilão de novela, mas alguém como Andrés, que não está jogando contra você, mas a favor dele. Tá certo que ele tinha uma essência boa enquanto Aimée era gente ruim, perversa, mas ambos só olhavam o próprio umbigo. Se mereciam mais do que Andrés merecia Monica e Aimée, Juan.
Aimée também foi outra que percebeu a burrada que fez tarde demais. Se deslumbrou com dinheiro e prestígio social e achou que poderia dar uma de esperta em cima dos dois homens apaixonados por ela tendo o melhor dos dois mundos, e acabou perdendo ambos, principalmente o que mais lhe interessava (Aimée iria adorar o século XXI, onde a galera é bem assim: quer tudo e não aceita abrir mão de nada, mesmo que pra isso tenha que ferrar com os outros). Quando percebeu que gostava de Juan e que não ia conseguir esquecê-lo, já era tarde demais. Certas coisas que você faz (ou não faz) aos outros mudam a visão que as pessoas têm a seu respeito pra sempre.
Na novela, Juan também dá um vacilo e quase perde Mônica. Um vacilo por amor, mas um vacilo, inclusive advertido por Don Noel, a consciência externa de Juan. Mas como ele não larga o osso e tenta por todos os meios fazê-la perdoá-lo (esse cabra é de Escorpião e de Ogum. Certeza!) e Monica se derrete por ele (essa figura é de Peixes, só pode!), dá certo no final.
7 - The Power of Love
Pode me chamar de brega, mas eu acredito no poder do afeto. Primeiro, eu preciso esclarecer que eu também acredito em personalidade, em essência. Quem é generoso, é, quem é egoísta, é, e não dá pra apagar isso totalmente, só piorar ou melhorar. Juan Del Diablo é o case desse tipo de situação. Na novela, sabemos que ele é filho de um adultério, o que em 1880 era algo gravíssimo; que a mãe logo morreu; que o marido dela maltratou ele até não poder mais; que o pai verdadeiro, quando soube, tentou reconhecê-lo, mas morreu antes disso; que a mulher do pai tocou ele pra fora da fazenda como se toca um cão sarnento, então ainda muito novo ele teve que se virar sozinho. Somado a isso, tem a pobreza extrema, a fama de contrabandista e marginal num povoado pequeno e a falta de sobrenome, o que fechava várias portas pra ele, desde ter um negócio a se casar. De afeto mesmo, só Don Noel, que o alimentou, ensinou a ler, escrever e tinha uma santa paciência pra orientar ele na vida. A novela suavizou coisas que o livro mostra e, por outro lado, a novela modernizou uma história que, afinal, foi escrita nos anos 50 e, enfim, continha umas coisas ultrapassadas demais. Pois bem, no livro sabemos que Don Noel deu o primeiro presente da vida de Juan, um saco de laranjas, ao perceber que ele estava com fome, e que o marido da mãe tentou matá-lo algumas vezes, uma vez aos 10 anos e a facada.
Toda essa volta foi pra contrastar com a generosidade dele, que nunca se apagou apesar dele ter sido super maltratado. Mas, apesar de ser uma pessoa de bom coração, era uma pessoa dura, rude, o que só mudou por influência de Monica, que era uma pessoa muito carinhosa. A direção e o ator agregaram dois detalhes preciosos ao personagem: Juan mudava de tom, se tornava mais suave automaticamente quando estava com Monica; ele nunca sorria e, a despeito de ser uma novela mexicana, onde os mocinhos sofrem o tempo inteiro, ele só deu um sorriso e uma gargalhada a novela inteira, marcando a aspereza da vida do personagem que influiu na personalidade dele.
8 - Conselhos para a juventude!
Pode me chamar de brega, mas eu acredito no poder do afeto. Primeiro, eu preciso esclarecer que eu também acredito em personalidade, em essência. Quem é generoso, é, quem é egoísta, é, e não dá pra apagar isso totalmente, só piorar ou melhorar. Juan Del Diablo é o case desse tipo de situação. Na novela, sabemos que ele é filho de um adultério, o que em 1880 era algo gravíssimo; que a mãe logo morreu; que o marido dela maltratou ele até não poder mais; que o pai verdadeiro, quando soube, tentou reconhecê-lo, mas morreu antes disso; que a mulher do pai tocou ele pra fora da fazenda como se toca um cão sarnento, então ainda muito novo ele teve que se virar sozinho. Somado a isso, tem a pobreza extrema, a fama de contrabandista e marginal num povoado pequeno e a falta de sobrenome, o que fechava várias portas pra ele, desde ter um negócio a se casar. De afeto mesmo, só Don Noel, que o alimentou, ensinou a ler, escrever e tinha uma santa paciência pra orientar ele na vida. A novela suavizou coisas que o livro mostra e, por outro lado, a novela modernizou uma história que, afinal, foi escrita nos anos 50 e, enfim, continha umas coisas ultrapassadas demais. Pois bem, no livro sabemos que Don Noel deu o primeiro presente da vida de Juan, um saco de laranjas, ao perceber que ele estava com fome, e que o marido da mãe tentou matá-lo algumas vezes, uma vez aos 10 anos e a facada.
Toda essa volta foi pra contrastar com a generosidade dele, que nunca se apagou apesar dele ter sido super maltratado. Mas, apesar de ser uma pessoa de bom coração, era uma pessoa dura, rude, o que só mudou por influência de Monica, que era uma pessoa muito carinhosa. A direção e o ator agregaram dois detalhes preciosos ao personagem: Juan mudava de tom, se tornava mais suave automaticamente quando estava com Monica; ele nunca sorria e, a despeito de ser uma novela mexicana, onde os mocinhos sofrem o tempo inteiro, ele só deu um sorriso e uma gargalhada a novela inteira, marcando a aspereza da vida do personagem que influiu na personalidade dele.
8 - Conselhos para a juventude!
Aprendam com a voz da experiência, Don Noel: "O verdadeiro amor é correspondido".
Dona Amanda dá importante recado às mulheres que pensam que podem mudar um homem: "É a gente que acaba mudada: infeliz, amarga, frustrada".
Método Juan del Diablo de gestão de crise: na dúvida (da parceira), parta pro amasso. Todas as vezes em que ele via Monica titubear, beijava na boca ou agarrava pela cintura. Funcionava. Tanto que, quando soube que o marido não havia morrido (não é spoiler! protagonista não morre, ué), foi logo lavar o instrumento do pecado.
Dona Amanda dá importante recado às mulheres que pensam que podem mudar um homem: "É a gente que acaba mudada: infeliz, amarga, frustrada".
Método Juan del Diablo de gestão de crise: na dúvida (da parceira), parta pro amasso. Todas as vezes em que ele via Monica titubear, beijava na boca ou agarrava pela cintura. Funcionava. Tanto que, quando soube que o marido não havia morrido (não é spoiler! protagonista não morre, ué), foi logo lavar o instrumento do pecado.
E tome nota de mais essa de Juan: "Quando se ama de verdade, se dá tudo e se quer tudo. Ninguém fica satisfeito com um amor pela metade".
Santa Monica alerta que, ao término de um relacionamento, às vezes é melhor ir devagar porque o santo pode ser de barro. Ao ser questionada pela mãe e depois pela prima sobre o porquê de não querer se casar com Andrés, já que ele é tão bom partido e ela não quer mais saber de Juan, Monica encara a questão objetivamente e com sinceridade: o perigo de fazer isso, quando se tem um sentimento tão intenso por um ex, é procurá-lo na outra pessoa o tempo todo, gerando inclusive rancor nessa pessoa atual. Foi por ignorar isso que, aliás, Aimée se ferrou. Essa história de que só se cura um amor com outro amor só é verdade quando se está com o coração aberto.
9 - Don Noel! <3
Meu personagem preferido depois dos protagonistas. E como Palomo e Ezalde tiveram química em cena! O texto também era muito bom. Os melhores diálogos da novela eram os de Juan e Noel. Tá aí uma coisa que é muito melhor na novela que no livro: a participação de Don Noel.
