domingo, 13 de janeiro de 2019

O problema da religiões cristãs

(A meu ver, tá? É sempre bom destacar, até porque certeza, certeza, ninguém tem sobre o que acontece no lado de lá)

Não é que eu tenha algo contra as religiões cristãs - estou considerando aqui o catolicismo e o espiritismo. Eu até já as frequentei bastante e sou grata especialmente ao espiritismo. Mas eu gosto de pensar pela minha própria cabeça e não sou obrigada a concordar com tudo por mais que aprecie outras características dessas religiões. Estas sempre foram as "regras da casa"...
O que eu não gosto nessas religiões é a falta de compaixão. Soa paradoxal, mas o que pega pra mim nessas religiões é a falta de pés no chão e a ênfase na culpa e no medo. 
Eu parto do seguinte princípio: se Deus quisesse perfeição, teria nos feito perfeitos. Eu acho que Deus olha mais para as nossas intenções e limites e não fica nos medindo por condutas ideais. O meu Deus quer que a gente dê o nosso melhor, ainda que não seja o ideal. Então se você passou por um monte de sofrimentos e se suicidou, não conseguiu, sucumbiu no limite das suas forças, Deus não vai te mandar deformado na próxima vida e muito menos pro vale dos suicidas. Pire aí: você perde seu parente desse modo traumático e vem de lá um (pseudo) cristão largar uma merda dessa? Vá essa figura, sim, pro inferno! Isso é ser do bem? Ou é querer posar de moralmente superior em cima das desgraças dos outros, numa total falta de empatia e falta de capacidade de interpretação de contextos? Então, se você julgou que o melhor era abortar, Deus não vai te jogar sete pedras se ele leu no seu coração que você não fez isso por mesquinhez ou perversidade. Às vezes, na vida, a gente simplesmente não aguenta e isso é humano. Meu Deus é mais sensível, justo e, por isso mesmo, inteligente.
Toda essa patacoada se baseia no famoso "Você recebe o que você merece, por ter feito igual ou porque você está em sintonia". Eu acho que essa é uma meia verdade. Eu acho que a coisa não é tão cartesiana assim e diversos fatores entram nessa equação. Neste ponto, eu acho que o mundo espiritual funciona como a Terra mesmo, onde você está suscetível a tudo e o lance é aprender a identificar perigos e aprender os macetes pra ficar menos vulnerável. Se alguém te assalta é porque você merece ou porque tá todo mundo no mesmo globo, havia um assaltante e calhou de você estar na rota dele? Do mesmo jeito, se um espírito ruim cisma com você, ele pode te fazer mal, quer você esteja em sintonia ou não. Aliás, ele pode criar situações para que você entre na dele, assim como acontece na vida material. Uma vez, conversando com uma pessoa que comanda uma casa de umbanda, ela disse que obsessão pode acontecer com pessoas como ela, mas que a questão é que, a essa altura, ela sabe separar o que é dela e o que não é. O que tem de gente escrota que nada atinge e de gente boa penando... Por esse critério dos espíritas, pessoas ruins estariam mais vulneráveis ao mal, já que estão na mesma sintonia. Mas não é assim. Acho que a questão do poder pessoal interfere, acho que quem se gosta mais e tem menos medo e culpa, se torna menos vulnerável a ataques espirituais.
Outra coisa que eu não entendo: que validade tem eu perdoar alguém nesta vida se eu esqueci o que ela fez na vida passada? Assim é fácil, não vejo grande amadurecimento, mérito. Me faça algo nessa vida mesmo e deixe eu perder a memória e te perdoarei de boa, ora. E acho muito injusto a gente fazer acordos antes de nascer, dos quais não lembraremos, e sermos cobrados por isso. Eu não saberia explicar por que nos acontece o que nos acontece, mas essas explicações espíritas tão pouco me satisfazem. São racionais, mas não fazem sentido de verdade, não parecem justas, sabe?
Enfim, acho que a coisa deve ser muito mais complexa do que dizem. Além do mais, seria uma sacanagem do caramba se Deus desse o monopólio da verdade para uma só religião. Acho que ele andou distribuindo gotas de revelação para todas.
Por essas e outras que cada vez mais eu penso que, se fosse eu uma pessoa religiosa, ia me dar muito melhor na umbanda ou no candomblé, que não trabalham com essas porcarias de medo e culpa, mas com a ideia de responsabilidade. Eu acho um modo muito mais adulto de tratar as pessoas.
Pra fechar, tem uma moça esquisita no YouTube chamada Lauren, que entende desses paranauês espirituais, que fez um vídeo que, apesar do tom afrontoso, traz alguns questionamentos que eu concordo. Recomendo esse vídeo.

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