Olha que menino bonito! É tão bom olhar para gente bem diagramada, simétrica, bem talhada, né?
É a única pessoa bonita da série, ele e a versão dele de 50 anos. O restante... Ufff! A beleza da Europa ficou no Mediterrâneo. O povo da Alemanha tem uma cara de século 19, uma aparência antiga e meio mal acabada: testão, cabelo lambido, narigão (agora vejo que Xuxa é bem Meneghel mesmo), sem boca, corpo grande e às vezes desengonçado.
Mas saindo das futilidades fúteis, vamos para as futilidades úteis, para a série, no caso "Dark", essa produção alemã da Netflix, que, putz!, é muito boa e deu um nó na minha cabeça.
Estou com preguiça de resumir a série, mas em linhas bem gerais fala de viagem no tempo, num período de um século, de pessoas de quatro famílias de uma cidadezinha tipo Chernobyl, criada em torno de uma usina nuclear, no interior da Alemanha. Além dessa ideia de viagem no tempo (de, na verdade, passado, presente e futuro acontecerem ao mesmo tempo), a série traz várias questões filosóficas, sobre Deus ser o mesmo que o tempo, de termos livre arbítrio ou não, etc. Dá para perceber que existe um lastro teórico, uma bibliografia, uma discussão na base da história, além da série reunir um elenco competente e uma direção de produção americana. No final da segunda temporada, até inseriram a questão do multiverso e mundos paralelos na pauta. Luxo!...
Amei que parte da história se passa nos anos 80. Só de ver as cenas, me dá saudade. Talvez seja por ter sido a década da minha infância, aliás, também a dos autores da história. Cara, por falar em anos 80, eu era exotérica desde pequenininha, viu? Naquela época, dizia que Atlântida tinha existido quando vi um filme que se passava lá e meu maior desejo era justamente a máquina do tempo; sempre fui apaixonada por História. Mas não sei se ia ser jogo, não. E nem sei para que certamente nos serviria essa experiência. Acho que seria tão ou mais complicado do que fazer regressão a vidas passadas (tvp).
Alguns avanços humanos são mais pirotecnia que qualquer outra coisa.
"Dark" tem vários personagens que não conseguem se desligar do passado e mesmo aqueles que sabem o que vai acontecer no futuro, bem, parece que essa informação não serve para muita coisa no sentido de dar um sentido maior a tudo que se viveu. Não diria nem que Adam, o aparentemente mais tranquilo, está em paz com o seu passado. Do contrário, por que estaria motivado a terminar com a humanidade?
Olhar as coisas na perspectiva do que aconteceu, da origem, da trajetória pode ser esclarecedor ou um caminho para a desilusão. O contexto da frase de Hannah (foto) é peculiar, mas nos lembra que realmente, por mais que a gente conviva com alguém, falta um pedaço desse quebra-cabeça, que é aquilo que não vivemos junto com essa pessoa, que não testemunhamos e, portanto, ignoramos. A gente gosta ou desgosta da ideia que temos das pessoas, daquilo nosso que projetamos nelas, inclusive, mas é equivocado achar que conhecemos alguém. Até a gente mesmo se surpreende com certas facetas nossas que surgem, de supetão. Aliás, essa é a pergunta de um milhão de dólares: quem é essa pessoa que nos habita? Ao final da segunda temporada, parece que os autores acham que é possível que várias versões de nós vivam em universos paralelos. Uma alma esfarelada pelo cosmo, já pensou? Parece interessante e, quem sabe, é possível. Não duvido nem um pouco. Eu também sempre tive fé na ficção científica.
"Dark" tem vários personagens que não conseguem se desligar do passado e mesmo aqueles que sabem o que vai acontecer no futuro, bem, parece que essa informação não serve para muita coisa no sentido de dar um sentido maior a tudo que se viveu. Não diria nem que Adam, o aparentemente mais tranquilo, está em paz com o seu passado. Do contrário, por que estaria motivado a terminar com a humanidade?
Olhar as coisas na perspectiva do que aconteceu, da origem, da trajetória pode ser esclarecedor ou um caminho para a desilusão. O contexto da frase de Hannah (foto) é peculiar, mas nos lembra que realmente, por mais que a gente conviva com alguém, falta um pedaço desse quebra-cabeça, que é aquilo que não vivemos junto com essa pessoa, que não testemunhamos e, portanto, ignoramos. A gente gosta ou desgosta da ideia que temos das pessoas, daquilo nosso que projetamos nelas, inclusive, mas é equivocado achar que conhecemos alguém. Até a gente mesmo se surpreende com certas facetas nossas que surgem, de supetão. Aliás, essa é a pergunta de um milhão de dólares: quem é essa pessoa que nos habita? Ao final da segunda temporada, parece que os autores acham que é possível que várias versões de nós vivam em universos paralelos. Uma alma esfarelada pelo cosmo, já pensou? Parece interessante e, quem sabe, é possível. Não duvido nem um pouco. Eu também sempre tive fé na ficção científica.
Acho que as ideias ou contam do passado que não lembramos ou do futuro que ainda ignoramos. Está tudo aí no inconsciente da humanidade, no inconsciente da coletividade.
A outra questão do tempo tem a ver com a frustração (foto), daquilo que se sonhou e saiu dos trilhos por uma série de eventos que pareciam inofensivos, mas que tiveram, em conjunto, a capacidade de produzir grandes estragos. Vários, senão todos os personagens da série têm quilos de frustração, mesmo os do núcleo adolescente. Desejo e frustração são as molas dos ciclos temporais da série.
Essa questão do livre arbítrio, levantada pelo Jonas de 2052 (foto), também vem de uma forma interessante na série. Por mais que os personagens viagem no tempo, as coisas tendem a sempre acontecer como sempre aconteceram, como se houvesse um fio do destino que comanda tudo. Dizem que sentir é mais importante que saber (eu estou entre esses que "dizem"), e o personagem se questiona em relação ao desejo e o poder dele sobre as ações humanas. Com um "inquilino" martelando o nosso juízo, quem realmente é livre? Você pode até domar a fera, mas não fica livre; sentimento não se arranca, no máximo se ressignifica. Adam tem até uma fala sobre isso, de que alguns acontecimentos mudam a gente para sempre e não tem como escapar disso.
A outra questão do tempo tem a ver com a frustração (foto), daquilo que se sonhou e saiu dos trilhos por uma série de eventos que pareciam inofensivos, mas que tiveram, em conjunto, a capacidade de produzir grandes estragos. Vários, senão todos os personagens da série têm quilos de frustração, mesmo os do núcleo adolescente. Desejo e frustração são as molas dos ciclos temporais da série.
A última temporada de "Dark" vai ao ar dia 27 de junho de 2020, data cuja soma é 1, o número que significa tanto liderança quanto novos inícios. A terceira etapa... Olha a santíssima trindade aí, hehe. Não é exagero pensar num toque de religião nessa ficção científica. Os nomes dos personagens, aliás, saíram da Bíblia. Mas, enfim, vamos ver como essa história vai acabar. Tenho fé na precisão alemã (aquela testa toda não pode ser à toa). :P
Por enquanto, fiquem com a sabedoria do roteiro de Dark.








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