Bem, Don Noel é aquele sujeito "a voz da razão". Todo mundo mete o bichinho no meio dos problemas e ele, prontamente, ajuda a resolvê-los. Geralmente usa da lábia de advogado para não ser tão indelicado quando precisa tratar de um assunto delicado, menos com Juan. Com ele, é a verdade nua e crua, de um jeito que um sujeito como ele só faz quando se importa muito. Mesmo quando Juan não gosta - às vezes espertamente ele desvia o rumo da conversa -, no fundo o escuta, ele respeita as broncas de Don Noel. Quisera eu ter uma pessoa assim. Geralmente, a gente encontra essa figura no terapeuta, e com sorte. Gente sensata, que presta atenção na gente e interessada de verdade em ajudar é raridade, então, se topar com uma figura dessa, aproveite. Deixe de birra e escute com atenção.
10 - Bonus track - o que não aguento mais ouvir depois dessa novela
Apellido(#ranço); desdichada/o; dulce-suave-tierna; Deveras?; mi cielo; licenciado; santurrona; necio; Se lo suplico, se lo ruego! (by Monica); bastardo; zorra (exclusivo para Aimée).
11 - Bonus track 2 - check list dos pilares das novelas mexicanas em Corazón Salvaje:
1 - Uma mãe rica que passa a novela atrapalhando o romance dos protagonistas, ou melhor, a vida da parte pobre do casal. (x)
2 - Uma mulher rica e bonita, que é a fim do protagonista masculino e quer acabar com a mocinha. (x)
3 - A madrinha. (x)
4 - Um rapaz pobre chamado Serafim. (x)
5 - A reviravolta do/a personagem que sempre foi pobre e vira rico/a. (x)
6 - Mocinho lerdo, o único a não ver o que todo mundo tá cansado de saber. (x)
7 - Mocinho com nome composto (mas aqui, excepcionalmente, só é chamado por um dos três nomes.). (x)
8 - Um bastardo ou órfão. (x)
9 - Alguém perdendo a virgindade. (x)
10 - Um segredo bombástico. (x)
11 - Inédito - Santa Monica foi a protagonista com a melhor vida sexual da história das novelas mexicanas. Geralmente, mal rola a besteirinha e as personagens já ficam grávidas (vide Açucena). Monica passou a novela inteira se pegando com Juan e demorou quase um ano pra engravidar. Espero que ele tenha dado a ela a viagem de barco antes do bebê ter nascido, porque senão já era lua de mel.
PS.: Essa foi a primeira vez que vi uma novela toda em espanhol, na língua original. Confirmei algo que eu já desconfiava: a dublagem do SBT acaba com a interpretação dos atores latinos. Fora que todo galã é dublado pelo mesmo dublador de Fernando Colunga - que é horrível, só tem a voz bonita. Todo mundo é reedição de Carlos Daniel, de "A usurpadora", hehe.
Santa Monica alerta que, ao término de um relacionamento, às vezes é melhor ir devagar porque o santo pode ser de barro. Ao ser questionada pela mãe e depois pela prima sobre o porquê de não querer se casar com Andrés, já que ele é tão bom partido e ela não quer mais saber de Juan, Monica encara a questão objetivamente e com sinceridade: o perigo de fazer isso, quando se tem um sentimento tão intenso por um ex, é procurá-lo na outra pessoa o tempo todo, gerando inclusive rancor nessa pessoa atual. Foi por ignorar isso que, aliás, Aimée se ferrou. Essa história de que só se cura um amor com outro amor só é verdade quando se está com o coração aberto.
9 - Don Noel! <3
Meu personagem preferido depois dos protagonistas. E como Palomo e Ezalde tiveram química em cena! O texto também era muito bom. Os melhores diálogos da novela eram os de Juan e Noel. Tá aí uma coisa que é muito melhor na novela que no livro: a participação de Don Noel.
Bem, Don Noel é aquele sujeito "a voz da razão". Todo mundo mete o bichinho no meio dos problemas e ele, prontamente, ajuda a resolvê-los. Geralmente usa da lábia de advogado para não ser tão indelicado quando precisa tratar de um assunto delicado, menos com Juan. Com ele, é a verdade nua e crua, de um jeito que um sujeito como ele só faz quando se importa muito. Mesmo quando Juan não gosta - às vezes espertamente ele desvia o rumo da conversa -, no fundo o escuta, ele respeita as broncas de Don Noel. Quisera eu ter uma pessoa assim. Geralmente, a gente encontra essa figura no terapeuta, e com sorte. Gente sensata, que presta atenção na gente e interessada de verdade em ajudar é raridade, então, se topar com uma figura dessa, aproveite. Deixe de birra e escute com atenção.
10 - Bonus track - o que não aguento mais ouvir depois dessa novela
Apellido(#ranço); desdichada/o; dulce-suave-tierna; Deveras?; mi cielo; licenciado; santurrona; necio; Se lo suplico, se lo ruego! (by Monica); bastardo; zorra (exclusivo para Aimée).
11 - Bonus track 2 - check list dos pilares das novelas mexicanas em Corazón Salvaje:
1 - Uma mãe rica que passa a novela atrapalhando o romance dos protagonistas, ou melhor, a vida da parte pobre do casal. (x)
2 - Uma mulher rica e bonita, que é a fim do protagonista masculino e quer acabar com a mocinha. (x)
3 - A madrinha. (x)
4 - Um rapaz pobre chamado Serafim. (x)
5 - A reviravolta do/a personagem que sempre foi pobre e vira rico/a. (x)
6 - Mocinho lerdo, o único a não ver o que todo mundo tá cansado de saber. (x)
7 - Mocinho com nome composto (mas aqui, excepcionalmente, só é chamado por um dos três nomes.). (x)
8 - Um bastardo ou órfão. (x)
9 - Alguém perdendo a virgindade. (x)
10 - Um segredo bombástico. (x)
11 - Inédito - Santa Monica foi a protagonista com a melhor vida sexual da história das novelas mexicanas. Geralmente, mal rola a besteirinha e as personagens já ficam grávidas (vide Açucena). Monica passou a novela inteira se pegando com Juan e demorou quase um ano pra engravidar. Espero que ele tenha dado a ela a viagem de barco antes do bebê ter nascido, porque senão já era lua de mel.
PS.: Essa foi a primeira vez que vi uma novela toda em espanhol, na língua original. Confirmei algo que eu já desconfiava: a dublagem do SBT acaba com a interpretação dos atores latinos. Fora que todo galã é dublado pelo mesmo dublador de Fernando Colunga - que é horrível, só tem a voz bonita. Todo mundo é reedição de Carlos Daniel, de "A usurpadora", hehe.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Brava gente brasileira...
Eu nunca me envolvi com política, mas a política sempre esteve envolvida na minha vida, desde que era muito pequena. De tal forma que me considero uma espécie de Forrest Gump das coisas que se sucederam de 1985 pra cá.
A primeira lembrança é da morte do presidente Tancredo Neves. Muita gente não sabe, mas nasci e vivi até os 11 anos em Brasília. Pois então, eu acho que não tinha nem cinco anos quando isso aconteceu e meus pais, que passam bem longe do perfil politicamente engajado, se juntaram a uma multidão que, em silêncio respeitoso, ocupava o Eixão pra se despedir de Tancredo naquela noite, acompanhando um carro que, lentamente, passava levando o caixão do primeiro presidente da nossa recém reconquistada democracia. Essa e a estreia de "Thriller", no Fantástico, são minhas lembranças mais remotas da infância. No ano seguinte, 1986, novamente com meus pais, estive na greve geral (mas meu pai, que sempre teve medo de violência física, achou melhor a gente vazar rápido de lá).
A primeira eleição, em 1989, foi uma festa! As ruas de Brasília viviam repletas de materiais de campanha. A diversão da garotada era colecionar os adesivos dos candidatos. Duvido que alguma outra cidade tenha vivido a festa que houve na capital federal. Quando muito, São Paulo e Rio de Janeiro chegaram perto. A TV ia nos entrevistar na escola - e rolava aquela briga clássica pra decidir quem ia falar. Políticos também apareciam por lá pra tirar aquela foto bacana com a meninada e até rolou uma votação de mentirinha entre os alunos. Votei em Mario Covas, seguindo os votos de meus pais. Covas, o cara que mesmo sabendo que iria se ferrar politicamente, resolveu apoiar Lula no segundo turno - do tempo em que políticos ainda seguiam valores e ideais.
Collor, o caçador de Marajás, ganhou, mas, seis meses depois, você não encontrava um eleitor declarado dele. Em 1992 foi impeachmado. Eu já estava em Salvador, na parte dela que mais se assemelha a um interior, e não sabia circular muito pela cidade. Tomei falta no movimento Caras Pintadas. Mas, meses antes, conheci o presidente no 15 de novembro. Ele abordou a mim e mais dois amigos para comentar sobre a mudança do uniforme da Escola Parque, onde também havia estudado quando criança. Educadíssimo, porém com um olhar estranho. Quando comentei isso a um ex-coordenador da campanha dele, dez anos depois, ele caiu na gargalhada, e me contou: "Menina, era orientação na campanha não dar close nele para justamente não mostrar aquele olhar esquisito".
(O intervalo de mais ou menos 28 anos entre os três ciclos de combate da "ditadura comunista"- a ditadura militar, Collor e Bolsonaro - me fizeram desenvolver a teoria de que a política brasileira funciona que nem aquele livro "A Coisa", de Stephen King. Na história, a Coisa, que volta a perturbar uma mesma cidade a cada 27 anos, se alimenta dos medos dos seus habitantes, que também não são flor que se cheire. Parece muito com um certo país da América do Sul...)
(O intervalo de mais ou menos 28 anos entre os três ciclos de combate da "ditadura comunista"- a ditadura militar, Collor e Bolsonaro - me fizeram desenvolver a teoria de que a política brasileira funciona que nem aquele livro "A Coisa", de Stephen King. Na história, a Coisa, que volta a perturbar uma mesma cidade a cada 27 anos, se alimenta dos medos dos seus habitantes, que também não são flor que se cheire. Parece muito com um certo país da América do Sul...)
Em 2001, a coisa ficou séria perto de mim pela primeira vez e eu pude ver de perto o que a falta de liberdade pode causar. Talvez a dificuldade de alguns de vocês acreditarem no tal "risco à democracia" é que nunca tiveram contato com esse tipo de situação de abuso de autoridade e menos ainda com a truculência da polícia nessas ocasiões. Naquele 16.05.2001, fui parar numa manifestação de estudantes, na UFBA, por acaso. Estava com meu colega, minha dupla numa matéria chatérrima pro jornal da faculdade naquela manhã, e ele me ofereceu carona para a manifestação, nem lembro mais o motivo dela. Quem me conhece sabe que, pelo combo conversa fiada e carona, eu topo ir até o lado oposto ao meu destino real. Fomos e estava tudo muito tranquilo e pacífico até a Choque entrar na universidade, a mando do falecido ACM. Vi o desespero das pessoas ao meu redor e meu reflexo foi me proteger fugindo para um canto. Enquanto a polícia entrava no campus do Canela, um monte de jovens subiam um morrinho rumo a outro pedaço da universidade. Duas amigas minhas estavam nesse bolo. As duas não chegam a 1,60 m, duas figuras fofas, que não fazem mal a uma mosca. Eu olhava aquilo e ficava apavorada da galera que estava mais no topo se desequilibrar e, como avalanche, levar o povo que estava embaixo, incluindo minhas duas amigas franzinas. Não recomendo ver seus amigos nessa situação; é uma sensação de injustiça e de impotência ruim à beça. Tentam marginalizar protestos, mas a galera que vai pra essas coisas é tão inofensiva como eu e você (claro, em grandes multidões, sempre pode haver pequenos grupos que aproveitam a ocasião pra esculhambar). Perceba, eu fui parar lá por acaso. Minha mãe ainda tranquilizou a minha vó, que via pela TV, dizendo que eu não gostava dessas coisas. Num governo autoritário, poderiam ter sumido comigo, com meus amigos, a troco de nada, e minha família nunca mais saberia do meu rastro. Bem, uma garotada ficou machucada, o episódio virou um escândalo nacional e só porque vivíamos em uma democracia, uma multidão três vezes maior de jovens baianos puderam marchar contra o "dono da Bahia", em segurança, nos dias seguintes.
Em 2006, escrevendo os jornais de uma campanha política pequena, pude ver a revolução que o Luz para Todos fez no interior da Bahia. A direita, "pra variar", mentia e tentava enganar o povo dizendo que o programa era de sua autoria. Luz, gente! Coisa tão simples, mas que ninguém nunca tinha se interessado em fazer.
Em 2013, o desespero de 2001 se repetiu nas manifestações pré Copa. Eu estava lá cobrindo, mas caí na besteira de ficar entre os manifestantes. Jogaram tanta bomba de gás lacrimogêneo que eu, alérgica, eternamente com problemas respiratórios, tive que me ajoelhar e proteger meu rosto, porque não parava de tossir e nem conseguia abrir meus olhos. Um rapaz me ajudou a sair daquela situação. Eu e um monte de garotos terminamos o dia dentro de uma borracharia, para nos proteger dos PMs que corriam pela área em cima de cavalos. Quem já viu a PM em ação, sabe: uma vez que eles partem pra cima, perdem qualquer noção de proporção, parecem aqueles cachorros violentos que quem tem casa cria para soltar no quintal à noite.
As coisas em 2016, nas marchas anti impeachment, foram em paz. Fui de Juliana mesmo, deliberadamente, e foi uma delícia. Não surtiu efeito, mas nada como a consciência tranquila de estar do lado certo da História. Neste caso, como dizia Darcy Ribeiro, os fracassos são de qualquer forma vitórias.
Em 2017, voltei pra UFBA. Me emocionei, não só por estar de volta ao passado, digamos, mas de ver como aquilo tinha crescido, prosperado. Minha turma de tirocínio não seria possível há 20 anos. Aqueles meninos não teriam a oportunidade nem de estar lá, nem de travar as discussões que estavam tendo ali. Que salto!...
Eu sou de uma família tipicamente brasileira - se é que isso existe. Não tenho sobrenome gringo, não sei de onde meus antepassados vieram (apenas que já caminharam por Maranhão, Bahia, Minas, Goiás e o que hoje é o Tocantins), ninguém é herdeiro, é todo mundo mestiço, bem a cara da mistura de raças que formou esse país. Minha família ajudou a construir a capital federal, e está lá desde 1958. Minha mãe, aliás, sempre me contou da precariedade e da felicidade que encontraram nos seus primeiros anos, quando aquilo era só poeira. Meus pais, meus tios, em sua maioria, conseguiram melhorar de vida agarrando as oportunidades que aquela cidade, que este país lhes deu. Eu também. Sou de uma família de servidores públicos e muito do que sou devo também ao governo. Eu sei que meritocracia é uma balela. Só pude estudar porque havia universidade pública. Antes disso, estudei meus primeiros anos em escolas públicas. Quero que quem venha depois de mim tenha isso e muito mais e melhor. Quero que o Brasil tenha a estrutura e a oferta de direitos de uma França.
Daí chegamos em 2018 e vejo uma galera bem alimentada e que até já foi pra Disney (alguns continuam. Crise pra quem?), que não procura se informar de fato, que prefere acreditar em corrente maluca do Whatsapp que em fontes de informação de credibilidade (elas existem, é só deixar de paranoia e procurar), que nunca tirou a bunda do sofá para lutar por direito coletivo algum (às mulheres: teu direito ao divórcio, à guarda dos filhos, ao voto, à propriedade, à liberdade sexual e ao mercado de trabalho não caíram do céu. Muitas mulheres morreram para você hoje ter a pachorra de espalhar por aí que feminista é mulher louca que corre nua e defeca na rua) querer jogar toda a nossa liberdade fora por conta de fundamentalismo cristão, moralismo barato e uma ojeriza a um único partido político. O PT foi uma decepção para todo mundo. Fato. Mas não faz sentido jogar a água do banho e a criança fora. Isso é insensato, ou melhor, irresponsável. E não vai ser um governo autoritário que vai melhorar, muito pelo contrário. O cala boca que vai começar pelos ativistas, pela esquerda que você tanto odeia, vai terminar em você uma hora (quem já assistiu "A Escolha de Sofia" sabe do que estou falando). É uma conta alta e que todos pagarão. Quer ver? Nelson Rodrigues, um dos caras mais brilhantes da nossa literatura, era um fiasco politicamente falando. Conservador, não acreditava em tortura, era amigo da ditadura. Até que um dia seu filho sumiu. Foi levado e torturado. Seus amigos milicos não deram a mínima atenção e ele penou até encontrar o rapaz. Ficou arrasado com o que ouviu do filho. Ou seja, teve que acontecer na própria família para ele acordar pra realidade. Sinceramente, é tanto desrespeito às regras do jogo que eu acho que pode acontecer de tudo a essa altura, inclusive um novo regime autoritário. Na dúvida, acho que não vale a pena a gente abrir essa porta, não vale a pena pagar pra ver, muito menos se isso custar a integridade e a vida de LGBTs, negros, mulheres, ativistas, como já está custando. Há algo de muito errado quando uma galera quer endireitar um país, mas partindo do pressuposto de que algumas vidas valem menos e tudo bem se forem sacrificadas. Os fins justificam os meios? Alguém me viu tripudiar da facada de Bolsonaro aqui, embora esteja bem claro que não suporto ele e tudo que desperta nas pessoas? É uma questão de civilidade, de preservar a dignidade do outro e ao mesmo tempo a minha. Quando esse acordo é rompido, já perdemos todos.
A parte mais deprimente desta eleição é ver que o pau está comendo por causa de política e as pessoas não se importam com as outras. Vejo a maioria de um povo, que hoje usufrui de liberdades conquistadas às custas de tantas lutas e mortes no passado, abrindo mão de tudo isso pela mesquinharia de varrer um partido político (que é apenas uma ponta do iceberg) e, mais, impor aos outros o modo como acham que é certo viver. Não vai ser "Deus, pátria e família" que vai me fazer uma pessoa necessariamente boa. Aliás, o que tem de gente com uma biografia moralmente duvidosa pregando esse lema!... Uma pergunta rápida: se um assaltante entrasse na sua casa, você ia preferir que ele só te roubasse pertences ou que fizesse isso e ainda arrasasse física e psicologicamente com a sua família? Pois é, com os demais políticos, corremos o primeiro risco; com Bolsonaro e os milicos, o segundo. O mundo inteiro, em peso, está avisando que é furada. Não é possível que gregos e troianos estejam errados e aquela corrente do zap zap, certa. O primeiro passo pra sair dessa situação é largar de mesquinharia. País grande não combina com sentimentos pequenos, com falta de empatia, desprezo aos valores humanos.
Liberdade é bom demais, gente, estar numa democracia não é perfeito, mas vale ouro. Não deem isso de mão beijada a qualquer vigarista!
Liberdade é bom demais, gente, estar numa democracia não é perfeito, mas vale ouro. Não deem isso de mão beijada a qualquer vigarista!
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Fidelidade ou lealdade? Por Ivan Martins
Que lindo esse texto! Disse tudo que eu queria dizer.
***
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Nos últimos dias, ando apaixonado pela palavra “lealdade”. Deve ser por causa de um livro que estou terminando, um romance sobre antigos amigos e amantes que voltam a se encontrar e precisavam acertar suas diferenças. Eles já não se gostam, mas confiam um no outro. Eles deixaram de se amar, mas ainda se protegem mutuamente. Isso é lealdade, em uma de suas formas mais bonitas. Lealdade ao que fomos e sentimos.
Ao ler o romance, me ocorreu que amar é fácil. Tão fácil que pode ser inevitável. A gente ama quem não merece, ama quem não quer nosso amor, ama a despeito de nós mesmos. Tem a ver com hormônios, aparência e sensações que não somos capazes de controlar. A lealdade não. Ela não é espontânea e nem barata. Resulta de uma decisão consciente e pode custar caro. Ela é uma forma de nobreza e tem a ver com sacrifício. Não é uma obrigação, é uma escolha que mistura, necessariamente, ideias e sentimentos. Na lealdade talvez se manifeste o melhor de nós.
Antes que se crie a confusão, diferenciemos: lealdade não é o mesmo que fidelidade, embora às vezes elas se confundam. Ser fiel significa, basicamente não enganar sexual ou emocionalmente o seu parceiro. É um preceito, uma regra que se cumpre ou não se cumpre, uma espécie de obrigação. O custo da fidelidade é relativamente baixo: você perde oportunidades românticas e sexuais. Não tem a ver, necessariamente, com sentimentos. Você pode desprezar uma pessoa e ser fiel a ela por medo, coerência, falta de jeito ou de oportunidade. Assim como pode amar alguém perdidamente e ser infiel. Acontece todos os dias.
Lealdade é outra coisa. Ela vai mais fundo que a mera fidelidade. Supõe compromisso, conexão, cuidado. Implica entender o outro e respeitá-lo no que é essencial para ele - e pode não ser o sexo. Às vezes o outro precisa de cumplicidade intelectual, apoio prático, simples carinho. Outras vezes, a lealdade requer sacrifícios maiores.
A primeira vez que deparei com a lealdade no cinema foi num filme popular de 1974, Terremoto. No final do drama-catástrofe, o personagem principal – um cinquentão rico, heroico e boa pinta – tem de escolher entre tentar salvar a mulher com quem vivia desde a juventude, com risco da sua própria vida, ou safar-se do desastre com a jovem amante. Ele escolhe salvar a velha companheira e morre com ela. Parece apenas um dramalhão exagerado, mas desde Shakespeare o drama ocidental está repleto de escolhas desse tipo. É assim que nos metem conceitos elevados na cabeça. Vi esse filme com 16 e 17 anos e nunca mais deixei de pensar na lealdade em termos drásticos.
A lealdade está amparada em valores, não apenas em sentimentos. É fácil cuidar de alguém quando se está apaixonado. Mais fácil que respirar, na verdade. Mas o que se faz quando os sentimentos desaparecem – somem com eles todas as responsabilidades em relação ao outro? Sim, ao menos que as pessoas sejam movidas por algo mais que a mera atração. Se não partilham nada além do desejo, nada resta depois do romance. Mas, se houver cumplicidades maiores, então se manifesta a lealdade. Ela dura mais do que os sentimentos eróticos porque se estende além deles.
A lealdade está amparada em valores, não apenas em sentimentos. É fácil cuidar de alguém quando se está apaixonado. Mais fácil que respirar, na verdade. Mas o que se faz quando os sentimentos desaparecem – somem com eles todas as responsabilidades em relação ao outro? Sim, ao menos que as pessoas sejam movidas por algo mais que a mera atração. Se não partilham nada além do desejo, nada resta depois do romance. Mas, se houver cumplicidades maiores, então se manifesta a lealdade. Ela dura mais do que os sentimentos eróticos porque se estende além deles.
O romantismo, embora a gente não o veja sempre assim, é uma forma exacerbada de egoísmo. Meu amor, minha paixão, minha vida. Minha família, inclusive. Tem a ver com desejo, posse e exclusividade, que tornam a infidelidade insuportável, a perda intolerável. As pessoas matam por isso todos os dias. Porque amam. É um sentimento que não exige elevação moral e pode colocar à mostra o pior de nós mesmos, embora pareça apenas lindo.
Minha impressão é que o mundo anda precisado de lealdade. Estamos obcecados pela ideia da fidelidade porque a infidelidade nos machuca. Sofremos exacerbadamente porque o mundo, o nosso mundo, não contém nada além de nós mesmos, com nossos sentimentos e necessidades. Quando algo falha em nossa intimidade, desabamos.
Talvez devêssemos pensar de forma mais generosa. Talvez precisemos nos apaixonar por ideias, nos ligar por compromissos, cultivar sonhos e aspirações que estejam além dos nossos interesses pessoais. Correr riscos maiores que o de ser traído ou demitido. O idealismo, que tem sido uma força de mudança na conduta humana, precisa ser resgatado. Não apenas para salvar o planeta e a sociedade, mas para nos dar, pessoalmente, alguma forma de esperança. A fidelidade nos leva até a esquina. A lealdade talvez nos conduza mais longe, bem mais longe.
sábado, 8 de setembro de 2018
Volver
Ontem comecei a dar um rolê por este blog, que começou em novembro de 2006. Sentimentos divididos, entre a pena de mim por certas ilusões e falsos afetos e ternura justamente pelos mesmos motivos. Fiquei feliz que amadureci. Foi quase como visitar outra encarnação, outra vida. Não me afetou ter lido coisas antigas, mas fiquei com sentimentos de "Na boa, pra que manter isso?!", até que eu vi uma postagem sobre o vestibular e eu já não lembrava mais nada sobre essa parte da vida.
Já que ninguém lê mesmo, mal não faz.
Já que ninguém lê mesmo, mal não faz.
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Ciclo da violência - ou o jogo de gato e rato
Toda demonstração de poder suscita resistência, correto? Pelo menos assim falava Foucault.
Às vezes a gente só vê e julga o resultado final, sem enxergar o processo, elemento de fundamental importância em toda história.
Confesso que ainda estou com a resposta de "Por que uma mulher bem colocada profissionalmente aguenta um marido violento?" na garganta. Mas a minha resposta não seria só sobre homens e mulheres ou sobre o "amor"; seria sobre relações humanas em geral.
A violência visível é apenas o último estágio de algo invisível, por vezes intangível, que a antecede. Sacou? Vou exemplificar.
Um marido que bate precede um marido que passou um longo período depreciando, ferindo psicologicamente aquela mulher, que fica porque, no fundo, acredita nele, acha que não vai conseguir nada melhor, mas, como o ser humano não gosta de ficar por baixo, nas brechas, tenta devolver a violência. Em um relacionamento abusivo, embora a maior vantagem seja do homem inegavelmente, quer pela força física, quer pela permissão social para esses abusos todos, há uma dança doentia com a mulher ferida, que não raramente também manipula ou, na "melhor" das hipóteses, fica inerte, o que é uma forma de manipulação, de vitimização. Muitas vezes quem foi agredido nem se reconhece ao sair dessas relações, mas é inegável que houve interação, que houve co-participação. Há gozo no sofrimento, infelizmente; há uma mística entre agressor e agredido.
A situação só não progride quando você tem autoestima e pulso suficientes para cortar ao primeiro sinal, quando, aliás, se é capaz de se reconhecer num ambiente violento. Mas quem nos ensina essa capacidade? Quando há piedade, só Deus e o tempo.
Em defesa de Anitta
A política tá pegando fogo, mas a notícia que conquistou mi corazón esta semana foi a baixaria, promovida pela Semeadora da Discórdia Jojo Todynho, entre Anitta e Pablo Vittar feat Gominho feat Preta Gil. Tô rindo disso há quatro dias.
Olha, o que tem de gente com inveja de Anitta, não cabe no Maracanã. Sim, pra começar, ninguém chuta cachorro morto. Anitta deve ser metida, marrenta, mas o povo nunca vai confessar, nem ao médium depois de morto, que tá se roendo de inveja porque nem Ivete Sangalo, nem Sandy, nenhuma delas chegou na extensão da funkeira. Apenas.
Produtora
O trunfo de Anitta não é exatamente artístico; é que ela tem uma incomum habilidade entre os artistas nacionais: tem uma mente genial como produtora.
Os artistas brasileiros não têm a pegada de business que os americanos, por exemplo. Quer dizer, têm o pensamento business rasteiro, de ganhar dinheiro fácil, não de marcar época no entretenimento. Quando não é caça níquel, é todo mundo artístico demais, conceitual demais, autoral demais, querendo ser o que em 99% das vezes, na boa, não nasceu pra ser. Grandes nomes do pop não agem sozinhos criativamente, não ficam achando que voz e talento resolvem tudo. Beyonce tem Jay-Z; Michael Jackson, Quincy Jones; Eddie Kramer com três das maiores bandas de rock de todos os tempos; Luis Miguel tem a dobradinha com Kiko Cibriani. Os caras entendem que o sucesso é uma questão de time e não de ser escolhido por Deus.
A garota é boa pra sacar o que bomba nas pistas de dança. Compare com Ivete. Faz duetos com Deus e o mundo sem fazer a diferença na carreira de quase ninguém, mas pense em quanta gente Anitta já alavancou, a começar pela Pablo. Se ela quiser parar e só produzir artistas, garanto que continuará a se dar bem no negócio da música.
Mas artista de entretenimento no Brasil é preguiçoso, não estuda as coisas, se acha obra divina, então que curta a dor de cotovelo quando a coleguinha avança e vai mais longe que todo mundo... "Bem na sua cara".
Olha, o que tem de gente com inveja de Anitta, não cabe no Maracanã. Sim, pra começar, ninguém chuta cachorro morto. Anitta deve ser metida, marrenta, mas o povo nunca vai confessar, nem ao médium depois de morto, que tá se roendo de inveja porque nem Ivete Sangalo, nem Sandy, nenhuma delas chegou na extensão da funkeira. Apenas.
Produtora
O trunfo de Anitta não é exatamente artístico; é que ela tem uma incomum habilidade entre os artistas nacionais: tem uma mente genial como produtora.
Os artistas brasileiros não têm a pegada de business que os americanos, por exemplo. Quer dizer, têm o pensamento business rasteiro, de ganhar dinheiro fácil, não de marcar época no entretenimento. Quando não é caça níquel, é todo mundo artístico demais, conceitual demais, autoral demais, querendo ser o que em 99% das vezes, na boa, não nasceu pra ser. Grandes nomes do pop não agem sozinhos criativamente, não ficam achando que voz e talento resolvem tudo. Beyonce tem Jay-Z; Michael Jackson, Quincy Jones; Eddie Kramer com três das maiores bandas de rock de todos os tempos; Luis Miguel tem a dobradinha com Kiko Cibriani. Os caras entendem que o sucesso é uma questão de time e não de ser escolhido por Deus.
A garota é boa pra sacar o que bomba nas pistas de dança. Compare com Ivete. Faz duetos com Deus e o mundo sem fazer a diferença na carreira de quase ninguém, mas pense em quanta gente Anitta já alavancou, a começar pela Pablo. Se ela quiser parar e só produzir artistas, garanto que continuará a se dar bem no negócio da música.
Mas artista de entretenimento no Brasil é preguiçoso, não estuda as coisas, se acha obra divina, então que curta a dor de cotovelo quando a coleguinha avança e vai mais longe que todo mundo... "Bem na sua cara".
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
I love HONY!
Uma das melhores páginas da internet trazendo frequentemente lições de vida, alguns verdadeiros tapas na cara. Amei o que disse essa mulher e sou fã desse tipo de gente lúcida e generosa.
Basicamente, rolou o seguinte: na mensagem de baixo, um homem conta que veio de um lar sem afeto, sem contato e que, aos 12 anos, encontrou isso em um homem mais velho, que não lhe ofereceu nada, não lhe perguntava nada, nem sequer lhe ofereceu uma experiência boa ou ruim, apenas algo que ele, naquela época, precisava emergencialmente, que era alguma conexão (neste caso, física). Choveram comentários críticos, politicamente corretos, alguns lamentando por ele, tratando-o como um pobre coitado. Daí entrou Ana, dona da porra toda (na mensagem de cima), dando um vrá nas certezas sobre a vida dessa galera burguesa, que provavelmente nunca passou por um grande aperto na vida e fala com pretensão sobre aquilo que não conhece. Ana lembrou que cada um faz o melhor que pode com a própria vida e que não há um modelo de vida a ser seguido por todos; alguns podem fazer o melhor que conseguem em circunstâncias que, para outros, seriam inaceitáveis, e está tudo certo. Mais do que pena, que é desnecessária, ajudaria ter respeito pela jornada do próximo. Pschiiiii!... 👊💓
Basicamente, rolou o seguinte: na mensagem de baixo, um homem conta que veio de um lar sem afeto, sem contato e que, aos 12 anos, encontrou isso em um homem mais velho, que não lhe ofereceu nada, não lhe perguntava nada, nem sequer lhe ofereceu uma experiência boa ou ruim, apenas algo que ele, naquela época, precisava emergencialmente, que era alguma conexão (neste caso, física). Choveram comentários críticos, politicamente corretos, alguns lamentando por ele, tratando-o como um pobre coitado. Daí entrou Ana, dona da porra toda (na mensagem de cima), dando um vrá nas certezas sobre a vida dessa galera burguesa, que provavelmente nunca passou por um grande aperto na vida e fala com pretensão sobre aquilo que não conhece. Ana lembrou que cada um faz o melhor que pode com a própria vida e que não há um modelo de vida a ser seguido por todos; alguns podem fazer o melhor que conseguem em circunstâncias que, para outros, seriam inaceitáveis, e está tudo certo. Mais do que pena, que é desnecessária, ajudaria ter respeito pela jornada do próximo. Pschiiiii!... 👊💓
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Se saia!
Olha que texto bufado!
Gente, amor faz a gente se sentir bem e amado. Isso aí maltrata, rebaixa, tira a qualidade de vida. Quem expressa "amor" assim, precisa de compaixão e tratamento, não de complacência. A vida já é dura demais pra gente ficar aceitando receber o lixo emocional dos outros. Leiam essa pérola do que NÃO é amor (é cilada, cilada, cilada!...).
O cara de pau ainda diz, no final, que você não deve conviver com alguém assim, mas passa 90% do texto exaltando a doença emocional. Me poupe!...
Gente, amor faz a gente se sentir bem e amado. Isso aí maltrata, rebaixa, tira a qualidade de vida. Quem expressa "amor" assim, precisa de compaixão e tratamento, não de complacência. A vida já é dura demais pra gente ficar aceitando receber o lixo emocional dos outros. Leiam essa pérola do que NÃO é amor (é cilada, cilada, cilada!...).
O cara de pau ainda diz, no final, que você não deve conviver com alguém assim, mas passa 90% do texto exaltando a doença emocional. Me poupe!...
Texto de Luciano Cazz“Acho que é bobagem a mania de fingir, negando a intenção.” Lulu SantosNesse artigo, 10 situações onde você jura que uma pessoa não liga para você, mas está enganado. Já passou por alguma delas?Tem gente que te ama muito mais do que você imagina.Muita gente desconhece que demostrar amor é o melhor elogio que alguém pode dar. Não confunda orgulho, baixa autoestima ou falta de personalidade com falta de amor. Às vezes, alguém pode ter amor por você, sim, apenas não aprendeu a gostar. Mas isso não quer dizer que você deva conviver com pessoas que se comportam dessa forma:1- Não reconhecem seus feitosQuando você realiza algo grandioso, fere ego da pessoa, mas não quer dizer que não gosta de você, apenas é incapaz de ficar feliz por questões internas dela mesma e não pelo que você é.2- Menosprezam sua pessoaAlgumas pessoas são muito orgulhosas para admitir amor. Então, elas são duras, em vez de dar carinho, pelo simples fato de que existe uma necessidade de se sentir superior devido sua fraca personalidade.3- Agem com indiferençaExistem pessoas que se sentem ridículas demostrando amor. São inseguras, preocupam-se muito com a opinião dos outros e por isso têm vergonha demonstrar sentimentos bons.4- Fazem maldades com vocêPessoas narcisistas ou perversas têm dificuldades de estar fora do centro das atenções e tendem a punir quando seus parceiros não os glorificam. Isso tem menos a ver com o amor que sentem por você e mais pela insegurança que têm sobre si mesmos.5- Nunca lhe procuramSão pessoas inseguras e sensíveis. Tem medo da rejeição e acreditam que não valem a pena para ninguém. E se você demorar a responder uma mensagem, vai enfatizar a desimportância que eles acreditam que têm e por isso nem arriscam.6- Não se preocupam com seus problemasNão quer dizer que não amam se não lhe apoiam como gostaria. Apenas acreditam que você é forte o suficiente para suportar qualquer situação ou muito inteligente para encontrar soluções sozinho.7- Colocam os outros contra vocêEssa é a maneira que uma pessoa fraca que lhe ama encontra para ter você só para ela. Fazendo intriga, ela tenta afastá-lo dos que lhe importam e ter a exclusividade da sua atenção e coração.8- Mentem muitoAs pessoas mentem para se proteger, inclusive, quanto mais amam, mais são capazes de esconder e manipular situações para que você as admire e mantenha-se apaixonado, mesmo sendo uma mentira de alguém com caráter falho.9- Não flertam com vocêVocê troca olhares com um homem, chama aquela mulher para sair, mas nunca acontece. O sentimento pode ser recíproco, mas suas qualidades assustam e fazem com que os outros pensem que você é muito para eles.10- Fogem quando lhe veemVocê tem absoluta certeza que aquela pessoa lhe detesta, mas, na verdade, ela corre de nervosa porque está tão apaixonada que suas pernas tremem quando vocês se encontram e ela tem muito medo de agir inadequadamente.Essas são algumas das insólitas contradições do ser humano que ama. Antes de uma pessoa gostar de você, ela precisa amar a si mesma. Muitos são incapazes de dizer “Eu te amo” por pura vaidade, vergonha ou receio da rejeição. Mas, então, que os seres evoluam e se sintam seguros para amar mais o outro sem medo.Que o amor jamais seja censurado e possa vir, então, em toda sua intensidade, de dentro para fora, de um para o outro, pois como diz a música… Quando um certo alguém desperta o sentimento, é melhor não resistir e se entregar…
Uma opinião impopular sobre um tema que me é caro
Acho massa nessa nova onda feminista by redes sociais que se dê nome às coisas. Discursos ofensivos não são brincadeiras ou coisa de casal, são violência psicológica; agarrar não é brincadeira, é assédio. Isso é muito legal. Porém, apesar de conhecer bem o potencial que um homem nocivo tem de detonar a vida de uma mulher, meu lado "mulher viralata", que nunca coube muito bem dentro dos ideais de feminilidade, é bem pragmático e por isso contra uma ilusão das meninas de hoje: não é gritando "Xô, homens" que as coisas vão melhorar. Não mesmo. Nem contem com isso. Na vida real não é assim que a banda toca.
Daí então ontem, assistindo uma entrevista de Martha Medeiros, sempre sensata, ouvi ela dizendo o que eu penso: as coisas só vão mudar quando a autoestima da mulher for o foco, for trabalhada. O tapa na cara não vem no primeiro dia de relacionamento. Ele vem depois de muita humilhação psicológica, então é preciso focar naquilo que faz uma mulher ficar mesmo sendo abusada, ou seja, na baixa autoestima e na obrigação social de ter um relacionamento amoroso.
Se eu disser isso nas redes sociais, vou ser massacrada, mas sempre digo aos meus amigos: o homem só vai mudar quando a mulher mudar. E não vai ser fácil. Ser feminista, na prática, é a coisa mais difícil e dolorida que existe. Pense um ser que é criado pra agradar, pra ser gregário, pra ficar no backstage, de repente se impondo e perdendo pessoas por causa disso. Não é qualquer um que aguenta. Tem que, primeiro, gostar muito da própria companhia e nós não somos criadas para esse tipo de independência. A gente é criada para suportar o insuportável pelos outros, mas não por nós mesmas. E nesse ponto a sociedade é cruel: quanto mais você se esforça pra ser corajosa, mais as pessoas gostam de te humilhar, tentando mostrar o "seu lugar". Daí você escolhe se quer se colocar nele ou não. Durante a vida, eu simplesmente escolhi não me colocar em certos lugares. Fiquei sozinha, fui criticada, injustiçada, mas fiquei do meu lado. No fundo, é sobre como você se enxerga. Só um olhar justo e amoroso sobre si pode de fato mudar as coisas. Gostaria que todas soubessem disso. Gostaria que aquele menino de 9 anos que se suicidou por causa do bullying que sofreu por ser gay (outro desdobramento do machismo) soubesse disso. Pais deveriam criar suas crianças sem tanta dependência da aceitação social. Aliás, se pudesse iniciar uma cruzada, seria contra a dependência emocional, o verdadeiro câncer das relações humanas.
domingo, 19 de agosto de 2018
Santo Fuerte
Acho que já falei aqui que, nos últimos dois anos, pessoas que me eram caras saíram da minha vida. Mesmo as que ficaram, ficaram de uma forma menos romântica, mais realista, menos calorosa. Um dia eu me queixava disso, em uma conversa, que coisas estavam saindo sem que nada entrasse no lugar. A pessoa com quem eu conversava deu uma definição ótima. Disse que isso nada tinha a ver com solidão, mas que era um processo de reintegração de posse de mim mesma. Perfeito. Porque o afeto, a dependência emocional que eu tinha de certas coisas e pessoas, me fazia menos dona da minha própria felicidade que, afinal e ao final, só interessa a mim mesma e a mais ninguém. Perder essas pessoas e a expectativa de que trouxessem alegria à minha vida me fez mais feliz na minha própria companhia.
Chego à conclusão de que, realmente, as coisas são como têm que ser nessa vida.
Chego à conclusão de que, realmente, as coisas são como têm que ser nessa vida.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Todo relacionamento é abusivo?
Aconteceu um episódio bizarro num relacionamento importante meu. Mas a coisa anda tão recorrente que eu nem consegui ficar consternada, como eu fico quando a pessoa ainda me importa, quando eu ainda tenho esperança, vontade de estar com; rendeu apenas frustração. Mais uma frustração.
Daí vem um monte de filho do capeta dizendo, ao discutir relacionamentos, que as pessoas hoje em dia não têm paciência. Mais uma meia verdade, e, como toda meia verdade, é pior que uma mentira.
Há gente que não aguenta nada e, ao mínimo sinal de desagrado ao ego, pula fora mesmo. Mas há situações que são degradantes, que vão minando o amor pelo outro e o amor próprio. Pra que ficar? Pra sair no tapa? Pra morrer de ressaca moral? Sempre me arrependi de ter ficado mais do que deveria, nunca do contrário. Só vale a pena dar chance a quem 1) reconhece que tá pisando na bola e 2) faz a tentativa de mudar. A essa altura, tenho zero paciência com a síndrome de Gabriela dos outros.
Daí, tava rodando por aí com os amigos e um deles falou que todo relacionamento é abusivo. Será? Acho que é outra meia verdade.
Acho que é impossível se relacionar, ser próximo, sem que o outro não mexa com as suas emoções, provocando, a partir disso, reações. Especialmente quando não se sabe onde se está pisando ou se é muito inseguro. Mas se não dá pra ser perfeito, dá pra ser equilibrado na maior parte do tempo. Concordo com um trecho de uma crônica de Ivan Martins: "Se você enxerga o outro como ele é, e continua apaixonado, gostando, então está bem. O limite é aquilo com que você pode conviver sem deixar de amar - e sem deixar de respeitar a si mesmo". Dá pra viver bem, apesar das humanidades de cada um. A pergunta é: está havendo esforço mútuo pra isso? O que eu mais vejo é um tentando heroicamente enquanto o outro só olha e bota defeito.
terça-feira, 14 de agosto de 2018
A diferença entre inveja e cobiça
Percebo que as pessoas, de um modo geral, gostam muito de se pensarem invejadas e dão muita importância ao olho gordo dos outros. Bobagem. Se você cuida das suas coisas, não vai ser o mau olhado dos outros que vai te prejudicar. Porquinho que constrói casa sólida o lobo mau não consegue destruir. A inveja é, no máximo, triste, um desgosto, especialmente quando vem de gente que deveria torcer por você. Quando me percebi invejada, apenas senti isso: tristeza e uma certa pena da pessoa por se achar tão incapaz. Please, o que faz diferença na vida nem é capacidade, é confiança, trabalho e perseverança. É vontade. Quando um talento a mais se junta a uma vontade grande, algo poderoso acontece, claro, mas só talento não leva ninguém a lugar algum.
Por isso que eu não sou muito dada à inveja e quando me pego invejando, procuro reconhecer o mérito da pessoa. E procuro pensar que se alguém próximo a mim conseguiu, eu também posso ou poderia. Geralmente, quando me irrito com uma conquista de alguém, é porque julgo que houve maracutaia ou injustiça divina, assim como me irrito ao ver gente que merece padecendo, sofrendo para conquistar as coisas. Mas cada vez mais ando deixando essa questão da justiça para o Universo mesmo, afinal tudo tende ao equilíbrio, como tenho tido a oportunidade de testemunhar.
Do que adianta você "lograr o êxito" de ver alguém se lenhando? Isso vai melhorar sua vida? Ver aquela pessoa obtendo sucesso retira seu direito de ter boas coisas também? É isso, no final das contas, como os outros estão ou deixam de estar não interfere em nada.
Claro, eu também olho a vida dos outros e me inspiro nelas. Isso é muito diferente de inveja, que é acima de tudo não querer que os outros tenham boas coisas; querer ter também é cobiça e isso eu faço muito, desde pequena. Na verdade, eu acho que é algo recomendável: observe, pince as boas práticas e as adapte à sua vida. Dá pra aprender um monte olhando os outros. A cobiça, na verdade, é a base da lei do progresso. Se você nunca tivesse desejado pra você o que o outro tem, nunca teria progredido.
Por isso que eu não sou muito dada à inveja e quando me pego invejando, procuro reconhecer o mérito da pessoa. E procuro pensar que se alguém próximo a mim conseguiu, eu também posso ou poderia. Geralmente, quando me irrito com uma conquista de alguém, é porque julgo que houve maracutaia ou injustiça divina, assim como me irrito ao ver gente que merece padecendo, sofrendo para conquistar as coisas. Mas cada vez mais ando deixando essa questão da justiça para o Universo mesmo, afinal tudo tende ao equilíbrio, como tenho tido a oportunidade de testemunhar.
Do que adianta você "lograr o êxito" de ver alguém se lenhando? Isso vai melhorar sua vida? Ver aquela pessoa obtendo sucesso retira seu direito de ter boas coisas também? É isso, no final das contas, como os outros estão ou deixam de estar não interfere em nada.
Claro, eu também olho a vida dos outros e me inspiro nelas. Isso é muito diferente de inveja, que é acima de tudo não querer que os outros tenham boas coisas; querer ter também é cobiça e isso eu faço muito, desde pequena. Na verdade, eu acho que é algo recomendável: observe, pince as boas práticas e as adapte à sua vida. Dá pra aprender um monte olhando os outros. A cobiça, na verdade, é a base da lei do progresso. Se você nunca tivesse desejado pra você o que o outro tem, nunca teria progredido.
EDIT: Ouvi uma definição que também achei muito boa: cobiça é querer o que o outro tem; inveja é querer ser o que o outro é.
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
Depois do amor
Uma amiga minha tem o ex-namorado mais sem noção da face da Terra (não preciso dizer que é o meu ex favorito dela, e olha que ela tem vários, hehe). É o famoso maluco de bom coração.
Eles terminaram muito antes de eu conhecê-la - e isso faz quase uma década -, e na ocasião ela criava uma cadela que eles pegaram durante o namoro. Dividiam a guarda e, por isso, ainda se falavam. A cachorra morreu faz pouco tempo. Acha que ela se livrou dele? Que nada, a avó materna dela faleceu e lá estava ele, com filha a tira colo, herança do último relacionamento, dando toda a assistência à família.
Isso me lembra um amigo meu. Nosso contato começou com uma paquera, que não evoluiu, mas mesmo assim, até hoje, quando algo importante acontece a ele, de repente eu recebo um whatsapp. É engraçado porque às vezes eu até questiono o que aquela notícia tem a ver comigo, mas talvez ele só queira que eu saiba. Lembro que, na época, mesmo eu claramente vendo que o flerte inicial nunca ia evoluir, contando as histórias à minha terapeuta, ela comentava que o engraçado era que, apesar da gente não ter nada, ele me tratava como namorada.
Eu acho que algumas coisas extrapolam o desejo de ser um casal. Algumas pessoas continuam despertando o sentimento de serem uma base pra gente mesmo depois de tudo. Por isso, continuamos na insistência de mantê-las em nossas vidas. É uma grande homenagem.
Eles terminaram muito antes de eu conhecê-la - e isso faz quase uma década -, e na ocasião ela criava uma cadela que eles pegaram durante o namoro. Dividiam a guarda e, por isso, ainda se falavam. A cachorra morreu faz pouco tempo. Acha que ela se livrou dele? Que nada, a avó materna dela faleceu e lá estava ele, com filha a tira colo, herança do último relacionamento, dando toda a assistência à família.
Isso me lembra um amigo meu. Nosso contato começou com uma paquera, que não evoluiu, mas mesmo assim, até hoje, quando algo importante acontece a ele, de repente eu recebo um whatsapp. É engraçado porque às vezes eu até questiono o que aquela notícia tem a ver comigo, mas talvez ele só queira que eu saiba. Lembro que, na época, mesmo eu claramente vendo que o flerte inicial nunca ia evoluir, contando as histórias à minha terapeuta, ela comentava que o engraçado era que, apesar da gente não ter nada, ele me tratava como namorada.
Eu acho que algumas coisas extrapolam o desejo de ser um casal. Algumas pessoas continuam despertando o sentimento de serem uma base pra gente mesmo depois de tudo. Por isso, continuamos na insistência de mantê-las em nossas vidas. É uma grande homenagem.
Feminicídio
Na mesma semana em que a lei Maria da Penha completou 12 anos, 4 feminicídios aconteceram em pontos diferentes do país.
Um amigo meu, homem de bom coração, criticou uma das vítimas, que era independente financeiramente mas ficou tolerando os abusos do marido.
Cada caso é um caso, portanto vou falar de modo geral, da minha impressão a partir dos casos que já vi, li e da minha própria educação como mulher. A questão é que o buraco é bem mais embaixo.
Dinheiro é um fator importantíssimo para que as mulheres possam sair desse tipo de abuso que pode culminar em feminicídio, mas, pra mim, o fator crucial nesta equação é a (des)educação de meninas. E de meninos, mas como somos nós que morremos, a urgência na mudança é nossa, para que a gente saiba reconhecer e abandonar essas circunstâncias.
Mulheres não são coitadas, mas equivocadas em suas relações. Esse equívoco por vezes custa as suas vidas. São dois a meu ver os erros de compreensão: achar que seu autovalor está atrelado ao fato de ter (e manter a qualquer custo) parcerias, o que produz dependência emocional; que precisam sempre perdoar, aceitar as pessoas "como elas são", o que atrapalha que deem nomes às coisas e detona o amor próprio. Mas e se elas são cretinas e abusivas? O perdão nunca deveria vir na frente da nossa dignidade. Olhe os homens: ninguém dá mais ou menos valor a eles por conta de serem casados, bons amigos ou pais presentes; nem são estimulados a tolerar, muito pelo contrário.
Demorei décadas para retirar, sem culpa, quem não me trata bem da minha vida. Eu, que não sou das mais melosas, que não sou das mais frágeis, mas tinha guardadas em mim essas duas premissas que tanto me foderam a vida. Perdi muito tempo com quem não devia, em todos os âmbitos das relações afetivas. Hoje procuro ser melhor nos meus relacionamentos e busco pessoas melhores, que não precisam ser perfeitas, apenas me respeitarem. Regra de ouro na vida: quem é incapaz de reconhecer minha humanidade é impróprio para estar na minha vida íntima. Mas ensinam às mulheres que é virtude ser capacho.
Precisamos educar melhor as meninas. Abuso é o contrário do amor, não tem nada a ver "com o jeito dele". Amor não é luta, não deve ser um calvário; o que é bom pra gente apenas flui. Quem faz uma vez, se não fizer um trabalho interno, faz de novo. Coisas assim, que apelam à racionalidade, precisam ser ensinadas às meninas.
Um amigo meu, homem de bom coração, criticou uma das vítimas, que era independente financeiramente mas ficou tolerando os abusos do marido.
Cada caso é um caso, portanto vou falar de modo geral, da minha impressão a partir dos casos que já vi, li e da minha própria educação como mulher. A questão é que o buraco é bem mais embaixo.
Dinheiro é um fator importantíssimo para que as mulheres possam sair desse tipo de abuso que pode culminar em feminicídio, mas, pra mim, o fator crucial nesta equação é a (des)educação de meninas. E de meninos, mas como somos nós que morremos, a urgência na mudança é nossa, para que a gente saiba reconhecer e abandonar essas circunstâncias.
Mulheres não são coitadas, mas equivocadas em suas relações. Esse equívoco por vezes custa as suas vidas. São dois a meu ver os erros de compreensão: achar que seu autovalor está atrelado ao fato de ter (e manter a qualquer custo) parcerias, o que produz dependência emocional; que precisam sempre perdoar, aceitar as pessoas "como elas são", o que atrapalha que deem nomes às coisas e detona o amor próprio. Mas e se elas são cretinas e abusivas? O perdão nunca deveria vir na frente da nossa dignidade. Olhe os homens: ninguém dá mais ou menos valor a eles por conta de serem casados, bons amigos ou pais presentes; nem são estimulados a tolerar, muito pelo contrário.
Demorei décadas para retirar, sem culpa, quem não me trata bem da minha vida. Eu, que não sou das mais melosas, que não sou das mais frágeis, mas tinha guardadas em mim essas duas premissas que tanto me foderam a vida. Perdi muito tempo com quem não devia, em todos os âmbitos das relações afetivas. Hoje procuro ser melhor nos meus relacionamentos e busco pessoas melhores, que não precisam ser perfeitas, apenas me respeitarem. Regra de ouro na vida: quem é incapaz de reconhecer minha humanidade é impróprio para estar na minha vida íntima. Mas ensinam às mulheres que é virtude ser capacho.
Precisamos educar melhor as meninas. Abuso é o contrário do amor, não tem nada a ver "com o jeito dele". Amor não é luta, não deve ser um calvário; o que é bom pra gente apenas flui. Quem faz uma vez, se não fizer um trabalho interno, faz de novo. Coisas assim, que apelam à racionalidade, precisam ser ensinadas às meninas.
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